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DIAL P FOR POPCORN

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E o Óscar (não) vai para...



É sempre chato ser o perdedor. Ainda para mais quando se é consecutivamente. Always the bridesmaid, never the bride, como reza a expressão inglesa. Em tempos recentes, Meryl Streep era o exemplo consumado de uma perdedora nos Óscares: dezassete nomeações, venceu à segunda (1979) e terceira vez (a primeira como actriz principal, por "Sophie's Choice", 1982) e apesar de anos e anos de contínua excelência e interpretações de mérito, só trinta anos depois ("The Iron Lady", 2011) a sorte lhe voltou a sorrir. Outro exemplo clássico de tempos recentes foi Jeff Bridges, por muitos considerado o maior actor americano vivo, que recebeu a sua primeira nomeação em 1971 ("The Last Picture Show") e precisou de mais quatro e de chegar ao ano de 2009 para receber a sua primeira estatueta. Mais um exemplo comum é o de Kate Winslet, excelente desde que surgiu em "Heavenly Creatures" no princípio da década de noventa e nomeada pela primeira vez em 1995 por "Sense and Sensibility", levou mais de vinte anos de versatilidade e brilhantismo em diversas interpretações para, à sua sexta nomeação, conquistar o troféu tão ambicionado (2008, "The Reader").


Pego neste tema hoje porque estava a vasculhar artigos antigos que tinha guardado para futura memória e veio-me parar às mãos (metaforicamente, vá, porque no fundo, foi através de um clique de rato) este artigo de 2008 do Nathaniel Rogers do The Film Experience que especulava quem seguiria as pisadas de Kate Winslet a vencer um Óscar há muito já merecido. Adoro como o artigo e os comentários funcionam como uma cápsula do tempo de há cinco anos atrás e como tanta coisa mudou desde então. A lista de 2008 reflectia a proeminência, então, de Johnny Depp, que muitos cotavam como um vencedor óbvio a curto prazo. Também antevia que Streep vencesse novo troféu (o que acabou por acontecer) e a terceira aposta mais popular era curiosamente Ralph Fiennes (estupidamente roubado em 1993 por "Schindler's List"). Bridges era o quinto da lista, liderada no topo por Michelle Pfeiffer, a actriz preferida do Nathaniel, que faz uma defesa bastante fundamentada pelo título de actriz mais negada pela Academia. Curiosamente, da lista de 2008, três actores receberam nomeações (mas não os três que Nathaniel apostou): Bridges (que venceu e ainda conseguiu mais uma nomeação), Streep (que conseguiu um Óscar e outra nomeação) e... Annette Bening, nomeada em 2010 por "The Kids are All Right".


Volvidos cinco anos, é engraçado analisar estas premonições. Depp está a atravessar um momento inigualável de seca criativa na sua carreira, parecendo ter perdido toda a imaginação e originalidade que trespassava para as suas antigas interpretações. Terá estado perto de mais uma nomeação em 2009 por "Public Enemies" mas desde então nunca mais fez nada que merecesse consideração. Em 2009 também sucedeu o último ataque de Pfeiffer à estatueta. "Chéri" não resultou em nada. Fiennes virou entretanto realizador e também pouco mais se viu, desde que em 2008 voltou a ser ignorado tanto por "The Duchess" como por "In Bruges".  Ian McKellen e Joan Allen praticamente já não aparecem em filmes. Sigourney Weaver tentou a rota da televisão ("Political Animals") sem sucesso e continua esporadicamente a surgir aqui e ali, sem nota de destaque. Julianne Moore saltou também para o pequeno ecrã para ganhar um Emmy e um Globo de Ouro ("Game Change"), depois de ser negada mais uma nomeação em 2009 ("A Single Man") e outra em 2010 ("The Kids Are All Right"). Annette Bening é a única a trabalhar consistentemente com qualidade lado a lado com Moore.


Outra curiosidade na lista é de Nathaniel ter mencionado que Glenn Close tinha desistido de caçar um Óscar. Cinco anos decorridos e ela juntou mais uma nomeação ao currículo ("Albert Nobbs", 2011) e parece ter regressado para tentar de novo a sorte. Helena Bonham-Carter foi outra das menções honrosas de Nathaniel que também conseguiu mais uma nomeação ("The King's Speech", 2010) e esteve provavelmente próxima da vencedora (Melissa Leo, "The Fighter"). E da lista dos renegados da Academia ("Oscar poison"), dois conseguiram prémios e ambos na mesma categoria e consecutivamente: Christopher Plummer (2011) e Christian Bale (2010).

Depois desta introdução, expliquemos ao que venho: em 2013, quem seriam as vossas apostas para vencer um Óscar a curto prazo por já ter feito para merecer um? Por outras palavras, quem vai conseguir juntar a trifecta buzz, timing e body of work?

Cá vão as minhas dez escolhas.



Menção Henrosa (porque me esqueci dela):
Michelle Williams
Tem três nomeações, só uma delas por um trabalho Oscar friendly ("My Week with Marilyn"). Eu sou da opinião que ou consegue um papel que torne a vitória inevitável (tipo Natalie Portman, "Black Swan") ou então nunca vai ganhar, tudo porque ela não aceita papéis a pensar em prémios, prefere personagens difíceis e complicadas, o que lhe ganha admiradores fervorosos mas não faz a Academia gostar dela como gosta, por exemplo, de Amy Adams. A verdade é que desde 2005 que a moça trabalha a alta rotação: "Brokeback Mountain", "Shutter Island", "Wendy & Lucy", "Synecdoche New York", "I'm Not There", "Meek's Cutoff", "Blue Valentine", "Take this Waltz", "My Week with Marilyn". Vai ter de aceitar mais papéis como o próximo filme, "Suite Française", para ter possibilidade de vencer.




10. e 9. 
Michael Fassbender / Jessica Chastain
Criei aqui um empate, à batoteiro, para mencionar estes dois casos. O primeiro ainda nem sequer conseguiu uma nomeação, mas em termos de popularidade e aclamação crítica e afirmação no panorama cinematográfico estão, diria, mais ao menos taco a taco. Falemos de Fassbender primeiro. "Hunger" e "Shame" são vergonha suficiente para a Academia nem sequer ter tido lata de o nomear. Então pelo segundo filme é qualquer coisa de incrível. Pelo meio junte-se "Fish Tank", "A Dangerous  Method" e "Jane Eyre". Até filmes de género de qualidade ele fez - "X-Men: First Class" e "Prometheus". Do novo Malick, do novo McQueen ou do novo Ridley Scott há-de sair qualquer coisa, não? Agora Chastain. Duas nomeações em três, quatro anos de trabalho contínuo de grande qualidade (em 2011 tinha mesmo quatro, cinco interpretações dignas de nomeação, de "Take Shelter" a "The Tree of Life", de "The Help" a "Coriolanus"). Perdeu por pouco a corrida nas duas vezes que foi nomeada. É a menina querida dos cineastas "a sério" e junta a isso a admiração dos seus pares. Se continuar a este ritmo, a vitória não tardará muito.



8. Robert Downey, Jr.
Adicionem à mistura os ingredientes "rejuvenescimento", "reinvenção de uma carreira dada como perdida", "reabilitação muito aplaudida", "originador da fortuna recente da Marvel", "Sr. Tony Stark" (tão popular como Jack Sparrow no final da década de 2000), "vencedor do Globo de Ouro por Sherlock Holmes" e "nomeado ao Óscar por Tropic Thunder" e o que temos? Um actor que toda a gente quer ver ter sucesso. Bob, escolhe produzir para ti um filme daqueles em que sabes que podes reinar à grande - e o Óscar é teu. 



7. Viola Davis
Só pela humilhação que a Academia deve ter sentido de ter sido acusada de tirar a Viola Davis o Óscar por "The Help" para dar a Meryl Streep ("The Iron Lady") a mulher tem logo uns 100 pontos de vantagem na próxima vez que voltar à corrida. O difícil será conseguir um papel que a coloque em contenção. Será, contudo, só isso que bastará, porque só com uma interpretação titânica (pensemos Mo'Nique em "Precious") é que lhe vão arrancar o Óscar das mãos.



6. Brad Pitt
Três nomeações ("Moneyball" em 2011, "The Curious  Case of Benjamin Button" em 2008, "Twelve Monkeys" em 1995) não reflectem bem a enorme carreira deste homem. "Fight Club" e "Se7en" são óbvias e imperdoáveis omissões. Juntaria "The Tree of Life" e "Inglorious Basterds" à lista, mas poderia também citar "The Assassination of Jesse James by the Coward Robert Ford", "Burn After Reading", "Snatch" e "Thelma and Louise" à lista de interpretações de elite. Brad Pitt pertence ainda a um clube especial da indústria, dos membros mais valorizados, como Clooney, DiCaprio ou até a sua cara-metade, Jolie. Também no caso deste é só preciso surgir um papel. Em 2011 esteve muito perto. Arrisco dizer que se a campanha de Dujardin não tivesse sido tão forte e seria ele e não o francês a roubar o Óscar a Clooney. Julgo que acabará eventualmente por vencer, seja como principal ou secundário.




5. Julianne Moore
"[safe]", "Boogie Nights", "Far From Heaven", "The Hours", "Magnolia", "The Kids Are All Right", "The End of the Affair", "Blindness", "Vanya on 42nd Street", "Saving Grace", "A Single Man", "Crazy, Stupid, Love", "Children of Men", "The Big Lebowski", "Hannibal", "I'm Not There", "The Fugitive", "The Hand that Rocks the Craddle", "Shipping News", "Cookie's Fortune" e "Psycho" de Van Sant. Disto tudo resultaram quatro nomeações. Continua a trabalhar com a dedicação, talento, versatilidade e excelência de sempre. Basta um papel certeiro. I rest my case.



4. Annette Bening
Quatro vezes nomeada, quatro vezes terminou em segundo lugar (não se sabe oficialmente mas suspeita-se). "The Grifters", "American Beauty", "Being Julia", "The Kids Are All Right". Duas vezes batida por escolhas consensuais (Portman em "Black Swan", Swank em "Boys Don't Cry"). E duas vezes batida por escolhas popularistas (Whoopi Goldberg em "Ghost" e Swank - a arqui-inimiga - em "Million Dollar Baby"). Tal como a moça acima, mantém o talento e a ambição intactas e apresenta frequentemente interpretações de luxo. Esperemos que algum ano tenha mais sorte, embora a personalidade distante e fria - de senhora sofisticada - seja um obstáculo difícil de ultrapassar. Os Óscares gostam mais das meninas bonitas e simpáticas. Que o diga Jennifer Lawrence.



3. Joaquin Phoenix
Um dos actores mais entusiasmantes dos dias que correm. Depois do fatídico ano de 2005 ("Walk the Line") e da sua segunda derrota dedicou-se a uma fase da sua vida mais experimental, não sem antes virar musa de James Gray (uma pena a Academia ter ignorado "Two Lovers" e "We Own the Night"). Voltou desse período conturbado com revigorada energia, virando a nova musa de Paul Thomas Anderson, que lhe rendeu nova nomeação e derrota este último ano ("The Master") e com nova produção a caminho ("Inherent Vice"). Este ano volta à corrida por "Her" e "The Immigrant". Será desta? Tal como Christian Bale, será mais um enfant terrible triunfador?



2. Leonardo DiCaprio
O mal amado. Tal como Kate Winslet, algum dia terá que ser a vez dele. E ao contrário de Winslet, o Leonardo sempre vai tentando produzir os seus próprios esforços, nunca se cansa, tem sempre mais que um projecto a sair e não se pode dizer que recorra sempre aos meus realizadores e tipos de papéis (se bem que a saga das personagens consecutivas com mulheres mortas e a atormentá-lo já enjoava). Nos últimos tempos foi de Scorsese para um blockbuster de Christopher Nolan, para um biopic de Clint Eastwood, para o mais recente êxito de Quentin Tarantino, para uma adaptação literária estilosa de Baz Luhrmann e de volta a Scorsese. Se isto não é variedade e pedigree, não sei o que será. Pecou pela juventude das três vezes que perdeu. A que mais doeu foi em 2004 ("The Aviator"). Tinha tudo para ganhar mas a Academia achou Ray Charles mais impressionante. Há-de chegar o dia (embora já me tenha passado pela cabeça que o Leo dava um bom "novo Peter O'Toole").




1. Amy Adams
"Junebug", "Doubt", "The  Fighter", "The Master". Sempre que ela esteve num filme popular com as massas ou com os críticos ou, pelo menos, num filme "à Óscar", ela foi nomeada. Pode-se dizer que foi ignorada por trabalho impressionante em 2007 ("Enchanted") mas a Academia nunca tocaria naquele filme nem por sombras. O amor que a instituição tem por ela, no entanto, bate fundo e parece não ter fim (quatro nomeações em apenas oito anos - 2005-2012 e das quatro vezes conseguidas a muito esforço - duas delas a par com uma actriz do seu filme - ou pelo menos assim parecendo mostram que a Academia gosta dela). Algum dia terá sorte. Será este ano com "American Hustle" ou "Her"? É que mesmo quando a moça tira um ano sabático para ter um filho, consegue manter-se sempre pertinente na indústria ("The Muppets" foi uma das grandes histórias de sucesso de 2011). Com o ritmo de trabalho dela, é uma questão de tempo até... lhe darem um Óscar ou esquecê-la de vez.


E para mais um Óscar, alguma aposta? Acho seguro assumir que Clooney, Streep, Seymour Hoffman, Winslet, Lawrence e Hathaway vão vencer mais Óscares. Mesmo Blanchett, Bale e Kidman, se bem que estes nem sempre façam filmes populares. Firth poderá repetir, dependendo do papel. O mesmo digo de Sean Penn, Russell Crowe, Tom Hanks e Denzel Washington. Dos veteranos, acho que DeNiro terá sempre boas hipóteses se - e é um grande se - quiser voltar aos grandes papéis (como este ano vimos, em "Silver Linings Playbook"), bem como as Dames Judi Dench, Maggie Smith e Helen Mirren porque são britânicas e essas trabalham para sempre. 

Isto, no fundo, não quer dizer nada. De repente, sem ninguém esperar, um actor arranja o papel de uma vida e lá chovem estatuetas e mais estatuetas. Quem diria que chamaríamos àquela simpática senhora nomeada por "Frozen River" em 2008 vencedora do Óscar? E quem apostaria que seria Sandy Bullock a ficar com o prémio de Melhor Actriz em 2009? E que Daniel Day-Lewis iria aproveitar um ano fraco para actores e ganhar um terceiro Óscar de Melhor Actor, juntando três prémios no espaço de 23 anos (1989, 2007, 2012) e pouco mais de dez papéis nesse tempo? E que de França viria um Jean Dujardin bater Pitt e Clooney? Lá está, isto das previsões não querem dizer absolutamente nada. Mas é sempre giro especular.



Ninho de Cucos (XI)


Depois de um interregno de quase três meses, o Gustavo está de volta com mais uma edição do "Ninho de Cucos". Disfrutem.


“Recordar é viver.” Excepto que não é. Viver é muito melhor do que recordar. Relembrar acontecimentos é uma actividade que o ser humano se dispõe a fazer simplesmente porque esses acontecimentos não podem ser repetidos. E mesmo quando ainda podem ser repetidos, justifica-se que apenas sejam recordados sob a punição de arruinar uma bela memória com uma traumática e mal sucedida repetição.


Mas divago. Recordar, a capacidade de relembrar situações passadas e desenvolver uma emoção consequente, é uma habilidade fantástica que separa o Homo Sapiens do resto dos reinos da taxonomia lineana. Nela podemos encontrar a razão que motiva a criação de sonetos, sinfonias, gravuras... em suma, de toda a arte! A saudade é a origem da criação artística.

O cinema, como o veículo sofisticado de expressão artística que é, não podia ser isento a este paradigma. Desde o diligente artista doméstico que cumpre a obrigação de documentar em formato analógico as festividades e desventuras da família, até ao dotado cineasta que transforma momentos históricos em magníficas obras de arte, toda a sétima arte é de alguma forma regida pelo dever emocional de esculpir sentimentos associados a acontecimentos antigos. De tal forma é isto verdadeiro, que os grandes eventos históricos não têm dificuldade em ver-se retratados nas salas de cinema. Experimentemos por exemplo a 2ª Guerra Mundial. À cabeça, salta logo o "Saving Private Ryan", um dos melhores esforços ocidentais sobre o tema, mas facilmente surgem outros bastiões como "Casablanca", "Judgement at Nurenberg" e "Schindler's List"; a oriente "Mai Wei", uma película coreana, dá uma perspectiva diferente do conflito, sob o pano de fundo de uma história épica; da Bielorrússia, "Idri i smotri", um hipererrealista e nauseabundo retrato da cruel vivência na Europa Oriental devastada pelo avanço nazi; ainda a minissérie americana "Band of Brothers", que relata os destinos de um pelotão desde o seu treino até ao fim da Guerra. Outros períodos de grande relevância, como o apogeu do Império Romano (com "Gladiator", "Ben-Hur", ...), a Guerra Civil Americana (com o recente "Lincoln"), entre outros, representam perfeitamente a preponderância que o filme histórico tem no mundo do cinema.


No entanto, apesar de a recordação ser o motivo primordial da necessidade artística, não é absolutamente correcto defini-la como o motor único de onde deriva toda a criação artística. Na verdade, o ser humano não é suficientemente desenvolvido para conseguir recordar eventos passados sem lhes acrescentar ou ocluir determinados pormenores. Daí que nenhuma recordação seja absolutamente pura - nenhuma memória é desprovida do julgamento subjectivo que o subconsciente individual de cada um faz sobre qualquer acontecimento vivenciado.


Conclui-se que, no fundo, a capacidade de fantasiar ocorrências transactas é inerente ao processo criativo, quer seja obtida de modo propositado ou involuntário. Mas, embora esta aptidão de inventar surja como que de um défice da espécie humana em conceptualizar o que a rodeia, impressiona pensar que esta deficiente e inadaptada estirpe de primatas bípedes consegue contornar esse obstáculo funcional e inclusivamente torná-lo numa vantagem imprescindível até à evolução da própria espécie. É esta habilidade de controlar o modo como fantasiamos que nos permite ter luz durante a noite ou ter calor quando está frio. E assim se justifica que, da mesma forma que temos propensão a reviver o passado, também tenhamos tendência para inventar futuros hipotéticos e fantasiosos, como nas produções de ficção científica como "Star Wars", "2001, A Space Odyssey" e "A Trip to the Moon"; como o cómico surrealismo dos Monty Python em "The Meaning of Life"; como o recorrente filme sobre viagens no tempo de "Back To The Future", "12 Monkeys" ou "The Butterfly Effect"; como a enigmática alegoria do fantástico "Holy Motors"; ou ainda a fusão do filme histórico com o filme de fantasia em "The Gold Rush", "Life of Brian" ou "El Labirinto del Fauno".


Seja qual for a origem da criação cinematográfica, cabe ao espectador tirar o melhor de cada faceta da sétima arte, quer seja um trabalho de índole histórica ou uma obra fantasiosa tal como esta, que me vê atirar esforçadas palavras para o ecrã. Compreender que um filme não se reduz a uma sequência de imagens animadas, mas ao produto de uma extensa actividade planificativa de encadeamento de ideias aglutinadas por um nexo causal, faz parte da obrigação de um espectador educado.


Gustavo Santos

Ninho de Cucos (X)

Por vezes, a motivação para ver cinema é distorcida pela contextualização que as últimas memórias são capazes de suscitar, nomeadamente quando são traumáticas o suficiente para condicionar um reflexo de repulsa por novas experiências que queiramos planear. Foi essa a impressão com que fiquei nos últimos tempos, depois de penitenciar os meus olhos com o desastre "2010, the Year we make contact", a infame sequela do clássico de Kubrick "2001, A Space Odyssey". Náusea está longe de ser uma sensação traumática, mas quando uma pessoa se dá ao luxo de habituar o espírito a ser mimado por grandes obras, é natural que uma mariquice destas seja conceptualizada como um rude golpe.

Contudo, o problema que surge quando um espectador se depara com um caso destes não necessita de todo de chegar a este ponto. Felizmente para a nossa espécie, o todo-poderoso dotou-nos da capacidade de abandonar uma sessão ao nosso critério e quando bem nos apetecer. E muitas vezes o que complica é perceber quando é que nos apetece. Perceber que um filme não nos agrada não é tarefa difícil, como é óbvio, mas decidir se estamos dispostos a prescindir do resto dele com base no que vimos até então é, sim, uma questão que pode parecer irresolúvel! 


Mas também pode não o ser. Obviamente que depende sempre da pessoa e do filme em questão, mas a regra de ouro é: numa situação em que um filme necessite de uma atenção forçada para o continuarmos a visionar, a probabilidade é que, independentemente da qualidade do desenrolar do mesmo, o desenlace dos acontecimentos não venha a compensar esse esforço que a paciência se vê obrigada a exercer, trazendo toda uma conotação negativa à conceptualização da experiência cinematográfica.

Por outro lado, há ainda uma outra dimensão que é fulcral na decisão: o tempo. É fácil compreender que quanto mais longo for o filme, mais hipóteses terá de ver abandonado o seu visionamento por um espectador insatisfeito, enquanto que, por contraposição, um filme com menos de 2 horas terá, teoricamente, muito menor dificuldade em manter um espectador cativado, evitando toda esta problemática. Como é lógico, não há um limite máximo de duração para uma longa-metragem; o problema é que a débil mente humana tem um "attention span" que não lhe permite manter a atenção por horas a fio. No entanto, a capacidade de síntese, embora muito estimulada no nosso sistema de ensino, não parece ser uma virtude muito distribuída nos meios cinematográficos, onde dá impressão de nem sequer ser considerada uma virtude.

Ainda assim, sendo o cinema uma máquina de milhões, há sempre alguém que tenha olho para o negócio. Um desses casos é o universo dos filmes Disney. "O Rei Leão", "Hercules", "Aladdin" são todos grandes exemplos que marcam gerações, todos sob a alçada da fórmula vencedora do filme de 90min. Evidentemente, não é a curta duração que torna estes filmes tão apetecíveis e intemporais, mas olhando para o público-alvo destes filmes como versões com maior capacidade de distração do que um adulto facilmente se percebe que este elemento é necessário. E, acrescentando ainda filmes mais recentes da era 3D como Toy Story, Nemo, Up, etc., não é difícil de concordar que esta fórmula do filme moralista, curto e de narrativa simples resulta tão bem no adulto como nos mais novos.


Mas, mesmo fora da animação, há bons exemplos. Juntar um grupo de grandes actores e fazê-los contracenar em meia dúzia de cenas é outra combinação de grande sucesso, como atestam "Reservoir Dogs" ou "12 Angry Men", cujo carácter marcante é atingido pelo poder do diálogo e do choque da circunstância criminal, empregues de forma sublime numa narrativa tão intensa e proeminente, que não necessitam de mais de 100min para completar a sua rodagem.

O documentário, que geralmente não precisa de tantos minutos como o resto dos filmes, é mais um dos que entram neste lote. Boas fitas dos últimos anos, como o multigalardoado documentário sobre a vida do campeão brasileiro de Fórmula 1 "Senna" ou o vencedor do Óscar de melhor documentário de 2011 "Inside Job", representam magnificamente a ideia de que temas mais complexos do que inicialmente parecem podem perfeitamente ser retratados de forma exímia, num período de visionamento que não exija ao espectador perder metade de uma tarde ou deitar-se às quinhentas.



Outros filmes menos convencionais, como "Waking Life" (um sumarento trabalho sobre o sonho), "Palombella Rossa" (onde o comunismo se funde com o Polo Aquático sob a hilariante alçada de Nanni Moretti) ou "The Big Lebowski" (onde o lunático Steve Buscemi é a única personagem normal do filme), podem servir ao meu exemplo e muitos outros ainda caberiam, lembrasse-me eu deles. Mas o argumento está feito: dado que a duração é uma importante variável para a decisão do espectador que não sabe se quer ver o filme até ao fim, seria agradavelmente útil que as longas-metragens deixassem de ser tão longas, ou pelo menos que o filme de 1h30-2h deixasse de ter tão pouca utilização. É óbvio que filmes como "The Godfather" ou "Django Unchained", grandes no sentido literal e simbólico, não poderão ser postos nesta discussão. A riqueza das histórias e, acima de tudo, o produto final com todas os seus pormenores e envolvência artística devem sobrepor-se a qualquer limite temporal, sem desprimor, contudo, da arte própria em que consiste o condensar de uma história.

Gustavo Santos

Ninho de Cucos (IX)

Como amante do cinema não podia estar mais contente por esta zaragata toda dos Óscares estar finalmente a assentar. Aquilo que me faz gostar de cinema é poder ver uma bela obra de arte quando o acaso mo permite e a vontade o deseja, não a necessidade imperiosa e urgente que o último filme da Universal ou da Paramount faz surgir nos pobres de nós que se deixam viciar pela indústria sediada nas colinas californianas. Mas esqueçamos essa efeméride, cuja esfera gravitacional de interesse suga até as palavras do cronista que a tenta infrutiferamente evitar. 

Em vez disso encaremos a 7ª arte pela perspectiva do covarde que evita qualquer confronto com o novo, na ânsia de assim poder evitar toda a aberração artística que, por meio de boa propaganda, consegue colocar-se nas bocas do mundo. Não se pode dizer que esse covarde seja uma fabricação artificial de um receio que não tem razão de existir, mas como o hipocondríaco que desorientado pela evolução médico-farmacêutica se acha portador de toda a maleita, é também o nosso atarantado cinéfilo um produto da radiação massiva a que a indústria cinematográfica o expõe. E não é falso que não hajam motivos para esta fobia: televisão, revistas, jornais, paragens de autocarros, etc. nada é deixado incólume pelos Donald Drapers do mundo ocidental, e verdade seja dita, é um trabalho incansável o destes senhores, se tivermos em conta que, mesmo no momento em que nos deixamos vencer pela sugestão do reclame e pomos os pés na sala de cinema, somos inundados com ainda mais slogans, trailers e outro arsenal publicitário!


Ainda assim este negócio, sendo por si só uma forma de arte, não deixa de ser em termos práticos uma questão de quantidades e alcances. Longe de ser um entendido na área, acredito que o sucesso de uma campanha depende muito mais da quantidade de vezes que ela é repetida perante o público-alvo do que propriamente da qualidade do seu conteúdo. Toda a gente se lembra de anúncios intemporais como o da Ferrero Roché ou de outras marcas que repetem os seus reclames há anos, mas se pensarem nisso ninguém consegue eleger o(s) melhor(es) anúncio(s) que viu na vida! Podemos pegar no fenómeno musical Justin Bieber e perceber que a reputação não serve de nada quando o alcance atinge semelhante magnitude. Com o cinema acontece o mesmo. Um filme fraquinho e ranhoso que seja produzido pelos grandes estúdios corre o risco de encontrar uma boa agência de publicidade, e ser inclusivamente confundido com um filme tolerável.

É disto que o nosso covarde tem medo. Mas este fictício amigo sabe bem que nem a melhor publicidade do mundo pode fazer um falhanço artístico ter um velório menos precoce, a não ser que se trate de uma daquelas magníficas histórias de fracasso colossal que ficam imortalizadas, que nem fábulas lafontaineanas. A crítica, e sobretudo a ausência dela, separa os trigo do joio e ao fim de algum tempo a consciência cultural do filme passa a ser muito mais fidedigna. E é assim que se constroem os clássicos. Aqueles que, por mais tempo que passe, nunca chegam verdadeiramente a passar de moda!

É óbvio que nem todos podemos ter a mesma opinião acerca de algo tão vago como um filme, porque afinal o cinema é uma arte e como tal tem um filtro de subjectividade associado a ele. Para além do mais a mente humana tem o terrível 'defeito' de não ser monovalente, ou melhor dito nas palavras de Balzac: "cada ideia tem o seu direito e o seu avesso. Tudo é bilateral no domínio do pensamento. As ideias são binárias". E é precisamente por isso que é perfeitamente impossível conseguir-se catalogar cinema por ordem de qualidade. Por mais peritos que se possam juntar, nunca se poderá encontrar um melhor filme de sempre! Da mesma forma, perceber se uma fita recém-lançada nas salas de cinema, poderá pertencer ao panteão dos filmes que glorificam esta arte que tanto prezamos não será concebível sem o período ruminatório que a nossa consciência artística global exige.


Dá a impressão que os receios do covarde até podem ter razão para existir. Mas vendo as coisas de um prisma mais abrangente, facilmente se percebe o quão egoísta e oportunista esta atitude é. Egoísta porque um indivíduo que não se permite a visionar filmes novos por medo da sua mediocridade é um voltar de costas à discussão que a internet, os media, e a blogosfera têm no sentido de trazer uma voz crítica e assim fazer evoluir o mundo do cinema. Oportunista porque se alimenta do trabalho de outros sem ter qualquer papel nessa demanda, da mesma maneira como o Cardozo consegue ser o melhor marcador da última década no Benfica, apesar de ser o homem mais descoordenado da América do Sul.

Contudo ao fim e ao cabo, o indivíduo que fica à espera dos experts para saber qual o melhor filme, corre o risco de ver a sua busca perdida numa opinião falaciosamente ditada por tendências que não correspondem às suas. E voltando ao tema das estatuetas douradas, é perturbador saber que pérolas da história do cinema como Citizen Kane, 12 Angry Men ou A Clockwork Orange nunca tenham sido propriamente distinguidas, e génios incontornáveis como Welles, Kubrick ou Kurosawa tenham sido tão hostilizados pela agremiação que supostamente lidera o mundo do cinema. A Academia é tão conhecida pelos prémios que atribui como pela barbaridade dos erros que comete!


Mas o que fica é a noção de que os inúmeros certames que celebram a arte do cinema funcionam como que guidelines para a comunidade cinéfila. Enquanto que esta atitude possa ser parcialmente justificável, há que manter a imparcialidade na escolha daquilo que vemos e não nos deixarmos assoberbar pela poderosa influência do mundo publicitário, sob pena de se cair no futilidade. Conhecer cinema não é ver um filme do Fellini e dizer que não se gosta do estilo, ou ver um filme taiwanês e resmungar contra o cinema asiático. Hoje em dia já há tanto filme como havia chapéus no tempo do Vasco Santana, mas dá-me a ideia que andamos todos a ir ao cinema no mesmo chapeleiro.

Há que saber ir à loja do fundo da rua perguntar se tem coisas novas!

Gustavo Santos

Ninho de Cucos (VIII)

Queira desculpar o fiel ou esporádico leitor a interrupção da cronicidade desta crónica, motivada em essência pelos penosos deveres académicos, dos quais felizmente me vejo agora livre. Encontro-me agora na feliz situação de poder aborrecer os meus dias a procrastinar e a recuperar o andamento com que o eixo do nosso planeta gira sobre si próprio. Não me surpreende, contudo, encontrar uma actualidade não muito distinta da que me lembrava, assombrada por expectativas cada vez mais cépticas num futuro menos castigador, histórias de corrupções, fraudes e aldrabices, que apesar de não incaracterísticas de outras épocas, se replicam abusivamente nesta.


Uma dessas histórias que não deve ter passado ao lado de muita gente foi a confissão de dopagem de Lance Armstrong, numa entrevista exclusiva com Oprah Winfrey. Ao fim de vários anos de fervorosa negação e de perseguição aos seus acusadores, o ex-ciclista saiu do armário, não tendo tido coragem porém para responder a nada que lhe pudesse trazer implicações judiciais ou para mostrar algum resquício de genuíno arrependimento. A entrevista em si não foi nada de extraordinário, mas ficou-me na retina uma das suas evasivas respostas em que o norte-americano refere ter ido ao dicionário pesquisar a definição da palavra "cheat". Achei curioso ver alguém com uma das carreiras mais bem sucedidas no desporto, puramente baseada na batota e no embuste, ter tido a necessidade de se socorrer do dicionário para alcançar o significado de tal vocábulo.

Mas aproveitemos a situação e façamos nós próprios a mesma reflexão. O dicionário de Lance definia "cheat" como "obter proveito através de algo que não esteja ao dispor dos outros". Sendo assim "cheat" (que vou traduzir como "corrupção" para efeitos de dramatismo) abrangeria um leque de circunstâncias muito maior do que se poderia pensar. Será o aluno que leva cábulas para o exame tão culpável como o ministro que se matricula com os exames já todos 'feitos'? Será o miúdo que faz batota no Monopólio tão desprezível como o professor que dá as notas sem permitir a revisão do exame? Ou será o médico que dá uma consulta extra ao cunhado do tio tão condenável como o dirigente da FIFA que faz leilões de Mundiais disfarçados de concursos imparciais? Sendo eu portista, e consequentemente, um perito em discussões sobre corrupção, acredito que a culpa desta ambiguidade não é dos dicionários, mas antes do nosso senso comum latino. Talvez quando nos assemelharmos mais com os povos nórdicos, com quem tanto nos gostamos de comparar, possamos ter uma melhor noção do que significa viver em comunidade e do verdadeiro significado de corrupção.


Contudo não me sai da cabeça que este tipo de situações, que privilegiam o bem-estar pessoal ao bem-estar geral numa proporção socialmente inaceitável, não deixam de ser um espelho do mundo em que vivemos. Correndo o risco de ser confundido com a opinião populista de que a sociedade tem culpa de tudo, julgo provável que esta era da informação e globalização contribua com a sua quota-parte para o problema. O universo cibernáutico veio proporcionar uma possibilidade infinita de igualdade, mas o preço pago por essa benesse pode ser medido, por exemplo, nas versões online de vários jornais, onde frequentemente se podem ler comentários brutalmente desadequados a notícias perfeitamente banais como "de certeza que é cigano" ou "havia de ser comigo, engolias esses dentes todos seu p****" e onde a correcção ortográfica é tão prevalecente como o Rinoceronte Negro no Pinhal de Leiria. Por outras palavras esta democratização do acesso à informação e do acesso ao comentário leva a que haja uma popularização da crítica. Hoje em dia saber estar calado deixou de ser uma virtude, porque o anonimato se tornou sinal de insucesso, e é por causa disso que temos canais de TV infestados com Casas dos Segredos e outras parvoíces. Tudo bem que esse parolos que aparecem na TVI não fazem mal a ninguém, mas não nos podemos esquecer que a idiotice é uma pré-requisito para a corrupção. Sim porque por muita fachada que um fato e uma gravata possam oferecer, não há pior idiota que o aristocrata que negligencia os direitos da comunidade!


Mas o que tem o cinema a ver com tudo isto? Já lá vamos. No outro dia quando estava a ler uns artigos sobre o nosso amigo ciclista tropecei numa notícia, já com alguns meses, que anunciava um filme baseado numa autobiografia do campeão americano, já com a Sony Pictures e o Jake Gyllenhaal envolvidos no projecto. É óbvio que, com o escândalo da batotice do homem, os responsáveis pela produção tiveram que deitar todo o planeamento já feito pela janela fora, ou pelo menos foi assim que pensei. Porém, não podia estar mais errado! Ao acabar de ler a notícia fiquei a saber que JJ Abrams (o produtor de Lost) garantiu já os direitos do livro de uma repórter do New York Times, acerca das falcatruas com que Armstrong fez a sua carreira, livro esse que ainda nem sequer foi lançado. Hollywood não se deixa deter por situações destas! Em vez disso atropela-as e saca-lhes mais dinheiro!

Mas veja-se o lado positivo da coisa: num mundo com tanta preguiça de se intelectualizar, em que se prefere sempre um filme de 2-3 horas a um livro de quinhentas páginas, por que não aproveitar esta extraordinária máquina de fazer filmes e distribuir cultura às massas? O problema da formação massiva de idiotas de que falamos anteriormente seria possivelmente colmatado se o cinema fosse integrado nos programas pedagógicos do nosso país. Imagine-se a dificuldade que há em fazer com que alunos adiram à leitura de obras icónicas da literatura e a contrastante adesão quando se substitui esse processo pelo visionamento de um filme. Agora adicione-se a esse aspecto a capacidade catártica que só a arte tem em conseguir mudar as pessoas. Quem nunca se perguntou a si mesmo se teria a mesma capacidade de altruísmo e benevolência que Liam Neeson protagoniza em "A lista de Schindler", onde perpetua a história verídica de um homem mundano, igual a todos nós, que muda à medida que testemunha os horrores do holocausto e se torna num verdadeiro filantropo? Ou quem nunca se sentiu fascinado com a deliciosa história de Salvatore Di Vita e Alfredo no "Cinema Paraíso", onde o fascínio pelo cinema se confunde com as comoventes paixões e nostalgias de um jovem Siciliano criado entre projectores e películas?


Não quero com isto dizer que o livro deva ser negligenciado face ao filme. Quem sabe desfrutar de um livro sabe que são raras as ocasiões em que a sétima arte faz jus à obra escrita. Mas em verdade vos digo que como aluno não havia dias mais felizes do que aqueles em que a funcionária da escola aparecia na sala de aula com o monitor e o leitor VHS/DVD. A nível pedagógico o cinema está para a obra literária como a Aspirina está para o chá de Camomila, e as suas potencialidades exigem ser exploradas, especialmente numa altura em que 'sacar' um filme é tão cómodo como tirar um café. É natural que esta utilização do cinema como instrumento de educação cultural e de intervenção social não fará jamais com que todos os campinos portugueses saibam dizer quem pintou a Capela Sistina (até porque a iliteracia é como aquelas comichões que por mais que se esfregue só aumenta a coceira), mas estou confiante que algum dia havia de estabilizar esta crescente praga de cretinos, corruptos e idiotas, que não deixam de parasitar a praça pública. Quem sabe um dia se possa mesmo fazer com que as decisões do nosso país passem por pessoas com o mínimo de formação intelectual e humana que todo o legislador deve possuir. 

Mas isso fica para quando houver Ministro tolo o suficiente para acreditar nestes devaneios.

Gustavo Santos