Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

DIAL P FOR POPCORN

DIAL P FOR POPCORN

12 anos depois, Baz volta a abrir Cannes



Há doze anos, "Moulin Rouge!" abria então a secção competitiva do Festival de Cannes de 2001. Depois de críticas mornas, estreou nos Estados Unidos com maior entusiasmo e construiu a sua base de fãs para conquistar oito nomeações aos Óscares, vencendo duas estatuetas.


É bom ver então Baz Luhrmann de volta ao certame francês uma dúzia de anos depois para apresentar o seu novo filme, "The Great Gatsby", que tem incitado grande expectativa (afinal, é a adaptação de uma das maiores obras literárias de sempre pelo realizador mais artístico e criativo do cinema moderno). Temo que o resultado final nunca agradará à crítica especializada que se desloca ao festival, mais dada a cinema de autor e ao triunfo do conteúdo sobre a apresentação - uma fina linha que Luhrmann nunca soube navegar, dado que os seus filmes são sempre melhores espectáculos audiovisuais do que propriamente excelentes narrativas - e "Gatsby" acabará por sofrer, tal qual como sofreu "Australia" (eu bem me lembro de como os críticos desfizeram a película - tudo bem, Luhrmann e a sua megalomania mereceram - e arrumaram com qualquer buzz que pudesse originar). Bem, para já, esperemos pelo melhor. 


Pelo menos, mais não seja, Cannes garante um filme de alto nível de prestígio para abrir o seu festival, com um rol de estrelas de Hollywood - DiCaprio, Mulligan, Maguire, Fisher, Edgerton - para abrilhantar a passadeira vermelha.

Trailer de THE GREAT GATSBY, de Baz Luhrmann


Depois dos sucessos "Romeo + Juliet" e "Moulin Rouge!" e o portentoso "Australia" que não ganhou grande amor nem da crítica, nem do público, eis que Baz Luhrmann está de volta para nos trazer... Mais um épico. 


Adaptando o famoso livro - e obra-prima com letras maiúsculas - de F. Scott Fitzgerald, "The Great Gatsby", Luhrmann - a avaliar pelo trailer - volta a prometer um extraordinário espectáculo visual que nos vai espantar a todos. Esperemos que desta vez o conteúdo seja também alvo do mesmo cuidado e primor que Luhrmann reserva para a arte visual que projecta na tela. Com Carey Mulligan, Leonardo DiCaprio, Tobey Maguire, Isla Fisher e Joel Edgerton nos principais papéis, pelo menos o talento no elenco está assegurado. Resta saber se o cineasta perdeu o jeito ou se ainda tem nele o espírito do homem que nos trouxe o mais inovador musical dos últimos anos e uma das adaptações mais impressionantes de uma obra de Shakespeare que eu já vi. Temo muito por este filme, o trailer não me acalmou propriamente as minhas inquietações mas... ao menos já sei o que me espera.

Imperdível, de qualquer forma. "The Great Gatsby" chega aos cinemas norte-americanos no dia 25 de Dezembro. Por cá, só em 2013, muito provavelmente.

MOULIN ROUGE! (2001)


"Spectacular! Spectacular!"




Dez anos depois, é inacreditável o quanto ainda me diz "Moulin Rouge!". O festival de luz, cor e espectáculo de Baz Luhrmann continua a ser, mesmo volvida uma década, um dos filmes mais satisfatórios e impressionantes de sempre. Desde o momento em que a música começa e a visão de Luhrmann de Paris entra no ecrã, um feitiço parece que me trespassa e me encanta e fico como que vidrado, a apreciar o dom visual do talentoso realizador. Não dá para desviar o olhar por um segundo - sob pena de perder vários momentos de magia.


O filme narra o romance épico de Satine (Nicole Kidman) e Christian (Ewan McGregor), com traços típicos de uma tragicomédia que vai da tristeza ao êxtase num segundo - tudo isto acompanhado, claro, pelas estilizadas adaptações das maiores baladas do século passado. Christian é um jovem e sonhador escritor que chega à bela Paris em busca de inspiração para o seu próximo romance e que trava uma curiosa amizade com o anão Toulouse-Lautrec (John Leguizamo) que o convence a alinhar no seu esquema de montar um espectáculo "cheio de luz, música e brilho" para Satine, a bela dançarina que é o atrativo principal do clube burlesco Moulin Rouge, propriedade do excêntrico e entusiasmante Harold Zidler (Jim Broadbent). Combinam então que Christian se deve encontrar com Satine e fazer-se passar pelo rico Duque de Worchester que, como previsto, iria financiar o espectáculo que faria dela uma estrela. Desfeita a confusão, o grupo tem que convencer o verdadeiro Duque de Worchester - que quer "pagar" pelos afectos de Satine - a alinhar na sua ideia. O que ninguém sabe, na verdade, é que Satine carrega um pesado segredo que poderá mudar o rumo de toda esta história.


Uma electrificante e inspirada banda sonora, que conta com adaptações de êxitos musicais como "Diamonds Are a Girl's Best Friend" numa estonteante sequência de dança, ou como a mistura efusiva e polvorosa de Paul McCartney, Eagles e Beatles em "Elephant Love Medley" na mais apaixonante cena de toda a película, ou sobretudo, com o arrebatador dueto final "Come What May", numa espécie de rendição final de Satine e Christian, cujo amor irá para sempre perdurar, não importa o que aconteça, em conjunto com a brilhante fotografia de Donald McAlpine - que merece todos os prémios que (não) ganhou - e a frenética edição de Jill Bilcock, que complementa na perfeição o tom histriónico e exagerado e risqué do filme, a mil à hora. Todas as interpretações merecem clara nota de destaque, mas sem dúvida que Nicole Kidman está muito acima das restantes. Ela desaparece completamente dentro de Satine, numa das interpretações mais surpreendentes dos últimos tempos, digna do Óscar que também (não) ganhou. Frágil, delicada e sensível, mas ao mesmo tempo tão forte e decidida, Satine é uma criação inolvidável de uma das maiores actrizes de sempre.

Retratando de forma gloriosa e até poética o que Paris tem de mais romântico e idílico, combinado com números musicais e de dança dignos de uma poderosa alucinação, repleta de eroticismo, cor e comédia, "Moulin Rouge!" é um filme que é impossível esquecer, quer se esteja a ver pela primeira vez ou pela centésima, é tocante, é emocionante, é um turbilhão de emoções fantástico de se vivenciar e experimentar. Nunca mais somos os mesmos - tal como aconteceu a Christian quando foi apresentado ao Moulin Rouge. 


Nota:
A

Ficha Técnica:
Realização. Baz Luhrmann
Argumento: Craig Pearce, Baz Luhrmann
Banda Sonora: Craig Armstrong
Fotografia: Donald McAlpine
Ano: 2001