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DIAL P FOR POPCORN

DIAL P FOR POPCORN

DRIVE (2011)



AVISO: Se não viram o filme ainda... Parem de ler aqui e vão vê-lo. Todos os outros: prossigam.




"I give you a five-minute window, anything happens in that five minutes and I'm yours no matter what. [...] I don't carry a gun... I drive."

Um homem no meio da escuridão atende um telefone no seu quarto de hotel. Ele está sozinho e sozinho ele ficará, apesar das muitas pessoas que vão entrar e sair da sua vida ao longo do filme. É conhecido como o Driver, porque é isso que ele faz. De dia, é um duplo para cenas de acção (as habituais stunts) e mecânico. De noite, é o condutor de um veículo de fuga que ajuda vários tipos de actividades ilegais. Ele não é um criminal - ele só conduz. É assim, ao som de "Nightcall" de Kavinsky, uma das poucas canções que consta na brilhante banda sonora retro, sintética de Cliff Martinez, que o Driver liga o carro, carrega no acelerador e avança, nunca mais olhando para trás.  "DRIVE" começa em cima e nunca desacelera, presenteando-nos com uma hipnótica, íntima, épica homenagem aos filmes de acção e violência metropolitanos de Michael Mann e William Friedkin (entre outros) dos anos 80 e à vida nocturna da cidade de Los Angeles. Carregado de adrenalina e testosterona "Drive" é uma verdadeira prenda para cinéfilos que há muito tempo aprenderam a amar os thrillers noir de Hollywood tal como Refn deve ter amado um dia.



Outro detalhe que me deleitou imenso foi a caracterização do nosso protagonista. Nunca sabemos o nome dele, nem dados sobre a sua família ou a sua história - só sabemos que é conhecido por Driver. E isso basta. Tudo aquilo que é preciso saber sobre a personagem está na sua obsessão por palitos, na sua escolha arrojada de vestuário de trabalho (um casaco branco com um escorpião dourado no seu dorso) e sobretudo nos olhos do actor que o interpreta. Ryan Gosling tem uma característica distintiva que instantaneamente nos atrai nele e que faz dele uma das estrelas mais excitantes da sua geração - é a plenitude, o mistério nos seus olhos. Em Gosling, Nicolas Winding Refn encontrou o parceiro perfeito para complementar o seu estilo: ninguém poderia interpretar este personagem tão cool, de expressão facial vazia, impenetrável, que poucas palavras diz, como Gosling o faz. É difícil dizer o que vai nos seus olhos azuis - o que o faz simultaneamente intrigante e intimidante. Nas poucas vezes que o Driver deixa transparecer a sua humanidade, quando Irene e Benicio (o filho de Irene) se encontram em perigo, é desconcertante vê-lo, periclitante, baixar a guarda e a arriscar-se por eles. Uma maravilhosa interpretação, a sua melhor este ano.


Para contrastar com o enigmático Driver, temos um grupo riquíssimo de actores secundários que dão ressonância emocional a um filme já de si poderoso à custa do seu estilo e da sua confiança, fazendo-nos preocupar com as pessoas que entram e saem da vida dele. Isto deve-se em absoluto ao calibre e talento do grupo de actores envolvidos, capazes de dar voz, sensibilidade e criar, de parcos momentos no ecrã, uma personagem completa, com uma história de vida sobre a qual adoraríamos saber mais se houvesse tempo. Carey Mulligan interpreta eficientemente a sua vizinha Irene, mulher casada e mãe de Benicio e empregada de mesa que vira o alvo improvável dos afectos do nosso protagonista, que se vê envolvido num negócio complicado com o marido de Irene, "Standard" (fantástico Oscar Isaac), acabado de sair da prisão. A outra ligação de Driver com o mundo do crime é Shannon (um esplêndido Bryan Cranston, que possui uma química brutal com Gosling), o seu chefe e agente, que o apresenta a duas figuras poderosas: o barulhento e rude dono de uma pizzaria, Nino (Ron Perlman) e o seu irmão Benny Rose (Albert Brooks), um homem pequeno mas ameaçador que esconde um talento para a violência brutal por detrás da sua cara feliz e satisfeita. É estranhamente excitante - mas nada divertido - vê-lo em acção. Christina Hendricks (que interpreta uma colaboradora de Nino, Blanche), finalmente, é particularmente divertida de observar na sua pequena cena.






Trabalhando a partir de uma história muito simplista baseada no romance de James Sallis de 2005 com o mesmo nome e adaptado para o grande ecrã pelo argumentista Hossein Amini (nomeado para Óscar por "The Wings of the Dove"), Nicolas Winding Refn aproveita a oportunidade para impressionar com o seu luxuoso, selvagem, arriscado sentido visual, a sua construção a passo rápido e os seus incríveis instintos, mais controlado e disciplinado aqui do que em "Valhalla Rising", o seu último filme, mas também infinitamente mais inspirado e electrizante aqui. O trabalho de Newton Thomas Sigel atrás da câmara também deve ser valorizado, oferecendo ao filme uma fotografia densa, rica, estilizada e cuidada que fica impregnada na mente muito depois do filme terminar. A cena do elevador é um excelente exemplo do quão exímio foi o trabalho de ambos. Fotografia icónica ao serviço da narrativa, mostrando a colisão entre os dois mundos em que Driver está envolvido e os riscos a subir em flecha. Crédito deve ser dado também a Cliff Martinez e às equipas de som, por extraordinariamente mostrar-nos as situações em torno do Driver como se lá estivéssemos.


Viciante, intenso, belo, genial e acima de tudo satisfatório, "Drive" é uma experiência verdadeiramente única, que satisfaz a sede do espectador por adrenalina e sangue e emoção e nos deixa no fim a mente - e o pulso - a mil por minuto. E tudo o que eu conseguia pensar era em ver o filme de novo. Depois de obviamente o ter feito, uma consideração ficou clara na minha consciência: acho que encontrámos a obsessão cinematográfica desta geração. E acredito que "Pulp Fiction" e Quentin Tarantino (para mim, o último revolucionário moderno a criar tanto impacto na cultura pop do seu tempo) não podiam estar mais satisfeitos com o seu sucessor.



Nota Final:
A-

Informação Adicional:
Realização: Nicolas Winding Refn
Argumento: Hossein Amini
Elenco: Ryan Gosling, Albert Brooks, Carey Mulligan, Ron Perlman, Bryan Cranston, Christina Hendricks, Oscar Isaac
Música: Cliff Martinez
Fotografia: Newton Thomas Sigel


Crazy, Stupid, Trailers - Parte II

Como prometido, cá está o artigo gigante de comentário sobre os vários trailers que foram lançados no último mês. A parte 1 já foi publicada; abaixo vem a parte 2.


CRAZY, STUPID, LOVE



Já cá tinha colocado o trailer mas como não tinha colocado o poster na altura... Cá estão ambos de novo. Porque nunca é demais perder a vista em tanto talento junto. Quer dizer, juntar Marisa Tomei, Steve Carell, Ryan Gosling, Julianne Moore e Emma Stone no mesmo filme? Fogo. "Crazy, Stupid, Love" estreia esta semana nos Estados Unidos.




THE DARK KNIGHT RISES








Quem também dispensa apresentações é este teaser que saiu esta semana para aquele que será sem sombra de dúvida um dos grandes títulos de 2012: o fim da trilogia Batman da era de Christopher Nolan, "The Dark Knight Rises". Marion Cotillard, Joseph Gordon-Levitt, Tom Hardy e Anne Hathaway são os nomes sonantes que se juntam aos regressados Christian Bale, Michael Caine, Gary Oldman e Morgan Freeman, com Jonathan Nolan a juntar-se de novo ao irmão na escrita do argumento a partir de uma história engendrada por David S. Goyer, uma vez mais. Deve chegar até nós no Verão de 2012.



THE DEVIL'S DOUBLE






Ando há anos a dizer que Dominic Cooper é dos maiores talentos a sair do Reino Unido na última década. Infelizmente, tirando uma ou outra excepção ("An Education"), ele não tem mostrado grande coisa nesse sentido. Parece que finalmente isso vai mudar com "The Devil's Double", no qual ele conseguiu críticas radiosas para a sua interpretação de um civil iraquiano que tem que passar por duplo do filho do infame ditador Saddam Hussein. Estreia esta semana nos cinemas norte-americanos.

DREAM HOUSE




Um dos meus filmes mais antecipados do ano passado, "Dream House" viu-se adiado para este ano. Jim Sheridan, responsável por um dos meus filmes favoritos da década passada ("In America") e por uma das melhores adaptações americanas de um original estrangeiro - embora eu não o tenha achado ("Brothers"), traz desta vez Naomi Watts, Daniel Craig e Rachel Weisz nos principais papéis, num thriller cheio de suspense sobre uma família que se muda para uma casa onde terríveis assassinatos foram cometidos e onde se tornam, de repente, o próximo alvo do assassino. Estreia marcada para 30 de Setembro nos cinemas americanos.



DRIVE






Não há como explicar o quão expectante e alucinado este trailer me deixou. Nicolas Winding Refn, que ganhou (como se recordarão) o prémio do Realizador no Festival de Cannes deste ano, para surpresa de muita gente (não minha, que tinha acompanhado o buzz e as críticas que o filme recebeu por terras francesas), traz-nos Ryan Gosling, Albert Brooks e Carey Mulligan nos principais papéis (também com Christina Hendricks, Ron Perlman e Oscar Isaacs) deste filme que promete ser cheio de acção e adrenalina. Ryan Gosling, particularmente, parece estar a cobrir todas as bases este ano: acção ("Drive"), drama ("The Ides of March"), comédia ("Crazy, Stupid, Love"). E com esta colaboração cheia de sucesso já assinou para mais dois filmes com Refn, "Only God Forgives" e "Logan's Run", ambos para 2012, o que, a juntar à nova colaboração com Derek Cianfrance ("Blue Valentine", no qual Gosling teve a melhor interpretação do ano, masculina ou feminina) - "The Place Beyond the Pines", deve garantir que pelo final de 2012 o mundo inteiro o venere a 100%. Sem estreia marcada para Portugal.




THE FUTURE







"Me, You and Everyone We Know" foi uma das grandes surpresas da década passada, que eu só descobri já estava a década a terminar. Desde logo me comprometi a prestar atenção quando a fabulosa argumentista/realizadora/actriz Miranda July voltasse a fazer um filme. E eis que chega este ano este "The Future", na qual dois trintões enfrentam pela primeira vez a sua mortalidade e tentam ultrapassar uma profunda crise de identidade agora que estão próximos da meia-idade. Hamish Linklater co-protagoniza. Mal posso esperar. Obteve críticas brilhantes em Sundance. Estreou a 13 de Julho nos Estados Unidos.


THE GRANDMASTERS







Três frases: Wong Kar-Wai. Tony Leung. Ziyi Zhang. É preciso mais? Só mesmo Wong Kar-Wai para me deixar entusiasmado por um puro filme de acção sobre a origem do kung fu. O filme é uma biografia de Yip Man, o homem que treinou Bruce Lee e um dos primeiros mestres de artes marciais. O teaser trailer é uma sequência espantosa de luta à chuva. Estou mais do que convencido. "The Grand Master" (ou "The Grandmasters", como já vi noutros sítios) chegará em princípio ainda este ano ao mercado norte-americano.



HAYWIRE







Como eu disse acima, "Contagion" não é o único Soderbergh deste ano. "Haywire" é o outro e claramente rivaliza em potencial e categoria de elenco com o primeiro. Se o primeiro está carregado de vencedores e nomeados para os Óscares, o segundo está cheio de gente porreiríssima e cheia de talento: Michael Fassbender, Ewan McGregor, Bill Paxton, Michael Douglas, Antonio Banderas, Channing Tatum e Michael Angarano, além da lutadora Gina Carano como protagonista desta película de acção e suspense. Se eu tivesse de apostar, este seria o "Traffic" e "Contagion" seria o "Erin Brokovich", se estivéssemos em 2000. É esperar para ver. Para já, estou bastante impressionado com ambos os projectos.



HIGHER GROUND







A estreia de Vera Farmiga como realizadora não podia ter sido mais auspiciosa, com a actriz a conseguir críticas interessantíssimas para o seu primeiro filme, "Higher Ground", no qual ela interpreta Corinne, uma mulher que encontra a paz e a espiritualidade junto de uma comunidade religiosa que a ajuda a recuperar de um acidente horrível. Além de me ter deixado curioso, o elenco parece excelente e Farmiga parece brilhante. Mal posso esperar. Chega aos cinemas a 26 de Agosto.



HUGO





Quando Martin Scorcese faz um filme, somos obrigados a ficar atentos. Infelizmente, quando este filme ganha um trailer que mais parece promover a obra mais recente de Robert Zemeckis do que propriamente um Scorcese... É de desconfiar da qualidade da película. Chloe Moretz e Asa Butterfield protagonizam "The Adventures of Hugo Cabret", título recentemente - e infamemente - encurtado para "Hugo", uma aventura familiar que decerto (espero eu) terá por detrás uma profundidade inesperada e alguma recompensa para os fãs da filmografia do Marty. É que vamos em dois filmes seguidos que me desapontaram. Esperemos que não cheguemos aos três, Martin. Esperemos que não se chegue aos três. Ainda para mais porque "Silence" parecia tão melhor projecto que este para ser adiado.


IMMORTALS



Tarsem Singh é considerado, por muitos, um realizador visionário, com forte poderio visual. Eu nunca concordei muito com tal afirmação e este trailer para o seu novo filme, "Immortals", não me ajuda a melhorar a minha opinião. Parece uma cópia do estilo de "300" e a narrativa também não me fascina. Ainda assim, estou pronto a dar-lhe uma hipótese. Se chegar ao nível de entretenimento de "300" (que não é um mau filme, mas também não é nada de especial), já me dou por satisfeito. Ter Henry Cavill como protagonista - que eu considero ter demasiado talento para o nível baixo de estrelato que possui - é sempre bom indício. O filme estreia a 11 de Novembro nos cinemas mundiais.



THE IRON LADY



Na corrida ao Óscar, Meryl Streep tem que ser sempre tida em conta, a cada novo trabalho que aceita. É já habitual e talvez por isso a Academia nunca sinta necessidade de a premiar devidamente. De qualquer forma, ela está de volta em 2011 com o que se espera ser mais uma interpretação arrebatadora, no papel da famosa primeira-ministra inglesa Margaret Thatcher. O único ponto fraco do filme, na minha opinião, é a realização de Phyllida Lloyd ("Mamma Mia!"), que pode fazer tudo correr muito mal. Ainda assim, estou expectante. "The Iron Lady" chega distribuído pela The Weinstein Company no terceiro trimestre deste ano aos cinema.


LA PIEL QUE HABITO



O mundo do cinema fica sempre mais rico quando os grandes autores saem do seu casulo e lançam novos filmes. Este ano, ao lado de von Trier, de Haneke, dos irmãos Dardenne, vem um novo Pedro Almodovar, que conseguiu críticas mistas, muito divisivas, em Cannes. Antonio Banderas e Pedro reúnem-se muitos anos depois da sua última colaboração, o extraordinário "La Ley del Deseo", num thriller sobre um cirurgião plástico que jura vingar a violação da sua filha. Como para qualquer Almodovar, nem é preciso perguntar, alinho obviamente.

E desta parte, que trailers vos chamam a atenção?