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DIAL P FOR POPCORN

DIAL P FOR POPCORN

SNIPER AMERICANO, de Clint Eastwood

Cada tiro, cada melro, diz-se no nosso quintal.

 

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E na realidade assim era o lendário disparo de Chris Kyle (Bradley Cooper), um sniper cuja pontaria lhe valeu o estatuto de herói americano e que desgraçadamente acabou morto por um "tiro perdido" de um veterano de guerra a poucos metros de sua casa. Um final inglório. Um spoiler desnecessário, talvez. Mas preciso de vos poupar o tempo precioso que eu perdi a ver este filme feito de tiros, patriotismo, tiros, patriotismo, tiros, América!!!, tiros, América!!!, tiros, tiros, bombas, tiros, America!!!. Em boa verdade, perdi a minha paciência para películas que se vendem aos fetiches do público americano e que esperam com isso sustentar o seu sucesso. Infelizmente, assim se resume o filme de Clint Eastwood. A interpretação de Bradley Cooper é engraçada (o melhor aspecto do filme), mas estive longe de sentir a tensão que, por exemplo, Kathryn Bigelow consegue emprestar em filmes deste género. A história de Sniper Americano contava-se em meia dúzia de minutos. E é por isso que não me vai tomar mais do que meia dúzia de palavras.

O CINEMA NUMA CENA - O MEU FILME FAVORITO

É com prazer que recupero uma das mais antigas crónicas deste blogue, esquecida pelo tempo, pelo trabalho e (admito) pela preguiça. Tentarei recuperá-la, aos poucos, elevando-a ao estatuto que o interesse e o valor dos momentos que incorpora merecem.


Quantos mais anos passam, desde a primeira vez que vi o filme, mais deliciado me sinto. Um prazer que repito sempre que posso. Tenho um devoção enorme pelo ambiente duro, desumano, cruel e desafiante de um mundo western que ficou para sempre imortalizado por Sergio Leone, o maior mestre deste género de cinema. Sei que cheguei ao ponto mais alto do meu cinema. Já aqui falei sobre ele, é verdade, mas apetece repetir-me. Apetece-me porque estamos perante uma obra-prima, sem igual, sem comparação, de uma dimensão universal, que se eternizou e que hoje continua a ser dos mais dramáticos, intensos e inebriantes filmes de que há memória.




Quem viu The Good, The Bad and The Ugly e não se arrepiou com este grandioso final? Quem não viveu intensamente aquele segundo em que os três protagonistas desta epopeia finalmente se reúnem para definir um futuro que tão desesperadamente procuraram? Esta é uma das mais marcantes cenas da história da sétima arte, algo que não tem comparação e que é imutável. Filmado por um génio, um afortunado da realização, com planos estrategicamente criados para nos transportar para a dimensão dramática da cena, que nos prende, agarra e aprisiona até ao último segundo, o fatal, o decisivo, em que o bem combate o mal e a acção atinge o seu clímax. É um momento inesquecível de cinema. É delicioso. Uma cena que é suportada por um drama magistral, em interpretações, realização, fotografia, banda-sonora. É perfeito. Tudo neste filme é perfeito. Tudo neste filme é cinema. Tudo neste filme é arte, do melhor, do mais brilhante que o alguma vez Homem fez. Se nunca o viu, corra. Veja-o. Você merece.


ÚLTIMA HORA: Trailer de "J. EDGAR" de Clint Eastwood



Um dos filmes mais antecipados do ano - e tido como um dos principais candidatos às estatuetas douradas dos Óscares - recebeu há momentos o seu primeiro trailer. "J. Edgar", o novo filme de Clint Eastwood ("Mystic River", "Unforgiven", "Million Dollar Baby"), protagonizado por Leonardo DiCaprio, que interpreta J. Edgar Hoover, o director mais famoso da FBI, numa trama que narra os acontecimentos mais importantes da sua liderança do bureau. O filme conta ainda com outros grandes nomes no elenco, como Judi Dench, Naomi Watts, Armie Hammer, Josh Lucas, Ed Westwick, Stephen Root e Jeffrey Donovan e o seu argumento foi assinado por Dustin Lance Black (vencedor do Óscar de Melhor Argumento Original em 2008, por "Milk").

Apesar do filme não dar muitas pistas através do seu trailer, confesso que me deixou intrigado. Positivamente intrigado, algo que, tendo em conta a minha reacção em tempos recentes aos filmes de Clint Eastwood, é de fazer franzir o sobrolho. Parece desde logo que a forma como Eastwood vai explorar a relação de amor secreta entre Hoover (DiCaprio) e Tolson (Hammer) será de vital importância e realmente nota-se que DiCaprio poderá ter aqui o papel de uma vida; o mesmo digo de Armie Hammer, do qual pouco se vê nestes poucos minutos mas que aguça o apetite. Judi Dench - e não Naomi Watts, como adivinhávamos - é que dará, possivelmente, a interpretação secundária feminina de relevo, no papel da mãe de Hoover, Anna Marie. Finalmente, parece um filme feito para arrancar nomeações em várias categorias técnicas, das quais destaco obviamente a maquilhagem e a fotografia (de Tom Stern, nomeado para o Óscar em 2008 por "Changeling", do mesmo realizador).

Se pretenderem ver o trailer na melhor qualidade possível deixo-vos aqui o sítio oficial na Apple; para os mais preguiçosos a clicar em hiperligações, deixo-vos abaixo o trailer via Rope of Silicon:



"J. Edgar" estreia nos cinemas norte-americanos a 9 de Novembro. A sua distribuição está garantida em Portugal, com estreia a 26 de Janeiro de 2012.

Abaixo vos deixo algumas fotos via Entertainment Weekly e Just Jared:




DIRTY HARRY (1971)




"Now I know why they call him 'Dirty' Harry. He gets the shit end of the stick every time."


Harry Callahan
(Clint Eastwood) é inspector da polícia de São Francisco. Conhecido como "Dirty", devido não só à sua personalidade de durão, trato difícil, solitário e anti-social, mas também por consequência de todos os trabalhos arriscados que já conseguiu resolver, é um dos mais respeitados policiais da cidade. Dono de uma astúcia que descobre o crime independentemente do seu disfarce, é respeitado pelos colegas, invejado pelos superiores e temido pelos criminosos.


Neste que foi o primeiro de um conjunto de cinco filmes protagonizados por Clint Eastwood, o Detective Callahan é confrontado com um misterioso assassínio de uma jovem que se banhava na piscina do topo de um dos edifícios de São Francisco. Após uma investigação à área, Harry descobre um bilhete no qual o serial-killer, responsável pela morte da jovem, ameaçava com mais vítimas caso os seus desejos não fossem cumpridos.


Com um conjunto de sucessivos crimes e revira-voltas, Dirty Harry é aquilo que um thriller policial deve ser: misterioso, surpreendente, intrigante, com uma boa banda-sonora (que naturalmente "embala" o espectador) e com a dose de suspense e acção que contagiam quem acompanha a história. Dirty Harry é uma fórmula de sucesso para o grande público. Para ter sido repetida quatro vezes, é porque foi explorada até ao último cêntimo.


Nota Final:
B


Trailer:




Informação Adicional:
Realização: Don Siegel
Argumento:
Harry Julian Fink e Rita M. Fink
Ano:
1971
Duração:
102 minutos

RANGO (2011)



"No man can walk out of his own story."


Se está a pensar levar os seus filhos até ao cinema para ver Rango, não o faça! Rango, um intrigante lagarto animado, foi pensado e trabalhado para deliciar os graúdos. O facto de aparecer numa versão animada é uma pura artimanha de marketing que leva para o cinema crianças que ainda não estão preparadas para assimilar e compreender as ideias do filme.


Complexo? Não. Rango é uma metáfora sobre o aquecimento global, os problemas da escassez de água, da ganância e da procura desmedida de poder. E como é que um lagarto de pescoço torto e olhar curioso se transforma na estrela de um filme? Em boa verdade, Rango nasceu uma estrela, nasceu um lagarto do espectáculo e em tudo o que faz coloca uma carga dramática digna dos momentos mais solenes do cinema.


Despejado para o deserto, Rango percorre as áridas zonas do Wild West em busca de água. Desorientado, encontra por mero acaso Beans, uma corajosa jovem que, tal como Rango, procura água para o seu rancho. Esta transporta-o até à sua vila, Dirt, um inóspito e abandonado povoado, cuja existência se encontra comprometida devido à escassez de água.


Com o seu natural jeito para cativar o público, Rango rapidamente se transforma na estrela de Dirt. Um conjunto de meros e felizes acasos, transformam-no num herói, numa história que não procura mas que se constrói a partir das suas atitudes. Conseguirá Rango trazer de volta a água até Dirt? Estará Rango à altura de todos os desafios com os quais é confrontado?


Antes de terminar, não posso deixar de falar dos pormenores deliciosos no sotaque das personagens (a característica pronúncia dos ranchos e do oeste não foi esquecida), do requinte no design do filme, com todos os animais perfeitamente trabalhados e com um detalhe incrível, dos quatro mochos que narram a história ao som de música mexicana, da inesperada participação de Blondie (a personagem interpretada por Clint Eastwood em The Good The Bad and The Ugly), que aparece a Rango num momento de profundo Nirvana e cujos sábios conselhos iniciam uma marcante reviravolta em toda a história. São muitas as razões para ver Rango, garantidamente, um dos melhores produtos animados dos últimos anos.

Nota Final:
B



Trailer:





Informação Adicional:

Realização: Gore Verbinski
Argumento: John Logan
Ano: 2011
Duração: 107 minutos

HEREAFTER (2010)



Ver Hereafter foi um dos maiores sacrifícios cinematográficos que fiz em nome do blogue. É complicado falar-vos bem do que acabei de ver. Muito complicado, mesmo.

Clint Eastwood pôs a pata na poça. E enterrou-a tão fundo que J. Edgar, o seu próximo filme (previsto para 2012), tem obrigatoriamente que recuperar este grande realizador para o patamar que tanto merece e onde, por mérito próprio, conseguiu um confortável lugar. Eastwood é um dos mais regulares realizadores da actualidade. Mas, como errar é humano, Hereafter é a prova de que Clint Eastwood também se engana, também erra. E tem todo esse direito.


Hereafter é um filme sobre os medium e as experiências de quase-morte. George Lonegan (Matt Damon) é um operário, que após sofrer uma grave infecção na sua infância e depois de ter sido sujeito a uma longa cirurgia durante a qual diversas complicações obrigaram os médicos a reanimá-lo por inúmeras vezes, apercebe-se de uma invulgar capacidade de observar e conversar com as pessoas que já se encontram mortas. Esta comunicação privilegiada transporta-o para um sucesso inesperado e, após enriquecer com o seu "dom", decide largar tudo e viver uma pacata vida como operário fabril.


Marie Lelay
(Cécile De France), uma famosa jornalista francesa, encontra-se no meio de um tsunami numa paradisíaca ilha do pacífico. Depois de ser arrastada pelas águas é encontrada por dois locais que a tentam reanimar, com sucesso. Durante o período em que está morta, Marie vive uma experiência única e visita um espaço desconhecido. Meses mais tarde percebe que teve uma experiência de quase morte e decide então colocar a sua carreira em jogo e falar abertamente ao mundo, usando a sua elevada reputação, para dar a conhecer um mundo completamente obscuro para os comuns mortais.


Marcus e Jason são dois irmãos gémeos, cúmplices e unidos que, mesmo com uma mãe drogada, ausente e irresponsável, conseguem sobreviver e ser felizes no meio da infeliz desgraça à qual foram parar. Subitamente, Jason (o mais velho e responsável dos dois irmãos) morre vítima de uma atropelamento. Sozinho no mundo, Marcus procura o seu irmão. Procura uma mensagem, procura um modo de tentar encontrar Jason.


E pronto, Hereafter é um filme sem nexo nenhum. Três histórias, bastante desinteressantes, que no meio de um conjunto de acasos mal arranjados, acabam por se encontrar. Desde bem cedo se percebe qual o propósito do filme. Clint Eastwood não precisava era de duas horas para chegar lá. Dois minutos bastavam.


Nota Final:
D


Trailer:



Informação Adicional:
Realização: Clint Eastwood
Argumento: Peter Morgan
Ano: 2010
Duração: 129 minutos

THE GOOD, THE BAD, THE UGLY (1966)


É sempre dificil resumir em poucas palavras o nosso filme favorito. The Good, The Bad and The Ugly, filme que estreou em 1966, é sem dúvida o grande filme da minha vida.
É a obra-prima de Sergio Leone, um dos melhores (senão mesmo o melhor), realizadores de filmes Western, que tem no currículo outros bons filmes como o caso de A fistful of Dollars, For a few dollars more e ainda Once Upon a Time in the West.


The Good, The Bad and The Ugly conta a história deste três cowboys representados na fotografia e que passo a apresentar: O Bom (Clint Eastwood), o Vilão (Eli Wallach) e o Mau (Lee Van Cleef).
Embora o filme esteja envolvido por um conjunto de histórias paralelas que lhe dão consistência, tem como ideia principal a procura de um tesouro escondido que os leva a uma verdadeira cruzada (recheada de contra-tempos) pelo West. Não querendo mais uma vez adiantar-vos muito sobre o filme, quero apenas criar em vocês o apetite e o interesse para se sentarem e verem este filme. São 171 minutos de entretenimento e acção muitos constantes, mas com duas cenas que sobressaem no filme: O final (um clímax de cerca de 5 minutos que nos prende e quase nos faz saltar para o ecrã) e a Cena do Tiroteio (tal e qual acontecia no West, mas acompanhada da banda-sonora que a engrandece!)


Acho ainda importante realçar-vos a banda-sonora deste filme, que ficou sem dúvida para a história! Uma melodia muito simples mas incrivelmente acertada para a situação do filme. Indescritível! Assim que o filme começa somos abraçados pelo som desta música que nos contagia e nos transporta ao longo do filme. A música da cena final é também ela muito boa.

Quanto a interpretações, embora Clint Eastwood esteja na maior pinta da sua carreira e seja o bonitão de serviço, tenho obrigatoriamente que destacar Eli Wallach que soube aproveitar muito bem as potencialidades da sua personagem (controversa)e se apresenta neste filme com uma interpretação soberba!

Nota Final: A+++


Trailer: Infelizmente quase todos os trailers que estão no youtube são trailers com falhas. Este aqui é um trailer pequeno mas que vos dará uma boa ideia daquilo que é a acção e a banda-sonora deste filme.




Espero sinceramente ter-vos cativado para verem este GRANDE filme, que embora seja desconhecido, vale a pena conhecer!


Informações Adicionais:
Realização: Sergeo Leone
Produção: Alberto Grimaldi
Argumento: Sergeo Leone e Luciano Vicenzoni
Duração: 171 minutos
Ano: 1966