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DIAL P FOR POPCORN

DIAL P FOR POPCORN

BEGINNERS (2010/11)



What happens now? I don't know.


Como é que se criou essa ideia de que há almas gémeas, este mito de que estamos destinados a encontrar alguém que fique connosco para sempre e nos complete a todos os níveis? Não sei. Contudo, não é isto, afinal, que todos procuramos na vida? Passamos os dias mergulhados num oceano de mil e uma sensações, numa amálgama de emoções, de momentos e cenas que todas juntas compõem a nossa vida, a nossa personalidade, a nossa pessoa, em busca, esperançados, da pessoa que nos transforme a nossa existência. O que ninguém nos explicou é que o ser humano não foi feito para estar junto com alguém. Crescemos com a ideia que para sobreviver temos de saber viver na solidão, ser opinativos, decididos, independentes e fortes, não importa as circunstâncias. E de repente lá vem alguém que nos põe a colocar tudo em perspectiva, que nos confunde, encanta e emociona, que nos muda para sempre e nos faz sentir como se a vida sem ela não faz sentido. Em seguida, vem a parte complicada: aquela de saber incluir quem amamos nas nossas decisões, na nossa vida. E é aí que a maior parte de nós falha. Se bem que Mike Mills tem a vantagem de estar a aproveitar uma história verídica da sua vida para nos proporcionar esta inventiva, prodigiosa e preciosa comédia romântica chamada "BEGINNERS", é impossível não notar a sua voz distintiva ao longo de toda a película, do fascinante argumento à brilhante direcção de actores, que revela que de facto estamos perante um realizador a seguir atentamente no futuro.


"BEGINNERS" alterna brilhantemente entre a comédia subtil e o toque virtuoso, despretensioso do melodrama familiar, mostrando-nos como o passado das personagens se interliga e influencia o presente e como o presente nos leva muitas vezes a questionar actos do passado, como todos nós seres humanos somos imperfeitos, confusos, ignorantes e impotentes face ao amor, à felicidade, à tristeza, à perda e à solidão - não sabemos bem o que havemos de fazer e, mais vezes do que queremos admitir, nesta sociedade verdadeiramente sociopática e de emoções amorfas e complicadas em que vivemos, tomamos as decisões erradas e acabamos por arruinar tudo.


"BEGINNERS" abre com a morte de Hal (Christopher Plummer) que, ao perder a sua esposa de mais de quatro décadas, decide confessar ao seu filho Oliver (Ewan McGregor) que toda a sua vida foi homossexual e que portanto pretende agora aproveitar esta nova oportunidade que a vida lhe dá para fazer tudo diferente. Oliver narra-nos o filme através de uma série de imagens e lirismos, seja poemas, frases icónicas da história ou pequenas narrativas pessoais acerca de si, da sua família e da sua vida. Oliver, que é um artista que trabalha como desenhador, ilustra as várias fases do filme enquanto este alterna entre o passado, os anos 50, nos quais Oliver passava a maior parte do tempo com a mãe, Georgia (Mary Page Keller), que lhe acabou por passar alguma da indiferença, passividade e natureza contemplativa com que reagia aos acontecimentos da vida, presa durante anos e anos num casamento infeliz; o período de tempo entre a morte da mãe e da morte do pai, em que observamos um deleitoso, enternecedor e até divertido retrato de um homem que nunca desistiu, mesmo aos 75 anos, de ser feliz e que, na sua intrépida curiosidade e mesmo lutando contra um cancro que lhe foi minando a vida, foi aprendendo o que é ser gay nos dias de hoje e encontra o amor nos braços de um homem imensamente mais novo que ele, Andy (Goran Visnjic); e meses depois, em que um Oliver imerso numa depressão e apatia profundas descobre novo rumo na sua vida ao se encontrar com Anna (Mélanie Laurent), uma misteriosa e encantadora rapariga que abana com os mecanismos de defesa que Oliver vinha aperfeiçoando nos últimos tempos e o obriga a, pela primeira vez na vida, correr atrás do que quer, tal e qual como o pai fez antes e que nos mostra o quão difícil é para ele, que foi ensinado toda a vida a guardar segredos, a partilhá-los com alguém.


O principal atributo de "BEGINNERS" é a franca sinceridade, honestidade e calor das personagens. Aqui não há heróis nem vilões, vencidos nem vencedores. Só um conjunto de pessoas à deriva na vida, em busca de algo que lhe dê sentido. Christopher Plummer enche o seu Hal de graça, alma e uma indelével e inexplicável alegria de viver, mesmo nos piores momentos, exibindo orgulhosamente a lição moral de que o nosso exterior nem sempre reflecte bem o que o nosso interior é, tornando impossível não nos perdermos na empatia do seu olhar, na generosidade do seu espírito, na profundidade da sua caracterização. Uma nomeação - e até uma vitória - nos Óscares seria o prémio merecido para uma interpretação tão rica, tão melíflua, tão inesquecível. Ewan McGregor é exímio na forma como diz muito com tão pouco, com uma expressão ou um olhar tão cruel e devastador como apropriado, partilhando connosco o seu sofrimento, as suas dúvidas e incertezas acerca da sua vida, o seu ressentimento mas também o seu orgulho e amor para com o seu pai por recomeçar a vida mesmo enquanto ele, paradoxalmente, perece. A melhor interpretação da sua carreira, para mim. Há que realçar também o enorme contributo das duas mulheres na vida de Oliver: Mary Page Keller tem a tarefa ingrata do filme, mas uma que cumpre com elevada distinção, ao ser capaz de dar vida à sua Georgia de forma tão realista e nua, coerentemente entrelaçando, nas nossas cabeças, a explicação de porque razão Oliver é como é e Mélanie Laurent por nunca ter entrado no caminho fácil com a sua Anna e por ter compreendido que o lado imprevisível e difícil de entender da sua personagem, aquele que consegue ser, em simultâneo, terno e sensível e indiferente e frio, é o que a torna tão única e distinta. Finalmente, falar do verdadeiro astro do filme, o cão Arthur, um extraordinariamente fiel Jack Russell com uma habilidade muito particular: a de ser incisivo na forma crítica como analisa a vida de Oliver.




Um filme que mais parece um espelho da nossa vida, que captura na perfeição o amor e a melancolia em todas as suas formas, que se atreve a abordar assuntos difíceis e o faz de forma poética, sonhadora e cativante, ao som puro e gentil da linda banda sonora de Palmer, Reitzell e Neill, "BEGINNERS" é um filme que vale a pena ver e rever - mais não seja pelo sentimento inconfundível de sair da sala de cinema após ter visto um filme completo, quase perfeito, que me mexe com as emoções, que me deixa quase em lágrimas e que me faz feliz por estar vivo e neste mundo imperfeito e imprevisível onde tudo é possível. Como apaixonar-me. Ele nunca desistiu, diz Anna na cena final do filme acerca de Hal. É isso mesmo que nunca devemos deixar de fazer. Não desistir de ser feliz.



Nota:
A/A-

Informação Adicional:
Realização: Mike Mills
Argumento: Mike Mills
Elenco: Ewan McGregor, Mélanie Laurent, Christopher Plummer, Mary Page Keller, Goran Visnijc
Banda Sonora: Roger Neill, Brian Reitzell e Dave Palmer
Fotografia:
Ano: 2010

Trailer:


Send in the... trailers - parte I

50/50



Uma das minhas apostas da nova temporada, penso que este "50/50" vai surpreender positivamente esta gente. Desde logo, tem um elenco que impressiona: Seth Rogen, Joseph Gordon-Levitt, Bryce Dallas Howard, Anna Kendrick e Anjelica Huston, entre outros. Um elenco portanto que saberá fazer comédia com um assunto tão pesado e triste. Além disso, o argumento de "50/50" fez parte da Black List, era dos mais cobiçados para este novo ano e o facto que acabou nas mãos de Jonathan Levine ("The Wackness") faz-me ter esperança que vá sair daqui um grande filme. A ver vamos. "50/50" estreia a 30 de Setembro nos Estados Unidos.


THE AMAZING SPIDER-MAN




Nem precisa de apresentações. Marc Webb ("500 Days of Summer"), Andrew Garfield e Emma Stone juntam-se para recomeçar (outra vez) a icónica história da origem de um dos maiores super-heróis da banda desenhada mundial, Spider Man. Será que este vai conseguir ultrapassar as expectativas e ser melhor filme do que o do seu antecessor, o estrondoso êxito de Sam Raimi? Duvido. Mas espero que sim. Até porque Garfield tem melhor figura para Homem Aranha do que Tobey Maguire. E Emma Stone é dez vezes mais impressionante como interesse romântico que Kirsten Dunst. Infelizmente, este teaser é muito fraco. Chega às salas de cinema mundiais a 3 de Julho.


ANOTHER EARTH




A premissa do fim do mundo está, aparentemente, em voga este ano. Um dos títulos mais intrigantes - e mais elogiados - que passaram por Sundance este ano foi este "Another Earth", escrito e protagonizado por Brit Marling, que aborda a história de uma rapariga que, ao descobrir que existe outro planeta Terra, decide fugir ao seu passado neste planeta e mudar-se para outro. O que ela não sabe é que a sua vida - e a vida de quem conheceu - estará para sempre irremediavelmente mudada.  "Another Earth" chega aos cinemas nos Estados Unidos a 23 de Setembro.


THE ARTIST





Poucos trailers me fascinam tanto à primeira vista que não envolvam primariamente cenas de fotografia do filme. No entanto, Jean Dujardin e este "The Artist" deixam tão indelével impressão que me deixaram ficar de facto impressionado com o filme, o verdadeiro grande sucesso de Cannes e que, apesar de ser estrangeiro e de ter como protagonista um actor desconhecido, tem ganho grande Oscar buzz. A preto e branco, sem fala como na era gloriosa do cinema mudo clássico, arrebatou os corações da plateia do sul de França e arrisca fazer o mesmo por todo o mundo. Para já, ter os Weinstein por trás é um bom sinal - mas nada de mais (relembre-se que "Le Concert" também teve o ano passado). "The Artist" estreia em Dezembro nos Estados Unidos.


A BETTER LIFE




Chris Weitz ("About a Boy") volta finalmente a fazer um filme com moderado sucesso. Depois de correr o circuito de festivais de Primavera (Sundance, Tribeca), estreou o mês passado nos cinemas norte-americanos  e foi desde logo bastante elogiado pela simplicidade e honestidade da sua história e pela interpretação fascinante de Demian Bichír. Uma história sobre amor paternal, sobre o que é ver fugir o sonho americano, parece-me um daqueles bons dramas que passam muitas vezes despercebidos. Sem estreia marcada para Portugal.


BEGINNERS




Um dos filmes que estreou nos Estados Unidos na primeira metade do ano que recolheu maiores admiradores e elogios foi este "Beginners" de Mike Mills, protagonizado por Ewan McGregor, Mélanie Laurent e Christopher Plummer, que conta a história da relação entre pai e filho depois do primeiro lhe confidenciar que é gay. Um e outro vão aprender, juntos, a ver a vida com outros olhos. Além da premissa ter bastante potencial, tanto dramático como comédico, tenho muita fé no talento dos dois protagonistas. Aliás, não é por acaso que Christopher Plummer já é considerado um dos favoritos à nomeação para o Óscar de Melhor Actor Secundário. "Beginners" deve chegar a Portugal no terceiro trimestre deste ano.


BEL-AMI





A minha dose anual de Robert Pattinson já transbordou com "Water for Elephants", mas o facto que cá está ele de novo pronto a atacar em época natalícia num filme em que ainda por cima contracena com Christina Ricci, Kristin Scott-Thomas e Uma Thurman é simplesmente... demais. Ainda assim, a demográfica feminina - particularmente aquela que se deleita com a saga "Twilight" - há-de adorar veementemente o filme. Já eu... estou mais interessado nas três actrizes. Não sei que fazer do filme, o trailer intrigou-me mas eu não suporto a falta de capacidade de Pattinson como actor. Estreia marcada para Dezembro nos Estados Unidos.


BRAVE








Venha "Brave" para me fazer esquecer o passo em falso dado pela Pixar este ano. Como todos sabem, eu sou um acérrimo defensor de tudo o que é Pixar, à excepção de uma coisa - "Cars". Não é um bom filme, ponto, e ando farto que me tentem convencer do contrário. É um filme banal, criado pura e simplesmente para entreter crianças e que mesmo que eu tivesse dez anos nunca iria gostar. É-me insuportável aturar os dois protagonistas e sofro sempre que penso que a Pixar decidiu ir à caça do dinheiro e fazer uma sequela. Felizmente, a equipa da Pixar foi inteligente e lançou a melhor jogada de marketing do ano: quando as críticas negativas começaram a chover, o teaser de "Brave" saiu à rua. Pois claro. E não me desapontou. Já estou a salivar por 2012. "Brave" estreia em Julho de 2012.



CONTAGION







Mal vemos o elenco que Steven Soderbergh arranjou para este "Contagion" é impossível não pensar no grandioso filme que daí há-de sair. Vejamos: Jude Law, Matt Damon, Marion Cotillard, Gwyneth Paltrow, Kate Winslet e Lawrence Fishburne. É assim que se faz um thriller de acção em torno de um desastre epidémico. Cheio de suspense do princípio ao fim, mesmo que o trailer revele desde logo um grande spoiler. O que me surpreende ainda mais é que este não é potencialmente o único brilhante Soderbergh que vamos ter este ano. Há um outro, que menciono mais abaixo. Promete. Parece que voltámos a 2000 de novo. "Contagion" tem estreia marcada para o mercado estadounidense para o dia 9 de Setembro.


Agora deixo-vos a palavra: algum destes trailers vos impressionou?