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DIAL P FOR POPCORN

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Estreia da Semana (27/9)

Estamos finalmente a chegar à melhor época cinematográfica do ano. Depois de um doloroso percurso no deserto (com filmes tão maus que nem mereceram a nossa análise aqui no blogue), voltamos novamente àquela época febril das grandes estreias em catadupa, onde o leitor merece ser informado sobre o que realmente não pode perder.

A nossa escolha para esta semana vai para Seeking a Friend for the End of the World, uma comédia com Steve Carell, Keira KnightleyAdam Brody. Aqui ficam a capa e o trailer:



DAFA TV 2011: Melhor Actriz e Actor Secundário - Comédia

Tentarei que até ao final de Março os meus prémios de televisão deste ano estejam anunciados e entregues. No primeiro artigo dedicado a estes prémios, falei dos meus escolhidos para Melhor Nova Série. Hoje, trago-vos outras duas categorias: MELHOR ACTRIZ SECUNDÁRIA - COMÉDIA e MELHOR ACTOR SECUNDÁRIO - COMÉDIA. Habitualmente, atribuo estes prémios no final da temporada de televisão de 2011 (Verão). Este ano, decidi fazer diferente e copiar, por assim dizer, o modelo dos Globos de Ouro, só atribuindo os prémios depois das novas estreias de 2011.

Os meus nomeados são:

MELHOR ACTOR SECUNDÁRIO - COMÉDIA

Ty Burrell / MODERN FAMILY   #3
Garrett Dillahunt / RAISING HOPE
Peter Facinelli / NURSE JACKIE   #2
John Benjamin Hickey / THE BIG C
Nick Offerman / PARKS & RECREATION  #1
Danny Pudi / COMMUNITY

Mesmo que tivesse dado estes prémios há ano e meio atrás, os nomeados não teriam mudado. Por exemplo, ainda hoje me lembro vividamente o quanto Peter Facinelli me fez rir na terceira temporada de "Nurse Jackie", que apesar de ter sido de longe a pior temporada que a série da Showtime, teve na Zoey e no Dr. Cooper dois pontos fortíssimos. E John Benjamin Hickey só cresceu na minha admiração com a segunda temporada de "The Big C": mais carisma, mais nuance, mais personalidade e mais profundidade. Ron Swanson (Nick Offerman) é Ron Swanson e não precisa de ser dito mais nada; é a melhor personagem de comédia que a TV norte-americana nos ofereceu nos últimos cinco anos. Danny Pudi podia optar por deixar o seu Abed ser um estereótipo e um bastante bizarro como tal. O processo de humanização que a personagem sofreu esta temporada tem tanto da escrita como do actor e só um actor de elevadíssimo calibre conseguia pegar em Abed e cometer o maior feito que um actor - que interpreta um homem bem acima dos vinte anos que é viciado em banda-desenhada, que filma documentários sobre si mesmo, que é seguidor ávido de "Cougar Town" e "Inspector Spacetime", que acha que as pessoas são 'blorgons', que se comporta, com o seu melhor amigo, como se fosse uma criança pequena e que racionaliza a mais pura das emoções - poderia fazer: ser normal. E fazê-lo parecer tão fácil. Finalmente, Garrett Dillahunt. "Raising Hope" é uma série com tanta piada como inteligência, com tanto humor como coração. O Burt de Dillahunt é assim mesmo: um tonto meio parvo, mas genuíno, honesto e com muita, muita piada. Não dá para resistir ao homem.

MELHOR ACTRIZ SECUNDÁRIA - COMÉDIA

Mayim Blahik / THE BIG BANG THEORY   #2
Julie Bowen / MODERN FAMILY
Rebecca Creskoff / HUNG
Judy Greer / ARCHER  #3
Christa Miller / COUGAR TOWN   #1
Merritt Wever / NURSE JACKIE

Começamos pela nomeada mais "polémica": Judy Greer. Alguns puristas vão-me dizer logo que interpretações são interpretações, usar a voz para criar uma personagem não é uma interpretação. Desculpem-me mas o que Ellen DeGeneres fez em "Finding Nemo" ou Eddie Murphy em "Shrek" é melhor do que muitos actores de comédia a sério fazem na vida real. Assim sendo, para mim, conta tudo. E Judy Greer - aliás, todo o elenco de "Archer" mas Judy Greer e H. Jon Benjamin (falaremos sobre ele mais à frente nos prémios) em particular - são soberbos. Não há uma palavra fora do sítio ou mal pronunciada, sempre com o tique e a entoação certa. E depois, de vez em quando, lá vem aquela doçura inapropriada de Greer quando menos esperamos. E Cheryl - ou Crystal - só tem vida porque Greer cria ali, com apenas a sua voz, uma personagem fascinante. Continuando. Merritt Wever. Se este prémio fosse dado pela segunda temporada de "Nurse Jackie", esta enfermeira adorável e fofinha ganhava-o. Zoey é desajeitada e atabalhoada, contudo só o é porque Wever pretende que ela o seja. Outro actor podia fugir de ser o trapalhão e tentar ler só as suas falas com jeito e humor, mas Wever, destemida e confiante, eleva o seu jogo. Temerária é também Rebecca Creskoff. "Hung" não lhe dá muito para fazer, mas nunca vi uma actriz que aproveite tão bem o pouco tempo de ecrã que tem para roubar a cena aos protagonistas. A mulher é, à falta de melhor palavra, incandescente. Falemos agora de Julie Bowen, a "arma secreta" de "Modern Family". Isto quando a série a deixa brilhar o que, convenhamos, não acontece muito frequentemente. Excelente no humor físico, impecável na forma como aproveita a química com Ty Burrell e Jesse Tyler Ferguson (o seu marido e o seu irmão, respectivamente, na série) para conferir mais nuance e personalidade à sua personagem e exímia na entrega das suas falas. Uma verdadeira profissional. Vamos agora falar do estranho caso de Mayim Bialik. "The Big Bang Theory" não precisava dela. Ou melhor, precisava, só que não o sabia (ainda). Bialik conseguiu o improvável feito de melhorar todas as personagens à sua volta, desde Sheldon a Penny. Sim, Sheldon continua a ser incrivelmente sociopata. Todavia, a sua interacção com Amy revela facetas do seu carácter até agora desconhecidas. Também Penny tem finalmente hipótese de ter histórias que não envolvam os rapazes e de mostrar que é mais do que uma menina bonita que nunca deixa um homem sem resposta. A somar a tudo isto: Bialik é hilariante. Ficamos todos a ganhar com esta adição. Finalmente, a minha vencedora: Christa Miller. Porque eu amo "Cougar Town". Porque a principal razão para eu amar "Cougar Town" é Miller. Porque de cada vez que ela responde mal a alguém, insulta Courteney Cox ou Busy Philips, chama idiota a um e atrasado a outro e comporta-se depois pior que qualquer um deles eu dou um pulo no meu assento e quase aplaudo de alegria. Ver a Ellie ser a Ellie faz-me feliz. Pronto. Eu disse.
 
Estes são os meus nomeados para melhores. Quais são as vossas escolhas?

EMMY 2011: Melhores Actor e Actriz Convidados - Comédia



Com a cerimónia dos Emmy a ocorrer em breve (dia 18 de Setembro), chega a hora de eu abordar finalmente as principais categorias a prémio e discutir os méritos dos nomeados, de quem ficou de fora e quem terá maiores probabilidades de vencer.

As quatro categorias de hoje serão as de Actor e Actriz Convidado, Drama e Comédia. Decidi começar por estas pois os seus vencedores serão revelados já hoje nos Creative Arts Emmys. Depois de abordarmos as duas categorias dramáticas, é a vez das comédicas, começando por Melhor Actor Convidado - Comédia.



Will Arnett, "30 Rock"
Matt Damon, "30 Rock "
Idris Elba, "The Big C"
Zach Galifianakis, "Saturday Night Live"
Nathan Lane, "Modern Family"
Justin Timberlake, "Saturday Night Live"


Quem ficou de fora: Ninguém que eu considere gritante, mas sem dúvida que muitos terão ficado surpreendidos por ver Darren Criss ("Glee"), Will Forte e Cheyenne Jackson ("30 Rock") e outros diversos convidados de "Parks & Recreation" e "Modern Family" de fora, como por exemplo Adam Samberg e Matt Dillon.
Quem vai ganhar: A dúvida aqui é se a Academia considera ou não que Justin Timberlake já foi devidamente premiado com o Emmy de 2009 por também então ter apresentado o programa de variedades. Em teoria, ele é o candidato principal à vitória, com Galifianakis e Lane como outras grandes possibilidades. Ainda há que ter em conta que há uma estrela de cinema entre os nomeados (Matt Damon) que pode ser surpreendido com a vitória.

Quem devia ganhar: Esta é uma questão para a qual não tenho bem resposta. Eu vi o episódio de Zack Galifianakis e gostei, não vi o do Timberlake mas sei do que ele é capaz porque vi o de 2009. Parece-me a mim - que vou então descartar o Timberlake - que Nathan Lane é o mais forte competidor (mas não por este episódio, pela sua outra aparição em "Modern Family" na segunda temporada) e a seguir é Matt Damon.

Quem tem o melhor episódio: Idris Elba tem pouco com que trabalhar aqui, ainda para mais comparando com o que fez em "Luther", pela qual também está nomeado este ano. Em "Blue-Eyed Iris", Elba interpreta um homem que se envolve com Cathy e lhe permite perceber que não é uma relação fugaz que ela quer. Will Arnett ("30 Rock") já devia ter vencido antes mas tal não sucedeu. À sua terceira nomeação pelo seu Devon Banks, o imensamente popular actor foi dado pouco com que trabalhar em "Plan B", sendo de qualquer forma bastante divertido na sua interacção com Jack Donaghy (Alec Baldwin). Nathan Lane é propositadamente excêntrico e berrante e exagerado como Pepper, o amigo com uma personalidade bastante peculiar de Cameron e Mitchell. Em "Boys' Night", Lane tem o condão de ocupar o seu espaço e roubar a espaços a cena mas nunca dominando o episódio ou a comédia. É uma performance muito inteligente, ainda melhor na sua primeira aparição nesta temporada do que neste episódio escolhido. Quem tem o melhor episódio, para mim, é Matt Damon, que partilha a narrativa principal do episódio com Tina Fey (Liz Lemon), com quem o seu piloto Carol namora, em "Double-Edged Sword". À custa de uma avaria no motor, enquanto ele tenta acalmar os seus passageiros, ela origina uma espécie de motim, levando ambos a repensar a sua relação. Sendo ele um actor famoso e popular e sendo uma interpretação de qualidade inegável - ainda para mais num programa que mesmo cinco anos desde o seu início continua a merecer rasgados elogios da indústria - é fácil perceber como ele pode ganhar. Falando agora dos dois apresentadores do "Saturday Night Live"... No episódio de Zack Galifianakis, ele é divertido, engraçado, envolve-se bem nas piadas e nos sketches e mantém o pessoal entretido. Justin Timberlake tem a seu favor, além do episódio ser um sucesso (de audiências inclusive), mais duas nomeações para as suas duas músicas escritas por ele e Adam Samberg, o que é sinal que a Academia gostou mesmo do seu episódio. É o favorito à vitória.


Passemos agora à categoria de Melhor Actriz Convidada - Comédia. Quem sucederá a Betty White?



Elizabeth Banks, "30 Rock"
Kristin Chenoweth, "Glee"
Tina Fey, "Saturday Night Live"
Dot Marie Jones, "Glee"
Cloris Leachman, "Raising Hope"
Gwyneth Paltrow, "Glee"


Quem ficou de fora: Quatro nomes destacam-se na minha mente: Cynthia Nixon e Gabourey Sidibe ("The Big C"), principalmente porque as nomeações de Jones e Chenoweth são quase simpáticas demais para serem verdade e porque Idris Elba por muito menos conseguiu ser nomeado; Jennifer Aniston ("Cougar Town"), que obviamente apanhou o mesmo castigo que Courteney Cox e a restante malta da série, que não é de todo aquilo que a Academia aparentemente aprecia; e penso que não há desculpa para Parker Posey ("Parks & Recreation") ter sido esquecida. É um erro inquestionável da parte da Academia. Felizmente fugimos, este ano, a nomeações vindas do nada para Elaine Stricht, Queen Latifah e Susan Sarandon ("30 Rock"), Mary Tyler Moore ("Hot in Cleveland") ou Carol Burnett ("Glee") só porque são famosas. Mas Frances Conroy ("United States of Tara" e "How I Met Your Mother"), Jennifer Morrison ("How I Met Your Mother") e Celia Weston ("Modern Family") podiam ter tido uma palavra a dizer.

Quem devia ganhar: Sem qualquer dúvida, este prémio é de Cloris Leachman que transforma "Raising Hope" sempre que surge em cena, tal e qual Martha Plimpton. Diria Gwyneth Paltrow se ela se só tivesse aparecido aquela vez. A segunda participação na série é um desastre.

Quem vai ganhar: Tenho as minhas dúvidas que Cloris Leachman consiga roubar o ceptro a Gwyneth Paltrow, se bem que devia.

Quem tem o melhor episódio: Gwyneth Paltrow é contagiante e divertida e refrescante e energética em "The Substitute" o que, especialmente se quem votar não acompanhar a série, lhe garante quase de certeza a vitória. Não me lembro de ver Paltrow tão bem nalguma coisa como aqui - e a sua presença e carisma neste episódio fez-me lembrar a interpretação vencedora de Neil Patrick Harris o ano passado pela mesma série. Pena que tenha estragado este estado de graça com uma segunda participação horrorosa. Também em "Glee" mas no episódio "Rumours" surge Kristin Chenoweth, desta vez ainda com menos que fazer do que no episódio pelo qual foi nomeada o ano passado. Mesmo muito popular, é aquela que menos hipóteses tem de vencer. A outra nomeação por "Glee" - que quase parece por simpatia - é a de Dot-Marie Jones, que em "Never Been Kissed" nos permite desvendar um pouco mais por detrás da sua personagem, uma garota frágil e delicada debaixo de um exterior de aço. É honesta e é amigável e fácil de simpatizar com a sua treinadora, mas em termos de actuação não é nada de mais. Depois de ter sido injustamente esquecida o ano passado, é de ficar contente de ver Elizabeth Banks nomeada. A sua performance é engraçada e cheia de charme e, num ano mais favorável, ela poderia mesmo ter ganho. Com Alec Baldwin, compõem o outro fio narrativo do episódio "Double-Edged Sword", quando partem os dois para o Canadá e por acidente a sua filha nasce lá, para terror dos pais. Pela terceira vez que apresenta o "Saturday Night Live", Tina Fey já pouco apresenta de novo. O seu sketch de Sarah Palin teve piada, uma vez mais, mas não foi inovador. Assim sendo, não me parece plausível considerá-la como possibilidade. Assim sendo, só nos resta falar da outra grande competidora de peso e grande , Cloris Leachman. Vinte e duas nomeações no total e um recorde de oito vitórias - duas  nesta categoria por uma personagem igualmente louca e numa situação semelhante em dinâmica familiar em "Malcolm in the Middle" - Leachman nunca pode ser posta fora das contas. Embora o episódio que submeteu seja dos mais fracos da temporada ("Don't Vote for This Episode"), a sua interpretação é ainda assim verdadeiramente impressionante e se houver votantes que tenham acompanhado a série ou que tenham visto outros episódios submetidos para apreciação, as chances dela vencer são ainda maiores. Não sei se suficientemente altas para bater Paltrow, mas se há concorrente capaz de a vencer, é a octagenária Leachman.

E vocês, que pensam disto tudo?

THE KIDS ARE ALL RIGHT (2010)


Os miúdos estão bem. Arriscaria dizer, os miúdos e os graúdos estão bem. "The Kids Are All Right” é um retrato fascinante das famílias dos tempos modernos, uma das melhores comédias do cinema independente americano que há já algum tempo precisava de um filme como este: desinibido, leve, inconvencional, alegre, reconfortante, divertido, agradável, inteligente, bem-humorado, enquanto lida com problemas sérios do mundo actual como a disfuncionalidade da unidade familiar, o casamento homossexual, a inseminação artificial, as falhas nas relações interpessoais e o crescimento e a partida para a universidade.


Lisa Cholodenko é, de facto, uma brilhante observadora das relações e das pessoas. Especialmente dotada em colocar à prova as suas personagens perante situações onde elas não se sentem confortáveis, a realizadora consegue explorar a humanidade, emoção e a racionalidade por detrás de cada tipo de pessoa, nunca fornecendo uma visão redutora do que se passa com elas e expondo as suas imperfeições bem a nu. A forma fabulosa como ela consegue transformar a nossa visão de casamento e união, passando-nos a mensagem de que neste caso a relação errada é a heterossexual, não deve passar despercebida.

 
A história de “The Kids Are All Right” decorre em Los Angeles, onde uma família composta por duas mães lésbicas, Jules e Nic (Julianne Moore e Annette Bening) e pelos seus dois filhos, obtidos através de inseminação artificial, Laser e Joni (Josh Hutcherson e Mia Wasikowska) se vê confrontada com a entrada na sua unidade familiar do pai biológico dos jovens, Paul (Mark Ruffalo), após Joni, que acaba de completar dezoito anos e está de partida para a universidade, ter feito a vontade ao irmão mais novo de descobrir a identidade do seu verdadeiro pai.


Ao saber dos encontros secretos com o pai, ambas as mães ficam reticentes em permitir-lhe entrada na sua vida, mas decidem estabelecer contacto com ele de qualquer forma. Paul dá-se genuinamente bem com os dois miúdos e com Jules (Moore), com quem se sente completamente à vontade. Já Nic (Bening), a ganha-pão da família, uma bem-sucedida, determinada e controladora médica com queda para o dramatismo e para a ingestão de largas quantidades de vinho e que vem negligenciando a sua companheira, muito mais aventureira, despachada e relaxada, vem gerindo a sua neurose disparando palavras ríspidas em todas as direcções e deixando a restante família, em particular Jules, numa pilha de nervos. A ida de Joni para a universidade vem complicar ainda mais as coisas, com as mães a terem problemas de comunicação com a filha, que nem sempre as compreende e vice-versa.


O distanciamento entre as duas mães e a contínua aproximação de todos menos Nic a Paul vem criar uma rotura na unidade familiar que se torna difícil de reparar, oferecendo inevitáveis mas nem sempre agradáveis surpresas, inúmeros conflitos e mal-entendidos e complicando a história de mil e uma divertidas maneiras.


Um filme com excelente argumento e uma cuidadosa realização, acompanhado de excelentes interpretações, em particular de Julianne Moore e Annette Bening, com material aqui para mostrar variadas nuances e oferecer-nos das melhores interpretações da sua carreira, complexas, mágicas e magnetizantes, de nos fazer chorar a rir e de nos fazer chorar por nos partir o coração, conseguindo transmitir pela sua linguagem corporal e expressão facial tanta cumplicidade, tantos segredos e tantas cicatrizes, próprias de um casamento de 20 anos, ambas merecedoras de atenção nos prémios de fim-de-ano, e de Mark Ruffalo, uma performance surpreendentemente relaxada, 100% dentro da natureza da sua personagem, nunca esquecendo porém também o papel dos miúdos na história, pois Hutcherson e Wasikowska são sem dúvida dois dos melhores jovens a trabalhar em Hollywood hoje em dia. Um filme irresistível para qualquer fã de comédia bem feita, para qualquer fã de filmes familiares e em especial para fãs dos actores, a trabalhar aqui no topo da sua forma.

Nota Final:
A-

Trailer:


Informação Adicional:
Realização: Lisa Cholodenko
Argumento: Stuart Blumberg, Lisa Cholodenko
Elenco: Annette Bening, Julianne Moore, Mark Ruffalo, Josh Hutcherson, Mia Wasikowska
Fotografia: Igor Jadue-Lillo
Banda Sonora: Carter Burwell, Nathan Larson, Craig Wedren


Revisão da Televisão em 2010: Parte 3

A nova temporada televisiva já começou e eu preciso mesmo de arrumar com a minha revisão das temporadas das séries em 2010. Vou então proceder à revisão das séries que vi em 2010 de seguida, em quatro posts (já disponível: #31-40 e #30-21; falta #1-10). Espero que deixem ficar a vossa opinião.


#20. BORED TO DEATH


Temporada: 1
Nota: B+

Crítica: Ia dizer que era o melhor novo produto da HBO o ano passado mas esqueci-me de "Treme". Bem, posso dizer que é uma das melhores comédias do ano e uma refrescante surpresa. Humor negro q.b. (uma versão mais leve do humor típico de "It's Always Sunny in Philadelphia" e "Curb Your Enthusiasm") que tem realmente piada. Jason Schartzman, Zack Galifianakis e Ted Danson. Três personagens tresloucados, cada um pior que o outro. De que fala a série? De tanta coisa, mas principalmente relata as histórias de um escritor frustrado que decide embarcar na bizarra carreira de investigador privado. Com consequências imprevisíveis (e hilariantes), claro. A única desvantagem: só oito episódios. Mas foi renovada (e já estreou, aliás).

Melhor Episódio: "The Case of the Stolen Sperm" (1.07, B+).
Quem sobressaiu: Parece uma das estrelas do momento e tornou-se fácil referi-lo, mas de facto Zack Galifianakis evoluiu muito desde os dias de "True Calling" e esta personagem é de facto um espanto à custa dele.

#19. COUGAR TOWN



Temporada: 1
Nota: B+

Crítica: Nunca esperaria eu que depois do fenómeno que é "Modern Family" viesse outra série com tanta qualidade como "Cougar Town" e uma interpretação comédica tão estupenda como a de Courteney Cox como a mãe divorciada e quarentona que tem que suportar os amigos malucos, o marido infantil e o filho único tão peculiar e que para piorar as coisas é tão doida como eles, Jules Cobb. A série começou mal, com uns cinco-seis episódios a gozar com o facto de Jules ter envelhecido, mas levantou-se depressa e logo que começou a focar-se mais no facto de Jules se encontrar agora, vinte anos depois, a descobrir de facto a vida, a série melhorou imenso. Diria até que nem parece a mesma. E este B+ poderia bem ser um B se eu fosse muito racional, mas "Cougar Town" não é racional. É divertido, é uma série que se pode ver com amigos, é uma série para apreciar, com o seu leve (e nada subtil) jeito de fazer rir.

Melhor Episódio: São tantos, mas "Finding Out" (1.24, B+) resume tudo aquilo que é Cougar Town: emoção, alma e amor.
Quem sobressaiu: Courteney Cox e Busy Phillips. É um empate. São as duas brilhantes. E já agora, um recado para a Academia: seis anos depois e mesmo assim ainda não há nomeação para Cox? Incrível.


#18. JUSTIFIED


Temporada: 1
Nota: B+

Crítica: Além da excelência no diálogo, além das incrivelmente profundas caracterizações das personagens, além das magníficas escolhas de casting (Olyphant é perfeito para o protagonista Raylan, Carter e Searcy são excepcionais nos seus respectivos papéis também), além da história em si ser sensacional e sobretudo além da direcção, da fotografia, da música e da realização serem extremamente cuidadas, há só a dizer mais uma coisa: é uma série com a marca FX. Sim, a estação que nos trouxe "The Shield" e que hoje em dia nos dá "Sons of Anarchy". Portanto, selo de qualidade indiscutível.

Melhor Episódio: O piloto foi absolutamente sensacional (1.01, A).
Quem sobressaiu: Há séries que são brilhantes pura e simplesmente por causa do protagonista. É o caso desta. Timothy Olyphant foi roubado de uma nomeação nos Emmy este ano. Continuará a ser?


#17. FRINGE


Temporada: 2
Nota: B+

Crítica: Quem acompanha "Fringe" desde o início sabe que esta série não é nada convencional, sabe que se tem que ser mesmo fã e confiar nos argumentistas e sabe que se tem que ter paciência. Felizmente, a série contém tanto detalhe e tantas pequenas pérolas escondidas que é um prazer segui-la. Mais uma temporada volvida, de novo um início péssimo mas com melhorias evidentes no pós-ano Novo. Os novos segredos descobertos, as incursões pelo mundo alternativo e as novas referências mitológicas introduzidas são fascinantes e espera-se que ainda continue tanto por descobrir. Novamente temos John Noble brilhante mas Joshua Jackson e Anna Torv sofríveis e não me venham dizer que a culpa é dos personagens - os actores é que não têm, pura e simplesmente, qualidade suficiente para os papéis. E outra coisa que me irritou na série este ano: a constante angariação de fãs de outras séries de culto e de ficção científica (a Ana Alexandre fala disso mesmo na sua crítica no Split-Screen, se não me engano). "Fringe" é "Fringe", não é "X-Files" e não é "Torchwood".

Melhor Episódio: O trio final de episódios: "Northwest Passage" e o duplo episódio "Over There" (1.21, 1.22, 1.23, B+).
Quem sobressaiu: Mas haverá dúvidas que John Noble também já merecia alguma espécie de consideração? Será que algum dia os Emmy vão abrir-se para esta série?



#16: WHITE COLLAR


Temporada: 1
Nota: B+

Crítica: A USA tem-me surpreendido com algumas das séries que escolhe produzir. "Burn Notice", "Covert Affairs", "Royal Pains", "Psych" e "Monk têm todas qualidades que as recomendam mas todas elas têm algo que eu não consigo deixar passar. Esse não é o caso com esta "White Collar", que tem sido transmitido insistente e repetidamente pela FOX portuguesa. A problemática relação entre o criminoso (que decide negociar com a polícia a sua prisão, oferecendo em troca a prisão de vários colegas criminosos e alguns  cúmplices) Neal Caffrey e o duro polícia Peter Burke, duas pessoas tão diferentes em personalidade e em abordagem à vida, é entretidíssima. Caffrey tem um carisma e Burke tem uma rudeza que dão um certo charme a ambas as personagens. Este jogo do gato e do rato podia esgotar-se rápido e tornar-se aborrecido, é verdade, mas a escrita e sobretudo o aparecimento de novas personagens não deixa isso acontecer. Uma temporada curiosamente bastante agradável de seguir e uma segunda temporada que promete (e que volta em Janeiro de 2011).

Melhor Episódio: Os episódios a meio da temporada, "Free Fall" e "Hard Sell" (1.07 e 1.08, B+).
Quem sobressaiu: Se bem que na segunda temporada esteve abaixo das expectativas, nesta temporada, Matthew Bomer foi demais.



#15: TREME


Temporada: 1
Nota: B+

Crítica: Lembram-se do nome David Simon? Não? Mas talvez se lembrem da sua última série, "The Wire", que é reconhecida como a melhor série dramática de sempre da televisão? Pois. Ele este ano voltou à HBO com "Treme" e qual foi o resultado? O mesmo de "The Wire". Aclamada pela crítica, passou despercebida pelo público em geral e os Emmy olharam-na de lado, dando-lhe pouquíssimas nomeações e em categorias que quase não interessam. E, a comparação que mais me dói, é uma série quase tão boa como "The Wire" era. "Treme" conta a história de Nova Orleães no pós-furacão Katrina. Mas mais do que contar a história da cidade, conta a história de pessoas, pessoas normais como nós, pessoas que foram profundamente afectadas pela tragédia. E no meio disto tudo cria uma série sensacional de seguir e experienciar. Pena que pouca gente tenha notado.

Melhor Episódio: O piloto e o final, "I'll Fly Away" (1.01 e 1.10, A- ambos).
Quem sobressaiu: O elenco é que importa, mas tenho que realçar Khandi Alexander, tão longe dos seus dias de CSI (e tão merecedora de um Emmy... mas claro que nem nomeada foi) e John Goodman, tão diferente das personagens que ele costuma interpretar (e tão merecedor de um Emmy... mas claro que nem nomeado foi) .



#14. BETTER OFF TED


Temporada: 2
Nota: B+

Crítica: A melhor comédia do ano que ninguém viu. É, de facto, a melhor definição que podia dar à série. Interessante, divertida, cerebral, com um humor bastante peculiar (não chega a ser humor negro mas é humor intelectual, sem dúvida), uma comédia com cabeça, tronco e membros, com um elenco bestial, liderados pelos fabulosos Jay Harrington e Portia De Rossi, ambos fenomenais (em interpretações que mereciam Emmy, pois são incrivelmente melhores que os actuais vencedores, Parsons e Falco) e com uma escrita que muitos argumentistas sonhavam possuir, "Better Off Ted" tinha tudo para dar certo. Então, por que razão não resultou? Bem: o horário não ajudava; as audiências não eram boas; e a ABC não tem paciência para comédias inteligentes; e o público também não. Enfim.

Melhor Episódio: A série não chegou a acabar (faltavam 2 episódios para o fim) portanto não sei bem se seria a minha escolha, mas dos que foram transmitidos, "Lust in Translation" (2.10, A-) é o melhor. 
Quem sobressaiu: Portia De Rossi está uma grande comediante, coisa que se adivinhava desde "Ally McBeal" mas ninguém queria apostar.



#13. GLEE

Temporada: 1
Nota: B+

Crítica: De vez em quando, surge na televisão uma série que põe toda a gente maluca. Foi assim com "Arrested Development", foi assim com "The Sopranos", foi assim com "Friends", com "Cheers" e por aí fora. E foi assim também que começou o fenómeno à escala mundial conhecido por "Glee", que curiosamente retrata a vida de um grupo de estudantes do coro escolar, apropriadamente (ou não) definidos como "a classe mais baixa da grande cadeia alimentar que é o ensino secundário" por Sue Sylvester, a horrorosa, rude e histriónica treinadora da claque do liceu. O que há em "Glee" para não se gostar? Alegria contagiante, grandes números musicais, personagens com os quais todos nos sentimos ligados, seja por que razão for (todos já fomos menosprezados e maltratados por alguém superior, não é verdade?) e diversão pura às mãos de Jane Lynch, que interpreta a maldosa treinadora da claque que acima já referimos. Além da série ser toda ela muito cómica, completamente abismal nalgumas histórias e de ter que ser vista de forma muito especial, porque algumas das coisas que lá ocorrem nunca se passariam da mesma forma na realidade. Mas porque é "Glee", a gente aguenta.

Melhor Episódio: O meu principal problema com "Glee" é o declínio que a série sofreu desde o seu trio inicial de episódios, o piloto (1.01, B+), "Showmance" (1.02, A-) e "Acafellas" (1.03, B+), embora "Vitamin D" (1.06, B+) tenha estado perto.
Quem sobressaiu: Esta é claramente uma série que dá primazia ao elenco, mas Jane Lynch é a grande estrela (Lea Michele seria uma boa segunda escolha, não fosse pelo facto da sua personagem estar a tornar-se completamente detestável).


#12. TRUE BLOOD

Temporada: 2
Nota: B+

Crítica: Alan Ball é um Deus. Consegue ser brilhante em termos de escrita, dinamismo e aproximação à história quer pegue em famílias aparentemente perfeitas à superfície mas que estão na verdade à beira do abismo, famílias à beira da ruína que cuidam de uma funerária ou vampiros amorais e hiperssexualizados que espalham o pânico no tranquilo deserto texano. "True Blood" não pode nunca ser levado muito a sério como drama, mas com certeza não é também essa a sua intenção. É uma série para se saborear, de uma tremenda qualidade, é certo, mas cujo objectivo é que os espectadores se envolvam, se deixem levar, se deixem contagiar. E não é uma série para todos. Depois de uma primeira temporada fantástica e de um final estrondoso, esta segunda temporada correspondeu às expectativas gigantes dos seus fãs (nos quais me incluo) com histórias fascinantes e com alguns desenvolvimentos que não estava nada a prever. Claro que quem é fã já viu a terceira temporada toda, mas isso fica para discussão daqui a mais algum tempo, sim?

Melhor Episódio: "Never Let Me Go" e "Release Me" (1.06 e 1.07, B+ ambos).
Quem sobressaiu: Deborah Ann Wool. Assustadora.


#11. COMMUNITY


Temporada: 1
Nota: B+

Crítica: Que bela surpresa me reservou a NBC no seu famoso line-up de quinta-feira, que é como se sabe o lugar das suas comédias de excelência (das quatro, só uma, a que tem mais fãs, "The Office", é que eu não suporto; as outras são todas minhas predilectas). Desconfiei desta série desde o momento em que vi a (pouca) publicidade que ela teve, mas sem qualquer razão. "Community" é, em poucas palavras, genialidade e entretenimento. Todos os personagens parecem frescos, bem desenvolvidos e com capacidade para crescimento. Todos os argumentos parecem extremamente bem pensados e são o sonho de qualquer fã de cinema, de BD, de televisão e até de literatura, com inúmeras referências culturais, coisa que me agrada numa série. E mesmo o intelectualismo comédico presente é logo rebaixado pela comédia física o mais marada possível. É uma série com um elenco de luxo, com um criador que sabe do que fala (até porque é a sua história de vida) e com uma equipa de roteiristas que sabe o que faz. E uma emissora que soube ter paciência para ver a série evoluir e florescer.

Melhor Episódio: Não há forma de eu fugir ao episódio da guerra de paint-ball, pois não? Óbvio - "Modern Warfare" (1.23, A).
Quem sobressaiu: Alison Brie, Chevy Chase ou Danny Pudi, façam vocês a escolha. Para mim, os três são bestiais.

Revisão de Televisão em 2010: Parte 2

A nova temporada televisiva já começou e eu preciso mesmo de arrumar com a minha revisão das temporadas das séries em 2010. Vou então proceder à revisão das séries que vi em 2010 de seguida, em quatro posts (já disponível: #31-40;  ainda para vir: #11-20 e #1-10). Espero que deixem ficar a vossa opinião.






#30. UGLY BETTY

Temporada: 4
Nota: B

Crítica: Sinto-me tão triste e ao mesmo tempo tão aliviado que esta série tenha acabado. Triste, primeiro, porque são personagens às quais me habituei, que me fizeram rir imenso desde o primeiro episódio, personagens com as quais me identifico, que ao contrário de outras séries sempre exibiram de peito aberto os seus defeitos e sempre demonstraram as suas qualidades. Mas aliviado que a série vá antes de entrar no declínio, antes de perder todas as qualidades que lhe eram reconhecidas. E contente sobretudo porque encerrou bem a grande parte das histórias que tinha para contar. A Betty deixou de ser feia, mas é a "Ugly" Betty e não propriamente a nova, melhorada Betty, que vai ficar na minha memória para sempre.

Melhor Episódio: "All the World's a Stage", o quarto a contar do fim (4.16, B+).
Quem sobressaiu: Vanessa Williams foi de tudo na sua última temporada e se dependesse de mim, ela levava o Emmy este ano (porque ainda vamos ter mais três anos de Jane Lynch a fazer o mesmo que fez este), mas tenho mesmo que escolher Michael Urie, porque surpreendeu-me imenso.



#29. PARTY DOWN

Temporada: 2
Nota: B

Crítica: Outra série que foi cancelada a meio do ano e que não devia ter sido (a outra foi "Better Off Ted"). Uma comédia inteligente, sofisticada, de jeito algum para todos os gostos mas isso era o que a tornava tão especial. Jane Lynch partiu e a série ressentiu-se ainda mais do que já tinha mostrado na primeira temporada, não em termos qualitativos mas sim em termos de audiências e o Starz optou por cancelar. Lamentamos, até porque esta pequena série sobre Hollywood wannabees que em vez de continuarem a sua carreira como actores viram empregados de 'catering' começava a tornar-se um dos meus prazeres semanais. Contudo, o talento comédico e brilho mostrado por Lizzy Caplan, Adam Scott e Ken Marino serão certamente aproveitados por outras séries num futuro muito próximo.

Melhor Episódio: Empate técnico entre "Joel Munt's Big Deal Party!" (2.08, B+) e "Costance Carmell Wedding", o final de temporada (2.10, A-).
Quem sobressaiu: Lizzy Caplan e Adam Scott estavam ambos maravilhosos.



#28. DESPERATE HOUSEWIVES

Temporada: 6
Nota: B

Crítica: Uma temporada muito confusa e com poucos episódios de qualidade. Felizmente, há tanto a acontecer ao mesmo tempo que por vezes nem reparamos que o episódio entra em declínio artístico. Não foi uma boa temporada de "Desperate Housewives" e até devia ser mais B- do que B. Mas como o meu C+ para "Entourage" foi de castigo pela queda substancial e progressiva de qualidade, também o meu B aqui é uma espécie de incentivo pela melhoria clara de nível entre as últimas duas temporadas e esta. Claro que não se pode pedir que Marc Cherry volte aos bons velhos tempos da primeira temporada, mas melhorar ainda um pouco mais é possível. Pode ser que com a chegada iminente de Vanessa Williams (realmente, conseguiam pensar num follow-up melhor a Wilhelmina Slater que este?) as coisas aqueçam. De resto, uma temporada em que só Hatcher e Longoria é que parece terem aparecido para trabalhar, pois Huffman e Cross não tiveram uma única história de jeito para brilhar, com muito menos drama que o costume e com vizinhos novos muito mais animados (Drea de Matteo foi uma excelente adição que infelizmente já se vai embora).

Melhor Episódio: "The Coffee Cup" (6.08, B+) é o melhorzinho.
Quem sobressaiu: Eva Longoria Parker fez-me rir quase sempre que surgia no ecrã.



#27. 30 ROCK

Temporada: 4
Nota: B

Crítica: Grandes séries também sofrem de problemas de manutenção de qualidade e era óbvio que mais cedo ou mais tarde "30 Rock" também passaria por isso. Esta quarta temporada correu bem longe do desejável, com episódios fantásticos e episódios horrorosos, com convidados excepcionais (Hamm, Sheen, Banks) e com convidados dispensáveis (Jackson, Moore), mais iô-iô a série que o próprio Tracy Jordan. Mas também se tem que dizer uma coisa: "30 Rock", mesmo longe do seu melhor, providencia ainda muito mais divertimento que 60-70% das séries que para aí andam.

Melhor Episódio: A sequência final de episódios do fim de temporada seria uma boa escolha, mas o duo de episódios a seguir ao Ano Novo, "Klaus and Greta" e "Black Night Attack" (com Jenna Maroney a fazer audição para "Gossip Girl") foram ambos sensacionais e a melhor forma de eu recuperar fé nesta grande série (4.09 e 4.10, B+/B+)
Quem sobressaiu: Tina Fey. "Tina, Tina, Tina", como Baldwin teria referido.



#26. UNITED STATES OF TARA

Temporada: 2
Nota: B

Crítica: Tenho que começar por dizer desde já que me custa definir aquilo que eu tanto aprecio em "United States of Tara". A protagonista é absolutamente irritante. A família tem incontáveis defeitos. A irmã é insuportável. A maioria das histórias tem um pano de fundo ridículo (Diablo Cody, devolve esse Óscar!). Ainda assim, fico sempre fascinado com o decorrer das coisas. Toni Collette faz maravilhas com um papel tão tridimensional que nas mãos de outra actriz poderia parecer uma caricatura tão baratucha quanto estereotipada. Keir Gilchrist e Brie Larson formam uma dupla de filhos extraordinária e se eu mandasse ambos teriam nomeações para os Emmy. E não posso esquecer Rosemarie DeWitt. É a segunda variação de irmã que eu a vejo interpretar (a primeira eu já adorei, em "Rachel Getting Married") e as duas não podiam ser mais diferentes, o que só prova que a actriz tem mérito na análise da personagem que faz. Tudo considerado, uma temporada mais fraca que a anterior e muito mais dramática (o que me leva a ficar irritado ainda mais cada vez que falam dela como comédia, que não o é) e onde a unidade familiar foi o grande foco.

Melhor Episódio: sem qualquer dúvida, "Torando!" (2.06, B+). Cerca de uma dezena de pessoas presas numa cave e cinco são a mesma pessoa? Demais.
Quem sobressaiu: Toni Collette é sempre o óbvio, mas vou dizer Keir Gilchrist. Adorei cada minuto da sua interpretação.



#25. NURSE JACKIE

Temporada: 2
Nota: B/B+

Crítica: Se a primeira temporada do The Edie Falco Show já me tinha impressionado, a segunda tirou-me o chão debaixo dos meus pés. Tão imprevisível, tão séria quanto divertida, tão aplicável ao nosso quotidiano, a série sobre esta enfermeira tão fora do vulgar cresceu no seu segundo ano e muito se deve ao grande desenvolvimento dado aos personagens secundários, em especial à Dr. O'Hara (Eve Best), a Zoey (Merritt Wever) e ao Dr. Cooper (Peter Facinelli). Não é por nada, mas Holland Taylor ser nomeada para um Emmy e uma destas senhoras não é um verdadeiro sacrilégio. De resto, "Nurse Jackie" nunca foi uma comédia nem Edie Falco está a interpretar comicamente (como muito bem disse no seu discurso de vencedora do Emmy) mas a verdade é que a série doseia muito bem o dramático com o cómico e nunca cai no exagero para uma série do tipo (coff Grey's Anatomy coff) por isso merece os meus parabéns.

Melhor Episódio: Parece cliché dizer este mas eu gostei muito dos três episódios finais, em particular do final de temporada, "Years of Service" (2.12, A-).
Quem sobressaiu: Merritt Wever. Não há sequer discussão.


#24. THE BIG BANG THEORY

Temporada: 3
Nota: B/B+

Crítica: Não me entendam mal, eu adoro estes nerds/geeks. Aliás, considero o Dr. Sheldon Cooper uma das melhores invenções que a CBS alguma vez já nos trouxe, tal como Barney Stinson. Além disso, choca-me que alguém que produz e escreve os guiões de "Two and a Half Men" possa ao mesmo tempo criar algo tão genuíno e especial como "The Big Bang Theory". Contudo, não acho (e nunca achei) a série assim tão brilhante como alguns a postulam. Sim, Jim Parsons é excelente, mas isso já sabemos nós há dois anos. Sim, a série é uma comédia bastante divertida e consistentemente engraçada, cheia de referências a jogos, filmes e séries de televisão que deliciam os fãs mais hardcore da ficção científica. Ainda assim, não é suficiente. Dito isto, são sempre 20 minutos que adoro passar cada semana com estas personagens.

Melhor Episódio: O óbvio seria dizer "The Pants Alternative" ou "The Maternal Congruence", mas vou pegar em "The Precious Fragmentation" (3.17, B+).
Quem sobressaiu: Jim Parsons, a estrela da série.



#23. HUMAN TARGET

Temporada: 1
Nota: B/B+

Crítica: Como descrever uma série de acção pura com tanta qualidade como "Human Target"? E que consegue ser tão diferente da outra grande série de acção que curiosamente termina na FOX quando esta começa, "24"? Talvez comece pelo facto da série só ter tido 12 episódios, condensando a acção. Talvez seja pelo facto de Mark Valley nos apresentar uma interpretação surpreendentemente fabulosa, muito superior à de Kiefer Sutherland. E também terá a ver com um elenco de suporte extraordinário. E além de ser um drama de acção de elevado quilate, tem histórias interessantes e diversificadas semana após semana. Parabéns ainda a quem criou aquele genérico fenomenal. E antes que a FOX portuguesa (e a AXN, adivinha-se) gaste todo o seu tempo em promoção desta série quando ela para cá vier, que todo o mundo se lembre que eu já cá a elogiava quando pouca gente a conhecia.

Melhor Episódio: todos foram bons, embora para mim "Rewind" (1.02, B+) tenha sido o melhor de todos.
Quem sobressaiu: um chorrilho de actores convidados de grande qualidade e, claro, Mark Valley, num papel que parece ter sido criado para ele.



#22. DAMAGES

Temporada: 3
Nota: B/B+

Crítica: Uma série complicada de nos deixar excitados mas que na verdade é sempre de uma qualidade incontestável (agora suplantada, na minha opinião, por "The Good Wife") é "Damages" e foi com muito entusiasmo que aplaudi a compra de uma nova temporada da série pela DirecTV, que já havia salvo "Friday Night Lights" de um fim prematuro. Patty Hewes foi visceralmente rude e feroz esta temporada, mais do que em qualquer uma das outras duas, mostrando uma crueldade só a par com a vulnerabilidade que também exibiu nalguns dos episódios. Close no seu melhor, portanto. Rose Byrne manteve a consistência na sua Helen e, não sendo, como de costume, um dos destaques de cada episódio, é sempre uma interpretação confortante, de carisma e brilho assegurado, se bem que sempre a perder para Close em protagonismo. O terceiro MVP da temporada foi Martin Short, finalmente um rival à altura de Close, que jogou muito bem com a sua caracterização low-profile, cuidada, numa primeira instância da temporada e que depois aproveitou bem a reviravolta da sua personagem para mostrar todo o seu talento. Uma temporada de altos e baixos, com alguns episódios para os quais eu tinha grandes expectativas a falhar ("Your Secrets Are Safe" sendo o mais flagrante) e alguns que me apanharam de surpresa (o final de temporada, que seria um final adequado à série, tivesse ela acabado), mas no fim de contas, um drama bastante bom com uma interpretação monstruosa da sua protagonista (que perdeu o Emmy este ano).

Melhor Episódio: "The Next One's Gonna Go In Your Throat" (3.13, B+), o último episódio desta temporada.
Quem sobressaiu: Martin Short ou Glenn Close, escolham vocês. Provavelmente o primeiro.


#21. CALIFORNICATION

Temporada: 3
Nota: B/B+

Crítica: Não há outra série igual a "Californication". Não há, é escusado. Esta terceira temporada foi uma melhoria significativa em relação a uma segunda muito cinzenta que quase me levou a desistir da série depois daquela formidável primeira temporada. O nosso anti-herói Hank passou realmente um bom bocado este ano, levando para a cama (quase) todo o rabo de saias que lhe apareceu pela frente e conduzindo obviamente a break-ups hilariantes. Que o homem é um íman sexual, isso não se discute. O que me interessa discutir - e que espero ser o ponto de partida para a quarta temporada - é que o homem lá dentro está em cacos e que esta promiscuidade não pode durar para sempre. Nem a filha deixa. Todavia, foi realmente divertido ver as peripécias de Hank como professor (em mais que uma maneira, se é que me entendem). David Duchovny à parte, o que realmente saltou à vista esta temporada foram as interpretações dos convidados, desde Peter Gallagher a Kathleen Turner. Excelentes, todos eles, ajudando a colocar esta série de novo no topo.

Melhor Episódio: a dupla "So Here's The Thing" e "The Apartment" (3.07 e 3.08, A-/B+).
Quem sobressaiu: eu sou tendencioso para Peter Gallagher depois de The O.C., portanto vou dizer... Diane Farr. Ou Kathleen Turner.

Revisão da Televisão em 2010: Parte 1

Para entrar na nova temporada televisiva que está quase a começar (e eu estou consciente do facto de várias séries - algumas que eu sigo - já se encontrarem em exibição, mas essas já contam para a nova temporada, não para a que encerrou com a entrega dos Emmys) eu preciso de arrumar com a minha revisão das temporadas das séries em 2010. Vou então proceder à revisão das séries que vi em 2010 de seguida, em quatro posts (#31-40, #21-30, #11-20 e #1-10). Espero que deixem ficar a vossa opinião.




#40. ENTOURAGE

Temporada: 6
Nota: C+

Crítica: Parece mesmo que eles deixaram de tentar contar histórias interessantes, não é? E parece que o tempo de "Entourage" está a chegar ao fim. Até Ari Gold parece já não ter a piada de outros tempos (claro que Jeremy Piven continua a dar boas prestações nesse papel, mas não é isso que aqui se discute). Algumas storylines que demoraram muito tempo a encontrar resolução, Vincent e a sua habilidade para não fazer nada chegaram mesmo a tirar-me do sério em mais que uma ocasião e a falta de interesse que se vem agravando nos personagens secundários da série, excepção feita a Ari, é gritante. Graças a Deus que a 7ª temporada tem-me parecido melhor senão teria feito o funeral de vez. E ainda bem que 2011 será o último ano.

Melhor Episódio: Não é que haja muitos para escolher, por isso vou com "Berried Alive" (6.10, B/B+).
Quem sobressaiu: Jeremy Piven



#39. GOSSIP GIRL

Temporada: 3
Nota: C+

Crítica: Alguém que me recorde como é possível eu ter gostado desta série antes, por favor, que eu estou a precisar que me relembrem. Personagens gastas, histórias mil vezes contadas na série, discussões intermináveis que acabam sempre com o resultado mais previsível, algumas storylines de me pôr a arrancar cabelos (já todo o mundo sabe que Serena é burra, mas tanto?) e só se safa mesmo a interpretação de Meester no meio da confusão. Quarta temporada que não aguardo, isso é certo. Só se as coisas melhorarem muito.

Melhor Episódio: De longe, "The Treasure of Serena Madre" (3.11, A-). Nunca me tinha rido tanto num drama.
Quem sobressaiu: Leighton Meester


#38. HOW I MET YOUR MOTHER

Temporada: 5
Nota: B-

Crítica: Talvez esta série não merecesse um lugar tão baixo no meu ranking, mas o facto de ser uma série tão querida por mim e tão bem explorada nas suas duas-três primeiras temporadas e depois ter tal declínio na sua quarta temporada (B-), seguida desta terrível quinta, não me podem culpar de ter agido de forma raivosa e decidir castigar a série. O claro substituto de "Friends" era, até 2008, inteligente, sensível, divertido, genialmente absurdo, criou uma personagem lendária (Barney Stinson) e deu-nos uma série que vale a pena ver e rever várias vezes. No pós-2008, veio o desastre, que atingiu novas proporções esta temporada: nada tinha seguimento, nada fazia sentido a maioria das vezes e se algum episódio era de todo engraçado era mais pelo talento do elenco do que pela escrita dos argumentistas. Salvou-se, uma vez mais, Neil Patrick Harris.

Melhor Episódio: Declaro um empate entre "The Playbook" e "The Perfect Week" (5.08 e 5.14, ambos B+). Desta temporada só gostei de mais dois episódios ("Girls vs. Suits" e "Rabbit or Duck") - mas é claro que me ri com mais alguns.
Quem sobressaiu: Neil Patrick Harris




#37. BROTHERS & SISTERS

Temporada: 6
Nota: B-

Crítica: Esta série tem tido temporadas substancialmente mais fracas a cada ano que passa e este ano ela atingiu novo nível de ridículo por vezes, com episódios autenticamente saídos de uma novela mexicana. Não obstante isto, há que dar valor aos episódios que realmente mostram o excelente drama que Brothers & Sisters é. Esta foi uma temporada marcada por vários rombos em todas as personagens mas também com alguns momentos de felicidade, que assentou fundamentalmente em quatro grandes linhas narrativas: a doença de Kitty, a falência da Ojai Foods, a entrada de Luc na vida dos Walkers e o casamento de Justin e Rebecca. E não vamos esquecer aquele glorioso sprint final, com vários episódios de muito boa qualidade, com demasiadas storylines suculentas que, para os fãs da série que visitem e não queiram ver spoilers, não vamos relevar. Com a saída de vários actores principais da série, não lhe abono bom futuro e isto, somado ao facto de ter sido uma temporada algo medíocre, leva-me a não querer ver mais.

Melhor Episódio: Ou "Lights Out" (6.23, B/B+) ou "Nearlyweds" (6.10, B/B+)
Quem sobressaiu: Calista Flockhart



#36. WEEDS

Temporada: 5
Nota: B-

Crítica: Uma temporada mediana, a fugir muito ao que "Weeds" já foi noutros tempos (basicamente, a melhor comédia da televisão), com a grande maioria das histórias a serem completamente disparatadas e sem sentido nenhum e a grande parte das revelações e reviravoltas desta temporada a serem desvendadas de forma tão descolorida que até me deixou pena. Uma diferença algo interessante para a abertura da 6ª temporada, ao contrário do que foi feito em temporadas anteriores, foi terem deixado um cliffhanger, ou seja, terminaram a temporada no meio da acção - claro que para quem já está a acompanhar a 6ª temporada, que está a decorrer já nos Estados Unidos, já estará inteirado do que se passou depois. E algo que me chocou esta temporada foi mesmo o facto que eu não consogo simpatizar mais com Nancy Botwin. Ridículo. Ela, que noutros tempos eu chamaria de anti-herói, agora é pura e simplesmente estúpida e desgovernada. Não tem rumo na vida e volta sempre a erros passados. Não há pachorra.

Melhor Episódio: "Su-su-sucio" (5.03, B+) é aquele que me vem logo à cabeça.
Quem sobressaiu: Mary Louise Parker parece-me a escolha óbvia, embora eu ache que desde há dois anos para cá é Justin Kirk que é o MVP.


#35. GREY'S ANATOMY

Temporada: 6
Nota: B/B-

Crítica: Das séries todas da lista, foi a que teve a temporada mais errática. Começou pessimamente, depois lá encontrou o seu ritmo com dois episódios sucessivos brilhantes ("I Saw What I Saw", contado por perspectivas diferentes e "Give Peace a Chance", um episódio inteiro focado em Derek), voltou a cair ligeiramente nos episódios seguintes e só voltou a recuperar lá para o final, especialmente com o duplo episódio de final de temporada, que definitivamente iria para o meu top-10 de episódios de drama do ano inteiro de televisão. Agora o meu problema é que tanta irregularidade, tanta personagem a entrar e a sair, o drama com Heigl, os problemas na maioria dos episódios e algumas storylines ridículas tornam insuportável que eu consiga defender mais esta série. Não dá.


Melhor Episódio: O duplo episódio do final da temporada, em particular a primeira parte, "Sanctuary" (6.23, A-).
Quem sobressaiu: Patrick Dempsey



#34. NCIS: LOS ANGELES

Temporada: 1
Nota: B/B-

Crítica: Suponho que tenha que agradecer a Daniela Ruah por me ter levado a ver esta série. É que eu tenho alergia a C.S.I. e aos seus spin-offs e o mesmo se passa com este NCIS. Eu não queria ver a série. Só a vi por causa dela. E tenho que admitir que a série não é nada daquilo que eu inicialmente pensava. Inteligente por vezes, engraçada, divertida, nada parecida com aqueles policiais que tanto correm pela televisão (que já viu de tudo no género, desde "The Closer" até "Saving Grace"), boa química entre os actores (LL Cool J com boa interpretação, veja-se só!) e boa prestação do elenco - especialmente Linda Hunt (como é óbvio). Argumentos diversos e interessantes permitem que nunca se torne aborrecida e eu provavelmente voltarei a acompanhar esta série, este guilty pleasure, se assim o quisermos caracterizar, ainda não sei se durante o ano ou se a vejo toda depois do final da temporada.

Melhor Episódio: Tem vários que eu apreciei bastante, como "Callen, G." (1.24, B+) ou "Blood Brothers" (1.18, B+) ou então "Hand-to-Hand" (1.19, B+).
Quem sobressaiu: Poderia dizer Chris O'Donnell, mas a verdadeira estrela da companhia é a pequena Linda Hunt.


#33. PARENTHOOD

Temporada: 1
Nota: B

Crítica: Foi uma temporada pequena demais para avaliar em profundidade o valor da série, mas do que vi, gostei muito. Uma série que parecia ser para preencher buracos no calendário semanal da NBC (como "Cougar Town" também parecia fazer na ABC, a dar depois de "Modern Family") começou intermintentemente mas melhorou substancialmente por volta do quinto episódio, com um elenco impressionante, especialmente os jovens e que consegue crescer para um drama de qualidade substancial que é um mimo de seguir todas as semanas. Como volta a surgir só na mid-season, se poucos pilotos da nova temporada me excitarem, voltarei a esta série. Se não, só no Verão. De qualquer forma, para quem gosta de dramas familiares, é um must-see. E Lauren Graham num papel que era parecido com o de "Gilmore Girls", mas que se tornou completamente distinto. E Peter Krause numa personagem nada parecida com a sua de "Six Feet Under".

Melhor Episódio: Muitos episódios de grande nível, mas não posso deixar de escolher o querido final de temporada, "Lost and Found" (1.13, B+).
Quem sobressaiu: Como não podia deixar de ser, as duas grandes estrelas do programa, Lauren Graham e Peter Krause; ambos deviam ter sido nomeados para Emmy.



#32. HOUSE

Temporada: 6
Nota: B

Crítica: Mais uma temporada algo estranha para "House, M.D.", que começa de novo muito bem - com um episódio excepcional ("Broken"), que em situação normal deveria ter dado finalmente o Emmy a Hugh Laurie, tal a interpretação extraordinária durante as duas horas de episódio - e depois perde vapor a meio da temporada, de tal forma que os últimos cinco episódios são quase insuportáveis de tolerar (se bem que termina em alta - o final é fenomenal também). O que me tocou mais esta temporada foi a partida de Cameron (Jennifer Morrison), mesmo se o episódio em que ela partiu foi fraco e mesmo se a sua partida é algo injustificada. Foi um momento fulcral da temporada e a actriz e Laurie venderam-no bastante bem. De resto, as interpretações do elenco secundário foram dolorosas, excepção feita a Lisa Edelstein (Cuddy), claro está, pois as suas personagens parecem, ao fim de seis anos, estarem verdadeiramente gastas. O romance entre House e Cuddy será um ponto de partida interessante para a sétima - provavelmente a penúltima - temporada de "House, M.D.".

Melhor Episódio: o primeiro logo, "Broken" (6.01 e 6.02, A-), com uma interpretação genial do protagonista (A+).
Quem sobressaiu: custa-me dizer isto, até porque eu estive quase a pôr Lisa Edelstein, mas Hugh Laurie foi (uma vez mais) o melhor em campo a temporada quase toda.


#31. HUNG

Temporada: 1
Nota: B

Crítica: Até me parece mal estar a redigir a minha crítica à primeira temporada de "Hung" quando já sei tanta coisa que se passou a seguir (fruto da segunda temporada estar a terminar na HBO - acaba para a semana), mas é assim, que se pode fazer? Alexander Payne criou uma série originalíssima que funciona como bom complemento a "Entourage" e que, não sendo uma comédia animadíssima, como o seu parceiro de domingo, é talvez a melhor comédia das duas. Tem um tipo especial de drama e humor seco, humor negro, que poucas séries conseguem explorar hoje em dia e tem dois protagonistas absolutamente especiais. Jane Adams e Thomas Jane têm finalmente os papéis que precisavam para aumentar um pouco o nível das suas carreiras e tenho que dizer que lhes assentam que nem uma luva. A série, por ser chancela da HBO, tem apenas dez episódios por temporada, o que lhe assenta bem, pois se fosse de canal público, além das implicâncias que teria à custa do sexo todo e da linguagem inapropriada, gastar-se-ia rápido em temporadas de mais de 20 episódios. Provavelmente não vai passar da terceira temporada (para a qual já foi renovada), mas "Hung" é excelente e vou seguir enquanto durar, com certeza.

Melhor Episódio: "A Dick and A Dream or Fight the Honey", o final de temporada (1.10, B+). 
Quem sobressaiu: qualquer um dos dois protagonistas, mas sem dúvida que em mim Jane Adams foi quem me deixou maior impressão.

CEMETERY JUNCTION (2010)


Descobri o filme por acaso e decidi vê-lo por dois motivos: em primeiro lugar, porque sou um fã da british comedy e do cinema britânico em geral e em segundo porque é um filme co-escrito e co-realizado por Ricky Gervais, um senhor a quem me rendi no, infezlimente acabado, The Office UK. Vi apenas 3 minutos do The Office Americano pois senti-me triste por ver que era uma cópia tão pobre e tão mal feita.

Mas falemos do filme. Cemetery Junction é um filme que não será guardado na minha memória. Uma história banal, que já foi sucessivamente contada e sem grandes toques de originalidade ou inovação. Fala-nos de 3 amigos, Bruce Pearson (Tom Hughes), Freddie Taylor (Christian Cooke) e Snork (Jack Doolan) que vivem numa zona pobre de Reading, Cemetery Junction. Embora Bruce e Snork estejam conformados e felizes com os empregos que têm (operário e funcionário da estação de comboios local, respectivamente), Freddie Taylor quer mais para a sua vida e procura emprego numa agência de seguros, cujo dono é um homem famoso de Cemetery Junction. Mr. Kendrick (Ralph Fiennes) cresceu em Cemetery Junction e conseguiu superar as adversidades da zona. Lutou, montou o seu negócio e enriqueceu. Aceita Freddie e pede-lhe que lhe siga os passos. É então na empresa que Freddie encontra Julie (Felicity Jones) sua namorada dos tempos de liceu e que descobre ser filha do seu patrão.

Tirando 2 ou 3 cenas com alguma piada e criatividade, todo o resto do filme é monótono e previsível. Confesso que esperava mais e que não gostei do filme. Considerei importante falar-vos aqui dele, pois acredito que, tal como eu, haverá muitos leitores que serão fans do trabalho de Ricky Gervais e como tal, a sua presença neste filme poder-vos-á cativar a vê-lo.

Nota Final: D

Trailer:


Informação Adicional:
Realização: Ricky Gervais e Stephen Merchant
Argumento: Ricky Gervais e Stephen Merchant
Duração: 95 minutos
Ano: 2010

Emmy 2010: Melhor Série, Comédia e Drama

A contar os dias para a cerimónia dos Emmy 2010, a decorrer amanhã (não se esqueçam, LIVEBLOGGING aqui no blogue!), achei que seria talvez interessante (pelo menos, para mim é) dar uma vista de olhos nos nomeados das categorias principais e ver quem são os favoritos à vitória (ou, pelo menos, os principais candidatos).



Falta-nos apenas abordar uma categoria das categorias máximas dos Emmy 2010: as séries, os dois prémios mais cobiçados por todas as personalidades televisivas. Teremos repetição dos vencedores passados, "Mad Men" e "30 Rock", que continuariam a sua streak (três para a série dramática, quatro para a série comédica)? Teremos finalmente sangue novo a arrumar com os campeões em título, como "Glee", "Modern Family" ou "The Good Wife"? Ou será que o sentimentalismo pode levar alguns votantes a abraçarem uma última vez "Lost"?

Vamos à análise então. Começamos por Melhor Série - Drama. Os nomeados são:


Uma categoria que me parece bastante clara em análise, quanto a mim. "True Blood" é o primeiro excluído da corrida, como é mais do que óbvio. A única nomeação que a série obteve é, por mais merecida que seja, o seu prémio de consolação. Os episódios submetidos ("Never Let Me Go", "Scratches", "Nothing but the Blood", "Shake & Fingertop", "I Will Rise Up" e "Frenzy") são interessantes, divertidos, exploram muito bem as várias storylines que decorreram na segunda temporada da série mas ainda assim não são suficientes para ganhar (recordo-vos que o ano passado "Big Love", outro drama diferente do convencional da HBO, também só conseguiu uma nomeação, precisamente nesta categoria). De resto, todos podem ganhar. Expliquemos porquê. "Lost" tem o grande trunfo de ter acabado esta temporada e, embora com um final envolto em alguma polémica, foi uma despedida em cheio dos vários fãs que seguiram desde o primeiro momento a série, vencedora do Emmy desta categoria pela primeira temporada em 2005. Os episódios escolhidos são todos bastante fortes ("The End" - em duas partes, "Ab Aeterno", "Happily Ever After", "Dr. Linus", "The Candidate") e se o sentimentalismo reinar (só uma série dramática, "The Sopranos", venceu pela sua última temporada), podemos ter aqui o nosso vencedor. "Dexter" teve das suas melhores temporadas e continua com inegável sucesso e qualidade e o facto de ter conseguido várias nomeações e garantido já a vitória de Lithgow como Melhor Actor Convidado pode ser indicador que se irá sair bem na cerimónia. Contudo, este "sair-se bem" pode querer significar mais a vitória de Hall do que propriamente da série. É um candidato sério, é um facto e agradaria a muitos que finalmente ganhasse (episódios muito bons - "Dex Takes a Holiday", "Dirty Harry", "Road Kill", "Hungry Man", "Hello Dexter Morgan" e "The Getaway"), mas é um candidato que corre por fora destes três seguintes.

"Breaking Bad" é o 'dark horse' da corrida, por assim dizer. O melhor drama este ano na televisão, a par da outra série da AMC, "Mad Men", uma temporada extraordinária, um elenco que brilhou muito este ano e que conta com dois grandes candidatos a vencer as suas categorias respectivas, Cranston e Paul. Os membros da Academia gostam evidentemente da série, como se comprova pelas duas vitórias de Cranston para Melhor Actor, o problema é o tema muito negro e a depressão que é característica da série, que pode não ajudar a que mais gente vote neles. Excelentes episódios ("Half Measure", "Full Measure", "No Más", "Sunset", "One Minute" e "Fly") mas pode não ser ainda este o seu ano. A grande surpresa da cerimónia pode ser, de facto, a vitória da estreante "The Good Wife". Tem várias qualidades a seu favor: um grande elenco (a comprovar três nomeações nas categorias de actores), uma extraordinária protagonista (a provável vencedora da sua categoria), ser um procedural da CBS, ter boas audiências, ter tido excelentes críticas, ter submetido bons episódios ("Pilot", "Threesome", "Hi", "Bang", "Fleas", "Heart"), ter grande número de nomeações, ter sido considerado a melhor série em canal aberto e sim, ajuda ser uma série de um canal público.

Apesar de tudo isto, não há volta a dar: os prognósticos todos apontam para uma repetição do resultado dos últimos dois anos, com a vitória de "Mad Men". A melhor série dramática dos últimos anos voltou a ter uma temporada impressionante, com brilhantes desempenhos de todo o seu elenco, percorreu novos territórios e abordou novas e interessantes storylines e continua imaculadamente bem produzida, bem concebida, bem escrita e bem realizada. Seis grandes episódios foram submetidos para avaliação ("The Grown Ups", The Gypsy and the Hobo", "Shut The Door, Have a Seat", "My Old Kentucky Home", "Guy Walks Into An Advertising Agency", "Seven Twenty Three"). Sendo que a única série dos últimos anos tão bem recebida que não repetiu consecutivamente vitórias foi mesmo "The Sopranos" ("The West Wing" ganhou quatro vezes seguidas durante as primeiras temporadas de "The Sopranos", tendo "Lost", a revelação, roubado o bicampeonato à série de David Chase, com "24" a vencer por sua vez em 2006, antes de "The Sopranos" voltar a ganhar), como não há-de ganhar?


Analisados que estão os dramas, vamos pegar nas comédias. Os nomeados para Melhor Série - Comédia são:


Se a outra me parecia clara, esta dá-me mais dúvidas, não quanto aos candidatos, mas quanto ao vencedor final. "The Office" tem que ficar contente já só por continuar a ser nomeado, porque num ano em que tantas comédias excelentes apareceram (cinco exemplos não nomeados: "Cougar Town", "Community", "Gravity", "Hung", "Bored to Death") e outras tantas continuaram ignoradas ("Chuck", "Ugly Betty", "Better Off Ted", "Parks and Recreation", "Party Down"), manterem a mediocridade... Só pode ter sido por estarem habituados a fazerem a cruz naquele sítio. Vá lá que pelo menos já mandaram "Entourage" embora. Seis episódios de nível mediano (só escapando mesmo o duplo episódio "Niagara", porque "Gossip", "Murder", "The Lover" e "Secret Santa" são bastante maus) não vão dar para que esta série, vencedora na sua segunda temporada, repita a proeza. Outra que infelizmente não seguiu o caminho de "Entourage" foi "Curb Your Enthusiasm". Aprecio a série, reconheço-lhe os méritos, mas desculpem-me, Larry David é um comediante, não um actor. Sempre que ela é elegível para os Emmy, ela é nomeada, mas com o calendário errático que tem, estranha-me que os votantes se lembrem sempre dela. Este foi dos anos mais fortes (seis episódios interessantes: "The Reunion", "Seinfeld" - o grande ás desta série, pode ganhar muitos votos, "Vehicular Fellatio", "The Table Read", "Denise Handicapped" e "The Bare Midriff" ) e portanto se há possibilidade de esta série alguma vez ganhar o prémio, é este ano. Mas não contem com isso.

A surpresa entre os nomeados foi "Nurse Jackie" para melhor série de comédia. E se é verdade que eu até acho que merecia a distinção mais do que outras séries aqui nomeadas, os episódios escolhidos não são extraordinários ("Pilot", "Apple Bong", "Tiny Bubbles", "Ring Finger", "Health Care and Cinema" e "Monkey Bits") e a série é um bocado fora para apelar a muitos membros da Academia. Considerem-na uma possibilidade infinitamente remota. Edie Falco, contudo, deve vencer Melhor Actriz, o que me parece que será já um prémio bastante porreiro para a série da Showtime. A popularidade de "Glee" é o seu maior trunfo, pois em matéria de episódios a escolha não foi boa e além disso a série, como comédia, não é nada por aí além. Se é verdade que "Pilot", "Sectionals" e "Wheels" foram bastante bem vistos pelo público e pela crítica, "The Power of Madonna", "Home" e "Preggers", dois deles da segunda metade da temporada, em que boa parte do buzz ganho com as vitórias nos Globos de Ouro e SAG e com as audiências foi-se, são episódios bem medíocres que nunca dariam para em condições normais esta série sonhar com a vitória. Dependerá muito da reacção dos jurados à série. Se os entusiasmar, provavelmente será número 1 em muitos boletins, mas não deverá ganhar (relembre-se que nem sempre o buzz ganha prémios - exemplos: "Desperate Housewives", "Ugly Betty", "Grey's Anatomy"). E agora chegamos aos dois principais candidatos à vitória. "30 Rock" é o tricampeão em título, perdeu algum buzz com esta temporada com algum declínio de qualidade, mas mantém intactas as características que os membros da Academia tanto apreciaram em ocasiões passadas. Além disso, escolheu bem os episódios a submeter a votos, pois são claramente os seis melhores episódios da temporada ("Don Geiss, America and Hope", "Dealbreakers Talk-Show #001", "Anna Howard Shaw Day", "Black Light Attack", "The Moms" e "Emmannuelle Goes to Dinosaur Land"). Não vai ganhar, muito provavelmente, porque a série que se segue dominou a temporada no que a comédias diz respeito.

"Modern Family" pegou num conceito antigo, refrescou-o ligeiramente e criou uma comédia fantástica da qual Levitan e Lloyd se podem orgulhar. Um elenco genial, episódios impressionantes, diversificados, engraçados e muito bem-dispostos e - note-se, algo que pouquíssimas séries se podem orgulhar - não teve um episódio que não fosse muito bom. (avaliei todos os episódios da série com classificação B+ ou superior). O que me leva a intuir que este seja o nosso vencedor? Vejamos... cinco nomeações para actores do elenco (cinco em seis dos actores adultos), mais nomeações nas categorias de escrita que "30 Rock", que dominara a categoria em anos transactos, dezassete nomeações no total, só abaixo de "Glee" - que compete em categorias, como Melhor Guarda-Roupa e Melhores Efeitos que esta sitcom não consegue - e "Mad Men", a melhor série dramática da televisão. Aqui temos o nosso vencedor. Sangue novo, finalmente, nesta categoria.