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DIAL P FOR POPCORN

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Previsões Óscares 2013 (I): Actor



MELHOR ACTOR

Falemos agora de melhor actor.  A categoria parece, para já, repleta de potenciais candidatos. A época de festivais deverá ajudar a separar os reais competidores de quem não veio para concorrer a sério. O campo parece promissor, com antigos vencedores, os veteranos, os habitués e o sangue novo à caça do prémio mais ambicionado do planeta. Vamos por partes.

Veteranos


Robert Redford (por "All is Lost" de J.C. Chandor) e Bruce Dern (por "Nebraska" de Alexander Payne) estiveram em destaque no festival de Cannes, tendo mesmo o último vencido o prémio de melhor interpretação masculina do certame. Tudo indica que ambos terão que ser levados a sério para vencer o troféu - tanto um como outro são muito queridos pela indústria e não obstante Dern nunca ter sido nomeado pela Academia apesar da sua longa carreira, Redford - que já tem Óscares (por "Ordinary People") - nunca venceu um Óscar por representação, sendo um dos maiores actores vivos. Uma corrida a dois que promete.


Antigos Vencedores


O duplo vencedor Tom Hanks espera imitar Denzel Washington o ano passado e também ele voltar às nomeações por "Captain Phillips" de Paul Greengrass. Também Forrest Whitaker, que não tem levantado grande entusiasmo na sua carreira depois da sua vitória em 2007, está de volta com "The Butler" de Lee  Daniels. E apesar de não haver grande confiança no projecto - aguardamos notícias de Toronto - Colin Firth é sempre alguém a ter em conta na corrida, desta feita por "The Railway Man".


Os Habitués


No topo da lista de actores com mais prestígio sem Óscar está Leonardo DiCaprio - algo que é inadmissível para alguns. Confesso que é um actor que me é indiferente - e precisa de mostrar novas facetas para levar o prémio. Depois de "Django Unchained" e "The Great Gatsby", esta colaboração mais colorida com Scorsese em "The Wolf of Wall Street" poderá finalmente trazer-lhe sucesso. Outro grande candidato - embora não seja habitual nas cerimónias, tem que ser considerado aqui, até porque já venceu um Óscar, se bem que noutra categoria - é Christian Bale, com duas possibilidades este ano - "American Hustle" de David O. Russell e "Out of the Furnace" de Scott Cooper. Qualquer um dos dois é uma boa aposta. Esperar para ver qual - se algum - será candidato a sério. Depois de ter sido provavelmente o segundo classificado da corrida do ano passado (ou pelo menos gosto de pensar que sim), Joaquin Phoenix volta este ano com mais duas películas: "Her" de Spike Jonze e "The Immigrant" de James Gray. Ambos os filmes parecem completamente desenquadrados com o tipo de filme que a Academia gosta de premiar mas seria qualquer coisa de sensacional se o actor conseguisse nova nomeação (talvez melhor sorte para o ano com "Inherent Vice"?). Depois temos a questão "The Monuments Men", o novo filme de George Clooney, que conta com um largo elenco mas que parece ser presidido pelo próprio ou por Matt Damon. Quando o filme for visto saberemos mais - inclusive se é para ser levado a sério - mas terá um protagonista declarado ou será como "Argo"? Finalmente, outros candidatos a considerar: Hugh Jackman e Jake Gylenhaal ("Prisoners"), Josh Brolin ("Labor Day" e "Oldboy") e Bradley Cooper ("Serena").


Sangue Novo


Quando se fala em sangue novo referimo-nos habitualmente a juventude. Contudo, da faixa etária mais jovem só duas possibilidades surgem à cabeça: Miles Teller por "The Spectacular Now" que não parece ter hipótese nenhuma e Michael B. Jordan, que protagoniza o êxito de Sundance "Fruitvale Station" e que pode alcançar uma nomeação fácil se (e é um grande se) o seu filme encantar o público como encantou a crítica - e os Weinstein fizerem uma campanha forte. No sangue novo quis incluir também gente que nunca foi nomeada (e que nalguns casos já devia ter sido) e que portanto poderá conseguir a primeira nomeação este ano. Falo de Michael Fassbender (por "The Counselor" de Ridley Scott), Chiwetel Elijofor (por "12 Years a Slave" de Steve McQueen), Steve Carell (por "Foxcatcher" de Bennett Miller), Idris Elba (por "Mandela: A Walk to Freedom"), Benedict Cumberbatch (por "The Fifth Estate" de Bill Condon), Oscar Isaac (por "Inside Llewyn Davis" dos irmãos Coen), James McAvoy (há muito à espera de uma nomeação, por "The Disappearance of Eleanor Rigby") e o rejuvenescido Matthew MacConaughey (por "Dallas Buyers Club" de Jean-Marc Vallée). Gostava de pensar que Mads Mikkelsen ("The Hunt") terá alguma hipótese - bem como Paul Rudd e Emile Hirsch ("Prince Avalanche") mas é mais fruto da minha imaginação que outra coisa. E que dizer do enigma Ben Stiller ("The Secret Life of Walter Mitty")?

De qualquer forma, aqui temos uma corrida interessante, com muitos candidatos. Arriscando uma lista de nomeados...


Previsão dos nomeados:
Christian Bale, "American Hustle" ou "Out of the Furnace"
Bruce Dern, "Nebraska"
Leonardo DiCaprio, "The Wolf of Wall Street"
Tom Hanks, "Captain Phillips"
Robert Redford, "All is Lost"


"American Hustle" de David O. Russell já tem trailer...




E comprova-se, David O. Russell vendeu-se à caça de Óscares. Pelo menos o de guarda-roupa e maquilhagem e cabelo estão garantidos. Não sei qual das caracterizações é a mais linda.

Uma pena, que longe vão os dias de "I Heart Huckabees", David... Depois do "The Fighter" apanhaste-lhe o jeito... Será desta que ao menos fazes justiça e dás à Amy Adams o Óscar que a moça, tão catita, já merece? Algo que me aguça a curiosidade foi uma entrevista que Russell deu em que afirma que a maioria do seu elenco aparece no filme em papéis muito diferentes do que estamos habituados a vê-los (dá para perceber por Adams e Cooper, pelo menos). Veremos.

"American Hustle" conta com um elenco recheado de estrelas, entre elas Christian Bale, Amy Adams, Bradley Cooper, Robert deNiro, Jennifer Lawrence, Jeremy Renner, Louis CK, Michael Peña, Alessandro Nivola, Jack Huston, entre outros, e é baseado (inspirado?) no escândalo da ABSCAM dos anos 70, daí os gloriosos penteados e vestuário. Deverá ser parte integral da próxima corrida aos Óscares.

David O. Russell, seu sacana!


A questão aqui é mais: quem parece pior

O novo filme de David O. Russell, sobre o polémico escândalo da Abscam nos anos 70, conta com Amy Adams, Jennifer Lawrence, Jeremy Renner, Bradley Cooper e Christian Bale nos principais papéis. E pelas fotos que têm sido avançadas na imprensa, a equipa de Maquilhagem e Cabelo já merecia o Óscar. Vejam lá as "beldades":


Uma linda permanente na cabeça do Bradley, aquele pomposo cabelo à tia da Jennifer, o ar de anúncio cabelos Pantene da Amy, o aspecto javadeiro do Christian e o ar de fotocópia de um dos Goodfellas do Jeremy. Imperdível.


Mais não seja, este filme vai ser qualquer coisa de extraordinário só pelo aspecto (apropriadamente) ridículo dos seus actores. Ah, anos 70...


THE DARK KNIGHT RISES (2012)




Sempre apreciei o franco extremismo que vem com a avaliação do trabalho de Christopher Nolan, porque simplesmente não me lembro de em tempos recentes um realizador conseguir elicitar tanto ódio como admiração por parte do grande público e dos críticos, o que faz da sua obra um caso de estudo bastante fascinante de analisar. Para ajudar ainda mais a situação, a Academia tem também uma relação bastante conflituosa com o realizador, sendo capaz de atribuir aos seus filmes um número substancial de nomeações, sendo capaz até de o nomear pela sua capacidade de escrita, mas ignorando-o sempre na nomeação que, no fundo, mais (lhe) interessa: a de melhor realizador. "The Dark Knight Rises", a última peça na trilogia de Nolan sobre Batman, o Cavaleiro das Trevas, vem adicionar mais contexto à discussão.

Para ser mais fácil explicitar a minha análise, organizei as minhas considerações por tópicos:

1. É de longe o filme mais fraco de Christopher Nolan (a par de "Insomnia"), o menos consistente, o que tem o pior argumento e o mais longo, tanto a nível da real duração do filme como da percepção do espectador. "Batman Begins" tem-se transformado, com os anos, no meu favorito pessoal da trilogia, muito devido ao espectacular primeiro acto do filme (e à mais sensacional origem de um super-herói alguma vez projectada na tela); contudo, admito que "The Dark Knight" é o melhor filme dos três e por isso concordo também que lhe tenha dado a melhor nota de entre os três. 


2. A ambição de Nolan é, para mim, o principal problema. A forma épica e ostentosa como aborda os seus filmes, qual David Lean ou D.W. Griffith (ele que é um confesso fã de ambos) e a necessidade quase messiânica de incluir missivas político-sociais nos seus argumentos (que não tem nada de mal, isto se Nolan não passasse o filme todo a pôr em conflito ideias contraditórias) acaba sempre por servir-lhe mais de handicap como de ponto a favor. Acaba assim por negligenciar o essencial na narrativa, que é o desenvolvimento das personagens (algo que Dickens faz tão bem em "A Tale of Two Cities", que serviu de base à temática do filme), é a organização do fio narrativo, a ideia de continuidade, de evolução no espaço e no tempo, noções básicas de que Nolan abdicou em detrimento do seu já habitual estilo errático de expor informação e complicar o enredo (o filme tem partes literalmente incompreensíveis). 


3. A narrativa é sofrível em vários momentos, uma gigante confusão estrutural, sem grande coesão do princípio ao fim, com sequências consideráveis em que nada se passa e depois segmentos loucos em que nem tempo há para respirar entre os diálogos. Outro problema permanente no filme é a forma como usa e abusa dos traumas e tragédias pessoais das personagens para fazer girar a narrativa, mas depois esquece-se de lhes conferir ressonância emocional, fazendo com que algumas personagens pareçam incompletas e com traços de personalidade confusos (de repente lembro-me da bipolaridade das reacções de Miranda Tate em vários momentos do filme ou do intenso dramatismo em torno da relação de Alfred e Bruce Wayne - com todas as interacções das duas personagens a acabar com um (ou ambos) quase em lágrimas). A temática da "dor" (em contraponto com "caos" de "The Dark Knight" e "medo" de "Batman Begins") deveria estar omnipresente no filme, mas Nolan nunca deixa a câmara tempo suficiente nalgumas cenas para podermos contemplar a atmosfera e a sensação de desespero, de desconsolo, de sofrimento, o que é uma pena porque a alegoria de ter Bane como vilão mestre da derradeira película da trilogia, o único que consegue igualar Batman a nível físico e intelectual (não é por acaso que ele é "the man who broke the Bat") e explorar a sua vulnerabilidade física bem como as suas fraquezas e medos soa no final como uma oportunidade ultimamente  desperdiçada. 


4. Dos três filmes, é o que tem o melhor e mais nivelado elenco - não tem uma Katie Holmes, mas também não tem um Heath Ledger que sobressaiam, para o bem ou para o mal. Contém a melhor interpretação de Christian Bale e de Michael Caine da trilogia, incorpora bastante bem as personagens de Joseph Gordon-Levitt e Anne Hathaway, cuja Selina Kyle é facilmente a melhor interpretação do filme. Tom Hardy cumpre o seu papel, muito exigente a nível físico (basicamente a sua interpretação reside no que ele consegue fazer passar com os seus olhos). É só uma pena que pouco tenha sido feito com Marion Cotillard. A personagem e a actriz mereciam mais.

5. No seguimento do ponto 2: Lee Smith é um milagreiro. Que a edição de "The Dark Knight Rises" seja, mesmo com a intervenção salvadora de Smith, medíocre e apenas relativamente consistente explica na perfeição o problema-base de Christopher Nolan na génese deste filme. Não se pode querer falar de tudo, abordar ideias contraditórias, ser infinitamente detalhado e depois querer trocar exposição por acção. É nisto que depois dá - não se sabe bem onde começar e onde acabar de cortar. Hans Zimmer é, também ele, um milagreiro. A banda sonora é, aliás, das poucas coisas que realmente funciona em pleno no filme. Os valores de produção são também de qualidade inegável, com efeitos especiais incisivos e delicados, que ajudam a aumentar o realismo da trama e, assim, o suspense e o drama.

6. O filme demora a encontrar o seu ritmo, mas quando o encontra, não pára de crescer, compensando as hesitações e inconsistências com um majestoso terceiro acto - a roçar o sublime, mas que ainda assim aproveita o sentimentalismo para fazer avançar a história - e que acaba por encerrar a trilogia em nota alta de execução (ainda assim, aquele epílogo ainda me fez revirar os olhos várias vezes, mesmo se me agrada a ideia final que Nolan deixa de Batman ser mais um símbolo que um homem!).



Bruce cai ao poço em "Begins" / Bruce trepa o poço em "Rises" - o primeiro acto e o último ano da trilogia, numa das muitas conexões entre as três películas

Que Nolan tenha conseguido terminar esta trilogia magnífica de forma tão satisfatória para os fãs diz muito do calibre do realizador. A este filme falta muita coisa e claro que peca em comparação com os seus dois predecessores. Contudo, criar uma visão moderna, semi-apocalíptica de anarquia e caos a controlar a humanidade num mundo fantástico como é o de Gotham City e suceder na exploração do mito de Batman/Bruce Wayne como controverso símbolo de justiça e igualdade, um playboy milionário que controla o poder e a riqueza da sua cidade que vive uma vida dupla como um radical anti-herói individualista com imperativos morais que o colocam muitas vezes na corda bamba entre o mal e o bem, conseguindo ser coerente e fazer intersecções entre os três filmes de forma orgânica e familiar e ao longo da trilogia nunca abdicar do seu estilo irreverente como contador de histórias e estética tendenciosamente obscura, crua, realista é um feito inacreditável e quase impensável para um realizador com uma década de carreira. Agradeço-lhe imenso por ter reposto Batman no lugar de destaque que merece, no panteão dos super-heróis. E mal posso esperar para ver o que este excitante realizador fará no futuro.


Nota:
B/B-

Informação Adicional:
Ano: 2012
Realizador: Christopher Nolan
Argumento: Christopher Nolan, Jonathan Nolan (história de David S. Goyer)
Elenco: Christian Bale, Morgan Freeman, Michael Caine, Marion Cotillard, Anne Hathaway, Tom Hardy, Gary Oldman, Joseph Gordon-Levitt
Banda Sonora: Hans Zimmer
Fotografia: Wally Pfister



Uma lista de 11 para o dia 11/11/11

Como saberão, esta sexta-feira é dia de palíndromo (um palíndromo imperfeito, mas ainda assim). Às 11:11 horas deste dia 11/11/11, assistimos a um fenómeno que só ocorrerá novamente daqui a cem anos. Uns dizem que esse momento leva a grandes decisões e mudanças na vida, dado o misticismo em volta da dada e superstições populares, para outros é apenas mais um minuto do seu dia.  Posso dizer que a essa hora estava bem ferrado no sono.

De qualquer forma, referi isto por que razão, perguntam-me vocês. Pois bem, em resposta ao curioso desafio do Nathaniel Rogers no seu The Film Experience, aqui estão as minhas onze coisas favoritas de hoje. Ou, já que é de cinema que se fala nesse site e neste, os meus onze actores (e actrizes) favoritos de hoje em dia. Claro que se excluem aqui as grandes glórias como Meryl Streep, Al Pacino, Jack Nicholson, Dustin Hoffman, Julianne Moore, Michael Caine, Robert DeNiro, Daniel Day-Lewis, Brad Pitt, George Clooney, Judi Dench, Emma Thompson, Anjelica Huston, Sissy Spacek, entre outros. Estamos a falar de actores e actrizes que não são (ainda) lista-A em Hollywood apesar da grande maioria deles estar bem lá perto (e Kate Winslet, quer se queira quer não, não gosta de ser considerada como lista-A).


Cate Blanchett | Christian Bale | Ewan McGregor


 James McAvoy | Kate Winslet| Marion Cotillard


 Michael Fassbender | Michelle Williams | Nicole Kidman


Ryan Gosling | Tilda Swinton


Quais são os vossos? (Ou, se preferirem, vão ao The Film Experience deixar outra lista; há lá várias listas curiosíssimas).

[POSTER] CONCRETE ISLAND



Concrete Island, uma das mais aguardadas produções de Hollywood, já tem o primeiro poster oficial! Falo-vos, claro, do filme que voltará a reunir Christian Bale, Brad Anderson e Scott Kosar, o trio que criou um dos mais marcantes filmes da década passada, The Machinist!
E, pelas informações que vão sendo veiculadas (quer pela produtora Filmax, quer pelos jornalistas) teremos mais um filme psicótico e alucinante, a obrigar Christian Bale a mais uma estrondosa entrega pessoal e a um papel perturbador. Christian Bale será Robert Maitland, um bem sucedido arquitecto, que após um acidente de carro desperta num mundo paralelo, um local estranho e inóspito, onde apenas o mais forte sobrevive. Para ver (em princípio), em 2013.

THE FIGHTER (2010)



"Its not fuckin' ladylike to be shoutin' in the street like this."


The Fighter é tudo aquilo que um filme deve ser: 1 - Intenso, do princípio ao fim. 2 - Interpretações brilhantes (Bale é impressionante). 3 - Um argumento extremamente bem adaptado e trabalho para os actores escolhidos. 4 - Uma banda sonora recheada de grandes músicas, com a garra que um filme sobre pugilismo e uma história de vida sofrida o exigem. 5 - Momentos e cenas que ficarão, para sempre, na memória de quem vê o filme.


The Fighter é óptimo do início ao fim. Assim que a música "How you like me n ow?" dos The Heavy começou a tocar na sala de cinema, enquanto Micky Ward (Mark Wahlberg) e Dicky Eklund (Christian Bale) percorriam as ruas de Lowell (num fantástico show de Bale), eu percebi que estava perante um grande filme. Só podia estar. E, felizmente, não me enganei.


Dicky Eklund
, conhecido como o "Pride of Lowell" pelos seus fantásticos com bates de Boxe na década de 70 é, em 1996, um homem perdido. Viciado em crack, falido e sem emprego, passa os dias a treinar o seu irmão mais novo, Micky Ward, que sonha ter uma carreira de boxe como a do seu irmão. O vício pela droga e a sua desgraça acabam por atrair a atenção da HBO, que decide fazer um documentário sobre os seus problemas. Iludido com a ideia de que o documentário seria a rampa de lançamento para um regresso aos combates, 20 anos depois, Dicky aceita com felicidade e hospitalidade a equipa de reportagem e, naturalmente, exibe e fala sobre todos os seus problemas.


Dicky é o menino bonito de Alice Ward (Melissa Leo), uma mãe absolutamente detestável, oportunista, sem escrúpulos e cuja permanente loira ainda hoje me assombra o pensamento. Sempre condescendente com Dicky, não tem problemas em tomar o seu lado quando, o seu filho mais novo Micky, farto das derrotas e da irresponsabilidade de Dicky, decide prescindir do treino do seu irmão mais velho. A prisão de Dicky (provocada por desacatos com as autoridades) acaba por ser o empurrão final para a mudança.


É nessa mesma altura que outra grande interpretação nos é dada a conhecer: Charlene Fleming (Amy Adams), que trabalha no bar local, é o ponto de viragem não só do filme como também da vida de Micky. É com ela e com a sua força e incentivo, que Micky faz as mudanças necessárias na sua vida. Contra a vontade da sogra e das várias cunhadas (5, talvez...), Charlene aguenta as adversidades e torna Micky não só num grande homem, como também num grande lutador. Os resultados desta troca e da separação do seu irmão, deixo-as para o leitor descobrir quando vir The Fighter. Seria criminoso revelar aqui todo o filme.


No meio de toda esta história, Christian Bale vai nos dando uma lição de cinema. É uma delícia ver a sua interpretação e a forma como se entregou e viveu esta personagem. Se em "The Machinist" Bale deu uma carga dramática e degradante a uma personagem perdida e desenquadrada do mundo, em The Fighter voltou a repetir a dose, mas abrilhantou-a com um humor e uma personalidade que eu nunca mais irei esquecer. Se Dicky Eklund é o melhor papel de sempre de Bale? Sim, podemos afirmá-lo. No entanto, Trevor Reznik será, sem dúvida, aquele que mais me marcou.


Por fim, deixo aqui o meu apelo: Se ainda não viu o The Fighter, corra até ao cinema mais próximo. A banda sonora deste filme merece a presença do leitor no cinema. The Fighter é um dos melhores do ano e o dinheiro que se paga por ele no cinema é um dos grandes investimentos dos últimos tempos. David O. Russell acertou em cheio.


Nota Final:
A-



Trailer:



Informação Adicional:
Realização: David O. Russell
Argumento: Scott Silver, Paul Tamasy, Eric Johnson.
Ano: 2010
Duração: 115 minutos

"THE FIGHTER" nos cinemas a 10 de Fevereiro



Nomeado para 6 Globos de Ouro - Melhor Filme - Drama, Melhor Realizador (David O'Russell), Melhor Actor - Drama (Mark Wahlberg), Melhor Actor Secundário (Christian Bale) e duas vezes para Melhor Actriz Secundária (Amy Adams e Melissa Leo) -, nomeado para 4 SAG Awards (Christian Bale, Amy Adams, Melissa Leo e Melhor Colectivo), nomeado para 6 BFCA Awards (Broadcast Film Critics Association, que representa o maior grupo de críticos norte-americanos) e vencedor de diversos prémios de críticos, THE FIGHTER, de David O'Russell, é certamente um dos filmes mais antecipados da temporada de cinema de 2010.



Pois bem, foi dada a conhecer a sua data de estreia em território nacional: 10 de Fevereiro de 2011. 
 
Dicky Ecklund (CHRISTIAN BALE) é uma antiga lenda do pugilismo que desperdiçou os seus talentos e deitou fora a sua oportunidade de grandeza. Micky Ward (MARK WAHLBERG), o seu meio-irmão, é um pugilista batalhador que viveu toda a vida na sombra do irmão.

The Fighter é a história verídica e inspiradora destes dois irmãos que, contra todas as expectativas, se aproximam para treinar para um histórico combate pelo título que irá unir a sua família desfeita, redimir os seus passados e dar finalmente à cidade aquilo por que esta tanto espera: orgulho.

A história desenrola-se nas resolutas ruas da classe operária de Lowell, Massachusetts, onde Dicky era outrora conhecido como o “Orgulho de Lowell”, tendo aguentado um combate até ao fim com Sugar Ray Leonard. Porém, após perder o combate, Dicky mergulha em tempos difíceis, tal como a cidade de Lowell. Os seus dias de pugilista ficam para trás e a sua vida é desfeita pelo consumo de droga.

Entretanto, o irmão mais novo, Micky, tornou-se no pugilista da família e na ténue esperança a campeão. Mas, apesar de todo o seu esforço, a carreira de Micky corre mal e ele perde combate atrás de penoso combate. A mãe de Dicky e Micky, Alice (MELISSA LEO), gere a carreira deste e Dicky actua como seu muito pouco confiável treinador.

Quando o último combate de Micky o deixa quase morto, parece que tudo pode estar acabado, até que a sua obstinada nova namorada, Charlene (AMY ADAMS), o convence a fazer o impensável: separar-se da sua família, perseguir os seus interesses pessoais e treinar sem o seu cada vez mais inconstante e criminoso irmão.

Agora, Micky tem uma oportunidade única na vida ao conseguir um lugar no Campeonato do Mundo. Mas, quando o seu irmão e a sua família disfuncional reentram na sua vida, todos eles terão de reconciliar os seus passados e tornarem-se mais do que uma família apenas em nome. Com Micky e Dicky reunidos, este é mais do que um mero combate – é um retorno em força para estes irmãos, a sua família e a sua cidade.

Findo o combate, Micky ter-se-á tornado no Campeão do Mundo, uma lenda no Corredor da Fama e no novo “Orgulho de Lowell”.

The Fighter é um drama comovente e muitas vezes humorístico sobre como lutar por aqueles que se ama.    



Além da enorme aclamação crítica e popular que o filme tem tido, é um dos grandes candidatos a várias nomeações nos Óscares deste ano, como se percebe pelo enorme pedigree que tem tido para outros prémios, como os Globos de Ouro que acima referimos. Nós, por cá, mal podemos esperar para ver o filme. Fica abaixo o trailer:



A sua distribuição pela Valentim de Carvalho Multimédia vai-nos permitir oferecer-vos algumas surpresas, para este e outros filmes. Fiquem atentos.

Revisão da Década: Melhores Actores da Década (2000-2009)

Estes três artigos seguidos fazem parte da minha Revisão da Década em Cinema, que comecei no meu antigo blogue "O Mundo Está Perdido" e retomei aqui no "Dial P For Popcorn". Por uma questão meramente prática, decidi passá-los para este blogue também e deste modo reabrir esta discussão.

Agora, vamos aos actores. Optei por só escolher 50 - e esteve difícil de reduzir! Todavia, lá consegui. Como não atino bem com a ordem (se fosse outro dia, muito provavelmente a ordem seria outra), vou colocar os nomes por ordem alfabética, tal como fiz com os filmes, só que desta vez deixo-vos no final com o meu top 10 de interpretações masculinas do século.

Avisar também que eu não distingo uma performance de um actor principal ou de um secundário. Se for boa o suficiente, mesmo sendo de um actor secundário, cá constará. A verde estão assinaladas as interpretações das fotos que acompanham a lista.


Aqui vão as minhas 50 interpretações masculinas preferidas esta década:



Adrien Brody, The Pianist
Andy Serkis, The Lord of the Rings: The Two Towers
Ben Kingsley, Sexy Beast
Bill Murray, Lost in Translation
Casey Affleck, The Assassination of Jesse James by the Coward Robert Ford
Chris Cooper, Adaptation
Christian Bale, American Psycho
Christoph Waltz, Inglorious Basterds
Colin Farrell,
In Bruges
Colin Firth, A Single Man



Daniel Day-Lewis, There Will Be Blood
David Strathairn, Good Night and Good Luck
Denzel Washington, Training Day
Ed Harris, Pollock
Ewan McGregor, Moulin Rouge!
Forrest Whitaker,
The Last King of Scotland
Gael García Bernal, Amores Perros



Gael García Bernal, La Mala Educación
George Clooney, Michael Clayton
George Clooney, Up in the Air
Heath Ledger, Brokeback Mountain
Heath Ledger, The Dark Knight
Hugh Jackman, The Fountain
Ian McKellen, The Lord of The Rings: Fellowship of the Ring
Jack Nicholson, About Schmidt
Jake Gylenhaal, Brokeback Mountain
Javier Bardem, Before Night Falls
Javier Bardem, No Country for Old Men
Jeff Bridges, Crazy Heart
Jeff Bridges,
The Door in the Floor
Jeff Daniels,
The Squid and The Whale



Jim Broadbent, Moulin Rouge!
Jim Carrey, Eternal Sunshine of the Spotless Mind
Joaquín Phoenix, Walk the Line
Johnny Depp, Pirates of the Caribbean: Curse of the Black Pearl
Jude Law, I Heart Huckabees
Mark Ruffalo, You Can Count on Me
Mathieu Amalric, The Diving Bell and the Butterfly
Michael Fassbender,
Hunger
Mickey Rourke, The Wrestler
Paul Giamatti, Sideways
Peter Sarsgaard,
Shattered Glass
Philip Seymour Hoffman,
The Savages
Richard Jenkins, The Visitor
Ryan Gosling, Half Nelson

Sean Penn, Milk
Sean Penn, Mystic River
Tom Wilkinson, In The Bedroom
Viggo Mortensen, A History of Violence
Viggo Mortensen, Eastern Promises





As minhas dez interpretações favoritas seriam (de notar que as primeiras 8 em princípio não mudam, as últimas duas são variáveis - dependem do dia):

1. Daniel Day-Lewis, There Will Be Blood
2. Gael García Bernal, La Mala Educación
3. Christian Bale, American Psycho
4. Heath Ledger, Brokeback Mountain
5. Mickey Rourke, The Wrestler
6. Chris Cooper, Adaptation
7. Viggo Mortensen, Eastern Promises
8. Sean Penn, Milk
9. Adrien Brody, The Pianist
10. Javier Bardem, No Country for Old Men



E para vocês, quais são as melhores interpretações masculinas da década?

 

ÚLTIMA HORA: Trailer de "The Fighter", de David O'Russell, surge online!


Cá estou eu de volta e em última hora para vos trazer o trailer do novo filme de David O'Russell, que se supõe ser um dos maiores candidatos a prémios no final do ano, "THE FIGHTER".


Com um elenco com nomes como Mark Wahlberg, Amy Adams, Christian Bale e Melissa Leo e pelo que dá para ver do trailer, parece mesmo que O'Russell conseguiu o filme perfeito para finalmente lhe concederem algum reconhecimento por uma carreira em crescendo.

Claro que obviamente este trailer também realça algumas coisas que mil filmes por ano também gabam ("a impressionante história verídica!", por exemplo) mas pelo menos parece algo diferente. Veremos.