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DIAL P FOR POPCORN

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Falemos da Pixar (uma vez mais)


Amanhã vou ver "Monsters University". Um frio peculiar sobe-me à espinha sempre que penso nisso - já assim foi com "Brave" - porque a Pixar já não é tão infalível como outrora. O que será que vou encontrar? As críticas já vão dando um indício - um bom filme, todas o dizem, não dos melhores da Pixar mas dos mais entretidos. Já o antecessor, "Monsters, Inc." o fora. E definitivamente muito melhor que "Cars" ou "Cars 2", o que chega para me deixar descansado. Veremos no que dá.

Entretanto, lembrei-me de desenterrar, agora que estão volvidos três anos (!) desde a estreia de "Toy Story 3" e, antes de acrescentar a nota de "Monsters University" (em 2010 decidi acrescentar "Toy Story 3" à lista; talvez não o devesse ter feito, porque acho que a visualização mais recente influenciou algumas posições na lista), aproveito para rever as escolhas de então e actualizar a lista com "Brave" e "Cars 2".

Em 2010, o melhor filme da Pixar para mim era "Wall-E", seguido pelo então acabadinho de estrear "Toy Story 3" (que infamemente foi batido por "How To Train Your Dragon" para melhor filme animado desse ano cá nos DAFA) e por "Finding Nemo" e "Ratatouille". "Up", para muitos o melhor filme da Pixar, era o meu quinto favorito, com "Monsters, Inc" logo atrás. Na cauda vinham os óbvios "Cars" e "A Bug's Life", largamente considerados dos piores do estúdio, acompanhados um pouco acima por "Toy Story 2" e "The Incredibles". 

Em 2013...


#13 CARS 2 (Lasseter, 2011) [em 2010: -]
#12 CARS (Lasseter, 2006) [11]

Sem sombra de dúvida os únicos filmes da Pixar sobre os quais só tenho quase coisas negativas a dizer. Por sinal, a sua franchise mais lucrativa (boys will be boys e gostarão sempre de carros). A sequela, por sinal, inspira em mim cada sentimento mais odioso...

#11 A BUG'S LIFE (Lasseter e Stanton, 1998) [10]

Mediocridade. Um bom avanço tecnológico para a altura e o primeiro filme Pixar a criar um microcosmos. Pouco mais que isso. 

#10 TOY STORY 2 (Lasseter, Unkrich e Brannon, 1999) [9]

Merecia mais, mas é da trilogia aquele que menos aprecio. Uma pena, porque para muitos é o favorito. Talvez deva tentar uma nova visualização, afinal já não o vejo há uns bons anos. De qualquer forma, para mim 1999 em animação resume-se a "The Iron Giant". Um dos grandes filmes animados de sempre. De sempre.


#9 BRAVE (Chapman e Andrews, 2012) [-]

Não percebo o ódio. É por a Pixar tentar um conto de fadas, uma especialidade mais adequada à casa mãe Disney? É por ser uma rapariga? É porque decidem passar um filme todo com duas personagens, duas mulheres, se bem que uma delas é um urso? Não entendo. Talvez o Pixar com o melhor e mais complexo protagonista.

#8 UP (Docter, 2009) [5]

E pensar que já achei este o melhor filme da Pixar... Mentira, nunca achei O melhor. Mas sempre esteve nos meus mais cotados. O problema é que retira-se a sequência de "Married Life" que serve de prelúdio à narrativa e o que temos? Um filme muito oco, desengonçado e que não sabe que mais fazer quando a história mais importante do filme foi contada nos primeiros dez minutos. De qualquer forma, muito mérito para o primeiro filme da Pixar a introduzir um protagonista de certa idade. Um risco curioso.

#7 TOY STORY (Lasseter, 1995) [7]

O primeiro. O que abriu a porta à revolução. O filme que mudou a face da animação. Merecia estar mais alto, possivelmente merecia até o primeiro lugar, mas o meu apego é maior aos seis "clientes" acima.


#6 THE INCREDIBLES (Bird, 2004) [8]

Fazer um filme de superherói melhor do que qualquer um que se consiga produzir com actores reais? Podem apostar. E o único Pixar do qual eu gostava de ver uma sequela. O Brad Bird é um enorme cineasta. Edna Mole anyone?

#5 TOY STORY 3 (Unkrich, 2010) [2]

O filme que fecha a trilogia com chave de ouro (uma tristeza que tenham logo ressuscitado as personagens para uma curta; nem um ano durou a retirada!). Era impossível pedir algo mais perfeito.

#4 MONSTERS, INC. (Docter, Unkrich e Silverman, 2001) [6]

Não estaria tão alto não fosse ter apanhado uma transmissão televisiva há pouco tempo. Por acaso fiquei a ver. Não me lembrava de gostar tanto do filme, dos seus temas, da sua simplicidade, da sua ternura e felicidade. É um feito gigante de entretenimento, uma criação muito original e um mundo tão incrível, peculiar e fascinante que nos apresenta. Não tem a perfeição de "Toy Story 3" ou a imensidão de "Finding Nemo" mas é dos mais completos da Pixar.


#3 FINDING NEMO (Stanton, 2003) [3]

Antes de John Carter, eu achava impossível que Stanton fizesse um filme que não fosse impressionante. Errei. Ele também. Somos humanos. Mas as suas duas criações em singular para a Pixar são espantosas obras-primas tanto em escala, como em ambição, como em conteúdo. Vão tão além do que um filme animado se propõe a fazer que é um milagre que por duas vezes a Pixar lhe tenha confiado rédeas para fazer o que ele quis. Da primeira vez, saiu isto.


#2 RATATOUILLE (Bird, 2007) [4]

Bird, outra vez. O melhor Pixar. A todos os níveis. Combina tudo aquilo que a Pixar faz de melhor com o que o cinema de Bird tem de melhor. Extremamente original e divertido e refrescante sem forçar a piada fácil. Não é a minha escolha pessoal para melhor de sempre mas se a razão mandasse mais que o coração, este seria o topo da lista...


#1 WALL-E (Stanton, 2008) [1]

... Todavia estas listas são pessoais e o meu cunho pessoal tinha que se revelar nesta primeira escolha. "Define Dancing". "Wall-E" tem uma segunda parte muito pior que o seu primeiro acto, quase imaculado, é verdade. Não é imune a críticas - a maioria delas eu até as percebo. Mas aos detractores só tenho a perguntar: vocês estão a ver bem ao que é que Stanton e C.ª se propôs, os temas maiores que o filme cobre, o desafio que é para ele - e a Pixar - ter como protagonista (e principal atractivo para o seu público-alvo) um robô que não fala? Lightning in a bottle. A Pixar agora pode fazer as sequelas todas que quiser. Treze anos depois de "Toy Story", atingiu o seu pico criativo (pelo menos para já). Quando dentro de cinquenta anos se fizer uma retrospectiva do melhor cinema de animação de sempre, este (e "Ratatouille" e obviamente "Toy Story", penso eu) serão os três filmes da Pixar mais relembrados.

OFFICE SPACE (1999)



Há certos filmes que conseguem chegar ao espectador pelo seu lado simples, natural e despretensioso. Se fosse fácil, todos o fariam e o cinema seria uma terrível e abominável seca. Há diferentes formas de chegar ao espectador, de mexer com quem vê o filme, mas raramente se pega pelo lado mais simples da questão. Quase sempre se usam metáforas estúpidas e desnecessárias, quase sempre se utilizam efeitos super-especiais para tapar os buracos de qualidade do filme e algumas (raras) vezes se tenta chegar lá pelo caminho mais difícil (igualmente trabalhoso e, quase sempre, igualmente brilhante).


Office Space foi e é um sucesso porque é simples. E eu achei isso fantástico! Fala de algo tão óbvio e natural como a asfixia do trabalho, das responsabilidades, das exigências sem fim - Um cancro social nos dias de hoje. Fala-nos da vida sem sentido, virada única e exclusivamente para o trabalho (algum dele sem qualquer fim produtivo), onde a rotina se torna desesperante e o colapso se torna eminente. Peter Gibbons (Ron Livingston) é a estrela. Numa crise amorosa com a sua namorada, em completa rotura com o seu patrão e com o cubículo desumano que ocupa na sua empresa, não consegue encontrar a coragem de que precisa para colocar tudo atrás das costas e encontrar um rumo para a sua vida cinzenta e monótona.


Ao aceitar uma terapia de casais com a sua namorada, Peter é hipnotizado e o mundo de tranquilidade, paz e despreocupação que tanto ambicionava, torna-se real devido à patética e inesperada morte do seu terapeuta, com um súbito ataque cardíaco a meio da sessão. Peter descobre em si um homem novo. Um homem inconsciente perante as consequências dos seus actos. Que pouco se rala com o trabalho, com o estatuto dos diversos superiores que ocupam o seu tempo a ditar tarefas desnecessárias e sem qualquer fim prático.


Office Space é um filme mesmo bem conseguido. Tem tudo o que é preciso para convencer o espectador, divertir e entreter, transmitindo uma mensagem com algum conteúdo interessante e prático. Foi uma das surpresas de 1999. E continua a sê-lo nos dias de hoje.


Nota Final:
B



Trailer:




Informação Adicional:
Realização: Mike Judge
Argumento: Mike Judge
Ano: 1999
Duração: 89 minutos

Especial Animação: O Cinema Numa Cena de THE LION KING

A acompanhar os sete artigos dos nossos convidados para a nossa Semana de Apreciação à Animação, vamos ter outros artigos especiais dedicados ao tema, que se debruçarão sobre diversos componentes que fazem da animação dos géneros mais excitantes do cinema contemporâneo. Estando a semana terminar, falta-nos dedicar alguns artigos a esse grande estúdio de animação e aos fantásticos filmes que nos proporcionaram. 

Como sabem já, "O Cinema Numa Cena" tenta mostrar uma cena fora-de-série que englobe algo que nos extasie, que nos fascine e que nos faça amar ainda mais o filme. Há duas cenas em particular em filmes da Disney que gostaria especialmente de abordar. Esta é a primeira.


Seja pela magnanimidade da situação, pela perfeita união de música, desenho e poderio visual ou pela beleza da paisagem e da dedicação ao detalhe, esta cena de "The Lion King" é icónica. Uma cena que transcende o ecrã, um momento único de cinema, uma experiência fortíssima e tudo isto logo a abrir um filme. Que o filme pegue neste prólogo fabuloso e construa a partir daí - nunca perdendo a qualidade que este início portentoso estabelece - diz muito do nível desta animação da Disney. O ponto alto da nova vaga da Disney (a Disney Renaissance), "The Lion King" pode não ter sido nomeado para Melhor Filme como "Beauty & the Beast"; contudo, é sem dúvida o filme mais indelével e irreverente da história dos estúdios de Walt Disney.



Especial Animação: A beleza de BEAUTY AND THE BEAST (20º Aniversário)

Peço desculpa por isto andar com menos publicações nos últimos dois dias mas a minha Internet tem sofrido alguns problemas e, com isso, não tenho conseguido agendar publicações. Espero que a situação se normalize hoje. De qualquer forma, avante com os especiais animação!

Nesta semana especial, que abre o mês de festividades, pedimos a amigos próximos e colaboradores de outros blogues que nos ajudassem a abordar um dos nossos temas preferidos: a animação. Todos eles foram limitados a um máximo de dez imagens ou um vídeo para a sua tarefa. Sete dias, sete colaboradores, sete títulos que festejam este ano o início de uma nova década de vida. Muita diversão, emoção e magia é prometida. A ver se cumprimos. A nossa quarta convidada, por quem nutro especial apreço, como ela sabe, é a Ana Alexandre (também do Split-Screen), que nos vem falar de um dos mais lindos contos de fadas de sempre: BEAUTY AND THE BEAST, que comemora 20 anos a 22 de Novembro. Deixo-vos então com as suas palavras:




A minha relação com este filme é um pouco diferente da habitual: durante vários anos, o acesso que tive a esta versão da estória consistia na BD, pelo que todas as cenas me ficaram na cabeça quase por imagens fixas e não pelas cenas em si. Contudo, este Natal ofereceram-me a edição diamante e pude ver finalmente o filme. Agora, uns anos mais velha, acabei por ter um olhar bem diferente do que teria tido e acabei por analisar mais o filme em contexto.

Para os que não sabem, este é o terceiro filme da fase Disney Renaissance, o regresso da Disney a produções de grande sucesso e foi também o primeiro filme de animação a ser nomeado para o Óscar de Melhor Filme. Feitas as apresentações teóricas a este texto, passemos então àquilo que realmente interessa, o filme em si.

Primeiro que tudo, há que referir o pormenor de que mais gostei neste filme (e chamem-me feminista se quiserem): Belle. Pela primeira vez num filme Disney vemos a personagem principal a fazer algo além de cair adormecida e esperar pelo príncipe encantado. Além deste pormenor, há que referir o facto de ela ser provavelmente a "Princesa Disney" mais inteligente de todas e a única ligada a livros. Uma das imagens de que me recordo mais facilmente ao pensar no filme/BD é a alegria de Bella quando vai à biblioteca buscar um livro e o entrega do topo da escada. A outra, obviamente, é a da enorme biblioteca no castelo. Para uma crominha dos livros como eu, aquilo é praticamente pornografia.

Entretanto, como não podia deixar de ser, tenho também de falar da cena de dança, provavelmente a mais bonita de todos os filmes Disney que vi até hoje (cuja conta deve andar à volta dos 50-60). Acho que nenhuma cena é tão mágica, tão cumpridora do "o que conta é a beleza interior", porque por momentos não se consegue sequer ver que está uma rapariga a dançar com uma criatura monstruosa, mas sim duas pessoas apaixonadas. É um culminar de todo um crescendo nesse sentido, cuja minha cena preferida é aquela em que estão a comer juntos e onde o monstro faz um esforço enorme por parecer civilizado e tenta comer com a colher.







Uma outra cena que me marcou foi quando a Belle descobre a rosa, o facto de ser tão irónico que a fraqueza do monstro seja uma rosa, bem como a reacção do monstro ao descobrir que ela sabia da existência da rosa. É impressionante como o filme consegue ser tão simbólico, conter tanta realidade representada iconicamente.



Chega também a altura da parte menos boa, de Gaston e uma turba enfurecida pelo preconceito e estupidez. Gaston já por si é detestável, mas após conseguir convencer toda uma multidão a fazer o seu trabalho sujo apenas porque se sente ofendido torna-se pior ainda. A verdadeira personificação do ódio e ganância.



Por fim, e para terminar bem... a cena final. Poucas palavras são necessárias para a descrever, não só a cena entre ambos, mas também toda a transformação do pessoal da casa, especialmente de Mrs. Potts e do filho.


É impossível para mim considerar que alguém que veja o filme não goste dele. É tudo aquilo que se espera de um filme de animação para crianças: bonito, bem feito, com todo um conceito moral por trás e acima de tudo, mágico. É o verdadeiro espírito dos filmes Disney tornado filme.


Obrigado por teres aceite o convite, Ana! 
E em vocês, que sentimentos desperta este conto de fadas imortal?


NOTA: Deixo cá ficar AQUI o link para o meu próprio texto sobre o filme, da minha participação na rubrica do The Film Experience, "Hit Me With Your Best Shot".


Especial Animação: Sondagem - Studio Ghibli


A acompanhar os sete artigos dos nossos convidados para a nossa Semana de Apreciação à Animação, vamos ter outros artigos especiais dedicados ao tema, que se debruçarão sobre diversos componentes que fazem da animação dos géneros mais excitantes do cinema contemporâneo. Hoje é um dia dedicado aos Estúdios Ghibli, da rica animação japonesa e, como tal, vamos ter alguns artigos dedicados aos fantásticos filmes que nos proporcionaram.

Para encerrar definitivamente o dia dedicado aos estúdios Ghibli, pensei que seria interessante questionar os nossos visitantes sobre o quão familiarizados estão com os estúdios de animação nipónicos, uma vez que a maior parte das pessoas desconhece a existência de grande parte dos filmes do estúdio, conhecendo porventura um ou outro título de Miyazaki, mas pouco mais. Aqui ficam então as duas perguntas...

Resta-me só avisar que incluo o "Nausicaä of the Valley of the Wind" mesmo sabendo que ele antecede a existência do Studio Ghibli, sobretudo porque muita gente o considera dentro das produções dos estúdios e até porque para muitos foi esse o início do estúdio.



E já agora, a título de curiosidade...


Obrigado pela participação!

Especial Animação: Personagens do Cinema - Totoro

A acompanhar os sete artigos dos nossos convidados para a nossa Semana de Apreciação à Animação, vamos ter outros artigos especiais dedicados ao tema, que se debruçarão sobre diversos componentes que fazem da animação dos géneros mais excitantes do cinema contemporâneo. Hoje é um dia dedicado aos Estúdios Ghibli, da rica animação japonesa e, como tal, vamos ter alguns artigos dedicados aos fantásticos filmes que nos proporcionaram.


Uma das personagens mais inesquecíveis, o espírito Totoro, do filme "My Neighbor Totoro" de Hayao Miyazaki, veio a tornar-se um dos seres animados mais adorados pelo mundo inteiro (a ponto de no Japão se fazer fortunas com a merchandising baseada no tão popular ser) e seguramente isso não se deverá apenas ao seu aspecto redondo e fofinho - tipo peluche - mas também à sua enorme e contagiante alegria, ao seu grande carisma e à forma enternecedora como estabelece amizade com as duas crianças.

O contributo das palavras cheias de inteligência e elegância de Miyazaki também é grande no estabelecimento de Totoro como um animal de estimação, um companheiro de sonho. "My Neighbor Totoro" é uma viagem excitante à nossa infância, onde a magia, a emoção, a aventura e, claro, a imaginação à solta estavam sempre presentes, onde fantasmas, dragões, fadas, bruxas, feiticeiros, todos ganhavam vida. Totoro é a representação da inocência, da pureza e deste olhar diferente sobre a vida que todos temos escondido dentro de nós. E todos estes sentimentos e características estão mais do que nunca presentes no ente que Totoro personifica. 

 
Mágico, admirável, inocente e afável, contudo esquecendo a sua mais que profunda humanidade, Totoro é das personagens mais queridas de sempre do mundo do cinema, uma das maiores e melhores fantasias infantis para sempre capturadas em filme. Quem nunca viu não sabe o que perde. "My Neighbor Totoro" é uma viagem alucinante ao melhor e mais primitivo de nós. São duas horas que vale a pena perder à procura do senso de nostalgia inerente de situações evocativas da nossa infância, do nosso passado que já lá vai. E o melhor é que para voltarmos a este mundo perdido no tempo basta só reintroduzirmos o DVD e deixarmo-nos levar. Outra vez. Totoro está à nossa espera.


Especial Animação: Pessoas da Década - Hayao Miyazaki

A acompanhar os sete artigos dos nossos convidados para a nossa Semana de Apreciação à Animação, vamos ter outros artigos especiais dedicados ao tema, que se debruçarão sobre diversos componentes que fazem da animação dos géneros mais excitantes do cinema contemporâneo. Hoje é um dia dedicado aos Estúdios Ghibli, da rica animação japonesa e, como tal, vamos ter alguns artigos dedicados aos fantásticos filmes que nos proporcionaram.

Aproveitando a coincidência de hoje ser terça-feira, ressuscitamos uma rubrica adormecida do blogue - que vai voltar a total funcionamento nas próximas semanas: a das Pessoas da Década. Nesta rubrica, como se lembram, discutimos as grande personalidades cinematográficas que se fizeram, que se valorizaram ou que se excederam nesta década passada, sejam actores, realizadores, compositores, fotógrafos, entre outros.


Era fácil imaginar qual a Pessoa da Década em foco, ainda por cima se tivermos a pista de estar relacionado com os estúdios Ghibli. Um homem que é parte indelével dos estúdios que ajudou a fundar, um homem com uma carreira de trinta anos de actividade, um homem que revolucionou a animação japonesa e que inventou novas formas de contar histórias através da animação, um homem que merecidamente venceu o Óscar em 2003 pelo filme já hoje abordado, "Spirited Away". É óbvio que o homem de que falamos é...



Hayao Miyazaki


Hayao Miyazaki, por muitos considerado o "Walt Disney do Japão", teve a sua primeira grande oportunidade quando conseguiu arranjar trabalho nos estúdios de animação Toei, nos anos 60. Aí trabalhou durante quase vinte anos tendo subido na hierarquia dos estúdios, tendo finalmente realizado o seu primeiro filme em 1979, "Lupin III". Com o moderado sucesso deste filme, Miyazaki conseguiu financiar o seu segundo projecto, uma ambiciosa história que eventualmente seria produzida em 1984, nos primórdios daquilo que seria o Studio Ghibli, intitulada "Nausicaä of the Valley of the Wind".
 

A sua grande amizade com Isao Takahata fez então com que ambos se lançassem na criação do seu próprio estúdio de animação e assim nasceu, em 1985, o Studio Ghibli. O primeiro filme produzido pelo Studio Ghibli foi de Miyazaki - "Castle in the Sky". Este filme, que é ainda hoje um dos filmes mais apreciados de sempre dos estúdios japoneses, marcou uma nova era na forma como se fazia animação na altura. "Grave of the Fireflies", de Takahata, lançado dois anos depois, veio só confirmar o que se previa: que estes dois senhores estavam cá para ficar.


A admiração internacional, contudo, só viria a chegar depois de 1997, quando os irmãos Weinstein adquiriram, através da sua subsidiária na Disney, os direitos de distribuição de "Princess Mononoke", o quinto filme de Miyazaki nos estúdios nipónicos (depois de "Castle in the Sky" viria "My Neighbour Totoro", "Kiki's Delivery Service" - o primeiro filme do Studio Ghibli lançado nos Estados Unidos, debaixo do acordo com a Disney - e "Porco Rosso") e que tinha sido um sucesso estrondoso, a ponto de se tornar, na altura, no filme mais rentável de sempre no Japão.


E assim entramos na década passada. Depois de um curto período de reforma, no qual Miyazaki decidiu ingressar para se focar mais na família, ele retorna ao Studio Ghibli com uma ideia tão original quanto bizarra - a de uma menina que vive num mundo espiritual e mágico no qual tem de aprender a sobreviver sozinha. Dessa ideia inicial brotou "Spirited Away", aquele que é, indiscutivelmente, o filme mais admirado de Miyazaki e da história dos estúdios. O filme, que venceu o Urso de Ouro em Berlim, viria a conseguir a qualificação para o Óscar de Melhor Filme Animado (por não ter cumprido o período de elegibilidade em 2001), que viria merecidamente a vencer. Retém, ainda hoje, uma impressionante nota de 94 no Metacritic e um resultado fabuloso de 97% no Rotten Tomatoes. Um filme propositadamente mais escuro e tenebroso, menos alegre e esperançoso e muito mais introspectivo e reflexivo, que representa a passagem da infância para a adolescência e que contém um comentário social muito vincado, "Spirited Away" é imperdível para qualquer pessoa (faz inclusive parte da lista do BFI dos "filmes que uma criança deve ver até perfazer 14 anos").


Apesar do facto de só o ter realizado "Spirited Away" esta década ser suficientemente merecedor para receber uma menção nesta lista, Miyazaki não parou por aqui e ainda nos presenteou mais duas vezes esta década com dois grandes filmes: em 2004 trouxe-nos o mágico e emocionante "Howl's Moving Castle", sobre uma rapariga transformada em bruxa, também nomeado para Óscar em 2005 e em 2008 o alegre e aventureiro "Ponyo", uma história baseada no conto original de Hans Christian Andersen da Pequena Sereia. Estes três títulos de enorme valor, a juntar a uma carreira brilhante, faz, portanto, com que Miyazaki seja de facto uma presença obrigatória na nossa lista de pessoas da década. 


Um génio, um visionário, uma lenda, Miyazaki será sempre alguém que não pára de inovar e surpreender naquilo que faz. Quase sozinho tornou a casa de animação japonesa numa força poderosa, capaz de lutar taco-a-taco com os dois grandes estúdios americanos e até de lhes vencer ocasionalmente. Mas mais do que isso, a animação de Miyazaki pauta-se pelos temas que aborda, pela forma como constrói a narrativa, pela forma rica e detalhada como caracteriza as suas personagens. As suas histórias não são só para crianças - e é isso, acima de tudo, que o faz estar anos-luz à frente das suas congéneres norte-americanas (que só recentemente se começaram a aperceber disso; por alguma razão Lasseter, Stanton e Docter são fãs de Miyazaki e do seu trabalho - também por aqui se explica parte do sucesso da Pixar).


[Disclaimer: Não detemos os direitos de nenhuma das fotos].


PI (1998)


"There will be no order, only chaos."

E o melhor ficou reservado para o fim. Ou no caso da carreira de Aronofsky, para o princípio. Depois de ver Pi conclui que a carreira do (cada vez menos) brilhante Darren Aronofsky está em declínio. Não sei se foi Hollywood. Não sei se foi dinheiro a mais para ideias a menos. Não sei. Mas que o Aronofsky de agora não é o mesmo génio do final da década de 90, não é. Não que agora seja mau. Agora é bastante bom, igualmente consistente e perfeccionista. Mas a pessoa que escreveu e realizou Pi foi um Aronofsky brilhante, ímpar em criatividade, juntando a imprevisibilidade de um argumento arrojado, sensível e extremamente complexo a uma encenação diabólica, a fazer lembrar alguns dos ex-libris do cinema paranóico e psicótico.


Maximillian Cohen (Sean Gullette) é um matemático obcecado em perceber, explicar e racionalizar tudo o que o rodeia. Desde o início da criação até à evolução de Wall Street. Para ele, tudo é dedutível. Tudo se cria a partir de algo preconcebido, como uma espiral de acontecimentos de se sequenciam numa ordem lógica e natural. No entanto, uma obra tão magnânime traz consigo uma dura e penosa transformação nos hábitos de Cohen. Anti-social, deprimido, obcecado, apodera-se do trabalho e vive para a matemática. Astress que constantemente é abalado pelos fracassos da sua investigação junta um (cada vez mais) grave complexo psicótico, que se torna gradualmente incontrolável e indisfarçável.


Para os amantes da matemática, Pi é um delicioso pedaço de arte. É uma personificação de muitos dos sonhos e ambições que se constroem em inúmeras faculdades um pouco por todo o mundo. É um retrato cruel de uma realidade para a qual é atirado todo aquele que busca o impossível.

Para terminar, deixo apenas uma pergunta: O que é feito de Sean Gullette, o melhor do filme e responsável por uma estrondosa actuação?

Nota Final:
A-


Trailer:




Informação Adicional:
Realização: Darren Aronofsky
Argumento: Darren Aronofsky,
Ano: 1998
Duração: 84 minutos.

"Hit Me With Your Best Shot": BEAUTY AND THE BEAST (1991)


Este artigo faz parte da minha participação na rubrica do The Film Experience Blog de Nathaniel Rogers, "Hit Me With Your Best Shot", na qual é-nos requerido escolhermos uma imagem icónica do filme em discussão nessa semana e justificar a nossa opinião. Depois de na semana passada termos faltado à crítica de "Heavenly Creatures" do Peter Jackson, esta semana, com este título, era inevitável participarmos.
 

Celebrating its 20th anniversary this year, BEAUTY AND THE BEAST is one of the most unforgettable movies of all time, a daring, outstanding achievement from a studio which had just rebirth from a major animated feature crisis with "A Little Mermaid" which was deservedly rewarded with the first-ever nomination for Best Picture for an animated picture (since  then, two other Disney efforts made it again - but with 10 nominees). Full of idyllic romantic moments, the most enchanting classic in the Disney dynasty has it all: a heartstopping story of two very different people, from two very different backgrounds, each seeing past the outer beauty (or lack thereof, in Beast's case) of each other and finding love against all odds.




We first meet the Beast through a very inventive and inspired prologue that informs us that once upon a time, in a beautiful castle somewhere in France, lived a handsome prince who, unfortunately, hadn't got a soul to match his outer beauty. He was rude, he was arrogant, he didn't have love in his heart. It was because of this that one day a beautiful enchantress transformed him into a Beast and gave him an enchanted rose that would begin to wilt. If its last petal fell and he still hadn't found true love, he would remain a Beast forever. We are then introduced to Belle, our feisty heroine, that lives within the magical, enchanted world of her books and doesn't have time for the romantic advances of diva/brute Gaston, who insists that she will become his wife someday. With this, you know that when Belle arrives at the castle, the seemingly impossible, tragic, spell-breaking fairy tale romance is about to blossom. And to be fair: the story doesn't disappoint. The main story arc is then enriched by the presence of marvelous secondary characters that come in the form of everyday objects turned into servants to the Beast. They give a much-needed wit and energy to the story, making the storytelling fresh and audacious - a wise decision made by Howard Ashman, whose lyrics in collaboration with always reliable Alan Menken bring about a spur of creativity and magic that few musical movies have ever possessed. The central ballad, "Beauty and the Beast", is of course sensational and uplifting, but it's in the lesser songs, like "Gaston", "Be Our Guest" or "Belle", that this duo really leave their indelible mark of unquestionable quality.


My best shot: I had to think very thoroughly to find a "best shot" among my 25 favourite screenshots of the movie (so full of delicious details, such a distinct design - amazing art design on the castle, by the way); nevertheless, I stuck to my guns and picked the one I was happiest with. It's a four-part shot of when Belle decides to explore the west wing of the castle, against the orders given by the Beast and the warnings from the servants. She enters a room which seemed as if it had once been a bedroom; yet, it was now full of debris, broken furniture and ripped curtains. Surprisingly (or not), one thing in particular strikes Belle's interest - a portrait of a beautiful man with piercing blue eyes which was tore apart. Those eyes... She has seen those deep, blue eyes before. It is, I believe, the first time Belle starts to understand that the Beast is not the evil being it tries so hard to be. It is the first time Belle begins to see through it (his?) surface. And it's the first glimpse of a change of heart in Belle's mind (and talk about a widely expressive protagonist!). It may not even be an important scene taking into consideration the whole movie, but to me, it's one of its very best images - and speaks a lot about both of the main characters (I love how the ripped effect of the portrait tells so much about how much baggage and damage the Beast carries and how he is in fact two beings at once) while not revealing much about where the plot is about to go.




All in all, BEAUTY AND THE BEAST is dreams come true, it's fantasy at its very best. It shakes us to our core, it brings up the most wonderful feelings in our heart, it is as powerful and as enchanting a fairy tale as any. It's one of the grand animated features of the New Golden Era of Disney - and it's one that stands on its own with the big giants of the studio, like "Snow White", "Pinocchio", "Fantasia", "Sleeping Beauty", "Alice in Wonderland", "A Little Mermaid" and "The Lion King". It's so soulful, so joyous, so rich and hopeful that you can't escape the feeling  it projects - it brings you to tears, it makes you root for the two characters, it makes you learn a valuable lesson for life: never trust appearances, as they are very misleading. All this while having tons of fun and filling our hearts with love and warmth. That's the Beauty of the Beast, I suppose.

ESPAÇO DE CULTO: Michelle Pfeiffer


ESPAÇO DE CULTO é uma nova rubrica do Dial P For Popcorn que se dedica semanalmente a valorizar, a idolatrar, a adorar uma das nossas actrizes favoritas, tanto pelo seu aspecto físico, como pela sua filmografia.

Vou tentar ir escolhendo uma actriz por década, mais ou menos. A desta semana é...

MICHELLE PFEIFFER




Sem qualquer dúvida uma das minhas actrizes favoritas do final dos anos 80 e início dos anos 90, Michelle Pfeiffer só ainda não tem o seu lugar reservado no panteão da história do cinema porque, como a tantas grandes actrizes como Glenn Close ou Annette Bening, lhe falta o prémio máximo: um Óscar. Pode não parecer importante, mas é. Tanto o é que as três se tornaram conhecidas por isso. São as três grandes actrizes do final dos anos 80 a quem falta ganhar o Óscar. A elas juntaria Julianne Moore e Kathleen Turner. Cinco grandes injustiças, portanto.

 

Dona de uma belíssima voz, proprietária de um dos rostos mais bonitos que alguma vez agraciaram o cinema - que ainda hoje, com 50 anos e algumas rugas, se encontra notavelmente conservado, esta loira que mostrou ao que veio pela primeira vez, a sério, em Scarface de Brian de Palma, no início dos anos 80, viria a revelar toda a sua qualidade com um one-two-three punch no dobrar da década: foi sublime em Dangerous Liaisons de Stephen Frears, um dos meus filmes favoritos de sempre e com não uma, mas duas grandes interpretações femininas (Pfeiffer e Close, ambas enormemente roubadas nos Óscares nesse ano), derreteu-me o coração e enfeitiçou-me para sempre em The Fabulous Baker Boys, o papel que a devia ter lançado em definitivo para a ribalta e dado o Óscar que ela tanto merecia (não fosse o sentimentalismo foleiro da Academia em premiar a octagenária Jessica Tandy) e foi felina e impressionante em Batman Returns de Tim Burton - ainda hoje não consigo imaginar mais ninguém desempenhar aquele papel com tanto instinto, intensidade e personalidade como Pfeiffer (e é, sem dúvida, a melhor vilã da filmografia, a par do The Joker de Heath Ledger).



Depois disto, ainda tentou a sorte com a Academia mais uma vez, num filme feito propositadamente para caçar Óscares (Love Field) e, depois de surgir em The Age of Innocence, a actriz desapareceu. Ou melhor, deixou de tentar. Passou a dedicar-se a comédias românticas foleiras nas quais era, invariavelmente, o único ponto de interesse, sendo que para mim a única excepção a essa regra esteve em One Fine Day, contracenando com George Clooney, que foi para mim o melhor par que Pfeiffer alguma vez teve em filmes, a par de Jeff Bridges.


Esta grande actriz ainda tentou uma espécie de retorno à ribalta por duas vezes: em 2001 e 2002, com I Am Sam que valeu a Sean Penn uma nomeação para Óscar e com White Oleander, uma adaptação de uma obra-prima de grande sucesso, onde Pfeiffer é, sem qualquer dúvida, brilhante mas que não conseguiu grande tracção para prémios; e o ano passado, com Chéri, uma nova parceria com Stephen Frears que desta vez não produziu os resultados esperados. Felizmente, a actriz já disse que quer trabalhar mais esta década; infelizmente, o único grande projecto que tem para já é a continuação da horrível comédia romântica Valentine's Day, de seu nome New Year's Eve. Esperemos ao menos que o rumor de que Tim Burton a quer para Dark Shadows seja verdade.

Seja como for, para mim pelo menos, Michelle Pfeiffer terá sempre um lugar cativo no meu coração e no meu pensamento, mais não seja pela icónica Catwoman que protagonizou: