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DIAL P FOR POPCORN

DIAL P FOR POPCORN

BRING IT ON! (2000)

O grande cinéfilo Nathaniel Rogers, que mantém na Internet o blogue "Film Experience", tem vindo a desafiar os seus leitores (nos quais me conto obviamente - e se forem inteligentes, vocês também o serão) com uma nova rubrica chamada "Hit Me With Your Best Shot", na qual já participámos a semana passada ("Black Narcissus"). A ideia base é simples: ele escolhe um filme e todos os que quiserem participar escolhem a imagem (ou imagens) do tal filme e ele faz um link a todos os posts dos participantes, a cada semana. Esta semana dedicamo-nos a "BRING IT ON!" que faz 10 anos.

E aqui fica a minha crítica, seguida das imagens para participação na rubrica do blogue:


Acho divertida a dualidade extremista de opiniões nas discussões que envolvem este filme. Por um lado, há os fãs fiéis do filme, que consideram o filme das melhores comédias desportivas da década e que vibram com a animação que o filme de facto proporciona. Do outro lado, contudo, estão acérrimos detractores, que detestam o filme com todo o ódio da sua alma, que para eles não passa de mais um ridículo filme de adolescentes. E depois, felizmente, existem pessoas como eu, que gostam do filme, que o acham divertido, animado, uma boa hora e meia de entretenimento, sem todavia o considerar um grande filme. Um olhar interessante sobre a competição de duas claques rivais na luta pelo ceptro e, pelo meio, confusões típicas da adolescência.
É um dos melhores filmes da década? Na minha opinião, não. É um dos melhores filmes de 2000? Aqui talvez, mas estou inclinado a dizer também que não. É um dos filmes mais divertidos da década? Absolutamente. Vale a pena ver? Claramente. Tudo bem que é verdade, é uma comédia típica de adolescentes, com aquele tipo de humor meio parvo (se bem que o tom aqui é bastante mais sério do que noutros filmes do género), lida com um tema comum aos típicos filmes de adolescentes (como cá em Portugal não temos claques nem nada do género, é normal que na transferência dos Estados Unidos para a Europa o filme perca algum interesse - é natural, é como filmes sobre futebol nos Estados Unidos e sobre futebol americano aqui na Europa) e tem até referências bastante hip a situações relacionadas com a altura de então.


Contudo, ao contrário da grande maioria dos filmes de adolescentes e comédias desportivas que andam para aí, não se leva demasiado a sério, é um filme alegre e enérgico e além de cool, tem um argumento inteligente e com sentido de humor, com boas interpretações (em papéis que poderiam ser tão, mas tão estereotipados e unidimensionais - as personagens de Dushku e de Dunst são bons exemplos, a primeira porque podia virar caricatura barata e a segunda porque podia virar piada recorrente graças à enorme ingenuidade da sua personagem) de um elenco muito interessante (onde despontavam nomes como Eliza Dushku e Kirsten Dunst, hoje nomes facilmente reconhecíveis - e pensar que em 2000 as suas carreiras pareciam pedir vôos maiores...) e uma realização que priveligia o cuidado com os detalhes, desde as roupas até aos números de claque. Sobretudo, é um filme entretido e que agrada a todos, que é o mais importante.

NOTA:
B


E agora pegamos então nas cinco imagens que eu seleccionei do filme, que representam para mim as cinco cenas que mais gostei:

A primeira é bastante óbvia (e provavelmente constará de todos os blogues participantes): a cena da lavagem de dentes. Uma cena tão cómica quanto romântica, explorando muito bem a quirkyness dos dois protagonistas. Jesse Bradford e o seu estranho sorriso e as caretas engraçadas de Kirsten Dunst.


A segunda também é óbvia, digo eu: a cena de apresentação das personagens. Enérgica, divertida e alegre, dá o mote e acentua o tom que o resto do filme tem, além de nos introduzir à história (e é a minha escolha para BEST SHOT/MELHOR IMAGEM - e também para BEST SCENE / MELHOR CENA)


E a terceira também deverá constar de muitos dos blogues participantes: falo portanto da introdução à personagem de Eliza Dushku, Missy. As chaves... O ar enojado de algumas das meninas da claque... O ar excitado dos rapazes... E o aspecto de Dushku. É que ela nem precisou de falar para eu ver que ela é completamente irreverente. Basta olhar para ela e o que ela inspira em quem a vê.


A minha quarta cena favorita do filme é o breve aparecimento do treinador Sparky Polastri. De novo, uma excelente introdução à personagem que nos diz tudo aquilo que precisamos de perceber sobre ela sem sequer pronunciar uma palavra. Claro que quando ele finalmente fala percebemos que ele é um milhão de vezes pior e desbocado do que inicialmente pensávamos.

E finalmente... a minha quinta cena favorita. Não consigo explicar porque gosto dela. Mas gosto. Muito. É a cena de quando a personagem de Dunst, Torrance, ouve a cassete de Cliff (Jesse Bradford), depois da péssima prestação nos Regionais. E esta é a reacção dela à música.




Ano: 2000
Realização: Peyton Reed
Argumento: Jessica Bradinger
Elenco: Kirsten Dunst, Jesse Bradford, Eliza Dushku e Gabrielle Union nos principais papéis
Fotografia: Shawn Maurer
Banda Sonora: Christoph Beck

Pessoas da Década: Charlie Kaufman

Bem-vindos a uma das rubricas semanais do Dial P for Popcorn, a ter lugar no início da semana (normalmente segunda ou terça-feira). Nesta rubrica vamos discutir as pessoas que se tornaram (ou que continuaram a ser) grandes nomes na década de 2000, sejam actores, realizadores, compositores, fotógrafos, entre outros.


E esta semana vamos virar a nossa atenção para uma classe que muitas vezes não tem o respeito que merece. É que se é verdade que um realizador pode conseguir fazer maravilhas com um argumento mau, imagino que também seja verdade que um realizador pode conseguir uma obra-prima assinalável só porque quem escreveu as palavras que os actores pronunciam redigiu um texto de qualidade impressionante. Os argumentistas são, muitas vezes, os parentes pobres dos realizadores no sentido em que recebem muito menos respeito que o que merecem, uma vez que não há filmes sem gente que os escreva. E se adoram culpar os argumentos quando os filmes são maus (com razão, na maioria dos casos), porque não fazer o mesmo quando o argumento é brilhante mas a realização é um horror? Aí está o problema, é que normalmente é o realizador e não o argumentista que recebe o crédito quando as coisas correm bem.

Este senhor de que vou falar a seguir é, curiosamente, um dos poucos exemplos do contrário. E como foi ele que escreveu o argumento de um dos meus filmes favoritos da década passada - e recebeu mais crédito que o próprio realizador - não podia deixar de estreá-lo nesta rubrica logo que pegasse nos argumentistas. O filme em questão é "Eternal Sunshine of the Spotless Mind" e eu vou falar então de...

Charlie Kaufman


Uma carreira relativamente curta a nível cinematográfico mas com bastante riqueza e qualidade no trabalho até já efectuado. O primeiro filme de Kaufman como argumentista foi o extraordinário case-study de Spike Jonze, "Being John Malkovich", em 1999. Um filme bizarro e maluco a vários níveis mas mesmo assim espectacular. Dois anos mais tarde, em 2001, ele assinou o argumento de "Human Nature" para o realizador Michel Gondry, um filme que falhou em repetir o sucesso do seu primeiro escrito mas que foi, mesmo assim, elogiado pelo estilo evoluído, original e poderoso de escrita. Em 2002 escreveu o argumento de "Confessions of a Dangerous Mind", mais um falhanço menor, que foi no entanto bem recebido pela crítica, também tendo sido ajudado pelo facto de ser o filme de estreia de Clooney a realizador.


Contudo, foi com os dois filmes seguintes e o sucesso que estes trouxeram que este argumentista se tornou dos mais populares em Hollywood. Em 2002 volta a colaborar com Spike Jonze naquele que é o filme mais popular do realizador, o excelente "Adaptation", com Cage, Streep e Cooper (que venceu um Óscar pelo filme) e que funciona como uma espécie de auto-biografia do próprio Kaufman, que se imagina a ele a redigir um argumento baseado na obra de Susan Orlean. Ambos os filmes de Jonze valeram a Kaufman a nomeação para Melhor Argumento Original nos Óscares, tendo perdido as duas vezes. Seria à terceira que ele celebraria, com o que é considerado o melhor argumento original da década, o de "Eternal Sunshine of the Spotless Mind", em 2004, realizado por Michel Gondry e protagonizado por Carrey e Winslet (com Ruffalo, Dunst, Wilkinson e Wood no elenco de suporte).


O filme foi um sucesso estrondoso com a crítica, valeu nomeação a Kate Winslet para Melhor Actriz (que devia ter ganho nesse ano, na minha opinião) e o público também adorou. Esta bela história de um amor desencontrado na vida real que contudo se mantém na mente é sinceramente uma história bastante incrível e original (claro que haverá sempre quem discorde deste meu comentário, é normal devido às gigantes expectativas que se criaram em relação a este filme) e foi bem honrado com a estatueta de Melhor Argumento Original, sendo que é hoje em dia um dos principais termos de comparação para os escritos que o sucederam. E o engraçado mesmo é que Gondry nunca mais na vida fará outro filme tão bom como aquele e provavelmente a sua realização contribuiu largamente para o sucesso do filme, mas é sempre Kaufman que é relembrado quando o filme vem à baila. O argumentista só tem mais um filme na filmografia, que ele escreveu e realizou, o muito incompreendido (e brilhante, há que acrescentar) "Synecdoche, New York" de 2008 onde Seymour Hoffman dá uma extraordinária performance (além do excelente elenco secundário).


Do futuro nada se sabe, pois não existem mais projectos na sua agenda para breve, mas uma coisa é certa: o seu nome já é um marco na história do cinema e basta ele aparecer associado a qualquer filme que é razão suficiente para ficarmos logo excitados. E esse tipo de reacção não é para qualquer um. É só mesmo para quem é formidável no que faz.


Grandes Posters

"Eternal Sunshine of the Spotless Mind" (2004)


Lindo, não vos parece? Este filme, um dos meus favoritos da década, teve imensos designs mas este... com as mãos dadas, tão somente... E a luz do sol a esbater-se sobre a imagem capturada... Adoro.


Outros designs para este filme, todos excelentes, se bem que nada bate o acima, para mim:





P.S. - Peço desde já desculpa por estar a antecipar alguns posts que seriam supostamente da semana que vem mas como vou estar uma semana fora, em princípio sem computador, vou colocar até Sábado o máximo que eu puder. Fica o aviso.