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DIAL P FOR POPCORN

DIAL P FOR POPCORN

Pergunta: Saber cantar é importante nos musicais?

Seis razões que justificam a utilização de actores que sabem cantar e dançar em filmes musicais:

1.

Meryl Streep, "Death Becomes Her" (1992)



2.
Marion Cotillard, "Nine" (2009)


3.

Catherine Zeta-Jones e Queen Latifah, "Chicago" (2002) - cena cortada


4.

Barbra Streisand, "Funny Girl" (1968)


5.

Judy Garland, "The Wizard of Oz" (1939)



6.

Liza Minnelli, "Cabaret" (1972)


Pura e simplesmente fazem um filme muito melhor.

Retrospectiva Óscares: 2006

Como sabem, a rubrica semanal "Retrospectiva dos Óscares" vai servir para fazer um pequeno balanço das cerimónias, do ano mais recente (2009) para trás, avaliando os seus pontos bons e as coisas mais fracas. Esta semana pegamos em 2006, portanto na cerimónia que teve lugar a 25 de Fevereiro de 2007.


2006

A Surpresa: a surpresa, essa, foi mesmo nos nomeados. Filmes de grande nome que foram deixados de fora da luta pela maioria das categorias, como "The Painted Veil" e "The Fountain", um dos favoritos dos críticos "Bobby" e um dos favoritos do público, o filme de estreia de Reitman, "Thank You For Smoking", todos foram ignorados. O choque foi mesmo no aparecimento, no dia do anúncio dos nomeados, de "Letters from Iwo Jima" na lista dos cinco candidatos a Melhor Filme, enquanto um filme que era tido como certo, "Dreamgirls", não constava (situação algo semelhante à de "The Dark Knight" em 2008). Além disso, muitas outras surpresas apareceram noutras categorias - a que mais me apetece relevar é a ausência de "Volver" para Melhor Filme Estrangeiro, que até hoje não consigo entender.


A Inclusão / A Exclusão: parece-me claramente que a inclusão mais significativa foi aquela que eu referi já acima, com "Letters from Iwo Jima", o filme complementar a "Flags of Our Fathers" do ano anterior, realizados ambos por Clint Eastwood, que não era suposto ter surgido na corrida, sendo falado maioritariamente em língua estrangeira e, apesar da crítica ter gostado bem mais deste do que do predecessor, os prémios que antecederam os Óscares não lhe tinham sido favoráveis, daí que foi com algum choque que as pessoas encararam a sua nomeação sobre um dos favoritos, "Dreamgirls", que tinha ganho vários prémios e conseguiu, mesmo assim, 8 nomeações e 2 vitórias.


A Vitória Mais Merecida: não há como fugir a isto: todo o mundo ficou satisfeito de ver finalmente Martin Scorcese levantar o troféu de Melhor Realizador. Para tal circunstância, até os produtores do evento trouxeram a cavalaria pesada para apresentar o momento: George Lucas, Steven Spielberg e Francis Ford Coppola vieram entregar o prémio ao amigo. E se muita gente acha que talvez não tenha sido o filme pelo qual ele mais merecia (alguns acham que devia ter ganho em 2004 por "The Aviator", quando Eastwood lhe roubou o prémio por "Million Dollar Baby", alguns até mais cedo... é capaz de ser, com o terceiro (futuramente, espero eu) de Meryl Streep, o Óscar mais devido de sempre) toda a gente concorda: it's about time!

A Vitória Mais Surpreendente: a maioria das categorias estavam decididas desde o início da corrida a sério aos Óscares, mas não há como entender como é que "Cars", sendo ainda assim um dos filmes mais fracos da Pixar, tenha perdido o Óscar para "Happy Feet" depois de ter ganho todos os precursores. Mas o filme sobre os pinguins dançantes lá conseguiu.

A Vitória Mais Significativa: a Academia podia ter escolhido outro vencedor, mas o facto que ela escolheu "An Inconvenient Truth" de Guggenheim, estrelado por Al Gore, simboliza qual a posição que toma no duelo Bush-Gore e, acima de tudo, funciona como um passo em frente dado pela indústria na luta por um meio ambiente melhor, como Gore bem frisou no discurso.


A Categoria Mais Renhida: se formos a ver as categorias com melhor qualidade de nomeados, essas serão a de Fotografia e a de Actriz. Helen Mirren tinha que ganhar (sabíamos disso desde o início) mas isso não invalida que ela seja, na minha opinião, a mais fraca das cinco nomeadas, pois na categoria estava uma impecável Kate Winslet em "Little Children", uma extraordinária Judi Dench em "Notes on a Scandal", uma transcendente Penélope Cruz em "Volver" e uma lendária Meryl Streep em "The Devil Wears Prada". Na de fotografia, excluindo talvez "The Black Dahlia", temos também quatro belíssimos nomeados: Pfister por "The Prestige", Lubezki por "Children of Men", Pope por "The Illusionist" e o vencedor, Navarro por "Pan's Labirynth". Se pegarmos na categoria mais renhida propriamente dita, essa é a de Actor Secundário, que falaremos mais abaixo em O Duelo da Noite.

A Desgraça: que esta semana também é O Pesadelo, pois não há assim grande coisa com que discorde, foi para mim a categoria de Melhor Filme Animado. Horrorosa. E é o melhor que lhe posso chamar. Dois filmes fraquíssimos ("Cars" e "Happy Feet") de estúdios com ofertas tipicamente mais interessantes, com a agravante da ausência da Walt Disney Pictures da corrida, nomeado normalmente certo e com o melhor filme, "Monster House", a não ser sequer tido em conta na corrida. Ganhou "Happy Feet", o que piora ainda mais a situação.


O Desnecessário e O Imerecido: não há assim nada que seja propriamente imerecido mas um segundo Óscar a Gustavo Santaolalla, à 2ª nomeação, mesmo que seja até compreensível, soa a algo desnecessário, se considerarmos que temos na categoria quatro outros nomeados extraordinários (Desplat, Navarrete, Glass e Newman) sem vitórias ainda. Também podemos falar da vitória de "The Departed" em Melhor Argumento Adaptado que, sem dúvida correcta, podia ter ido para "Borat", premiando a originalidade louca de Sascha Baron Cohen e companhia.

O Duelo da Noite: há dois com algum significado. O primeiro, Melhor Filme Animado, já foi falado acima, com "Happy Feet" a surpreender e a sobrepor-se a "Cars" na luta pelo prémio mais cobiçado (ficou "Cars" com a consolação de uma grande receita de bilheteira, a aclamação nos Annie Awards e mais prestígio para a Pixar). O segundo teve lugar na categoria de Melhor Actor Secundário. Eddie Murphy ("Dreamgirls") limpou uma boa parte dos prémios, deixando o resto maioritariamente para Alan Arkin ("Little Miss Sunshine"), tornando-se os dois candidatos principais à estatueta. Murphy tinha, à partida, a vantagem, mas o momento era todo de Arkin, que muitos pensavam já merecer ter ganho um Óscar. E na hora da verdade, foi mesmo o veterano que triunfou. Consolação para Murphy? Não houve nenhuma, a não ser que contemos as 2 vitórias de "Dreamgirls", incluindo uma para a colega Jennifer Hudson como Actriz Secundária.


Crítica Final: Uma boa noite em termos de vencedores (os quatro vencedores como Actores não são as minhas escolhas pessoais - essas seriam Streep, Gosling, Sheen e Blanchett - mas tendo em conta os nomeados e tendo em conta como foi a corrida para a cerimónia, agradeço aos Céus terem sido estes), interessante apresentador, uma cerimónia algo aborrecida, com o declínio agravado que se sabe dos últimos anos. Nota: B


O Cinema Numa Cena

Bem-vindos a mais uma rubrica semanal aqui no Dial P for Popcorn - "O Cinema Numa Cena" tenta mostrar as nuances de uma interpretação fora-de-série numa cena pivotal do seu filme. Esta semana escolhemos uma actuação absolutamente impecável: Catherine Zeta-Jones, em Chicago (2002).


Por muito que se queira discutir os méritos da sua vitória nos Óscares (personagem secundária ou co-protagonista? Meryl Streep em Adaptation ou Julianne Moore em The Hours não mereciam mais a estatueta?) há que admitir que a sua interpretação como a agora falhada Velma Kelly, outrora uma grande estrela, que faz a vida negra à protagonista Roxie Hart, é extraordinária. Eu diria que é das melhores representações de estrelas com ar de diva e com uma atitude dos diabos de todos os tempos (de pôr Liza Minnelli orgulhosa). E, por muito mais que eu adore Meryl Streep, tenho de admitir que ela é fenomenal.

E se bem que eu ache que "All That Jazz" é a melhor música/cena do filme, a sua rendição perfeita de "I Can't Do It Alone" é a cena que mais me fica na retina. Se nos lembrarmos que ela estava grávida... Ainda mais espanto me causa: