Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

DIAL P FOR POPCORN

DIAL P FOR POPCORN

EASTER PARADE (1948)



Nos anos 40 e 50, os musicais eram um dos géneros cinematográficos mais populares e mais requisitados juntos dos grandes estúdios. Muitas grandes estrelas desse tempo entraram ou fizeram carreira em musicais e foram estes que imortalizaram estrelas de cinema tão grandes como Judy Garland, Gene Kelly, Fred Astaire ou Ginger Rogers. Infelizmente, quantidade não equivale a qualidade e por cada dez musicais produzidos nessa época, um ou dois tinham sucesso, invariavelmente aqueles que tinham uma boa história ou, melhor que isso, onde entravam as maiores estrelas de cinema musical de então. Como este "EASTER PARADE", um musical muito divertido e alegre, com números musicais agradáveis e luminosos engrandecidos pela presença da parelha Garland e Astaire que infelizmente não almejam a mais que um bom filme graças à falta de originalidade e fraqueza da narrativa.


Hoje em dia, é engraçado pensar que este par esteve para não acontecer. Gene Kelly era o escolhido para protagonista masculino, mas devido a uma perna partida, teve que ser substituído. O próprio propôs Fred Astaire que, apesar de aparentemente reformado na altura, abraçou a oportunidade de trabalhar com Judy Garland. Ele não o sabia então, mas foi este filme que lhe reacendeu a carreira, dando-lhe mais dez anos de ouro com a MGM. Judy Garland foi sempre a única escolha para o papel feminino, mas ela vinha de uma experiência profissional complicada com o seu marido Vicente Minnelli (filmaram juntos "The Pirates" um ano antes) que o obrigou mesmo a passar a realização deste filme, que era para ser realizado por si também, para Charles Walters. Além disso, os problemas de Garland com a depressão, o excesso de trabalho, o alcoolismo e o abuso medicamentoso - que culminaram numa tentativa falhada de suicídio - estavam a tomar o melhor dela. Ela mal recuperou para filmar "Easter Parade", tendo que ser internada numa clínica de reabilitação logo depois. Desde essa altura que Garland nunca mais se recompôs e "Easter Parade" tornou-se não só o seu último filme com a MGM como também um dos seus últimos filmes de sempre. Também Ann Miller teve sorte, porque o seu papel era originalmente de Cyd Charisse. Entretanto, a actriz torceu um ligamento e foi obrigada a ser trocada. O casting de Miller provou ser um sucesso, uma vez que a actriz é o ponto alto da película.


"EASTER PARADE" narra a história de Don Hewes (Fred Astaire), um dançarino de excelência que, em conjunto com a formosa e talentosa Nadine Hale (Ann Miller), forma o duo "Hale & Hewes". Quando Hale o troca pela chance de ter o seu próprio espectáculo no Ziegfeld Follies, num misto de raiva e bebedeira, Hewes escolhe à sorte a sua próxima parceira de entre as dançarinas do bar que frequenta. A escolhida foi a cintilante Hannah Brown (Judy Garland), que se revela um óptimo complemento - e também um belo sarilho - para o 'comandante' Hewes. Embora a sua parceria no início deixe muito à imaginação, aos poucos e poucos os dois entendem-se e com o tempo ganham bastante sucesso. O que fica por contar é que ao mesmo tempo que a sua parceria profissional floresce, também os sentimentos que nutrem um pelo outro crescem, mas ambos recusam teimosamente dizer o que sentem.

 
É esta a simplista história de "Easter Parade", que pega nos habituais clichés de filmes como "A Star is Born" - rapariga simpática tornada estrela por homem mais experiente - e nos lugares comuns das comédias românticas - Hannah (a rapariga boa) gosta do Don; o Don gosta da Nadine (a rapariga má que o rejeita e o humilha); Nadine gosta de Jonathan; o Jonathan gosta da Hannah - e cria um twist final para fazer avançar a história, levando os dois parceiros a desvendar o que sentem um pelo outro.


Com uma banda sonora do Oscarizado Irving Berlin, que compôs novas canções para este filme e uma fotografia impressionante do veterano Harry Stradling, Jr. (o mesmo que filmou "A Streetcar Named Desire", "Funny Girl", "My Fair Lady", "Gypsy" e muitos outros títulos), "EASTER PARADE" é, mesmo com as suas falhas (e são muitas, especialmente no argumento horrendo de Hackett e Goodrich, reescrito por Sheldon), um dos musicais mais infecciosamente alegres e entretidos que já vi e qualquer cena com Garland e Astaire é incandescente e colorida. Os seus passos de dança são verdadeiramente espectaculares (como no número "Drum Crazy") e a voz cheia de alma e vida dela é, como sempre, fenomenal.



Ann Miller está óptima também, sendo a grande revelação do filme. Um dos problemas que tive com o filme foi mesmo o de não perceber como alguém trocaria - que Deus me perdoe, mas é verdade - Miller por Garland. À pessoa que faz 'aquilo' em "Shaking the Blues Away" eu dava tudo, mesmo que me tratasse mal e humilhasse, para vocês verem o quão extraordinária é Miller nas suas poucas cenas.



Apesar de ser uma pena, de facto, ter ficado a pensar que o filme poderia ter sido bem melhor, algo mesmo muito especial, não nos podemos queixar. Afinal, como pode alguém queixar-se quando passa duas horas na companhia inolvidável de Astaire, Miller e Garland? Não podemos, como é óbvio.



Nota:
B

Informação Adicional:
Realização: Charles Walters
Argumento: Sidney Sheldon, Frances Goodrich, Albert Hackett
Elenco: Judy Garland, Fred Astaire, Ann Miller, Peter Lawford
Fotografia: Harry Stradling, Jr.
Música: Irving Berlin e Conrad Salinger
Ano: 1948



1 comentário

Comentar post