Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

DIAL P FOR POPCORN

DIAL P FOR POPCORN

Personagens do Cinema - Dr. Strangelove



Mais uma personagem de Stanley Kubrick. Mais uma personagem mítica e eterna do cinema. Mais um grande actor, sobre o qual Kubrick conseguiu espremer todo o rendimento possível.
Dr. Strangelove é um dos melhores (senão mesmo o melhor) papel de Peter Sellers (que no mesmo filme faz também de Capitão Lionel Mandrake e de Presidente Merkin Muffley), que ao encarnar o papel de um ex-nazi, um cientista louco confinado a uma cadeira de rodas representa uma enormíssima crítica negra feita à evolução bélica e ao aparecimento do novo mundo das armas nucleares.

É uma daquelas personagens que enche um filme. Dr. Strangelove é Peter Sellers. É um homenzinho, com uma figura característica e peculiar e com um pormenor delicioso: A sua mão que, aparentemente, tem vontade própria e que é a marca + evidente do seu passado nazi.

Infelizmente, nem Kubrick, nem Sellers nem Dr. Strangelove conseguiram passar das nomeações (Melhor Filme, Melhor Realizador, Melhor Actor e Melhor Argumento Adaptado) nos Óscares de 1965. No entanto, a grandeza do filme ultrapassou a injustiça e ficou para sempre na história do cinema. Dr. Strangelove é hoje olhado como um filme de culto, sobre o qual tenciono falar-vos em breve.

O Cinema Numa Cena

Bem-vindos a mais uma rubrica semanal aqui no Dial P for Popcorn - "O Cinema Numa Cena" tenta mostrar as nuances de uma interpretação fora-de-série numa cena pivotal do seu filme. Esta semana escolhemos uma cena que é um exemplo de força, profundidade e dramatismo. E nela, Holly Hunter e Anna Paquin, em particular, mostram-nos porque ganharam os seus respectivos Óscares, por "The Piano" (1993).




No que é para mim, senão o melhor, então um dos cinco melhores filmes dos anos 90, Holly Hunter é simplesmente de cortar a respiração e Anna Paquin é formidável e, por vezes, bastante arrepiante (uma interpretação fora-de-série para uma criança, na verdade) como a sua filha, que a atraiçoa - como podemos ver nesta cena - como castigo pela sua falta de atenção e negligência, à custa do seu affair com o vizinho que lhe comprou o piano - e entrega a tecla do piano (a forma de pagamento do vizinho pelos seus encontros amorosos) a Baines, o marido de Ada, a personagem de Holly Hunter, que como punição lhe corta um dos dedos. Cena impressionante com performances extraordinárias de todos os intervenientes.

Falarei do filme propriamente dito na rubrica "Recomenda-se" dentro de dias.

12 ANGRY MEN (1957)


Um dos meus filmes favoritos.
Grande película de Sidney Lumet que conta com um grande Henry Fonda. A ideia do filme explica-se em poucas palavras:
Um jovem é acusado de ter assassinado o Pai. O caso é levado a tribunal e, após ser exposto aos 12 jurados, estes reunem para decidir se o rapaz é culpado ou inocente. Um rapaz sem grandes posses, indefeso, sem um advogado digno está condenado à prisão.


No entanto, na sala dos jurados encontra-se Henry Fonda, a principio, o unico que defende a inocência do garoto. A discussão começa com 1 a favor da inocência do rapaz e 11 contra. É aí que a "acção" do filme começa e somos transportados para uma dimensão independente do filme, construída a partir da conversa entre os Jurados.
É um filme em que o próprio espectador imagina como terá sido a morte, cria o filme e se deixa convencer (naturalmente) pelos argumentos de Henry Fonda acabando por se sentir no papel de um dos outros 11 jurados.
Sem dúvida, um dos grandes filmes da história do cinema.

Nota Final: A (10)

Trailer:


Informações Adicionais:
Realização: Sidney Lumet
Argumento: Reginald Rose
Duração: 96 minutos
Ano: 1957

Retrospectiva Óscares: 2007

Como sabem, a rubrica "Retrospectiva dos Óscares" vai servir para fazer um pequeno balanço das cerimónias, desde o ano mais recente (2009) para trás, avaliando os seus pontos bons e as coisas mais fracas. Depois da análise a 2009 e a 2008, pegamos em 2007, talvez o melhor ano da década.


2007



A Surpresa: na categoria mais confusa da noite, Tilda Swinton ("Michael Clayton") ganhou o prémio de Melhor Actriz Secundária, quando poucos o previam, pois na mesma categoria estava quem tinha limpo a maioria dos prémios (Cate Blanchett, "I'm Not There"), a veterana que estava a ganhar buzz na corrida depois de ganhar o SAG (Ruby Dee, "American Gangster), a favorita da corrida (Amy Ryan, "Gone Baby Gone") e a jovem que surgiu quase do nada com uma interpretação arrebatadora - e nós sabemos como a Academia gosta dessas - e, como o seu filme ganhou Globo de Ouro - Drama, se se confirmasse a sua vitória na cerimónia, podia ser que ela também saísse honrada (Saoirse Ronan, "Atonement"). E muito sinceramente, por muito que eu tenha gostado de Ronan e Blanchett, Swinton foi formidável em "Michael Clayton" e mereceu ganhar.


A Inclusão Mais Significativa: Tommy Lee Jones por "In The Valley of Elah", que deve ter beneficiado da exclusão de Hirsch, além de ter nome de respeito na indústria, ser trabalhador e de ter, além deste papel, um papel secundário relevante no eventual vencedor de Melhor Filme, "No Country for Old Men". Claramente que entre os dois papéis, a Academia iria cair para o de protagonista se pudesse e foi esse o caso.

A Exclusão Mais Significativa: Émile Hirsch e até "Into the Wild" no seu todo, inexplicavelmente maltratado pela Academia, apesar de ter bastante pedigree, um realizador estreante que tem nome no seio da AMPAS (Sean Penn), um elenco de peso e ter sido um dos filmes com melhores críticas do ano. Houveram mais exclusões (Angelina Jolie, outra que não se percebe o porquê da não nomeação, Ryan Gosling, entre outros) mas nenhuma tão horrorosa como esta.


O Mais Merecido: algumas nomeações alegraram-me ter acontecido, mas a de Laura Linney por "The Savages" foi sem dúvida a melhor notícia desse ano. Mais coisas merecidas: os quatro actores vencedores da cerimónia (Bardem, Cotillard, Swinton e Day-Lewis), se bem que Julie Christie também seria uma excelente vencedora, caso ganhasse.

O Mais Imerecido: algumas nomeações tiraram-me do sério. Cate Blanchett não faz rigorosamente nada senão gritar e parecer ofendida em "Elizabeth: The Golden Age", mas mesmo assim consegue arrumar Jolie ("A Mighty Heart") da lista dos nomeados - sorte que não foi Ellen Page a arrumada. Na categoria de Melhor Actor, é Tommy Lee Jones ("In The Valley of Elah") que arruma com Émile Hirsch e Ryan Goslingm já para nem falarmos de Johnny Depp ("Sweeney Todd"), que também esteve bastante abaixo da sua categoria. E na categoria de Melhor Actor Secundário, quem me explica qual o valor da interpretação de Phillip Seymour Hoffman em "Charlie Wilson's War"? Não vale nada. Nada.


O Desnecessário: Era completamente desnecessário ter dado Melhor Realizador, Melhor Argumento Adaptado e Melhor Filme a "No Country for Old Men". Podiam ter feito como em 1972 e repartido os prémios ("Cabaret" ganhou Melhor Realizador, "The Godfather" foi Melhor Filme, como devia ser). Mas não. Os Coen estavam destinados a limpar a cerimónia. Mas a verdade é que para mim o Melhor Argumento Adaptado foi o de "Atonement". E o Melhor Filme era "There Will Be Blood". E sim eu daria aos irmãos Coen o prémio de Melhor Realizador.

A Desgraça: darem o prémio de Melhor Direcção Artística a "Sweeney Todd". Que musical tão pobre. Que filme tão empobrecido de Tim Burton. Com quatro nomeados na categoria bem melhores.

O Pesadelo: "Bourne Ultimatum" ser o segundo maior vencedor da noite, atrás de "No Country for Old Men". Vão-me dizer que indubitavelmente tinha o melhor editor de som, o melhor misturador de som e a melhor edição? Sem comentários. É só por ser filme de acção, ter algum renome e ter sido um sucesso.


O Incompreensível: se já se sabia que "Persepolis", um dos melhores filmes animados de sempre, não iria conseguir derrotar "Ratatouille" como Melhor Filme Animado, por que razão não se tentou colocá-lo também como Melhor Filme Estrangeiro, que foi a categoria, em comparação, com os nomeados mais fracos dos últimos anos, vencida por (mais) um filme político, "The Counterfeiters". Com "Waltz With Bashir", foi ao contrário. A Academia tem cada uma de vez em quando...

A Melhor Vitória: Robert Elswitt, o fotógrafo de "There Will Be Blood". Tudo bem que isso significa que Roger Deakins (que tem múltiplas nomeações e zero vitórias e tinha duas nomeações em 2007, ambas meritórias) não tenha ganho mas a verdade é que o filme de Paul Thomas Anderson adquire muito do seu estatuto como clássico para a história à extraordinária qualidade da fotografia do filme. A outra grande vitória da noite foi na Melhor Canção Original. "Falling Slowly", de "Once", é tocante, profunda e melancólica.


O Duelo da Noite: foram vários, mas principalmente Melhor Actriz (Christie vs. Cotillard), Melhor Actriz Secundária (Dee vs. Ryan vs. Blanchett vs. Swinton vs. Ronan) e Melhor Filme e Melhor Realizador, que são os dois que vou abordar. "There Will Be Blood" teve 8 nomeações e ganhou 2 Óscares (Actor e Fotografia) e foi o grande perdedor da noite, ao ver fugir os três principais prémios - Argumento Adaptado, Filme e Realizador - para "No Country for Old Men", que juntou Actor Secundário a estes, ganhando 4 Óscares em também 8 nomeações. Estes dois foram, invariavelmente, os dois melhores do ano. A eles eu juntaria de facto os três companheiros nomeados para Melhor Filme, mais a animação "Ratatouille" e uns dois ou três filmes e comporia o meu top-10 de filmes do ano. Escusado será dizer que não concordo com o resultado deste duelo (como já referi acima).

De Toy Story a Toy Story: o meu top da Pixar

Concluída então que (finalmente) está a minha crítica ao "Toy Story 3", torna-se para mim essencial fazer uma espécie de balanço. Devia até tê-lo feito quando muitos o fizeram, em 2009, quando a Pixar atingiu a dezena de filmes com "Up!". Contudo, optei por só fazê-lo agora, primeiro por considerar que não há qualquer hipótese de eu vir remotamente a gostar de "Cars 2" que é o filme que a Pixar lançará no mercado em 2011 e depois porque tive um ano para maturar a minha opinião sobre "Up!" que, diga-se, é bastante mais amado do que o que devia ser. Continua, todavia, a ser adorável e fantástico à mesma.


E o que é se entende por balanço? Pois bem, vou pegar nos onze filmes da Pixar e ordená-los em função da minha preferência por cada um. Claro que sendo uma lista bastante pessoal irão haver imensas opiniões contrárias à minha, mas no entanto desafio-vos a colocarem aqui nos comentários as vossas sugestões e a complementarem a minha (se tiverem blogues, façam-no nos vossos blogues que eu aqui inserirei a hiperligação para o vosso post).


Vamos então partir para a hercúlea tarefa de ordenar os onze filmes da Pixar:

#11

CARS / CARROS (2006)

Invariavelmente, eu tinha que pegar neste. É o único espinho encravado da Pixar. Um filme sem rumo, engraçado e até entretido por vezes, mas muito bizarro e completamente fora de tom com toda a restante filmografia da Pixar. Ainda para mais com John Lasseter a realizar, não percebo como este projecto foi dado como finalizado quando havia ainda tanto a melhorar no filme. (Nota: B-)


#10


A BUG'S LIFE / UMA VIDA DE INSECTO (1998)

O filme de estreia de Andrew Stanton como realizador (bem, co-realizador, com Lasseter) tinha a pesada tarefa de igualar ou superar as expectativas criadas após "Toy Story". E não se pode dizer que tenham sido defraudadas, apesar da qualidade do argumento ser claramente mais baixa, do filme ter sido bem menos sucedido e da ideia ter vindo numa má altura, estreando no mesmo ano de "AntZ", também sobre formigas, da rival Dreamworks. Ainda assim, excelente a nível estético, com cenários lindíssimos gerados em CGI. (Nota: B)


#9

TOY STORY 2 / TOY STORY 2 - EM BUSCA DE WOODY (1999)

A sequela de "Toy Story" tinha uma grande herança para aguentar. Sendo que conseguiu ser um extraordinário sucesso e superar as expectativas iniciais, o filme é invariavelmente menos poderoso emocionalmente que o primeiro e indubitavelmente menos inesquecível que o terceiro. É, contudo, uma excelente história e contém uma poderosa mensagem de amizade, de coragem e de nunca desistir dos outros. (Nota: B+)


#8

THE INCREDIBLES / OS INCRÍVEIS (2004)

Para mim, este filme merece mais crédito que o 8º lugar. Mas não consigo encontrar forma de o subir na lista, não depois de ter revisto "Toy Story" e "Monsters, Inc." que eram os dois filmes que estavam abaixo deste na minha lista provisória. Enfim. Diria de qualquer forma que este e os dois filmes acima estão em pé de igualdade na minha mente. Brad Bird já tinha realizado "The Iron Giant" em 1999, o que já me dava certa confiança na qualidade deste filme. Mas quando eu vi o que ele tinha planeado para nós... Este é pura e simplesmente um dos melhores filmes de super-heróis de sempre. E é um filme animado. Que pega numa família ordinária, igual a tantas outras e a transforma em tanto mais. E consegue não cair no ridículo de ser uma caricatura rasca de "Fantastic Four" ou "X-Men". (Nota: B+)


#7


TOY STORY / TOY STORY - OS RIVAIS (1995)

Admito que este poderá ser o lugar mais discutível da minha lista. É, no final de contas, de um filme que muitos consideram perfeito que estamos a falar. Para mim, não é perfeito. Gosto muito do filme, mas nunca senti tão grande apego às personagens como outras pessoas. Achei que o argumento era fantástico, a caracterização das personagens muito sólida, a banda sonora genial (talvez a única vez que eu não ache Randy Newman irritante - "You've Got a Friend in Me" é lendária) e mesmo a ideia é refrescante, mas ainda assim não me enche tanto as medidas como os filmes acima e por isso mesmo a sua colocação neste lugar. Aberta a discussão, como é óbvio. (Nota: B+)


#6


MONSTERS, INC. / MONSTROS E COMPANHIA (2001)

Quis por tudo colocar este filme (ainda) mais alto, mas mais alto que isto, com a concorrência que ele tem acima, não consegui. Será, por ora, aquele que muita gente colocaria mais abaixo. Mas eu não posso. Eu adoro este filme. Além de ser, na minha opinião, a ideia mais original da Pixar, é inacreditável como duas personagens como Sulley e Mike são portadoras de tanta humanidade (para isso ajuda também o facto de Billy Crystal e John Goodman serem vozes que assentam como uma luva em Mike e Sulley, respectivamente). Ainda por cima, é de longe o filme mais divertido da lista. E é aquele que as pessoas mais desprezam. É uma jóia à espera de ser revisitada. Façam-no e depois discutam comigo. (Nota: B+)


#5


UP! / UP! - ALTAMENTE (2009)

Adorei o filme quando o vi, apesar das suas falhas me terem obviamente irritado um pouco. Repetindo a visualização... é menos impressionante. A sequência da vida do casal ao som de "Married Life" é possivelmente das melhores cenas de cinema de sempre e devia ser estudado por todo e qualquer estudante da arte que se preze. É assim tão fenomenal. Felizmente, o filme não perde fulgor após essa cena e é todo ele uma maravilha de se experienciar. E embora merecidamente nomeado para Melhor Filme, não se deve esquecer que só o foi porque não um mas dois filmes antes, bastante mais merecidamente, não o foram. (Nota: A-)


#4


RATATOUILLE / RATATUI (2007)

Cá está um dos filmes a que me referi anteriormente. O cenário de Paris é só por si idílico, a personalidade criada por Brad Bird para o protagonista, o rato Remy, condiz com a personagem na perfeição, a banda sonora torna o filme uma experiência transcendente e as frequentes referências a comida, a bebida e à vida tornam-no uma obra magistral. Num ano de 2007 exemplar em como fazer bom cinema, a Academia teria beneficiado imensamente do que só aceitou fazer em 2009, aumentando para dez nomeados. E a Pixar começava, por esta altura, a tornar-se marca indelével de qualidade. (Nota: A-)


#3


FINDING NEMO / À PROCURA DE NEMO (2003)

A minha admiração por Andrew Stanton é conhecida e tudo começou em 2003, com o que é largamente considerado "o" sucesso da Pixar. Para criar "Finding Nemo", Stanton dá largas à imaginação e, com a ajuda dos excelentes actores que dão as vozes às personagens (tendo aqui que particularizar, obviamente, Ellen DeGeneres), cria uma obra intemporal que faz as delícias de todas as pessoas que a vêem. A juntar a isto, temos um tema imensamente original, um argumento soberbo, uma banda sonora excepcional, fortíssima caracterização das personagens e cenários magníficos. Como não poderia dar certo? (Nota: A-)


#2


TOY STORY 3 (2010)

O filme mais recente. Pode ser uma consideração prematura da minha parte, mas acho claramente que é o lugar que ele merece. Crítica aqui. (Nota: A-)


#1


WALL-E (2008)

Provavelmente a Pixar nunca fará um filme que chegue ao nível deste. Rotulado de overrated mais vezes que posso contar, criticado e ostracizado por ditos experts de animação (cuja vida se resume a ver filmes Disney todos os dias), o filme animado que ousou ser diferente é de uma magnificência tal que nunca vai ser esquecido. Um filme quase sem diálogo, que busca a emoção no nosso coração, que recorre a expressões e pensamentos genuinamente humanos tidos por robôs, um filme que é de facto notoriamente quase arruinado na sua segunda parte à custa da introdução dos humanos (irónico, não?), mas baseado num argumento poderosíssimo que merecia ter ganho Melhor Argumento Original, de tão impressionante que é e realizado por um génio cujo lugar na história já estará marcado, Andrew Stanton. A cada momento que surge no ecrã, Wall-E vai abrindo, pouco a pouco mais, a nossa alma, expondo-a à sua alegria, à sua tristeza, à sua frustração, ao seu desespero. Quem diria que um robô, algo inanimado e incapaz de se expressar (ou assim se pensaria), poderia fazer algo assim?  "Wall-E" é definitivamente uma estrela brilhante no céu e traz-me novos prazeres e deleites a cada vez que eu o coloco no DVD para o ver de novo. E de novo. E de novo. Não me consigo cansar. Ele é assim TÃO bom (e tão bom é que a Academia, à custa dele e "The Dark Knight", mudou Melhor Filme para dez nomeados). (Nota: A/A-)

TOY STORY 3 (2010)

«O nosso cérebro é o melhor brinquedo já criado: nele se encontram todos os segredos, inclusive o da felicidade» - C. Chaplin

Se a frase de Chaplin é, por si só, verdadeira, sê-lo-á muito mais quando falamos dos argumentistas e realizadores da Pixar. Que grupo de homens de expecional talento e de ainda mais extraordinário sentido de contar histórias. E histórias que não são só para crianças, que abordam assuntos do quotidiano, problemas da vida adulta.


E quando eu pensava que "Up!" tinha encerrado um ciclo fabuloso de grandes filmes em sucessão ("Ratatouille" em 2007, "Wall-E" em 2008 e "Up!" em 2009 - que ainda por cima não foi o primeiro destes ciclos para Pixar, que já tinha tido um semelhante anteriormente - "Monsters, Inc." em 2001, "Finding Nemo" em 2003 e "The Incredibles" em 2004 - e que teria chegado imaculado até aos dias de hoje não fosse o fracasso de "Cars" em 2006), eis que a Pixar saca do chapéu mais uma obra-prima, surpreendendo-me principalmente porque não achava possível dar novo ar a uma franchise cuja história me parecia, até ver, satisfatoriamente encerrada. Contudo, é óbvio que John Lasseter e a Pixar a ela voltariam, uma última vez.



Como muitos, já tinha dado como certo que "Inception" seria o recipiente do título de Melhor Argumento Original do ano. Depois de ver este "Toy Story 3", acho que vai ser uma luta renhida. Além da brilhante (e já característica) forma de revelar o enredo da história, muito simplificada, sem grandes reviravoltas, sem criar grandes tensões no desenvolvimento das personagens, com uma reduzidíssima quantidade de diálogo e bastante acção. As cenas mais interessantes do filme processam-se de facto a grande velocidade e sem recorrer a muito diálogo, residindo a sua essência nas expressões das personagens e no grande trunfo que a saga Toy Story tem sabido manter e aproveitar: a nossa familiaridade com as personagens. Personagens que conhecemos há década e meia atrás, personagens que abandonámos há onze anos, mas que, não sei como (sem dúvida um dos trunfos deste argumento) nos parecem tão frescas e tão vivas como em 1999, mas rejuvenescidos, amadurecidos, evoluídos. O que é impressionante. Mesmo a apresentação de novas personagens parece-nos tão natural e tão desafiante que não admira o sucesso que o estúdio de facto tem. É que tudo parece tão fácil e tão simples num filme deles. E depois claro, todas as personagens foram alvo de uma caracterização na mouche, conferindo-lhes uma personalidade que poucos julgariam identificar-se com o aspecto exterior (veja-se o exemplo do Ken) e uma originalidade que só pode ter a marca Pixar.


E para este filme a Pixar guardou o que melhor aprendeu a fazer com as experiências passadas de "Wall-E", "Ratatouille" e "Up!" - vários verdadeiros "socos no estômago", momentos dramáticos que nos reviram as entranhas e nos fazem sentir o pior dentro de cada um de nós. Começamos por encarar a dura realidade: Andy tem que abandonar os seus brinquedos. Quem nesse momento não começou a pensar nos seus antigos brinquedos e onde os tem arrumados e não se sentiu mal por os ter esquecido. Depois, o que fazer com eles: mais cenas enternecedoras - e ver a união que se criou, perante os nossos olhos, entre aqueles brinquedos, é desconcertante. Andy escolhe o sótão em vez do lixo, mas num acaso do destino (como não podia deixar de ser, obviamente), os brinquedos acabam todos numa creche. Sunnyside aparenta ser o paraíso e todos os brinquedos, excluindo o sempre desconfiado (mas bem intencionado) Woody, se sentem maravilhados com tudo o que vêem.  Depois de sermos introduzidos às novas personagens, novo soco no estômago: elas não são tão boazinhas como parecem e os nossos brinquedos sofrem cruelmente nas mãos das crianças mais novas (enquanto os outros brinquedos novos a que fomos apresentados se divertem na outra sala, a das crianças da pré-escola, mais velhas. Woody consegue fugir mas, como seria (de novo) de esperar, parte em auxílio dos seus companheiros. Após uma incrível cena de fuga, o impensável acontece (e novo momento fulcral no filme, de uma intensidade dramática incrível - de vir lágrimas aos olhos): os nossos brinquedos vão ter um fim antecipado num aterro sanitário. 


O que se seguiu foi... indescritível (é inacreditável como a saga Toy Story mexe tanto com as nossas emoções, explorando um ponto que nos é a todos comum, que é do mais inerente do nosso ser: a compaixão por aqueles brinquedos, pois todos os tivemos e, de uma forma ou outra, os fomos abandonando). Os brinquedos safam-se e terminam assim a sua jornada, num lugar onde finalmente se sentem pertenças de alguém, de novo. E eu, que não era um apaixonado pela saga, fiquei irremediavelmente perdido de amores. E saí do cinema numa sensação de extasia e alegria tal que jurei chegar a casa e também eu pegar de novo, uma última vez, nos meus antigos brinquedos. E assim fiz. Este rol de cenas, bastante provocador e, claro, manipulativo, serve como uma espécie de janela ao nosso passado, isto é, permite-nos ver o nosso passado, as nossas memórias de infância, com olhos de adulto (claro que só será assim para quem foi crescendo acompanhando os filmes Toy Story, como é o meu caso). E isso é algo deste filme que eu vou guardar para sempre com carinho.


E, por muito difícil que tenha sido para Andy abandonar estes seus brinquedos (tendo-nos presenteado com uma introdução, nas suas palavras, a cada um deles), não nos será menos a nós. Quinze anos volvidos, a história de brinquedos mais famosa de sempre chega a um fim. E nós... temos que  nos sentir simplesmente honrados por termos sido escolhidos para vivenciar tão grande aventura.

Nota: A-

Certamente quem viu o filme vai perceber a piada deste vídeo:

Quentin Tarantino: PULP FICTION (1994)


E eis que Tarantino toca o céu e fica para sempre na história do cinema.

Para muitos, Pulp Fiction é o melhor filme e o ponto alto da carreira de Quentin Tarantino. A minha paixão por Reservoir Dogs não me permite fazer a mesma afirmação, mas permite-me afirmar que para Quentin Tarantino, seguramente, fazer melhor do que fez em Pulp Fiction é impossivel. Este é um dos grandes filmes da História do Cinema, com um dos melhores argumentos alguma vez feitos, com um elenco de luxo e com uma realização e produção fantásticas!


É dificil falar-vos de Pulp Fiction. Conseguir arrumar as ideias deste filme. Como é caracteristico em Tarantino, a história do filme conta-se em fragmentos, sem a sua habitual ordem cronológica.
Temos 4 histórias distintas:
Ringo (Tim Roth) e Yolanda (Amanda Plummer) um casal de assaltantes que pretende roubar um restaurante.
Vincent Vega (John Travolta) e Jules Winnifield (Samuel L. Jackson), dois assassinos que trabalham para Marsellus Wallace (Ving Rhames).
Marsellus, casado com Mia (Uma Thurman), encarrega Vincent Vega de acompanhar a sua mulher durante uma noite. As aventuras desta noite, representam a 3.ª história deste filme.
Por fim, Butch Coolidge (Bruce Willis), casado com Fabienne (Maria de Medeiros), negoceia com Marsellus um acordo (que não cumpre) de perder um combate de boxe.


Todas as história têm pelo menos uma ligação com outra história, e toda esta interrelação entre as histórias (que nos vão sendo apresentadas em fragmentos) originam Pulp Fiction.
Com uma banda-sonora de grande nível, Pulp Fiction é um filme com um argumento verdadeiramente assombroso. Em quase todos os diálogos Tarantino cria uma discussão sobre assuntos que à partida não têm qualquer interesse mas que, ao serem analisados e expostos da forma como Tarantino o faz, ganham uma nova forma de intelectualidade barata e levam o própro espectador a reflectir sobre os assuntos. De entre estes, destaco-vos a reflexão feita por Vincent e Jules, minutos antes de assassinarem 3 tipos, sobre qual a real diferença entre Massagens nos Pés e Sexo Oral.


Marcada por várias cenas que ficam para a história (Aquele Final!), destaco-vos como Melhor Momento do Filme a conversa entre Jules e Vincent sobre a existência de Deus, que termina de uma forma bastante curiosa:



Nota Final: A+ (10) para todo o filme. Argumento, Realização, Produção, Edição, Banda-Sonora. Tudo o que é Pulp Fiction é Muito Bom!

Trailer:

THE GOOD, THE BAD, THE UGLY (1966)


É sempre dificil resumir em poucas palavras o nosso filme favorito. The Good, The Bad and The Ugly, filme que estreou em 1966, é sem dúvida o grande filme da minha vida.
É a obra-prima de Sergio Leone, um dos melhores (senão mesmo o melhor), realizadores de filmes Western, que tem no currículo outros bons filmes como o caso de A fistful of Dollars, For a few dollars more e ainda Once Upon a Time in the West.


The Good, The Bad and The Ugly conta a história deste três cowboys representados na fotografia e que passo a apresentar: O Bom (Clint Eastwood), o Vilão (Eli Wallach) e o Mau (Lee Van Cleef).
Embora o filme esteja envolvido por um conjunto de histórias paralelas que lhe dão consistência, tem como ideia principal a procura de um tesouro escondido que os leva a uma verdadeira cruzada (recheada de contra-tempos) pelo West. Não querendo mais uma vez adiantar-vos muito sobre o filme, quero apenas criar em vocês o apetite e o interesse para se sentarem e verem este filme. São 171 minutos de entretenimento e acção muitos constantes, mas com duas cenas que sobressaem no filme: O final (um clímax de cerca de 5 minutos que nos prende e quase nos faz saltar para o ecrã) e a Cena do Tiroteio (tal e qual acontecia no West, mas acompanhada da banda-sonora que a engrandece!)


Acho ainda importante realçar-vos a banda-sonora deste filme, que ficou sem dúvida para a história! Uma melodia muito simples mas incrivelmente acertada para a situação do filme. Indescritível! Assim que o filme começa somos abraçados pelo som desta música que nos contagia e nos transporta ao longo do filme. A música da cena final é também ela muito boa.

Quanto a interpretações, embora Clint Eastwood esteja na maior pinta da sua carreira e seja o bonitão de serviço, tenho obrigatoriamente que destacar Eli Wallach que soube aproveitar muito bem as potencialidades da sua personagem (controversa)e se apresenta neste filme com uma interpretação soberba!

Nota Final: A+++


Trailer: Infelizmente quase todos os trailers que estão no youtube são trailers com falhas. Este aqui é um trailer pequeno mas que vos dará uma boa ideia daquilo que é a acção e a banda-sonora deste filme.




Espero sinceramente ter-vos cativado para verem este GRANDE filme, que embora seja desconhecido, vale a pena conhecer!


Informações Adicionais:
Realização: Sergeo Leone
Produção: Alberto Grimaldi
Argumento: Sergeo Leone e Luciano Vicenzoni
Duração: 171 minutos
Ano: 1966

Retrospectiva Óscares: 2008

Como sabem, a rubrica "Retrospectiva dos Óscares" vai servir para fazer um pequeno balanço das cerimónias, desde o ano mais recente (2009) para trás, avaliando os seus pontos bons e as coisas mais fracas. Depois da análise a 2009, pegamos em 2008, um ano bastante controverso.

2008


A Surpresa e A Inclusão Mais Notória: Richard Jenkins ("The Visitor") e Melissa Leo ("Frozen River") nunca foram tidos com real consideração ao longo de toda a corrida, mas na hora de contar os votos, não foram esquecidos e com todo o mérito conseguiram as suas primeiras nomeações. Pena que havia outros que deviam ter sido nomeados (Sally Hawkins é, para mim, o exemplo mais gritante) que não tiveram a mesma sorte, tendo sido trocados por nomes mais sonoros (como o casal Jolie-Pitt).



A Exclusão Mais Significativa: este ano dói-me particularmente por os meus quatro favoritos terem sido supremamente maltratrados em todas as categorias (salvo "The Dark Knight", que recebeu 8 nomeações, mas obviamente que nas categorias técnicas iria sempre safar-se bem - era nas grandes que merecia ter sido recompensado e não foi), mas acho que a maior dor foi mesmo a exclusão de Sally Hawkins ("Happy-Go-Lucky"), completamente injustificada.


O Mais Merecido: Heath Ledger ("The Dark Knight"). Nenhuma outra vitória da noite lhe chega aos pés. Uma lenda para a eternidade, é desta forma grandiosa, abismal como The Joker, que Heath Ledger deixou a sua última imagem no mundo.

O Mais Imerecido: todo e qualquer prémio ganho por "Slumdog Millionaire" e "The Curious Case of Benjamin Button". Não consigo perdoar nenhuma das vitórias por achar que existiam bem melhores candidatos para os prémios.

O Desnecessário: mais um ano volvido, mais uma nomeação para Óscar e mais uma derrota para Meryl Streep. É um problema crónico e que me irrita profundamente, como vão poder continuar a perceber em retrospectivas mais para trás. Claro que todo o mundo sabia que Winslet nunca iria perder o Óscar, sobretudo depois de na manhã das nomeações ter sido a sua interpretação por "The Reader" a escolhida pela Academia e como protagonista, não como actriz secundária. Mas numa categoria em que só Jolie era inferior... Magoa imenso esta vitória (que, já agora, devia ter vindo há mais tempo já. Tipo 2004.)

O Pesadelo: ou a surpresa mais desagradável que podia parecer, como se queira dizer. Já bastava não um, não dois, mas três filmes medíocres fazerem parte da lista dos 5 nomeados para Melhor Filme (só "Milk" se safa nesse ano) e ainda tinha a Academia de arruinar com todas as hipóteses de eu vir a gostar minimamente da lista de nomeados ao trocar "The Dark Knight" por "The Reader" (que é, para mim, superior a "Frost/Nixon" e a "Slumdog Millionaire" de qualquer forma). Uma tragédia que, de qualquer modo, devíamos ter adivinhado pelos Globos de Ouro. Mas... e mesmo se quisessem ir contrariamente ao desejo do grande público e pegar em algo mais pequeno e mais artístico, porque não acolher "Rachel Getting Married" ou "The Wrestler" em vez disso? Enfim. É que não percebo. Podendo ter uma lista tão diversificada com "Rachel Getting Married", "The Wrestler", "Milk", "The Dark Knight" e "Wall-E", por exemplo, ou até metendo lá para o meio um dos tubarões ("Benjamin Button" ou "Doubt"), foram escolher aquilo? Ao contrário de 2007, este não é um ano para grande orgulho.

A Desgraça e O Incompreensível: como é que uma canção tão extraordinária como "The Wrestler" de Bruce Springsteen nem sequer é nomeada, semanas depois de ter vencido o Globo de Ouro, nunca hei-de saber. Além disso, como é que é possível que todo um inteiro conjunto de pessoas tenha preferido dar o prémio a uma música indiana sem qualquer chama ("Jai-Ho") em vez de o darem à ternurenta canção final de Wall-E, "Down To Earth", é algo que ainda hoje me choca. E havia mesmo necessidade de nomear duas músicas indianas sem qualquer piada?



A Melhor Vitória: Sean Penn por "Milk". Não me entendam mal, eu adorei Mickey Rourke, mas Sean Penn foi absolutamente inacreditável como Harvey Milk. Ninguém (e friso o ninguém) apostava nele quando saiu para a imprensa que o novo projecto do Gus Van Sant o ia ter como protagonista (dada a sua reputação) e ele surpreendeu-nos a todos. Aqui só um parêntesis para Penélope Cruz, que me apanhou completamente desguardado com a sua interpretação em "Vicky Cristina Barcelona". Todo o diálogo do chinês e do "geenius" é fenomenal e a sua entrega às falas é estupenda.



O Duelo da Noite: a imprensa tentou criar o duelo "The Curious Case of Benjamin Button" vs. "Slumdog Millionaire" mas... alguém acreditava que a sensação indiana não ia limpar a cerimónia? Infelizmente... foi o que sucedeu. Oito (!) Óscares para um dos piores filmes que eu vi esta década. Inacreditável. E sabem o que é pior? É vir lá na caixa: "8 Academy Awards" - que é mais que filmes clássicos como "Schindler's List" e "The Godfather" têm. 


Notas Finais:
Qualidade da cerimónia - B+ (a ideia de trazer antigos nomeados para apresentar o prémio a novos nomeados foi bastante boa)

Qualidade dos nomeados - B-
Qualidade dos apresentadores (Hugh Jackman) - B+
Qualidade da transmissão (TVI) - F

Pessoas da Década: Pedro Almodovar

Bem-vindos a uma das rubricas semanais do Dial P for Popcorn, a ter lugar todas as terças-feiras. Nesta rubrica vamos discutir as pessoas que se tornaram (ou que continuaram a ser) grandes nomes na década de 2000, sejam actores, realizadores, compositores, fotógrafos, entre outros.

A escolha desta semana não foi, na minha cabeça, consensual. A ideia inicial que tinha era de falar sobre um realizador. E, depois de analisar, cheguei à conclusão que existiam uns 20-25 realizadores de que queria falar nesta rubrica. E decidi que não podia falar de mais realizadores esta década sem pegar neste (até porque no blogue já falámos bastante de outras três escolhas minhas, Nolan, von Trier e Tarantino, daí que estes hão-de surgir nesta rubrica mais tarde). Então esta semana pegamos em...



Pedro Almodovar

O realizador espanhol de 61 anos é tão sobejamente conhecido do mundo do cinema que dispensa qualquer tipo de apresentações. Atingida a notoriedade nos anos 80 (destacando-se pela sua forma diferente de fazer cinema e pela sua aproximação bastante singular à caracterização das personagens), chegou ao expoente máximo esta década passada, com vários êxitos sucessivos. Eu diria que já possui uma ou duas obras-primas no seu currículo, sendo que para mim (a opinião dos amantes de Almodovar divide-se bastante em quais são os seus melhores filmes) é Hable con Ella (2002) e Todo Sobre Mí Madre (1999), com La Mala Educación (2004) um distante terceiro.


Esta década, Almodovar realizou quatro filmes: Hable con Ella em 2002, La Mala Educación em 2004, Volver em 2006 e Los Abrazos Rotos em 2009, todos sucessos com méritos próprios. Os últimos dois contaram com a sua mais famosa colaboradora, Penélope Cruz, que apareceu em toda a sua glória, juntando estas duas excelentes interpretações às outras duas que teve neste ciclo (2006-2009) de absoluta excelência (em Nine e em Vicky Cristina Barcelona). Curiosamente, parece que as autoridades culturais do seu próprio país não concordam, tendo excluído três dos seus quatro filmes esta década (depois da nomeação de Mujeres Al Borde de un Ataque de Nervios em 1989 e de Todo Sobre Mí Madre ganhar o Óscar em 2000) da candidatura espanhola ao Óscar de Melhor Filme Estrangeiro por três vezes (a reacção da Academia a Hable con Ella foi uma valente chapada na cara dos espanhóis, pois nomearam-no para Melhor Realizador e deram-lhe a vitória por Melhor Argumento Original; em 2004, a Espanha é que viria a ter razão, com Mar Adentro a vencer o prémio - se bem que eu considero La Mala Educación um filme superior; em 2006, a Espanha submeteu Volver, mas não foi nomeado; em 2009 ignoraram Los Abrazos Rotos, que seria provavelmente nomeado). Próximo projecto: nova colaboração com Antonio Banderas (depois de La Ley del Deseo em 1987), em La Piel Que Habito (2011).


Falando só um pouco dos filmes e do que mais gostei deles... Em Hable con Ella ele pega num tema pesado, complicado de lidar e forma uma história simultaneamente tão dramática quanto enternecedora, aliando quatro histórias de vidas solitárias e compelindo-nos a emocionar-nos com ele e com elas. La Mala Educación parece de facto ter algo de autobiográfico, mas este fag noir tão Almodovariano é mais do que isso: é toda uma experiência deliciosa, de nos fascinar por entre o mistério e a beleza. Volver traz-nos Penélope Cruz em toda a sua exuberância, numa interpretação das melhores que vi esta década, num filme que alia a realidade ao sobrenatural, a morte à vida, de forma tão sublime e que é, acima de tudo, uma homenagem às mulheres da vida do realizador, como ele muito bem o definiu. Los Abrazos Rotos é a sua obra mais recente. Cruz de novo extraordinária, emanando uma sensualidade que lhe era reconhecida mas até então nunca bem explorada. Sendo o filme mais pobre da sua filmografia esta década, é no entanto o mais voluptuoso, o que proporciona a maior experiência visual (há que ressalvar aqui o papel fundamental da banda sonora de Alberto Iglesias, companheiro de trabalho de longa data de Almodovar - e da fotografia de Rodrigo Prieto, cujos outros trabalhos incluem Babel, Brokeback Mountain, Amores Perros, 21 Grams, Lust Caution, Frida...).

A coisa que mais adoro em Almodovar? Adoro sobretudo a forma bastante diferente que cada um tem de reagir aos filmes dele. Almodovar é um génio sem par, um provocador por natureza. E conseguir desempenhos tão espectaculares como ele consegue de todo um elenco só é possível quando se é grande. E ter um argumento tão bem detalhado, tão intrinsecamente explorando os traços de personalidade de todas as personagens, só está ao alcance dos melhores. Ter então seis, sete argumentos assim, só um predestinado. Almodovar é esse predestinado. E o mundo está melhor por tê-lo. 

Deixo só ficar o teaser trailer de "Los Abrazos Rotos" que eu acho que define muito bem o que é a experiência de ver um filme de Almodovar: