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DIAL P FOR POPCORN

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Antevisão: 65.º FESTIVAL DE CANNES




E chega o momento alto do meu ano cinematográfico. O mais prestigiado festival de cinema do Planeta, onde aparecem estreias exclusivas, onde todos desejam estar e cujo reconhecimento popular apenas perde, injustamente, para os prémios da Academia Americana, apresenta este ano um promissor, luxuoso e consistente cartaz.


Começo pelo júri. O presidente será o peculiar Nanni Moretti, prestigiado realizador italiano, com nome feito no festival, vencedor em 2001 de uma Palma de Ouro (com o filme La stanza del figlio) e que contará, no seu grupo de jurados, com nomes como o do respeitável realizador Alexander Payne (Sideways, The Descendents, About Schmidt), dos actores Ewan McGregor, Diane Kruger, Hiam Abbass e Emmanuelle Devos e, ainda, do estilista Jean-Paul Gaultier.


Para não me dispersar, e porque não quero dar um passo maior do que a minha perna, como amador cinéfilo que sou, vou fazer uma breve análise sobre os principais nomes em concurso para o principal prémio do festival: A Palma de Ouro. É um ano rico. 2012 será um óptimo ano cinematográfico. Com um surpreendente número de candidatos americanos e com quatro antigos vencedores da Palma de Ouro (Haneke, Kiarostami, Loache e Mungiu), poderemos contar com uma luta saudável e renhida. O Cinema Português estará, este ano, timidamente representado pela actriz Rita Blanco, que participa em Amour, de Michael Haneke e pelo produtor Paulo Branco, um dos responsáveis pelos filme Cosmopolis, de David Cronenberg


Dos principais nomes em competição, vou salientar alguns. Alguns que, acredito, não nos irão defraudar. Cannes tem, de diferente, o facto de se enganar poucas vezes. De ser, menos vezes, injusto para com os seus premiados. Quem vence em Cannes, habitualmente, vence bem, vence com justiça. Não arrisco um vencedor. Porque não tenho competência para tal, e porque não me apetece atirar um nome ao ar. Mas há filmes muito bons a estrear nesta edição. Começo por destacar os antigos vencedores. Michael Haneke (vencedor com  a obra-prima The White Ribbon) apresentará AmourAbbas Kiarostami o filme Like Someone in LoveKen Loach leva a concurso The Angels' ShareCristian Mungiu (vencedor com o brilhante 4 Meses, 3 Semanas e 2 Dias) apresentará Dupa Dealuri.


Entre os realizadores americanos, há grandes nomes a concurso. Cosmopolis, de David Cronenberg, naquele que poderá ser o trampolim de lançamento de Robert Pattinson para a categoria dos actores respeitados, desejados e reconhecidos, é uma das mais aguardadas estreias. O regresso de Wes Anderson  (The Royal Tenenbaums, Rushmore) traz-nos Moonrise Kingdom (o filme de abertura), com um elenco de luxo (Norton, Willis, Murray, Swinton) e cujas expectativas são estrondosas é, sem dúvidas, um dos favoritos a vencer a Palma dourada. O brasileiro Walter Salles (Central do Brasil, Diarios de Motocicleta, Linha de Passe) apresenta uma das sensações de 2012, um relaxado, juvenil e irreverente On The Road, que será garantidamente um dos sucessos de bilheteira deste ano. John Hillcoat leva a concurso outro filme carregado de grandes actores. Tom Hardy, Gary Oldman, Guy PearceJessica Chastain dão corpo a Lawless (um dos filmes que mais desejo ver, de entre este pote de luxuosas estreias).


Depois de Gomorra, que lhe valeu o Grande Prémio do Júri de Cannes, Matteo Garrone regressa a Cannes com Reality, também ele a concurso na categoria da Palma de Ouro. Com um os melhores filmes de 2011, Take Shelter, o realizador Jeff Nichols apresentará novamente um fortíssimo nome, Mud, que, pelas primeiras impressões, me deixa antever um filme igualmente poderoso e marcante. Killing Them Softly, sobre o qual já deixei aqui as primeiras imagens, também estará a concurso. Jacques Audiard, com De rouille et d'os, leva a concurso uma dupla de actores fantástica (Marion Cotillard e Matthias Schoenaerts) e arrisca-se seriamente a vencer o prémio, com um filme que já espalha classe num assombroso trailer. Thomas Vinterberg (The Hunt), Yousry Nasrallah (Baad el Mawkeaa), Sang-soo Hong (Da-reun na-ra-e-suh), Sang-soo Im (Do-nui mat), Leos Carax (Holy Motors), Ulrich Seidl (Paradies: Liebe), Carlos Reygadas (Post Tenebras Lux), Sergei Loznitsa (V tumane), Lee Daniels (The Paperboy) e o veteraníssimo Alain Resnais, com Vous n'avez encore rien vu, encerram a lista de filmes em competição na Edição 65 do Festival de Cannes.


Entre 16 e 27 de Maio de 2012, a capital do Cinema estará em Cannes. E nós, amantes da sétima arte, estaremos atentos aos resultados, reacções e, principalmente, aos vencedores, da mais prestigiada das festas do Cinema.

TEMPORADA 2011/2012 - Outubro/Novembro





Não é habitual, da minha parte, fazer este tipo de projecções e comentários prévios sobre filmes (deixo-o sempre para o Jorge que tem um conhecimento muito mais variado sobre estas áreas), mas a qualidade dos cinemas nos últimos meses tem sido tão baixa, tão ridiculamente baixa, que dei por mim a desejar que meses como Agosto, Setembro e até grande parte de Outubro, desaparecessem do calendário cinematográfico. A realidade das salas de cinema em Portugal é triste. Há muito, muitíssimo cinema de grande qualidade entre Novembro e Março (a altura dos "grande prémios"), que acabamos por não ver películas dignas das palavras "Filme" e "Cinema" nas grandes salas. Lixo, é quase tudo o que nos é impingido durante mais de metade do ano e que leva, até, a que o nosso blogue tenha menos movimento.




Dito isto, passo então a revelar-vos aqueles que são os filmes que mais quero ver num futuro próximo. Não vos poderei dar grande opinião sobre eles, nem falar com certezas se será ou não um grade sucesso. Aliás, muitas destas descobertas são me dadas a conhecer pelo Jorge, que começa a preparar a saga dos Oscars por esta altura do ano.



Assim sendo, em Outubro, teremos nos cinemas o conturbado Contagion, de Soderbergh, que contará com a participação de um bom elenco (Matt Damon, Kate Winslet, Marion Cotillard e John Hawkes) num intenso drama sobre o contágio descontrolado de uma epidemia. Pessoalmente, e depois de ter visto o trailer, acho que haverá algum potencial desperdiçado numa ideia, à partida, interessante.


Submarine, também com estreia prevista para dia 13, é um dos grandes filmes do mês. Já vos falei aqui sobre ele recomendo-vos vivamente a darem-lhe uma vista de olhos na sala de cinema, onde a banda sonora de Alex Turner vai garantir um envolvimento e uma tensão proporcionais à história do filme. Por último, sou ainda capaz de dar uma oportunidade a Sangue do Meu Sangue, de João Canijo, já que, do pouco que li sobre o filme, existem críticas bastante boas, relativas não só à qualidade do filme, como também à interpretação de Rita Blanco.


Em Novembro, dias mais felizes nos esperam! (A mim, a si e às bilheteiras das salas de cinema). Se todos os meses fossem como os de Novembro, certamente a minha carteira estaria bem mais vazia e o blogue bem mais activo. Começamos logo em grande! 50/50 de Jonathan Levine, um dos filmes que mais quero ver este ano (e que arrisco, sem medo, vai certamente ser um dos sucessos do ano), conta com Joseph Gordon-Levitt ("Adam") e Seth Rogen ("Kyle") numa comédia dramática sobre a luta do jovem Adam contra um tumor cerebral. O trailer não me desiludiu e deixou-me ainda com mais vontade de estar nas salas de cinema no dia 3 de Novembro.


Para a semana de 10 de Novembro, o leitor vai poder contar com a estreia de The Ides of March de e com George Clooney, sobre o qual o Jorge já vos falou aqui no Dial P for Popcorn. A nota de imdb.com não é muito positiva, mas gostei do trailer e a participação de Ryan Gosling, Philip Seymour Hoffman e Evan Rachel Wood, obrigam-me a vê-lo no cinema. Espero, sinceramente, sair de lá surpreendido e satisfeito. Não gosto de me guiar por opiniões prévias nem por notas do imdb.com (tirando, claro, casos de notas escandalosamente fracas), mas The Ides of March parece mais um caso de um hype que passou ao lado do sucesso. A confirmar dia 10.


Dia 17 de Novembro, nova visita ao cinema. Pedro Almodóvar, os seus diálogos, as suas personagens e os seus dramas são uma das razões pelas quais eu gosto tanto de cinema. Vou marcar presença na estreia de La Piel que Habito e do seu Antonio Banderas versão cirurgião plástico. Sei pouco sobre o filme, mas sei que é de Almodóvar. E isso, para mim, é o suficiente.




Para a última semana de Novembro fica reservado um dos mais fortes candidatos, segundo o que o Jorge me informou, para a próxima edição da fantochada dos Oscars (onde um filme do Spielberg sobre um cavalo (Sim! Um Cavalo!!!) e uma Sandra Bullock novamente "vestida" de super-mãe trágica, se apresentam na frente do batalhão para arrebatarem os prémios principais. Os anos passam mas a "qualidade" da Academia mantém-se), e que é também um dos filmes que aguardo com mais expectativas.




E, no caso de A Dangerous Method, de David Cronenberg as expectativas são as mais altas. Em primeiro lugar, porque o Jorge só me falou bem sobre ele. Em segundo, porque não é todos os dias que se juntam, num mesmo filme, Viggo Mortensen, Michael Fassbender e Vincent Cassel. Em terceiro, porque nenhum trailer me deixou tão intrigado, desconcertado e impaciente como este. E, por último, porque é David Cronenberg, o mesmo de A History of Violence e Eastern Promises (ninguém coloca o Mortensen a tão grande nível como ele) o criador desta história que envolve Carl Jung, Sigmund Freud e a Psicopatologia. Certamente, um dos grandes filmes de 2011!




Termino a Primeira Parte desta rudimentar previsão sobre os melhores filmes a ver nos cinemas durante os próximos tempos, e reservo o regresso da crónica para meados do mês de Novembro. Não adianta juntar tudo numa aborrecida e interminável crónica e falar-lhe já de filmes que só poderá ver em Fevereiro ou Março de 2012. Oportunamente, com tempo, saberá o que de melhor vai poder ver nas salas de cinema.