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DIAL P FOR POPCORN

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Especial Animação: Melhores Vilões Disney

A acompanhar os sete artigos dos nossos convidados para a nossa Semana de Apreciação à Animação, vamos ter outros artigos especiais dedicados ao tema, que se debruçarão sobre diversos componentes que fazem da animação dos géneros mais excitantes do cinema contemporâneo. No dia de encerramento - e aproveitando que os últimos filmes abordados cá pelo blogue possuem, de facto, vilões memoráveis (Cruella, Ursula, Queen of Hearts) - propus-me a compilar num artigo aqueles que são, para mim, os dez maiores vilões do universo Disney.

Menção Honrosa:
Mother Gothel ("Tangled") 

 
Já expressei a minha admiração pela categoria que esta vilã tem por diversas vezes, como sabem. Não foi incluída nesta lista por uma simples razão: não posso compará-la com vilões que são memoráveis há já muito tempo. Daqui a uma década, reavaliando, talvez já seja justo contá-la nesta lista. Para já... fica de fora. Mas fiquem sabendo que se a tivesse colocado seria seguramente a #3.

#10:
(empate)
HADES ("Hercules")
YZMA ("The Emperor's New Groove")


 Não sendo propriamente estereotipados vilões maléficos, os neuróticos, vaidosos e egoístas Hades e Yzma conseguem ser, cada um à sua maneira, bastante manipuladores, melindrosos e malvados. Os mirabolantes esquemas que engendram, as patetices em que se envolvem mais os seus ridiculamente desajeitados ajudantes e as suas ambições desmedidas não nos deixam, felizmente, levá-los muito a sério, transformando-os em brilhantes antagonistas para os protagonistas dos seus respectivos filmes. Bónus: James Woods e Eartha Kitt conferem uma personalidade poderosa aos seus vilões através das suas características vozes e os toques de génio na entrega das falas revelam-se hilariantes.


#9:
QUEEN OF HEARTS ("Alice in Wonderland")

Desconcertante, rude e com a mania de ser o centro das atenções, a Rainha de Copas não é má per se; ela só gosta que lhe obedeçam. Ou isso... ou cortem-lhes a cabeça. Uma personagem tão peculiar quanto assustadora, psicótica, pomposa e colérica, a Rainha de Copas é uma das vilãs mais originais e estranhas que o universo Disney possui. Acaba por resultar num bom complemento à rebeldia e capacidade imaginativa de Alice, ao ser a primeira pessoa que lhe nega tais comportamentos e devaneios.

#8:
SCAR ("The Lion King")

Ao contrário dos vilões anteriores, Scar é realmente cruel. Alguém que não tem valores nem moral, alguém que atraiçoa tudo e todos - incluindo o irmão e o sobrinho - para chegar aonde quer. Intriguista, mentiroso, corrosivo, de um enganador porte físico, ar irónico e descontraído, Scar é não só o vilão mais fantástico que a Disney tem como também o mais porreiro. Ele é pura e simplesmente frio, desprovido de sentimentos. 
#7:
LADY TREMAINE ("Cinderella")


A vilã mais realista da Disney, Lady Tremaine é, por um lado, uma personagem bastante unidimensional. Por outro lado, funciona na perfeição para o que o filme precisa. Incorporando brilhantemente o estereótipo de madrasta má, Lady Tremaine é uma autêntica bruxa malévola, ambiciosa e sem escrúpulos. Abusiva, terrível e assustadora, de uma elegância e frieza letais, não queria tê-la pela frente, pois pelo que faz a Cinderela, nota-se que é capaz de tudo pelos seus objectivos.

#6:
GASTON ("Beauty and the Beast")


Como antagonista ao duo central de protagonistas em "Beauty and the Beast", Gaston personifica a mensagem principal que o filme quer passar, que a beleza interior é muito mais importante do que o se vê no exterior. Gaston é-nos descrito, numa fase inicial do filme, essencialmente como o homem perfeito, mas vai-nos sendo mostrado que Gaston perde largamente para o Monstro em termos de personalidade, de carácter e de bondade, num fio narrativo que caminha passo a passo com a progressão da relação entre Bela e o Monstro e a descoberta de que o Monstro, afinal, não é o mau da fita.  Gaston é que é. Vil, vulgar, rude, Gaston é uma alma perturbada.

#5:
CRUELLA DE VIL ("101 Dalmatians")


A vilã que mais odiamos amar, Cruella de Vil é uma personificação do mal até no nome. Sem qualquer remoso ou pingo de amabilidade, Cruella só vive para as peles, o seu único conforto, não se importando com nenhum ser vivo, seja pessoa ou animal, a não ser ela. Com um aspecto físico horrendo a combinar com o seu nome ameaçador e o seu semblante arrepiante, Cruella, é como o seu nome diz, verdadeiramente cruel e vil. Histriónica e até cómica (por vezes), icónica e memorável pela sua ferocidade e tenacidade, Cruella é, sem dúvida, uma das mais fenomenais criações da casa Disney.

#4 e #3:
JUDGE FROLLO ("The Honchback of Notre Dame")
EVIL QUEEN ("Snow White")

Sessenta anos separam estes dois lendários vilões Disney e a sua história entrecruza-se de várias formas. Ambos adoptaram o filho de alguém que desprezavam. Ambos se têm em demasiado elevada consideração. Ambos pagam, no final, pelas injustiças e maldades cometidas. E o mais curioso é que cada um, à sua maneira, considera que o que faz é justificado, tal a imersão no seu mundo à parte. Capazes de cometer os piores e mais desumanos actos (como ordenar a queima em praça pública de milhares de inocentes ou mandar matar alguém e arrancar o seu coração como prova), Frollo e a Evil Queen são dois espécimes inacreditáveis, que sucumbiram à corrupção e à sede de poder do mundo.

#2:
URSULA ("The Little Mermaid")


Ursula, a vilã da história, que assume a forma de um intimidativo polvo, que, ao contrário do que se possa pensar, não é só feia, temível e maléfica. É também detentora de um mordaz, negro sentido de humor, de um inesquecível egocentrismo e vaidade (uma verdadeira diva no sentido literal da palavra) e de uma impressionante imaginação que acompanha os seus malvados planos. Uma vilã versátil, que além de mal-intencionada é inteligente e criativa, Ursula é única no universo Disney. Completamente bipolar, miserabilista, vingativa e sedenta de poder, Ursula não olha a meios para atingir os fins, o que faz dela uma das vilãs mais perigosas da história dos estúdios.


#1:
MALEFICIENT ("Sleeping Beauty")

"You thought you could defeat me, the mistress of all evil!"
 
Nunca considerei mais ninguém para o meu lugar cimeiro. Uma vilã de impor respeito a vários dos vilões mencionados acima, quanto mais a meros humanos. O seu aspecto é, por si só, garantia suficiente de medo e susto, com a sua face esverdeada, o seu manto preto e roxo, os seus cornos e os seus lábios carnudos vermelhos. De uma elegância e sofisticação espantosas. A sua gargalhada gélida e maldosa, a sua voz imperial capaz de trespassar qualquer um, a impotência de todos os outros perante o seu óbvio poder e o medo que instiga são, de facto, características inolvidáveis daquela que é a maior vilã da Disney. Maleficient não é como os outros vilões, que agem por causa disto ou daquilo. Ela gosta de ser má. Ela gosta de ser vingativa. Ela gosta de ser o centro das atenções pelas razões erradas. Ela gosta que tenham medo dela. E isso faz uma diferença enorme. Ela é, numa só palavra, a epítome de todo o mal, uma assassina a sangue frio e tudo porque não foi convidada para uma festa.


Agora vocês: qual o vosso top-10 de vilões?

Especial Animação: A vilã de 101 DALMATIANS (50º Aniversário)

Nesta semana especial, que abre o mês de festividades, pedimos a amigos próximos e colaboradores de outros blogues que nos ajudassem a abordar um dos nossos temas preferidos: a animação. Todos eles foram limitados a um máximo de dez imagens ou um vídeo para a sua tarefa. Sete dias, sete colaboradores, sete títulos que festejam este ano o início de uma nova década de vida. Muita diversão, emoção e magia é prometida. A ver se cumprimos. 

O nosso quinto convidado é dono de um dos espaços mais interessantes e irreverentes da nossa blogosfera, o qual me dá imenso prazer visitar: o Samuel Andrade (Keyser Soze's Place) que, na senda dos clássicos Disney, nos vem falar de um filme que atingiu a meia centena de vida no passado dia 25 de Janeiro, 101 DALMATIANS. Aqui vos deixo com o Samuel:



Rever "101 DÁLMATAS" é reconhecer que, de toda a Sétima Arte de animação, a Disney perfilou um impressionante conjunto de vilãs: a Rainha Grimhilde de "BRANCA DE NEVE E OS SETE ANÕES", a Ursula em "A PEQUENA SEREIA", a Yzma em "PACHA E O IMPERADOR", a Mãe Gothel em "ENTRELAÇADOS". Contudo, nenhuma terá sido tão bem construída — e a vários níveis — como Cruella De Vil.

O próprio nome indica estarmos perante uma “criatura” capaz de emprestar pleonasmo ao conceito de antagonismo e, no que toca a vilões, apresenta todo os seus traços habituais: o penteado de um louco, compleição quase inumana, vícios (nomeadamente, o cigarro na ponta de uma boquilha), gargalhada infame e a discutível apetência por casacos feitos a partir da pele de adoráveis cachorrinhos dálmatas.

Mas Cruella é uma vilã particular pelos subtextos que não são imediatamente destacados na sua caracterização, numa provável estreia dos argumentistas da Disney em apelar à consciência social do espectador. A saber, uma tremenda e deliciosa condenação à sociedade consumista dos anos 60, através de uma figura que, a certa altura, parece protagonizar uma campanha publicitária a favor dos casacos de pele: «My only true love, darling. I live for furs. I worship furs! After all, is there a woman in all this wretched world who doesn’t?». Cruella De Vil é, portanto, mais do que a antagonista com um plano diabólico a ser executado pelos seus ineptos empregados que ela agride constantemente; é a extrema caricatura do ideal (bastante mundano, por sinal) de parecer que nunca temos tudo o que precisamos.


No geral, é de lamentar que 101 DÁLMATAS não tenha investido mais tempo neste e noutros conceitos. Afinal de contas, não existe “universo” mais simples e puro que o reino animal. E, por acaso, o filme até é narrado por um dálmata…


Obrigado, Samuel, por teres aceite o convite!
E vocês, que pensam da Cruella? E do filme em si?