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DIAL P FOR POPCORN

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Estabelecer uma conexão - último artigo de 2012!




Eis que o ano chega ao final. Um ano muito positivo, sem dúvida, mas que pelo menos a nível do blogue ficou muito aquém. A desculpa que o trabalho não deixou fazer mais, apesar de verdadeira, custa-me. Custa-me porque quando nos propusemos a este projecto, sempre achámos que teríamos tempo. E custou-me imenso ver o nosso blogue em suporte de vida até Setembro. Enfim. Tempos melhores virão. Que 2013 nos traga, sobretudo, tempo. E bons filmes. Isso sim é sempre importante.


Queremos aproveitar para agradecer a todos quantos contactaram, de uma forma ou outra, com este blogue durante 2012 e nos ajudaram a crescer. E queremos sobretudo desejar bom ano novo e boas festas para todos os leitores, colaboradores e amigos do Dial P For Popcorn!

Há ainda que agradecer uma vez mais ao Miguel Reis e ao José Soares por mais um magnífica cerimónia dos TCN Blog Awards e por mais um troféu para o estaminé. Bem, não foi bem para o estaminé mas foi para o staff, portanto é quase a mesma coisa. Consequentemente, agradeço ao Gustavo por ter aceite o desafio proposto pelo João de se juntar a nós. E pela resposta positiva com que foi recebido, agradeço a todos os nossos leitores. Os comentários nem sempre surgem (na blogosfera portuguesa, uma pessoa já está habituada; se não há passatempos e não há críticas a antestreias, não há comentários) mas o número de visualizações está lá.


Olhando de relance para a minha lista de filmes vistos em 2012, posso dizer que o balanço não está mau. Ao contrário de outros anos, não me apareceu ainda um filme que me encha as medidas como "Beginners" ou "The Social Network" haviam feito recentemente. Também contrariamente a anos anteriores, o ano cinematográfico de 2012 foi bem mais forte. Muitos filmes com notas elevadas cá no DPFP, de diferentes épocas do ano. Poucas desilusões (mas as que foram, doeram). Várias surpresas. 



O meu ano cinematográfico de 2012 resume-se este ano a uma só coisa: estabelecer uma conexão. É isso que todos os filmes que admirei este ano fizeram. E mesmo aqueles de que não gostei mesmo têm partes que considero essenciais para explicar o que 2012 teve de especial para mim. 2012 foi o ano que encerrou a trilogia de Christopher Nolan, com "The Dark Knight Rises", com o filme mais lamechas de toda a franchise. Curiosa a opção do realizador britânico em querer encerrar aquela que até agora tinha sido a trilogia mais cerebral, mais asexual e mais negra da história do cinema contemporâneo com o seu filme mais atípico até ao momento, que basicamente vai contra todos os seus instintos enquanto realizador. Foi como se quisesse emparelhar com "The Avengers", o filme mais sério e dedicado da Marvel. Tinha que ser Joss Whedon, claro.


A banda sonora de "Cloud Atlas" (assumo que por esta altura já terão percebido que é a música que acompanha este artigo) sobrevive ao restante filme. É qualquer coisa de extraordinária. Digna de ser celebrada. Um feito especial. O mesmo digo dos efeitos especiais de "Prometheus", da química de Emma Stone e Andrew Garfield em "The Amazing Spiderman", da interpretação para todo o sempre de Liam Neeson em "The Grey" ou de Denis Lavant em "Holy Motors", do elenco de "Argo" (e quem diz esse diz o de "Lincoln", o de "Moonrise Kingdom" ou de "Bachelorette" - sim, o de "Bachelorette"!). Filmes que, independentemente do quanto eu os aprecio, não existiriam da mesma forma sem isto.



Refrescante é também ver actores de idade avançada com filmes que os respeitam e, mais que isso, lhes dão que fazer. Do enorme e surpreendente elenco de "Best Exotic Marigold Hotel" ao pas de deux de Meryl e Tommy Lee em "Hope Springs", já para não falar dos brilhantes Riva e Trintignant em "Amour". Prova que o talento não tem nada a ver com a idade. A comprovar isso também: quão fantástico é um filme tão peculiar e original como "The Perks of Being a Wallflower" ter tido o sucesso que teve, tendo em conta o tópico da juventude já ter sido mais que gasto? E que bom é ver também "Pitch Perfect" juntamente com ele? 


E já que falamos em filmes inesperadamente originais, como é possível não festejar o sucesso de "Beasts of the Southern Wild"? E de "Holy Motors"? Que enormes realizadores, que vão a jogo com all in, não importando o grande risco que correm. Pegando em riscos elevados... Num ano de crise profunda e de saturação, um ano que praticamente garantiu a insolvência do cinema português, Portugal consegue mais dois filmes com visibilidade internacional: "Sangue do Meu Sangue" foi candidato a nomeação aos Óscares, não a conseguiu mas o objectivo - ser visto e adorado por mais gente - foi conseguido. A história do ano, contudo, foi a de "Tabu". Aparecer em tanta lista de melhor do ano é obra. Miguel Gomes, a minha mais profunda vénia. É um filme especial, este. Espero que os anos o tratem bem. A estes dois junto a obra majestosa de Vicente Alves do Ó, "Florbela". Ó Dalila, foste tudo o que podia ter pedido e mais. Que monumento, essa performance.



A animação também voltou em grande. O ano abriu morno com "Brave" mas até ao fim trouxe ainda "Paranorman", "Frankenweenie" (o Burton mais inspirado em quinze anos!) e "Wreck-it Ralph", em que a Disney finalmente aprendeu a dançar ao som da Pixar. É bom ver que o subsidiário da Disney já serviu para empolgar e trazer de volta inspiração aos escritórios com mofo dos herdeiros do tio Walt. Já tinha feito o mesmo com a Dreamworks em anos recentes. 


Hora de agradecer aos muitos outros realizadores que deixaram marca no ano. Muitos agradecimentos para Sarah Polley ("Take this Waltz") e a Joe Wright ("Anna Karenina") por nunca se desencorajarem de fazer filmes diferentes. O mesmo digo a David Wain ("Wanderlust"), a Judd Apatow ("This is 40") por tentarem sempre mais que a simples comédia. E palmas aos velhos mestres Oliver Stone ("Savages"), David Cronenberg ("Cosmopolis") e Ridley Scott ("Prometheus") por tentarem não enferrujar - nem sempre resultou, caríssimos, mais gostei da tentativa.

Bem-vindo de volta, Sam Mendes ("Skyfall"). É bom saber que a criatividade ainda aí mora. Olá, Soderbergh ("Magic Mike"). Espero que a reforma espere mais alguns anos. E não me posso esquecer do sr. Spielberg e da superestrela - agora superrealizador - Ben Affleck. Onde vão aqueles lindos tempos da Jenny from the Block. Se com "The Town" me surpreendeste, com este "Argo" arrumaste-me para canto. Onde foste desencantar esse talento?

E Steven. Depois de "War Horse", veio o "Lincoln". Ainda não estamos lá - não me esqueço de "Crystal Skull" e de "War of the Worlds" - mas o caminho para a tua redenção comigo está mais pequeno. Olha, aproveita e dá uns conselhos ao Woody ("To Rome With Love"), que ele está bem necessitado. E Ang Lee. Uff. Obrigado por seres único. "Life of Pi" junta-se a "Brokeback Mountain" no grupo dos  filmes mais incompreendidos do nosso século. Ame-se ou odeie-se (e há muitos que odeiam, infelizmente), Ang Lee é o realizador mais talentoso da sua geração.


Agora, umas palavras aos actores. Obrigado Léa e Marion, deusas francesas, vocês terão sempre um lugar no coração pela vossa irreverência. Meryl, tu e eu já sabes, é para sempre. Mais um ano em que calas quem não te suporta. O teu génio não tem par. Nicole, palmas para ti também. Por ires a sítios que a maioria dos actores teme sequer chegar perto. Riva e Trintignant, que assombro. Ao ver-vos actuar a minha vida avançou cinquenta anos e fizeram-me imaginar e, pior que isso, trouxeram-me de volta a mim da forma mais horrenda possível. Mas é assim a vida e vocês cumpriram o vosso papel. Palmas para a Keira e para a Kirsten. Nunca mudem. Mandem os críticos levar num sítio que eu e vocês sabemos.

Kristen e Robert, agora que aquela franquia acabou, é sempre fascinante ver que sabem, de facto, actuar. Continuem. Emma, o mesmo digo de ti.

Day-Lewis, Day-Lewis. Não há palavras para descrever a tua arte. Obrigado por trazeres a Sally Field e o Tommy Lee Jones ao teu nível. É deste tipo de colaborações que eu gosto. 


Amy Adams. Charlize Theron. Javier Bardem. Michael Fassbender. Garrett Hedlund. Matthias Schoenaerts. Diane Kruger. Jude Law. Bryan Cranston. Rachel Weisz. O ano não foi muito generoso convosco, dada a qualidade do vosso trabalho. O meu muito obrigado de qualquer forma e um desejo que 2013 seja o vosso ano. Rosemarie deWitt, Emily Blunt, um aviso, depois deste 2012: o vosso talento merece tanto mais! 

Foi este o meu 2012. Um ano estranho. Um ano diferente na minha vida, que deixou marca no cinema que me marcou. "Amour". "Life of Pi". "Beasts of the Southern Wild". "Argo". "Holy Motors". "Moonrise Kingdom". "Farewell My Queen". "Tabu". "Sister". "Take Shelter". "Margaret". "Shame". "Weekend". "Elena". Religião, filosofia, fé. O amor, puro e simples. A inevitabilidade da morte e a sobrevivência. O quão sozinhos estamos realmente no mundo. O triunfo da condição humana. A procura de algo mais. A comunhão entre as pessoas. Temas universais que identifico transversalmente nos filmes que mais amo do ano. 


A ver o que o ano novo me traz. Se possível, mais optimismo. Mais felicidade e alegria nos meus filmes, se puder ser. Menos depressão e solidão, se bem que esses são sempre os melhores temas, porque o drama se faz da catarse e a catarse só vem dos problemas sérios. Bem, pensando melhor: que 2013 venha. E venha carregado de filmes, de cenas, de momentos, de melodias, de interpretações que eu possa ardentemente abraçar e apreciar, vezes sem conta. Que 2013 seja um ano memorável. 

Feliz Ano Novo.

Jorge Rodrigues




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