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DIAL P FOR POPCORN

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As melhores novas séries da temporada chegaram


Volto a este assunto porque, infelizmente, a temporada não tem sido famosa. Das novas estreias, várias já acabaram canceladas - incluindo uma das minhas estreias favoritas, "Last Resort". "Go On" tem vindo a cair a pique nas audiências, o que me assusta, porque embora continue a gostar da série, essa queda associada a um decréscimo da qualidade em alguns episódios coloca-a em perigo de renovação. "Nashville" transformou-se completamente numa telenovela, country-style. "Elementary" já entrou em modo procedural da CBS e com isso o meu interesse tem sido reduzido (junta-se a "Person of Interest" nesse pormenor). Desisti de "The Mindy Project" porque a moça, quantos mais episódios passa, mais irritante fica. E não é irritante de forma positiva, tipo a Lena Dunham em "Girls", é mesmo absolutamente insuportável. E como se previa, uma das melhores estreias, "Ben and Kate", já acabou cancelada.

Resumindo e concluindo... Não estou a acompanhar mais nenhuma das novas séries tirando "Go On". É por isso que saúdo com grande alegria estas três novas ofertas que passaram de muito promissoras a cumpridoras. De um nível excelente as três. 


"UTOPIA" foi a primeira das três a estrear. Série britânica do Channel 4 (o mesmo canal de "Misfits", sim), é impossivelmente bizarra e esquizofrénica, seguramente um dos dramas mais provocantes e inteligentes do novo ano. Aborda um mundo fantástico em que um grupo de pessoas é perseguido por uma organização misteriosa intitulada The Network (A Rede) que pretende reaver uma lendária banda desenhada - The Utopia Experiment - de que se diz ter capacidade de prever eventos futuros. Não é para toda a gente e promete ser bastante violenta (o que poderá afastar alguns espectadores), mas para os apreciadores da televisão britânica é um must-see.


"THE AMERICANS" é mais uma oferta dramática da FX, que se tem tornado aos poucos num dos meus canais favoritos, com programação alternativa mas sempre de qualidade e, mesmo que nem sempre aprecie todos os seus programas em pleno, são sempre fonte de algo interessante para apreciar. "The Americans" parece-me, para já, que se irá juntar aos dramas de topo da estação de cabo, como "The Shield", "Justified" ou "Sons of Anarchy". Contudo, se acabar como "Damages", "Rescue Me" ou mesmo "American Horror Story", também não está mal. Queriam muitos produzir um drama dessa craveira. "The Americans" (criada por Joe Weisberg e Graham Yost, criador de "Justified") narra a história de Philip e Elizabeth Jennings (Jeri Russell e Matthew Rhys, fantásticos protagonistas), dois espiões da KGB que vivem infiltrados em Washington D.C., em plena Guerra Fria. Embora o panorama político não tenha sido ainda bem explorado no piloto, a série parece prometer, sobretudo quando se foca na relação entre Philip e Elizabeth e como tem sido a sua convivência juntos ao longo dos anos. Se esta chegará ao nível de "Homeland" ainda não sabemos; mas o que sei sem dúvida é que estamos perante a melhor estreia da temporada, para mim.

Bónus: os melhores créditos da temporada:


A terceira série estreou ontem - e foi possível acompanhar em estreia mundial no TVSéries (uma boa aposta do canal). "HOUSE OF CARDS" tem mão de David Fincher - que realiza os dois primeiros episódios e fica como produtor executivo - e Beau Willimon (que redigiu "The Ides of March" para George Clooney, que versava sobre temas semelhantes) e é protagonizado por Kevin Spacey e Robin Wright, com Corey Stoll, Kate Mara e Michael Kelly a completar o elenco principal. Armadilhas políticas, sabotagem e jogadas de bastidores são prato forte da série que se foca em Francis Underwood, um político brilhante que julga ter conseguido finalmente a oportunidade que há muito merecia, a nomeação para Secretário de Estado. Negado pelo Presidente, Underwood vai tentar minar o caminho, por dentro, a todos os que ajudou a eleger. Uma interpretação impressionante de Spacey, que adapta o seu sorriso trocista e maldoso na perfeição a Francis, complementado pela gélida e frívola performance de Robin Wright no papel da sua mulher. Mal posso esperar para ver onde a série vai parar.


Uma última sugestão, se me permitem. Depois do sucesso além-fronteiras de "Downton Abbey", as séries de época britânicas voltaram em força este ano, com a estreia de "Mr. Selfridge" com Jeremy Piven no papel principal, "Paradise", "A Young Doctor's Notebook" (com Daniel Radcliffe e Jon Hamm) e "The Parade's End" (com Benedict Cumberbatch e Rebecca Hall, estreada no Reino Unido no Verão do ano passado mas que só agora chega aos Estados Unidos, via HBO). Mas a que mais sucesso tem tido de todas é "CALL THE MIDWIFE", série que relata a vida de uma parteira nos anos 50, que está de volta para uma segunda temporada agora (já foram transmitidos dois episódios). Não percam, se possível. Merece visualização. Mais não seja porque nos mata as saudades de Miranda Hart. O que relembra que a terceira temporada de "Miranda" também já estreou no Reino Unido. Também se aconselha, já agora.



DAFA TV 2011: Melhor Actriz e Actor Secundário - Drama

Depois de termos abordado as minhas escolhas para Melhores Novas Séries e os meus nomeados (e vencedores) para Melhor Actor e Actriz Secundários em Comédia, venho hoje com mais duas categorias, homónimas das do último artigo mas na categoria de drama: MELHOR ACTOR SECUNDÁRIO - DRAMA  e MELHOR ACTRIZ SECUNDÁRIA - DRAMA. Habitualmente, atribuo estes prémios no final da temporada de televisão de 2011 (Verão). Este ano, decidi fazer diferente e copiar, por assim dizer, o modelo dos Globos de Ouro, só atribuindo os prémios depois das novas estreias de 2011.

Os meus nomeados são:

MELHOR ACTOR SECUNDÁRIO - DRAMA


Alan Cumming / THE GOOD WIFE   #1
Peter Dinklage / GAME OF THRONES
Walton Goggins / JUSTIFIED   #3
Shawn Hatosy / SOUTHLAND
John Noble / FRINGE   
Aaron Paul / BREAKING BAD  #2



Seis escolhas fáceis de explicar: Dinklage foi presenteado com a melhor personagem de "Game of Thrones", mas isso não o impediu de transformar Tyrion Lannister em algo muito seu, rico em profundidade, carisma e presença. A sua cena na corte da Casa Arryn? Inesquecível. Cumming foi justamente nomeado para um segundo Emmy o ano passado (e sê-lo-á muito seguramente para um terceiro este ano) pelo seu Eli Gold. Não há personagem nem tão mordaz nem tão excêntrica quanto esta. Eli Gold poderia ter ido parar a muitos actores capazes que fariam um bom trabalho com a personagem. Contudo, esta foi cair nas mãos de Alan Cumming, que é um dos seres humanos mais absolutamente fascinantes que há. O resultado: Eli Gold torna qualquer cena em que aparece melhor pela sua mera aparição.  A vontade dos fãs de verem premiado John Noble ressoa muito em mim. Porque o homem, caramba, merece. Não há ninguém na televisão que tão facilmente consegue desdobrar a sua personagem e mutá-la numa coisa completamente diferente, ao mesmo tempo que com tanta leveza habita a sua personagem. Pena que a ficção científica não seja muito respeitada. Vamos agora pausar para falar de "Justified", sim? Uma série que transpira classe por todos os poros. Que Timothy Olyphant é excelente e Margo Martindale transcendente, todos sabemos. Não vejo é muita gente elogiar o restante elenco, de Natalie Zea a Jeremy Davies e, sim, Walton Goggins. Que maravilha foi vê-lo nomeado o ano passado para o Emmy.  Boyd é a arma secreta da série. É o cabrão mais complicado de entender que há em Harlan, imprevisível como um raio, um criminoso do mais rasca que existe mas que exibe traços de humanidade quando encostado à parede. Finalmente, Hatosy. "Southland" é das séries mais menosprezadas da televisão americana e, infelizmente, é uma das mais sensacionais séries policiais da última década. O ano passado, Bryant teve que lidar com o fim do seu casamento, um bebé que possivelmente não era seu e ver o seu parceiro ser morto. Hatosy fugiu ao melodrama e optou por nos deixar penetrar no seu íntimo, na sua alma, tornando as suas cenas simultaneamente difíceis de ver mas impossíveis de não experienciar. Desde "Peekaboo" que tenho Aaron Paul em muito boa conta. Como "Breaking Bad", o actor foi evoluindo e a sua interpretação melhora cada vez mais, mais detalhada, mais profunda, mais impregnada de magnetismo, de carisma, de presença. Um homem autêntico e real, que paga bem caro os erros (infantis, próprios da idade) que comete. Pinkman é extraordinário, mas o actor que o interpreta não o é menos.

MELHOR ACTRIZ SECUNDÁRIA - DRAMA


Khandi Alexander / TREME   #3
Emilia Clarke / GAME OF THRONES
Regina King / SOUTHLAND
Margo Martindale / JUSTIFIED   #1
Archie Panjabi / THE GOOD WIFE  #2
Mae Whitman / PARENTHOOD

Esta categoria é Margo Martindale e depois todas as restantes. Martindale chega a "Justified" como um vulcão em erupção, enganando toda a gente com a sua doçura e o seu ar pacato de avó simpática nunca mostrando que por detrás dessa gentileza está um dos piores e mais temíveis vilões da televisão dos últimos anos. Brilhante. Panjabi continuou intrigante, misteriosa e poderosa, enquanto a vimos ser repetidamente atacada pelo novo investigador da firma e pelo segredo que ele desvenda que coloca a sua relação com Alicia na corda bamba (ver Kalinda a chorar foi das cenas mais intensas e emocionais que vi na televisão o ano passado). Levaria facilmente o prémio em qualquer ano não fosse este o ano de Martindale (e que me leva a arrepender ter fugido a premiá-la o ano passado). Khandi Alexander é impecável em "Treme" e se mais gente visse a série ia perceber que a actriz está aqui a anos-luz do seu estereótipo de personagem em "CSI". Whitman faz a sua Amber pulsar de adrenalina adolescente, vivendo todas as emoções à superfície. Um dos maiores trunfos de um actor é saber dizer com a expressão facial tudo aquilo que sente lá dentro. Whitman fá-lo com uma facilidade tremenda e torna a sua química com Lauren Graham, sua mãe na série e também ela uma profissional a dizer as coisas com o olhar, fantástica de analisar e observar. Duas grandes mulheres. Regina King é das mais sólidas actrizes de elenco que anda pelo pequeno ecrã e eu já penso isto há anos. Em "Southland", foi-lhe permitido florescer uma personagem de superfícies duras, aguçadas, com muito para contar mas com pouca vontade de mostrar. Nestas últimas duas temporadas, a sua detective Lydia, que costuma ser muito composta, calma, confiante e segura de si própria tem sido atirada aos leões, por assim dizer, com casos marcantes, um novo parceiro, traições, romance e tiroteio que permitem a King mostrar de que fibra é feito o seu gene da representação. De "Game of Thrones" tive que ponderar escolher entre Maisie Williams e Emilia Clarke. Depois vi que não podia conscientemente colocar cá Williams sem ter também Kiernan Shipka (a Sally de "Mad Men" esconde um enorme potencial enquanto actriz; espero que aproveite) e ficou Clarke então com o lugar. Não que ela não o mereça, claro, porque só alguém tão impressionante e talentosa como Clarke podia fazer de Daenerys a personagem tão frágil quanto imperiosa que é (não é qualquer mulher que domina Khal Drogo de forma tão majestosa). Além de Williams e Shipka, perto dos nomeados ficaram também a sempre espectacular Christina Hendricks ("Mad Men"), a consistente Natalie Zea ("Justified"), a incandescente Kelly MacDonald ("Boardwalk Empire") e a fogosa Christine Baranski ("The Good Wife").


E para vocês, quem foram os melhores personagens secundários em dramas neste último ano (e meio)?

EMMY 2011: Actor e Actriz Convidados - Drama



Com a cerimónia dos Emmy a ocorrer em breve (dia 18 de Setembro), chega a hora de eu abordar finalmente as principais categorias a prémio e discutir os méritos dos nomeados, de quem ficou de fora e quem terá maiores probabilidades de vencer.

As quatro categorias de hoje serão as de Actor e Actriz Convidado, Drama e Comédia. Decidi começar por estas pois os seus vencedores serão revelados já hoje nos Creative Arts Emmys. Começamos pela categoria de Melhor Actor Convidado - Drama.


Beau Bridges, "Brothers and Sisters"
Jeremy Davies, "Justified"
Bruce Dern, "Big Love"
Michael J. Fox, "The Good Wife"
Paul McCrane, "Harry's Law"
Robert Morse, "Mad Men"

Quem ficou de fora: Penso que não há grandes vítimas nesta categoria, se bem que considero que há razão para Scott Porter ("The Good Wife"), Joe Manganiello ("True Blood"), Michael Emerson ("Parenthood") e Johnny Lee Miller ("Dexter"), entre outros, para reclamar um lugar entre estes nomeados.

Quem vai ganhar:  Em teoria, o prémio seria de Michael J. Fox e provavelmente será ele quem vá ganhar, embora me pareça que Jeremy Davies e Paul McCrane possam também vencer, não sendo surpresa para ninguém. O único nome que riscaria desde logo da corrida é o de Robert Morse.

Quem tem o melhor episódio: "Brody" é um excelente episódio para Beau Bridges, que garantiu a sua quarta nomeação nas categorias de actor convidado nos últimos cinco anos. Tem muito tempo de ecrã, dá para nos apercebermos da sua personalidade extrovertida, carismática e confiante e a sua enorme química com Sally Field é por demais evidente. Jeremy Davies tem aquele que é, para mim o melhor episódio do grupo. Em "Reckoning", o seu personagem Dickie é perseguido e depois arrastado para o mato e capturado por Raylan, numa interpretação brilhante por parte de Davies. Éo o meu favorito pessoal à vitória, se bem que penso que não é quem vai vencer. Michael J. Fox é o óbvio candidato à vitória, com apenas um senão: ele não conseguiu vencer o ano passado nesta mesma categoria, com este mesmo papel, por um episódio bastante mais forte (também era impossível bater John Lithgow de qualquer forma) do que este "Real Deal". Ainda assim, o vencedor de três Emmy - um nesta categoria em 2009 por "Rescue Me" - não pode ser desprezado, mesmo com uma interpretação mais controlada e subtil do que é costume. Engraçado que Bruce Dern cá apareça quando em outros anos ele esteve tão mais forte e ainda por cima no episódio submetido é Grace Zabriskie, que interpreta a sua esposa, que rouba cenas. Ainda assim, o seu diálogo com o seu filho sobre a sua mulher em "D.I.V.O.R.C.E." é devastador. Depois de três nomeações em quatro anos, o Bert Cooper de Robert Morse abandona de vez a firma de publicidade de "Mad Men", numa das cenas mais tensas e excelentemente interpretadas do episódio. Contudo, em "Blowing Smoke", além desta cena, pouco mais tem Morse a fazer, o que exclui quase de imediato que ele tenha sequer qualquer hipótese de conseguir vencer. Finalmente, falemos do grande ponto de interrogação da categoria, Paul McCrane. É a melhor interpretação dos seis a par de Davies - em "With Friends Like These", o seu advogado despe-se em pleno tribunal em protesto quando o júri não concorda com o seu discurso - e ter a seu lado David E. Kelley, que já levou 34 actores de séries suas a vencer Emmys, ajuda imenso.

Quem devia ganhar: De entre estes nomeados, Jeremy Davies ou Michael J. Fox.


Agora falando de Melhor Actriz Convidada - Drama que, pelo primeiro ano desde que me lembro, não contém qualquer nomeada vinda da série "Law & Order: Special Victims' Unit", pela qual venceu o ano passado Ann-Margret.



Cara Buono, "Mad Men"
Joan Cusack, "Shameless"
Loretta Devine, "Grey's Anatomy"
Randee Heller, "Mad Men"
Mary McDonnell, "The Closer"
Julia Stiles, "Dexter"
Alfre Woodard, "True Blood"

Quem ficou de fora: Acho que Rebecca Creskoff ("Justified") tem razões de queixa noutras categorias além desta, bem como Mary-Beth Peil ("The Good Wife") e Anika Noni Rose ("The Good Wife") que podiam muito bem ter entrado no número elevado de nomeações que a sua série conseguiu. Também Gretchen Mol ("Boardwalk Empire") sai excluída sem eu perceber bem porquê.

Quem devia ganhar: Entre os nomeados, Joan Cusack e Julia Stiles são sem dúvida as duas favoritas e provavelmente será uma delas a vencer, daí que teremos sempre uma vitória merecida. A minha preferência pessoal vai para Joan Cusack.

Quem vai ganhar: É uma luta a duas entre Julia Stiles e Joan Cusack, o que quer dizer que a Showtime sairá sempre vitoriosa nesta categoria, a não ser que algo muito inesperado aconteça. À partida, Julia Stiles tem mais tempo de ecrã mas Joan Cusack tem o nome, a idade, a reverência e a interpretação necessárias para levar o prémio para casa.

Quem tem o melhor episódio: A interpretação mais consistente é a de Joan Cusack, que em "Frank Gallagher: Loving Husband, Devoted Father" se exibe a alto nível, quando a sua agorafóbica personagem fica de tomar conta de um bebé que foge para o jardim e que a obriga a medidas drásticas para o recuperar. É uma actuação impressionante, que só peca por não ser possível submeter outros episódios anteriores para explicar mais ao pormenor a complexidade da condição da personagem. Ainda assim, é a mulher a abater. E a única com grande possibilidade de o fazer é Julia Stiles, quase estreante nestas coisas da televisão, que se bate bem com Dexter Morgan (Michael C. Hall) nesta temporada de "Dexter". Em "In The Beginning", somos quase obrigados a abraçar a sua personagem, que se junta a Dexter para procurar um dos assassinos de que foi vítima. É um episódio bastante intenso e forte. Se há alguém que possa ser considerado o dark horse da categoria, é Loretta Devine. Ela, que se arrasta por "Grey's Anatomy" já lá vão muitos anos, teve este ano uma história de relativa importância na série, ao ser diagnosticada com Alzheimer. No seu episódio, "This Is How We Do It", a sua personagem é confrontada com a notícia e atravessa um espectro largo de emoções, da raiva à aceitação, pondo tudo em causa. Uma vez que Kate Burton, duplamente nomeada por uma narrativa semelhante na mesma série há alguns anos atrás, nunca venceu, também me parece difícil acreditar que será Devine a vencer. Em "Chinese Wall", Faye Miller (a personagem de Cara Buono), apaixonada por Don Draper, decide contar-lhe alguns segredos para o poder ajudar no negócio, pensando ingenuamente tratar-se de um gesto para com quem ama. Mais tarde, a sua ira é incandescente, irrompendo pelo gabinete de Draper e respondendo-lhe à medida quando descobre a sua traição. É o melhor episódio dos seis, mas o seu tempo de ecrã é tão escasso que não me parece que ela tenha qualquer hipótese. Mary McDonnell pouco faz também no seu episódio, "Help Wanted", em que ela entrevista e selecciona candidatos para um cargo policial. Já que falamos em tempo de ecrã, é altura de abordar Alfre Woodard, nomeada por dois ou três minutos de aparição em "True Blood". A actriz faz, todavia, esses poucos minutos contar, quando na sua cena ela agride o seu filho física, verbal e psicologicamente. Finalmente, falta falar de Randee Heller, que conseguiu o impensável: uma nomeação para a sua formidável - e inolvidável - Miss Blankenship, uma favorita do público, que perece no seu episódio "The Beautiful Girls", deixando Draper e a sua equipa a discutir a melhor forma de se ver livre dela sem que nenhum cliente se aperceba.

E vocês, que acham?

NOBODY KNOWS (2004)


Dare mo shiranai, com o titulo internacional de Nobody Knows, é (mais) uma obra-prima vinda do Oriente. É muito bom e recomendo-vos vivamente a verem-no! O filme é todo ele contado como se de uma metáfora se tratasse, representando aquilo que é o degredo da raça humano e a completa ausência de valores para com os próprios filhos.
Baseado em factos reais, toda a história se desenrola na cidade de Tokyo. Começamos por ver Keiko, mãe de Akira Fukushima, um rapaz de doze anos bem-parecido e educado, que alugamum pequeno apartamento T1 para, supostamente, viver com o seu filho. É esse o acordo feito com o senhorio, que não aceita nos seus apartamentos ninguém com menos de 10 anos.
Após se instalarem, são abertas as malas e desvendadas mais duas personagens da nossa história, ambos irmãos de Akira: Shigeru, um rapaz de oito anos com ligeir os problemas mentais (pelo menos, aparenta-os) e Yuki, uma menina amorosa de quatro ou cinco anos. Pouco tempo depois, ainda no mesmo dia, Akira vai até às redondezas da casa buscar Ky oko, de dez anos, também ela sua irmã e que rapidamente o segue até ao novo apartamento.
Com o tempo, são nos reveladas as ideias do filme: Keiko, a mãe, é solteira e os seus filhos têm todos pais diferentes. É uma mulher com muitos relacionamentos fugazes e que sente que tem que aproveitar a sua vida, independentemente das necessidades dos filhos. Como o seu ordenado não chega para pagar um apartamento mai or nem os estudos dos filhos, delega em Akira a responsabilidade de cuidar dos três irmãos durante o dia, enquanto vai trabalhar, deixando-os sozinhos no apartamento, sem poderem ir até à escola ou à própria varanda do apartamento. É uma vida de clausura, de sofrimento mudo onde a principal vítima é Akira, que tem de suportar todos os problemas e dificuldades, não só da mãe como dos próprios irmãos. É demasiada responsabilidade para um pequeno rapaz de 12 anos.
Até ao dia em que aquilo que já era mau, se torna horrível. Numa manhã, e depois de algumas ausências prolongadas de vários dias com um novo namorado, Keiko faz a mala e avisa Akiro que estará fora por algum tempo. Passa o Natal, passa o Ano Novo, passa o aniversário de Yuki. Passam meses, e Keiko não regressa. Deixam de ter notícias da mãe e, pior do que isso, deixam de ter dinheiro, comida, água, luz. As condições são extremas e a crueldade de cada cena, grotesca.
Um filme de sofrimento, dor, comoção e emoções muito fortes, em que nos deparamos com uma realidade que, embora diariamente nos passe ao lado, está cada vez mais presente numa sociedade em crise, de extremos cada vez mais distantes, em que os ricos são cada vez mais ricos e os pobres cada vez mais pobres. É o colocar de parte valores primários, em troca de um egoísmo atroz e desumano. E o pior de tudo isto é sabermos que é real.


Nota Final: A-
Trailer:



Informação Adicional:
Realização: Hirokazu Koreeda
Argumento: Hirokazu Koreeda
Ano: 2004
Duração: 141 minutos

Maratona Meryl Streep: KRAMER VS KRAMER (1979)

Este artigo faz parte da nossa semana especial dedicada a Meryl Streep, intitulada apropriadamente Maratona Meryl Streep by Dial P For Popcorn. Vamos analisar os títulos mais importantes da sua filmografia e vamos tentar perceber como foi a sua carreira, como foi cada uma das suas nomeações aos Óscares e como é, portanto, a pessoa, a actriz, a mulher que se chama Mary Louise Streep.



Antes de analisarmos a fundo os anos 70 da sua filmografia (que são pequenos, visto que ela só se iniciou no cinema em 1977), vamos rever em extenso dois títulos famosos dessa época dos quais ela fez parte. Começamos por este "Kramer vs. Kramer" (1979):




KRAMER VS. KRAMER (Benton, 1979)



 "I came here to take my son home. And I realized he already is home."


"Kramer vs. Kramer", que esteve para ser realizado por Truffaut (que filme diferente iria ser!) mas que parou nas mãos de Richard Benton após o francês ter desistido do projecto, foi o grande vencedor da noite dos Óscares de 1980, vencendo cinco troféus, entre eles Melhor Actor (Hoffman), Melhor Actriz Secundária (Streep), Melhor Argumento Adaptado e Melhor Realizador (ambos para Benton) e a mais importante de todas, a de Melhor Filme.



"Kramer vs. Kramer" conta a história da família Kramer: do pai, Ted Kramer (Dustin Hoffman), muito ocupado com a sua vida profissional para prestar atenção aos problemas de casa; da mãe, Joanna Kramer (Meryl Streep), egoísta e infeliz a ponto de colocar a sua felicidade acima da do seu filho; e Billy Kramer (Justin Henry), uma criança de sete anos que vê o seu mundo e a sua rede familiar desabar quando a sua mãe, insatisfeita com a vida que tem, abandona a sua casa e a sua família e parte em busca de uma mudança de vida, deixando Ted de mãos a abanar, com um filho para cuidar e com um emprego complicadíssimo de manter.


Quando tudo se parece endireitar e Ted e Billy parecem estar a resolver os seus problemas, eis que o drama familiar nos atira numa reviravolta curiosíssima: Joanna volta para reclamar o seu filho, o filho por quem Ted tanto abdicou. Portanto, um casamento de rastos, cheio de egoísmo, infelicidade, ira e silêncio e uma família à beira da ruína, numa luta a dois, dois adultos numa crise de identidade e de idade com uma inocente e feliz criança pelo meio a necessitar da sua total atenção.


"Kramer vs. Kramer" são pouco mais de hora e meia de filme comoventes e emocionantes nas quais penso que o grande trunfo de Benton é precisamente o não ter escolhido lados nesta guerra a dois. A situação até o pedia (divórcio e custódia de um filho), mas Benton não escolheu o caminho mais fácil e tornou assim o nosso filme infinitamente mais interessante. Permite-nos estudar o comportamento das duas unidades parentais a fundo, permite-nos perceber o que os leva a fazer determinadas coisas, o que os leva a ser assim. É isto que é tão interessante na vida real - e que Benton tão bem retratou no filme: na vida nada é preto e branco, todos temos momentos antagonistas, todos temos bons dias e maus dias. O filme tenta levar-nos muitas vezes a escolher um lado, mas o problema é que não dá para fazermos uma escolha sincera, pois tanto um lado como outro exibe defeitos e qualidades em simultâneo. Quando Streep volta para o clímax final do filme, já ninguém tem dúvidas que é impossível rotularmos uma pessoa de uma maneira ou outra; estas personagens são complexas, diversas e profundas o suficiente para as respeitarmos sem moralismos. 


O filme desenrola-se perante os nossos olhos, as decisões são feitas, parece-nos, em tempo real e notamos as personalidades das personagens sempre a mudar. Isso é fruto do magnífico trabalho de Benton no argumento, uma vez que a maioria das cenas têm o selo inconfundível de vida real. Parece mesmo que filmaram o dia-a-dia desta família, tal o ar de conversa do dia-a-dia e situações rotineiras que sucedem no filme, tendo ao mesmo tempo inigualáveis nuances de revelação de traços de cada uma das pessoas (imagem de marca de Benton, que presta imensa atenção ao que é dito e como é dito). É impressionante. O seu foco na humanização das personagens, na exploração da situação e do comportamento, tornaram este filme um verdadeiro sucesso dramático.


Claro que para este sucesso muito contribuem também as fabulosas interpretações de Hoffman, Henry, Streep e Alexander. Dustin Hoffman é perfeito como o pai de família viciado em trabalho que ignora constantemente as dúvidas e incertezas da mulher e que não sabe como lidar com o seu filho. Pega numa personagem unidimensional e transforma-a numa pessoa completa. Gradualmente desce do irado para o compassionado e é tão surpreendente ver esta subtil mudança. É capaz de ser dos seus melhores trabalhos.


Meryl Streep é fabulosa como a mãe dona de casa presa a um casamento sem amor, presa a uma vida na qual não se sente realizada e desesperada por voltar atrás no tempo, a uma altura em que era livre para se descobrir como pessoa. Rouba todas as cenas em que aparece com o seu olhar, a sua expressividade e a forma irascível, rude e sagaz como diz cada uma das suas falas. Ela, que vira vilã da história, ganha toda a nossa simpatia quando, nas cenas no tribunal, decide mostrar-nos que todas as virtudes da sua personagem ainda lá permanecem, com Streep descascando camada atrás de camada de complexidade a cada segundo da sua interpretação. É devastante de ver mas ainda mais impressionante sentir.

Justin Henry é enternecedor como o miúdo Billy e aparentemente ele e Hoffman usaram improvisação na maioria das suas cenas, o que, a ser verdade, é fantástico, porque nada daquilo parece realmente ensaiado mas as palavras são tão certas, tão corriqueiras, tão normais que parece impossível acreditar que não tenham treinado nada. Estas cenas são tão espontâneas que fazem-nos mesmo crer neste elo de ligação que vai ficar para sempre entre este pai e este filho. Finalmente, Jane Alexander é sempre a pedra de apoio da unidade parental que no momento estamos a observar. Primeiro, defende Joanna; mais tarde, defende Ted. E é soberba nessa tarefa.



No final, o que realmente deixa uma marca indelével é que passámos duas horas e ver pessoas, credíveis e empáticas personagens devidamente construídas por belíssimos actores, numa das situações mais comuns do dia-a-dia, num filme que nunca chega a aproximar-se nem do sentimentalismo (nomeadamente na relação crescente entre o pai e o filho) nem do melodramático (no testemunho da mãe no tribunal) e isso, meus caros, é coisa raríssima hoje em dia.


Nota Final:
B+

Informação Adicional:
Ano: 1979
Realizador: Richard Benton
Elenco: Dustin Hoffman, Meryl Streep, Jane Alexander, Justin Henry
Argumento: Robert Benton (adaptação do romance de Avery Corman)
Fotografia: Nestor Almendros
Banda Sonora: Erma Levin e Roy Yokelson
Duração: 105 minutos


Trailer:



Revisão da Televisão em 2010: Parte 3

A nova temporada televisiva já começou e eu preciso mesmo de arrumar com a minha revisão das temporadas das séries em 2010. Vou então proceder à revisão das séries que vi em 2010 de seguida, em quatro posts (já disponível: #31-40 e #30-21; falta #1-10). Espero que deixem ficar a vossa opinião.


#20. BORED TO DEATH


Temporada: 1
Nota: B+

Crítica: Ia dizer que era o melhor novo produto da HBO o ano passado mas esqueci-me de "Treme". Bem, posso dizer que é uma das melhores comédias do ano e uma refrescante surpresa. Humor negro q.b. (uma versão mais leve do humor típico de "It's Always Sunny in Philadelphia" e "Curb Your Enthusiasm") que tem realmente piada. Jason Schartzman, Zack Galifianakis e Ted Danson. Três personagens tresloucados, cada um pior que o outro. De que fala a série? De tanta coisa, mas principalmente relata as histórias de um escritor frustrado que decide embarcar na bizarra carreira de investigador privado. Com consequências imprevisíveis (e hilariantes), claro. A única desvantagem: só oito episódios. Mas foi renovada (e já estreou, aliás).

Melhor Episódio: "The Case of the Stolen Sperm" (1.07, B+).
Quem sobressaiu: Parece uma das estrelas do momento e tornou-se fácil referi-lo, mas de facto Zack Galifianakis evoluiu muito desde os dias de "True Calling" e esta personagem é de facto um espanto à custa dele.

#19. COUGAR TOWN



Temporada: 1
Nota: B+

Crítica: Nunca esperaria eu que depois do fenómeno que é "Modern Family" viesse outra série com tanta qualidade como "Cougar Town" e uma interpretação comédica tão estupenda como a de Courteney Cox como a mãe divorciada e quarentona que tem que suportar os amigos malucos, o marido infantil e o filho único tão peculiar e que para piorar as coisas é tão doida como eles, Jules Cobb. A série começou mal, com uns cinco-seis episódios a gozar com o facto de Jules ter envelhecido, mas levantou-se depressa e logo que começou a focar-se mais no facto de Jules se encontrar agora, vinte anos depois, a descobrir de facto a vida, a série melhorou imenso. Diria até que nem parece a mesma. E este B+ poderia bem ser um B se eu fosse muito racional, mas "Cougar Town" não é racional. É divertido, é uma série que se pode ver com amigos, é uma série para apreciar, com o seu leve (e nada subtil) jeito de fazer rir.

Melhor Episódio: São tantos, mas "Finding Out" (1.24, B+) resume tudo aquilo que é Cougar Town: emoção, alma e amor.
Quem sobressaiu: Courteney Cox e Busy Phillips. É um empate. São as duas brilhantes. E já agora, um recado para a Academia: seis anos depois e mesmo assim ainda não há nomeação para Cox? Incrível.


#18. JUSTIFIED


Temporada: 1
Nota: B+

Crítica: Além da excelência no diálogo, além das incrivelmente profundas caracterizações das personagens, além das magníficas escolhas de casting (Olyphant é perfeito para o protagonista Raylan, Carter e Searcy são excepcionais nos seus respectivos papéis também), além da história em si ser sensacional e sobretudo além da direcção, da fotografia, da música e da realização serem extremamente cuidadas, há só a dizer mais uma coisa: é uma série com a marca FX. Sim, a estação que nos trouxe "The Shield" e que hoje em dia nos dá "Sons of Anarchy". Portanto, selo de qualidade indiscutível.

Melhor Episódio: O piloto foi absolutamente sensacional (1.01, A).
Quem sobressaiu: Há séries que são brilhantes pura e simplesmente por causa do protagonista. É o caso desta. Timothy Olyphant foi roubado de uma nomeação nos Emmy este ano. Continuará a ser?


#17. FRINGE


Temporada: 2
Nota: B+

Crítica: Quem acompanha "Fringe" desde o início sabe que esta série não é nada convencional, sabe que se tem que ser mesmo fã e confiar nos argumentistas e sabe que se tem que ter paciência. Felizmente, a série contém tanto detalhe e tantas pequenas pérolas escondidas que é um prazer segui-la. Mais uma temporada volvida, de novo um início péssimo mas com melhorias evidentes no pós-ano Novo. Os novos segredos descobertos, as incursões pelo mundo alternativo e as novas referências mitológicas introduzidas são fascinantes e espera-se que ainda continue tanto por descobrir. Novamente temos John Noble brilhante mas Joshua Jackson e Anna Torv sofríveis e não me venham dizer que a culpa é dos personagens - os actores é que não têm, pura e simplesmente, qualidade suficiente para os papéis. E outra coisa que me irritou na série este ano: a constante angariação de fãs de outras séries de culto e de ficção científica (a Ana Alexandre fala disso mesmo na sua crítica no Split-Screen, se não me engano). "Fringe" é "Fringe", não é "X-Files" e não é "Torchwood".

Melhor Episódio: O trio final de episódios: "Northwest Passage" e o duplo episódio "Over There" (1.21, 1.22, 1.23, B+).
Quem sobressaiu: Mas haverá dúvidas que John Noble também já merecia alguma espécie de consideração? Será que algum dia os Emmy vão abrir-se para esta série?



#16: WHITE COLLAR


Temporada: 1
Nota: B+

Crítica: A USA tem-me surpreendido com algumas das séries que escolhe produzir. "Burn Notice", "Covert Affairs", "Royal Pains", "Psych" e "Monk têm todas qualidades que as recomendam mas todas elas têm algo que eu não consigo deixar passar. Esse não é o caso com esta "White Collar", que tem sido transmitido insistente e repetidamente pela FOX portuguesa. A problemática relação entre o criminoso (que decide negociar com a polícia a sua prisão, oferecendo em troca a prisão de vários colegas criminosos e alguns  cúmplices) Neal Caffrey e o duro polícia Peter Burke, duas pessoas tão diferentes em personalidade e em abordagem à vida, é entretidíssima. Caffrey tem um carisma e Burke tem uma rudeza que dão um certo charme a ambas as personagens. Este jogo do gato e do rato podia esgotar-se rápido e tornar-se aborrecido, é verdade, mas a escrita e sobretudo o aparecimento de novas personagens não deixa isso acontecer. Uma temporada curiosamente bastante agradável de seguir e uma segunda temporada que promete (e que volta em Janeiro de 2011).

Melhor Episódio: Os episódios a meio da temporada, "Free Fall" e "Hard Sell" (1.07 e 1.08, B+).
Quem sobressaiu: Se bem que na segunda temporada esteve abaixo das expectativas, nesta temporada, Matthew Bomer foi demais.



#15: TREME


Temporada: 1
Nota: B+

Crítica: Lembram-se do nome David Simon? Não? Mas talvez se lembrem da sua última série, "The Wire", que é reconhecida como a melhor série dramática de sempre da televisão? Pois. Ele este ano voltou à HBO com "Treme" e qual foi o resultado? O mesmo de "The Wire". Aclamada pela crítica, passou despercebida pelo público em geral e os Emmy olharam-na de lado, dando-lhe pouquíssimas nomeações e em categorias que quase não interessam. E, a comparação que mais me dói, é uma série quase tão boa como "The Wire" era. "Treme" conta a história de Nova Orleães no pós-furacão Katrina. Mas mais do que contar a história da cidade, conta a história de pessoas, pessoas normais como nós, pessoas que foram profundamente afectadas pela tragédia. E no meio disto tudo cria uma série sensacional de seguir e experienciar. Pena que pouca gente tenha notado.

Melhor Episódio: O piloto e o final, "I'll Fly Away" (1.01 e 1.10, A- ambos).
Quem sobressaiu: O elenco é que importa, mas tenho que realçar Khandi Alexander, tão longe dos seus dias de CSI (e tão merecedora de um Emmy... mas claro que nem nomeada foi) e John Goodman, tão diferente das personagens que ele costuma interpretar (e tão merecedor de um Emmy... mas claro que nem nomeado foi) .



#14. BETTER OFF TED


Temporada: 2
Nota: B+

Crítica: A melhor comédia do ano que ninguém viu. É, de facto, a melhor definição que podia dar à série. Interessante, divertida, cerebral, com um humor bastante peculiar (não chega a ser humor negro mas é humor intelectual, sem dúvida), uma comédia com cabeça, tronco e membros, com um elenco bestial, liderados pelos fabulosos Jay Harrington e Portia De Rossi, ambos fenomenais (em interpretações que mereciam Emmy, pois são incrivelmente melhores que os actuais vencedores, Parsons e Falco) e com uma escrita que muitos argumentistas sonhavam possuir, "Better Off Ted" tinha tudo para dar certo. Então, por que razão não resultou? Bem: o horário não ajudava; as audiências não eram boas; e a ABC não tem paciência para comédias inteligentes; e o público também não. Enfim.

Melhor Episódio: A série não chegou a acabar (faltavam 2 episódios para o fim) portanto não sei bem se seria a minha escolha, mas dos que foram transmitidos, "Lust in Translation" (2.10, A-) é o melhor. 
Quem sobressaiu: Portia De Rossi está uma grande comediante, coisa que se adivinhava desde "Ally McBeal" mas ninguém queria apostar.



#13. GLEE

Temporada: 1
Nota: B+

Crítica: De vez em quando, surge na televisão uma série que põe toda a gente maluca. Foi assim com "Arrested Development", foi assim com "The Sopranos", foi assim com "Friends", com "Cheers" e por aí fora. E foi assim também que começou o fenómeno à escala mundial conhecido por "Glee", que curiosamente retrata a vida de um grupo de estudantes do coro escolar, apropriadamente (ou não) definidos como "a classe mais baixa da grande cadeia alimentar que é o ensino secundário" por Sue Sylvester, a horrorosa, rude e histriónica treinadora da claque do liceu. O que há em "Glee" para não se gostar? Alegria contagiante, grandes números musicais, personagens com os quais todos nos sentimos ligados, seja por que razão for (todos já fomos menosprezados e maltratados por alguém superior, não é verdade?) e diversão pura às mãos de Jane Lynch, que interpreta a maldosa treinadora da claque que acima já referimos. Além da série ser toda ela muito cómica, completamente abismal nalgumas histórias e de ter que ser vista de forma muito especial, porque algumas das coisas que lá ocorrem nunca se passariam da mesma forma na realidade. Mas porque é "Glee", a gente aguenta.

Melhor Episódio: O meu principal problema com "Glee" é o declínio que a série sofreu desde o seu trio inicial de episódios, o piloto (1.01, B+), "Showmance" (1.02, A-) e "Acafellas" (1.03, B+), embora "Vitamin D" (1.06, B+) tenha estado perto.
Quem sobressaiu: Esta é claramente uma série que dá primazia ao elenco, mas Jane Lynch é a grande estrela (Lea Michele seria uma boa segunda escolha, não fosse pelo facto da sua personagem estar a tornar-se completamente detestável).


#12. TRUE BLOOD

Temporada: 2
Nota: B+

Crítica: Alan Ball é um Deus. Consegue ser brilhante em termos de escrita, dinamismo e aproximação à história quer pegue em famílias aparentemente perfeitas à superfície mas que estão na verdade à beira do abismo, famílias à beira da ruína que cuidam de uma funerária ou vampiros amorais e hiperssexualizados que espalham o pânico no tranquilo deserto texano. "True Blood" não pode nunca ser levado muito a sério como drama, mas com certeza não é também essa a sua intenção. É uma série para se saborear, de uma tremenda qualidade, é certo, mas cujo objectivo é que os espectadores se envolvam, se deixem levar, se deixem contagiar. E não é uma série para todos. Depois de uma primeira temporada fantástica e de um final estrondoso, esta segunda temporada correspondeu às expectativas gigantes dos seus fãs (nos quais me incluo) com histórias fascinantes e com alguns desenvolvimentos que não estava nada a prever. Claro que quem é fã já viu a terceira temporada toda, mas isso fica para discussão daqui a mais algum tempo, sim?

Melhor Episódio: "Never Let Me Go" e "Release Me" (1.06 e 1.07, B+ ambos).
Quem sobressaiu: Deborah Ann Wool. Assustadora.


#11. COMMUNITY


Temporada: 1
Nota: B+

Crítica: Que bela surpresa me reservou a NBC no seu famoso line-up de quinta-feira, que é como se sabe o lugar das suas comédias de excelência (das quatro, só uma, a que tem mais fãs, "The Office", é que eu não suporto; as outras são todas minhas predilectas). Desconfiei desta série desde o momento em que vi a (pouca) publicidade que ela teve, mas sem qualquer razão. "Community" é, em poucas palavras, genialidade e entretenimento. Todos os personagens parecem frescos, bem desenvolvidos e com capacidade para crescimento. Todos os argumentos parecem extremamente bem pensados e são o sonho de qualquer fã de cinema, de BD, de televisão e até de literatura, com inúmeras referências culturais, coisa que me agrada numa série. E mesmo o intelectualismo comédico presente é logo rebaixado pela comédia física o mais marada possível. É uma série com um elenco de luxo, com um criador que sabe do que fala (até porque é a sua história de vida) e com uma equipa de roteiristas que sabe o que faz. E uma emissora que soube ter paciência para ver a série evoluir e florescer.

Melhor Episódio: Não há forma de eu fugir ao episódio da guerra de paint-ball, pois não? Óbvio - "Modern Warfare" (1.23, A).
Quem sobressaiu: Alison Brie, Chevy Chase ou Danny Pudi, façam vocês a escolha. Para mim, os três são bestiais.

Revisão de Televisão em 2010: Parte 2

A nova temporada televisiva já começou e eu preciso mesmo de arrumar com a minha revisão das temporadas das séries em 2010. Vou então proceder à revisão das séries que vi em 2010 de seguida, em quatro posts (já disponível: #31-40;  ainda para vir: #11-20 e #1-10). Espero que deixem ficar a vossa opinião.






#30. UGLY BETTY

Temporada: 4
Nota: B

Crítica: Sinto-me tão triste e ao mesmo tempo tão aliviado que esta série tenha acabado. Triste, primeiro, porque são personagens às quais me habituei, que me fizeram rir imenso desde o primeiro episódio, personagens com as quais me identifico, que ao contrário de outras séries sempre exibiram de peito aberto os seus defeitos e sempre demonstraram as suas qualidades. Mas aliviado que a série vá antes de entrar no declínio, antes de perder todas as qualidades que lhe eram reconhecidas. E contente sobretudo porque encerrou bem a grande parte das histórias que tinha para contar. A Betty deixou de ser feia, mas é a "Ugly" Betty e não propriamente a nova, melhorada Betty, que vai ficar na minha memória para sempre.

Melhor Episódio: "All the World's a Stage", o quarto a contar do fim (4.16, B+).
Quem sobressaiu: Vanessa Williams foi de tudo na sua última temporada e se dependesse de mim, ela levava o Emmy este ano (porque ainda vamos ter mais três anos de Jane Lynch a fazer o mesmo que fez este), mas tenho mesmo que escolher Michael Urie, porque surpreendeu-me imenso.



#29. PARTY DOWN

Temporada: 2
Nota: B

Crítica: Outra série que foi cancelada a meio do ano e que não devia ter sido (a outra foi "Better Off Ted"). Uma comédia inteligente, sofisticada, de jeito algum para todos os gostos mas isso era o que a tornava tão especial. Jane Lynch partiu e a série ressentiu-se ainda mais do que já tinha mostrado na primeira temporada, não em termos qualitativos mas sim em termos de audiências e o Starz optou por cancelar. Lamentamos, até porque esta pequena série sobre Hollywood wannabees que em vez de continuarem a sua carreira como actores viram empregados de 'catering' começava a tornar-se um dos meus prazeres semanais. Contudo, o talento comédico e brilho mostrado por Lizzy Caplan, Adam Scott e Ken Marino serão certamente aproveitados por outras séries num futuro muito próximo.

Melhor Episódio: Empate técnico entre "Joel Munt's Big Deal Party!" (2.08, B+) e "Costance Carmell Wedding", o final de temporada (2.10, A-).
Quem sobressaiu: Lizzy Caplan e Adam Scott estavam ambos maravilhosos.



#28. DESPERATE HOUSEWIVES

Temporada: 6
Nota: B

Crítica: Uma temporada muito confusa e com poucos episódios de qualidade. Felizmente, há tanto a acontecer ao mesmo tempo que por vezes nem reparamos que o episódio entra em declínio artístico. Não foi uma boa temporada de "Desperate Housewives" e até devia ser mais B- do que B. Mas como o meu C+ para "Entourage" foi de castigo pela queda substancial e progressiva de qualidade, também o meu B aqui é uma espécie de incentivo pela melhoria clara de nível entre as últimas duas temporadas e esta. Claro que não se pode pedir que Marc Cherry volte aos bons velhos tempos da primeira temporada, mas melhorar ainda um pouco mais é possível. Pode ser que com a chegada iminente de Vanessa Williams (realmente, conseguiam pensar num follow-up melhor a Wilhelmina Slater que este?) as coisas aqueçam. De resto, uma temporada em que só Hatcher e Longoria é que parece terem aparecido para trabalhar, pois Huffman e Cross não tiveram uma única história de jeito para brilhar, com muito menos drama que o costume e com vizinhos novos muito mais animados (Drea de Matteo foi uma excelente adição que infelizmente já se vai embora).

Melhor Episódio: "The Coffee Cup" (6.08, B+) é o melhorzinho.
Quem sobressaiu: Eva Longoria Parker fez-me rir quase sempre que surgia no ecrã.



#27. 30 ROCK

Temporada: 4
Nota: B

Crítica: Grandes séries também sofrem de problemas de manutenção de qualidade e era óbvio que mais cedo ou mais tarde "30 Rock" também passaria por isso. Esta quarta temporada correu bem longe do desejável, com episódios fantásticos e episódios horrorosos, com convidados excepcionais (Hamm, Sheen, Banks) e com convidados dispensáveis (Jackson, Moore), mais iô-iô a série que o próprio Tracy Jordan. Mas também se tem que dizer uma coisa: "30 Rock", mesmo longe do seu melhor, providencia ainda muito mais divertimento que 60-70% das séries que para aí andam.

Melhor Episódio: A sequência final de episódios do fim de temporada seria uma boa escolha, mas o duo de episódios a seguir ao Ano Novo, "Klaus and Greta" e "Black Night Attack" (com Jenna Maroney a fazer audição para "Gossip Girl") foram ambos sensacionais e a melhor forma de eu recuperar fé nesta grande série (4.09 e 4.10, B+/B+)
Quem sobressaiu: Tina Fey. "Tina, Tina, Tina", como Baldwin teria referido.



#26. UNITED STATES OF TARA

Temporada: 2
Nota: B

Crítica: Tenho que começar por dizer desde já que me custa definir aquilo que eu tanto aprecio em "United States of Tara". A protagonista é absolutamente irritante. A família tem incontáveis defeitos. A irmã é insuportável. A maioria das histórias tem um pano de fundo ridículo (Diablo Cody, devolve esse Óscar!). Ainda assim, fico sempre fascinado com o decorrer das coisas. Toni Collette faz maravilhas com um papel tão tridimensional que nas mãos de outra actriz poderia parecer uma caricatura tão baratucha quanto estereotipada. Keir Gilchrist e Brie Larson formam uma dupla de filhos extraordinária e se eu mandasse ambos teriam nomeações para os Emmy. E não posso esquecer Rosemarie DeWitt. É a segunda variação de irmã que eu a vejo interpretar (a primeira eu já adorei, em "Rachel Getting Married") e as duas não podiam ser mais diferentes, o que só prova que a actriz tem mérito na análise da personagem que faz. Tudo considerado, uma temporada mais fraca que a anterior e muito mais dramática (o que me leva a ficar irritado ainda mais cada vez que falam dela como comédia, que não o é) e onde a unidade familiar foi o grande foco.

Melhor Episódio: sem qualquer dúvida, "Torando!" (2.06, B+). Cerca de uma dezena de pessoas presas numa cave e cinco são a mesma pessoa? Demais.
Quem sobressaiu: Toni Collette é sempre o óbvio, mas vou dizer Keir Gilchrist. Adorei cada minuto da sua interpretação.



#25. NURSE JACKIE

Temporada: 2
Nota: B/B+

Crítica: Se a primeira temporada do The Edie Falco Show já me tinha impressionado, a segunda tirou-me o chão debaixo dos meus pés. Tão imprevisível, tão séria quanto divertida, tão aplicável ao nosso quotidiano, a série sobre esta enfermeira tão fora do vulgar cresceu no seu segundo ano e muito se deve ao grande desenvolvimento dado aos personagens secundários, em especial à Dr. O'Hara (Eve Best), a Zoey (Merritt Wever) e ao Dr. Cooper (Peter Facinelli). Não é por nada, mas Holland Taylor ser nomeada para um Emmy e uma destas senhoras não é um verdadeiro sacrilégio. De resto, "Nurse Jackie" nunca foi uma comédia nem Edie Falco está a interpretar comicamente (como muito bem disse no seu discurso de vencedora do Emmy) mas a verdade é que a série doseia muito bem o dramático com o cómico e nunca cai no exagero para uma série do tipo (coff Grey's Anatomy coff) por isso merece os meus parabéns.

Melhor Episódio: Parece cliché dizer este mas eu gostei muito dos três episódios finais, em particular do final de temporada, "Years of Service" (2.12, A-).
Quem sobressaiu: Merritt Wever. Não há sequer discussão.


#24. THE BIG BANG THEORY

Temporada: 3
Nota: B/B+

Crítica: Não me entendam mal, eu adoro estes nerds/geeks. Aliás, considero o Dr. Sheldon Cooper uma das melhores invenções que a CBS alguma vez já nos trouxe, tal como Barney Stinson. Além disso, choca-me que alguém que produz e escreve os guiões de "Two and a Half Men" possa ao mesmo tempo criar algo tão genuíno e especial como "The Big Bang Theory". Contudo, não acho (e nunca achei) a série assim tão brilhante como alguns a postulam. Sim, Jim Parsons é excelente, mas isso já sabemos nós há dois anos. Sim, a série é uma comédia bastante divertida e consistentemente engraçada, cheia de referências a jogos, filmes e séries de televisão que deliciam os fãs mais hardcore da ficção científica. Ainda assim, não é suficiente. Dito isto, são sempre 20 minutos que adoro passar cada semana com estas personagens.

Melhor Episódio: O óbvio seria dizer "The Pants Alternative" ou "The Maternal Congruence", mas vou pegar em "The Precious Fragmentation" (3.17, B+).
Quem sobressaiu: Jim Parsons, a estrela da série.



#23. HUMAN TARGET

Temporada: 1
Nota: B/B+

Crítica: Como descrever uma série de acção pura com tanta qualidade como "Human Target"? E que consegue ser tão diferente da outra grande série de acção que curiosamente termina na FOX quando esta começa, "24"? Talvez comece pelo facto da série só ter tido 12 episódios, condensando a acção. Talvez seja pelo facto de Mark Valley nos apresentar uma interpretação surpreendentemente fabulosa, muito superior à de Kiefer Sutherland. E também terá a ver com um elenco de suporte extraordinário. E além de ser um drama de acção de elevado quilate, tem histórias interessantes e diversificadas semana após semana. Parabéns ainda a quem criou aquele genérico fenomenal. E antes que a FOX portuguesa (e a AXN, adivinha-se) gaste todo o seu tempo em promoção desta série quando ela para cá vier, que todo o mundo se lembre que eu já cá a elogiava quando pouca gente a conhecia.

Melhor Episódio: todos foram bons, embora para mim "Rewind" (1.02, B+) tenha sido o melhor de todos.
Quem sobressaiu: um chorrilho de actores convidados de grande qualidade e, claro, Mark Valley, num papel que parece ter sido criado para ele.



#22. DAMAGES

Temporada: 3
Nota: B/B+

Crítica: Uma série complicada de nos deixar excitados mas que na verdade é sempre de uma qualidade incontestável (agora suplantada, na minha opinião, por "The Good Wife") é "Damages" e foi com muito entusiasmo que aplaudi a compra de uma nova temporada da série pela DirecTV, que já havia salvo "Friday Night Lights" de um fim prematuro. Patty Hewes foi visceralmente rude e feroz esta temporada, mais do que em qualquer uma das outras duas, mostrando uma crueldade só a par com a vulnerabilidade que também exibiu nalguns dos episódios. Close no seu melhor, portanto. Rose Byrne manteve a consistência na sua Helen e, não sendo, como de costume, um dos destaques de cada episódio, é sempre uma interpretação confortante, de carisma e brilho assegurado, se bem que sempre a perder para Close em protagonismo. O terceiro MVP da temporada foi Martin Short, finalmente um rival à altura de Close, que jogou muito bem com a sua caracterização low-profile, cuidada, numa primeira instância da temporada e que depois aproveitou bem a reviravolta da sua personagem para mostrar todo o seu talento. Uma temporada de altos e baixos, com alguns episódios para os quais eu tinha grandes expectativas a falhar ("Your Secrets Are Safe" sendo o mais flagrante) e alguns que me apanharam de surpresa (o final de temporada, que seria um final adequado à série, tivesse ela acabado), mas no fim de contas, um drama bastante bom com uma interpretação monstruosa da sua protagonista (que perdeu o Emmy este ano).

Melhor Episódio: "The Next One's Gonna Go In Your Throat" (3.13, B+), o último episódio desta temporada.
Quem sobressaiu: Martin Short ou Glenn Close, escolham vocês. Provavelmente o primeiro.


#21. CALIFORNICATION

Temporada: 3
Nota: B/B+

Crítica: Não há outra série igual a "Californication". Não há, é escusado. Esta terceira temporada foi uma melhoria significativa em relação a uma segunda muito cinzenta que quase me levou a desistir da série depois daquela formidável primeira temporada. O nosso anti-herói Hank passou realmente um bom bocado este ano, levando para a cama (quase) todo o rabo de saias que lhe apareceu pela frente e conduzindo obviamente a break-ups hilariantes. Que o homem é um íman sexual, isso não se discute. O que me interessa discutir - e que espero ser o ponto de partida para a quarta temporada - é que o homem lá dentro está em cacos e que esta promiscuidade não pode durar para sempre. Nem a filha deixa. Todavia, foi realmente divertido ver as peripécias de Hank como professor (em mais que uma maneira, se é que me entendem). David Duchovny à parte, o que realmente saltou à vista esta temporada foram as interpretações dos convidados, desde Peter Gallagher a Kathleen Turner. Excelentes, todos eles, ajudando a colocar esta série de novo no topo.

Melhor Episódio: a dupla "So Here's The Thing" e "The Apartment" (3.07 e 3.08, A-/B+).
Quem sobressaiu: eu sou tendencioso para Peter Gallagher depois de The O.C., portanto vou dizer... Diane Farr. Ou Kathleen Turner.

Revisão da Televisão em 2010: Parte 1

Para entrar na nova temporada televisiva que está quase a começar (e eu estou consciente do facto de várias séries - algumas que eu sigo - já se encontrarem em exibição, mas essas já contam para a nova temporada, não para a que encerrou com a entrega dos Emmys) eu preciso de arrumar com a minha revisão das temporadas das séries em 2010. Vou então proceder à revisão das séries que vi em 2010 de seguida, em quatro posts (#31-40, #21-30, #11-20 e #1-10). Espero que deixem ficar a vossa opinião.




#40. ENTOURAGE

Temporada: 6
Nota: C+

Crítica: Parece mesmo que eles deixaram de tentar contar histórias interessantes, não é? E parece que o tempo de "Entourage" está a chegar ao fim. Até Ari Gold parece já não ter a piada de outros tempos (claro que Jeremy Piven continua a dar boas prestações nesse papel, mas não é isso que aqui se discute). Algumas storylines que demoraram muito tempo a encontrar resolução, Vincent e a sua habilidade para não fazer nada chegaram mesmo a tirar-me do sério em mais que uma ocasião e a falta de interesse que se vem agravando nos personagens secundários da série, excepção feita a Ari, é gritante. Graças a Deus que a 7ª temporada tem-me parecido melhor senão teria feito o funeral de vez. E ainda bem que 2011 será o último ano.

Melhor Episódio: Não é que haja muitos para escolher, por isso vou com "Berried Alive" (6.10, B/B+).
Quem sobressaiu: Jeremy Piven



#39. GOSSIP GIRL

Temporada: 3
Nota: C+

Crítica: Alguém que me recorde como é possível eu ter gostado desta série antes, por favor, que eu estou a precisar que me relembrem. Personagens gastas, histórias mil vezes contadas na série, discussões intermináveis que acabam sempre com o resultado mais previsível, algumas storylines de me pôr a arrancar cabelos (já todo o mundo sabe que Serena é burra, mas tanto?) e só se safa mesmo a interpretação de Meester no meio da confusão. Quarta temporada que não aguardo, isso é certo. Só se as coisas melhorarem muito.

Melhor Episódio: De longe, "The Treasure of Serena Madre" (3.11, A-). Nunca me tinha rido tanto num drama.
Quem sobressaiu: Leighton Meester


#38. HOW I MET YOUR MOTHER

Temporada: 5
Nota: B-

Crítica: Talvez esta série não merecesse um lugar tão baixo no meu ranking, mas o facto de ser uma série tão querida por mim e tão bem explorada nas suas duas-três primeiras temporadas e depois ter tal declínio na sua quarta temporada (B-), seguida desta terrível quinta, não me podem culpar de ter agido de forma raivosa e decidir castigar a série. O claro substituto de "Friends" era, até 2008, inteligente, sensível, divertido, genialmente absurdo, criou uma personagem lendária (Barney Stinson) e deu-nos uma série que vale a pena ver e rever várias vezes. No pós-2008, veio o desastre, que atingiu novas proporções esta temporada: nada tinha seguimento, nada fazia sentido a maioria das vezes e se algum episódio era de todo engraçado era mais pelo talento do elenco do que pela escrita dos argumentistas. Salvou-se, uma vez mais, Neil Patrick Harris.

Melhor Episódio: Declaro um empate entre "The Playbook" e "The Perfect Week" (5.08 e 5.14, ambos B+). Desta temporada só gostei de mais dois episódios ("Girls vs. Suits" e "Rabbit or Duck") - mas é claro que me ri com mais alguns.
Quem sobressaiu: Neil Patrick Harris




#37. BROTHERS & SISTERS

Temporada: 6
Nota: B-

Crítica: Esta série tem tido temporadas substancialmente mais fracas a cada ano que passa e este ano ela atingiu novo nível de ridículo por vezes, com episódios autenticamente saídos de uma novela mexicana. Não obstante isto, há que dar valor aos episódios que realmente mostram o excelente drama que Brothers & Sisters é. Esta foi uma temporada marcada por vários rombos em todas as personagens mas também com alguns momentos de felicidade, que assentou fundamentalmente em quatro grandes linhas narrativas: a doença de Kitty, a falência da Ojai Foods, a entrada de Luc na vida dos Walkers e o casamento de Justin e Rebecca. E não vamos esquecer aquele glorioso sprint final, com vários episódios de muito boa qualidade, com demasiadas storylines suculentas que, para os fãs da série que visitem e não queiram ver spoilers, não vamos relevar. Com a saída de vários actores principais da série, não lhe abono bom futuro e isto, somado ao facto de ter sido uma temporada algo medíocre, leva-me a não querer ver mais.

Melhor Episódio: Ou "Lights Out" (6.23, B/B+) ou "Nearlyweds" (6.10, B/B+)
Quem sobressaiu: Calista Flockhart



#36. WEEDS

Temporada: 5
Nota: B-

Crítica: Uma temporada mediana, a fugir muito ao que "Weeds" já foi noutros tempos (basicamente, a melhor comédia da televisão), com a grande maioria das histórias a serem completamente disparatadas e sem sentido nenhum e a grande parte das revelações e reviravoltas desta temporada a serem desvendadas de forma tão descolorida que até me deixou pena. Uma diferença algo interessante para a abertura da 6ª temporada, ao contrário do que foi feito em temporadas anteriores, foi terem deixado um cliffhanger, ou seja, terminaram a temporada no meio da acção - claro que para quem já está a acompanhar a 6ª temporada, que está a decorrer já nos Estados Unidos, já estará inteirado do que se passou depois. E algo que me chocou esta temporada foi mesmo o facto que eu não consogo simpatizar mais com Nancy Botwin. Ridículo. Ela, que noutros tempos eu chamaria de anti-herói, agora é pura e simplesmente estúpida e desgovernada. Não tem rumo na vida e volta sempre a erros passados. Não há pachorra.

Melhor Episódio: "Su-su-sucio" (5.03, B+) é aquele que me vem logo à cabeça.
Quem sobressaiu: Mary Louise Parker parece-me a escolha óbvia, embora eu ache que desde há dois anos para cá é Justin Kirk que é o MVP.


#35. GREY'S ANATOMY

Temporada: 6
Nota: B/B-

Crítica: Das séries todas da lista, foi a que teve a temporada mais errática. Começou pessimamente, depois lá encontrou o seu ritmo com dois episódios sucessivos brilhantes ("I Saw What I Saw", contado por perspectivas diferentes e "Give Peace a Chance", um episódio inteiro focado em Derek), voltou a cair ligeiramente nos episódios seguintes e só voltou a recuperar lá para o final, especialmente com o duplo episódio de final de temporada, que definitivamente iria para o meu top-10 de episódios de drama do ano inteiro de televisão. Agora o meu problema é que tanta irregularidade, tanta personagem a entrar e a sair, o drama com Heigl, os problemas na maioria dos episódios e algumas storylines ridículas tornam insuportável que eu consiga defender mais esta série. Não dá.


Melhor Episódio: O duplo episódio do final da temporada, em particular a primeira parte, "Sanctuary" (6.23, A-).
Quem sobressaiu: Patrick Dempsey



#34. NCIS: LOS ANGELES

Temporada: 1
Nota: B/B-

Crítica: Suponho que tenha que agradecer a Daniela Ruah por me ter levado a ver esta série. É que eu tenho alergia a C.S.I. e aos seus spin-offs e o mesmo se passa com este NCIS. Eu não queria ver a série. Só a vi por causa dela. E tenho que admitir que a série não é nada daquilo que eu inicialmente pensava. Inteligente por vezes, engraçada, divertida, nada parecida com aqueles policiais que tanto correm pela televisão (que já viu de tudo no género, desde "The Closer" até "Saving Grace"), boa química entre os actores (LL Cool J com boa interpretação, veja-se só!) e boa prestação do elenco - especialmente Linda Hunt (como é óbvio). Argumentos diversos e interessantes permitem que nunca se torne aborrecida e eu provavelmente voltarei a acompanhar esta série, este guilty pleasure, se assim o quisermos caracterizar, ainda não sei se durante o ano ou se a vejo toda depois do final da temporada.

Melhor Episódio: Tem vários que eu apreciei bastante, como "Callen, G." (1.24, B+) ou "Blood Brothers" (1.18, B+) ou então "Hand-to-Hand" (1.19, B+).
Quem sobressaiu: Poderia dizer Chris O'Donnell, mas a verdadeira estrela da companhia é a pequena Linda Hunt.


#33. PARENTHOOD

Temporada: 1
Nota: B

Crítica: Foi uma temporada pequena demais para avaliar em profundidade o valor da série, mas do que vi, gostei muito. Uma série que parecia ser para preencher buracos no calendário semanal da NBC (como "Cougar Town" também parecia fazer na ABC, a dar depois de "Modern Family") começou intermintentemente mas melhorou substancialmente por volta do quinto episódio, com um elenco impressionante, especialmente os jovens e que consegue crescer para um drama de qualidade substancial que é um mimo de seguir todas as semanas. Como volta a surgir só na mid-season, se poucos pilotos da nova temporada me excitarem, voltarei a esta série. Se não, só no Verão. De qualquer forma, para quem gosta de dramas familiares, é um must-see. E Lauren Graham num papel que era parecido com o de "Gilmore Girls", mas que se tornou completamente distinto. E Peter Krause numa personagem nada parecida com a sua de "Six Feet Under".

Melhor Episódio: Muitos episódios de grande nível, mas não posso deixar de escolher o querido final de temporada, "Lost and Found" (1.13, B+).
Quem sobressaiu: Como não podia deixar de ser, as duas grandes estrelas do programa, Lauren Graham e Peter Krause; ambos deviam ter sido nomeados para Emmy.



#32. HOUSE

Temporada: 6
Nota: B

Crítica: Mais uma temporada algo estranha para "House, M.D.", que começa de novo muito bem - com um episódio excepcional ("Broken"), que em situação normal deveria ter dado finalmente o Emmy a Hugh Laurie, tal a interpretação extraordinária durante as duas horas de episódio - e depois perde vapor a meio da temporada, de tal forma que os últimos cinco episódios são quase insuportáveis de tolerar (se bem que termina em alta - o final é fenomenal também). O que me tocou mais esta temporada foi a partida de Cameron (Jennifer Morrison), mesmo se o episódio em que ela partiu foi fraco e mesmo se a sua partida é algo injustificada. Foi um momento fulcral da temporada e a actriz e Laurie venderam-no bastante bem. De resto, as interpretações do elenco secundário foram dolorosas, excepção feita a Lisa Edelstein (Cuddy), claro está, pois as suas personagens parecem, ao fim de seis anos, estarem verdadeiramente gastas. O romance entre House e Cuddy será um ponto de partida interessante para a sétima - provavelmente a penúltima - temporada de "House, M.D.".

Melhor Episódio: o primeiro logo, "Broken" (6.01 e 6.02, A-), com uma interpretação genial do protagonista (A+).
Quem sobressaiu: custa-me dizer isto, até porque eu estive quase a pôr Lisa Edelstein, mas Hugh Laurie foi (uma vez mais) o melhor em campo a temporada quase toda.


#31. HUNG

Temporada: 1
Nota: B

Crítica: Até me parece mal estar a redigir a minha crítica à primeira temporada de "Hung" quando já sei tanta coisa que se passou a seguir (fruto da segunda temporada estar a terminar na HBO - acaba para a semana), mas é assim, que se pode fazer? Alexander Payne criou uma série originalíssima que funciona como bom complemento a "Entourage" e que, não sendo uma comédia animadíssima, como o seu parceiro de domingo, é talvez a melhor comédia das duas. Tem um tipo especial de drama e humor seco, humor negro, que poucas séries conseguem explorar hoje em dia e tem dois protagonistas absolutamente especiais. Jane Adams e Thomas Jane têm finalmente os papéis que precisavam para aumentar um pouco o nível das suas carreiras e tenho que dizer que lhes assentam que nem uma luva. A série, por ser chancela da HBO, tem apenas dez episódios por temporada, o que lhe assenta bem, pois se fosse de canal público, além das implicâncias que teria à custa do sexo todo e da linguagem inapropriada, gastar-se-ia rápido em temporadas de mais de 20 episódios. Provavelmente não vai passar da terceira temporada (para a qual já foi renovada), mas "Hung" é excelente e vou seguir enquanto durar, com certeza.

Melhor Episódio: "A Dick and A Dream or Fight the Honey", o final de temporada (1.10, B+). 
Quem sobressaiu: qualquer um dos dois protagonistas, mas sem dúvida que em mim Jane Adams foi quem me deixou maior impressão.

Takeshi Kitano - KIDS RETURN (1996)



Começo hoje as crónicas sobre alguns dos mais importantes filmes de Takeshi Kitano. Seleccionei os filmes entre 1996 e 2003, pois aparentam ser os anos de melhor produtividade deste grande realizador.
Hoje apresento-vos Kids Return, um filme que demonstra já algumas das qualidades que marcam os filmes de Takeshi Kitano: um realizador directo, duro, sem rodeios e capaz de abordar temas controversos e importantes na sociedade actual, sem qualquer problema em ferir susceptibilidades.


Kids Return é sobretudo um filme sobre falhados. Sobre aqueles sonhos que imaginamos em crianças mas que, por este ou aquele motivo, acabamos por não os conseguir concretizar. Sendo construído à volta de 2 personagens principais e uma outra (mais low-profile) que aparece a espaços, todas elas têm uma característica em comum: são pessoas influenciáveis, imaturas e irresponsáveis.


Masaru
e Shinji são dois adolescentes, amigos desde infância, que desistem de estudar e investem o seu tempo em pequenos assaltos a colegas e diabruras aos professores. No entanto, quando certo dia se preparavam para assaltar novamente 2 rapazes, estes reservam uma pequena surpresa a Masaru que é espancado por um jovem pujilista. Decidido a vingar-se, Masaru inicia as aulas de boxe e arrasta Shinji consigo. Ao perceber que não nasceu para o boxe, após ser derrotado num combate com Shinji, Masaru desaparece e deixa o seu amigo sozinho, tentando a sua sorte no mundo da máfia japonesa. Shinji, sem mais nada para fazer senão treinar, desenvolve as suas capacidades e aos poucos começa a dar mostras de ser um promissor pujilista. Mas, com Takeshi Kitano, o mundo é real e não há lugar para contemplações. É esse mundo que vos convido a descobrir.


Nota Final: B

Trailer:



Informações Adicionais:
Realização: Takeshi Kitani
Argumento: Takeshi Kitano
Ano: 1996
Duração: 107 minutos

MR. NOBODY (2009)


Este é um dos filmes mais estranhos, arrojados e intrigantes que vi relativos ao ano 2009 Sim, tudo bem que leva com alguma intelectualidade barata que lhe fica mal e que não abona a seu favor. Mas Mr. Nobody é uma ideia bem pensada. Baseia-se já conhecida ideia do Efeito Borboleta misturando ao mesmo tempo histórias do passado, do presente e do futuro, histórias relacionadas com A, histórias relacionadas com B e histórias relacionadas com C. E no meio de tudo isto, o espectador tem que ter a agilidade mental suficiente para conseguir separar o trigo do joio, identificar o que é que pertecende a quê. Foi um fracasso de bilheteira ao facturar pouco mais de 2 milhões de dólares, uma vez que se esperavam valores à volta dos 47 milhões de dólares.


Ao ver este filme relembrei-me muito do "The Fountain" de Darren Aronofsky. Mr. Nobody, mais do que um grande filme, é um filme confuso, ao jeito de um quebra-cabeças capaz de cativar, principalmente, aqueles que gostam de ser desafiados durante um filme. Que gostam de sentir a ignorância dos primeiros 20/30 minutos, a confusão das ideias e das múltiplas personagens. Nemo (Jared Leto) aparece neste filme no papel de diversas personagens, todas elas sem relação entre si mas que representam as várias vidas de uma mesma pessoa.

Como vos disse, o efeito borboleta neste filme é explorado na vertente do pau de dois bicos. Partimos da adolescência de Nemo e, observamos as diversas vidas e as diversas consequências de cada opção que toma. E vemos tudo isto ao mesmo tempo. A introdução a novas cenas e a posterior explicação, são feitas por um Mr. Nobody de 117 anos, que vive rodeado de pessoas imortais e é a grande estrela da sua nação, ao ser o último ser mortal vivo.

Aceito que neste filme se possam obter opiniões opostas. Tanto se pode adorar como se pode detestar. Podemos ver este filme pelo seu lado arrojado, de quem tenta fazer algo complexo, embora com algumas falhas, mas cujo resultado final é positivo. Mas também o podemos ver como um fracasso, um tiro ao lado de alguem que tentou dar um passo maior do que a própria perna. Acho que há cenas, ditas "intelectuais" que são retiradas de outros filmes, mas que no contexto até encaixam de uma forma agradável. Referência também à sua banda-sonora, muito boa e muito intensa.


Nota Final: B

Trailer:


Informação Adicional:
Realização: Jaco van Dormael
Argumento: Jaco van Dormael
Ano: 2009
Duração: 138 minutos