Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

DIAL P FOR POPCORN

DIAL P FOR POPCORN

DAFA TV 2011: Melhor Série - Drama


Finalizo os meus prémios com as nomeações - e vencedores - para MELHOR SÉRIE - DRAMA. Habitualmente, atribuo estes prémios no final da temporada de televisão de 2011 (Verão). Este ano, decidi fazer diferente e copiar, por assim dizer, o modelo dos Globos de Ouro, só atribuindo os prémios depois das novas estreias de 2011. 

Os meus nomeados são:

MELHOR SÉRIE - DRAMA:



"Breaking Bad"   #1
"Friday Night Lights"
"Justified"
"Mad Men"   #3
"The Good Wife"  #2
"Treme"

"Breaking Bad" melhora mais a cada temporada que passa. A sua quarta temporada foi tão ou mais genial que a sua antecessora, já de si brilhante, com um estilo, um ambiente e diálogo inconfundível, inequívoco e um confronto final épico. Uma série excepcional, explosiva, tempestuosa, onde a expressão "sem respeito às regras" se aplica completamente. Vince Gilligan tem monstruosas expectativas para domar quando este Verão a série regressar para concluir a história de Walter White, contudo penso que o criador não terá qualquer dificuldade em terminar a série em grande, com um final surpreendente e excitante, como já nos habituou. "Friday Night Lights" foi embora do pequeno ecrã de vez e um misto de tristeza e satisfação pela conclusão de uma das séries mais recompensadoras de seguir de sempre invade os nossos corações. "Always" foi o culminar perfeito de cinco anos em que habitamos Dillon, que nos mostrou Dillon cresceu em nós e nós crescemos com Dillon. "Clear eyes, full hearts, can't lose". "Justified" já era óptimo na sua primeira temporada, mas eleva o nível na segunda e, agora, na terceira temporada. Falemos da segunda que foi a que esteve para consideração nestes prémios, aquela que contou com a soberba Margo Martindale a dar luta, com Boyd e Dickie ao exausto Raylan Givens. Além da escrita fantástica e do fabuloso elenco de que dispõe - a maioria deles encaixa nos seus papéis como se fossem eles naturalmente - a série consegue impressionar porque se mantém única e igual a si mesma, proporcionando entretenimento de qualidade ao mesmo tempo que nos oferece, semana após semana, obras-primas de ficção em vez de meros episódios. "The Good Wife" exibe um nível de qualidade só visto em canais de cabo de excelência. A sobriedade e elegância com que desenvolve as suas histórias, o nível de complexidade narrativa e o talentoso elenco de que dispõe fazem de "The Good Wife" a série que mais admiração merece dos últimos tempos. Ainda para mais se contarmos que tem 10% da liberdade que o cabo dá a séries como "Breaking Bad", "Shameless" ou "Mad Men". Já que falamos dela... Disse de "Mad Men" em 2010: "bem sei que não se deve falar em perfeição porque normalmente esse é um objectivo inatingível, mas a terceira temporada de "Mad Men" foi, sem dúvida, perfeita". A quarta temporada mantém o nível da terceira. Uma série que mudou os nossos tempos ao explorar a vida nos anos 60, uma série inigualável no panorama televisivo e uma série de um calibre e magnitude tais que qualquer novo drama que estreie com raízes em épocas passadas é inevitavelmente comparado com esta besta de série que estreou recentemente a quinta temporada e mostra ter vida e pernas para durar muitos mais anos. Voltando ao que disse em 2010: "Esta vai ser uma série que vai ganhar o Emmy de Melhor Drama até ao dia em que decidir terminar". Mantenho a minha opinião. Falta falar de "Treme". Após revolucionar o mundo dos policiais televisivos com "The Wire", David Simon fez o mesmo com "Treme", ao dar voz e vida às pessoas de Nova Orleães no pós-Katrina e deixá-las contar a sua história. Quem vê "Treme" e via "The Wire" notará logo algumas semelhanças, principalmente a nível da ambição e da visão, das temáticas envolvidas (tal como em "The Wire", "Treme" também mistura sociologia, política, antropologia e religião, entre outros temas, num só episódio), do arrojado toque visual, do ambiente rico e variado em que somos inseridos e da enorme qualidade das histórias. "Treme" conta a verdade, nua e crua, através de um colorido leque de personagens que nos dão conforto (e música alegre, evocativa da região e um incrível complemento ao ambiente da série) quando a série tomba para o seu lado mais depressivo.


FINALISTAS: "Game of Thrones", "Southland", "Parenthood" e "Sons of Anarchy" ficaram perto destes seis finalistas mas, no fim de contas, não consegui ver lugar para nenhum destes quatro acima dos meus nomeados.

Globos de Ouro 2011 - Comentários às Nomeações (Televisão)

Depois de revelados os nomeados, depois de ponderar neles, é tempo de fazer a minha apreciação. Peço desculpa por ter demorado tanto tempo, mas mais vale tarde que nunca.

Começamos pelas categorias de TELEVISÃO:


Melhor Série - Drama
BOARDWALK EMPIRE
DEXTER
MAD MEN
THE GOOD WIFE
THE WALKING DEAD

Comentário: Continuando a tradição de abraçar de peito aberto as novas séries, os Globos decidiram trocar o sobrenatural "True Blood", a decair em popularidade com os Globos de Ouro, pelo sobrenatural "The Walking Dead" (que por só ter meia-dúzia de episódios, pensava que iam considerar em mini-série) e colocar merecidamente "Boardwalk Empire" entre os nomeados, por troca com "House", que finalmente abandona os nomeados. "Dexter" e "Mad Men", séries em topo de forma, seguram o seu lugar e "The Good Wife" vence o braço de ferro com os Globos de Ouro (que o ano passado só tinham "notado" Margulies), com múltiplas nomeações este ano.


Vencedor: "Mad Men" continua tão boa aposta como antes, mas parece-me que este ano passa a pasta para "Boardwalk Empire" ou até "The Good Wife".



Melhor Série - Comédia/Musical
30 ROCK
GLEE
MODERN FAMILY
THE BIG BANG THEORY
THE BIG C
NURSE JACKIE

Comentário: Categoria muito interessante, com "The Office" a ser completamente ignorado este ano, excepção feita a Carell, como sempre. "30 Rock", "Glee" e "Modern Family" retornam com o seu buzz habitual, às quais se junta a nova série comédica do momento, "The Big C" e, algo que igualmente me surpreende e alegra, "Nurse Jackie" e "The Big Bang Theory" a estrearem-se com nomeações de relevo, algo de inédito em particular para o segundo caso, que nem nos Emmy havia logrado tal feito.

Vencedor: Como aqui o vencedor passa normalmente a pasta ("The Office" foi o único que venceu duplamente a categoria esta década, em 2007 e 2008), veremos "Glee" a passar o testemunho a "Modern Family" ou até mesmo "The Big C".


Melhor Actor - Drama
Steve Buscemi, BOARDWALK EMPIRE
Jon Hamm, MAD MEN
Michael C. Hall, DEXTER
Hugh Laurie, HOUSE M.D.
Bryan Cranston, BREAKING BAD




Melhor Actriz - Drama
Katey Sagal, SONS OF ANARCHY
Elizabeth Moss, MAD MEN
Julianna Margulies, THE GOOD WIFE
Piper Perabo, COVERT AFFAIRS
Kyra Sedgwick, THE CLOSER

Comentário: Finalmente os Globos de Ouro a reconhecerem a qualidade de duas séries, "Sons of Anarchy" e "Breaking Bad", mesmo que seja só através dos seus dois actores. Katey Sagal e Bryan Cranston merecem-no. Margulies era óbvio que iria repetir (e é favorita para voltar a vencer), Sedgwick a mesma coisa. Continua a mania de "Mad Men" ter que repartir a riqueza na categoria de Melhor Actriz, seja nos Globos ou nos Emmy, com Elizabeth Moss a ocupar o lugar que por dois anos havia sido de January Jones (injustamente, diga-se, porque esta foi a melhor temporada de Betty Draper) e o voto populista levou a que Piper Perabo, ridiculamente, conseguisse uma nomeação nesta categoria onde todas as outras nomeadas são imensamente superiores. A restante categoria de Melhor Actor não tem outras surpresas, o que não é de admirar - porque estes cinco senhores são similarmente brlhantes, todos eles.

Vencedor: Hugh Laurie ganhou em 2006 (e 2005), Jon Hamm ganhou em 2007, Gabriel Byrne em 2008, Michael C. Hall em 2009 e portanto só resta Steve Buscemi ou Cranston. Como é o primeiro que tem a série em estreia, deve ser ele o vencedor.


Melhor Actriz - Comédia/Musical
Tina Fey, 30 ROCK
Edie Falco, NURSE JACKIE
Toni Collette, THE UNITED STATES OF TARA
Lea Michele, GLEE
Laura Linney, THE BIG C




Melhor Actor - Comédia/Musical
Alec Baldwin, 30 ROCK
Steve Carell, THE OFFICE
Jim Parsons, THE BIG BANG THEORY
Matthew Morrison, GLEE
Thomas Jane, HUNG

Comentário: Nas senhoras, temos todas elas (menos Julia Louis-Dreyfus, cuja série terminou) a repetir a nomeação aqui, depois de terem transitado com sucesso dos Globos de Ouro em 2010 para os Emmy também, com a troca pequena de Courteney Cox (injustamente roubada, uma vez mais, de uma nomeação, tanto aqui como nos Emmy) pela mulher a bater este ano em Comédia - Laura Linney. Nos senhores, os nomeados do ano passado repetem-se todos, promovendo-se só aqui a troca de David Duchovny (a perder gás) por Jim Parsons (imensamente merecida; provavelmente no seguimento da sua vitória nos Emmy).

Vencedor: Por algum motivo é o alvo a abater: Laura Linney chegou, viu e vem para vencer. E nos senhores, depois de quatro anos, se calhar é altura de Baldwin deixar o prémio para mais alguém, possivelmente será Jim Parsons ou (finalmente, até porque vai deixar a série) Steve Carell.


Melhor Actor Secundário
Scott Caan, HAWAII FIVE-0
Christ Noth, THE GOOD WIFE
Eric Stonestreet, MODERN FAMILY
Chris Colfer, GLEE
David Strathairn, TEMPLE GRANDIN



Melhor Actriz Secundária
Jane Lynch, GLEE
Sofia Vergara, MODERN FAMILY
Julia Stiles, DEXTER
Kelly Macdonald, BOARDWALK EMPIRE
Hope Davis, THE SPECIAL RELATIONSHIP

Comentário: Todos os anos acabo por ficar irritado com os Globos de Ouro e as categorias secundárias, pela escolha arbitrária de algumas interpretações e de outras não e pelo facto de colocar todos os actores secundários em dois sacos, só fazendo separação por sexo. Irrita-me isto, até porque na maioria das vezes os secundários são personagens (e interpretações) mais fascinantes que os protagonistas. Mas enfim. Considero que são dois bons grupos de nomeados, o de homens invariavelmente bem mais forte que o das mulheres. As múltiplas menções de Chris Colfer começam a embaraçar-me já, não só porque não acho que o papel seja assim tão complicado de interpretar como e sobretudo por ter sido nomeado na variante de Comédia/Musical, sendo que tudo o que envolve a sua personagem naquela série é Drama, não comédia. Aquilo é uma interpretação dramática. Dito isto, concordo com as menções de Strathairn, Stonestreet e Noth, de longe a personagem mais intrigante de "The Good Wife" (num elenco que poderia todo estar aqui - e seria merecido isso acontecer - nomeado). O voto populista em Scott Caan já é apanágio dos Globos de Ouro, acontecendo todos os anos (ver Simon Baker em 2009/2010 ou Piper Perabo este ano). Nas mulheres, Lynch é a única a repetir a nomeação e Davis é a única a transitar das categorias de Tele-Filmes e Mini-Séries dos Emmy. Vergara (merecidamente) junta-se ao lote de nomeados, que é completado pela decente escolha de MacDonald e pela não tão interessante escolha de Stiles. Baranski ou Panjabi ("The Good Wife") seriam infinitamente melhores escolhas. Ou Hendricks ("Mad Men").

Vencedor: Tendo sido roubada o ano passado, não há dúvidas que Jane Lynch é a favorita, com Sofia Vergara como uma interessante possibilidade. Para Actor Secundário, tudo em aberto, com Eric Stonestreet a ter uma (ligeira) vantagem.


Melhor Telefilme ou Mini-série
THE PACIFIC
CARLOS
TEMPLE GRANDIN
PILLARS OF THE EARTH
YOU DON'T KNOW JACK

Melhor Actor - Telefilme ou Mini-séri
Idris Elba, LUTHER
Ian McShane, PILLARS OF THE EARTH
Al Pacino, YOU DON'T KNOW JACK
Dennis Quaid, THE SPECIAL RELATIONSHIP
Edgar Ramirez, CARLOS

Melhor Actriz - Telefilme ou Mini-série
Claire Danes, TEMPLE GRANDIN
Hayley Atwell, PILLARS OF THE EARTH
Judi Dench, RETURN TO CRANFORD
Romola Garai, EMMA
Jennifer Love-Hewitt, THE CLIENT LIST

Comentário: Só deixar aqui duas notas: "Temple Grandin", "The Special Relationship" e "You Don't Know Jack" continuam a coleccionar prémios há quase mais de um ano. E "Carlos", o (supostamente) excelente filme de Assayas, como não pode ser reconhecido pela HFPA e pela Academia como Filme, ao menos tem ganho reconhecimento pela sua "transformação" televisiva.

Vencedor: Claire Danes para Melhor Actriz, Al Pacino para Melhor Actor e "Carlos" ou "The Pacific" para Melhor Mini-Série/Tele-Filme (se bem que qualquer um dos cinco na lista pode vencer).


Revisão da Televisão em 2010: Parte 4

A nova temporada televisiva já começou há quase dois meses, daí que eu precise mesmo de arrumar com a minha revisão das temporadas das séries em 2010.

Vamos à quarta e última parte da minha revisão (partes anteriores em #31-40, #30-21 e #20-11 e este, #10-1) Espero que deixem ficar a vossa opinião.



10. PARKS AND RECREATION

Temporada: 2
Nota: B+

Crítica: Depois de uma primeira temporada interessante, a comédia que era suposto ser um parente pobre de "The Office" deu um salto substancial em qualidade. Muito mais engraçada, muito mais madura, com piadas muito mais eficientes e muito menos ilógicas, como algumas das storylines do ano transacto. E enquanto Leslie Knope (Amy Poehler) continuou nos seus devaneios do costume, as verdadeiras estrelas do show apareceram, desculpe-me Tom (Aziz Ansari) que parece ser de quem toda a gente gosta, são April (Aubrey Plaza) e Ron (Nick Offerman), que é uma versão bastante mais aprimorada do sr. Michael Scott. Parabéns a uma série que consegue ter tanta riqueza e extrair tão bom potencial para histórias a partir dos seus personagens secundários como esta. Estaria mais alto não fosse o facto de ainda assim continuar a ter alguns episódios em que escapa para a piada fácil.

Melhor Episódio: Um empate entre "Sweetums" e "The Stakeout" (2.15 e 2.02, B+).
Quem sobressaiu: Aubrey Plaza. Tudo o que ela disse esta temporada foi mágico.


9. THE GOOD WIFE

Temporada: 1
Nota: B+


Crítica: Se alguém me dissesse que um drama legal muito subtil e ligeiro se fosse tornar na minha série favorita das que estreou na nova temporada, não acreditaria. Mas foi de facto verdade. "The Good Wife" ganhou-me a pouco e pouco e agora é a série que mais falta me faz durante a semana. "Modern Family" é de longe a série que eu mais gostei de acompanhar o ano passado, mas esta é que se tornou das minhas favoritas. Excelentes casos, brilhante a forma como captura o ambiente dos tribunais e ao mesmo tempo tece bem a dicotomia entre a vida profissional e a outra vida, a pessoal, a privada e impecável ao explorar a bipolaridade das personagens, nunca nos emburrecendo, nunca nos tomando como garantidos, sempre surpreendendo sem recorrer a clichés ou a jogadas duplas, como tão frequente é ver neste tipo de séries. E nem vamos falar do valor incalculável deste elenco. Josh Charles e Chris Noth têm pura e simplesmente os papéis de uma vida, Archie Panjabi já levou o Emmy e Christine Baranski é grande candidata a levar o próximo, ainda por cima se continuar assim. E depois disso temos Julianna Margulies. Que interpretação soberba. Sabe quando deve deixar a sua personagem falar por si, sabe quando usar as expressões faciais, sabe quando deve subir o tom e descê-lo. É impressionante. Foi-lhe roubado um Emmy este ano, mas em 2011 não lhe escapa.


Melhor Episódio: "Boom" (1.19, B+) e "Unplugged" (1.21, B+).

Quem sobressaiu: Todos excelentes, mas Julianna Margulies é a MVP da série.


8. FRIDAY NIGHT LIGHTS


Temporada: 4
Nota: A-/B+


Crítica: Que há a dizer de "Friday Night Lights" que ainda já não foi dito? Que é capaz de ser o melhor drama da televisão norte-americana? Sim. Que tem um dos melhores elencos em televisão? Sim. Que tem argumentistas fantásticos que conseguem aliar o drama ao inspiracional e a geniais momentos de comédia? Sim. Que tem em Kyle Chandler e em Connie Britton dois dos melhores actores da sua faixa etária? Sim. Que apesar de falar primariamente em futebol americano pouquíssimo do interesse da série reside no desporto em si? Sim. Que quem vir "The Son", do ano passado, e não passar a seguir a série religiosamente é porque não tem coração? Obviamente. Acho que já disse tudo, portanto.

 
Melhor Episódio: "The Son" (4.05, A) é o melhor episódio dramático do ano passado, só a par do season finale de Mad Men e Breaking Bad.

Quem sobressaiu: Connie Britton continua, ao fim de quatro temporadas, simplesmente espectacular.


7. LOST


Temporada: 6
Nota: A-/B+

Crítica: Esta nota é capaz de ser um pouco alta demais para uma temporada tão confusa e incerta como esta última de "Lost" foi, mas a verdade é que a série terminou em grande, diga-se o que se quiser dizer do episódio final, que iria sempre causar imensa controvérsia. Uns optam por dizer que foi dos piores finais da história, eu opto por dizer que achei o final perfeito e totalmente condizente com o rumo que a série tomou. "Lost" nunca foi apenas uma série de mitologia, nunca foi apenas uma série de ficção científica. "Lost" sempre foi uma série que se focou nas pessoas, focou-se em explorá-las, focou-se em mostrar o seu lado bom e o seu lado mau e focou-se em tentar expô-las a situações que testassem a sua personalidade. Claro que foi fascinante ver algumas questões finalmente resolvidas mas para mim o mais importante foi ver que o desígnio final para as personagens era justo e assentava bem no que tínhamos vindo a conhecer de cada um deles. Admito que me veio lágrimas aos olhos no final. No fim de contas, estamos a falar da série mais icónica da nossa década, da nossa geração até, a terminar.


Melhor Episódio: Vários ao longo da temporada, mas só para ser teimoso, vou realçar o final ("The End: Part 1 and 2", A-).
Quem sobressaiu: Terry O'Quinn. Assombroso.



6. CHUCK


Temporada: 3
Nota: A-/B+


Crítica: Peço desculpa por dizer já isto, mas para quem não gosta de "Chuck", não vale a pena sequer tentar compreender esta nota. Esta é uma nota de uma pessoa que se diverte imenso todas as semanas ao seguir as desaventuras do sr. Chuck Bartowski e Cª. Tenho pena que com esta série só tenha percebido o seu valor muito mais tarde do que a maioria das pessoas. Ainda bem, contudo, que eu ainda cheguei a tempo. A terceira temporada de "Chuck" foi a mais forte até agora, parece-me a mim. Finalmente o nosso herói é treinado para ser espião, finalmente obtivemos uma resolução quanto à relação entre Chuck e Sarah, finalmente Morgan serve para mais do que comic relief e finalmente Ellie e Awesome têm uma participação mais activa na série. A única coisa que não gostei nesta temporada foi a adição de Brandon Routh como o super-espião Shaw. Admito, surpreendeu-me pela positiva inicialmente, todavia com o andar das coisas e as complicações que ele foi aos poucos inserindo na relação de Chuck e Sarah e no treino de Chuck foram demovendo-me da minha apreciação inicial. E depois aqueles seis últimos episódios, com a sua dupla face mostrada... Não há paciência. Foram momentos difíceis para mim sempre que ele surgia no ecrã. De resto, foi um ano bastante bom para a equipa de "Chuck", que manteve as audiências minimamente altas e conseguiu uma renovação completa de 24 episódios. Not bad.


Melhor Episódio: Para mim, "Chuck vs. the Mask" (3.07, B+).
Quem sobressaiu: Acho que esta foi, até agora, a melhor temporada de Joshua Gomez.

 
5. SONS OF ANARCHY

Temporada: 2
Nota: A-


Crítica: É mesmo uma pena que pouca gente dê valor a "Sons of Anarchy", um dos melhores dramas da televisão por cabo nos EUA. É uma série que não respeita convenções e que pisa a linha do inaceitável vezes demais, mas a verdade é que não há outra coisa como ela. Faz-me lembrar algo do género de "Rescue Me", mas mais pesado ainda. Abordar de forma tão brusca e poderosa uma violação, como fez a série o ano passado, não é para todos (viu-se pelo episódio de "Private Practice" esta semana). Felizmente, conta com um elenco fabuloso e com um grupo de argumentistas com muito talento para contar histórias. O que me admira é a falta de amor que os prémios como os Emmy têm pela série. É que por exemplo Katey Sagal teria ganho um Emmy de caras. E já agora, lembram-se de uma série fantástica que passava há uns anos na televisão, chamada "The Shield", que também não tinha sucesso com os Emmy? Pois é, adivinhem quem era o argumentista principal dessa série? O criador desta.


Melhor Episódio: "So" (2.01, A-) e "Service" (2.11, A-).
Quem sobressaiu: Katey Sagal. Aquela cena da violação ainda me está gravada na memória.


4. DEXTER

Temporada: 4
Nota: A-


Crítica: Quando pensamos que "Dexter" não consegue ficar melhor, eis que os argumentistas sobem o nível mais uma vez e nos presenteiam com a melhor temporada da história da série. Uma temporada verdadeiramente excitante, com a adição acertada do extraordinário John Lithgow - finalmente um nemesis à altura de Dexter Morgan - e com um final tão espectacular quanto chocante. Quem poderia prever que seria aquele o destino de Rita? A minha única crítica - e que é recorrente, já não é de agora - é a série não ter mais ninguém com o mínimo interesse, à excepção de Dexter, claro. Não é por culpa dos actores, pois estes desempenham bem os seus papéis. Acho mesmo que é por culpa das personagens e das suas caracterizações, que as tornam muito unidimensionais, além do pouco material que têm os actores secundários para trabalhar.




Melhor Episódio: O final seria óbvio, mas "Hungry Man" é capaz mesmo de ser o melhor (4.09, A).
Quem sobressaiu: John Lithgow e Michael C. Hall.




3. BREAKING BAD


Temporada: 3
Nota: A


Crítica: O primeiro A da minha lista vai para esta brilhante e inovadora série que desafia toda a espécie de lógica ou lei. Não basta dizer só que é inteligente, bem escrita, bem interpretada e interessante. Não. Esta terceira temporada rebentou com todos os fusíveis. Foi excepcional e não houve um episódio que não me tivesse deixado de boca aberta. Ainda por cima, este elenco é fantástico - Bryan Cranston, Anna Gunn e Aaron Paul, o núcleo duro da série, são geniais e todos mereciam um Emmy (só a mulher não levou um Emmy para casa - nem sequer foi nomeada; Paul ganhou o seu primeiro este ano, Cranston vai no terceiro consecutivo) e tem uma química explosiva e é maravilhoso presenciar a transformação que as personagens vêm vindo a sofrer. Finalmente, só uma palavra de apreço para a AMC: obrigado pela boa televisão que nos tem dado. "Mad Men", "Rubicon", "Breaking Bad" e "The Walking Dead"? Obrigado.

Melhor Episódio: o final de temporada, "Full Measure" (3.13, A).
Quem sobressaiu: Aaron Paul ser destacado era merecido, mas como "Peekaboo" já foi a temporada passada, é Bryan Cranston que para mim foi o melhor da série.


2. MODERN FAMILY

Temporada: 1
Nota: A

Crítica: Que lufada de ar fresco foi "Modern Family" no panorama de séries com base situacional (as tais sitcoms)! Um elenco irrepreensível e indubitavelmente talentoso, histórias originais, frescas, bem elaboradas e exploradas (e, muito importante, absolutamente engraçadas), uma direcção cuidada, que deve ter sido crucial para obter tão bons resultados em termos de timing comédico e pronunciação de falas não de um, ou de dois, mas de quatro actores infantis, e uma série que não teve medo de lidar com preconceitos (tem gays; tem estrangeiros; tem um casamento com uma diferença de idades grande) e que vincou bem o seu lugar na temporada televisiva de 2009-2010. Foram tantos e tão saborosos os momentos que me proporcionou que nem dá sequer para singularizar dez, quanto mais só um ou dois. "Modern Family" não promete. Chegou, viu e venceu. Tão simples quanto isso.

Melhores Episódios: Não dá para pegar só num. O piloto, "Fifteen Percent", "Moon Landing", "Fears", "Family Portrait" são alguns que destaco (1.01, 1.14, 1.15, 1.16, 1.24, todos A-).
Quem sobressaiu: Ty Burrell, Sofia Vergara e Eric Stonestreet. Que três.


1. MAD MEN


Temporada: 3
Nota: A+

Crítica: Bem sei que não se deve falar em perfeição porque normalmente esse é um objectivo inatingível, mas a terceira temporada de "Mad Men" foi, sem dúvida, perfeita. Treze episódios fortíssimos, um estilo de escrita ímpar por parte de Weiner e Cª, storylines que mudaram (bem) um pouco o rumo da série e abordam de tudo um pouco, de divórcios a gravidezes a casamentos apresentando-nos sempre mais e mais camadas de complexidade destas personagens que aprendemos a tanto respeitar, um elenco extraordinário, onde não há um ponto fraco - e onde Moss, Hamm e Jones brilham acima de todos os restantes - e uma maravilhosa exploração do dia-a-dia, do ambiente, da história dos anos 60 tornam esta na melhor série dos últimos anos e muito provavelmente na série da década, lado a lado com "The Sopranos", "The Wire" e "Six Feet Under". E se dúvidas haviam da magnitude do calibre de Mad Men, esta temporada deve tê-las aniquilado todas. Esta vai ser uma série que vai ganhar o Emmy de Melhor Drama até ao dia em que decidir terminar.

Melhor Episódio: o trio final, "The Gypsy and The Hobo", "The Grown-Ups" e o soberbo final "Shut the Door, Have a Seat" (3.11, 3.12, 3.13, todos A), a juntar ao espectacular "Guy Walks Into Advertising Agency" (3.06, A-).
Quem sobressaiu: January Jones e Jon Hamm.



E cá está a minha revisão da temporada televisiva passada concluída. Espero que tenham gostado e que não vos tenha maçado muito. Alguma sugestão a como fazer a análise da temporada vindoura será bem-vinda. E obviamente que peço desculpa por ter-me demorado tanto em voltar à escrita no blogue.