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DIAL P FOR POPCORN

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Especial Animação: HOW TO TRAIN YOUR DRAGON (2010)


Há filmes especiais. Há filmes que parecem surgir na tua vida em determinada altura por pura circunstância do acaso mas que, no entanto, parece mais trabalho do destino. Este "HOW TO TRAIN YOUR DRAGON" é um deles. E agora vou ter que contar isto para vos pôr dentro do contexto: Recentemente adquiri um gato. Eu, que sempre gostei de animais mas nunca me havia aventurado a tomar realmente conta de um. E desde que o tenho que me apaixonei perdidamente pelo bicho. De tal modo que imaginar agora a minha vida sem ele põe-me logo num semblante triste. É por isto que a narrativa e a mensagem deste filme me dizem tanto. Porque na verdade quando olho para Toothless vejo o meu gato. E vai-me ser impossível ver o filme com outros olhos, não importa quantos milhares de vezes eu repita essa visualização.


Além desta circunstância feliz, "HOW TO TRAIN YOUR DRAGON" marca também a primeira incursão da Dreamworks em territórios e temas mais sérios, mais adultos, como a perda da inocência com o fim da infância e a entrada na adolescência, como a perda de um amigo e como a capacidade de sobrevivência. Coincidência ou não, é hoje o filme mais criticamente aclamado e aplaudido da Dreamworks, a milhas dos dólares que a franchise "Shrek" fez entrar nos cofres da empresa de Steven Spielberg mas, para compensar, uns bons furos acima, em qualidade, do velho ogre verde.


O filme narra a história de Hiccup, um jovem guerreiro viking, caçador de dragões aprendiz, que dá de caras com um dragão ferido, o perigoso Nightfury, que ele passa a chamar por Toothless e com quem forja uma improvável e poderosa amizade que irá expor a cada um deles o mundo do outro por outros olhos. Através dele, Hiccup começa a perceber que os dragões não são os seres maquiavélicos e demónicos que o seu povo considera, mas sim animais inteligentes, afáveis e até carinhosos, se tratados de forma respeitosa. Juntos, terão que ser eles a força que faz a diferença e mudar a mentalidade do povo viking para quem os dragões são pouco mais do que objecto de caça. 


Uma das razões pela qual "HOW TO TRAIN YOUR DRAGON" resulta tão bem reside na inventiva animação do dragão Toothless. Com maneirismos próprios do nosso gato ou cão de estimação, com movimentos majestosos e com um aspecto a princípio ameaçador mas em seguida dócil e fofinho, Toothless é, sem dúvida, o primeiro motivo pelo qual nos apaixonamos pelo filme. A segunda razão é o facto da narrativa premiar Hiccup pela sua atitude gentil e amigável perante os dragões. Poucos protagonistas de histórias de acção são tão corajosos quanto bondosos, tão bravos quanto sensíveis. Ele não é atlético - é forte mentalmente. Ele é um pacifista - só se envolvendo na guerra entre vikings e dragões porque é obrigado. A sua relação com o seu dragão é das mais comoventes que eu já vi na grande tela - no fim de contas, ele é um rapaz que ama o seu animal e tudo faz por ele. Quem não se iria identificar com isso? Um pequeno milagre, este argumento de DeBlois e de Sanders. O terceiro motivo - e talvez o mais importante para que tanta criança goste do filme - são as épicas, mágicas e intensas sequências de voo e cenas de acção, do mais alto quilate em termos de animação. A Dreamworks finalmente mostra alguma evolução a este nível, com a fotografia - sob supervisão de Roger Deakins - a ser um dos pontos altos do filme. E um dos poucos filmes que posso dizer que faz bom uso do 3D.


O quarto ponto alto é a prodigiosa banda sonora de John Powell. Confesso que pouco conhecia da carreira deste compositor em Hollywood, tendo-me forçado depois de ver o filme a escutar outras bandas sonoras da sua autoria e a concluir o óbvio: apesar de ele ter trabalhos muito bem conseguidos antes, nunca atingiu o nível de brilhantismo e consistência, durante um filme inteiro, como o fez aqui. A banda sonora é entusiasmante, eleva-nos o espírito, alegra-nos ou entristece-nos em meros segundos. É absolutamente brilhante - e imensamente merecido que tenha recebido a nomeação para o Óscar. De resto, só uma pequena palavra para o elenco - e que elenco! Jay Baruchel encaixa na perfeição no corpo e no tom de Hiccup, Kristen Wiig e TJ Miller são hilariantes como os gémeos Ruffnut e Tuffnut, America Ferrera dá um toque de classe a Astrid, Jonah Hill e Christopher Mintz-Plasse, como de costume, providenciam a comédia física e mesmo Craig Ferguson e Gerard Butler destacam-se positivamente pela desinibição em aparvalhar um pouco as suas personalidades mais sérias.

De qualquer forma... Faz-me feliz que a Dreamworks tenha finalmente encontrado um filme no qual tudo aquilo que faz de positivo realmente ajuda a dar uma cor e um toque diferente a uma história invulgar e que tenha conseguido juntar um grupo imenso de gente de qualidade em torno do projecto. Não, não é tão bom como alguns Pixar - ainda assim... quão errado pode ser amar tanto um filme assim, querer abraçá-lo e jamais largar? Quero um Toothless só para mim - e isso, meus caros, diz tudo. Este filme não é perfeito, longe disso até. Mas era o filme que eu precisava na altura em que ele me surgiu e, por isso, nunca hei-de esquecer as emoções que vivenciei no dia em que o vi. "Toy Story 3" pode ser a história de sucesso do ano em termos de animação; contudo, para mim, o ano trará sempre a memória de como aprendi a treinar o "meu" dragão.

Nota: 
A-

Ficha Técnica:
Ano: 2010
Realizador: Dean DeBlois, Chris Sanders
Argumento: Dean DeBlois, Chris Sanders, William Davies
Banda Sonora: John Powell
Elenco (vozes): Jay Baruchel, Gerard Butler, America Ferrera, Jonah Hill, Christopher Mintz-Plasse, TJ Miller, Kristen Wiig, Craig Ferguson, David Tennant, Ashley Jensen



Especial Animação: A diversão em SHREK (10º Aniversário)


Nesta semana especial, que abre o mês de festividades, pedimos a amigos próximos e colaboradores de outros blogues que nos ajudassem a abordar um dos nossos temas preferidos: a animação. Todos eles foram limitados a um máximo de dez imagens ou um vídeo para a sua tarefa. Sete dias, sete colaboradores, sete títulos que festejam este ano o início de uma nova década de vida. Muita diversão, emoção e magia é prometida. A ver se cumprimos. O nosso terceiro convidado é, além de grande cinéfilo, um grande amigo cá da casa - e com muita pena lhe calhou uma tarefa ingrata, uma vez que o filme em questão hoje não é, de todo, um dos seus favoritos: SHREK, que festejou 10 anos de vida no passado mês de Maio. Passo a palavra ao Tiago Ramos (Split-Screen):


"We can stay up late, swapping manly stories, and in the morning, I'm making waffles!"
 

Qual é que preferem? A princesa abusada mentalmente, a princesa que apesar de viver com sete outros homens não se vende facilmente ou finalmente a princesa ruiva trancada num castelo guardado por um dragão?






"Welcome to Duloc, such a perfect town / Here we have some rules, let us lay them down: / Don't make waves, stay in line / And we'll get along fine / Duloc is a perfect place
Please keep off of the grass / Shine your shoes, wipe your... FACE! / Duloc is, Duloc is / Duloc is a perfect... place!"




 
"Huh, celebrity marriages. They never last, do they?"










A tarefa de falar sobre SHREK não é pacífica para mim. Este é provavelmente um dos filmes de animação que eu menos gosto de sempre, não compreendendo sequer todo o hype relacionado com o mesmo ou as suas sequelas. Compreendo muito menos o Óscar que ganhou como Melhor Filme de Animação, num ano em que existia um outro candidato bem melhor e mais simples: "Monsters, Inc." da Pixar. Aliás, a reputação da DreamWorks como grande estúdio de animação cresceu e formou-se com "Shrek", o que para mim foi um prenúncio de que algo ali estava mal. Não que não existam filmes melhores do estúdio, mas à grande maioria deles falta-lhes chama e realismo. E o único que realmente considero um grande filme é o "How To Train Your Dragon".

"Shrek" é um dos títulos mais grotescos de sempre da história da animação, cheia de humor escatológico, brejeiro e ridículo. Por mais que tentem passar a mensagem que o que interessa é a beleza interior, não consigo deixar de ver apenas uma criatura grosseira e que nada traz de bom para os espectadores (sejam eles crianças ou adultos), mesmo sendo um ogre. De valor apenas algumas das personagens secundárias, especialmente as vindas dos contos, como o Pinóquio ou os Três Porquinhos, ou ainda o Gingerman; bem como a banda sonora do filme repleta de hits.

Confesso que me foi difícil escolher cenas que gostasse realmente no filme, pelo que a última é a que realmente prova o que penso do filme.
 
Lamento ter-te feito passar pelo suplício de ver um filme que não gostas, Tiago! Para a próxima compenso-te - e obrigado por teres aceite o convite!

E agora vocês: partilham da opinião do Tiago sobre o Shrek e sobre a Dreamworks no geral?
 

Especial Aniversário: Semana de Apreciação à Animação


Como aperitivo para um mês especial de comemoração do aniversário do blogue, no qual nos vamos dedicar a analisar apenas filmes que celebrem uma nova década de aniversário este ano, pedimos a amigos e colaboradores em outros blogues de cinema e televisão que se juntassem a nós e que participassem numa semana especial. Como sabem, o Dial P For Popcorn sempre teve a animação como um dos géneros favoritos e somos dos maiores defensores dela enquanto género cinematográfico de excelência dentro da sétima arte. 


Assim, decidimos dedicar esta primeira semana de celebração à animação. Eis-nos, portanto, prestes a iniciar uma Semana de Apreciação à Animação. Nesta semana, pedimos aos nossos sete honrosos colaboradores que falassem um pouco da magia de sete títulos facilmente reconhecíveis - e cada um deles com bastantes admiradores - que celebram o seu aniversário este ano (três de 2001, um de 1991, um de 1961, um de 1951 e um de 1941). Pelo meio, teremos artigos dedicados a diversos filmes de animação que para mim são dos maiores representantes do género, dos três grandes estúdios (Pixar, Dreamworks, Disney) e não só, além das críticas aos três mais recentes filmes de animação nas salas de cinema ("Rio", "Kung Fu Panda 2" e "Cars 2"), entre outras coisas. 


Espera-se uma semana muito divertida e também muito emotiva. Espero que nos acompanhem e que gostem. Aproveito desde já para agradecer aos sete magníficos que prontamente se ofereceram para colaborar connosco. Que eles - e eu! - consigamos mostrar a todos a magia que a animação nos traz aos nossos corações.