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DIAL P FOR POPCORN

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BLACK SWAN (2010)






"He picked me, Mommy!"


Depois de em The Wrestler o realizador Darren Aronofsky nos ter mostrado o dano físico e psicossocial que a devoção à arte podem causar a uma pessoa, eis que ele volta a terreno conhecido em Black Swan, arrancando uma interpretação memorável de Natalie Portman, daquelas feita para ganhar montanhas de prémios, na qual se vê todo o esforço que a actriz teve que exercer para conseguir interpretar convincentemente uma bailarina de uma companhia de dança com alta reputação e, em simultâneo, actuar ao longo do filme, mostrando  como tanto o desequilíbrio emocional como a obsessão inocente de Nina (em conjunto com outros factores), a nossa protagonista, contribuíram para agravar o complicado estado mental da personagem.


Um visionário inexcedível, Darren Aronofsky sucede em fugir a um argumento com uma história bastante óbvia, transformando o que poderia resumir-se à perda de lucidez de uma bailarina num estudo complexo e intenso sobre a fragilidade da psique de um bailarino, o artista que desempenha o papel principal naquela que é considerada, por muitos, a "arte maior" da dança, a que mais dada é a grandiosas e elaboradas coreografias, a que explora a musicalidade própria das composições clássicas e a usa para grande efeito. Nina Sayers é uma metáfora interessante para o que é ser uma bailarina: uma psique frágil, vulnerável, destruída pelas inúmeras rejeições, pelo esforço mental que requer, pela concentração e atenção ao detalhe e ao pormenor de uma performance imaculada, sem falhas, escondida por detrás de um corpo altamente muscular, que sofre dano ao mesmo tempo que a mente, dano este que pelo contrário é bastante visível. O perfeccionismo paga-se caro.


O filme reside em linhas narrativas muito simples: Nina Sayers (Natalie Portman) é uma das bailarinas mais antigas de uma renomada companhia de ballet norte-americana que vê a sua grande oportunidade chegar quando Thomas (Vincent Cassel), o excêntrico mas enormemente talentoso director da companhia, decide reformar a sua antiga prima ballerina, Beth (Wynona Ryder), e preparar o seu glorioso retorno à proeminência com o seu moderno remake do bailado mais famoso de Tchaikovsky, o Lago dos Cisnes. Nina, atormentada já por si só pelas expectativas ridiculamente elevadas que a sua mãe, Erica (Barbara Hershey), que outrora também fora bailarina, coloca nela, vê o seu estado mental deteriorar-se enquanto se perde numa competição, que até ao fim não sabemos bem se se passa verdadeiramente ou se é só apenas fruto da sua mente, com Lily (Mila Kunis), a nova bailarina da companhia.


Lily é tudo aquilo que Nina sonhava ser e não é; Nina é operática, perfeccionista e trabalhadora, com movimentos delicados e suaves, perfeitos para desempenhar o papel do Cisne Branco, que requer uma inocência e vulnerabilidade que Nina exuma naturalmente. Já o Cisne Negro, que se quer sensual, livre de movimento e mais descontraído, torna-se um desafio titânico para Nina superar. Na sua busca pela perfeição e ideal no que é, invariavelmente, o papel que definirá para sempre a sua carreira como bailarina, Nina perde-se na fina linha entre a realidade e o imaginário, conduzindo-nos com ela pelo mundo competitivo do ballet e pelas exigências físicas e psicológicas que este papel lhe vão impôr.

 
O elenco funciona de forma maravilhosa, com Wynona Ryder em pleno modo neurótico a proporcionar-nos pequenos momentos de prazer, ao vê-la assumidamente representar aquilo que é, hoje em dia, um espelho da sua vida enquanto actriz e Barbara Hershey a elevar o nível de cada cena que protagoniza. Vincent Cassel e Mila Kunis não têm muito mais que explorar fora das linhas de principais propulsores do desabrochar social e sexual de Nina. Sedutores e enigmáticos, contudo pouco mais que isso.

Weisblum e Libatique continuam a colaboração frutífera com Aronofsky, que tão bons resultados vem dando e que atinge um novo máximo em Black Swan, com ambos a realizar um excelente trabalho dando asas à criatividade do mestre e trabalhando em seu prol, com uma fotografia impecável e um trabalho de edição notável a serem os grandes destaques, em termos técnicos, desta película (uma nota de parabéns também à produção artística - o jogo de espelhos, as salas a meia-luz, a casa de Erica e Nina - cheia de pormenores deliciosos, com ar de cela mas também convidativo à intimidade e à relação estranhíssima que as duas possuem). Clint Mansell, o compositor de serviço de Aronofsky, também brilha aqui, com uma adaptação irreverente e irresistível da obra-prima de Tchaikovsky, explorando os mais finos detalhes e transformando-a quase num pesadelo que nos persegue muito depois de abandonarmos o cinema, convertendo o Lago dos Cisnes numa experiência selvagem, pesada, emocionante. E, no fim de contas, há que dar o braço a torcer a Aronofsky. Ninguém consegue revirar tanto o jogo como ele. Mantendo-nos sempre na beira do assento, excita-nos e maravilha-nos a cada minuto que passa, subindo-nos o nível de adrenalina até culminar naquele orgásmico final.

 
Neste pas de deux entre a dança e a vida, entre a realidade e o sonho,  entre a técnica e o talento, Nina (a pessoa) procura libertar-se do enjaulamento e repressão social que a sua mãe lhe impõe, enquanto Nina (a artista) procura libertar-se da perfeição técnica que tantos anos de rigoroso treino lhe impuseram para alcançar o próximo nível: a perfeição artística, capaz de nos ludibriar e encantar ao mesmo tempo. Conseguirá Nina lá chegar? E que preço terá de pagar? É o que Aronofsky nos tenta contar.



Nota Final:

 A-/B+


Informação Adicional:
Realizador: Darren Aronofsky
Argumento: Mark Heyman, Andrew Heinz, John McLaughlin
Elenco: Natalie Portman, Mila Kunis, Barbara Hershey, Wynona Ryder, Vincent Cassel
Fotografia: Matthew Libatique
Banda Sonora: Clint Mansell
Ano: 2010


Trailer:




O Ano em Revista: Bandas Sonoras



A nossa Revisão do Ano começa hoje, aqui no DIAL P FOR POPCORN. E decidi começar, como há dias já tinha preconizado, com as Bandas Sonoras (num período menos poético e mais cerebral em que me encontro, música é do que preciso para manter minimamente viva a minha imaginação, o que explica a grande quantidade de artigos desse foro nos últimos tempos).


2010 foi um ano especialmente bom para bandas sonoras. Quase todos os grandes compositores do ramo trabalharam, quase todos entregaram bons trabalhos, uma boa parte deles conseguiu fazer dos melhores da sua carreira; outros que, com uma carreira recheada de êxitos, conseguiram voltar aos bons velhos tempos; e ainda outros que, na sua primeira aventura em composição para filmes, foram um sucesso estrondoso. Tivemos de tudo, este ano.

Depois de 2009 ter sido o ano da Mulher, como muitos o caracterizaram, 2010 foi, para mim, o ano das Bandas Sonoras, mesmo tendo as mulheres feito por merecer de novo o título este ano. Na minha cabeça, este foi um dos melhores anos de sempre nesse aspecto. Deixo-vos ficar, abaixo, com trechos daquelas que são as minhas favoritas composições do ano. Deixo-vos julgar por vós próprios.


L'ILLUSIONISTE, de Sylvain Chomet, foi uma experiência incrível. Não bastava ser um filme animado competente, com uma história inolvidável e compreensivelmente emocional, ainda Chomet tinha de compôr uma das mais lindas (quiçá a melhor) banda sonora do ano. Uma melodia inesquecível, a merecer destaque.


Se dissesse que me apaixonei perdidamente pela banda sonora de John Powell para HOW TO TRAIN YOUR DRAGON, também não estaria a mentir. Mantenho na minha cabeça que é a mais sólida composição musical, que serve na perfeição o filme e o eleva para maiores vôos, conseguindo ser harmoniosa, doce, subtil, imperial e arrepiante, tudo ao mesmo tempo. Mítica. Tal como o filme. Se juntarem a isto a ternurenta "Sticks & Stones" de Jónsi, o vocalista de Sigur Rós... Eu derreto-me.




É fácil desprezar a belíssima composição musical de Hans Zimmer para INCEPTION de Christopher Nolan como um conjunto de arranjos musicais bem feitos que impulsionam os momentos mais vibrantes do filme. É fácil desprezá-lo, sobretudo, porque de Zimmer já é isso que esperamos: uma banda sonora fascinante. O que me surpreende é que ele tenha conseguido manter-se original tanto tempo e, sem dúvida, este reaproveitamento que ele faz de "Je ne regrette rien" é brilhante. É fácil perdermo-nos nas explosões e estrondos sonoros típicos de um produto de Zimmer, mas o que surpreende aqui é de facto o ritmo e a tensão que ele imprime em trechos mais calmos como estes que vos deixo:



Outra banda sonora que me fascinou este ano foi o resultado da colaboração de Trent Reznor e Atticus Ross com David Fincher, para o seu THE SOCIAL NETWORK. Brilhante uso da electrónica, um som potente que se alia ao filme e cria um excelente pano de fundo à história, conferindo-lhe uma coolness e um ar de modernidade que era exactamente o que o filme precisava. Excelente trabalho, resultado espectacular.


Não é propriamente o melhor trabalho de Clint Mansell, mas ainda assim há que lhe dar os parabéns pela magistral interpretação, arranjo e mistura musical que fez com "Swan Lake" de Tchaikovsky para BLACK SWAN de Aronofsky. Que o filme resulte tão bem é testamento da qualidade do trabalho deste duo, juntos desde 2000. Transformou composições já de si virtuosas e graciosas em autênticas obras-primas musicais, com umas reviravoltas pelo meio que as tornam tão únicas, que conferem uma magia especial ao filme, convertendo este "Swan Lake" em particular no mais belo que já se viu.


Confissão (nada) surpreendente: estou mortinho para ver TRUE GRIT, dos irmãos Coen. Primeiro, porque conheço o livro e não acho que o filme de 1969 lhe seja particularmente fiel. Segundo, por causa de Jeff Bridges, Matt Damon e Josh Brolin. Terceiro, porque é um Coen Bros. e deles sai sempre algo interessante de discutir. E em último lugar, por Carter Burwell. Um dos maiores compositores a trabalhar no ramo, hoje em dia. E se o que eu ouvi é alguma indicação, eu diria que este será dos seus melhores trabalhos de sempre. A combinação do seu estilo musical muito próprio e do arranjo musical que fez nestes hinos protestantes resultou em pleno.


Quem me conhece sabe da minha verdadeira admiração por Alexandre Desplat. Acima de tudo, pelo trabalho tão diversificado, tão inspirado, tão peculiar e tão diferente de todos os outros que têm aparecido. Este ano, mais três excelentes bandas sonoras, das quais ressalvo estas duas. THE GHOST WRITER serve o filme de Polanski na perfeição e envolve-nos na trama como nenhuma outra o fez em 2010. Mantém-nos sempre na ponta do assento no cinema, à espera do que se passará a seguir. Uma grande banda sonora para um grande filme.


E como uma só não basta para Desplat, eis que, além de deixar a sua marca própria na franchise de Harry Potter, ainda veio compôr a banda sonora de um dos favoritos a vencer vários Óscares na cerimónia deste ano. A sua banda sonora para THE KING'S SPEECH pode não ser tão sonante nem tão portentosa como para o filme de Polanski, todavia é ainda assim uma bela composição, a aliar o imperial que se impõe a um filme sobre a realeza britânica com o leve e subtil que estabelece um ambiente caloroso e alegre que proporciona pano de fundo ideal à relação central do filme.



E, como seria de esperar, teríamos de chegar a Daft Punk e à magnífica banda sonora que compuseram para TRON: LEGACY. Mesmo que o filme não consiga igualar em qualidade a música, esta incursão do duo francês pelo cinema não pode nunca passar despercebida. Não conheço como se comporta a música dentro do filme, contudo o ritmo pulsante, épico, futurístico desta composição torna-a em algo muito especial e único que nos é apresentado este ano. Para ser saboreado com múltiplas audições.


John Adams é um génio musical. Isso não há dúvida. A sublime combinação da enorme qualidade da sua banda sonora com a fotografia magistral de Yorick Le Saux e a direcção firme de Luca Guadagnino transcendem o ecrã, deixando uma marca inapagável na nossa memória. Tilda Swinton pode ser o principal motivo que leve as pessoas ao cinema para ver I AM LOVE / IO SONO L'AMORE, mas estes três que apontei em cima, sobretudo a banda sonora de Adams, é que fica na nossa memória quando saímos dele. Absolutamente inesquecível. Grandiosa. Maravilhosa.


E temos agora aqui as duas escolhas mais desconhecidas - penso eu - da lista. MONSTERS, de Gareth Edwards, tem dividido as opiniões dos críticos. Eu adorei o filme. O que ficou na retina, sobretudo, além do brilhante resultado final da película, em termos de efeitos visuais e fotografia, quando consideramos o baixíssimo orçamento do filme, foi a monstruosa banda sonora de Jon Hopkins, que funciona em uníssono com a mensagem do filme. Música que nos deixa inquietos, desconfortáveis, mas ao mesmo tempo impressionados e interessados no que se passará a seguir. Excelente complemento ao poderio visual do filme.



Resta-me falar de mais uma das surpresas do ano (bem, em teoria é de 2009, mas só o descobrimos este ano no Ocidente). MOTHER, de Joon-Ho Bong, é todo ele uma impressionante película, com uma interpretação extraordinária de Kim Hye-Ja, contudo foi na banda sonora que a minha cabeça se focou quando vi o filme a primeira vez. Uma banda sonora tão atípica, a fazer-me lembrar a banda sonora de IN THE MOOD FOR LOVE, com uma batida romântica, inflamada, com um ritmo incandescente, melodramática q.b.


Esta revisão não podia, todavia, estar completa sem mencionar estes cinco outros títulos que ficaram comigo durante este ano. Podem não ser as melhores bandas sonoras para os seus filmes (como é o caso de NEVER LET ME GO e THE LAST AIRBENDER, cuja música não combina com o que se vê passar no ecrã), podem não ser o melhor trabalho do seu compositor (como é o caso de LET ME IN, uma excelente banda sonora de Giacchino, que tem passado despercebida no circuito de prémios; ou de TOY STORY 3 e Randy Newman) ou por uma razão ou por outra não constam da minha lista de "melhores" do ano (127 HOURS é uma boa questão; gosto da banda sonora mas há músicas dela que não me impressionam; SOMEWHERE tem uma das minhas bandas sonoras preferidas este ano, mas só um ou dois títulos são-me verdadeiramente queridos - como esta dos The Strokes que escolhi), não posso deixar de singularizar estas bandas sonoras do resto que se ouviu em 2010:



E vocês, que dizem de tudo isto? Terei perdido a cabeça com tanta música?

O ramo Musical da Academia e as Bandas Sonoras




Como já saberão por esta altura, as bandas sonoras originais de "Black Swan" (Clint Mansell), de "The Fighter" (Michael Brooks), de "The Kids Are All Right" e de "True Grit" (ambas de Carter Burwell) foram desqualificadas da corrida ao Óscar de Melhor Banda Sonora Original e teme-se que o mesmo ainda possa suceder com "Inception" (Hans Zimmer), o favorito da corrida e "The Social Network" (Trent Reznor & Atticus Ross).
 

Supostamente, a primeira foi desqualificada por uso excessivo das composições de Tchaikovsky para "Swan Lake", a segunda e a terceira por terem demasiadas canções não-originais e a última por se basear em hinos protestantes. Curioso é que Alexandre Desplat não tenha visto a sua banda sonora para "The King's Speech" desqualificada, quando o seu conteúdo é um reaproveitamento dos concertos para piano de Beethoven.

Isto leva-me à minha primeira pergunta: como é que a Academia acha possível que estas regras do ramo Musical ainda sejam válidas? Segundo a Academia,

"An original score is a substantial body of music that serves as original dramatic underscoring and is written specifically for the motion picture by the submitting composer."

Tudo bem. Mas então alguém que me explique como é que um filme que gira em torno do espectáculo de ballet para o qual Tchaikovsky escreveu "Swan Lake" não use as suas composições? É incrivelmente estúpido. Nem é por Mansell ser candidato de peso (que não o seria de qualquer forma; e o seu trabalho em "Black Swan" nem sequer é dos seus melhores), é pela injustiça de como o ramo Musical analisa esta categoria.

 

Outros casos recentes que me lembre que foram desqualificados: em 2007, a banda sonora de Johnny Greenwood, de longe uma das melhores da década, foi desqualificada por uso excessivo de música que ele não tinha escrito de propósito para o filme. Como se um artista agora fosse só profílico quando está sob contrato. Em 2008, a banda sonora de "The Dark Knight", tal como em 2005 a de "Batman Begins", foram arrumadas da corrida porque  Zimmer e Newton Howard, os responsáveis pelas bandas sonoras, detinham menos de 70% das composições. A decisão foi revogada em 2008, mas a banda sonora foi de qualquer forma ignorada. 

Outra situação curiosa ocorreu o ano passado, com a nomeação de Alexandre Desplat por "Fantastic Mr. Fox" (merecidíssima, apesar de tudo).  Menos de 70% das composições são dele, contudo a banda sonora foi elegível e foi nomeada. Por outro lado, a banda sonora de Karen-O e Carter Burwell para "Where The Wild Things Are", numa situação similar, foi arrumada.


E poderíamos continuar noite dentro a dar este tipo de exemplos. Caso para dizer: o ramo musical da Academia é no mínimo... controverso.

E nem peguemos na categoria de Melhor Canção Original e na regra dos 8,25 de pontuação que me volto a lembrar de 2008 ("O'Saya" é nomeado, "The Wrestler", o favorito, nem isso consegue) e fico doente.

Isto faz-nos perguntar, de facto, se não valerá de novo a pena voltar a fazer renascer a categoria de Melhor Banda Sonora Não-Original - a tal categoria que veio substituir, em conjunto com a Melhor Banda Sonora Original, as agora extintas Melhor Banda Sonora - Dramática e Melhor Banda Sonora - Comédia/Musical.


Bem, com este redesenho da corrida, é provável que esta categoria vá ser um verdadeiro desapontamento este ano, tendo em conta o material potencial e os nomeados que vão provavelmente aparecer no boletim de voto.

Neste momento, eu diria que Reznor e Ross, não sendo eliminados da corrida,  têm grandes possibilidades de ser nomeados (o que, há dois/três meses atrás, dir-se-ia impensável). Juntamente com Zimmer e Desplat (por "The King's Speech"), que devem estar seguros nas suas posições.

Depois temos vários candidatos aos dois últimos lugares, alguns deles terríveis, outros deles brilhantes (mas quase impossíveis de ver concretizados):


PREVISÃO - MELHOR BANDA SONORA ORIGINAL:

Seguros:
Hans Zimmer, INCEPTION
Alexandre Desplat, THE KING'S SPEECH

Prováveis:
Trent Reznor & Atticus Ross, THE SOCIAL NETWORK

Possibilidades Fortes:
A.R. Rahman, 127 HOURS
Rachel Portman, NEVER LET ME GO
Danny Elfman, ALICE IN WONDERLAND
John Powell, HOW TO TRAIN YOUR DRAGON
Alexandre Desplat, THE GHOST WRITER

Improváveis:
Daft Punk, TRON: LEGACY
Alexandre Desplat, HARRY POTTER AND THE DEATHLY HALLOWS, PART 1
James Newton Howard, THE LAST AIRBENDER
Elliot Goldenthal, THE TEMPEST
Jan Kaczmarek, GET LOW
Sylvain Chomet, L'ILLUSIONISTE
Michael Giacchino, LET ME IN
Gustavo Santaolalla, BIUTIFUL


Adorava que a Academia estivesse em dia inspirado e lhe saísse um THE GHOST WRITER e um HOW TO TRAIN YOUR DRAGON. Já nem digo TRON: LEGACY porque isso é (quase) impossível. Infelizmente, acho que o combo Portman/Elfman/Rahman é demasiado irresistível para recusarem e portanto dois deles voltarão ao Kodak Theatre.


Enfim. E agora perguntarem-me: quais os teus nomeados, se pudesses escolher?
Bem... Como toda a gente sabe, eu sou fanático por bandas sonoras. Mesmo. Fanático.  E escolher cinco nomeados é muito complicado. Nos meus prémios eu tenho dez. Cinco originais e cinco não-originais (adaptadas, se quiserem). Todavia, como este artigo já está grandito e eu ainda quero falar um pouco sobre isto, vou continuar este tópico noutra vez, contribuindo (ainda mais) para a proliferação musical que este blogue tem experienciado nos últimos dias.



Globos de Ouro 2011 - Comentários às Nomeações (Cinema)

Depois de revelados os nomeados, depois de ponderar neles, é tempo de fazer a minha apreciação. Peço desculpa por ter demorado tanto tempo, mas mais vale tarde que nunca.

Começamos pelas categorias de CINEMA:




Melhor Filme - Drama
BLACK SWAN
THE FIGHTER
INCEPTION
THE KING'S SPEECH
THE SOCIAL NETWORK

Comentário: Não há dúvida que são os títulos mais fortes e sonantes da temporada. A grande surpresa tem vindo mesmo a ser o forte pedigree de "Black Swan" para prémios, coisa que não adivinhava possível. Outra coisa que me surpreendeu foi a tripla nomeação de "127 Hours" noutras categorias, mas a sua ausência aqui e em Melhor Realizador. Foi estranho. E ficou, de resto, comprovado que "Inception" acabará por ser nomeado para Melhor Filme.

Vencedor: Um duelo a dois, possivelmente três ("Black Swan"): o factor coolness ("The Social Network" conta ainda com um bónus: Fincher merece há muito tempo vencer prémios) contra o factor história ("The King's Speech" é o típico filme que antigamente ganhava imensos prémios). Pelo menos nos Globos de Ouro, penso que ganha "The Social Network".

Melhor Actriz - Drama
Halle Berry em FRANKIE AND ALICE
Nicole Kidman em RABBIT HOLE
Jennifer Lawrence em WINTER'S BONE
Natalie Portman em BLACK SWAN
Michelle Williams em BLUE VALENTINE




Melhor Actor - Drama
Jesse Eisenberg em THE SOCIAL NETWORK
Colin Firth em THE KING'S SPEECH
James Franco em 127 HOURS
Ryan Gosling em BLUE VALENTINE
Mark Wahlberg em THE FIGHTER

Comentário: Diz muito da interpretação de Jennifer Lawrence o facto de em todos os prémios de críticos e depois nos Globos e nos SAG ela aparecer nomeada. Relembre-se, algo que em Novembro era tido apenas como possibilidade. As voltas que a corrida dá. Que a tantas anda que já tem quatro nomeadas consolidadíssimas, três delas aqui nomeadas em Drama: Nicole Kidman, Natalie Portman e a supra-mencionada Jennifer Lawrence. A partir daqui, temos várias hipóteses para ocupar o último lugar em branco e eu, admiravelmente, apoio a escolha dos Globos de Ouro: Michelle Williams. Esperemos que sim. Na categoria de Actor - Drama, também temos os mais que nomeadíssimos Firth e Franco, acompanhados  surpreendentemente também em todos os prémios até agora com nomeados revelados por Jesse Eisenberg (que eu julguei que iria ter uma difícil caminhada para a nomeação) e as outras duas escolhas dos Globos vão ter que lutar com Jeff Bridges e Robert Duvall pelos dois lugares que faltam. Sem dúvida que estas duas categorias são excelentes e poderiam repetir-se nos Óscares (trocando Berry por Bening, obviamente).

Vencedor: Não duvido nada que Natalie Portman e Colin Firth juntem o Globo aos inúmeros prémios que vêm vencendo.




Melhor Filme - Musical ou Comédia
ALICE IN WONDERLAND
BURLESQUE
THE KIDS ARE ALL RIGHT
RED
THE TOURIST

Comentário: Esta categoria - ou melhor, estas categorias - de Comédia/Musical são uma bela comédia. Será que podiam ficar pior? Não me parece. De roçar o ridículo, a ponto de dar a ideia que o júri só viu "The Kids Are All Right" e votou nos restantes pelos nomes ligados aos projectos. Só assim é que se explica termos numa categoria de Comédia três nomeados que não são comédias. É que desculpem lá mas "Red", "The Tourist" e "Alice in Wonderland" não são comédias. Nem muito menos musicais. Eu estava a prever que algo semelhante acontecesse, mas nunca previ tão má situação. E é que se eu achasse que eles não sabem votar... Mas quem vê os nomeados de 2008 e os de 2010 fica perplexo ao ver a comparação. Digo mais: consigo, assim de cabeça, nomear dez filmes que ficariam melhores nesta categoria que estes três escolhidos: "Greenberg", "Kick-Ass", "Easy A", "Made in Dagenham", "Four Lions", "Scott Pilgrim vs. the World", "Somewhere", "Morning Glory", "How Do You Know" e até o (supostamente) paupérrimo "Love and Other Drugs". Enfim.

Vencedor: Será um escândalo de épicas proporções se não virmos "The Kids Are All Right" levar embora o prémio.

Melhor Actriz - Musical ou Comédia
Annette Bening em THE KIDS ARE ALL RIGHT
Anne Hathaway em LOVE AND OTHER DRUGS
Angelina Jolie em THE TOURIST
Julianne Moore em THE KIDS ARE ALL RIGHT
Emma Stone em EASY A




Melhor Actor - Musical ou Comédia
Johnny Depp em ALICE IN WONDERLAND
Johnny Depp em THE TOURIST
Paul Giamatti em BARNEY'S VERSION
Jake Gyllenhaal em LOVE AND OTHER DRUGS
Kevin Spacey em CASINO JACK

Comentário: Nomear pessoas só pelo nome e star power é o que está a dar. Só assim se explica as nomeações de Angelina Jolie e Johnny Depp (este com dupla nomeação) a comungar com as nomeações dos seus filmes para Melhor Filme, "The Tourist" e (no caso de Depp) também "Alice in Wonderland". Uma desgraça. Curioso ainda que Gylenhaal e Hathaway tenham conseguido a nomeação mas o seu filme - que pelo menos é uma comédia - não. Mais uma evidência para o voto pelo nome, como já referi. A surpresa positiva: Emma Stone. Cá está o teu cartão de visita para a A-List. E foi um "Easy A". De resto, duas categorias mesmo fracas. Então não podiam ter poupado (pelo menos) uma nomeação de Depp e dá-la, sei lá, a Downey Jr, a Duvall, a Carrey, a Bateman, a Johnson... Sei lá, alguém. Qualquer coisa seria mais inspirada que isto.

Vencedor: Em termos de Actriz, Annette Bening deve ter isto no papo. Quanto a Actor... Lamento em afirmar, mas possivelmente teremos de engolir um sapo com a vitória de Johnny Depp por "Alice in Wonderland". Espero estar enganado.



Melhor Actriz Secundária
Amy Adams em THE FIGHTER
Helena Bonham Carter em THE KING'S SPEECH
Mila Kunis em BLACK SWAN
Melissa Leo em THE FIGHTER
Jacki Weaver em ANIMAL KINGDOM

Comentário: É um excelente sinal que Jacki Weaver tenha conseguido esta nomeação (ainda para mais com o que depois se passou nos SAG). Mila Kunis continua a vencer prémios por um papel que, parece-me, é bastante reduzido. Ainda para aí gente a mais a pensar com outras "cabeças". Adams, Bonham-Carter e Leo a confirmar indicações de que seriam as principais favoritas ao troféu e potencialmente serão nomeadas já carimbadas para os Óscares, não se sabendo é quem as acompanha. Para já, são estas duas senhoras (Weaver e Kunis) mais Hailee Steinfeld que têm a vantagem.

Vencedor: Pode ir para qualquer lado neste duelo a três. Cada uma tem apelos diferentes: uma distinção importante numa carreira em crescendo (Leo), um prémio a fazer relembrar bons velhos tempos (Bonham-Carter) ou a coroação de uma das actrizes mais cotadas em Hollywood no momento (Adams). A combinação de factores, para já, previlegia Melissa Leo.



Melhor Actor Secundário
Christian Bale em THE FIGHTER
Michael Douglas em WALL STREET: MONEY NEVER SLEEPS
Andrew Garfield em THE SOCIAL NETWORK
Jeremy Renner em THE TOWN
Geoffrey Rush em THE KING'S SPEECH

Comentário: Também aqui, aparte a "surpresa" Michael Douglas, nada de admirar. Quatro nomeados em potência, dois deles assegurados (Rush e Bale) e dois deles no bom caminho (Garfield e Renner). O último lugar deverá ser pertença de um destes cinco senhores: Bill Murray, Mark Ruffalo, Matt Damon, John Hawkes ou Ed Harris.

Vencedor: O início do ano adivinhava este confronto e de facto cá o temos: Bale vs Rush. A história diria Rush, mas as circunstâncias dão a vantagem a Christian Bale.


Melhor Realizador
Darren Aronofsky por BLACK SWAN
David Fincher por THE SOCIAL NETWORK
Tom Hooper por THE KING'S SPEECH
Christopher Nolan por INCEPTION
David O. Russell por THE FIGHTER

Comentário: Espera-se que todos os cinco repitam nos Óscares, com os quatro primeiros, à partida, confirmadíssimos de certeza no envelope. O quinto nomeado começa a desenhar-se com o nome de David O'Russell, mas ainda não devemos excluir, para já, senhores como Joel & Ethan Coen ou Danny Boyle.

Vencedor: Não me parece que haja volta a dar ao texto: é de David Fincher este troféu.

Melhor Argumento
Danny Boyle, 127 HOURS
Lisa Cholodenko & Stuart Blumberg, THE KIDS ARE ALL RIGHT
Christopher Nolan, INCEPTION
David Seidler, THE KING'S SPEECH
Aaron Sorkin, THE SOCIAL NETWORK

Comentário: Cinco argumentos que toda a gente espera ver nos nomeados para os Óscares. Aaron Sorkin será o vencedor de Melhor Argumento Adaptado, Christopher Nolan o provável receptor do de Melhor Argumento Original. De resto, este último terá entre os nomeados da sua categoria "The Kids Are All Right" e "The King's Speech", bem como "Toy Story 3", que acabou surpreendentemente arredado desta corrida (onde a Pixar tinha três nomeações consecutivas) por "127 Hours", que irá competir (e perder) com "The Social Network" entre Argumentos Adaptados.

Vencedor: "The Social Network" parece-me ser o provável sweeper deste ano.


 
Melhor Filme Estrangeiro
BIUTIFUL (México)
LE CONCERT (França)
THE EDGE (Rússia)
I AM LOVE (Itália)
IN A BETTER WORLD (Dinamarca)

Comentário: A elevada campanha por detrás de "I Am Love", que procurava trazer a Tilda Swinton uma nomeação como Melhor Actriz, acabou por fruir efeito mas nesta categoria. Também a intensiva campanha da TWC por detrás de "Le Concert" provou ter sucesso, com este filme francês e não o outro, vencedor em Cannes e provável nomeado nos Óscares ("Des Hommes Et Des Dieux") a garantir um lugar. Suzanne Bier também provou que tem pedigree para garantir nomeações só pelo respeito ao seu nome, a fazer "In a Better World" pontuar aqui. "The Edge" e "Biutiful" são filmes típicos de Óscares de Filme Estrangeiro que poderão muito bem repetir a receita nos prémios da Academia (embora me pareça que só o segundo vá).

Vencedor: "I Am Love" ou "Biutiful", eis a questão. Ou, se Harvey Weinstein ainda manda alguma coisa por aqueles lados, "Le Concert".



Melhor Filme Animado
DESPICABLE ME
HOW TO TRAIN YOUR DRAGON
L'ILLUSIONISTE
TANGLED
TOY STORY 3

Comentário: Se a Academia permitisse cinco nomeados, seriam estes. Agora, tendo só que escolher três, alguém entre "Tangled", "L'Illusioniste" e "How To Train Your Dragon" vai ter que ceder passagem. É que em "Toy Story 3" não se mexe.

Vencedor: "How To Train Your Dragon" é o melhor filme que a Dreamworks já produziu e seria a sua melhor hipótese de quebrar a hegemonia da Pixar... Não fosse o seu oponente o culminar de uma trilogia lendária e mágica nunca propriamente premiada pela Academia (sim, porque os Globos de Ouro deram-lhe o troféu de Melhor Filme - Comédia/Musical em 1999). Sim, é óbvio que "Toy Story 3" vai prevalecer.



Melhor Banda Sonora Original
Alexander Desplat, THE KING'S SPEECH
Danny Elfman, ALICE IN WONDERLAND
A. R. Rahman, 127 HOURS
Trent Reznor & Atticus Ross, THE SOCIAL NETWORK
Hans Zimmer, INCEPTION

Melhor Canção Original
“Bound to You” de BURLESQUE
“Coming Home” de COUNTRY STRONG
“I See the Light” de TANGLED
“There’s a Place for Us” de CHRONICLES OF NARNIA: THE VOYAGE OF THE DAWN TREADER
“You Haven’t Seen the Last of Me” de BURLESQUE


Comentário: Continua - e ainda bem - a moda de nomear Trent Reznor pela sua brilhante banda sonora original para "The Social Network". Impôs algum receio, até porque a electrónica não é bem aquilo que a Academia mais gosta, mas se o ramo musical foi pró-activo o suficiente para nomear e dar o prémio a Eminem, pode ser que este ano nova excepção se abra. De resto, só Elfman não vai repetir esta nomeação, sendo substituído nos Óscares por algum dos nomes habituais (Newton Howard, por exemplo) ou por um dos veteranos nunca nomeados (até me custa lembrar que os geniais Carter Burwell e Clint Mansell NUNCA foram nomeados para um Óscar) ou até podemos ter uma estreia surpresa (John Powell, anyone?). Na categoria de Melhor Música Original, continua também a moda de todos os anos incluirmos um artista consagrado entre os nomeados que depois não transita para a Academia (2008 - Bruce Sprinsteen, 2009 - U2): em 2010 será a vez de Carrie Underwood, na minha opinião. Parece-me que a balada portentosa de Cher em "Burlesque" está safa, até porque foi escrita por Diane Warren, previamente nomeada por seis vezes e também parece que "Country Strong" marcará presença: o que manda a confundir é por qual das músicas, porque as três já foram mencionadas e vão alternando entre prémios. Para já, a minha aposta recai na de Chris Martin, "Me and Tennessee", até porque é cantada em duo pelos protagonistas (um deles é um multi-vencedor de Grammys, a outra é uma anterior vencedora de um Óscar) e não esta "Coming Home". Os dois lugares da lista vão ser altamente disputados, com Randy Newman, a outra música de "Burlesque" e "If I Rise" de "127 Hours" em luta renhida para se juntar a "I See The Light" (Tangled) e "Shine", de John Legend, do documentário "Waiting For Superman", que parece ter sido encomendada para vencer o Óscar (embora não tenha sido nomeada aqui).

Vencedor: Como Desplat tem "The Tree of Life" a espreitar em 2011 e como Zimmer já venceu, que tal termos Trent Reznor a clamar vitória? Seria no mínimo interessante. Senão será Hans Zimmer o provável vencedor. Em termos de Música, "You Haven't Seen The Last of Me" parece a melhor aposta, seguida de perto por "I See A Light".




ÚLTIMA HORA: "BLACK SWAN", de Darren Aronofsky


Não consegui resistir a deixá-lo para os Trailers da Semana! Já está online na Apple o trailer do novo filme de Darren Aronofsky, o mágico por detrás de "Requiem for a Dream", "The Fountain" e "The Wrestler", intitulado "BLACK SWAN".



Deixo-vos aqui o link.

Abaixo segue o trailer já incorporado (via YouTube):


O filme aborda a história de uma bailarina que chega ao topo e vê de repente a sua vida e a sua fama ameaçadas por uma bailarina rival. O bizarro é que tudo parece ser fruto da sua imaginação. O elenco do filme conta com Natalie Portman (que parece algo off pelas imagens que vemos), Mila Kunis, Vincent Cassell, Wynona Ryder, Sebastian Stan e Barbra Hershey.

 O trailer é fantástico, com várias - e indirectas - referências a outras obras de culto de grandes realizadores (como por exemplo Polanski e Mankiewicz, que é mais que notório) e parece mesmo que Aronofsky está a conseguir subir ainda mais as minhas expectativas com este trailer. Repleto de mistério e emoção, parece bastante intenso e incrivelmente complementado pela banda sonora de Clint Mansell, que soa, pelo menos por estes dois minutos, estar no topo da sua forma, mais uma vez.

Fingers crossed, pessoal, fingers crossed.