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DIAL P FOR POPCORN

DIAL P FOR POPCORN

SINGIN' IN THE RAIN (1952)



Nunca consigo explicar muito bem o que SINGIN' IN THE RAIN me faz sentir quando o vejo. Longe de ser um filme perfeito, a obra-prima de Donen e Kelly é, mesmo nos dias de hoje, tão infecciosamente alegre e excitante como era há sessenta anos atrás. É uma experiência única e poderosa e uma que, mesmo depois de várias visualizações, nunca perde magia - o puro sentimento de felicidade está sempre lá. Não há dúvidas sobre a razão pela qual este filme é largamente considerado o maior musical de sempre e está na grande maioria das listas de filmes mais amados do cinema. É assim tão bom.


SINGIN' IN THE RAIN é um dos meus filmes favoritos para me recuperar depois de um dia exaustivo ou num dia em que esteja mais melancólico ou aborrecido. Nunca me deixa de espantar o quão simplista, divertido, feliz e refrescante é este filme e sempre que o vejo acabo por cantar e trautear as suas canções por horas a fio, desde a clássica "Singin' in the Rain" à mais animada "Good Morning" ou a ridícula "Moses Supposes" (não esquecer o incrível número de comédia física e improviso que O'Connor protagoniza - "Make'em Laugh" - numa classe própria de excelência).


Apesar de leve e confortável, SINGIN' IN THE RAIN é um produto muito original, colorido, enérgico e brilhante. A maioria da minha confessa admiração vai para os três protagonistas - o estonteante Gene Kelly,  o irreal Donald O'Connor e a formidável Debbie Reynolds, na altura com apenas de 19 anos mas a aguentar-se com classe frente a dois gigantes da indústria (a miúda canta, dança e representa como poucos).  Eles cantam e dançam e dão um espectáculo extraordinário - algumas daquelas coreografias são demasiado fantásticas, ainda para mais em 1952 e sem duplos - e fazem-no parecer tão fácil e simples. Jean Hagen completa o sensacional elenco da película com a sua Lina Lamont (nomeada ao Óscar) e apesar desta personagem ser um pouco unidimensional (ela não consegue dançar, não consegue cantar, não consegue representar e ainda por cima é uma daquelas estrelas arrogantes e insuportáveis e idiotas), Hagen envolve-a em muito mais numa performance bastante inspirada. O resto parte de uma história incrivelmente modesta mas muito inteligente sobre pessoas que fazem filmes e o seu imenso amor e orgulho em fazê-lo, mesmo que isso signifique abdicar de velha glória e adaptar-se para pertencer a uma nova era numa indústria sempre em evolução e que vinha-se apercebendo do potencial do som no cinema. É no fundo uma celebração bem humorada e jubilante deste famoso período de transição em Hollywood - que acaba por usar música para provar o seu ponto de vista que a arte - e as pessoas que a produzem - precisam de evoluir. 







Nota:
A

Informação Adicional:
Realização: Stanley Donen, Gene Kelly
Argumento: Adolph Green, Betty Comden
Elenco: Gene Kelly, Donald O'Connor, Debbie Reynolds, Jean Hagen, Millard Mitchell
Música: Lennie Hayton
Fotografia: Harold Rosson
Ano: 1952

Best Shot: Singin' in the Rain


This brief article is part of the weekly series at Nathaniel Rogers' quintessential movie site "The Film Experience", titled "Hit Me With Your Best Shot" (link here to previous entries)

As you know, we've been participating for quite some time. This week, we are focusing on one of my all-time favorites: Donen and Kelly's SINGIN' IN THE RAIN.




I can never explain quite well what watching SINGIN' IN THE RAIN makes me feel. Far from a perfect movie, the Donen/Kelly masterpiece is still as joyous and exciting as it was sixty years ago. It's a unique and powerful experience, and one that even through repeated viewings, never loses its thrill, its emotion, its happiness - the sheer joy is always there. Always. It's no wonder why this movie is considered to be the best musical of all time and is on almost everyone's all-time most beloved movies.


SINGIN' IN THE RAIN is one of my go-to movies when I'm having a bad day or when I'm sad or bored. It never ceases to amaze me how wonderfully simplistic, fun, cheerful and refreshing that movie is, and after watching it I always end up singing its songs for the next two hours, from the classic "Singin' in the Rain" to the more amusing "Good Morning" or the silly "Moses Supposes" (let's not forget the incredible, physically-demanding O'Connor number "Make'em Laugh", which is awesome too).


Despite being lighthearted, SINGIN' IN THE RAIN is a very original product, colourful, energetic and brilliant in its bright, merry way. Most of my admiration goes to its three leads - the dazzling Gene Kelly, the fantastic Donald O'Connor and the formidable Debbie Reynolds, at the time only 19 but more than holding her own against two industry powerhouses (the little girl sings, dances and acts her socks off). They sing and dance (in spectacular fashion, I might add - some of those choreographies are too good to be true, even for 1952!) to make it look so effortless and easy... Oscar-nominated Jean Hagen's Lina Lamont completes the core cast of the movie and although her performance is kind of a one-note joke (she can't act, she can't sing, she can't dance, she's somewhat dim and annoying), it's still a very inspired take on the dumb blonde type. The rest comes from a deceptively simple but clever story about people making movies and their immense love and pride in doing what they do, even if that means having to adapt to fit the new age of an industry always developing and now starting to realise the potential of sound in film (noticing some similarities with 2012's Best Picture winner "The Artist"? Well you should; it's one of the movies that inspired it). It's a good-humored celebration of this famous transition period in Hollywood that happens to use songs to prove its point that art - and people doing it - must evolve, all the while having a blast while doing it.

As for my best shot?




Well, before I even watched the movie again to write this article I knew I'd be picking this one. It's in the final scene of the movie, when Don (Kelly) ingeniously turns the tables on Lina (Hagen) and rushes to announce Kathy (Reynolds) - who's running down the aisle crying - as the real performer. It's one of the most romantic moments in the movies and that close-up on Reynolds' face seals the deal - it gives me goosebumps, it makes me swoon, it makes me teary eyed and gooey all inside. I know it's a little bit sentimental but this truly heartwarming finale - for an already sensational movie - is just what was needed to leave the movie - and you - on a high note for the rest of the day. It's pure magic that never fails. It's just... perfect.

REALIZADORES: THE SEVENTH SEAL (1957)

O Dial P for Popcorn inicia hoje mais uma crónica mensal! Uma crónica diferente e especial, que terá duas edições mensais, uma escrita por mim e outra escrita pelo Jorge e onde nos dedicaremos a analisar os melhores filmes daqueles que foram e são os grandes realizadores da história do cinema. A nossa vontade é explorar com alguma profundidade as carreiras marcantes do grandes mestres que deixaram a sua marca na sétima arte, analisar os seus momentos mais altos e divulgá-los aqui no blogue. Realizadores, a nova crónica do Dial P for Popcorn junta-se assim às já habituais crónicas do British TV, A Morte da 7.ª Arte e Personagens do Cinema.




"Faith is a torment. It is like loving someone who is out there in the darkness but never appears, no matter how loudly you call."


Começamos por Ingmar Bergman. Confesso-vos que esperei alguns anos para ver um filme seu. Sentia que ainda não estava preparado. Sentia que devia amadurecer, conhecer mais cinema, conhecer mais ideias para depois enfrentar este monstro que se chama Bergman e que fez algumas das obras mais singulares e marcantes da sétima arte. Ontem atrevi-me. Atrevi-me e fiquei arrebatado. Era fácil chegar aqui e dizer-vos que Bergman é genial, brilhante, ímpar e completamente distinto. Era fácil dizer-vos que o filme é fantástico, incrivelmente cativante e emotivo e que este é um dos filmes que vou juntar aos melhores da minha vida.


Fácil era dizer-vos isto, complicado é explicar-vos o que se passa em The Seventh Seal que me deixou fixado ao ecrã durante hora e meia. Começo pelo princípio. Antonius Block (Max von Sydow) é um cavaleiro que, em pleno século XIV, regressa à sua terra natal. Encontra uma Suécia totalmente distinta daquela que deixou dez anos antes quando decidiu partir, juntamente com o seu escudeiro, para as cruzadas do sul da Europa. A Suécia do século XIV é um país consumido pela peste negra, entregue de uma forma fervorosa à religião e ao perdão de Deus, em que cidadãos excomungam e ostracizam os doentes e os pagãos são barbaramente condenados pelo exército e pela Igreja.


É quando ainda digere o choque desta realidade, que Antonius conhece a Morte (Bengt Ekerot personifica um assassino frio, calculista, que retira um imenso prazer da dor e da destruição que provoca - É cinema!), que lhe comunica que chegou a sua hora de partir. Surpreendido, Antonius convida a Morte para uma partida de xadrez, onde ambos jogarão a sua vida. Esta é uma partida longa, que se faz a espaços durante todo o filme, onde o espectador percebe como esta situação cruel e asfixiante é altamente prazerosa para uma Morte que é negra, sádica e fria.


Um filme forte, duro e pesado, onde Bergman explora de uma forma brilhante o ambiente medieval de uma Suécia em luta pela sobrevivência, onde o som e as imagens de uma civilização magoada nos petrificam. Bergman era um génio e este filme explica-nos o porquê. A forma como discute Deus, a Morte, o significado da existência humana, prova-o. São raríssimos aqueles que têm a capacidade de pensar desta forma. E destes, são ainda mais raros aqueles que conseguem fazer Cinema. Bergman é o nosso primeiro Realizador.


Nota Final:A+


Trailer:





Informação Adicional:

Realização:
Ingmar Bergman
Argumento:
Ingmar Bergman
Ano
: 1957
Duração: 96 minutos

Grandes Divas do Ecrã



"I'm loud and I'm vulgar, and I wear the pants in the house because somebody's got to, but I am not a monster. I'm not."

"You make me puke."


Martha (Elizabeth Taylor), "Who's Afraid of Virginia Woolf?" (1966)


Estou a dever esta publicação a Elizabeth Taylor desde Março, desde o dia em que este mundo ficou infinitamente mais pobre por perdê-la. Taylor é, ainda hoje, a definição de estrela de cinema. Ousada, ambiciosa, belíssima, com uma vida pessoal a rivalizar com uma história ficcional, criticada por uns, amada por outros, admirada mundialmente como pessoa e como actriz. Vencedora de dois Óscares, um deles por esta interpretação,  Elizabeth Taylor é, simplesmente, uma das maiores criações que Deus alguma vez fez pisar a Terra. 

A rubrica "Grandes Divas do Ecrã" arruma assim a sua primeira temporada. Não sei se a traga de volta daqui a algum tempo, se a remodele, se arranje nova rubrica dentro do género. Questões a repensar para a rentrée, sem dúvida. Aceitam-se sugestões para renovações e para novas rubricas.

DAS BOOT (1981)




Um daqueles filmes que se tornam épicos, inesquecíveis, memoráveis e eternos. Este é daqueles filmes sobre o qual se fala hoje com o mesmo entusiasmo de há 10 anos atrás. Uma das obras mais portentosas e magníficas sobre a Segunda Guerra Mundial (um tema que eu adoro e que, penso, é praticamente inesgotável) e a difícil luta dos marinheiros que combateram em submarinos. Pessoalmente, a vida num submarino transcende-me. Não me sinto capaz de imaginar o enorme sofrimento e ansiedade passados durante tantas horas, num local tão apertado e claustrofóbico, rodeado de toneladas de água sob a constante ameaça de navios poderosos e com artilharia suficiente para, a qualquer momento, ditar o fim das vidas de tantos homens.


Neste filme, sobressaem três personagens de vital importância. O Comandante Henrich Lehmann-Willenbrock (Jürgen Prochnow) é o homem mais experiente a bordo, habituado à vida do mar, dos submarinos e das lutas entre nações. É ele que coordena um conjunto de jovens ambiciosos, que lutam pela pátria e que partem numa aventura para a qual não foram preparados e que desconhecem por completo. À habitual tripulação, junta-se o Tenente Werner (Herbert Grönemeyer), um jovem jornalista (correspondente de guerra), que viaja com o objectivo de criar um romance histórico baseado na viagem do submarino 96. Por último, uma personagem cuja força e presença vão crescendo com o passar do filme e que se transforma num inesperado herói nos momentos mais críticos de todo o filme: O Engenheiro Fritz Grade (Klaus Wennemann) a quem é entregue a responsabilidade de corrigir os diversos problemas que o submarino vai sofrendo e que combate toda e qualquer adversidade com bravura, calma e firmeza. É a ele que todos os homens devem a sobrevivência de uma jornada tão longa e tão perigosa.


Com a tradução para o português de Odisseia do Submarino 96, Das Boot (na versão Director's Cut que eu tive oportunidade de ver) é realmente uma obra de arte marcante. É um dos grandes filmes de guerra que o espectador pode ver, mesmo que para isso tenha que disponibilizar quase 200 minutos do seu tempo. Vale todos esses minutos. Das Boot é um filme longo e demorado, pois tudo é pensado ao pormenor e nada é tratado ao desbarato. O seu suspense é cortante e aumenta de forma dramática nos seus momentos finais. Uma obra onde se nota um trabalho de produção e edição excelentes, que transmite com bastante veracidade as adversidades e o terror de uma batalha dentro dos oceanos.

Nota Final:
A



Trailer:





Informação Adicional:
Realização:
Wolfgang Petersen
Argumento: Wolfgang Petersen e Lothar G. Buchheim
Ano: 1981
Duração: 199 minutos

WEST SIDE STORY (1961)

"All the world is only you and me."

Por várias vezes, a sétima arte declarou a morte do seu género mais rico e mais prestigiante, o musical. Depois de "Wizard of Oz" ter encantado milhões e "Singin' in the Rain" nos ter dado vontade de sair à rua e cantar enquanto gotas frias de chuva nos caem em cima, alguns falhanços de bilheteira como "Oklahoma!" ou "South Pacific" ou mesmo os cintilantes "A Star is Born" de Cukor e "Gigi" de Minnelli - hoje em dia considerados dos melhores musicais de sempre, galardoados com várias nomeações pela Academia mas ignorados na altura pelo grande público - puseram em causa o quanto o público ainda apreciava um grande espectáculo de luz, cor, música e dança. O que o cinema musical precisava, então, era de um enorme êxito cuja ressonância junto do público faria os estúdios acreditar de novo no poder da música. E eis que é assim que surge o famoso e muito premiado (vencedor de dez Óscares da Academia, só atrás de "Return of the King", "Titanic" e "Ben Hur" que ganharam onze) "WEST SIDE STORY", que pega nos conceitos básicos do romance "Romeu e Julieta" de William Shakespeare e cria uma história para recordar todo o sempre e um dos pares românticos mais inesquecíveis de todos os tempos, Tony e Maria.


Com uma energética e dinâmica Nova Iorque nos anos 50 como pano de fundo, "WEST SIDE STORY" foca-se na relação tempestuosa entre dois gangues rivais: os Jets, compostos por descendentes dos imigrantes europeus que se estabeleceram na América no início do século, liderados por Riff (Russ Tamblyn) e os Sharks, recém-chegados porto-riquenhos em busca do sonho americano, liderados por Bernardo (George Chakiris). O filme transforma assim a disputa de duas famílias rivais numa luta entre duas classes sociais distintas, revolucionando a narrativa em termos da sua mensagem, abordando tópicos como o roubo, a delinquência juvenil, a xenofobia e o racismo e conferindo-lhe um estilo muito próprio, bem diferente do romance trágico de Shakespeare, embora conservando os seus fios narrativos essenciais - e adicionando-lhe um toque bem refrescante e inovador, transmitindo as suas ideias sob a forma de música e dança.


No meio da disputa entre os dois gangues encontram-se Tony (Richard Beymer), o melhor amigo de Riff, que apesar de ter abandonado os Jets e decidido procurar trabalho e subir na vida, vê-se envolvido na confusão a pedido de Riff, que põe em questão a sua amizade, e Maria (Natalie Wood), irmã de Bernardo, trazida há bem pouco tempo para a América para poder desposar Chino, o braço-direito de Bernardo, contrariando a vontade de Maria e da sua namorada Anita (Rita Moreno), amiga e confidente de Maria. A falta de química dos dois protagonistas seria, à partida, essencial para o sucesso da história (e atenção que eu sou um enorme fã de Natalie Wood, por isso custa imenso estar a criticá-la); todavia, o espírito e a graça de Rita Moreno e o estilo e irreverência de Russ Tamblyn e George Chakiris convencem-nos a ignorar essa grande fraqueza e a apreciar outros factores que ajudam, no fim de contas, o filme a capturar na perfeição a ingenuidade e a despreocupação da juventude.

 
Apesar da visão ambiciosa por detrás do filme e do grande potencial que tinha, o resultado final peca em defeito. O diálogo sofre de clara falta de inspiração e talento de escrita, servindo apenas como guideline e intermissão entre momentos de música e dança, mas funciona perfeitamente para o propósito do filme (como conseguiu ser nomeado para Melhor Argumento Adaptado eu nunca hei-de saber). Como que a compensar, as cenas musicais, tão igualmente elogiadas (pela crítica) e criticadas (pelos actores, que viram as cenas ser repetidas vezes sem conta pelo realizador Jerome Robbins, que no seu perfeccionismo acabou por ser despedido por ultrapassar o orçamento), são de absoluto encanto e charme. Se "Tonight" e "I Feel Pretty" fazem hoje parte do nosso imaginário (as gerações mais novas reconhecerão estas músicas seguramente pelas suas adaptações na série televisiva "Glee"), "America", "Cool", "Prologue" e "Something's Comin'" são, para mim, os três números musicais definidores do ambiente do filme, a tresandar de paixão, de alma, de fogo e de alegria. As vozes que Marni Nixon e Jimmy Bryant "emprestam" a Natalie Wood e Richard Beymer fazem maravilhas em "Tonight", é certo, mas é a exuberância e a energia de Rita Moreno e George Chakiris em "America" que fazem deste filme tão especial. Curiosamente, as quatro músicas que preferi destacar são as quatro coreografias que Jerome Robbins completou antes de abandonar o filme. São hilariantes, excitantes e fortíssimas, geniais no seu conceito e execução, de facto. Às músicas mencionadas junto ainda a brilhante sátira feita à idiotice e inércia das forças policiais em "Gee, Officer Krupke". Stephen Sondheim e Leonard Bernstein são, sem dúvida, dois dos maiores compositores de sempre.


Merecido vencedor, em 1962, dos Óscares de Melhor Filme, Melhor Realizador (a primeira de apenas duas vezes que uma parceria de realizadores venceria o prémio; os outros foram os irmãos Coen em 2007), Melhor Actor Secundário (Chakiris) e Melhor Actriz Secundária (Moreno), Melhor Banda Sonora, Melhor Fotografia, Melhor Direcção Artística, Melhor Guarda-Roupa, Melhor Edição e Melhor Som, "WEST SIDE STORY" é uma experiência absolutamente inesquecível e indescritível, repleto de momentos musicais arrebatadores e cenas de dança de cortar a respiração, com uma conclusão agridoce que é, contudo, bastante realista (talvez o meu principal problema com o filme, o facilitismo com que chega a empurrar a sua mensagem para o centro da narrativa, perdendo assim o final do filme - quase - toda a sua potência): com o coração cheio de ódio não se vai a lado nenhum. Gostava que o filme tivesse sido mais risqué e menos politicamente correcto e fã do final feliz. Ainda assim, constitui um feito notável e uma das maiores produções de sempre do cinema americano, uma que tem lugar em qualquer lista dos melhores filmes de sempre. Como musical, nunca desaponta. Como filme... Depende do que se pretender retirar dele.


Nota:
A-

Ficha Técnica:
Realização: Jerome Robbins, Robert Wise
Argumento: Jerome Robbins, Arthur Laurents, Ernest Lehman
Elenco: Natalie Wood (voz: Marni Nixon), Richard Beymer, Rita Moreno, George Chakiris, Russ Tamblyn, William Bramley, Ned Glass
Música: Leonard Bernstein, Irwin Kostal
Fotografia: Daniel L. Fapp
Ano: 1961

THE MALTESE FALCON (1941)



Humphrey Bogart era um daqueles para quem a tela de cinema era demasiado pequena para tanta qualidade. Era daqueles que, sozinho, fazia o filme. Era daqueles que enchia o ecrã. Tudo porque era fantástico e porque a sua qualidade está à vista em praticamente todos os filmes em que entrou. Casablanca deve-lhe uma fatia do seu sucesso. E Maltese Falcon deve-lho todo. Sem Bogart, este seria mais um filme interessante do início da década de 40, com algumas ideias originais e momentos agradáveis. Bogart deu-lhe o toque de arte que só está ao nível de uma meia dúzia de predestinados, que nasceram para ser lendários.


Samuel Spade (Humphrey Bogart) reparte com Miles Archer uma sociedade de detectives com sucesso em alguns dos mais mediáticos casos de San Francisco. Quando contratados por Brigid O'Shaughnessy (Mary Astor), Archer é assassinado e Floyd Thursby, o homem que este investigava, aparece morto. De imediato, Spade é acusado da morte do seu colega devido aos rumores de um suposto envolvimento com Iva Archer. Na tentativa de refutar todas acusações, Spade procura Brigid e aos poucos começa a montar o puzzle da morte do seu companheiro.


Esta explica-lhe que estava em San Francisco com o seu companheiro, Floyd Thursby, e que ambos procuravam um dos mais desejados tesouros da antiguidade: O lendário falcão maltês feito de jóias valiosíssimas e ouro, oferecido pelos Cruzados ao Imperador Romano, como retribuição pela sua generosa oferta das terras de Malta. É aí que Spade é contactado por Joel Cairo, um misterioso homem que o persegue e ameaça com a necessidade de encontrar o tão desejado Falcão, a grande obcessão do seu poderoso chefe, Kasper Gutman, que há muitos anos procura a valiosa estatueta.


Numa luta contra o tempo, contra a polícia e contra o poderoso submundo do contrabando de mercadorias, Spade faz uso do seu charme e da sua capacidade de argumentação, para ludibriar aqueles que o confrontam. E é tão bom no que faz, que consegue escapar a tentativas de homicídio e ameaças de prisão, acabando por resolver um caso que à partida parecida perdido. E toda esta engenhosa personagem é embelezada, engrandecida e imortalizada por uma habilidade natural única na arte de representar. Humphrey Bogart é muito grande em The Maltese Falcon.


Nota Final:
B+


Trailer:





Informação Adicional:
Realização: John Huston
Argumento:
John Huston
Ano:
1941
Duração:
100 minutos

CHINATOWN (1974)


"You've got a nasty reputation, Mr. Gittes. I like that."


Um dos mais emblemáticos filmes de Roman Polanski, que retrata uma misteriosa conspiração sobre o assassinato do engenheiro Hollis Mulwray (Darrell Zwerling), responsável pela construção de uma barragem que levou à seca da cidade de Los Angeles e que se encontrava em guerras intermináveis em tribunais contra agricultores, empresários e restantes habitantes. Um homem popular na cidade, controverso mas cuja reputação e capacidades eram amplamente reconhecidas.


Mas tudo começa quando o detective J. J. Gittes (Jack Nicholson) é contratado por Ida Sessions (Diane Ladd), que se faz passar por mulher de Mulwray, e que lhe pede para que descubra se o seu marido a está a enganar com outra mulher.

Ao iniciar a sua investigação, Gittes percebe que Mulwray é um homem misterioso, solitário e peculiar. Viaja por Los Angeles e perde-se junto à beira-mar, ficando horas parado a admirar a água. Este estranho comportamento não passa despercebido ao prespicaz Gittes que rapidamente se intriga por tal personagem. Como profissional de renome, rapidamente consegue descobrir o affair do engenheiro e termina o trabalho para o qual foi contratado.


É quando toda a história, por ele investigada, vai parar ao jornal da cidade que Gittes conhece a verdadeira Evelyn Mulwray (Faye Dunaway), uma mulher magoada com o seu comportamento deselegante (completamente alheio a Gittes, que por essa altura ainda tenta perceber como a sua informação havia parado na primeira página do jornal), que toda a história ganha os contornos de conspiração e mistério que a sustentam e a transformam num filme tão emocionante.

Poucos dias depois da notícia ser publicada, Hollis Mulwray aparece morto junto à barragem que construiu. Considerado pela polícia como um caso simples de suicídio, para Gittes toda a situação é, aos seus olhos, demasiado estranha para ser tão linear. Inicia então uma investigação, a mando de Evelyn Mulwray, e rapidamente começa a desfiar o enorme e complexo novelo que envolve a morte do engenheiro. Porque apareceu água salgada nos pulmões de Hollis Mulwray? Quem é Noah Cross, sócio de Mulwray e pai de Evelyn, e qual o seu interesse em descobrir a amante de Hollis?


Com o meu actor favorito de todos os tempos, Chinatown é, com perfeita naturalidade, um dos grandes clássicos do cinema. Jack Nicholson não sabe estar mal, e é uma pena que um dia o cinema tenha que sobreviver sem ele.


Nota Final:
A-

Trailer:




Informação Adicional:
Realização: Roman Polanski
Argumento: Robert Towne
Ano: 1974
Duração:
130 minutos

THE TREE OF LIFE (2011)



"Father. Mother. Always you two wrestling inside me."


Como explicar a alguém o que é a vida e o que é a morte? Como entender qual o nosso papel aqui na Terra, como encontrar qual o significado da nossa existência? Como definir o bem e o mal, o corpóreo e o espiritual, o princípio e o fim? Estas são perguntas óbvias que qualquer um de nós, em certos momentos da vida, procura incessantemente responder. Uns viram-se para a religião, outros crêem no poder do destino, outros preferem acreditar em acasos. Uns pensam teimosa e repetidamente nestes assuntos, quase obcecando neles; outros optam por esquecer quando estes vêm à baila. E temos outros, como Terrence Malick (e Stanley Kubrick, antes dele) que se propõem a compreendê-los, a simplificá-los e desmistificá-los e, o que é acima de tudo mais impressionante, a filmá-los.


THE TREE OF LIFE é um filme bastante especial. Não é para ser compreendido, percebido ou definido em apenas uma visualização de duas horas. Não é seu objectivo propôr uma teoria ou significado sobre nada. É um filme para ser absorvido e apreciado a longo-prazo e, se tivermos para aí virados, analisado, pensado e teorizado. O tempo dirá se estamos perante uma obra de puro pretensiosismo intelectual e existencial ou se de facto temos perante nós uma obra-prima cujo valor analítico da nossa Humanidade e do nosso papel enquanto filhos do Homem é inestimável. A sua intenção pauta-se por mostrar - algo que é particularmente comum a todas as películas de Malick, mesmo que não no mesmo grau - o quão transcendente e único é o dom da Vida que nos é dado e quais os caminhos e circunstâncias que nos levam, cada um, a percorrê-la de forma diferente. Malick busca, basicamente, o impossível: aliar o filosófico poema existencial que funciona como força motriz do (escasso) fio narrativo ao magnânime pano de fundo visual que nos assombra e inspira ao mesmo tempo. E ele sucede nesse propósito, o que é de facto extraordinário.


A riqueza visual de Terrence Malick, um realizador na plenitude das suas capacidades e indubitavelmente na melhor forma da sua carreira, encontra um digno colaborador em Emmanuel Lubezki, que não se intimida com a tarefa gigantesca que Malick lhe propõe e constrói um retrato visual de meter inveja a muitas pinturas - poderosa, vibrante, observadora e perceptiva e ao mesmo tempo desafiadora e temerária, a fotografia de Lubezski é simplesmente sensacional e é muito por culpa dele que o filme resulta tão bem. Imagem atrás de imagem perfeitamente desenhada e escolhida, momento atrás de momento tão imaculadamente enquadrado e explorado, o requinte que cada segundo do filme nos proporciona não tem par com a vasta maioria dos filmes da actualidade. 


A narrativa principia com um versículo do livro de Job ("Onde estavam vocês quando eu ergui os pilares da Terra?") e, tendo por base a história de uma família texana dos anos 50 e focando-se particularmente no crescimento do filho mais velho, Jack O'Brien (interpretado na sua fase jovem pelo excelente Hunter McCracken, a verdadeira surpresa do filme, em cujos olhos reside muita mais sabedoria e experiência que a sua tenra idade indicaria e, numa fase mais avançada da vida, por Sean Penn) vai avançando o enredo através de muito pouco diálogo, a maioria deste como que segredado, contendo na sua essência diversas verdades indesmentíveis, difíceis de ouvir mas absolutamente reais. A peça fulcral da narrativa da família é a curiosa e facilmente estabelecível dicotomia entre a mãe e o pai, a luz e as trevas, o bem e o mal, o sagrado e o humano. A mãe, Mrs. O'Brien (Jessica Chastain), acredita no bem de todos os entes e que uma vida pautada pela graça, bondade, amor, compaixão e adoração da natureza tem mais valor. O pai, Mr. O'Brien (um brilhante Brad Pitt, numa das melhores e mais introspectivas interpretações da carreira), crê mais na tenacidade, no orgulho e na fibra moral, qualidades necessárias num mundo em que "se és demasiado bom, as pessoas vão abusar de ti". Cada um educa os filhos à sua maneira e é dessa forma que o filme os apresenta a nós, como duas forças inspiradoras diferentes e, claro, que originam acções e reacções completamente distintas no seu primogénito, que não consegue discernir o mundo sem ter em conta as duas filosofias.


Ao seu centro surge uma brilhante e transcendente sequência de imagens a nível astronómico e depois biológico e até microscópico (na qual nem vale a pena entrar em mais detalhes), em que Malick nos mostra como a vida na Terra teve início, do cosmos à célula. De nos deixar boquiabertos mesmo que nem sempre consigamos ter certeza do que estamos a observar, a sublime e portentosa força que vem de cada retrato é suficiente para nos deslumbrar. O aparecimento dos dinossauros, bem como o cataclismo que lhes trouxe o fim, funciona como lembrança que todos os seres vivos neste planeta - mesmo o Homem - têm uma presença finita e um ciclo de vida a cumprir. O nascimento do primogénito da família, a cena que se segue, vem nessa mesma linha de pensamento: Malick entende que cada nascimento, cada infância, cada vida incorpora em si mesma uma história única de criação e, invariavelmente, uma conclusão.
 
O retorno aos efeitos especiais dá-se de novo no fim, quando voltamos finalmente ao personagem de Sean Penn, o qual é visto, na cena final, a ser recebido pela sua família, tal e qual como os lembrava quando era criança, quando a sua alma era pura e a sua existência não estava manchada pela sua Humanidade e, juntos, a caminharem ao longo de uma praia solarenga, numa referência indirecta (considero eu) ao seu reencontro espiritual, como almas em direcção a um Céu onde não há espaço nem tempo, onde existe um continuum e para onde todos iremos, assim, no fim da nossa vida terrena. A última cena, em que retornamos ao presente na Terra, abandona-nos com mil e uma ideias novas na cabeça mas sem nenhuma resposta concreta. Ao contrário do que muitos pseudointelectuais pretensiosos e bacocos (que, infelizmente, na nossa blogosfera há muitos, que pensam que são melhores que os outros só porque na cabeça deles vêem filmes que os outros não vêem e percebem melhor os filmes que os outros) na sua forma de ver o cinema pensam - que aquilo que eles chamam de "selectividade" eu chamo de "necessidade de se sentirem superiores"; mas adiante - Malick não estraga o final do filme a tentar compor um argumento incongruente e secante. É no abstracto que ele nos deixa e ainda bem - o filme é suposto levar-nos a tirar as nossas próprias conclusões e a relação com a religião é suposto ser uma mera provocação de um grande autor.



No final, o que fica é o que pretendermos retirar da história. Um inolvidável - e magnificamente ilustrado - hino à história da Criação, à dicotomia entre a Vida e a Morte e à procura do sentido da nossa existência, é no mistério que afinal reside o grande poder deste conto: esta força que nos move, que nos traz à Terra e que dela nos leva, que nunca ninguém conseguiu explicar - e nunca ninguém irá provavelmente explicar - de que se trata ou porque funciona desta forma. O mistério é, no fim de contas, a sua própria solução e o legado de Malick aqui é apenas pôr à prova a nossa subjectividade e a nossa enigmática insistência de tentar compreender o mundo em nosso redor. A melhor sugestão que o filme me dá mesmo é, afinal, apreciar esta gloriosa e épica jornada a que chamamos vida, porque de tão efémera que ela é, se não a aproveitarmos, um dia quando repararmos ela escapa-se das nossas mãos para todo o sempre.



Nota Final:
B+


Informação Adicional:
Realização: Terrence Malick
Elenco: Jessica Chastain, Brad Pitt, Sean Penn, Fiona Shaw, Hunter McCracken, Tye Sheridan, Laramie Eppler
Fotografia: Emmanuel Lubezki
Banda Sonora: Alexandre Desplat
Ano: 2011

Trailer:







N.B: Se acharem que a música incomoda, eu retiro-a.

JANE EYRE (2011)


"You're a full human being."

Numa altura em que tanto se fala pelos lados de Cannes em candidatos precoces à cerimónia dos Óscares de 2012, passou de mansinho cá por Portugal o primeiro legítimo candidato a essa mesma época. Depois de "Sin Nombre", um dos melhores filmes de 2009, Cary Fukunaga ficou na retina de todos os cinéfilos como um dos realizadores a seguir no futuro e portanto, foi com muita expectativa - mas também apreensão - que o vimos pegar em algo completamente diferente para o seu segundo filme, um verdadeiro desafio às suas qualidades enquanto realizador: o aclamado clássico JANE EYRE, a obra-prima romântica - e semi-autobiográfica - de Charlotte Brönté, a irmã de Emily Brönté ("Wuthering Heights"). Depois das diversas vezes que foi alvo de adaptação, nas quais se incluem duas longas-metragens e três mini-séries, é-me de todo surpreendente que Fukunaga tenha encontrado uma voz distinta nesta sua JANE EYRE, que tenha arranjado tanto de novo e significativo para dizer, que tenha conseguido pintar um retrato completamente resplandecente, absorvente e apaixonante desta heroína dos tempos de heróis byronianos e que tenha criado uma obra tão singular quanto admirável e, sobretudo, com a mesma qualidade do seu primeiro filme. De qualquer forma, já não me devia de surpreender com estas coisas - é assim mesmo com os grandes realizadores...

 
JANE EYRE (Mia Wasikowska), como se sabe, é uma jovem rapariga que, embora nascida nobre, fora enviada para um orfanato pela sua tia, Mrs. Reed (Sally Hawkins num pequeno mas delicioso papel) onde aí cresceu sendo ensinada para se tornar numa perceptora - uma espécie de tutora dos dias de hoje. Aos seus 18 anos, foi contratada para tomar conta de Miss Ravens (Romy Moore), uma menina aos cuidados do mestre da mansão de Thornfield Hall, Mr. Rochester (Michael Fassbender). Rochester é bruto, rude, vil e frio - como qualquer herói byroniano, é um homem valente e cheio de espírito mas fragilizado e com defeitos. Ainda assim, o seu súbito interesse na jovem Jane Eyre permitem-nos ver que existe mais para além dessa faceta dura que ele monta para as restantes pessoas, levando a que esta se apaixone por ele. Parece, de facto, a história de um amor impossível, porque o é - como muito bem a avisa Mrs. Fairfax (Judi Dench), a governanta da casa - Rochester guarda um peso inestimável nas suas costas, um segredo que consome a sua alma. Será que Jane e Rochester vão conseguir ultrapassar todos os obstáculos no seu caminho? É o que o filme nos leva a saber.


O que me surpreende nesta adaptação de Fukunaga é ter percebido o quanto ele e Moira Buffini, a argumentista, conseguiram retirar das páginas do livro, reduzindo em muito o volume de texto mas conservando o poder, o enigma, a reviravolta e o suspense que este mantém. Fukunaga e Buffini perceberam o que está por detrás do virtuosismo e idealismo de Jane Eyre, o que leva Rochester a escolher tão estranha e pobre criatura para seu igual, que a atracção entre ambos não se baseia no medo que a primeira sente pelo segundo mas sim na pena - Rochester precisa do idealismo de Jane para sobreviver, Jane necessita do apoio de Rochester para se libertar. O realizador e argumentista trabalharam bem na forma como pegaram nas noções muito próprias dos romances góticos deste tipo e aplicaram bem a intensidade emocional e a ressonância para os dias de hoje que também reside no livro e escolheram na perfeição os dois actores para interpretar os dois papéis: Mia Wasikowska carrega o filme às costas com uma leveza e subtileza própria das grandes actrizes, numa interpretação tão corajosa quanto impressionante. Michael Fassbender é o perfeito Rochester. Ele percebe bem a dualidade de personalidade que tem que exibir, percebe bem qual a interacção a ter com cada membro do elenco que interage com ele na película, consegue ser forte e bravo e ao mesmo tempo tão frágil que nos leva a ter pena de uma forma tão profunda que quase nos vêm lágrimas aos olhos. Não tenho qualquer dúvida em afirmar que é o melhor actor da actualidade e, se lhe forem dados papéis à sua altura, não tardará muito a que o mundo todo se apaixone por ele da mesma forma que Jane - e o público que assistiu a JANE EYRE - já está. Mesmo Jamie Bell, Sally Hawkins e Judi Dench (a sua Mrs. Fairfax conta tanto sobre a vida em Thornfield e sobre o seu patrão em meras poucas palavras e, às vezes, só por expressões e pelo tom de voz), em papéis secundários, brilham nas suas respectivas cenas.


Com um estilo visual muito próprio - uma fotografia de incomparável beleza, repleta de voluptuosos cenários e cenas de extraordinária sensibilidade poética, uma banda sonora de Dario Marianelli tão arrepiante quanto enternecedora, um arrojado guarda-roupa e imaginativa direcção artística -, um realizador e uma argumentista em grande forma e um elenco formidável, JANE EYRE é, finalmente, a adaptação pela qual muitos fãs do romance de Brönte (entre os quais me conto) ansiavam.  De tirar o fôlego, de assombrar-nos por uns dias, é um filme que por duas horas, pelo menos, nos espanta todos os males e preocupações enquanto nos envolvemos, nos questionamos, nos preocupamos, nos afligimos e choramos e finalmente nos encantamos e apaixonamos com a história do amor proibido de Jane e Rochester. Depois de o vermos, nunca mais ficamos os mesmos. Eu, sem dúvida, não vou ficar.



Nota:
A-

Informação Adicional:
Realização: Cary Fukunaga
Argumento: Moira Buffini
Elenco: Mia Wasikowska, Michael Fassbender, Judi Dench, Jamie Bell, Sally Hawkins
Música: Dario Marianelli
Fotografia: Adriano Goldman