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DIAL P FOR POPCORN

DIAL P FOR POPCORN

Pessoas da Década: Alexandre Desplat

Bem-vindos a uma das rubricas semanais do Dial P for Popcorn, que habitualmente terá lugar às terças-feiras mas por eu andar com o horário trocado, só é publicada hoje. Nesta rubrica vamos discutir as pessoas que se tornaram grandes nomes na década de 2000, sejam actores, realizadores, compositores, fotógrafos, entre outros.

E para inaugurar esta rubrica... Eu escolhi alguém que eu penso ser quem mais merece, a todos os níveis, ser a face desta década que passou. Não consigo ninguém tão brilhante, tão audaz, tão produtivo, tão diferente, como este senhor. Um camaleão entre géneros e entre registos. Não fez duas obras iguais e entretanto posso dizer que mais de 90% do seu trabalho esta década foi superior ao dos seus pares. E claro, na boa tradição da Academia, foi dos menos reconhecidos, apesar de ter feito trabalho de qualidade inegável em todos os anos que compuseram os anos 2000. Essa pessoa é, então...


Alexandre Desplat

O francês de ascendência grega Alexandre Desplat é já dos mais profílicos e reconhecidos compositores da história do cinema, tendo apenas 39 anos, o que é bastante jovem para um compositor. E foi crescendo na sua reputação ao longo destes passados 10 anos, tendo conseguido três nomeações para Óscar na segunda parte da década, por The Queen (2006), por The Curious Case of Benjamin Button (2008) e por Fantastic Mr. Fox (2009). Fez composições para mais de 70 filmes em menos de 20 anos de carreira, sentindo-se plenamente à vontade tanto nos dramas como nas comédias, tanto em filmes de prestígio e históricos como em filmes mais leves e modernos.



O que é interessante de ver é que duas das suas três nomeações foram por filmes típicos de Óscar, o que conhecendo a Academia não é de estranhar. Estranho é sim terem-no nomeado pela sua melodiosa e harmoniosa e tão diferente do habitual banda sonora original para o filme animado de Wes Anderson, tão atípico para ser premiado por uma Academia dignamente conservadora, que tinha só em 2009 (!) para escolher, do trabalho de Desplat, três bandas sonoras mais ao seu gosto: Coco Avant Chanel, Julie & Julia e Chéri (além da de Un Prophète e de New Moon). Ainda bem que assim foi.



Percorrendo só para terminar o caminho dele esta década, para que vocês consigam perceber o porquê da minha escolha para abrir esta rubrica... Ele foi o compositor destas bandas sonoras: The Luzchin Defense (2000), Girl with a Pearl Earring (2003), Birth (2004), Hostage (2005), The Upside of Anger (2005), Syriana (2005), The Queen (2006), The Painted Veil (2006), Lust Caution (2007), The Golden Compass (2007), The Curious Case of Benjamin Button (2008), Coco Avant Chanel (2009), Chéri (2009), Un Prophète (2009), Fantastic Mr. Fox (2009), Julie & Julia (2009) e New Moon (2009) -  e estas são somente as que eu destaco. Existem muitas outras.

Em 2010 já produziu mais uma banda sonora espectacular, para The Ghost Writer de Polanski e até ao fim do ano ainda vamos poder ouvir o seu trabalho no que se espera extraordinário Harry Potter and the Deathly Hallows, Parte I, em Tamara Drewe de Stephen Frears (Dangerous Liaisons, Chéri) e ainda, aquela que eu mais antecipo, para o novo filme de Terrence Malick (que, se for o poderio visual a que normalmente ele já nos habituou, terá sido uma inspiração tremenda para a música de Desplat), The Tree of Life.


Das dez bandas sonoras de que eu mais gosto, quatro são dele. Para mim, de todas, a de Birth é inigualável. Mas também, só um ou dois compositores por década é que conseguem atingir tal nível de qualidade. Deixo-vos abaixo algumas das músicas que ele criou para diversos filmes. Tirem as vossas conclusões. O homem é mágico.

Estreia da Semana / Antevisão: Toy Story 3



Quinze anos depois do início de uma história feliz, eis que o ciclo dos brinquedos mais famosos do mundo chega ao fim com este terceiro filme da saga. A história da Pixar não se pode contar sem mencionar Toy Story, tal é a ligação que ambos os nomes têm um com o outro. Muito do sucesso e da evolução que a Pixar demonstrou na década passada resultou muito do que foi a recepção da crítica e do público ao seu primeiro filme, uma história modesta sobre brinquedos, uma história diferente contudo de todas as outras que a sua casa-mãe Disney fazia, pois esta era, mais que um filme animado, um estudo comportamental. Os filmes da Pixar são bastante distintos dos da Walt Disney Pictures e dos da rival Dreamworks precisamente neste aspecto: lidam com personagens adultas, completamente formadas, baseados em situações reais do dia-a-dia, falam de emoções e de problemas e questões importantes, sem nunca esquecer que o seu dever principal é entreter a audiência.

Se houve alguém com papel fundamental no desenvolvimento da marca Pixar, esse alguém é John Lasseter. Foi um dos fundadores da empresa e foi o seu principal impulsionador, mesmo dentro da Disney, de tal forma que ele é hoje em dia o criador-executivo das duas casas, da Pixar Animation Studios e da Walt Disney Animation Studios. E foi ele quem em 1995 envisionou, com o seu grupo restrito de colaboradores (mais tarde todos realizadores e argumentistas da Pixar, Andrew Stanton, Pete Docter, Brad Bird e  Lee Unkrich, o realizador de Toy Story 3, bem como Joss Whedon e Joel Cohen), a primeira longa-metragem da Pixar, Toy Story, que pegava um pouco nos elementos vencedores da sua curta-metragem vencedora do Óscar, Tin Toy.

Além do espectacular argumento, os actores que deram as vozes ao filme também tiveram o seu papel no sucesso. Tom Hanks e Tim Allen couberam que nem uma luva nas suas personagens e tornaram o Woody e o Buzz não só imortais nos nossos corações mas também na história do cinema. Como o importante do filme eram, sobretudo, as personagens, era vital que os actores que lhes emprestavam as vozes conseguissem transmitir a emoção e expressividade necessária. E nisso os actores e os animadores estão de parabéns. Nunca um filme animado tinha tido caracterizações tão completas e tão complexas, tão intrinsecamente exploradas como em Toy Story. A humanidade de personagens como Woody, Buzz, Rex, Mr. Potato Head e Slinky Dog é tão real que até assusta. Finalmente, a música é o terceiro MVP do filme. Randy Newman, de quem nunca fui muito fã, consegue aqui um bom equilíbrio musical e cria uma música intemporal, para todo o sempre, "You've Got a Friend in Me" (aliás, os filmes da Pixar sempre tiveram óptimos compositores).

Depois, o resto é história. O filme seria, como se sabe, o primeiro filme animado em CGI da história, seria o primeiro filme animado a ser nomeado para Melhor Argumento Original, seria um dos filmes mais bem sucedidos de sempre da Disney-Pixar, com 361 milhões de dólares de receita de bilheteira em todo o mundo. Lasseter viria a fazer a seguir A Bug's Life, também bem sucedido e a primeira sequela, Toy Story 2, que renderia mais ainda que o seu predecessor e voltaria em 2006 para o indubitavelmente menos sucedido dos filmes da Pixar, Cars (que vai ter honra de sequela em 2011). Aos poucos na década passada, foram entrando em cena os seus discípulos: Andrew Stanton realizou os que são para mim os dois melhores filmes da Pixar de sempre, Finding Nemo em 2003 e Wall-E, em 2008; Brad Bird, que havia realizado The Iron Giant em 1999, entrou na Pixar para realizar The Incredibles em 2004 e Ratatouille em 2007; e Pete Docter viria a realizar Monsters, Inc. em 2001 (egregiamente roubado do Óscar de Melhor Filme Animado, que foi para Shrek; também vai ganhar uma sequela em 2012) e agora em 2009 Up!, o segundo filme animado de sempre a ser nomeado para Melhor Filme.



Assim eis que chegamos a 2010 e a este Toy Story 3. Os antigos personagens estão todos de volta, Andy vai a caminho da universidade e novos sarilhos avizinham-se para os "nossos" companheiros brinquedos, que se vêm perdidos num infantário, onde conhecem novos personagens, incluindo um muito ilustre Ken (Michael Keaton é quem lhe dá a voz na versão original). Estou ansioso por vê-lo. E vocês?

Deixo-vos aqui ficar com um tributo à Pixar e com alguns links para outros sites com artigos de antevisão:



Antevisão ao Toy Story 3 - Ante-Cinema
Antevisão do Toy Story 3 - Cinema Blend
Uma breve história da Pixar - Ante-Cinema
Estreia recomendada da semana - O Cinema
Estreia da semana - Split-Screen
Crítica de Nathaniel Rogers (The Film Experience) - Towleroad (NSFW)
Crítica do filme - Stale Popcorn
Crítica do filme - Cinema Blend
Conseguirá 'Toy Story 3' um lugar nos dez nomeados para Melhor Filme? - Cinema Blend
Curta de Toy Story a surgir em 2011 - Cinema Blend
Nos bastidores de Toy Story 3 - Cinema Blend
Pixar animators = Renaissance masters - In Contention
Acerca do consenso da crítica - In Contention



TOY STORY 3 - Trailer PT
Via: Ante-Cinema

Retrospectiva Óscares: 2009

Peço desculpa por só agora estar a pegar nesta rubrica que é originalmente de Domingo mas outros assuntos pendentes (Inception) obrigaram a que tivesse de deixar todo o meu blogging para hoje. Mas cá vamos então. Como sabem, a retrospectiva dos Óscares vai servir para fazer um pequeno balanço das cerimónias, desde o ano mais recente (2009) para trás, avaliando os seus pontos bons e as coisas mais fracas. E é precisamente por 2009 que começamos.


A Surpresa: várias, na grande maioria desagradáveis, mas a maior terá sido, sem dúvida, o feito de "Up!" - ser o primeiro filme animado a ser nomeado para Melhor Filme desde "Beauty and the Beast" (1991) e ser o segundo do género em toda a história da Academia não é para todos. E é bastante merecido.

A Inclusão Mais Notória: poderíamos fazer aqui relevância ao elevado número de filmes de pequena dimensão a fazer parte dos 10 nomeados, como Precious, A Serious Man e District 9, mas se formos a ver a maior inclusão foi mesmo a de Jeremy Renner como Melhor Actor. É que apesar de muitos acharem meritória e até mesmo possível, poucos queriam apostar em seu favor. O que é certo é que o eventual grande vencedor da noite acabou por conseguir dar um empurrãozinho ao seu actor na lista.

A Exclusão Mais Significativa: mas alguém estava à espera de tanto mau-trato ao "Nine" e ao "Invictus"? É que nunca imaginei. E então os dois grandes candidatos fora da principal categoria? Já para não falar do shut-out feito a "The Lovely Bones" também? O ano não estava a favor.


O Mais Merecido: Jeff Bridges, também conhecido por "The Dude" dada a imortalidade que essa sua interpretação adquiriu, venceu Melhor Actor por "Crazy Heart", um papel bem abaixo da qualidade do intérprete mas mesmo assim suficiente para gerar uma campanha bastante favorável à sua vitória. A noite dar-nos-ia ainda mais dois excelentes vencedores na forma de Mo'Nique e Christoph Waltz. Os três mereceram mesmo os prémios todos que ganharam.

O Mais Imerecido: há algumas vitórias que me irritaram, mas essas são mencionadas apropriadamente mais à frente. O vencedor mais imerecido (mas que não deixa de ser minimamente bom) foi "El Secreto de Sus Ojos", que criminalmente venceu uma categoria onde existiam três filmes como "Un Prophète", "The White Ribbon" e "La Teta Asustada".

O Desnecessário: já sabemos o quão slut a Academia consegue ser com algumas das suas estrelas e por muito mau que um filme seja, elas, só pelo poder do seu nome e o estilo do papel, aterram na lista à mesma. É claro que me estou a referir a Helen Mirren e a Morgan Freeman principalmente, mas também a Stanley Tucci, Matt Damon e Maggie Gylenhaal, que apesar de conseguirem a sua primeira nomeação (Damon venceu um Óscar mas como argumentista; como actor foi pela primeira vez nomeado) tiveram interpretações bastante más nos seus respectivos filmes.

O Incompreensível: se houve decisão mais idiota por parte da Academia... por muito excelente que tenha sido Cruz em "Nine"... Será que ninguém reparou numa das melhores interpretações do ANO, via Marion Cotillard? Enfim.


A Desgraça: já se passaram 27 anos desde que Meryl Streep venceu um Óscar (em 1982, por "Sophie's Choice"). Ainda assim, não se vê ninguém nos mídia que durante estes 27 anos tenha decidido fazer campanha para Streep vencer o seu terceiro. Contudo, estão sempre prontos a fazer campanha por qualquer actriz rasca que por aí ande que os espante. Mais um ano, mais uma nomeação para Streep, por uma brilhante interpretação como Julia Child em "Julie & Julia". Ela já não deve saber o que há-de fazer para ganhar outro, uma vez que viu o seu troféu fugir para Sandra Bullock, uma actriz abaixo do medíocre que conseguiu um papel mediano em "The Blind Side". E como se já não bastasse, ainda conseguiu sacar uma nomeação para Melhor Filme. Haverá justiça no mundo?


O Pesadelo: mas essa não foi a pior vitória da cerimónia. A pior foi mesmo a derrota de "Up in the Air" na categoria de Melhor Argumento Adaptado. Um argumento inteligente, adequado à situação que vivemos, com caracterizações das personagens estupendas e cheias de complexidade, perde para uma miséria de argumento que foi de longe (ao lado da edição - ironicamente, também aí "Up in the Air" não nomeado mas "Precious" sim) a parte mais fraca do filme "Precious". Geoffrey Fletcher subiu ao pódio no que devia ter sido o momento de Reitman (as confusões que ele o seu parceiro Sheldon Turner originaram devem ter custado caro).

A Melhor Vitória: Sem dúvida, "Logorama" para melhor curta-metragem animada. É brilhante.



O Duelo da Noite: "The Hurt Locker" vs. "Avatar" foi um duelo (fictício, quase) criado pela imprensa e criado pelos Globos de Ouro (que estupidamente decidiram vomitar prémios ao filme do sr. James Cameron, só porque fez 2 milhões de dólares...) com dois filmes medíocres a chegar à cerimónia como os favoritos. Já disse e repito, não premiar filmes que viram clássicos (casos mais recentes: There Will Be Blood em 2007, Rachel Getting Married em 2008, Up in the Air em 2009) é um erro do qual se arrependem mais tarde (todo o mundo fica chocado quando descobrem que filmes como Citizen Kane, Brokeback Mountain ou The Thin Red Line não ganhou o Óscar, por exemplo). Enfim, vamos ao duelo da noite - se é que houve duelo: como já era de prever, "The Hurt Locker" passeou-se pelo Kodak Theatre e levou 6 prémios, só perdendo coisas que obviamente não tinha capacidade de ganhar: Renner (Actor), a banda sonora e - o que mais estupidamente me chocou - a fotografia (onde é que "Avatar" tem fotografia se é tudo gerado por CGI?! De qualquer forma, esse prémio, se não fosse para Avatar, iria sempre para "Inglorious Basterds").


E pronto meus caros, é isto. Domingo temos a retrospectiva de 2008. Só deixar umas notas finais:


Qualidade da cerimónia - B
Qualidade dos nomeados - B
Qualidade dos apresentadores (Steve Martin e Alec Baldwin) - B-
Qualidade da transmissão (TVI) - F



ALL ABOUT EVE (1950)



"All About Eve" foi o grande vencedor da noite dos Óscares em 1951, arrecadando 6 estatuetas (de entre as suas 14 nomeações no total), incluindo a de Melhor Filme. Infelizmente, nenhuma das suas protagonistas femininas, Anne Baxter e Bette Davis, ambas gloriosas no filme, conseguiram vencer Melhor Actriz, naquele que foi um ano atípico nesta categoria, com também Gloria Swanson, divinal em "Sunset Boulevard", a perder o prémio para Judy Holliday ("Born Yesterday") que era sem dúvida alguma a pior das cinco nomeadas.


Trailer (via YouTube):



Quem me conhece sabe o meu indelével fascínio por este filme. E não é para menos. Só quem não gosta de ver bom cinema é que ainda não viu "All About Eve". Não encontro outra explicação. Será talvez dos melhores filmes do século passado, ao nível de um The Godfather, Citizen Kane, Sunset Boulevard ou um Casablanca. E o que surpreende, acima de tudo, é que esta é uma comédia.


Uma comédia (dramédia, se quisermos) como poucas se fazem hoje em dia, claro está, mas não deixa de ser, de qualquer forma, uma comédia. O seu maior trunfo é o argumento. Joseph L. Mankiewicz criou, para mim, a maior obra-prima, em termos de argumento, do século passado - o diálogo é simplesmente genial, intelectual, fluído, sagaz e muito apropriado e aposto que deve ter sido uma maravilha para os actores darem de caras com aquele escrito, porque diz-se que caracterizava em pormenor TODAS as emoções e expressões que o personagem devia estar a apresentar naquele momento e no outro. Além disso, o próprio pano de fundo do filme e a forma bastante desapegada a estereótipos e a pré-estabelecimentos da escrita de Mankiewicz propiciam interacções brutais entre as personagens, de modo a que cada vez que se confrontam Margo e Eve, por exemplo, a tela pega fogo.


Bette Davis foi francamente estonteante como a über-diva Margo Channing, deliciosamente maléfica e com uma atitude dos diabos - já para não falar da sua falta de disposição para aturar gente inferior (além de ter sido o seu papel pivotal, aquele que nos fará recordá-la para sempre - nunca vi tão grande uso de olhos em expressões - terá sido a precursora de muitas víboras venenosas que terão agraciado o nosso ecrã desde então - comparada com ela, a Miranda Priestly de Meryl Streep em "The Devil Wears Prada" é uma doce criatura!) - mas também com enorme coração e coragem. Anne Baxter encarnou na perfeição a falsa ingenuidade de Eve Harrington, uma autêntica cobra venenosa disfarçada em cordeiro. A sua interpretação deixa-nos quase a cair do nosso assento, sempre à espera de que maldade ela há-de fazer a seguir. O engraçado é que nenhuma delas as duas era a escolha principal para os papéis. Claudette Colbert tinha inclusive já aceite o papel de Margo, até que um acidente a afastou e depois de quatro actrizes terem recusado o papel, este caiu nas mãos de Bette Davis. É inacreditável como isto aconteceu, tendo em consideração que a Margo Channing parece ter TUDO a ver com Bette Davis. O papel parece mesmo ter sido escrito para ela. Mas não foi.


O elenco de actores secundários, com grandes nomes à mistura, como Thelma Ritter, George Sanders, Gary Merrill, Celeste Holm e até uma certa indivídua de seu nome Marilyn Monroe, são excelentes e disputam bem as suas cenas. Nunca deixam que Davis ou Baxter os domine, conseguindo até desenvencilhar-se bastante bem nos duelos. Sanders (que venceu Melhor Actor Secundário - e justamente - pelo seu Addison DeWitt) e Ritter (que faz de Birdie, a amiga confidente de Margo com uma língua bastante afiada) são particularmente esplêndidos de ver. E todos têm momentos para brilhar. E todos têm falas de génio. Não é por isso de estranhar que o filme tenha tido cinco (!) actores nomeados para Óscar (as duas protagonistas, Baxter e Davis; o secundário Sanders - que venceu - e as secundárias Ritter e Holm).


Quanto à história... Margo Channing vê-se no meio de um pesadelo perturbador ao aperceber-se de que uma pobre rapariga que ela acolhe em sua casa, Eve Harrington, vai tomando o seu lugar, aos poucos e poucos, no seu trabalho, junto dos seus amigos e junto do seu marido. Se a princípio Margo pensava que estava a fazer um favor à coitada da jovem, ao ajudá-la a evoluir como actriz, as suspeições que mais tarde começam a surgir-lhe de que o objectivo de Eve poderá, não ser afinal, assim tão inocente quanto isso, levam Margo a libertar a sua fúria, mas ultimamente reclamando para si o que lhe pertencia. Entretanto, dotada de grande inteligência e de uma falsa naiveté que até irrita, Eve consegue penetrar no circuito social e nos píncaros de Hollywood, não olhando a meios para subir a pulso ao topo, nem que para isso tenha de pisotear todos aqueles que outrora lhe deram uma mão. Contudo, ela fica a perceber que a lealdade de todos para com Margo é bastante mais forte do que a admiração que todos lhe nutrem e compreende então que o negócio de ser uma estrela é muito solitário, rodeado de intriga e muita desconfiança.


Frase imortal:


«Nice speech, Eve. But I wouldn't worry too much about your heart. You can always put that award where your heart ought to be.»
- Margo Channing (Bette Davis)


Como é óbvio, um filme destes, ainda para mais com um tema destes - sobre os bastidores de Hollywood -, como é que não poderia ter-se tornado um clássico?


Nota: A


Argumento: A+
Realização: B+

Apreciação Individual:

Bette Davis - A+
Anne Baxter - B+
George Sanders - B+
Thelma Ritter - A-
Celeste Holm - B
Gary Merrill - B
Marilyn Monroe - B+