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DIAL P FOR POPCORN

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DAFA 2010: Melhores Efeitos Visuais e de Som e Melhor Edição




Bem-vindos à primeira edição dos Dial A For Awards, a cerimónia de prémios de cinema do nosso blogue, Dial P For Popcorn. Iremos revelar, categoria a categoria, os nossos seis nomeados e três vencedores entre aqueles que foram, para nós, os melhores filmes de 2010.

A ver se isto não se arrasta para sempre, vou tentar acabar nos próximos dias com as categorias que faltam revelar dos meus prémios. Vamos a três categorias de uma vez só: Melhores Efeitos Visuais, Melhores Efeitos de Som e Melhor Edição.



MELHORES EFEITOS VISUAIS:
ENTER THE VOID - #3
HOW TO TRAIN YOUR DRAGON
INCEPTION - #1
MONSTERS
SCOTT PILGRIM VS. THE WORLD - #2
TRON: LEGACY

O ano agraciou-nos (e ainda bem) com vários filmes dignos de fazerem parte desta lista de nomeados para Melhores Efeitos Visuais. Além dos meus seis nomeados, conseguia pensar facilmente em mais seis que de igual forma aqui mereciam ter sido mencionados. Infelizmente, só podia decidir-me por seis. Enter The Void foi uma surpresa - não porque já não esteja habituado a que Gaspar Noé nos surpreenda constantemente, mas porque nunca imaginei que um dos meus nomeados para efeitos visuais estivesse ali. A verdade é que a qualidade do filme, desde a fabulosa cena de créditos de abertura até ao seu delirante fim, depende muito do primor visual da película. E a verdade é que este nunca desaponta. How To Train Your Dragon era uma escolha óbvia, dado a forma brilhante como retratou as cenas de vôo/acção de Hiccup e Toothless os cenários impressionantes que funcionam como pano de fundo da cena - e que belo e colorido retrato pintam da habitualmente enfadonha e fria Escandinávia. Inception dobrou literalmente os limites da realidade, construindo um mundo à parte digno de um sonho através dos seus brilhantes efeitos especiais. Monsters foi a maior surpresa do ano, sem grandes efeitos especiais mas com muita imaginação, conseguindo passar a mensagem através do seu poderio técnico mesmo que este não seja baseado em alta tecnologia de ponta. Scott Pilgrim vs the World foi, digamos, o caso especial do ano, um filme ultra-imaginativo no qual os efeitos especiais - visuais e de som - foram usados de forma mágica para ampliar o efeito de estarmos realmente dentro de um mundo de banda desenhada. Escusado será dizer: resultou em pleno. Finalmente, Tron: Legacy. Não é preciso ir muito longe para perceber esta nomeação. Basta ver a cena de batalha ao som de 'Derazzled'.




MELHORES EFEITOS DE SOM:
BLACK SWAN
HOW TO TRAIN YOUR DRAGON - #2
INCEPTION - #1
MONSTERS - #3
SCOTT PILGRIM VS. THE WORLD
TRUE GRIT

Poderia ter dividido a categoria de Som em duas categorias separadas, Edição e Mistura de Som, mas preferi mantê-lo simples e juntar ambas as técnicas numa só categoria. Mais uma vez, havia aqui um grupo grande de potenciais candidatos a uma nomeação e qualquer um seria merecedor de menção. No fim, depois de muita consideração, ficaram estes seis: Black Swan junta à arrepiante banda sonora de Mansell e à rápida e rodopiante fotografia de Libatique vários pequenos toques sonoros que aprimoram ainda mais a obra-prima, fazendo-nos não só sentir como também ver e ouvir a entrada de Nina na loucura e na perdição. How To Train Your Dragon merece só cá estar apenas pelos vários sons dos diversos dragões, cada um mais original e inventivo que o outro. Vários silêncios bem aplicados, vários efeitos sonoros bem aproveitados, principalmente nas cenas de acção, fazem deste filme um dos grandes destaques entre o que de melhor se faz nesta área em animação. Inception é, do princípio ao fim, uma experiência sensorial de outro mundo. Seja na realidade ou no sonho, seja em gravidade zero ou a cair numa carrinha ao rio, seja a erigir edifícios ou a dobrar cidades inteiras, o trabalho de som aqui é excepcional. Monsters consegue informar tanto acerca dos seres alienígenas que servem de pano de fundo à história sem nunca os mostrar que sem o extenso trabalho de som realizado o filme não teria metade do pulso que tem. Lembram-se de ter referido acima de agora eu saber mesmo como é viver numa banda desenhada? Pois, é graças a Scott Pilgrim vs. the World e o seu maravilhoso mundo visual e sonoro. Finalmente, o último lugar nos nomeados é ligeiramente conquistado por True Grit a The Social Network, dois filmes excitantes de ver e ouvir. A razão pela escolha do primeiro? Porque os filmes dos irmãos Coen têm sempre esplêndidos efeitos sonoros.




MELHOR EDIÇÃO:
BLACK SWAN - #2
BLUE VALENTINE
SCOTT PILGRIM VS. THE WORLD - #3
SOMEWHERE
THE FIGHTER
THE SOCIAL NETWORK - #1


Foi por um triz que True Grit e Inception não entraram neste grupo de nomeados, mas no final tive que dar os parabéns a dois filmes que aqui constam que não seriam propriamente escolhas convencionais. Da edição de Black Swan já muito foi dito, principalmente sobre como é ela que quase inteiramente confere a robustez e o suspense com que o filme prende o espectador do início ao fim, daí que nem precise de me alongar nas razões da sua nomeação. De Scott Pilgrim vs the World a mesma história; o filme não funcionava sem a sua estupenda edição - de uma surpreendente tirada comédica genial. The Fighter tem um editor muito inteligente, que preferiu conferir ao filme o nervosismo inerente nas cenas de Dicky, que gosta de filmar a "arena" nas cenas da matriarca Alice, que opta por olhar de longe o relacionamento de Micky e Charlene, conferindo por isso um sentido de familiaridade que quase não se nota mas funciona muito bem dentro do filme. A edição de Blue Valentine vale ouro - senão tornar-se-ia complicado acompanhar um filme que salta tantas vezes entre o passado e o presente. Bónus: o carácter intimista mas revelador alcançado pela edição nas cenas entre Cindy e Dean. Somewhere é um caso muito particular de edição - mesmo ao jeito de Sofia Coppola. Longos planos, cenas compridas e vistas de longe, na languidão, à espera de um momento, um singelo e perfeito momento de melancolia e solidão. Finalmente, o vencedor: The Social Network. Uma edição a marca-passo, rápida, eficaz e sobretudo muito perspicaz, não deixa saltar uma linha de humor, não deixa de marcar terreno nas cenas mais dramáticas, não deixa um foco num olhar mais distraído passar ao lado. Brilhante a forma como condensam um filme que tinha mais de 4 horas de potencial argumento em 1h30 de puro génio.


E vocês, que pensam destas categorias?