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DIAL P FOR POPCORN

DIAL P FOR POPCORN

EMMY 2011: Actor e Actriz - Drama


 

Melhor Actor - Drama:


Steve Buscemi, "Boardwalk Empire"
Kyle Chandler, "Friday Night Lights"
Michael C. Hall, "Dexter"
Jon Hamm, "Mad Men"
Hugh Laurie, "House, M.D."
Timothy Olyphant, "Justified"

Quem ficou de fora: Admitindo que realmente poderão haver fãs de Charlie Hunnam ("Sons of Anarchy"), Holt McCallany ("Lights Out"), Sean Bean ("Game of Thrones"), Peter Krause ("Parenthood") e Donal Logue ("Terriers"), penso que o único que se pode queixar verdadeiramente de ser excluído é Wendell Pierce ("Treme") - mas também, quem é que achava que ele ia mesmo ser nomeado? Ninguém que conheça a Academia, certamente.

Quem devia ganhar: Tendo em consideração que qualquer um destes que ganhar é merecido - e é a primeira vez, uma vez que Bryan Cranston, que este ano não está na corrida, venceu nos últimos três anos -, penso que Jon Hamm é o que tem o melhor episódio, a melhor interpretação e a melhor temporada.

Quem vai ganhar: Esta é uma corrida muito simples, porque desde sempre só teve dois vencedores possíveis: Jon Hamm ou Steve Buscemi. A segunda nomeação é prenda suficiente para Kyle Chandler (que escolheu "Always" para seu episódio), uma vez que embora ele seja impressionante no seu episódio, a Academia não o vai premiar sobre um dos dois favoritos mencionados acima. O mesmo se passa com Timothy Olyphant (escolheu "Reckoning"), que também é brilhante no seu episódio, mas que terá de se contentar com a nomeação, para já. Hugh Laurie e Michael C. Hall tinham ambos excelentes hipóteses de vencer, pois tinham os melhores episódios. Perderam de novo e este ano voltam à corrida pela sexta e quinta vez (Laurie com "After Hours" e Hall com "Teenage Wasteland") mas sem grandes possibilidades de vencer. Steve Buscemi tem como vantagem o facto de ser o estreante absoluto (Olyphant também conseguiu a primeira nomeação mas a sua série já existia o ano passado), de estar numa série da HBO, que conseguiu 17 nomeações além da sua e de ter vencido o SAG e o Globo de Ouro. Isto, como se sabe, vale de pouco nos Emmy - perguntem a Julianna Margulies, por exemplo - pois aqui os episódios é que contam. Buscemi é muito bom em "Return to Normalcy", é verdade, mas Jon Hamm bate todos em "The Suitcase", que devia ser exibido em toda e qualquer aula de representação. Ele e Moss são absolutamente perfeitos. E com isto... eu acho que vai ser Jon Hamm a vencer.


Melhor Actriz - Drama:


Kathy Bates, "Harry's Law"
Connie Britton, "Friday Night Lights"
Mireille Enos, "The Killing"
Mariska Hargitay, "Law & Order: Special Victims' Unit"
Julianna Margulies, "The Good Wife"
Elizabeth Moss, "Mad Men"


Quem ficou de fora: Como sempre, Mariska Hargitay é de novo premiada pela sua mediocridade; felizmente, Kyra Sedgwick, depois de vencer, já não o foi mais (como eu havia previsto num artigo há dois anos, por esta mesma altura, em que disse que para ela deixar de ser sempre nomeada bastava ganhar uma vez). Com Hargitay vai passar-se o mesmo quando ela vencer para o ano quando abandonar de ver "L&O: SVU" (ela já tem uma vitória). Para o lugar de Glenn Close entrou outra estrela de Hollywood: Kathy Bates. Ao contrário de Close, Bates tem um programa péssimo. Mas tem David E. Kelley do seu lado. Enfim. De fora ninguém importante ficou - ou melhor, ninguém que eu esperasse que pudesse ser nomeado sem ser Sedgwick. Jennifer Beals ("The Chicago Code"), Melissa Leo ("Treme"), Emmy Rossum ("Shameless") e Anna Torv ("Fringe") mereciam todas a nomeação acima destas senhoras mas, como era óbvio, tal não sucedeu.
Quem devia ganhar: Julianna Margulies é de longe a actriz mais multifacetada e dotada deste grupo que, por azar, tem uma personagem que reage muito pouco. Quase tão pouco como Mireille Enos. Contudo, a haver um vencedor pelos episódios submetidos, esse seria Elizabeth Moss.

Quem vai ganhar: Uma corrida a três também aqui. Connie Britton ("Always") e Mariska Hargitay ("Rescue") são boas nos seus respectivos episódios mas não têm suporte da indústria para vencer. Mireille Enos foi inteligente ao escolher "Missing" como seu episódio, pois é o único da temporada inteira em que ela se abre mais, demonstrando profundidade emocional e intensidade dramática, que falta à sua personagem nos restantes episódios. É o 'cavalo negro' da categoria. Depois temos a incógnita Kathy Bates. O prestígio, o passado de vencedora de Óscar, o facto de estar numa série de David E. Kelley são pontos a favor. Contra ela está a baixíssima qualidade da série e a sua interpretação (em "Innocent Man"), por muito boa que seja, não aguenta a falta de qualidade do enredo. O ano passado Margulies perdeu o Emmy à custa da sua horrorosa escolha de episódio. Este ano pode acontecer o mesmo, uma vez que embora "In Sickness" seja melhor escolha que a de 2010 e neste episódio ela realmente demonstre tudo aquilo que compõe a sua personagem e tem algumas cenas de choro e de confronto épicas com o marido, Elizabeth Moss rebenta a escala com "The Suitcase", no qual ela e Jon Hamm não têm falhas. Se fosse pelo episódio, Moss vencia (há que notar, no entanto, que mesmo com um excelente episódio, Moss não tem garantia de vitória, pois o ano passado perdeu para Panjabi sendo a favorita e a que tinha melhor episódio). Se a Academia olhar de facto para as temporadas e para o buzz... O Emmy não irá fugir de novo a Julianna Margulies. Que é quem eu prevejo que vença.


P.S. - Coincidentemente, este artigo marca a nossa 500ª publicação cá no blogue. Que venham mais 500, é o que se quer.

EMMY 2011: Melhor Série - Drama

 

MELHOR SÉRIE - DRAMA
BOARDWALK EMPIRE
DEXTER
FRIDAY NIGHT LIGHTS
GAME OF THRONES
THE GOOD WIFE
MAD MEN


Bem sei que esta é a categoria que menos queixas devia suscitar, até porque não houve nenhuma exclusão de relevo, por muito que alguns se possam queixar da falta de "Sons of Anarchy", de "Treme" ou de "Justified". Felizmente, "The Killing" não conseguiu ser nomeado e "Game of Thrones" sim. Infelizmente, "Shameless" não conseguiu ser nomeado mas "Dexter" sim. Esta seria a minha única grande queixa quanto a este elenco. Elenco esse que é composto por "The Good Wife", que voltou a conseguir ser nomeado no meio de tanta série por cabo, tendo-se juntado a ela este ano "Friday Night Lights", que recebe esta nomeação como um belo prémio de despedida. "Mad Men" retorna para tentar o quarto triunfo consecutivo o que, a acontecer, fará da série recordista de troféus consecutivos e, além disso, igualará outras três séries com quatro triunfos, o recorde actual detido por "Hill Street Blues", "The West Wing" e "LA Law". Sem surpresa, "Boardwalk Empire" carimba também presença nesta categoria, sendo uma forte ameaça - talvez a mais forte - à vitória de "Mad Men". Mais surpreendentemente, "Game of Thrones" também consegue ser nomeado para Melhor Série - Drama, algo que deve ter deixado os seus fãs extasiados. Por acaso, eu temia que tal não fosse suceder, devido a algum preconceito das Academias (tanto para cinema como para televisão) quanto a géneros alternativos (ficção científica, terror, fantasia). Finalmente, a completar a categoria está "Dexter" que, mesmo com uma quinta temporada bem mais fraca que as anteriores, consegue a quarta nomeação consecutiva.


Quem ficou de fora: 
"Treme", "Shameless" e "Justified" mereciam uma oportunidade, mas quem iria ser arrumado?

Quem deve ganhar:
"Mad Men" é a óbvia escolha, com a sua quarta temporada a ser tão ou mais forte do que a anterior. Uma palavra aqui para "The Good Wife": se "Mad Men" triunfar este ano de novo, batendo "Boardwalk Empire", como se espera e se "The Good Wife" continuar em crescendo de qualidade, caberá à série da CBS - e não à da HBO - o privilégio de potencialmente ser quem vai quebrar a hegemonia de "Mad Men", num ano bem próximo. Ou então "Breaking Bad", de volta à corrida em 2012.
Quem vai ganhar:
"Boardwalk Empire" era o favorito em Dezembro e de facto limpou os Globos de Ouro e os SAG à custa desse buzz. Contudo, nesta altura, a série já está esquecida e o buzz já é quase inexistente, sendo que tudo dependerá da resposta aos episódios e aos nomes envolvidos na produção. É, ainda, um nome fortíssimo a ter em conta, mas parece-me que esta corrida vai cair para o lado da AMC outra vez, com "Mad Men" a triunfar pela quarta vez. Cuidado, ainda assim, com "The Good Wife".


Lista de episódios submetidos:

BOARDWALK EMPIRE
“Boardwalk Empire” e “Anastasia”
“Nights in Ballygran” e “Family Limitation”
"Paris Green” e “Return to Normalcy”

DEXTER
"Circle Us" e "Take It!"
"Teenage Wasteland" e "In the Beginning"
"Hop a Freighter" e "The Big One"

FRIDAY NIGHT LIGHTS
"Fracture" e "Gut Check"
"Don't Go" e "The March"
"Texas Whatever" e "Always"

GAME OF THRONES
“Winter is Coming” e “The Kingsroad”
“A Golden Crown” e “You Win or You Die”
“Baelor” e “Fire and Blood”

THE GOOD WIFE
"Double Jeopardy" e "VIP Treatment"
"Nine Hours" e"Real Deal"
"Great Firewall"e "In Sickness"

MAD MEN
"Public Relations" e "The Chrysanthemum and the Sword"
"Waldorf Stories" e "The Suitcase"
"The Beautiful Girls" e "Blowing Smoke"

Discutindo os Emmy 2011: Melhor Série - Drama

A contar os dias para o anúncio dos nomeados para os Emmy 2011 - que ocorrerá esta quinta-feira 14 de Julho, venho oferecer a minha opinião sobre quais os candidatos mais fortes nas principais corridas e tentar a minha sorte no jogo preditivo, tal e qual como faço para os Óscares. Para encerrar as principais categorias de Drama, só falta mesmo Melhor Série.

MELHOR SÉRIE - DRAMA


PREVISÃO:
"Boardwalk Empire"
"Dexter"
"Friday Night Lights"
"The Good Wife"
"The Killing"
"Mad Men"

Em princípio, uma categoria bastante competitiva, como é apanágio, até mais competitiva do que o habitual, visto que pela primeira vez o tricampeão "Mad Men" tem competição à altura sob a forma de "Boardwalk Empire", que vem fresquinho de uma vitória nos Globos de Ouro e de um SAG para Melhor Elenco. A luta pela vitória final passará, sem dúvida, por um destes dois. Também "Dexter", um nomeado já padrão desta categoria, deverá voltar a ser nomeado, apesar da sua popularidade começar (finalmente) a decrescer. Pelo contrário, quem vem lançado e com a cotação a subir em flecha (a ponto de muitos críticos acreditarem ser possível conquistar o Emmy) é "The Good Wife", cuja segunda temporada conseguiu ainda maior buzz do que a primeira, que conquistou número recorde de nomeações para a CBS.

A dúvida, para todos, reside nos dois últimos lugares. E a dúvida existe fundamentalmente por duas razões: a primeira é porque não há uma série que reúna consenso de que deve e merece ser nomeada. Sim, há defensores acérrimos de "Game of Thrones" mas "True Blood" é capaz de ter primazia se a Academia for escolher uma série de fantasia, até porque foi nomeado o ano passado - claro que posso também estar redondamente enganado e "Game of Thrones" impressionar mais do que estou a pensar. A competir pela mesma vaga temos "Fringe", que é ficção científica de puro quilate, que já merece há muito ser premiada nalgum lado, que provavelmente vai ver outro ano passar-lhe ao lado sem que veja nomeações significativas e a série gore sobre zombies, "The Walking Dead", que será quem provavelmente ficará com o lugar, se a Academia decidir fugir às convenções mais um ano.


O mais provável, contudo, é que a AMC repita os dois nomeados como de costume não com esta série de Frank Darabont mas sim com "The Killing", que conquistou aclamação crítica pela sua primeira parte da temporada e que, mesmo que a segunda metade tenha sido menos inspirada, tem fortes hipóteses de conseguir uma nomeação aqui. É o tipo de série prestigiante que a Academia gosta de premiar.

Outras séries que vão certamente garantir votos são "Shameless" - que estreou a sua primeira temporada com grande sucesso na Showtime, que acredita muito na série mas que possivelmente vai ter que se contentar com a nomeação do seu actor principal -, "Justified" - que se ficará muito provavelmente pelo sétimo lugar na corrida, portanto aquele nomeado que quase chega lá mas que no fim não consegue e o polémico "Sons of Anarchy", que também me parece que se há-de contentar com a nomeação de Katey Sagal.

Outra série com algumas hipóteses, embora mais remotas, é "In Treatment", que foi cancelada e portanto pode dar vontade à Academia de premiar a série pela última vez, tal como "Big Love" e "Friday Night Lights". Esta última será, espero eu, a surpresa positiva das nomeações todas, fazendo um upgrade das duas nomeações para os seus protagonistas somando a estas uma nomeação muito merecida e até diria catártica para o final desta grande série. Quem parece ter saído de vez do radar é "House", o que se percebe perfeitamente, dado a contínua derrocada de qualidade da série.

De resto, é possível que tenhamos uma surpresa (afinal, são os Emmy!) na forma de "Burn Notice", "White Collar", "Covert Affairs", "Men of a Certain Age", "The Borgias", "Spartacus" ou "Camelot", mas não contaria muito com isso.

Globos de Ouro 2011 - Comentários às Nomeações (Televisão)

Depois de revelados os nomeados, depois de ponderar neles, é tempo de fazer a minha apreciação. Peço desculpa por ter demorado tanto tempo, mas mais vale tarde que nunca.

Começamos pelas categorias de TELEVISÃO:


Melhor Série - Drama
BOARDWALK EMPIRE
DEXTER
MAD MEN
THE GOOD WIFE
THE WALKING DEAD

Comentário: Continuando a tradição de abraçar de peito aberto as novas séries, os Globos decidiram trocar o sobrenatural "True Blood", a decair em popularidade com os Globos de Ouro, pelo sobrenatural "The Walking Dead" (que por só ter meia-dúzia de episódios, pensava que iam considerar em mini-série) e colocar merecidamente "Boardwalk Empire" entre os nomeados, por troca com "House", que finalmente abandona os nomeados. "Dexter" e "Mad Men", séries em topo de forma, seguram o seu lugar e "The Good Wife" vence o braço de ferro com os Globos de Ouro (que o ano passado só tinham "notado" Margulies), com múltiplas nomeações este ano.


Vencedor: "Mad Men" continua tão boa aposta como antes, mas parece-me que este ano passa a pasta para "Boardwalk Empire" ou até "The Good Wife".



Melhor Série - Comédia/Musical
30 ROCK
GLEE
MODERN FAMILY
THE BIG BANG THEORY
THE BIG C
NURSE JACKIE

Comentário: Categoria muito interessante, com "The Office" a ser completamente ignorado este ano, excepção feita a Carell, como sempre. "30 Rock", "Glee" e "Modern Family" retornam com o seu buzz habitual, às quais se junta a nova série comédica do momento, "The Big C" e, algo que igualmente me surpreende e alegra, "Nurse Jackie" e "The Big Bang Theory" a estrearem-se com nomeações de relevo, algo de inédito em particular para o segundo caso, que nem nos Emmy havia logrado tal feito.

Vencedor: Como aqui o vencedor passa normalmente a pasta ("The Office" foi o único que venceu duplamente a categoria esta década, em 2007 e 2008), veremos "Glee" a passar o testemunho a "Modern Family" ou até mesmo "The Big C".


Melhor Actor - Drama
Steve Buscemi, BOARDWALK EMPIRE
Jon Hamm, MAD MEN
Michael C. Hall, DEXTER
Hugh Laurie, HOUSE M.D.
Bryan Cranston, BREAKING BAD




Melhor Actriz - Drama
Katey Sagal, SONS OF ANARCHY
Elizabeth Moss, MAD MEN
Julianna Margulies, THE GOOD WIFE
Piper Perabo, COVERT AFFAIRS
Kyra Sedgwick, THE CLOSER

Comentário: Finalmente os Globos de Ouro a reconhecerem a qualidade de duas séries, "Sons of Anarchy" e "Breaking Bad", mesmo que seja só através dos seus dois actores. Katey Sagal e Bryan Cranston merecem-no. Margulies era óbvio que iria repetir (e é favorita para voltar a vencer), Sedgwick a mesma coisa. Continua a mania de "Mad Men" ter que repartir a riqueza na categoria de Melhor Actriz, seja nos Globos ou nos Emmy, com Elizabeth Moss a ocupar o lugar que por dois anos havia sido de January Jones (injustamente, diga-se, porque esta foi a melhor temporada de Betty Draper) e o voto populista levou a que Piper Perabo, ridiculamente, conseguisse uma nomeação nesta categoria onde todas as outras nomeadas são imensamente superiores. A restante categoria de Melhor Actor não tem outras surpresas, o que não é de admirar - porque estes cinco senhores são similarmente brlhantes, todos eles.

Vencedor: Hugh Laurie ganhou em 2006 (e 2005), Jon Hamm ganhou em 2007, Gabriel Byrne em 2008, Michael C. Hall em 2009 e portanto só resta Steve Buscemi ou Cranston. Como é o primeiro que tem a série em estreia, deve ser ele o vencedor.


Melhor Actriz - Comédia/Musical
Tina Fey, 30 ROCK
Edie Falco, NURSE JACKIE
Toni Collette, THE UNITED STATES OF TARA
Lea Michele, GLEE
Laura Linney, THE BIG C




Melhor Actor - Comédia/Musical
Alec Baldwin, 30 ROCK
Steve Carell, THE OFFICE
Jim Parsons, THE BIG BANG THEORY
Matthew Morrison, GLEE
Thomas Jane, HUNG

Comentário: Nas senhoras, temos todas elas (menos Julia Louis-Dreyfus, cuja série terminou) a repetir a nomeação aqui, depois de terem transitado com sucesso dos Globos de Ouro em 2010 para os Emmy também, com a troca pequena de Courteney Cox (injustamente roubada, uma vez mais, de uma nomeação, tanto aqui como nos Emmy) pela mulher a bater este ano em Comédia - Laura Linney. Nos senhores, os nomeados do ano passado repetem-se todos, promovendo-se só aqui a troca de David Duchovny (a perder gás) por Jim Parsons (imensamente merecida; provavelmente no seguimento da sua vitória nos Emmy).

Vencedor: Por algum motivo é o alvo a abater: Laura Linney chegou, viu e vem para vencer. E nos senhores, depois de quatro anos, se calhar é altura de Baldwin deixar o prémio para mais alguém, possivelmente será Jim Parsons ou (finalmente, até porque vai deixar a série) Steve Carell.


Melhor Actor Secundário
Scott Caan, HAWAII FIVE-0
Christ Noth, THE GOOD WIFE
Eric Stonestreet, MODERN FAMILY
Chris Colfer, GLEE
David Strathairn, TEMPLE GRANDIN



Melhor Actriz Secundária
Jane Lynch, GLEE
Sofia Vergara, MODERN FAMILY
Julia Stiles, DEXTER
Kelly Macdonald, BOARDWALK EMPIRE
Hope Davis, THE SPECIAL RELATIONSHIP

Comentário: Todos os anos acabo por ficar irritado com os Globos de Ouro e as categorias secundárias, pela escolha arbitrária de algumas interpretações e de outras não e pelo facto de colocar todos os actores secundários em dois sacos, só fazendo separação por sexo. Irrita-me isto, até porque na maioria das vezes os secundários são personagens (e interpretações) mais fascinantes que os protagonistas. Mas enfim. Considero que são dois bons grupos de nomeados, o de homens invariavelmente bem mais forte que o das mulheres. As múltiplas menções de Chris Colfer começam a embaraçar-me já, não só porque não acho que o papel seja assim tão complicado de interpretar como e sobretudo por ter sido nomeado na variante de Comédia/Musical, sendo que tudo o que envolve a sua personagem naquela série é Drama, não comédia. Aquilo é uma interpretação dramática. Dito isto, concordo com as menções de Strathairn, Stonestreet e Noth, de longe a personagem mais intrigante de "The Good Wife" (num elenco que poderia todo estar aqui - e seria merecido isso acontecer - nomeado). O voto populista em Scott Caan já é apanágio dos Globos de Ouro, acontecendo todos os anos (ver Simon Baker em 2009/2010 ou Piper Perabo este ano). Nas mulheres, Lynch é a única a repetir a nomeação e Davis é a única a transitar das categorias de Tele-Filmes e Mini-Séries dos Emmy. Vergara (merecidamente) junta-se ao lote de nomeados, que é completado pela decente escolha de MacDonald e pela não tão interessante escolha de Stiles. Baranski ou Panjabi ("The Good Wife") seriam infinitamente melhores escolhas. Ou Hendricks ("Mad Men").

Vencedor: Tendo sido roubada o ano passado, não há dúvidas que Jane Lynch é a favorita, com Sofia Vergara como uma interessante possibilidade. Para Actor Secundário, tudo em aberto, com Eric Stonestreet a ter uma (ligeira) vantagem.


Melhor Telefilme ou Mini-série
THE PACIFIC
CARLOS
TEMPLE GRANDIN
PILLARS OF THE EARTH
YOU DON'T KNOW JACK

Melhor Actor - Telefilme ou Mini-séri
Idris Elba, LUTHER
Ian McShane, PILLARS OF THE EARTH
Al Pacino, YOU DON'T KNOW JACK
Dennis Quaid, THE SPECIAL RELATIONSHIP
Edgar Ramirez, CARLOS

Melhor Actriz - Telefilme ou Mini-série
Claire Danes, TEMPLE GRANDIN
Hayley Atwell, PILLARS OF THE EARTH
Judi Dench, RETURN TO CRANFORD
Romola Garai, EMMA
Jennifer Love-Hewitt, THE CLIENT LIST

Comentário: Só deixar aqui duas notas: "Temple Grandin", "The Special Relationship" e "You Don't Know Jack" continuam a coleccionar prémios há quase mais de um ano. E "Carlos", o (supostamente) excelente filme de Assayas, como não pode ser reconhecido pela HFPA e pela Academia como Filme, ao menos tem ganho reconhecimento pela sua "transformação" televisiva.

Vencedor: Claire Danes para Melhor Actriz, Al Pacino para Melhor Actor e "Carlos" ou "The Pacific" para Melhor Mini-Série/Tele-Filme (se bem que qualquer um dos cinco na lista pode vencer).


Revisão da Televisão em 2010: Parte 4

A nova temporada televisiva já começou há quase dois meses, daí que eu precise mesmo de arrumar com a minha revisão das temporadas das séries em 2010.

Vamos à quarta e última parte da minha revisão (partes anteriores em #31-40, #30-21 e #20-11 e este, #10-1) Espero que deixem ficar a vossa opinião.



10. PARKS AND RECREATION

Temporada: 2
Nota: B+

Crítica: Depois de uma primeira temporada interessante, a comédia que era suposto ser um parente pobre de "The Office" deu um salto substancial em qualidade. Muito mais engraçada, muito mais madura, com piadas muito mais eficientes e muito menos ilógicas, como algumas das storylines do ano transacto. E enquanto Leslie Knope (Amy Poehler) continuou nos seus devaneios do costume, as verdadeiras estrelas do show apareceram, desculpe-me Tom (Aziz Ansari) que parece ser de quem toda a gente gosta, são April (Aubrey Plaza) e Ron (Nick Offerman), que é uma versão bastante mais aprimorada do sr. Michael Scott. Parabéns a uma série que consegue ter tanta riqueza e extrair tão bom potencial para histórias a partir dos seus personagens secundários como esta. Estaria mais alto não fosse o facto de ainda assim continuar a ter alguns episódios em que escapa para a piada fácil.

Melhor Episódio: Um empate entre "Sweetums" e "The Stakeout" (2.15 e 2.02, B+).
Quem sobressaiu: Aubrey Plaza. Tudo o que ela disse esta temporada foi mágico.


9. THE GOOD WIFE

Temporada: 1
Nota: B+


Crítica: Se alguém me dissesse que um drama legal muito subtil e ligeiro se fosse tornar na minha série favorita das que estreou na nova temporada, não acreditaria. Mas foi de facto verdade. "The Good Wife" ganhou-me a pouco e pouco e agora é a série que mais falta me faz durante a semana. "Modern Family" é de longe a série que eu mais gostei de acompanhar o ano passado, mas esta é que se tornou das minhas favoritas. Excelentes casos, brilhante a forma como captura o ambiente dos tribunais e ao mesmo tempo tece bem a dicotomia entre a vida profissional e a outra vida, a pessoal, a privada e impecável ao explorar a bipolaridade das personagens, nunca nos emburrecendo, nunca nos tomando como garantidos, sempre surpreendendo sem recorrer a clichés ou a jogadas duplas, como tão frequente é ver neste tipo de séries. E nem vamos falar do valor incalculável deste elenco. Josh Charles e Chris Noth têm pura e simplesmente os papéis de uma vida, Archie Panjabi já levou o Emmy e Christine Baranski é grande candidata a levar o próximo, ainda por cima se continuar assim. E depois disso temos Julianna Margulies. Que interpretação soberba. Sabe quando deve deixar a sua personagem falar por si, sabe quando usar as expressões faciais, sabe quando deve subir o tom e descê-lo. É impressionante. Foi-lhe roubado um Emmy este ano, mas em 2011 não lhe escapa.


Melhor Episódio: "Boom" (1.19, B+) e "Unplugged" (1.21, B+).

Quem sobressaiu: Todos excelentes, mas Julianna Margulies é a MVP da série.


8. FRIDAY NIGHT LIGHTS


Temporada: 4
Nota: A-/B+


Crítica: Que há a dizer de "Friday Night Lights" que ainda já não foi dito? Que é capaz de ser o melhor drama da televisão norte-americana? Sim. Que tem um dos melhores elencos em televisão? Sim. Que tem argumentistas fantásticos que conseguem aliar o drama ao inspiracional e a geniais momentos de comédia? Sim. Que tem em Kyle Chandler e em Connie Britton dois dos melhores actores da sua faixa etária? Sim. Que apesar de falar primariamente em futebol americano pouquíssimo do interesse da série reside no desporto em si? Sim. Que quem vir "The Son", do ano passado, e não passar a seguir a série religiosamente é porque não tem coração? Obviamente. Acho que já disse tudo, portanto.

 
Melhor Episódio: "The Son" (4.05, A) é o melhor episódio dramático do ano passado, só a par do season finale de Mad Men e Breaking Bad.

Quem sobressaiu: Connie Britton continua, ao fim de quatro temporadas, simplesmente espectacular.


7. LOST


Temporada: 6
Nota: A-/B+

Crítica: Esta nota é capaz de ser um pouco alta demais para uma temporada tão confusa e incerta como esta última de "Lost" foi, mas a verdade é que a série terminou em grande, diga-se o que se quiser dizer do episódio final, que iria sempre causar imensa controvérsia. Uns optam por dizer que foi dos piores finais da história, eu opto por dizer que achei o final perfeito e totalmente condizente com o rumo que a série tomou. "Lost" nunca foi apenas uma série de mitologia, nunca foi apenas uma série de ficção científica. "Lost" sempre foi uma série que se focou nas pessoas, focou-se em explorá-las, focou-se em mostrar o seu lado bom e o seu lado mau e focou-se em tentar expô-las a situações que testassem a sua personalidade. Claro que foi fascinante ver algumas questões finalmente resolvidas mas para mim o mais importante foi ver que o desígnio final para as personagens era justo e assentava bem no que tínhamos vindo a conhecer de cada um deles. Admito que me veio lágrimas aos olhos no final. No fim de contas, estamos a falar da série mais icónica da nossa década, da nossa geração até, a terminar.


Melhor Episódio: Vários ao longo da temporada, mas só para ser teimoso, vou realçar o final ("The End: Part 1 and 2", A-).
Quem sobressaiu: Terry O'Quinn. Assombroso.



6. CHUCK


Temporada: 3
Nota: A-/B+


Crítica: Peço desculpa por dizer já isto, mas para quem não gosta de "Chuck", não vale a pena sequer tentar compreender esta nota. Esta é uma nota de uma pessoa que se diverte imenso todas as semanas ao seguir as desaventuras do sr. Chuck Bartowski e Cª. Tenho pena que com esta série só tenha percebido o seu valor muito mais tarde do que a maioria das pessoas. Ainda bem, contudo, que eu ainda cheguei a tempo. A terceira temporada de "Chuck" foi a mais forte até agora, parece-me a mim. Finalmente o nosso herói é treinado para ser espião, finalmente obtivemos uma resolução quanto à relação entre Chuck e Sarah, finalmente Morgan serve para mais do que comic relief e finalmente Ellie e Awesome têm uma participação mais activa na série. A única coisa que não gostei nesta temporada foi a adição de Brandon Routh como o super-espião Shaw. Admito, surpreendeu-me pela positiva inicialmente, todavia com o andar das coisas e as complicações que ele foi aos poucos inserindo na relação de Chuck e Sarah e no treino de Chuck foram demovendo-me da minha apreciação inicial. E depois aqueles seis últimos episódios, com a sua dupla face mostrada... Não há paciência. Foram momentos difíceis para mim sempre que ele surgia no ecrã. De resto, foi um ano bastante bom para a equipa de "Chuck", que manteve as audiências minimamente altas e conseguiu uma renovação completa de 24 episódios. Not bad.


Melhor Episódio: Para mim, "Chuck vs. the Mask" (3.07, B+).
Quem sobressaiu: Acho que esta foi, até agora, a melhor temporada de Joshua Gomez.

 
5. SONS OF ANARCHY

Temporada: 2
Nota: A-


Crítica: É mesmo uma pena que pouca gente dê valor a "Sons of Anarchy", um dos melhores dramas da televisão por cabo nos EUA. É uma série que não respeita convenções e que pisa a linha do inaceitável vezes demais, mas a verdade é que não há outra coisa como ela. Faz-me lembrar algo do género de "Rescue Me", mas mais pesado ainda. Abordar de forma tão brusca e poderosa uma violação, como fez a série o ano passado, não é para todos (viu-se pelo episódio de "Private Practice" esta semana). Felizmente, conta com um elenco fabuloso e com um grupo de argumentistas com muito talento para contar histórias. O que me admira é a falta de amor que os prémios como os Emmy têm pela série. É que por exemplo Katey Sagal teria ganho um Emmy de caras. E já agora, lembram-se de uma série fantástica que passava há uns anos na televisão, chamada "The Shield", que também não tinha sucesso com os Emmy? Pois é, adivinhem quem era o argumentista principal dessa série? O criador desta.


Melhor Episódio: "So" (2.01, A-) e "Service" (2.11, A-).
Quem sobressaiu: Katey Sagal. Aquela cena da violação ainda me está gravada na memória.


4. DEXTER

Temporada: 4
Nota: A-


Crítica: Quando pensamos que "Dexter" não consegue ficar melhor, eis que os argumentistas sobem o nível mais uma vez e nos presenteiam com a melhor temporada da história da série. Uma temporada verdadeiramente excitante, com a adição acertada do extraordinário John Lithgow - finalmente um nemesis à altura de Dexter Morgan - e com um final tão espectacular quanto chocante. Quem poderia prever que seria aquele o destino de Rita? A minha única crítica - e que é recorrente, já não é de agora - é a série não ter mais ninguém com o mínimo interesse, à excepção de Dexter, claro. Não é por culpa dos actores, pois estes desempenham bem os seus papéis. Acho mesmo que é por culpa das personagens e das suas caracterizações, que as tornam muito unidimensionais, além do pouco material que têm os actores secundários para trabalhar.




Melhor Episódio: O final seria óbvio, mas "Hungry Man" é capaz mesmo de ser o melhor (4.09, A).
Quem sobressaiu: John Lithgow e Michael C. Hall.




3. BREAKING BAD


Temporada: 3
Nota: A


Crítica: O primeiro A da minha lista vai para esta brilhante e inovadora série que desafia toda a espécie de lógica ou lei. Não basta dizer só que é inteligente, bem escrita, bem interpretada e interessante. Não. Esta terceira temporada rebentou com todos os fusíveis. Foi excepcional e não houve um episódio que não me tivesse deixado de boca aberta. Ainda por cima, este elenco é fantástico - Bryan Cranston, Anna Gunn e Aaron Paul, o núcleo duro da série, são geniais e todos mereciam um Emmy (só a mulher não levou um Emmy para casa - nem sequer foi nomeada; Paul ganhou o seu primeiro este ano, Cranston vai no terceiro consecutivo) e tem uma química explosiva e é maravilhoso presenciar a transformação que as personagens vêm vindo a sofrer. Finalmente, só uma palavra de apreço para a AMC: obrigado pela boa televisão que nos tem dado. "Mad Men", "Rubicon", "Breaking Bad" e "The Walking Dead"? Obrigado.

Melhor Episódio: o final de temporada, "Full Measure" (3.13, A).
Quem sobressaiu: Aaron Paul ser destacado era merecido, mas como "Peekaboo" já foi a temporada passada, é Bryan Cranston que para mim foi o melhor da série.


2. MODERN FAMILY

Temporada: 1
Nota: A

Crítica: Que lufada de ar fresco foi "Modern Family" no panorama de séries com base situacional (as tais sitcoms)! Um elenco irrepreensível e indubitavelmente talentoso, histórias originais, frescas, bem elaboradas e exploradas (e, muito importante, absolutamente engraçadas), uma direcção cuidada, que deve ter sido crucial para obter tão bons resultados em termos de timing comédico e pronunciação de falas não de um, ou de dois, mas de quatro actores infantis, e uma série que não teve medo de lidar com preconceitos (tem gays; tem estrangeiros; tem um casamento com uma diferença de idades grande) e que vincou bem o seu lugar na temporada televisiva de 2009-2010. Foram tantos e tão saborosos os momentos que me proporcionou que nem dá sequer para singularizar dez, quanto mais só um ou dois. "Modern Family" não promete. Chegou, viu e venceu. Tão simples quanto isso.

Melhores Episódios: Não dá para pegar só num. O piloto, "Fifteen Percent", "Moon Landing", "Fears", "Family Portrait" são alguns que destaco (1.01, 1.14, 1.15, 1.16, 1.24, todos A-).
Quem sobressaiu: Ty Burrell, Sofia Vergara e Eric Stonestreet. Que três.


1. MAD MEN


Temporada: 3
Nota: A+

Crítica: Bem sei que não se deve falar em perfeição porque normalmente esse é um objectivo inatingível, mas a terceira temporada de "Mad Men" foi, sem dúvida, perfeita. Treze episódios fortíssimos, um estilo de escrita ímpar por parte de Weiner e Cª, storylines que mudaram (bem) um pouco o rumo da série e abordam de tudo um pouco, de divórcios a gravidezes a casamentos apresentando-nos sempre mais e mais camadas de complexidade destas personagens que aprendemos a tanto respeitar, um elenco extraordinário, onde não há um ponto fraco - e onde Moss, Hamm e Jones brilham acima de todos os restantes - e uma maravilhosa exploração do dia-a-dia, do ambiente, da história dos anos 60 tornam esta na melhor série dos últimos anos e muito provavelmente na série da década, lado a lado com "The Sopranos", "The Wire" e "Six Feet Under". E se dúvidas haviam da magnitude do calibre de Mad Men, esta temporada deve tê-las aniquilado todas. Esta vai ser uma série que vai ganhar o Emmy de Melhor Drama até ao dia em que decidir terminar.

Melhor Episódio: o trio final, "The Gypsy and The Hobo", "The Grown-Ups" e o soberbo final "Shut the Door, Have a Seat" (3.11, 3.12, 3.13, todos A), a juntar ao espectacular "Guy Walks Into Advertising Agency" (3.06, A-).
Quem sobressaiu: January Jones e Jon Hamm.



E cá está a minha revisão da temporada televisiva passada concluída. Espero que tenham gostado e que não vos tenha maçado muito. Alguma sugestão a como fazer a análise da temporada vindoura será bem-vinda. E obviamente que peço desculpa por ter-me demorado tanto em voltar à escrita no blogue.