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DIAL P FOR POPCORN

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SHAME (2011)



Honra lhe seja feita. Shame não é um filme para meninos. Estamos numa Nova Iorque contemporânea. Onde o rebuliço dos dias arrasta milhões, de um lado para o outro, numa azáfama e numa rotina diabólica, que destrói relações e promove a solidão e a desintegração social. Brandon Sullivan (Michael Fassbender) é um homem perdido. Vive na ilusão das suas inúmeras companheiras sexuais, da pornografia cibernética, das fugazes relações de uma noite. Mas a adrenalina e o calor de mais um encontro sempre desaparecem com o nascer do sol, e mais um infeliz, cinzento e solitário dia aparece.


A viver sozinho no seu apartamento nova-iorquino, Brandon recebe a inesperada visita da sua irmã Sissy (Carey Mulligan), uma aspirante e promissora cantora, que se revela uma personagem completamente distinta e paradoxal daquilo que é Bradon: carente, dependente, a viver intensamente cada momento e cada relação. Enquanto, sabiamente, o magistral Steve McQueen cria uma cápsula que envolve, protege e esconde o íntimo de Brandon , a encantadora Sissy é uma personagem inocente, que se abre perante o espectador e nos dá a conhecer aquilo que é, sem sombras, sem máscaras, sem fantasias.


Mas o maior elogio de todo o filme vai directamente para Steve McQueen. O seu trabalho é sublime. E se Shame não funcionaria sem o carisma e a intensidade com que Fassebender se entrega à personagem, seria também um enorme fracasso na mão de 99% dos realizadores em actividade. É preciso ser-se um mestre, é preciso ser-se muito muito bom, para se criar um ambiente, uma envolvência, um clima que, por si só, catapultam uma personagem. A banda-sonora é irrepreensível e (igualmente) surpreendente. É uma das melhores deste ano. Tal como filme. Shame não desiludiu. Mas, repito, não é um filme para meninos. E é um filme que merece (e necessita) da compreensão do espectador. Tudo o que acontece, sem pudor, faz parte de uma história maior. De um revelação pura, dolorosa e real.


Nota Final:
A-



Trailer:





Informação Adicional:
Realização: Steve McQueen
Argumento: Abi Morgan e Steve McQueen
Ano: 2011
Duração: 101 minutos








THE IRON LADY (2011)


"It used to be about trying to do something. Now it's about trying to be someone."

Duvido que em 2011 exista alguma interpretação deste nível. Meryl Streep é, sem dúvidas, para muitos dos amantes do cinema, uma das mais carismáticas e completas actrizes da história do cinema. É difícil sair-se mal e é frequente vê-la a ser brilhante. Num mundo justo, esta seria a interpretação vencedora da estatueta dourada para Melhor Actriz. É arrebatador o seu trabalho.



Quanto ao filme, a história é outra. Saiu mal. A intenção foi a melhor (percebe-se isso, pela forma cuidada como se envolve a atmosfera à volta da personagem de Meryl Streep) mas não era assim que o filme deveria ter sido reproduzido. Está tudo errado infelizmente. Pegou-se numa Margaret Thatcher decadente, decrepita, senil e completamente acabada e, a espaços, foi-se reconstruíndo o seu passado, sem lógica e praticamente sem qualquer critério. Para os mais desatentos, The Iron Lady, um filme que tinha tudo para nos contar uma história apaixonante, inspiradora e emotiva, transforma-se num filme cansativo, pachorrento e maçador. Não existe o enorme sentimento de glória, confiança e carisma que se viu na mulher que liderou uma nação. Não é transmitida a sua verdadeira história, não é transmitido o carisma e a força desta mulher de ferro.



Foi pena terem entregue este projecto a Phyllida Lloyd. Margaret Thatcher, a Grã-Bertanha, a interpretação de Meryl Streep mereciam algo melhor. Algo muito melhor. Mereciam, pelo menos, um filme que acompanhasse a qualidade da interpretação da maior diva viva do cinema. Em The Iron Lady, há muita Meryl Streep para tão pouco cinema.


Nota Final:
D+



Trailer:





Informação Adicional:
Realização: Phyllida Lloyd
Argumento: Abi Morgan
Ano: 2011
Duração: 105 minutos.