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DIAL P FOR POPCORN

DIAL P FOR POPCORN

O Azul é a cor mais quente



O vencedor da Palme d'Or deste último Festival de Cannes, "Blue is the Warmest Color", de título original "La vie d'Adèle - Chapitres 1 & 2", de Abdellatif Kechiche e protagonizado por Léa Seydoux e Adele Exarchopoulos, ganha o seu primeiro trailer internacional.



Penso que basta a menção de "vencedor da Palma de Ouro" para ser presença obrigatória nos filmes a ver deste ano. Se ainda não consta, devia constar. Deve chegar até nós via Lisbon & Estoril Film Festival. Abre nos mercados americanos a 25 de Outubro. 

Quando a Academia acerta (II)


Uma rubrica destinada a provar que apesar de algumas decisões questionáveis da Academia, o Óscar é, por mérito próprio, o prémio mais cobiçado pelo mundo do cinema. E quando a Academia acerta... Merece palmas também.



Juliette Binoche | Melhor Actriz Secundária 1997 | "The English Patient"

Uma vitória que poucos previam, porque quase toda a gente estava convencida que apesar de Binoche ter a melhor interpretação, seria Lauren Baccall ("The Mirror Has Two Faces") a receber o troféu, que funcionaria como celebração da sua fantástica carreira e contribuição magnífica para a sétima arte.

Na maior surpresa da noite, Binoche triunfou e a própria no discurso fez referência ao facto de também ela achar que Baccall iria vencer. De qualquer forma, a Academia tomou a melhor decisão e premiou uma actriz estrangeira de qualidade e talento inigualáveis, quando a sua carreira estava a crescer, por uma das suas melhores interpretações de sempre. Baccall continua sem um Óscar competitivo, infelizmente, mas ela merecia uma vitória melhor que essa estatueta pelo medíocre "The Mirror Has Two Faces".

LES INFIDÈLES (2012)




O lado mais amargo, infeliz e fatal da traição. Assim é retratada a infidelidade. Com vergonha, com desprezo, com desilusão, com solidão. Carregado de ironia e um delicioso sentimento de chacota constante, sentimos, em Les Indifèdeles, as inevitáveis consequências de uma traição, em que a mentira acaba por ser condenada, em que o julgamento social serve de justiça invisível, que se vinga dos actos cobardes e desrespeitosos de uma vida dupla.


Baseado em diversas short-stories, intercaladas por brevíssimos trechos de curtas cenas com diversos actores, Gilles Lellouche e Jean Dujardin são (e como foi feliz a tradução portuguesa deste filme) descaradamente infiéis. Na pele de diversas e distintas personagens, em histórias que não ultrapassam os trinta minutos de duração, recriam diversos cenários indissociáveis da traição e a infidelidade. O pecado é retratado de forma pejorativa, e a cena inicial em que a dupla se vangloria de mais uma conquista fácil e fugaz, não passa de uma rasteira, de uma forma de ludibriar o espectador para o surpreender com as várias cenas que se seguem, onde se mistura humor, drama, emoção e vergonha.


Bem mais interessante do que, à partida, poderá aparentar, Les Infidèles é uma brincadeira feliz. Uma reunião de actores e realizadores com muita qualidade, regado com um toque de charme e classe nos mais pequenos pormenores. Desde os cenários, passando pelas diversas interpretações e acabando na edição (como uma banda-sonora muito bem escolhida), vemos um filme consistente, que aproveita as diferentes cenas, jogando astutamente com a brevidade imposta, para garantir uma intensa curiosidade por parte de quem vê o filme.

Nota Final: 
B


Trailer:



Informação Adicional:
Realização:  Emmanuelle Bercot, Fred Cavayé, AlexandreCourtès, Jean Dujardin, Michel Hazanavicius, Eric Lartigau, Gilles Lellouche
Argumento: Nicolas Bedos, Philippe Caverivière, Jean Dujardin, Stéphane Joly, Gilles Lellouche
Ano: 2012
Duração: 109 minutos

INTOUCHABLES (2011)


Se eu tivesse oportunidade de reformular a minha lista com O Melhor de 2011, Intouchables teria certamente um lugar de destaque entre os meus favoritos. É daqueles filmes que derrete o coração dos que o vêem. É muito bem feito, é muito divertido e é muito original. Pensam vocês que esta é mais uma história de amigos improváveis (como o título português tão bem o definiu). Não é. A química entre os dois protagonistas é tão forte e tão genuína que nos faz esquecer que estamos perante uma história fictícia e que tudo não passa de uma adaptação ao cinema de uma história verídica e apaixonante.


Philippe (François Cluzet) é um homem com uma fortuna incalculável. No entanto, o que lhe sobra em dinheiro, falta-lhe em amor. Viúvo, vivendo uma tremenda angústia pela ausência do grande amor da sua vida, é completamente ignorado pela sua filha adoptiva, uma jovem adolescente, em plena crise existencial, com tiques de superioridade e manias de nova-rica. Paraplégico, profundamente dependente de outros, inicia um novo ciclo de entrevistas para a contratação de um novo assistente pessoal. Driss (Omar Sy) é um jovem divertido e irreverente. Depois de seis meses na prisão, vê-se obrigado a frequentar entrevistas de emprego para garantir um subsídio que lhe sustente o ócio. A sua genuinidade e um descaramento sinceros e sem maldade, convencem Philippe. Contrata-o (para um trabalho difícil de cuidado e atenção que exige uma dedicação vinte e quatro horas por dia), numa decisão muito polémica entre o corpo de funcionários que diariamente garantem o bem-estar do seu lar.


Rapidamente a alegria e a boa disposição de Driss conquistam o novo lar e, juntos, os dois companheiros vivem aventuras inesperadas e momentos de cumplicidade que se tornam completamente adoráveis. Intouchables é uma ode à amizade. É um filme que vale a pena ver com amigos e familiares. É um filme do qual tão cedo não me esquecerei. E, o mais engraçado (e incrível!) de tudo isto, é que se baseia numa história verídica, e nos relembra que não há limites para uma verdadeira amizade.

Nota Final:
A-



Trailer:




Informação Adicional:
Realização: Olivier Nakache, Eric Toledano
Argumento: Olivier Nakache, Eric Toledano
Ano: 2011
Duração: 112 minutos










LES CHANSONS D'AMOUR (2007)



Que Christophe Honoré é uma das grandes promessas do cinema francês, penso que é um facto consumado. Agora, que Louis Garrel é um dos melhores actores europeus dos últimos tempos e, sem dúvida, um dos melhores mundiais entre a sua geração, é que infelizmente não me parece ainda perfeitamente difundido por entre o público geral. E isso entristece-me. Louis Garrel é um dos actores que mais me entusiasma enquanto contracena. É, sem dúvidas, um indivíduo com uma capacidade de representar fora do normal, conseguindo personificar a personagem-modelo daquilo que é, para mim, o cinema francês: O herói solitário, o homem romântico, apaixonado, que sofre por amor, que se encontra desencaixado, desenquadrado da realidade. É essa noção de beleza harmoniosa (estética, instrumental, visual - quase poética) que eu admiro no cinema francês. A paixão pela arte.


Les Chansons d'Amour não é o primeiro filme que vejo de Honoré. Há uns anos tive a possibilidade de ver o Dans Paris (sobre o qual um dia vos falarei) e, já aí, tive uma experiência singular e marcante. Dans Paris não é um filme brilhante, não é um filme marcante, não é um filme que vá ocupar lugar entre os melhores da sua década. Mas é, isso sim, uma representação fantástica de um quotidiano, de um habitat mundano onde qualquer um se pode encaixar e viver. E, tal como em Les Chansons d'Amour, Louis Garrel brilha.


Um filme onde tudo encaixa na perfeição. Onde tudo se desenrola com uma naturalidade, um propósito intrínseco, onde as músicas de Alex Beaupain (impossível escolher a melhor) preenchem os hiatos entre os momentos da representação clássica. Beaupain faz o elenco cantar sobre amor, sobre solidão, sobre saudade, sobre a dor da perda, sobre o luto. Não vou desvendar muito mais sobre um filme que enche a alma de quem o vê. Em Les Chansons d'Amour, Honoré celebra ao amor.

Nota Final:
B+



Trailer:





Informação Adicional:

Realização:
Christophe Honoré
Argumento: Christophe Honoré
Ano: 2007
Duração: 100 minutos

Belle du Jour, Belle Toujours!


São raras as actrizes que se conseguem transcender num grande papel, quanto mais em vários. Ainda mais raras são as actrizes estrangeiras que têm essa possibilidade. E, se tivermos em conta que até aos dias de Marion Cotillard e Juliette Binoche, foi esta a única actriz francesa a penetrar nas listas sagradas de casting de Hollywood e que isto tudo se deu logo após a Idade de Ouro do cinema norte-americano, nos anos 50 e 60, ainda mais impressionante se torna.
Que esta actriz tenha conseguido o feito de se reinventar mil vezes, de se perder em milhares de papéis, pequenos ou grandes, para maiores e menores mestres, de Honoré a Buñuel, de Polanski a Demy, de Téchiné a von Trier, de consistentemente trabalhar na plenitude dos seus talentos e capacidades e mantendo intocável a beleza marcante que a imortalizou é uma prova do gigantesco brilho, carisma e talento da aniversariante Catherine Deneuve, que comemora - notem bem - 68 anos de idade!


Tenho que admitir desde logo que não sou um completista da filmografia de Deneuve, embora gostasse muito de o ser. Do que vi, não há um filme em que o misticismo, a aura de mistério, a beleza fulgurante, o sorriso que emana simpatia e calor, não estejam presentes. As minhas interpretações favoritas dela são em "Repulsion" de Roman Polanski, em "Les Parapluies de Cherbourg" de Jacques Demy, em "Dancer in the Dark" de Lars von Trier, "Ma Saison Préférée" de André Téchiné, "Un Conte de Nöel" de Arnaud Desplechin e finalmente - e obviamente - na obra-prima de Luis Buñuel, "Belle de Jour".


 A inesquecível interpretação dela em "Belle de Jour", em particular, funciona como um ensaio de condensação das qualidades de representação de Deneuve. Hipnótica, sensual, electrizante, misteriosa, enigmática, uma verdadeira mulher de sonho, a lembrar Jane Fonda em "Klute", Nicole Kidman em "Eyes Wide Shut" ou Anne Bancroft em "The Graduate", Catherine Deneuve entrega-nos uma performance inspirada, algo que dela ainda não tínhamos visto. Brilhante.

Portanto... Parabéns Catherine Deneuve! Que celebre muitos! E que continue sempre a surpreender-me, como fez o ano passado em "Potiche" de François Ozon. Que interpretação.


E vocês, qual consideram ser a melhor interpretação de sempre da enorme Catherine Deneuve?

L'ILLUSIONNISTE (2010)



A história de um mágico francês, profundamente deprimido e solitário, que viaja pelo Reino Unido à procura de apresentações pouco convincentes dos seus dotes de magia, é o ponto de partida para uma belíssima e inesperada história de amor, que nos é dada a conhecer pela "mão" de um dos mais irreverentes e adorados realizadores/argumentistas europeus: Sylvain Chomet. Depois de ter surpreendido a sétima arte com Belleville Rendez-Vous, Chomet consolida o seu lugar com mais uma história fantástica, desenhada com um charme e uma classe apaixonantes, que o transformam, com toda a legitimidade, num dos realizadores de culto deste início de século. Não há ninguém com Sylvain Chomet no cinema e o que ele faz, mais ninguém consegue fazer.


Mais uma vez, tal como no seu primeiro filme, L'illusionniste é marcado por poucos diálogos. As emoções estão todas "no papel". Cada um dos desenhos, com os seus gestos, atitudes e emoções das personagens, conduzem a história de uma forma tão sentimental quanto melodiosa, transformando os seus breves oitenta minutos em pouco mais de cinco deliciosos minutos de cinema. L'illusionniste cativou-me. É uma história de um amor trágico (e infelizmente, já revelei mais do que pretendia) onde um decrépito mágico, abandonado pela sociedade e pela magia da vida, se arrasta pelo mundo sem objectivos ou desejos. Quando conhece a jovem Alice, que o segue depois de um espectáculo, aceita-a como amiga e acolhe-a como sua companheira de viagem. Alimenta-a e veste-a com bonitos e requintados mimos.


Toda a relação entre estas personagens é uma complexa incógnita. Por mais que se veja o filme, nunca ficarei totalmente esclarecido sobre os verdadeiros sentimentos que nutrem um pelo outro e o significado da dramática e inesperada cena final. Se o leitor gostou de Belleville Rendez-Vous, também vais gostar de L'illusionniste. Não o acho tão brilhante quanto o primeiro, mas é igualmente um óptimo pedaço de arte.


Nota Final:
A-



Trailer:





Informação Adicional:

Realização: Sylvain Chomet
Argumento: Jacques Tati
Ano: 2010
Duração: 80 minutos

LES TRIPLETTES DE BELLEVILLE (2003)


Criado a partir da imaginação e arte de Sylvain Chomet (criador do aclamado L'illusionniste), este filme rompe com alguns dos preconceitos do actual cinema de animação: Les triplettes de Belleville é não só pequeno (oitenta minutos de duração), como também parco das tecnologias que criam efeitos e dimensões "especiais". Os desenhos do filme são lindíssimos, de uma clareza e expressividades que nos marcam e nos tornam nostálgicos, ao fazer-nos relembrar, através da clara influência do lápis de desenho em todas as figuras, dos primórdios do cinema de animação.


Uma história com sangue português, onde a Avózinha Souza, que vive em Paris com o seu neto e o seu adorável cão Bruno, dos quais cuida com amor e carinho, faz tudo para criar o seu benjamim num ambiente feliz. Ao perceber que o rapaz sentia uma forte atracção pelo ciclismo (e em especial pela Volta à França), decide comprar-lhe um tricíclico, a partir do qual o jovem trabalha e fortalece a sua grande paixão. Com o passar dos anos, a Avó Souza transforma-se no treinador pessoal do jovem, que vive para o ciclismo.


É, por altura da sua participação na Volta à França, que um estranho acontecimento se sucede e destrói todos os planos da Avó Souza em ver o seu neto vencer gloriosamente a mais dura prova de ciclismo. O jovem claudica e é raptado pela máfia francesa da cidade de Belleville, para a qual é transportado como se de um escravo se tratasse. Belleville, embora representada como pertencente a França, é uma pura e inteligentíssima sátira à cidade de Nova Iorque e à sociedade americana. Lá, todos os cidadãos são obesos (e nem a Estátua da Liberdade escapa), vive-se de hamburgers (a cidade do cinema é Hollyfood) e a sociedade comporta-se com o egoísmo e presunção caracteristicamente americanas.


A avó Souza, acompanhada de Bruno, persegue o navio onde o seu neto é transportado e atravessa um oceano inteiro para o resgatar. Em Belleville conhece as triplettes de Belleville, já num degradante e penoso final de carreira, que a ajudam a libertar o seu neto e a acolhem numa difícil e arrogante cidade, onde nem os escuteiros escapam à crítica mordaz de Chomet.


Uma obra-prima, a todos os níveis. Com uma banda sonora contagiante, que engrandece uma história conseguida graças ao dom ímpar de Chomet, Les Triplettes de Belleville é daqueles filmes que são obrigatórios numa sala de cinema. É aquilo que animação deveria sempre ser.


Nota Final:
A


Trailer:



Informação Adicional:
Realização: Sylvain Chomet
Argumento:
Sylvain Chomet
Ano:
2003
Duração:
80 minutos

MICMACS À TIRE-LARIGOT (2009)


Uma refrescante, original, peculiar e surpreendente comédia vinda do cinema francês. Já o vi há alguns meses, quando esteve em Coimbra por ocasião do Festival de Cinema Francês. Estreado esta semana, é um dos melhores filmes em cartaz. Micmacs é diversão garantida.


É mais uma tranquila noite no clube de vídeo de Bazil. Fan incondicional de cinema, assiste ao clássico The Big Sleep, com Humphrey Bogart e Lauren Bacall, vivendo-o com intensidade e acompanhando todas as falas com atenção. Até que a tranquilidade da sua loja, dá lugar a uma turbulenta perseguição policial, que termina com uma bala perdida a atingir o cérebro de Bazil.


Bazil, cujo pai havia sido morto depois de acidentalmente pisar uma mina, via-se também ele entre a vida e a morte devido a mais um instrumento de guerra criado pelo homem. Após receber alta, e recuperado do azar, a sua vida sofre uma profunda transformação: desempregado, sem dinheiro, Bazil deambula pelas ruas e entrega-se à desgraça.

É aí que conhece Slammer, um pacato e amistoso senhor que o leva a conhecer um grupo de pessoas sem tecto, com algumas capacidades verdadeiramente originais: Mama Chow é a líder de um grupo onde Tiny Pete se destaca pela capacidade de criar esculturas móveis a partir do lixo ou Calculator, como próprio nome indica, é capaz de realizar com prontidão os mais complexos problemas matemáticos. Após acolherem Bazil, rapidamente percebem que este é um homem com uma missão. Solidários com o seu problema e compreendendo a dificuldade de concretizar a mesma, juntam-se ao nosso herói e, começam a trabalhar na mais complexa e perigosa missão das suas vidas: Derrubar os responsáveis pelo acidente de Bazil.


Nota Final:
B+

Trailer:




Informação Adicional:
Realização: Jean-Pierre Jeunet
Argumento: Jean-Pierre Jeunet
Ano: 2009
Duração: 105 minutos