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DIAL P FOR POPCORN

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O Cinema Numa Cena

Bem-vindos a mais uma rubrica semanal aqui no Dial P for Popcorn - "O Cinema Numa Cena" tenta mostrar as nuances de uma interpretação fora-de-série numa cena pivotal do seu filme. Hoje voltamos à primeira década do século XXI.

E vou pegar numa cena que nada tem de especial a mostrar qualidade dos actores intervenientes, mas que é fantástica como culminar de todo um filme, pois intersecta as suas três personagens principais, interpretadas sublimemente por três grandes actrizes da nossa era. Esta é a cena final do filme:

 

O filme "The Hours" estava destinado ao sucesso desde o momento em que o romance de Michael Cunningham encontrou as mãos talentosas de David Hare, a lente atenta de Sean McGravey e Stephen Daldry foi escolhido como realizador. Quando ele consegue contratar o trio composto por Julianne Moore, Meryl Streep e Nicole Kidman para protagonizar o filme, era mais do que óbvio que seria um sucesso. O que não podíamos prever de forma alguma é que as três actrizes dariam todas interpretações das mais conseguidas da década, no mesmo filme. Moore foi nomeada para Óscar como actriz secundária e perdeu, Kidman também foi como actriz principal e venceu, Streep não foi porque entre era a segunda actriz principal neste filme e entre este e "Adaptation", a separação de votos não foi suficiente para ela assegurar a dupla nomeação.


Nesta verdadeira celebração ao feminismo, uma pura ode ao que é ser mulher no mundo em diversas épocas, as três incorporaram as suas personagens e deixaram-nos encantados em vários momentos do filme: Laura Brown (Moore) a fazer um bolo, destroçada, derrotada pela vida, tentando contentar-se com a miséria de vida insignificante (segundo ela) que tem - ela que mais tarde decide ir para um hotel para se matar; Clarissa Vaughan (Streep) a tentar lidar com a saúde decadente e posteriormente suicídio do seu amante eterno (Ed Harris), enquanto tenta disfarçar a solidão e a amargura da sua vida com actos de bondade e de alegria falsa; Virginia Woolf (Kidman) arruina a vida do seu marido Leonard (Stephen Dillane) com a sua frustração pela vida pacata que leva até ao momento em que se decide afogar num rio. O filme é marcante, tocante e emocionante até ao fim e as três histórias que decorrem em paralelo e se conjugam exemplarmente fazem deste filme um dos melhores filmes da década. A crítica ao filme virá dentro de dias, espero eu.