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DIAL P FOR POPCORN

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Triologia - INFERNAL AFFAIRS (2002/2003)



"What thousands must die, so that Caesar may become the great."

Adquiri esta triologia numa edição especial que a Fnac lançou há alguns anos (e que penso ultimamente voltou a produzir) cuja informação na capa é "A triologia que inspirou Martin Scorsese, Realizador de "Entre Inimigos"". Ora, isto foi exactamente no ano em que Scorsese deu cabo de toda a concorrência e arrebatou os prémios de melhor Realizador, melhor Filme, melhor Argumento adaptado e melhor Edição.
Foi portanto com bastante interesse e curiosidade que me decidi a descobrir esta pérola vinda do Oriente. Vou dividir a minha crónica fazendo uma apreciação de cada filme, de uma forma sucinta para que não se torne cansativa e demasiado longa.


Infernal Affairs I


O filme que Scorsese copiou. Não me vou colocar com rodeios, pois quem vir este filme e vir The Departed perceberá que as semelhanças são grotescas e que a versão americana, ao ser uma cópia, não é de modo nenhum tão boa quanto o original. Este é sem dúvida o melhor filme da triologia que se baseia nos agentes infiltrados que existem tanto na polícia como na máfia de Hong Kong.


Chan Wing Yan (Tony Leung) é um veterano da polícia, perito em desmantelar redes organizadas e que trabalha no grupo do manfioso Hon Sam (Eric Tsang), sob as ordens do Superintendente Shing (Chau-Sang) que, na sua equipa tem também um infiltrado que trabalha para Hon Sam: Ming (Andy Lau) é para mim a personagem mais complexa, reboscada e intrigante de toda esta história. Infernal Affairs é um verdadeiro jogo do Gato e do Rato, em que só um poderá vencer.

Nota Final: A-

Trailer:




Infernal Affairs II



É um filme complexo. Um filme passado dez anos antes do anterior, conta-nos como começaram Ming e Yan, os heróis do primeiro filme. É um filme que exige atenção por parte do espectador, pois envolve vários espaços temporais, várias personagens que, muitas delas, entram e saem em curtos espaços de tempo sendo complicado fixar todos os nomes, caras e respectivos cargos.



Considero-o um filme muito interessante e que nos demonstra como a aparente tramóia de Infernal Affairs 1 é tão pequena e tão banal quando comparada com toda a organização que envolve o combate entre a polícia e a máfia. Eu gostei bastante, não sendo um filme tão facil quanto o primeiro é um filme que responde a muitas das dúvidas que ficam no ar depois de Infernal Affairs 1.

Nota Final: B+

Trailer:



Infernal Affairs III

O mais fraco dos três filmes, que explora uma ideia já esgotada, mas que surge com a necessidade de fechar o ciclo da grande história criada por Alan Mak e Felix Chong. É um filme confuso, também ele com constantes alterações do espaço temporal e que nos fala dos tempos que antecederam e que precederam a história contada em Infernal Affairs 1. Por isso mesmo há constantes trocas de personagens, entradas e saídas que confundem o espectador e que nos deixam com algumas interrogações. Pessoalmente não gostei tanto quanto gostei dos outros, mas percebo a necessidade do filme.

Nota Final: B-

Trailer:


Evitei contar-vos a história de Infernal Affairs (a grande maioria de vocês conseguem-na deduzir se tiverem visto o filme de Scorsese), principalmente no terceiro filme, pois têm muita influência naquilo que é a grande história de Infernal Affairs (o primeiro filme) e prefiro não vos revelar as surpresas que vão encontrar (sobretudo no segundo filme).


É uma obra fantástica, uma história muito bem pensada e imaginada e que merecia sem dúvida muito melhor tratamento e consideração, tanto por parte da Academia como de Scorsese que precisou de roubar uma ideia para conseguir o Oscar que há tanto perseguia.

Takeshi Kitano - KIDS RETURN (1996)



Começo hoje as crónicas sobre alguns dos mais importantes filmes de Takeshi Kitano. Seleccionei os filmes entre 1996 e 2003, pois aparentam ser os anos de melhor produtividade deste grande realizador.
Hoje apresento-vos Kids Return, um filme que demonstra já algumas das qualidades que marcam os filmes de Takeshi Kitano: um realizador directo, duro, sem rodeios e capaz de abordar temas controversos e importantes na sociedade actual, sem qualquer problema em ferir susceptibilidades.


Kids Return é sobretudo um filme sobre falhados. Sobre aqueles sonhos que imaginamos em crianças mas que, por este ou aquele motivo, acabamos por não os conseguir concretizar. Sendo construído à volta de 2 personagens principais e uma outra (mais low-profile) que aparece a espaços, todas elas têm uma característica em comum: são pessoas influenciáveis, imaturas e irresponsáveis.


Masaru
e Shinji são dois adolescentes, amigos desde infância, que desistem de estudar e investem o seu tempo em pequenos assaltos a colegas e diabruras aos professores. No entanto, quando certo dia se preparavam para assaltar novamente 2 rapazes, estes reservam uma pequena surpresa a Masaru que é espancado por um jovem pujilista. Decidido a vingar-se, Masaru inicia as aulas de boxe e arrasta Shinji consigo. Ao perceber que não nasceu para o boxe, após ser derrotado num combate com Shinji, Masaru desaparece e deixa o seu amigo sozinho, tentando a sua sorte no mundo da máfia japonesa. Shinji, sem mais nada para fazer senão treinar, desenvolve as suas capacidades e aos poucos começa a dar mostras de ser um promissor pujilista. Mas, com Takeshi Kitano, o mundo é real e não há lugar para contemplações. É esse mundo que vos convido a descobrir.


Nota Final: B

Trailer:



Informações Adicionais:
Realização: Takeshi Kitani
Argumento: Takeshi Kitano
Ano: 1996
Duração: 107 minutos

IP MAN (2008)


Intrigou-me a sua nota no imdb.com (8,2). Embora a ideia do filme não me atraísse e uma vez que não sou um adepto dos filmes de acção, decidi vê-lo para descobrir o que estava por detrás de tantos elogios.

Ip Man (Donnie Yen) é um filme sobre aquele que foi o grande mestre de uma das maiores (para muitos a maior) lenda do cinema de acção e das cenas de pancadas, Bruce Lee. Um filme que misturou as habilidades de Ip Man com a invasão que o Japão fez à China na década de 30, toda a acção se desenrola em Fatshan, considerado o grande centro de Kung-Fu na época.

Ip Man é um lutador sem rival, mas cuja personalidade humilde e amável a todos agrada. Vive bem, com a sua mulher e o seu filho. Após a invasão do Japão, Ip Man vê-se obrigado a mudar de casa e a ter que trabalhar nas minas de carvão. E é aí que descobre a fuga para todo o pesadelo que a sua cidade, antes próspera e feliz, agora ultrapassa vivendo os seus habitantes endividados, com fome e em casas em ruínas.

Um filme com um histórias interessante, mas cujo forte se encontra claramente nas cenas de acção. Há muita arte marcial e muito cuidado na coordenação das cenas. É bem explorada a vertente das ideologias do Kung-Fu e todas as cenas são realizadas com realismo, praticamente sem intervenção de duplos (e aí honra seja feita a Donnie Yen, com uma bela prestação) ou efeitos especiais, o que agrada ao olhar e especialmente aos fans.


Nota final: B

Trailer:


Informações Adicionais:
Realização: Wilson Yip
Argumento: Edmond Wong
Ano: 2008
Duração: 106 minutos.

IN THE MOOD FOR LOVE (2000)


Criado por Kar Wai Wong (Wong Kar-Wai) (que conta no seu currículo com o (também) aclamado Chucking Express e 2046), In the Mood for Love ("Disponível para Amar") fala-nos de uma peculiar história de amor.

Estamos em Hong Kong, no ano de 1962. Mrs. Chan (Maggie Cheung) e Mr. Chow (Tony Leung Chiu Wai) tornam-se vizinhos por mera curiosidade. Ambos casados, ele jornalista e ela secretária, estabelecem um primeiro contacto no dia das mudanças. Somos logo aí confrontados com a primeira curiosidade deste filme: nunca durante todo o filme, Mr. Chan e Mrs. Chow (respectivos companheiros) mostram a cara. São sempre filmados de costas, como se cada um deles transportasse um segredo ou até mesmo dando-nos a ideia de que são demasiado insignificantes para sequer haver necessidade de se mostrarem e de o espectador os conhecer.

Mr. Chan, como atribulado homem de negócios que é, passa grande parte do seu tempo em viagem. Vemos em Mrs Chan uma mulher que, embora solitária e carente enfrenta os dias com uma ilusória alegria, que criou como forma de distracção à ausência do marido. Mr. Chow, um homem apaixonado pela sua mulher começa inesperadamente a ser relegado para 2.º plano por esta. As discussões começam e cedo Mrs. Chow abandona o marido e desaparece do filme.


É então que a nossa história de amor começa. Mr. Chow começa a reparar em Mrs. Chan sempre que regressa do trabalho. Esta, com frequência, sai à rua pela hora do jantar para comprar massa para a refeição. Aos poucos Chow e Chan vão-se aproximando, ganham intimidade e rapidamente se tornam bons companheiros. Ambos sozinhos, abandonados pelos respectivos cônjuges, com sentimentos de dor e solidão comuns, encontram entre si e na sua amizade o pronto-socorro que precisavam. Os dias tornam-se alegres para ambos.

Momento do Filme: Poderia falar-vos de vários. Quase todo o filme é marcado por grandes cenas e grandes momentos. São várias as sequências em que somos obrigados a rendermo-nos à genialidade e grandeza de Kar Wai Wong. No entanto, há uma cena que dificilmente esquecerei: O diálogo entre Mr. Chow e Mrs. Chan durante um jantar, em que ele elogia a mala dela e ela elogia a gravata dele, ambos confirmam as suspeitas que já tinham. Os seus companheiros estavam juntos e, desde há muito, os traíam.

In the Mood for Love é a história de um amor proibido, contada por um verdadeiro poeta dos cinemas. Não bastava a história ser incrivelmente brilhante, Wong juntou-lhe ainda uma banda sonora maravilhosa (da qual vos deixo aqui a música mais emblemática). Uma direcção digna de um A-, marcada por planos que engrandecem ainda mais a história que nos é contada. O argumento de In the Mood for Love é, só por si, muito bom (A-). No entanto, o toque pessoal de Wong fez com que ele nos fosse apresentado de uma forma única, tornando este filme, num dos pontos mais altos de sempre da história do cinema asiático.



Nota Final: A-

Trailer:

Informações Adicionais:Realização: Kar Wai Wong
Argumento: Kar Wai Wong
Ano: 2000
Duração: 93 minutos

IKIRU (1952)




"You've never had a day off, have you?" "No." "Why? Are you indispensable?" "No. I don't want them to find out they can do without me."


Acabei de ver esta obra-prima e não aguentei ficar calado. Akira Kurosawa é um visionário. É um homem muito à frente do seu tempo, um homem que imaginou no inicio do século XX, aqueles que seriam os mais graves e controversos problemas do ser humano na nossa actualidade. Estou deliciado, maravilhado e completamente rendido.

Kanji Watanabe é um moribundo e conformado chefe de uma secção de serviços públicos. Funcionário exemplar, cumpriu 30 anos de serviço sem dar uma única falta. Considerava-se sempre muito ocupado, sem tempo para mais nada que não o trabalho. Era viuvo e desde muito cedo se viu obrigado a criar sozinho o seu filho, a quem tudo deu e por quem tudo fez. Viveu para o trabalho, para que nada nunca faltasse ao seu filho. No entanto, chegado à velhice e deparando-se com o casamento do seu filho, percebeu que este não lhe iria retribuir de uma forma generosa e grata todo o esforço que por ele tinha feito. Deixou-se arrastar com o tempo, levando cada dia como mais um.


Até que um dia descobre que tem cancro do estômago. Na altura, terrivelmente fatal. Watanabe tinha a partir desse dia, um prazo de validade: 6 meses.

E eis que tudo na sua vida muda. Uma volta de 180 graus, um abanão que o faz acordar da irracional sonolência para a qual se deixou levar. Decide então viverá a sua vida como nunca o fez antes, apreciará cada momento e retirará lições e conclusões de todas as suas acções. Traça uma meta: Construir um parque infantil, numa zona urbana dificil, ignorada, negligenciada e votada ao esquecimento pelas autoridades da cidade.


Lido isto, parece-nos um argumento repetido, uma história 100 vezes contada. A realidade é que tudo o que temos visto desde então relativo a este tema, não são mais do que a cópia (quase todas elas muito mal feitas) daquele que é o mais magistral de todos os originais. Arika Kurosawa expõe-nos como ninguém o significado da já celebre frase "Carpe Diem" e, terminado o filme, percebemos que nos foi transmitida uma grande lição, que nos faz reflectir e ponderar aquilo em que os nossos dias se transformaram.

Espero sinceramente ter-vos cativado para ver o IKIRU. É um filme obrigatório, memorável e eterno.


Nota Final: A


Trailer:



Informação Adicional:
Realização: Akira Kurosawa
Argumento: Akira Kurosawa, Hideo Oguni, Shinobu Hashimoto
Ano: 1952
Duração: 143 minutos

MEMORIES OF MURDER / SALINUI CHUEOK (2003)


Um dos Thrillers mais intensos que já vi. É um filmaço que garanto aos fãs deste género de cinema, certamente não vão querer perder!

Baseado numa história real passada no Japão no ano de 1986, tudo começa com a descoberta em dias diferentes e num curto espaço de tempo, numa fossa, de duas jovens mortas com claros sinais de uma violação, e com as evidências de uma morte semelhante. Embora detective local Park Doo-Man esteja relativamente preocupado com o misterioso aparecimento destes corpos, não dispõe do material correcto para avaliar o sucessido e portanto deixa que o caso se prolongue, até à chegada do detective Seo Tae-Yoon que vem de Seul com as melhores e mais avançadas tecnologias da altura.


Seo Tae-Yoon cedo se apercebe da complexidade do caso e tenta alertar, em vão, os locais (polícias e habitantes) para o que se estava a suceder. As suas primeiras conclusões são ignoradas: O assassino apenas comete os crimes em noites chuvosas, escolhe apenas as mulheres que utilizam lingerie vermelha e telefona sempre para a rádio a pedir para que seja passada uma música em particular.
Como forma de mostrar serviço, os detectives locais fazem duas detenções sem grande fundamento e começam a espancar os detidos para conseguirem uma confissão: Um jovem com problemas mentais e um infeliz que foi encontrado a masturbar-se no local do crime.


Um bom filme, ao nível daqueles a que os asiáticos já nos habituram. É um filme duro, mas pleno de intensidade e complexidade. Não é um filme fácil, mas, no meu entender, obrigatório.


Nota Final: A-

Trailer:



Informações Adicionais:
Realização: Joon-ho Bong
Argumento: Joon-ho Bong, Kwang-rim Kim e Sung bo Shim.
Ano: 2003
Duração: 129 minutos.

BATTLE ROYALE / BATORU ROWAIARU (2000)



Confesso-vos desde já a minha ignorância para com o enorme mundo do cinema asiático. Vi poucos filmes asiáticos, mas praticamente todos os que vi guardo-os como dos que mais gostei até hoje.Algo que admiro bastante nos asiáticos é a facilidade com que colocam de parte o sentimento, o cliché, o politicamente correcto. A mestria com que lidam com as emoções provocadas pela morte, pela solidão, pela vingança.

O primeiro dos filmes asiáticos de que vos quero falar chama-se Battle Royale e é das ideias mais macabras que alguma vez vi uma mente conceber. Adorei-o, sem dúvida. Feito apartir do livro de Koushun Takami, recomendei-o durante semanas a todos os que estavam perto de mim. É um filme de um realizador e de um escritor corajosos, capazes de pôr no ecrã ideias que muitos tiveram receio de colocar no papel.
Este filme passa-se no início do século 21, numa altura em que o mau-comportamento, a irreverência e a falta de educação reinava nas escolas do Japão. Como forma de corrigir o que se passava, o governo japonês decide criar o programa Battle Royale.
Em que consiste este programa? É simples (e ao mesmo tempo terrivelmente macabro): Uma turma de 42 alunos (21 M e 21 F) (neste caso o 3.ºB) é seleccionada para aquilo que pensa ser uma "Viagem de Sonho". Ao entrarem para o autocarro, sem que se apercebam, são drogados e apenas acordam quando já estão numa sala de aula, aparentemente desconhecida. Reparam então que cada um tem ao pescoço uma coleira. Estranhando o que se passava, aparece então na sala Yonemi Kamon, o responsável pelo programa e que rapidamente lhes explica as regras do jogo:
- Os estudantes terão 3 dias para se matarem uns aos outros. Ao fim dos 3 dias apenas poderá haver um sobrevivente. Se no final dos 3 dias houver mais do que um sobrevivente, os que sobreviverem morrerão.- Ao fim de cada 24 horas tem que haver pelo menos 1 morto, se isso não acontecer, morreram todos.
- Cada um tem uma coleira que permitirá aos organizadores do jogo saber onde estão, impedindo assim que saiam da ilha. A coleira explode caso tentem sair da ilha ou a tentem retirar.
- É dado a cada aluno um mapa e uma arma. Podem recolher outras armas durante o percurso.
- A cada 6 horas é anunciado em megafones por toda a ilha quem foram os alunos que morreram nas ultimas 6 horas e quais as áreas onde é proibido entrar (evita assim que alunos se escondam em casas para não serem mortos, uma vez que, se entrarem nessas áreas, a coleira explodirá)


Um filme que explora os lados mais sombrios do ser humano. Um filme que expõe o quão frágil , o quão primata o ser humano pode ser, colocando de parte os seus valores e a racionalidade, quando colocado perante situações de vida ou morte. E tudo isto, representado em crianças de 14 e 15 anos. Se tivesse que resumir este filme numa palavra, utilizaria o termo inglês Insanely. Battle Royale é um filme que me enche, por completo, as medidas!



Nota Final: A!

Trailer:

Informação Adicional:
Realização: Kinji Fukasaku
Argumento: Adaptação de Kenta Fukasaku do livro de Koushun Takami.
Duração: 114 minutos
Ano: 2000