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DIAL P FOR POPCORN

DIAL P FOR POPCORN

REALIZADORES: METROPOLIS (1927)



Regressa este mês a minha recente aposta de crónicas mensais. Esteve ausente nos últimos dois meses, por diversos motivos que atrasaram também a actualização do blogue, mas a partir de agora espero conseguir realizar a crónica com a pontualidade com que actualizo as restantes crónicas mensais. Pensei em repetir o realizador da crónica anterior, mas preferi variar o leque de estrelas que por aqui vão passar ao longo dos próximos meses. Depois de me apaixonar pelo M, resolvi que Fritz Lang deveria estar entre nós o mais rapidamente possível. Escolhi então um dos seus mais conceituados filmes, Metropolis. A obra de um visionário, de um homem que viveu à frente do seu tempo e que percebeu, com uma astúcia fabulosa, aqueles que seriam um verdadeiros problemas da sociedade moderna, da civilização do Século XXI.


Metropolis é uma cidade futurista. Aquilo que Fritz Lang e Thea von Harbou idealizaram como o futuro. E neste futuro, o povo trabalha, escravizado, para sustentar o ócio e os caprichos de uma minoria escolhida por sangue e linhagem. Sem direito a verem a luz do dia, trabalhando arduamente nas profundezas da terra, o povo cumpre ordens e vive uma existência triste, cinzenta e desgraçada. Tudo muda quando Freder (Gustav Fröhlich), filho de Joh Fredersen, o abastado dono da Metropolis, conhece a realidade que durante toda a sua vida lhe foi escondida e ludibriada pelo pai: os homens, mulheres e crianças, as vidas que, no submundo, trabalham até à exaustão, para que o mundo soberano possa estar feliz, possa gozar os bons prazeres da vida e aproveitar as regalias do seu estatuto.


Decidido a mudar o curso da história, a quebrar as barreiras que separam os privilegiados dos condenados, Metropolis faz-nos uma viagem à essência do ser humano. Aos limites da ganância e da luta pelo poder. E faz-nos reflectir, tal como M fez, nas enormes potencialidades de Fritz Lang. Faz-nos recordar que em 1927, quando ainda não existia som no cinema, quando o mundo vivia a ressaca de uma Grande Guerra, um homem conseguiu não só pensar como projectar e criar um mundo futurista, que serviu de base para inúmeros filmes que o sucederam. Um realizador capaz de pensar no Homem como um ser imutável, que sempre será tentado pelo pecado e pela ganância, que faz sofrer sem piedade e que cobra sem perdão. Ver Metropolis não é ver a década de 20. É ver a história do Homem e da Humanidade.


Nota Final:
A



Trailer:





Informação Adicional:
Realização: Fritz Lang
Argumento: Thea von Harbou
Ano: 1927
Duração: 153 minutos







DAS BOOT (1981)




Um daqueles filmes que se tornam épicos, inesquecíveis, memoráveis e eternos. Este é daqueles filmes sobre o qual se fala hoje com o mesmo entusiasmo de há 10 anos atrás. Uma das obras mais portentosas e magníficas sobre a Segunda Guerra Mundial (um tema que eu adoro e que, penso, é praticamente inesgotável) e a difícil luta dos marinheiros que combateram em submarinos. Pessoalmente, a vida num submarino transcende-me. Não me sinto capaz de imaginar o enorme sofrimento e ansiedade passados durante tantas horas, num local tão apertado e claustrofóbico, rodeado de toneladas de água sob a constante ameaça de navios poderosos e com artilharia suficiente para, a qualquer momento, ditar o fim das vidas de tantos homens.


Neste filme, sobressaem três personagens de vital importância. O Comandante Henrich Lehmann-Willenbrock (Jürgen Prochnow) é o homem mais experiente a bordo, habituado à vida do mar, dos submarinos e das lutas entre nações. É ele que coordena um conjunto de jovens ambiciosos, que lutam pela pátria e que partem numa aventura para a qual não foram preparados e que desconhecem por completo. À habitual tripulação, junta-se o Tenente Werner (Herbert Grönemeyer), um jovem jornalista (correspondente de guerra), que viaja com o objectivo de criar um romance histórico baseado na viagem do submarino 96. Por último, uma personagem cuja força e presença vão crescendo com o passar do filme e que se transforma num inesperado herói nos momentos mais críticos de todo o filme: O Engenheiro Fritz Grade (Klaus Wennemann) a quem é entregue a responsabilidade de corrigir os diversos problemas que o submarino vai sofrendo e que combate toda e qualquer adversidade com bravura, calma e firmeza. É a ele que todos os homens devem a sobrevivência de uma jornada tão longa e tão perigosa.


Com a tradução para o português de Odisseia do Submarino 96, Das Boot (na versão Director's Cut que eu tive oportunidade de ver) é realmente uma obra de arte marcante. É um dos grandes filmes de guerra que o espectador pode ver, mesmo que para isso tenha que disponibilizar quase 200 minutos do seu tempo. Vale todos esses minutos. Das Boot é um filme longo e demorado, pois tudo é pensado ao pormenor e nada é tratado ao desbarato. O seu suspense é cortante e aumenta de forma dramática nos seus momentos finais. Uma obra onde se nota um trabalho de produção e edição excelentes, que transmite com bastante veracidade as adversidades e o terror de uma batalha dentro dos oceanos.

Nota Final:
A



Trailer:





Informação Adicional:
Realização:
Wolfgang Petersen
Argumento: Wolfgang Petersen e Lothar G. Buchheim
Ano: 1981
Duração: 199 minutos