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DIAL P FOR POPCORN

DIAL P FOR POPCORN

Dez anos passados...




E basta esta música para me trazer de volta aos meus tempos de adolescente. Por algum tempo, "The O.C." era uma série que eu diria, a qualquer pessoa, de peito aberto, ser a minha série favorita. A ingenuidade de um jovem. Não tardou muito até os olhos me saírem da órbita com "The Sopranos", "The Wire" e "Six Feet Under" mas não escondo que guardo ainda muito carinho pelos Cohen, pela Marissa e pela Julie Cooper, pela Summer Roberts, pelo Captain Oats, pelo Chrismukkah. Por Newport e por Harbor.



Pode ter pouco valor agora, mas a verdade é que "The O.C." foi uma das melhores estreias da década passada da FOX, de um enorme valor cultural e de zeitgeist, que me apresentou a variadas músicas e bandas de alta qualidade e praticamente abriu a porta à próxima geração de dramas teen que lhe seguiram, de "Gossip Girl" (do mesmo criador) a "The Vampire Diaries".

Um marco da televisão norte-americana e um marco da minha adolescência. "The O.C." tem dez anos. Fogo, nem acredito.

Parabéns, Mary Louise



O "fenómeno" conhecido por Meryl Streep festeja mais um aniversário. Eu sei, eu sei, passo metade da vida do blogue a falar dela. Mas ela hoje (e sempre, vá) merece. Engraçado, acho que nunca disse cá no cantinho quais as minhas cinco interpretações favoritas desta lendária actriz. 






Poderiam estar entre elas "Bridges of Madison County", "Sophie's Choice" e "Kramer vs Kramer" e na minha mente figuram bem perto entre as melhores interpretações dela, mas não fazem parte das minhas cinco melhores. Porque as minhas cinco interpretações favoritas dela mostram traços únicos que não são vistos em mais nenhuma performance da actriz: o arrojado sentido cómico de "The Devil Wears Prada", uma criação icónica, que ninguém conseguirá imitar tão cedo (basta ver-se o exemplo de Glenn Close em "101 Dalmatians" e o quão ténue é a linha entre a caricatura e a caracterização); a desconstrução de uma mulher simples, banal em "The Hours", que poucas actrizes conseguiriam preencher com tanta alma e sofreguidão como Meryl; a simplicidade com que Meryl incorpora mulheres especiais resignadas a uma vida repleta de caminhos entrecruzados, como em "Postcards from the Edge"; a capacidade extraordinária de reinventar-se uma vez mais e outra e mais outra, como Meryl consegue em "Adaptation"; e a perfeita combinação dos talentos de uma estrela de cinema à escala mundial a desaparecer numa personagem (como recentemente fez Day-Lewis em "Lincoln" ou mesmo Meryl em "The Iron Lady"), que Meryl consegue em "Silkwood"


E um bónus: se "Angels in America" contasse na filmografia oficial, seria a minha segunda interpretação favorita, atrás apenas de "Silkwood", que é para mim uma das - senão a melhor - interpretação feminina da década de 80.

E agora vocês: quais são as VOSSAS interpretações favoritas desta senhora?


Cinema como Inspiração (II)



"Postcards from the Edge" foi um romance semi-autobiográfico escrito pela actriz Carrie Fisher (que interpretou a famosa Princess Leia na trilogia original Star Wars), que chegou ao cinema adaptado pela própria Carrie Fisher e realizado pelo mestre Mike Nichols, que obviamente quis Meryl Streep para interpretar Suzanne Vale (a personagem baseada em Fisher) - para mim a melhor interpretação de Meryl Streep ao lado de "Silkwood" e "Kramer vs. Kramer". 


Tudo isto para dizer: feliz 56º aniversário, Carrie Fisher! I'm checking out!

Que dizer de Vivien Leigh?


Vivien Leigh é uma actriz muito especial. Não teve uma grande carreira (leia-se em volume, não em dimensão, claro está), não foi uma actriz convencional, mas quando estava inspirada, meu Deus, ela era brilhante. Vivien Leigh viveu durante 53 anos, sofreu imenso com a sua doença bipolar, com um casamento tempestuoso com o temperamental e polígamo Laurence Olivier e padeceu de tuberculose durante a última década da sua vida. A juntar a tudo isto há o facto de apesar de ter dois merecidíssimos Óscares por duas brilhantes interpretações e ser admirada pelo grande público da altura, nunca foi inteiramente amada pela crítica e nunca foi respeitada como uma actriz séria nos bastidores de Hollywood, sendo sempre rotulada como actriz de difícil feitio e complicada para se trabalhar. Uma actriz bastante versátil, como o demonstram as suas múltiplas aparições no teatro - uma delas viria a conferir-lhe a oportunidade de representar o segundo grande papel da sua vida na grande tela, em detrimento da actriz americana que desempenhou o papel na Broadway (Jessica Tandy) - e de uma beleza ímpar, é uma pena que Leigh tenha tido tantos obstáculos a opor-se à sua enorme qualidade enquanto actriz.


Como seu legado, Vivien Leigh deixou-nos dois papéis inseparáveis da história do cinema em si e duas interpretações de tal gabarito que a colocam logo nos lugares cimeiros do panteão do cinema: Scarlett O'Hara em "Gone With The Wind", o filme mais famoso de todo o sempre e Blanche DuBois em "A Streetcar Named Desire" (crítica do DPFP aqui).

Disse eu de Leigh em "A Streetcar Named Desire":

"Que Vivien Leigh tenha sido tão bem sucedida no papel (ainda para mais porque era a única dos quatro principais que não tinha ligação com o espectáculo na Broadway, tendo substituído Jessica Tandy na transformação da peça em filme) diz muito da sua verdadeira qualidade como actriz. Vivien incorpora a sua Blanche de tanta falsa felicidade (as cenas com Mitch (Karl Malden) são uma delícia, tal é  o desvario da sua cabeça), de tanta necessidade e urgência e desejo, balanceando-o com o graciosidade, charme e delicadeza, enquanto nos proporciona uma visão priveligiada da sua dor, da sua psique, que é fenomenal observar a sua abordagem muito única às suas personagens."



Hoje, 5 de Novembro, Vivien Leigh faria 98 anos e eu não posso deixar de pensar de quanto fomos nós privados por perdemos Leigh tão cedo (ela faleceu aos 53 anos). Quem dá duas interpretações assim ao mundo demonstra ter algo que pouquíssimas actrizes possuem: um potencial e um talento tremendo. É uma pena não ter surgido mais vezes e uma maior pena ainda ter desaparecido tão cedo.

Belle du Jour, Belle Toujours!


São raras as actrizes que se conseguem transcender num grande papel, quanto mais em vários. Ainda mais raras são as actrizes estrangeiras que têm essa possibilidade. E, se tivermos em conta que até aos dias de Marion Cotillard e Juliette Binoche, foi esta a única actriz francesa a penetrar nas listas sagradas de casting de Hollywood e que isto tudo se deu logo após a Idade de Ouro do cinema norte-americano, nos anos 50 e 60, ainda mais impressionante se torna.
Que esta actriz tenha conseguido o feito de se reinventar mil vezes, de se perder em milhares de papéis, pequenos ou grandes, para maiores e menores mestres, de Honoré a Buñuel, de Polanski a Demy, de Téchiné a von Trier, de consistentemente trabalhar na plenitude dos seus talentos e capacidades e mantendo intocável a beleza marcante que a imortalizou é uma prova do gigantesco brilho, carisma e talento da aniversariante Catherine Deneuve, que comemora - notem bem - 68 anos de idade!


Tenho que admitir desde logo que não sou um completista da filmografia de Deneuve, embora gostasse muito de o ser. Do que vi, não há um filme em que o misticismo, a aura de mistério, a beleza fulgurante, o sorriso que emana simpatia e calor, não estejam presentes. As minhas interpretações favoritas dela são em "Repulsion" de Roman Polanski, em "Les Parapluies de Cherbourg" de Jacques Demy, em "Dancer in the Dark" de Lars von Trier, "Ma Saison Préférée" de André Téchiné, "Un Conte de Nöel" de Arnaud Desplechin e finalmente - e obviamente - na obra-prima de Luis Buñuel, "Belle de Jour".


 A inesquecível interpretação dela em "Belle de Jour", em particular, funciona como um ensaio de condensação das qualidades de representação de Deneuve. Hipnótica, sensual, electrizante, misteriosa, enigmática, uma verdadeira mulher de sonho, a lembrar Jane Fonda em "Klute", Nicole Kidman em "Eyes Wide Shut" ou Anne Bancroft em "The Graduate", Catherine Deneuve entrega-nos uma performance inspirada, algo que dela ainda não tínhamos visto. Brilhante.

Portanto... Parabéns Catherine Deneuve! Que celebre muitos! E que continue sempre a surpreender-me, como fez o ano passado em "Potiche" de François Ozon. Que interpretação.


E vocês, qual consideram ser a melhor interpretação de sempre da enorme Catherine Deneuve?

Julie Andrews celebra 76 anos!


Até nem sou muito de participar em postagens colectivas, mas esta proposta do Grupo de Blogues de Cinema Clássico era impossível de recusar, a propósito do 76º aniversário (celebrado a 1 de Outubro, bem sei, mas foi esta a data combinada) de uma das maiores actrizes da história do cinema: Julie Andrews e uma das minhas actrizes e personalidades favoritas de Hollywood.



A propósito do tema deixo-vos ficar, para aguçar o apetite (também vos aconselho a visitar o sítio do Grupo de Blogues, com muitos outros artigos formidáveis aí a vir sobre a actriz, a sua vida e a sua carreira), este brilhante artigo de Nathaniel Rogers no The Film Experience a comemorar o ano transacto o 75º aniversário da actriz.


Bem, mas onde estava? Pois, em Julie Andrews. Vencedora de múltiplos prémios, entre eles o BAFTA, o Globo de Ouro e o Óscar pela sua inolvidável interpretação em "Mary Poppins", um filme que então, hoje e sempre encantará os mais pequenos e fará também as delícias dos mais crescidos, que com ternura e afecto e muito charme faz passar mensagens e lições morais importantes, originou o papel principal de "My Fair Lady" na Broadway - com enorme sucesso e aclamação crítica, diga-se - que, infelizmente, não pode representar no grande ecrã porque na altura os estúdios pretendiam um sucesso imediato e então optaram pela mais famosa actriz da altura, Audrey Hepburn que, curiosamente, nem sequer foi nomeada por esse papel, no ano que viu precisamente Julie Andrews ser coroada com a vitória nos Óscares. Estávamos em 1965 e Hollywood nunca mais iria duvidar de Julie Andrews.


Isto porque a seguir viria aquele que bateria na época todos os recordes de bilheteira e consagraria Julie Andrews no panteão das grandes estrelas de cinema: "The Sound of Music". Nova nomeação para os Óscares e uma legião de milhões de fãs, encantados com o filme e com a actriz, se seguiria.


Mas Andrews não iria descansar mesmo depois de laureada, aclamada e aplaudida por todos. Continua em grande esta década de êxito com "Thoroughly Modern Millie" (o filme com maior receita de bilheteira dos estúdios Universal então), originando o papel de Guinevere na versão original de "Camelot" e com uma colaboração bem sucedida - mas nunca mais repetida, por diferença de perspectivas - com Alfred Hitchcock em "Torn Curtain"

Julie Andrews terminaria a década de 1960 como a maior actriz em Hollywood, que tinha dado à Disney ("Mary Poppins"), à 20th Century Fox ("The Sound of Music") e à Universal ("Thoroughly Modern Millie") os seus maiores êxitos da altura, que tinha protagonizado os dois filmes com maior receita de bilheteira de sempre ("The Sound of Music" e "Mary Poppins", sem ajuste do preço do bilhete obviamente), que tinha protagonizado o maior sucesso de sempre da Broadway ("My Fair Lady") e que tinha estrelado o maior sucesso televisivo da época (o telefilme "Cinderella", pelo qual foi nomeada para os Emmys). Tudo isto apenas aos 34 anos de idade.


Que ela não tenha parado aí é o que faz de Julie Andrews uma mulher, uma actriz e uma estrela tão especial. Ela que continuou a desafiar-se ao longo dos tempos (como com "S.O.B."), que ousou fazer regressar o musical, um dos mais gloriosos géneros cinematográficos da era de Ouro e que se encontrava ostracizado nos anos 80 ("Victor/Victoria", que lhe valeu mais uma nomeação para os Óscares), que procurou sempre novas oportunidades (como a sua série de variedades na ABC, "The Julie Andrews Hour", vencedora de sete Emmys), que nunca esqueceu o bichinho pelo teatro (tendo voltado à Broadway com "Victor/Victoria", adaptando o seu filme - e do seu marido Blake Edwards - para peça) e que nunca esmoreceu com as dificuldades (perdeu a sua voz de canto em 1997, após uma cirurgia para remoção de nódulos nas cordas vocais). E ela também que se soube adaptar em Hollywood e arranjar forma de ganhar uma nova legião de fãs com as suas aparições em "Shrek" e "The Princess Diaries", prova que é realmente impossível, no fim de contas, não nos apaixonarmos por ela.


Esta, meus senhores e minhas senhoras, é Julie Andrews. E eu nunca me vou esquecer que foi esta enorme senhora, belíssima mulher, extraordinária e versátil actriz e estonteante estrela que ofereceu ao mundo momentos tão inesquecíveis quanto estes três que decidi ressalvar abaixo:




Feliz aniversário, Julie! 
E que pensam vocês de Julie Andrews?