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DIAL P FOR POPCORN

DIAL P FOR POPCORN

[Antevisão] CHASING ICE


Por pouco que passava despercebido ao Dial P for Popcorn. E, infelizmente, será difícil (senão mesmo impossível) vê-lo nos cinemas portugueses. Mas não podia deixar de vos falar de Chasing Ice e de pelo menos tentar incutir-vos a curiosidade que este documentário me despertou. É uma forma original, corajosa e inovadora de tentar demonstrar o caminho infeliz para o qual o mundo moderno no empurra. O visionário  James Balog decidiu pegar nas suas milhentas câmaras, instalá-las em pontos estratégicos dos Pólos e acompanhar o degelo dos grandes icebergues. Com imagens de uma qualidade tremenda, que mereciam a qualidade do grande ecrã, que obrigam à compra da versão Blu-Ray, este documentário tem ainda o bónus de uma banda sonora igualmente promissora. Com voz de Scarlett JohanssonJoshua Bell, Before My Time (nomeada para os Oscars deste ano na categoria de Melhor Música), é seguramente uma das mais sentimentais baladas que ouvi nos últimos anos.

Aqui deixo o Trailer e a Música nomeada. Aconselho-o vivamente ao leitor. Veja e desfrute. Eu vou continuar à espera que o filme chegue a Portugal. Ou, em último caso, pelo Blu-Ray, que estará à venda a partir do dia 10 de Junho.


SEARCHING FOR SUGAR MAN (2012)


A poucos dias de vencer o Oscar para Melhor Documentário, depois de ter coleccionado prémios, nomeações e um profundo reconhecimento em alguns dos principais festivais e prémios da Sétima Arte (Sundance, PGA e BAFTA, por exemplo), aparece aqui no Dial P for Popcorn como o meu documentário favorito de 2012. Não vi uma parte (considerável) dos restantes, é certo, mas a lendária história de Sixto Rodriguez é de uma brutalidade tal, que transforma um documentário numa história/romance surpreendente e intrigante. Com uma banda-sonora tão viciante e refrescante, é impossível não idolatrar esta voz.


Estamos na década de 70, quando o boom nas empresas discográficas e na difusão da música nos Estados Unidos, dá lugar ao aparecimento de estrelas que se tornaram imortais e que inspiraram/inspiram uma boa parte dos músicos e da sociedade moderna. Jimi Hendrix, Janis Joplin, Bob Dylan, apenas para citar alguns nomes. Se qualquer um deles é uma incógnita para o leitor, o seu caso é grave. No entanto, se o nome Sixto Rodriguez era, para o leitor, uma incógnita, Searching For Sugar Man vai apresentar-lhe uma das mais dramáticas e inesperadas estrelas da história da música.


Estamos perante um fenómeno que o tempo teimou em apagar. Uma lenda. O verdadeiro Bob Dylan. Sixto Rodriguez, um jovem cantor Folk, vê a sua carreia ser precocemente abortada pelas fracas vendas dos seus dois álbuns. Tudo o que ficou desse tempo, na então dura e cruel cidade de Detroit, foram as memórias e a mágoa pelo desaparecimento de uma das mais inspiradoras vozes que a América alguma vez tinha ouvido. No entanto, do outro lado do Atlântico, num país de costas voltadas para o mundo, onde a sociedade fervilhava e se preparava para explodir com o Apartheid, Rodriguez era uma das vozes que inspirava uma sociedade jovem, rebelde e plena de irreverência. Era a voz de comando, o ídolo, o mentor que reforçava as ideias de um país que lutava pela igualdade e pela liberdade. Searching For Sugar Man é o documentário que levanta o pano que encobria um dos mais enigmáticos songwriters da história. É o reencontro com um ícone que se julgava  há muito na companhia de Hendrix ou de Joplin. É o renascer de uma lenda.


Nota Final
B+ 
(8/10)


Trailer



Informação Adicional
Realização: Malik Bendjelloul
Argumento: Malik Bendjelloul
Ano: 2012
Duração: 86 minutos

THE IMPOSTER (2012)



Venceu ontem o BAFTA na categoria de Melhor Estreia de Argumentista, Realizador ou Produtor Britânico. Venceu, há uns tempos, o prémio para Melhor Documentário nos British Independent Film Awards. Esteve nomeado para o Grande Prémio do Júri no Sundance de 2012. Não me podia passar ao lado. Pessoalmente, a categoria de Melhor Documentário tem-se transformado, nos últimos anos, num género tão excitante quanto surpreendente. Todos os anos há deliciosas surpresas. E 2012 não lhe foge à regra. Vamos iniciar o nosso ciclo de análises aos melhores documentários de 2012 com um dos mais macabros planos que vi na minha vida. O dom camaliónico de Frédéric Bourdin é assustador.


Comecemos pelo princípio com a esperança de não vos revelar demasiado sobre um dos grandes impostores do nosso tempo. Uma chamada de um turista, alerta as autoridades espanholas para a presença de uma criança apática e desorientada, abandonada dentro de uma cabine telefónica. Assim começa mais uma aventura de Bourdin. Com um engenhoso e arrojado plano, Bourdin decide apresentar-se como Nicholas Gibson, um jovem americano, de 14 anos, que desaparecera do Texas em 1994. Estamos no final de 1997, quando a alegre noticia devolve a esperança à família de Nicholas, que o julgava para sempre perdido.


Carey Gibson, a irmã mais velha de Nicholas, viaja propositadamente para Espanha para identificar Frédéric como o Nicholas que desaparecera num final de tarde em San Antonio e o devolver ao seu quarto e à sua família. Com uma capacidade única para se adaptar às adversidades e uma arte para representar digna de tirar o sono a Daniel Day-Lewis, Frédéric consegue modificar a sua aparência e adaptar-se à de Nicholas, convencendo e justificando algumas das gritantes diferenças para com o jovem desaparecido. Mas o outro lado do Atlântico reserva a Frédéric uma surpresa para a qual este não estava preparado. O Karma, sempre irónico, sempre mordaz, esperou Frédéric no aeroporto de San Antonio. Se acha que já viu de tudo, prepara-se para o que The Imposter lhe reserva.

Nota Final 
B+ 
(8/10)


Trailer



Informação Adicional
Realização: Bart Layton
Argumento: Bart Layton e Dimitri Doganis
Ano: 2012
Duração: 99 minutos

[ESTREIA] SHUT UP AND PLAY THE HITS

Estreou ontem em Portugal o documentário sobre o último concerto de uma das mais irreverentes e originais bandas da última década, os LCD Soundsystem. Tudo acontece no Madison Square Garden, em Nova Iorque, uma das mais famosas e imponentes sala de espectáculos do planeta. O objectivo do documentário resume-se na frase que serviu de inspiração para a sua criação: "if it's a funeral, let's have the best funeral ever". 
A banda norte-americana despediu-se em grande do seu público e guardou para a posteridade os seus últimos momentos. Num grande ecrã, com um grande sistema de som, teremos certamente festa garantida na sala de cinema.

Vale a pena ver, quem ainda não viu


Vencedor de dois BAFTA a semana passada (Melhor Documentário e Melhor Edição), "SENNA", o filme de Asif Kapadia sobre o extraordinário piloto de Formula 1 Ayrton Senna, já analisado cá no DPFP (aqui), que tem corrido todo o mundo para grande aclamação crítica, chega agora à televisão portuguesa, para que o possa apreciar no belo conforto do seu lar.


29 de Fevereiro, 22.30, TV Cine 4. Eu vou voltar a ver. E vocês?
 

ZEITGEIST (2007)



"The religious myth is the most powerful device ever created, and serves as the psychological soil upon which other myths can flourish"


Não tenho dúvidas em afirmar que é um dos melhores documentários que alguma vez vi. Quer seja verdade ou mentira tudo aquilo que aqui é dito, há que reconhecer a qualidade da informação que nos é transmitida e a forma consistente e credível com que é suportada. Profundamente perturbador e eficazmente controverso, Zeitgeist desmonta alguns dos temas mais delicados da nossa sociedade e fá-lo sem medo.

A começar com o cristianismo e as suas origens, Peter Joseph expõe-nos um sem número de argumentos que nos permitem perceber a dimensão da possível montagem que existe por detrás do maior movimento cívico da história. Mas isto, caros leitores, é apenas o começo de uma viagem que atira para o caixote do lixo algumas das ideias mais básicas da nossa sociedade e que tem, como ponto alto, a demonstração daquilo que poderá ter sido o 11 de Setembro: um monstruoso estratagema montado para iludir a população e forçar a investida bélica nas sociedades do médio oriente.

Penso ser uma obrigação, cívica e moral, por parte de todo e qualquer cidadão, ver este documentário. E se possível, os subsequentes que Peter Joseph faz questão de divulgar de forma livre e gratuita, para que se possa distribuir por todos e para que ninguém utilize o argumento da crise como forma de o evitar.

Nota Final:
A


Trailer:




Informação Adicional:

Realização: Peter Joseph
Argumento:
Peter Joseph
Ano:
2007
Duração:
118 minutos

SENNA (2010)



"O facto de eu acreditar em Deus, o facto de eu ter fé em Deus, não quer dizer que eu seja imortal, não quer dizer que eu seja imune. Eu tenho tanto medo quanto qualquer outra pessoa de me machucar."


Senna é um documentário intenso e emocionante, obrigatório para qualquer fan do automobilismo e, em especial, da Fórmula 1. Relata, de uma jeito muito fiel e pessoal, os principais anos da carreira de um dos mais marcantes desportistas da história, cuja vida terminou de forma precoce e fatal num brutal acidente de automóvel quando este liderava o Grande Prémio de San Marino, em 1994.


A grandeza da figura de Ayrton Senna, para os mais sépticos, pode ser facilmente testemunhada nos relatos e imagens que este documentário nos faculta. Senna marcou, sem dúvida, uma das mais gloriosas páginas da história do Brasil. Um corredor de uma destreza invulgar na pista, com uma coragem e bravura que o tornavam capaz de arriscar nos momentos decisivos, à qual se aliava uma simpatica e humildade incaracterísticas em personalidades do seu calibre, transformou-no num ídolo do povo, amado, admirado e profundamente respeitado. Um exemplo para uma sociedade em reconstrução num período pós-ditaturial, que se agarrou há imagem de um jovem, cujo talento e personalidade, o permitiram chegar ao ponto mais alto do automobilismo mundial, sendo reconhecido como um dos mais especiais pilotos de sempre.


Senna está muitíssimo bem produzido e estruturado. É uma homenagem que respeita e dignifica o estatuto que Ayrton conseguiu em vida e garante que a sua mensagem, a sua história e o seu valor não fiquem, nunca, esquecidos.


Nota Final:
A-


Trailer:





Informação Adicional:
Realização: Asif Kapadia
Argumento: Manish Pandey
Ano: 2010
Duração: 162 minutos

INSIDE JOB (2010)



Provavelmente, o melhor documentário de 2010. Seguramente, um dos melhores filmes de 2010.

Inside Job é o resultado de um longo e complexo trabalho de investigação, com uma construção de contra-argumentos brilhantes que conseguiram desarmar todos aqueles que se tentaram desculpabilizar dos resultados de uma crise que, resultado da ganância de uma centena de ladrões, se tornou num problema global, arrastando milhares para a desgraça e pobreza.


É triste perceber que a nossa sociedade se encontra tão capitalizada e corrompida, ao ponto dos verdadeiros culpados de toda a crise conseguirem sair desta história, não só inocentes como ridiculamente ricos. E o Mr. Obama, com todas as suas larachas de salvador da pátria, de "Yes We Can" e de galvanizador da prosperidade (que no final da história caíram todas em saco roto e se transformaram num dos grandes flops dos últimos anos), não teve qualquer problema em nomear para a sua direcção alguns dos principais responsáveis de toda esta desgraça. No seu lugar eu sentir-me-ia humilhado depois de ver este documentário.


Inside Job explica-nos como tudo começou. Aponta-nos os culpados, justifica as suas acusações e cala aqueles que tentam encontrar desculpas onde elas não existem. Infelizmente, o documentário peca pela falta de relatos na primeira pessoa, uma vez que a grande maioria dos culpados recusou ser entrevistado para o documentário (Já o povo dizia, Quem tem cu, tem medo!).


No entanto, Inside Job não se limita a explicar. Inside Job dá-nos o prazer de ridicularizar todos os responsáveis pela criação da enorme bolha que rebentou com o sistema económico americano e, consequentemente, com o sistema económico mundial. Narrado por Matt Damon, dirigido por Charles Ferguson e escrito por Chad Beck e Adam Bolt, Inside Job é um dos meus favoritos de 2010. É um documentário obrigatório, que não deixará ninguém indiferente. (Uma última referência para a Banda-Sonora: Excelente!)


Nota Final:
A-



Trailer:




Informação Adicional:
Realização: Charles Ferguson
Argumento:
Chad Beck e Adam Bolt
Ano: 2010
Duração: 120 minutos

JOAN RIVERS: A PIECE OF WORK (2010)


"I'll show you fear. [...] It would mean that nobody wants me and everything I had done in life didn't work."


Um dos melhores documentários que já vi sobre a vida em Hollywood, sobre a vida no show business, JOAN RIVERS: A PIECE OF WORK (vencedor de um prémio no Festival de Sundance) foi dos filmes que mais me surpreendeu na minha vida na sua capacidade de ser profundo, inteligente e incisivo nas críticas a tudo o que os holofotes da fama nos trazem.


Joan Rivers, uma comediante lendária que infelizmente nos últimos tempos tem mais reconhecimento pelas suas múltiplas cirurgias plásticas e pelos programas de crítica ácida que faz para o canal E!, abre as portas a esta equipa e deixa que a filmem durante aproximadamente um ano da sua vida. Ao fazê-lo e ao expôr-se tão genuinamente, a figura que todos conhecemos como Joan Rivers desaparece e a verdadeira persona por detrás da comediante aparece: uma mulher naturalmente engraçada, bem-humorada e divertida, que luta com todas as suas forças para, mais de cinquenta anos depois, continuar a manter-se relevante. Aos setenta e cinco anos, Rivers mantém as suas qualidades cómicas intactas, com um humor de fazer chorar a rir o mais sério dos indivíduos. Ela fala de tudo, não fugindo a nenhum tópico mais pesaroso e até abordando vários dos temas que a tornaram infame, da cirurgia plástica à relação com a filha Melissa Rivers, do seu conflituoso afastamento de Johnny Carson que a lançou para a celebridade até às discussões com o seu ex-marido. Não há temas polémicos, não há tópicos proibidos: de fria e cruel a dócil e compassiva, Rivers não foge a nada e fala de tudo.



A compensar a vertente mais engraçada que os múltiplos espectáculos e sketches que nos permitem analisar e concluir o quão fascinante é Rivers no seu trabalho, naquilo que faz melhor, temos uma parte mais profunda, mais melancólica do filme, que é indubitavelmente aquilo que mais me chocou, mais me apaixonou, mais me emocionou.  De uma forma quase demasiadamente pessoal e confidente, vemos por outro prisma esta mulher e descobrimos o que a move, o que a aborrece, o que a destrói por dentro. A compaixão e pena que vão sentir pela septuagenária não é descritível apenas por palavras; a forma como as lágrimas lhe vêm aos olhos ao folhear a sua agenda cheia de páginas vazias, brancas, é de destroçar o coração. As suas confissões, de que está demasiado velha, de que não tem capacidade para aguentar tanto ódio, tanta má fama na indústria, amolece-nos e toca-nos. Joan Rivers é um caso curiosíssimo numa indústria que tanto se preocupa com o que pensa, com o que diz, com o que faz.



Ela não tem medo, ela não tem problema em se rebaixar, não lhe faz confusão dizer o que pensa e sente, mesmo que isso magoe algumas pessoas. Ser assim tão frontal, tão confiante e conseguir pegar nisso e ser em simultâneo enormemente divertida terão sido, provavelmente, as características que Carson viu naquela rapariga bonita de vinte anos que ele decidiu promover no seu programa. Mal sabia ele o "monstro" da televisão e da comédia que estaria prestes a lançar no mundo. Eu acredito que, lá dentro, Joan Rivers sabia que ia ser assim. Que ela estava destinada a suceder. E quem a conhece desde sempre deve ter pensado o mesmo.





Há pessoas que são famosas para sempre. Há pessoas que têm os seus quinze minutos de fama. E depois há Joan Rivers. Joan Rivers é famosa para sempre, sim, mas isso é devido aos milhares de quinze minutos de fama de que tem usufruído, por nunca voltar as costas a um desafio, por nunca dizer não a nada. Joan Rivers sabe o que é preciso para se manter no negócio e sabe o que é necessário, por vezes, uma pessoa humilhar-se para que lhe voltem a dar respeito. JOAN RIVERS: A PIECE OF WORK é fascinante, é inspirador, eleva-nos ao mostrar ultimamente a capacidade de superação de um ser humano corajoso que teima em não aceitar derrota perante uma indústria que a quer ver enterrada. Podem tentar, mas Joan Rivers não há-de ir sem ir a combate. E assegurem-se: vai ser difícil nocauteá-la.





Nota Final:
B+

Informação Adicional:
 
Realização: Anne Sundberg, Rikki Stern
Ano: 2010

Trailer:

DAFA 2010: Melhor Documentário



Bem-vindos à primeira edição dos Dial A For Awards, a cerimónia de prémios de cinema do nosso blogue, Dial P For Popcorn. Iremos revelar, categoria a categoria, os nossos seis nomeados e três vencedores entre aqueles que foram, para nós, os melhores filmes de 2010.


Temos que ver se aceleramos esta entrega de prémios que anda tudo a ficar atrasado. Vá, então, continuando com os nossos prémios, hoje é dia de anunciarmos os nossos nomeados para Melhor Documentário. Como sabem, decidimos deixar a nossa crítica de doze dos quinze documentários que integraram a lista longa da Academia, por isso teceremos grandes considerações na altura. De qualquer forma, nada me impede de divulgar quais são, para mim os seis melhores do ano. Cá estão os nomeados para Melhor Documentário:



 CATFISH
EXIT THROUGH THE GIFT SHOP - #1
INSIDE JOB - #3
JOAN RIVERS: A PIECE OF WORK
LAST TRAIN HOME
RESTREPO - #2


Tenho a dizer, primeiro que tudo, que me foi dificílimo restringir só a estes seis. Não fazem ideia. Isto porque o ano foi mesmo riquíssimo em documentários de valor, seja portugueses ("Pare, Escute, Olhe" e "Lisboa Domiciliária", com "José e Pilar" fica a merecer uma especial consideração, porque é o que me falta ver - dentro de dias tratarei disso, que ele estará em Coimbra no TAGV dia 15 de Março - fica já o aviso para quem é da zona não faltar - e que sei que talvez merecia um lugar entre estes seis), seja estrangeiros ("GasLand", "Wasteland", "Prodigal Sons", "The Tillman Story", "Waiting for Superman", todos merecedores de uma vista de olhos). Contudo, no fim de contas, eram estes os seis que vos queria urgir a ver.

CATFISH é inexplicável. Não dá para explicar sem dar informações sobre o filme, por isso deixo-vos apenas com isto: vale sem qualquer dúvida o tempo empregue em vê-lo. Um estudo interessante sobre o nosso comportamento no mundo tecnológico de hoje, em que o nosso diálogo muitas vezes se resume apenas ao que escrevemos através de telemóveis e redes sociais. EXIT THROUGH THE GIFT SHOP é, mais do que inventivo e original, divertido. Um passeio pelos trabalhos de inestimável qualidade feitos nas ruas do mundo, vale certamente a pena espreitar (crítica do João aqui). INSIDE JOB é uma belíssima obra-prima que assusta tanto quanto encanta. Charles Ferguson pega em tudo aquilo que nos têm escondido acerca da crise financeira e aponta o dedo aos culpados, apanhando-nos desprevenidos em entrevistas e procurando focar a sua atenção nos pequenos e simbólicos genuínos momentos de reacção extemporânea deles até que de repente voltam a assumir o seu impenetrável, imperturbável eu. Incrível. JOAN RIVERS: A PIECE OF WORK é capaz de ser o menos convencional dos meus nomeados, mas é possivelmente aquele que mais vos recomendo verem. Mesmo não sendo propriamente fãs da comediante/apresentadora. Joan Rivers é uma personagem indissociável da televisão norte-americana dos últimos cinquenta anos. Além disso, é uma das maiores comediantes femininas que já existiram. Ainda por cima, é daquele tipo de gente famosa que faz de tudo para continuar famosa, como se pode ver no documentário. De tudo mesmo. É fascinante ver o que move, o que está verdadeiramente por detrás de uma das caras que a América melhor conhece. LAST TRAIN HOME e RESTREPO foram dois títulos que assisti de seguida e que me apaixonaram sentidamente. RESTREPO mostra-nos o lado duro da guerra e o poder da camaradagem entre soldados. É lindo ver como uma "família" se forma perante os nossos olhos e como, ao longo do ano, as diferentes pessoas vão alternando de estado de espírito, sendo que aquele que hoje consola amanhã é consolado e vice-versa. Um ano bastante complicado passado longe das suas vidas normais em casa. Isto já sem contarmos com o facto que estavam enfiados numa trincheira sob ataque de Talibãs. LAST TRAIN HOME proporciona-nos uma visão genial sobre o ressurgir da China como grande candidata a maior potência mundial através das suas classes hierárquicas mais baixas, acompanhando os mais de duas centenas de milhões de chineses que todos os dias apanham o seu comboio de casa para o trabalho e do trabalho para casa.


E para vocês: quais foram os documentários que vos encheram as medidas?