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DIAL P FOR POPCORN

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CLOUD ATLAS (2012)



 "CLOUD ATLAS". Uma experiência massiva, composta por seis histórias envolventes e excitantes que juntas passam uma mensagem poderosa sobre a existência da humanidade para lá das suas limitações. Um trabalho superior de composição (realização, edição, fotografia, produção artística, música) a todos os níveis, um argumento fluído e florido, que estabelece inúmeras conexões entre passado e futuro e liga as seis narrativas, e um conjunto magistral de actores que assumem uma verdadeira metamorfose de história para história interpretando os diversos personagens de cada um dos enredos, alterando aspecto facial, raça e até espécie. Um filme que pega na existência de cada um de nós e nos mostra como todos fazemos parte de um plano maior. Uma produção magnífica e titã, com um cuidado especial dedicado a cada frame.


Isto era o que eu gostava de poder dizer sobre "Cloud Atlas". E foi isto que muitos viram no filme. O que eu vi foi um exercício medíocre e banal de pseudo-intelectualismo, em que se trocam noções bacocas de religião, de misticismo, de espiritualidade e filosofia, ao mesmo tempo que se tenta buscar uma falsa pretensão de superioridade (do género "cá está uma mensagem importante; e agora outra; e agora outra; todo o filme são mensagens importantes que vocês não vão perceber mas no final nós dizemos algo como o passado, presente e futuro se interligam e a humanidade existe toda num contínuo e vocês ficam maravilhados" que o filme nunca faz por merecer). O que muitos entendem por visão audaciosa de Tom Twyker (o quanto eu gosto de "Run Lola Run" não compensa investir neste filme) e dos irmãos Wachowski é para mim pura e simples arrogância, auxiliada pelo diálogo mais primitivo possível. Acham que estão a produzir uma obra-prima, bem longe da compreensão de meros humanos, cinéfilos de ocasião, que se juntam de quando em vez para ver um filme e só gostam é de filmes de digestão fácil. Já aconteceu o mesmo com a saga The Matrix. Depois do primeiro filme, só engodo. E parece que os hábitos morrem tarde com os Wachowski (a eles se junta Shyamalan; mas não é justo trazer o nome desse à baila, só porque posso). 


Imaginativo? Transcendente? Digam mais: impressionante, surpreendente. De transcendente só têm Ben Whishaw e Doona Bae, com interpretações bem acima do nível do filme (mereciam mais, bem mais que o Jim Sturgess mascarado de coreano do futuro e o James D'Arcy como amante). Num pormenor lhes dou valor: as sequências conseguem ser todas interessantes e diferentes umas das outras e sim merecem louvores pelo estilo e pela ambição e por o filme nunca ser aborrecido (algo miraculoso, tendo em conta a sua enorme duração), mas a atenção dispersa-se rápido quando aquele ótimo* trabalho de caracterização e maquilhagem - mais o overacting (céus, e que overacting!) vem ao de cima. Halle Berry, por exemplo, tão bela e competente na sequência que protagoniza - em que personifica uma jornalista em investigação nos anos 70 - aparece de forma tão bizarra noutras narrativas. Tom Hanks mascarado de velho profeta (Old Zachary) com a cara toda tatuada? Não? E que tal Tom Hanks numa versão macabra de Mr. T? Não também? Talvez prefiram Tom Hanks versão médico asqueroso num navio no Pacífico no século XIX? E que tal Hugh Grant irmão de Jim Broadbent? Também não? São esquisitos. Tira-me do sério o calibre de actores que esta fita desperdiça (a Susan Sarandon pá, a Susan Sarandon está nisto também!).


Assumo que o livro funcione melhor, livro esse que era considerado impossível de filmar. É confrangedor ver material com tanta potência na mão de gente tão cabeçuda, por isso acredito que muitos prefiram o livro à mesma. Ou melhor, que ele continuasse impossível de filmar. Eu acredito veementemente que no meio desta confusão toda estará um filme coeso e com ideias firmes e bem exploradas, que consiga de alguma forma ligar seis narrativas, abraçando a diversidade de estilos e versatilidade de géneros cinematográficos que tentavam projectar, sem ter de circular a um ritmo frenético e sem nos deixar investir em qualquer uma das seis narrativas (pelo menos eu não o consegui fazer; demasiado errático e histriónico para me deixar sentir qualquer emoção e ligação às personagens). 


Bem, talvez o filme impressione espectadores que vão à procura de menos substância e mais espectáculo. Tenho a certeza que muitos vão adorar o filme. Muitos o irão colocar (como fizeram) na sua lista de melhores do ano. Da mesma forma que "Life of Pi" para mim funcionou e para outros não. Confesso, não sou o público-alvo deste filme mas sei admitir, dou a mão à palmatória, "Cloud Atlas" nesse nível (pelo menos) espanta. É um enorme feito conseguir cumprir uma produção desta magnitude e há coisas aqui a que tenho de dar valor. O problema é quando, no fim, a qualidade não iguala a quantidade. Salva-se a bela banda sonora (lá está, parece o pesadelo do "The Last Airbender" do Shyamalan de novo; e cá estou eu a voltar a chamar à baila o triste do M. Night).

Nota:
C+ (5,5/10)

Informação Adicional:
Realização: Tom Twyker, Lana e Andy Wachowski
Argumento: Tom Twyker, Lana e Andy Wachowski
Elenco: Tom Hanks, Halle Berry, Hugh Grant, Ben Whishaw, Jim Sturgess, Doona Bae, Susan Sarandon, Jim Broadbent, James d'Arcy, Keith David, Hugo Weaving
Fotografia: Frank Griebe, John Toll
Música: Tom Twyker, Johnny Klimek, Reinhold Heil
Ano: 2012


Antecipação para 2012-2013 (II)


Peço desculpa se vos desacelerar a abertura da página mas ainda assim, para ser mais fácil, optei por juntar todos estes trailers num só (gigantesco) artigo, partido em três partes, por secções de entusiasmo.

Passando à segunda parte deste gigante artigo (Parte I AQUI):

Secção 
ESPREITAREI CERTAMENTE / SINTO-ME OPTIMISTA:


CLOUD ATLAS

O trailer parece prometer algo que o filme não pode com certeza concretizar, tal a magnitude do projecto e das narrativas em intersecção. Ainda assim, não vos parece divertido ver Tom Hanks a interpretar seis personagens diferentes num só filme? E ver a mestria de Tom Twyker e os irmãos Wachowski a trabalhar em conjunto? Este filme tem potencial para ser um espectáculo abraçado efusivamente ou um desastre épico. Será divisivo, sem dúvida. Cá estarei para ver de que lado me situo.



GEBO E A SOMBRA

Já nos cinemas, mas tenho tido preguiça de ver. Manoel de Oliveira tem-me cansado, sempre a reciclar as mesmas temáticas e preocupações existenciais de filme para filme. Este parece prometer mais do mesmo, mas o retorno à língua estrangeira atiça-me a curiosidade. Hei-de comprar bilhete, disso não duvido.




LINCOLN

O novo Spielberg. E eu digo isto com a melhor das intencionalidades. Por cada "Tintin" que me surpreende, há três ou quatro "War Horse" ou "Munich" que aí vêm. Em qual das categorias cai "Lincoln"? Pela conversa dos festivais, está no meio termo dos dois, uma espécie de "Amistad", que é quando considero que o Spielberg decidiu desistir de ser um cineasta sério, não sem antes coleccionar Óscares pelo medíocre "Saving Private Ryan". Já me convenci que o Steven não volta a fazer algo tão bom como "Schindler's List". Lá verei isto também, mas sem grande expectativa. Pode ser que goste - tem o Daniel Day-Lewis afinal.



END OF WATCH

As críticas desta película protagonizada por Jake Gylenhaal puseram-me em sobressalto, de tão boas que são. Particularmente considerando que tem pairado conversa de Óscares sobre o trabalho dele e de Michael Peña. Sinto-me interessado, contudo pouco mais que isso.



SMASHED

Aaron Paul. Mary Elizabeth Winstead. Um elenco secundário interessante (Octavia Spencer, Megan Mullally, Nick Offerman). Críticas de Sundance impecáveis. Color me curious.



CHILDREN OF SARAJEVO
LORE
OUR CHILDREN
A ROYAL AFFAIR

Contingente de filmes estrangeiros de segunda linha candidatos ao Óscar de Melhor Filme Estrangeiro. Nos quatro casos, as críticas prevêem coisas boas. O meu grau de entusiasmo em relação a eles varia, mas quero vê-los a todos. Até porque os últimos três, pelo menos, estão garantidos como melhores do ano em muitas listas - e como prováveis nomeados para os Óscares no próximo mês de Janeiro.






SAFETY NOT GUARANTEED
TAKE THIS WALTZ
KILLER JOE

Estão os três juntos porque vá, confesso, já os vi aos três. Recomendo vivamente todos eles, se bem que com reservas porque não são típicas comédias (no caso do primeiro), dramas (no caso do terceiro) e comédia-drama (no caso do segundo). Exigem um bocadinho de paciência. Todavia, são os três dos melhores filmes que vi nos últimos tempos.





A ver se acabo o resto da lista nos próximos dias. Agora vocês: quais destes filmes vos chamam à atenção?