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DIAL P FOR POPCORN

DIAL P FOR POPCORN

Whatever happened to class?


Já que o vídeo anda a circular (cortesia das fantásticas gerentes dos estaminés Close-Up e Hoje (vi)vi um filme, entre outros), também tecemos uma ou outra consideração.

David O. Russell pode ser um excelente realizador, mas enfim cenas destas são escusadas (é o que dá ser figura pública sem o querer):



Mas quem ache que isto é comportamento novo, think again:



Há gente que não tem classe. De resto, já o dizia a Zeta-Jones e a Queen Latifah.


A relação amorosa de Affleck com os prémios continua nos BAFTA



Mais uma cerimónia de entrega de prémios, nova colecção de troféus para "Argo". Ben Affleck volta a receber o galardão de Melhor Filme, desta vez por parte da Academia Britânica, que entregou os BAFTA neste final de tarde / princípio de noite (a cerimónia pode ser acompanhada, em diferido, aqui).

Além do troféu de Melhor Filme, Affleck também recebeu o prémio de Melhor Realizador, criando uma deliciosa confusão para a noite dos Óscares, para a qual Affleck não se encontra nomeado nesta categoria. Lee, Haneke, Spielberg, Zeitlin ou O. Russell, algum deles vai ter de receber o prémio e nesta altura é impossível prever com exactidão qual. Excitante. 


"Argo" conquistou ainda o troféu para Melhor Edição, perfazendo um total de três galardões. Não foi, contudo, o vencedor com mais prémios da noite - essa honra coube a "Les Misérables", que venceu nas categorias de Melhor Maquilhagem e Cabelo, Melhor Produção Artística (incrível como "Anna Karenina" perde aqui), Melhores Efeitos Sonoros (com "Skyfall" na categoria, a sério que este foi o filme britânico que escolheram?) e Melhor Actriz Secundária, troféu que invariavelmente acaba nas mãos de Anne Hathaway


Curiosamente e mesmo perante tanta demonstração de afecto, foi "Skyfall" quem venceu Melhor Filme Britânico, ao qual juntou a estatueta para Melhor Música (50% dessa estatueta deve-se a Adele, claro) para Thomas Newman (uma das surpresas da noite). "Anna Karenina" teve que se contentar com o triunfo mais que previsível em Melhor Guarda-Roupa. Que esperará repetir nos Óscares. "Life of Pi" ganhou, uma vez mais, duas categorias técnicas: Melhor Fotografia para Claudio Miranda e Melhores Efeitos Especiais. Em ambos os casos, nos Óscares são também muito prováveis.

Tal como "Argo", "Searching for Sugarman" recebeu mais um prémio (que varridela tem sido!) para Melhor Documentário, contra a previsão dos especialistas que apostavam no britânico "The Imposter" para surpreender. Não obstante a derrota, "The Imposter" acabou por triunfar na categoria de Melhor Contributo de um Britânico em Filme.



"Silver Linings Playbook" recebeu o prémio de Melhor Argumento Adaptado (ou prémio de Maior Campanha, que equivale ao mesmo, aparentemente), enquanto na categoria de Melhor Argumento Original foi "Django Unchained" o contemplado (o que me faz perguntar: a Academia leu mesmo estes roteiros? Ou votou pelo nome? Enfim), que também garantiu mais um prémio de Melhor Actor Secundário a Christoph Waltz, que começa a parecer um grande candidato aos Óscares.

A grande história da cerimónia, contudo, ficou para o final. Antes de Daniel Day-Lewis ir receber o seu milésimo troféu de Melhor Actor por "Lincoln", foi a octagenária Emmanuelle Riva ("Amour") a subir a palco (metaforicamente, infelizmente; Riva está-se a guardar para os Césars e os Óscares, diz-se) para ser contemplada com o prémio de Melhor Actriz, batendo Jennifer Lawrence e Jessica Chastain e basicamente a criar mossa na corrida. Finalmente.

A lista completa dos vencedores pode ser consultada aqui.


FOUR LIONS (2010)



"They'll pump you full of Viagra. Make you fuck a dog!"


Há muito tempo que não ria com tanta vontade. Four Lions é absolutamente desconcertante, e ao conseguir ridicularizar alguns dos mais obscuros tabus sociais de uma forma tão simples e criativa, transformou-se, naturalmente, num dos melhores filmes de 2010.


O filme não é mais do que uma inteligente sátira sobre os ataques suicídas aos países do ocidente, desenvolvendo a sua história a partir das reuniões de um grupo de cinco amigos, liderado por Omar (claramente o mais perspicaz do gang) que começa por viajar juntamente com Waj até ao Afeganistão, local de onde fogem depois de um conjunto de problemas tão caricatos quanto ridículos. É impossível ficar indiferente.


Enquanto os dois estão ausentes de Inglaterra, Barry recruta Hassan, um promissor revolucionário, que simula um ataque suicida ao som de um RAP de Tupac num dos pontos altos do filme. Juntamente com Fessal, os três começam os preparativos para a grande missão das suas vidas.


Com o regresso de Omar e Waj, o grupo começa a delinear a estratégica a seguir e o alvo a atacar. Cedo se percebe que o plano tem tudo para correr mal mas, fintando os inúmeros contra-tempos que os próprios "bombistas" conseguem criar, o grupo chega, mal e porcamente, à última etapa da sua jornada. E a um passo da grande decisão, qual o caminho que estes fiéis revolucionários irão tomar? A resposta fica para o leitor descobrir.


É fantástico. É humor do mais negro e ácido que vi em 2010. Christopher Morris, vencedor do BAFTA em 2010 para "Outstanding Debut by a British Writer, Director or Producer" vai andar debaixo do meu olho. O do seu também, espero.

Nota Final:
A-



Trailer:




Informação Adicional:
Realização: Christopher Morris
Argumento: Christopher Morris
Ano: 2010
Duração: 97 minutos

ÚLTIMA HORA: Nomeados dos BAFTA 2011


Um par de dias complicados este. A ver se retomamos o trabalho normal hoje ou amanhã (e responder aos vossos comentários). Entretanto, espero vir cá comentar os resultados dos Globos de Ouro e dos BFCA Critics' Choice Awards, que decorreram, como sabem, no fim-de-semana (quem me segue pelo Twitter sabe que comentei a cerimónia por lá; não pude fazer liveblogging). E ainda hei-de ver se arranjo tempo para fazer um comentário geral aos prémios dos críticos americanos e aos Guilds (DGA/PGA/WGA).


Mas vá, pegando no que me trouxe aqui... Foram anunciados há pouco os nomeados para os British Academy Film and Television Awards (BAFTA) 2011 (há cerca de algumas semanas haviam sido reveladas as longlists, que já faziam prever várias destas nomeações), que nos trouxeram algumas surpresas que eu deixo em discussão abaixo:

Melhor Filme:
“Black Swan”
“Inception”
“The King’s Speech”
“The Social Network”
“True Grit”

Melhor Filme Britânico:

“127 Hours”
“Another Year”
“Four Lions”
“Made In Dagenham”
  “The King’s Speech”

Melhor Realizador:
Darren Aronofsky, “Black Swan”
Danny Boyle, “127 Hours”
David Fincher, “The Social Network”
Tom Hooper, “The King’s Speech”
Christopher Nolan, “Inception”

Melhor Actor:
Javier Bardem, “Biutiful”
Jeff Bridges, “True Grit”
Jesse Eisenberg, “The Social Network”
Colin Firth, “The King’s Speech”
James Franco, “127 Hours”

Melhor Actriz:
Annette Bening, “The Kids Are All Right”
Julianne Moore, “The Kids Are All Right”
Natalie Portman, “Black Swan”
Noomi Rapace, “The Girl With the Dragon Tattoo”
Hailee Steinfeld, “True Grit”

Melhor Actor Secundário:
Christian Bale, “The Fighter”
Andrew Garfield, “The Social Network”
Pete Postlethwaite, “The Town”
Mark Ruffalo, “The Kids Are All Right”
Geoffrey Rush, “The King’s Speech”
 
Melhor Actriz Secundária:
Amy Adams, “The Fighter”
Helena Bonham Carter, “The King’s Speech”
Barbara Hershey, “Black Swan”
Lesley Manville, “Another Year”
Miranda Richardson, “Made In Dagenham”

Melhor Argumento Adaptado:

“127 Hours”
"The Girl With the Dragon Tattoo”
“The Social Network”
“Toy Story 3″
“True Grit”

Melhor Argumento Original:
“Black Swan”
“Inception”
“The Fighter”
“The Kids Are All Right”
“The King’s Speech”

Melhor Filme Estrangeiro (não em língua inglesa):
“Biutiful”
“I Am Love”
“Of Gods and Men”
“The Girl With the Dragon Tattoo”
“The Secret In Their Eyes”

Melhor Filme Animado:
“Despicable Me”
“How To Train Your Dragon”
“Toy Story 3″

Melhor Fotografia:
“127 Hours”
“Black Swan”
“Inception”
“The King’s Speech”
“True Grit”

Melhor Direcção (Produção) Artística:
“Alice In Wonderland”
“Black Swan”
“Inception”
“The King’s Speech”
“True Grit”

Melhor Guarda-Roupa:
“Alice In Wonderland”
“Black Swan”
“Made In Dagenham”
“The King’s Speech”
“True Grit”

Melhor Edição/Montagem:
“127 Hours”
“Black Swan”
“Inception”
“The King’s Speech”
“The Social Network”

Melhor Maquilhagem:
“Alice In Wonderland”
“Black Swan”
“Harry Potter And The Deathly Hallows Part 1″
“Made In Dagenham”
“The King’s Speech”

Melhor Banda Sonora Original:

“127 Hours” (A.R. Rahman)
“Alice In Wonderland” (Danny Elfman)
“How To Train Your Dragon” (John Powell)
“Inception” (Hans Zimmer)
“The King’s Speech” (Alexandre Desplat)

Melhor Efeito de Som:
“127 Hours”
“Black Swan”
“Inception”
“The King’s Speech”
“True Grit”

Melhores Efeitos Visuais:
“Alice In Wonderland”
“Black Swan”
“Harry Potter And The Deathly Hallows Part 1″
“Inception”
“Toy Story 3″

Rising Star Award (Prémio Actor Revelação):
Gemma Arterton
Andrew Garfield
Tom Hardy
Aaron Johnson
Emma Stone

Carl Foreman Award 
(Prémio Revelação para Argumentistas, Realizadores e Produtores britânicos):
Clio Barnard, “The Arbor”
Banksy and Jaime D’Cruz, “Exit Through the Gift Shop”
Gareth Edwards, “Monsters”
Chris Morris, “Four Lions”
Nick Whitfield, “Skeletons”


Vamos então às minhas considerações:


  • Continua a surpreender-me o contínuo apoio (injustificado) a "Alice in Wonderland", que sem dúvida irá continuar nos Óscares (com nomeações certas para Maquilhagem e Direcção Artística e, neste momento, com Banda Sonora também provável) - os BAFTA decidiram ainda ir mais no ridículo e nomeá-lo também para Melhores Efeitos Visuais;

  •  A propósito da categoria de Melhores Efeitos Visuais, o que está lá "Toy Story 3" a fazer? Acima de "Iron Man 2" e "TRON: Legacy"? A sério? E "Scott Pilgrim vs. the World"? Enfim;

  • Na categoria de Melhor Banda Sonora Original, prefiro pegar na saborosa nomeação de John Powell por "How To Train Your Dragon" (só peço que os Óscares imitem) do que pegar na ausência de Trent Reznor e Atticus Ross. Não consigo engendrar na minha cabeça qual a linha de pensamento deles para acharem sinceramente que a banda sonora de "Alice in Wonderland" é melhor. Aliás: se eles não queriam votar em Reznor & Ross, ao menos podiam ter apostado em Rachel Portman, que sempre é britânica, a dar música a um dos filmes britânicos de maior nome do ano. Nem isso;

  • As nomeações para Melhor Actriz deixaram-me completamente confuso e só nos vem mostrar que nada, além de Portman e Bening, é seguro. Não é que dê muita importância aos BAFTA e não é que existam maiores alternativas, mas começo a temer um pouco pela vulnerabilidade de Kidman e de Lawrence (embora ache que as duas estarão nomeadas). Seria interessante se Moore conseguisse a nomeação (mais curioso ainda é achar que Rapace pode ter pedalada para lá chegar - tem-se mantido surpreendentemente dentro da conversação);

  • Por falar nisso, a Academia Britânica gostou realmente de "The Girl With the Dragon Tattoo", ou não lhe tivesse dado a nomeação para Melhor Filme Estrangeiro, Melhor Actriz e, algo que me apanhou de surpresa, Melhor Argumento Adaptado. Na lista longa era "Winter's Bone" o quinto classificado - o que ainda me deixa mais chocado, porque era tão mais merecedor da nomeação (e do empurrão que isso significaria em termos de Óscar);


 
  • Entretanto, Hailee Steinfeld ("True Grit") continua a passos largos a sua ubiquidade, seja como Actriz principal ou Actriz Secundária. Tirando os BFCA, foi nomeada para tudo. Começo a achar impossível que ela falhe a nomeação para Óscar, se bem que começo a pensar também que o quinto lugar na categoria de Melhor Actriz é dela, abrindo lugar para Jacki Weaver ser nomeada. Daria os parabéns aí à Academia, como dou agora à Academia Britânica: se se gosta de uma interpretação, é bom que se lhe dê valor onde ela pertence. Infelizmente, num ano de magníficas interpretações femininas, não percebo porque se há-de ir buscar essa;

  • Já que pegamos em "True Grit", dizer também que estou admirado com a sua forte presença em várias categorias, com "The Social Network", aqui, a conseguir pior do que costume (o que já era previsto). "The King's Speech", muito devido à custa do seu forte contingente britânico, é o cabeça das nomeações com 14 no total;


  • Uma das categorias mais intrigantes do dia é a de Melhor Actriz Secundária, com a actual favorita e eventual vencedora do Óscar (Melissa Leo) a ser ignorada completamente na lista final (o que se deve provavelmente ao forte voto nas compatriotas Lesley Manville e Miranda Richardson, que conseguiram lugar entre os nomeados). Além disso, também Mila Kunis ("Black Swan") é trocada pela veterana Barbara Hershey (algo com que já se contava, dado ela ser uma das mais votadas da lista longa). Uma vitória de Amy Adams ou Helena Bonham-Carter faria maravilhas para espicaçar um pouco a corrida, não? Bem precisa;

  • Há que dar os parabéns pelo gesto bonito dos BAFTA em nomear Pete Postlethwaite, recentemente falecido, para Melhor Actor Secundário por "The Town", nomeação essa que deveria ser (e será nos Óscares, em princípio) de Jeremy Renner. A Postlethwaite se juntam os favoritos Garfield, Rush e Bale e, algo que me agradou imenso, Mark Ruffalo (que muitos diziam estar a cair na corrida);

  • Também Javier Bardem, além de Ruffalo, Moore, Hershey, Richardson e Manville veio ganhar um pouco de revitalização na sua campanha, com uma nomeação para Melhor Actor - aqui, não houve surpresas além desta, com os quatro candidatos às nomeações nos Óscares (Firth, Franco, Eisenberg e Bridges) a pontuar. A luta será realmente entre Bardem, Gosling e Duvall para aquele quinto lugar; 



  • Há que queixar-me ainda da nomeação de "Despicable Me", que por muito engraçado que seja, é uma pálida comparação em termos de qualidade ao lado de "Tangled" e "L'Illusioniste" e que cada vez mais me preocupa que os vá ultrapassar e tornar-se o terceiro nomeado para os Óscares também. Se isso acontecer, não me vão calar por um mês;
  • É, finalmente, curioso o forte apoio (quase que funciona como campanha) a "127 Hours", coisa que não consigo conceber sem olhar para lá do facto de ser de Danny Boyle e de ser britânico. A nomeação deste para Melhor Realizador pode ser um indicador interessante que ainda há gente disposta a votar nele em vez de O'Russell ou dos irmãos Coen. Aliás, este é um dado que considero interessante: ambos os filmes foram nomeados em várias categorias, mas com esta particularidade: "127 Hours" não conseguiu ser nomeado para Melhor Filme contudo foi para Melhor Realizador; já "True Grit" foi nomeado para Melhor Filme não conseguindo no entanto nomeação para Melhor Realizador.

E é isto, meus caros. Os BAFTA são entregues a 13 de Fevereiro.