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DIAL P FOR POPCORN

DIAL P FOR POPCORN

RANGO (2011)



"No man can walk out of his own story."


Se está a pensar levar os seus filhos até ao cinema para ver Rango, não o faça! Rango, um intrigante lagarto animado, foi pensado e trabalhado para deliciar os graúdos. O facto de aparecer numa versão animada é uma pura artimanha de marketing que leva para o cinema crianças que ainda não estão preparadas para assimilar e compreender as ideias do filme.


Complexo? Não. Rango é uma metáfora sobre o aquecimento global, os problemas da escassez de água, da ganância e da procura desmedida de poder. E como é que um lagarto de pescoço torto e olhar curioso se transforma na estrela de um filme? Em boa verdade, Rango nasceu uma estrela, nasceu um lagarto do espectáculo e em tudo o que faz coloca uma carga dramática digna dos momentos mais solenes do cinema.


Despejado para o deserto, Rango percorre as áridas zonas do Wild West em busca de água. Desorientado, encontra por mero acaso Beans, uma corajosa jovem que, tal como Rango, procura água para o seu rancho. Esta transporta-o até à sua vila, Dirt, um inóspito e abandonado povoado, cuja existência se encontra comprometida devido à escassez de água.


Com o seu natural jeito para cativar o público, Rango rapidamente se transforma na estrela de Dirt. Um conjunto de meros e felizes acasos, transformam-no num herói, numa história que não procura mas que se constrói a partir das suas atitudes. Conseguirá Rango trazer de volta a água até Dirt? Estará Rango à altura de todos os desafios com os quais é confrontado?


Antes de terminar, não posso deixar de falar dos pormenores deliciosos no sotaque das personagens (a característica pronúncia dos ranchos e do oeste não foi esquecida), do requinte no design do filme, com todos os animais perfeitamente trabalhados e com um detalhe incrível, dos quatro mochos que narram a história ao som de música mexicana, da inesperada participação de Blondie (a personagem interpretada por Clint Eastwood em The Good The Bad and The Ugly), que aparece a Rango num momento de profundo Nirvana e cujos sábios conselhos iniciam uma marcante reviravolta em toda a história. São muitas as razões para ver Rango, garantidamente, um dos melhores produtos animados dos últimos anos.

Nota Final:
B



Trailer:





Informação Adicional:

Realização: Gore Verbinski
Argumento: John Logan
Ano: 2011
Duração: 107 minutos

SCOTT PILGRIM VS. THE WORLD (2010)




O ano de 2010 tem sido bondoso comigo. Não me tem trazido uma grande quantidade de maus filmes, tem-me proporcionado algumas surpresas agradáveis (“I Am Love”, “Dogtooth”, “Fish Tank”, “Kick-Ass”, “Animal Kingdom”, “Winter’s Bone”, “The Kids Are All Right”) e os grandes filmes têm correspondido às expectativas (“Inception”, “The Social Network”, “Toy Story 3”, “The Ghost Writer”, “The Town”). “Scott Pilgrim vs. The World” vinha, por isso, com a enorme responsabilidade de continuar esta senda positiva. Felizmente para mim, o filme surpreendeu-me e deu-me muito mais do que o que lhe poderia pedir.


Se querem imaginação à solta, se querem poderio visual, se querem estética apurada, se querem diversão aliada a inteligência, se querem qualidade acima de quantidade, chamem Edgar Wright. Não percebo como é que mesmo depois de “Hot Fuzz”, “Shaun of the Dead” e de “Scott Pilgrim vs. The World”, o homem não tem livre arbítrio e um orçamento avantajado para fazer o que bem lhe apetece.


“Scott Pilgrim vs. The World” é baseado na série de seis volumes de arte gráfica (BD, se preferirem) de Bryan Lee O’Malley, que conta a história de um rapaz, Scott Pilgrim, de 23 anos e da sua luta para conquistar o amor de Ramona Flowers, “a” rapariga da sua vida, tendo para isso que derrotar os seus sete ex-namorados. Sim, leram bem, derrotar, em batalha, os seus sete ex-namorados. Uma batalha ao bom jeito de videojogo, com pontuação, com vidas extra, com efeitos visuais espectaculares e com sons e ruídos alucinantes. Uma coolness irresistível. 


Todavia, não é só à conta disto que o filme é excelente. Também para as contas entra um elenco sem pontos fracos. Tudo bem que a grande maioria das personagens é claramente unidimensional, mas todos os actores conseguem aproveitar o que têm e acrescentar-lhes um colorido que, no meio de um ambiente tão interessante de explorar, de observar, de presenciar, as torna fascinantes de seguir. Michael Cera era, sem qualquer sombra de dúvida, a melhor escolha para o papel de Scott. Ele encarna a personagem na perfeição, até na maioria dos seus tiques e dos seus quirks, vivendo e respirando o Scott Pilgrim. Mary Elizabeth Winstead (Ramona), Allison Pill (Kim) e Kieran Culkin (Wallace) também merecem a ressalva, por tornarem as suas personagens tão infinitamente impressionantes e interessantes quanto a sua caracterização no romance gráfico prometia. A presença dos “grandes nomes” Anna Kendrick, Brie Larson, Brandon Routh, Jason Schwartzmann e Chris Evans pouco acrescentam, em papéis algo pequenos. Finalmente, chegamos à minha personagem favorita: Knives Chau (Ellen Wong). Wong é notável num papel imensamente suculento, de facto e transforma o triângulo amoroso que envolve Scott Pilgrim em algo de muito especial e cómico de acompanhar.


Falta aqui uma palavra sobre a extraordinária banda sonora, que também acrescenta pontos extra de coolness a tudo o resto, com Beck a fornecer um pano de fundo apropriado para as entusiasmantes cenas de acção e em particular para as cenas que envolvem a banda de Pilgrim, Sex Bom-Omb.


Esta união de qualidade na história, na forma de contar a história, nas interpretações, na inventiva fotografia e edição e na banda sonora transforma uma adaptação de BD com muito potencial mas sem se levar muito a sério num dos melhores filmes do ano. Este filme pode ser cool, pode ser sofisticado, pode ser jovem, mas consegue ter o que poucos filmes que virão de Hollywood este ano terão: alma e alegria.



Nota Final:
B+

Trailer:





Informação Adicional:
Realização: Edgar Wright
Argumento: Edgar Wright, Michael Bacall
Elenco: Michael Cera, Mary Elizabeth Winstead, Brandon Routh, Chris Evans, Jason Schwartzmann, Brie Larson, Ellen Wong, Kieran Culkin, Anna Kendrick, Mark Webber, Johnny Simmons, Aubrey Plaza
Fotografia: Bill Pope
Banda Sonora: Nigel Godrich