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DIAL P FOR POPCORN

DIAL P FOR POPCORN

INSIDE OUT, de Pete Docter e Ronaldo Del Carmen

Não sou adepto de filmes de animação. O último que vi foi o Wall-E sei lá há quantos anos. Mas o cartaz de cinema está uma bosta e até Outubro tudo o que vem à rede é peixe.

 

Pixar Post - Inside Out characters closeup.jpg

 

Então lá me meti na sala de cinema para ver a versão original de Inside Out. Assim que a Amy Poehler começou a falar senti que as coisas podiam correr bem. E o argumento do filme é realmente vencedor, tanto para miúdos como para graúdos. Enquanto simplifica coisas tão naturais como os sentimentos ou as reações infantis, constrói um poderoso e complexo universo de pequenas criaturas, cada uma com o seu caderno de encargos sentimentais, que habitam no centro sistema nervoso das personagens.

 

Neste pequeno (grande) filme de bonecada há de tudo. Desde o mais primário dos sentimentos (o amor incondicional que nasce com uma criança) até às reações explosivas do principio da adolescência. E passa pela guerra dos sexos enquanto o desafia esterótipos. Tudo isto sem esquecer, claro, a qualidade técnica do filme - será que algum dia a Pixar vai parar de melhorar?

Tina e Amy juntam forças para os Globos


Depois de Seth MacFarlane anunciado para apresentar os Óscares, eis que os Globos de Ouro respondem à altura: Tina Fey (o génio por detrás de "30 Rock" e "Mean Girls") e Amy Poehler (a brilhante comediante protagonista de uma das melhores comédias em televisão, "Parks & Recreation") juntam forças para apresentar a próxima cerimónia dos Globos de Ouro, sucedendo a Ricky Gervais que no início deste ano repetiu o trabalho que tanta polémica lhe trouxe em 2011.


Prova de que esta parece uma decisão acertada? Tina Fey é uma argumentista de topo, com provas dadas em comédia de televisão e com um humor bastante incisivo mas saudável, que fica bem aos olhos das estrelas e grupos da indústria cinematográfica e televisiva que comparecerão ao evento. Saberá manter a comédia ligeira mas com um travo desafiador. Amy Poehler, com a enorme química que tem com Fey (ver aqui, por exemplo) saberá complementar a escrita e o estilo da amiga. Mais provas que Tina Fey é a escolha certa (como venho dizendo há anos)? Ver as suas intervenções nas mais recentes cerimónias de Emmys, Globos de Ouro e Óscares - seja com Steve Carell, Robert Downey, Jr, Jon Hamm (por duas vezes!) ou com Julia Louis-Dreyfus, Tina Fey foi sempre um deleite.

A cerimónia dos Globos de Ouro terá lugar a 13 de Janeiro, transmitida como habitualmente pela NBC. Chegará cá a Portugal, também como de costume, através dos canais AXN.

Não faço previsões


Mais logo decorre a entrega dos Emmys, os prémios major da televisão americana (como o João já fez questão de relembrar) e para variar, este ano, não faço previsões. Não as faço porque, pela primeira vez desde que comecei a acompanhar atentamente, não vou seguir a cerimónia. 


Ao invés de fazer apostas, vou deixar cá cinco desejos para logo (não interessa se se realizam ou não):


"Mad Men" vence de novo e vira recordista de Emmys para Melhor Drama: olhem, eu sou um confesso admirador de todos os nomeados da categoria (menos "Downton Abbey", que segunda temporada desastrosa!) e até considerava dar o prémio a todos. "Breaking Bad" e "Homeland" são ferozes competidores, de facto, mas o drama de época de Matthew Weiner continua a ser do mais alto quilate de produção televisiva. A quinta temporada é capaz de ser a minha favorita, em pé de igualdade com a enorme terceira temporada e assim sendo não hesito em dar-lhe, mais uma vez, o título de melhor série da televisão norte-americana. Uma achega: "The Good Wife" devia estar entre estes nomeados. Enfim.


Amy Poehler vença algum dos prémios para o qual está nomeada: é assim, eu não sou muito de defender que se apele a factores externos para justificar uma vitória neste tipo de cerimónias, mas se há alguém que merece que se tenha um bocado de pena do que se passa na vida pessoal e se aproveite e se premeie essa pessoa com um troféu, é Amy Poehler. Isto porque na categoria de Melhor Actriz, não há uma concorrente melhor que ela. Sim, também gosto da Julia Louis-Dreyfus no "Veep", mas o episódio que submeteu foi o único em que achei que a usaram no máximo das suas capacidades. A Melissa McCarthy e a Tina Fey estão nas nomeadas para fazer figura (se bem que Tina tem um episódio excepcionalmente bom este ano, fosse para o ano e era ela que vencia, por ser a última temporada de "30 Rock"), a Edie Falco foi nomeada para premiar a melhoria substancial da série dela este ano e a Zooey tem mais anos para ganhar (a isto junta-se o facto que meia Hollywood - aliás, meio mundo - a acha irritante). Portanto resta a Lena Dunham. Pessoal, eu gosto muito de "Girls", é muito bem escrita e realizada, mas a Lena Dunham, apesar de competente, não é das melhores actrizes de sempre. Já na outra categoria a que vai a votos, Poehler só perde para Chris McKenna ("Community"), mas tendo em conta aparentemente que tem vindo a crescer um  movimento anti-"Modern Family" (mais um ano ou dois e a coisa começa a estalar) e um Emmy para "Community" seria quase um sinal do apocalipse, vá lá, se roubarem o Emmy à Amy para Melhor Actriz, ao menos dêem-lhe para Melhor Escrita.


Eu adoro o Jim Parsons, mas por favor não lhe dêem outro Emmy: é assim, o Jim Parsons é bestial e um excelente actor, mas o Sheldon Cooper este ano parecia ter quase saído de um cartoon, de tão estereotipado que é. Salvo um ou outro episódio com alguma profundidade emocional, o Sheldon só apareceu este ano para inúmeras punchlines e ser motivo de risota pelos seus pânicos e medos habituais. Numa categoria que tem o Larry David mais acessível de sempre, um Louis C.K. de luxo e uma estrela de cinema como Don Cheadle numa interpretação bastante curiosa em "House of Lies" (nem peguemos em Jon Cryer e Alec Baldwin), é um insulto que se dê um terceiro Emmy a Parsons (ele que roubou um Emmy a Carell o ano passado) por brincar com um tambor. No. way.


Finalmente, um prémio grande da indústria para Julianne Moore: é um escândalo que esta mulher não tenha um Globo de Ouro, um Óscar, um BAFTA e um SAG com o seu nome gravado por "Far From Heaven". Nem preciso de escrever mais, a sua Sarah Palin vai para a história como uma das grandes interpretações televisivas não só do ano, mas da década. Se a Nicole Kidman lhe rouba o Emmy (ou a Connie Britton, também) por uma interpretação tão hórrida como a dela no telefilme "Hemingway and Gellhorn", lamento dizer que a sanidade da Academia está por um fio.


Proibir mais vitórias de "Modern Family" nas categorias secundárias: olhem, eu gosto de "Modern Family". Não sou o maior defensor da série, é um facto, acho que a terceira temporada foi na maior parte das vezes intragável mas quando a comédia funciona, é do melhor que há em televisão. Dito isto: estou farto que a Academia ache que todos os actores têm que ser nomeados. Não fizeram isso com "Friends", por exemplo. Não fizeram isso com "Sex & the City", "Will & Grace", "Seinfeld", "Cheers"... e a lista continua. O último exemplo recente que me lembro desta situação é o de "Everybody Loves Raymond" e o de "Frasier", que passavam a vida a entupir categorias onde actores muito melhores caberiam. Por favor, quem me disser que a Patricia Heaton mereceu os dois Emmys e as mil nomeações que teve acima da Courteney Cox, por exemplo, que se atire para dentro de um poço e lá fique. Voltando a "Modern Family"... Gente, eu acho que  o Ty Burrell, a Julie Bowen e o Eric Stonestreet merecem ser nomeados. E mereceram as três nomeações e a vitória que conseguiram. A sério que acho. Mas os outros? São típicas nomeações por arrasto. Estou para ver quando vai acabar e que consequências isso tem. Por exemplo, se isto continua mais um ano e "Parks & Recreation" for cancelado para o ano, vamos ter uma das personagens mais extraordinárias da televisão actual - Ron Swanson - completamente ignorado pela Academia, que preferiu abrir umas vagas para mais uns tristes de "Modern Family" não se sentirem excluídos? Santa paciência! Por tudo isto, eu peço à Academia que se lembre de dar o prémio ao Max Greenfield (era tão lindo!) e à Kristen Wiig. Os dois merecem. Muito. E são as melhores interpretações das suas categorias. Provavelmente ganharão de novo Ty e Julie, o que para mim também está muito bem.


E vocês: que cinco desejos esperam ver cumpridos na noite de hoje? Alguma surpresa que prevêem?