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DIAL P FOR POPCORN

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DAFA TV 2011: Melhor Actriz e Actor - Drama


Vamos terminar hoje estes prémios, com as três categorias de Drama que faltam. Cá vão mais duas: MELHOR ACTOR e MELHOR ACTRIZ - DRAMA. Habitualmente, atribuo estes prémios no final da temporada de televisão de 2011 (Verão). Este ano, decidi fazer diferente e copiar, por assim dizer, o modelo dos Globos de Ouro, só atribuindo os prémios depois das novas estreias de 2011.


MELHOR ACTRIZ - DRAMA



Connie Britton / FRIDAY NIGHT LIGHTS
Toni Collette / UNITED STATES OF TARA #3
Julianna Margulies / THE GOOD WIFE  #1
Elisabeth Moss / MAD MEN   #2
Katey Sagal / SONS OF ANARCHY
Anna Torv / FRINGE


Muito fácil explicar estas seis escolhas. Sempre admiti que não gosto de Anna Torv e mantenho a minha opinião. Só que é impossível fugir a nomeá-la pela última temporada de "Fringe", onde a actriz finalmente mostrou talento e versatilidade, interpretando três (quatro) papéis diferentes, todos com imensa qualidade e variedade. Katey Sagal nunca iria espantar tanto quando a sua história da violação da segunda temporada, mas o que ela fez na terceira e na quarta temporadas de "Sons of Anarchy" é mais que suficiente para voltar a ser nomeada nos meus prémios. Não podia deixar passar a oportunidade de nomear pela última vez Connie Britton, excelente em "Friday Night Lights". Kyle Chandler, que interpretava o seu marido na série, era de facto a interpretação mais vistosa, com maiores momentos de explosão, mas o que fica por dizer na expressão de Britton quando reage às diferentes situações com que se depara é de uma magistralidade ímpar. Uma enorme actriz. Toni Collette é nomeada este ano na categoria que merece, dada a mudança de tom da sua série, muito mais dramática e pouquíssimo cómica. Collette é uma enorme actriz, que alterna eximiamente a sua expressão frívola e impenetrável enquanto Bryce e a docilidade e infantilidade de Chicken, com todas as outras personalidades a aparecer ao mesmo tempo e a actriz sempre no controlo, mantendo uma distinta barreira entre cada uma delas e desenhando individualmente cada personagem muito bem. Uma obra-prima, este interpretação, que por vezes é muito subtil, outras muito exagerada, mas que funciona. Falemos agora de Julianna Margulies. Uma mestra da arte da representação, gigante na forma como comanda o ecrã mesmo quando a cena não lhe pertence, sábia na hora de escolher quando retrair as suas emoções e quando as soltar. Igualmente brilhante é Elisabeth Moss, uma digna vencida. Só pelo "The Suitcase" merecia mil prémios. Se tomarmos "Mad Men" como um jogo de xadrez, então Moss é o bispo para o rei que é Jon Hamm. Uma interpretação não subsiste sem a outra e é por isso que desde a primeira temporada vivemos para ver mais momentos entre Don e Peggy.


MELHOR ACTOR - DRAMA


Bryan Cranston / BREAKING BAD  #1
Kyle Chandler / FRIDAY NIGHT LIGHTS
Jon Hamm / MAD MEN  #2
Peter Krause / PARENTHOOD
Timothy Olyphant / JUSTIFIED   #3
Wendell Pierce / TREME


Que dizer destes seis senhores? Todos brilhantes, soberbos, sublimes. Chandler impressionou com a sua naturalidade e carisma em "Friday Night Lights" e aquele último discurso em "Always" é algo que nunca vou esquecer; Hamm e o seu Don Draper apareceram finalmente devastados e fragilizados em "Mad Men" a sucumbir perante a pressão do casamento, do trabalho e dos segredos que oculta; Krause é o estóico e silencioso herói de "Parenthood", com o seu Adam a ser pilar de toda a gente mas a precisar de alguém que sirva de pilar a ele próprio, prestes a desmoronar; não há já palavras para falar de Cranston em "Breaking Bad", de uma profundidade, virtuosidade e complexidade incríveis de um actor que encontrou em Walter White a performance de uma vida; Olyphant e o seu Raylan são de uma classe e magnetismo que não são deste planeta, o que só nos faz dar mais valor a esta interpretação, que não é parca em momentos de puro génio e inspiração; Pierce é poderoso e dá outra vida e agitação a "Treme" quando surge em cena. Para que se note o quão forte esta lista é, de fora ficaram Steve Buscemi ("Boardwalk Empire"), Michael C. Hall ("Dexter"), Holt McCallany ("Lights Out"), Charlie Hunnam ("Sons of Anarchy"), Andrew Lincoln ("The Walking Dead") e Sean Bean ("Game of Thrones").

DAFA TV 2011: Melhor Série - Comédia

Terminamos hoje as categorias de Comédia hoje com MELHOR SÉRIE - COMÉDIA. Habitualmente, atribuo estes prémios no final da temporada de televisão de 2011 (Verão). Este ano, decidi fazer diferente e copiar, por assim dizer, o modelo dos Globos de Ouro, só atribuindo os prémios depois das novas estreias de 2011.

Os meus nomeados são:

MELHOR SÉRIE - COMÉDIA




ARCHER  #2
COUGAR TOWN
LOUIE
PARKS & RECREATION   #1
SHAMELESS  #3
THE BIG BANG THEORY


FINALISTAS: "Modern Family" perdeu consistência; por outro lado, procurou que soubéssemos mais sobre as suas personagens, portanto é natural que a série não atinja nunca mais o brilhantismo da primeira temporada (mas quando funciona, a série resulta em grande). "Raising Hope" esteve perto da nomeação mas na falta de momentos memoráveis pecou, uma vez que esta é uma série para se seguir atentamente, pois vai premiando espectadores atentos com pequenos pormenores e chamadas de atenção para episódios anteriores. E é uma série mais sentimental que cómica. "The Big C" não é bem uma comédia e só por isso não está nomeada (isto porque também não é um drama e é definitivamente mais cómico que trágico). O que faz, contudo, faz bem. "Community" alternou entre o muito bom, o bom, o razoável e, mais vezes do que devia, desceu à normalidade o que, para uma comédia que pauta pela diferença, não auspicia a coisa boa. Felizmente, melhorou muito já este ano de 2011-2012.

NOMEADOS: Não houve série tão consistente e substancialmente hilariante como "Parks & Recreation" o ano passado por isso o vencedor desta categoria decidiu-se facilmente. "Shameless" é completamente louco e alucinante, mas também muito viciante e imperdível. Tão disfuncional e aventureira (algumas vezes roça o ridículo) quanto a família que a série acompanha. "Archer" vem da mente genial de Adam Reed, que faz comédia de chorar a rir com as situações mais sérias e impensáveis possíveis. Funciona em pleno porque os actores que emprestam as vozes às personagens, além de encaixarem que nem uma luva, são brilhantes, todos eles. "The Big Bang Theory" manteve-se engraçado mas subiu o jogo, utilizando o versátil elenco ao dispor - adicionando Mayim Blahik - para elevar o nível da comédia, que continuou tão inteligente quanto antes mas adquiriu uma acutilância ímpar esta temporada (praticamente todas as piadas resultavam). "Cougar Town" é inexplicável para quem não vê - tem um coração gigante, é de uma alegria e felicidade contagiantes e tem genuína piada para quem acompanha, porque usa e abusa de piadas internas, de exploração das personagens e funciona porque todos os momentos encaixam uns nos outros com precisão. Só quem vê semanalmente percebe o quão especial a série é. "Louie" é inspirada, refrescante, entusiasmante e, quando encontrou o seu ritmo a meio da primeira temporada, começou a produzir do melhor humor visto em televisão, fugindo de uma vez por todas ao rótulo de "nova Seinfeld".

EXTRA: Se hipoteticamente incluísse as novas séries como possíveis candidatos a nomeação (que não o faço), mudaria alguma coisa? Provavelmente "Cougar Town" sairia para dar lugar a "Enlightened", que talvez venceria também Melhor Actriz (Laura Dern) - e provavelmente vencerá, daqui a um ano.


Quais as vossas nomeadas para melhor comédia?


DAFA TV 2011: Melhor Actriz e Actor - Comédia

Mais duas categorias: MELHOR ACTOR e MELHOR ACTRIZ - COMÉDIA. Habitualmente, atribuo estes prémios no final da temporada de televisão de 2011 (Verão). Este ano, decidi fazer diferente e copiar, por assim dizer, o modelo dos Globos de Ouro, só atribuindo os prémios depois das novas estreias de 2011.

Os meus nomeados são:


MELHOR ACTOR - COMÉDIA


H. Jon Benjamin / ARCHER  #3
Thomas Jane / HUNG
William H. Macy / SHAMELESS  #1
Stephen Mangan / EPISODES
Jim Parsons / THE BIG BANG THEORY   #2
Jason Schwartzmann / BORED TO DEATH


Se eu tivesse atribuído estes prémios no Verão do ano passado como era suposto, o vencedor era Matthew Perry por "Mr. Sunshine", que infelizmente não teve pernas para andar e acabou cancelada pela ABC. Assim... o prémio fica também bem entregue a Macy, que se transcende no papel de Frank Gallagher, abraçando o lado negro da sua personagem e entregando-se de corpo e alma ao pobre - e muito bêbedo - pai de família que nem tenta - nem quer - fazer o melhor pelos filhos. Macy consegue o impossível: levar-nos a gostar de Frank, a apreciar o quão horrível ele é com os filhos e a aplaudir todos os incríveis esforços que ele emprega para arranjar mais álcool e droga. Jim Parsons era um óbvio segundo, uma vez que apesar de ele já não carregar "The Big Bang Theory" tanto às costas (a série finalmente aprendeu a usar o seu excelente elenco), é (quase) sempre dele que surgem as melhores tiradas, as ideias mais mirabolantes e o estilo de comédia que nos faz voltar à série, semana após semana. O seu emparelhamento com Mayim Blahik foi de génio. Thomas Jane nem sempre é valorizado como devia pela forma como soube despir-se do preconceito que é interpretar um homem normal, professor de educação física que leva uma vida secreta como prostituto com material avantajado e divertir-se com ele, nunca se esquecendo que não é preciso um comediante comprometer-se com cenas mais ousadas e que a piada está nas situações que enfrenta, não na sua identidade. O que H. Jon Benjamin faz tem de ser premiado algures. E como eu não tenho uma categoria de melhor voice-over, é como actor que eu o tenho de julgar. Sterling Archer é das maiores criações da comédia norte-americana dos últimos tempos, seja animada ou real. Archer devia ser odiado por quem vê a série, uma vez que é capaz de ser o homem mais cabeçudo à face desta Terra. Era suposto isto ser assim. Mas porque Archer ganha vida através da charmosa e confiante voz de Benjamin, vemo-nos obrigados a rir com os insultos que profere e a aceitar que é impossível não gostar do homem. Schartzmann é o rei no que toca a exibir entusiasmo pelas coisas mais ridiculamente mundanas e aborrecidas possíveis. Uma grande parte do sucesso de "Bored to Death" deve-se a ele, porque ele torna-o uma série muito melhor. Falta-me falar de Mangan, a verdadeira estrela de "Episodes". Não houve uma tirada dele que não me tenha feito rir. LeBlanc pode ter impressionado muitos com a forma como goza consigo próprio e Greig é de facto excelente também, mas Mangan, entre o desespero de aturar as zangas de LeBlanc e da mulher e das confusões em que ambos o enfiaram, o entusiasmo perante os excessos que a estação norte americana lhes põe à disposição e pelo ar excitadíssimo com que aceitou a sua nova vida em Hollywood, foi de facto a grande revelação cómica do ano.


MELHOR ACTRIZ - COMÉDIA



Courteney Cox / COUGAR TOWN  #3
Patricia Heaton / THE MIDDLE
Laura Linney / THE BIG C
Martha Plimpton / RAISING HOPE  #2
Amy Poehler / PARKS & RECREATION  #1
Emmy Rossum / SHAMELESS

O dia em que eu parar de apregoar que Courteney Cox é uma das sete melhores comediantes femininas em televisão na actualidade (as outras sendo Poehler, Fey, Rudolph, Wiig, Kudrow e Plimpton) é melhor que me dêem com uma marreta pois não devo estar muito bem. Cox era excelente em "Friends", continuou impecável em "Dirt" e agora em "Cougar Town" volta a exceder-se, com uma personagem madura e mais complexa mas que partilha com a "sua" Monica Geller a instabilidade emocional e a necessidade patológica de servir os outros. Estou para ver o que mais é preciso para ela ganhar um Emmy. Já outra que tinha um Emmy pré-fabricado à sua espera o ano passado era Laura Linney, depois do enorme desempenho em "The Big C" o ano passado, onde alternou entre tristeza e alegria, esperança e desilusão com uma facilidade estonteante. O destino, contudo, foi cruel e Melissa McCarthy, da mesma forma que 'sacou' uma nomeação para os Óscares, 'sacou' a nomeação e depois a vitória nos Emmy (roubadinha, diga-se, a Linney e à próxima nomeada). Este ano Linney manteve a qualidade a que nos habituou mas juntou mais versatilidade cómica, algo que lhe tinha faltado, a meu ver, em 2010-2011. Não podemos, todavia, falar de premiar alguém nesta categoria sem lembrar Amy Poehler. Que esta mulher tenha visto passar três corridas aos Emmy e não tenha vencido nenhuma é imperdoável. Leslie Knope partilha com todos nós uma obsessiva - e única - paixão pelo governo, surgindo em cada cena luminosa, infecciosamente alegre e explorando inteligentemente os vários lados da sua personagem, que nem sempre são positivos. Rossum revelou-se uma comediante bastante dotada em "Shameless", algo que nunca havia antecipado. Destemida e com uma inestimável alma, a sua Fiona é o furacão que domina tudo e todos para manter a casa Gallagher em funcionamento - mesmo que ela não se sinta, muitas vezes, capaz de o fazer. Nem toda a gente aprecia Heaton. Eu detestava "Everybody Loves Raymond", por exemplo, e que ela tenha vencido dois Emmy pela série quando outros (Cox, Kaczmarek) não têm nenhum dói imenso, ainda hoje. Ainda assim, "The Middle" dá-nos uma dose saudável da comédia de Heaton e lá, tenho de admitir, gosto imenso dela. A sua exasperada matriarca Frankie partilha, aliás, muitas semelhanças com a Lois de Kaczmarek ("Malcolm in the Middle"): ambas são firmes, histéricas e complicadas, mas pela sua família fazem tudo, inclusive as coisas mais estapafúrdias possíveis. "Raising Hope", como disse quando falei de Dillahunt, é uma série especial. A família Chance é genial e acima de todos a nível cómico está Plimpton (um casting pelo qual tenho de congratular Greg Garcia). O espírito positivo e a atitude descomplicada de Plimpton ao abordar Virginia coloca-nos mais próximos dela e, deste modo, faz-nos apreciar ainda mais cada nuance da sua interpretação, que já é, só de si, espectacular. As ordinarices que esta mulher cospe da boca deviam correr tumblrs por esse mundo fora, como por exemplo: "I'm sure somewhere out there there is a woman that wants to be lured into your apartment to find you naked. Maybe you should try Greg's List!" ou " Jimmy, if you don't make a move soon, you're gonna get stuck in the Friend Zone. And that is a real thing, I saw it on Friends. Ross and Rachel were stuck in it; it made for some good episodes, but poor Ross was in hell.".


E para vocês, quem são os melhores comediantes a protagonizar séries na televisão?

DAFA TV 2011: Melhor Actriz e Actor Secundário - Drama

Depois de termos abordado as minhas escolhas para Melhores Novas Séries e os meus nomeados (e vencedores) para Melhor Actor e Actriz Secundários em Comédia, venho hoje com mais duas categorias, homónimas das do último artigo mas na categoria de drama: MELHOR ACTOR SECUNDÁRIO - DRAMA  e MELHOR ACTRIZ SECUNDÁRIA - DRAMA. Habitualmente, atribuo estes prémios no final da temporada de televisão de 2011 (Verão). Este ano, decidi fazer diferente e copiar, por assim dizer, o modelo dos Globos de Ouro, só atribuindo os prémios depois das novas estreias de 2011.

Os meus nomeados são:

MELHOR ACTOR SECUNDÁRIO - DRAMA


Alan Cumming / THE GOOD WIFE   #1
Peter Dinklage / GAME OF THRONES
Walton Goggins / JUSTIFIED   #3
Shawn Hatosy / SOUTHLAND
John Noble / FRINGE   
Aaron Paul / BREAKING BAD  #2



Seis escolhas fáceis de explicar: Dinklage foi presenteado com a melhor personagem de "Game of Thrones", mas isso não o impediu de transformar Tyrion Lannister em algo muito seu, rico em profundidade, carisma e presença. A sua cena na corte da Casa Arryn? Inesquecível. Cumming foi justamente nomeado para um segundo Emmy o ano passado (e sê-lo-á muito seguramente para um terceiro este ano) pelo seu Eli Gold. Não há personagem nem tão mordaz nem tão excêntrica quanto esta. Eli Gold poderia ter ido parar a muitos actores capazes que fariam um bom trabalho com a personagem. Contudo, esta foi cair nas mãos de Alan Cumming, que é um dos seres humanos mais absolutamente fascinantes que há. O resultado: Eli Gold torna qualquer cena em que aparece melhor pela sua mera aparição.  A vontade dos fãs de verem premiado John Noble ressoa muito em mim. Porque o homem, caramba, merece. Não há ninguém na televisão que tão facilmente consegue desdobrar a sua personagem e mutá-la numa coisa completamente diferente, ao mesmo tempo que com tanta leveza habita a sua personagem. Pena que a ficção científica não seja muito respeitada. Vamos agora pausar para falar de "Justified", sim? Uma série que transpira classe por todos os poros. Que Timothy Olyphant é excelente e Margo Martindale transcendente, todos sabemos. Não vejo é muita gente elogiar o restante elenco, de Natalie Zea a Jeremy Davies e, sim, Walton Goggins. Que maravilha foi vê-lo nomeado o ano passado para o Emmy.  Boyd é a arma secreta da série. É o cabrão mais complicado de entender que há em Harlan, imprevisível como um raio, um criminoso do mais rasca que existe mas que exibe traços de humanidade quando encostado à parede. Finalmente, Hatosy. "Southland" é das séries mais menosprezadas da televisão americana e, infelizmente, é uma das mais sensacionais séries policiais da última década. O ano passado, Bryant teve que lidar com o fim do seu casamento, um bebé que possivelmente não era seu e ver o seu parceiro ser morto. Hatosy fugiu ao melodrama e optou por nos deixar penetrar no seu íntimo, na sua alma, tornando as suas cenas simultaneamente difíceis de ver mas impossíveis de não experienciar. Desde "Peekaboo" que tenho Aaron Paul em muito boa conta. Como "Breaking Bad", o actor foi evoluindo e a sua interpretação melhora cada vez mais, mais detalhada, mais profunda, mais impregnada de magnetismo, de carisma, de presença. Um homem autêntico e real, que paga bem caro os erros (infantis, próprios da idade) que comete. Pinkman é extraordinário, mas o actor que o interpreta não o é menos.

MELHOR ACTRIZ SECUNDÁRIA - DRAMA


Khandi Alexander / TREME   #3
Emilia Clarke / GAME OF THRONES
Regina King / SOUTHLAND
Margo Martindale / JUSTIFIED   #1
Archie Panjabi / THE GOOD WIFE  #2
Mae Whitman / PARENTHOOD

Esta categoria é Margo Martindale e depois todas as restantes. Martindale chega a "Justified" como um vulcão em erupção, enganando toda a gente com a sua doçura e o seu ar pacato de avó simpática nunca mostrando que por detrás dessa gentileza está um dos piores e mais temíveis vilões da televisão dos últimos anos. Brilhante. Panjabi continuou intrigante, misteriosa e poderosa, enquanto a vimos ser repetidamente atacada pelo novo investigador da firma e pelo segredo que ele desvenda que coloca a sua relação com Alicia na corda bamba (ver Kalinda a chorar foi das cenas mais intensas e emocionais que vi na televisão o ano passado). Levaria facilmente o prémio em qualquer ano não fosse este o ano de Martindale (e que me leva a arrepender ter fugido a premiá-la o ano passado). Khandi Alexander é impecável em "Treme" e se mais gente visse a série ia perceber que a actriz está aqui a anos-luz do seu estereótipo de personagem em "CSI". Whitman faz a sua Amber pulsar de adrenalina adolescente, vivendo todas as emoções à superfície. Um dos maiores trunfos de um actor é saber dizer com a expressão facial tudo aquilo que sente lá dentro. Whitman fá-lo com uma facilidade tremenda e torna a sua química com Lauren Graham, sua mãe na série e também ela uma profissional a dizer as coisas com o olhar, fantástica de analisar e observar. Duas grandes mulheres. Regina King é das mais sólidas actrizes de elenco que anda pelo pequeno ecrã e eu já penso isto há anos. Em "Southland", foi-lhe permitido florescer uma personagem de superfícies duras, aguçadas, com muito para contar mas com pouca vontade de mostrar. Nestas últimas duas temporadas, a sua detective Lydia, que costuma ser muito composta, calma, confiante e segura de si própria tem sido atirada aos leões, por assim dizer, com casos marcantes, um novo parceiro, traições, romance e tiroteio que permitem a King mostrar de que fibra é feito o seu gene da representação. De "Game of Thrones" tive que ponderar escolher entre Maisie Williams e Emilia Clarke. Depois vi que não podia conscientemente colocar cá Williams sem ter também Kiernan Shipka (a Sally de "Mad Men" esconde um enorme potencial enquanto actriz; espero que aproveite) e ficou Clarke então com o lugar. Não que ela não o mereça, claro, porque só alguém tão impressionante e talentosa como Clarke podia fazer de Daenerys a personagem tão frágil quanto imperiosa que é (não é qualquer mulher que domina Khal Drogo de forma tão majestosa). Além de Williams e Shipka, perto dos nomeados ficaram também a sempre espectacular Christina Hendricks ("Mad Men"), a consistente Natalie Zea ("Justified"), a incandescente Kelly MacDonald ("Boardwalk Empire") e a fogosa Christine Baranski ("The Good Wife").


E para vocês, quem foram os melhores personagens secundários em dramas neste último ano (e meio)?

DAFA TV 2011: Melhor Actriz e Actor Secundário - Comédia

Tentarei que até ao final de Março os meus prémios de televisão deste ano estejam anunciados e entregues. No primeiro artigo dedicado a estes prémios, falei dos meus escolhidos para Melhor Nova Série. Hoje, trago-vos outras duas categorias: MELHOR ACTRIZ SECUNDÁRIA - COMÉDIA e MELHOR ACTOR SECUNDÁRIO - COMÉDIA. Habitualmente, atribuo estes prémios no final da temporada de televisão de 2011 (Verão). Este ano, decidi fazer diferente e copiar, por assim dizer, o modelo dos Globos de Ouro, só atribuindo os prémios depois das novas estreias de 2011.

Os meus nomeados são:

MELHOR ACTOR SECUNDÁRIO - COMÉDIA

Ty Burrell / MODERN FAMILY   #3
Garrett Dillahunt / RAISING HOPE
Peter Facinelli / NURSE JACKIE   #2
John Benjamin Hickey / THE BIG C
Nick Offerman / PARKS & RECREATION  #1
Danny Pudi / COMMUNITY

Mesmo que tivesse dado estes prémios há ano e meio atrás, os nomeados não teriam mudado. Por exemplo, ainda hoje me lembro vividamente o quanto Peter Facinelli me fez rir na terceira temporada de "Nurse Jackie", que apesar de ter sido de longe a pior temporada que a série da Showtime, teve na Zoey e no Dr. Cooper dois pontos fortíssimos. E John Benjamin Hickey só cresceu na minha admiração com a segunda temporada de "The Big C": mais carisma, mais nuance, mais personalidade e mais profundidade. Ron Swanson (Nick Offerman) é Ron Swanson e não precisa de ser dito mais nada; é a melhor personagem de comédia que a TV norte-americana nos ofereceu nos últimos cinco anos. Danny Pudi podia optar por deixar o seu Abed ser um estereótipo e um bastante bizarro como tal. O processo de humanização que a personagem sofreu esta temporada tem tanto da escrita como do actor e só um actor de elevadíssimo calibre conseguia pegar em Abed e cometer o maior feito que um actor - que interpreta um homem bem acima dos vinte anos que é viciado em banda-desenhada, que filma documentários sobre si mesmo, que é seguidor ávido de "Cougar Town" e "Inspector Spacetime", que acha que as pessoas são 'blorgons', que se comporta, com o seu melhor amigo, como se fosse uma criança pequena e que racionaliza a mais pura das emoções - poderia fazer: ser normal. E fazê-lo parecer tão fácil. Finalmente, Garrett Dillahunt. "Raising Hope" é uma série com tanta piada como inteligência, com tanto humor como coração. O Burt de Dillahunt é assim mesmo: um tonto meio parvo, mas genuíno, honesto e com muita, muita piada. Não dá para resistir ao homem.

MELHOR ACTRIZ SECUNDÁRIA - COMÉDIA

Mayim Blahik / THE BIG BANG THEORY   #2
Julie Bowen / MODERN FAMILY
Rebecca Creskoff / HUNG
Judy Greer / ARCHER  #3
Christa Miller / COUGAR TOWN   #1
Merritt Wever / NURSE JACKIE

Começamos pela nomeada mais "polémica": Judy Greer. Alguns puristas vão-me dizer logo que interpretações são interpretações, usar a voz para criar uma personagem não é uma interpretação. Desculpem-me mas o que Ellen DeGeneres fez em "Finding Nemo" ou Eddie Murphy em "Shrek" é melhor do que muitos actores de comédia a sério fazem na vida real. Assim sendo, para mim, conta tudo. E Judy Greer - aliás, todo o elenco de "Archer" mas Judy Greer e H. Jon Benjamin (falaremos sobre ele mais à frente nos prémios) em particular - são soberbos. Não há uma palavra fora do sítio ou mal pronunciada, sempre com o tique e a entoação certa. E depois, de vez em quando, lá vem aquela doçura inapropriada de Greer quando menos esperamos. E Cheryl - ou Crystal - só tem vida porque Greer cria ali, com apenas a sua voz, uma personagem fascinante. Continuando. Merritt Wever. Se este prémio fosse dado pela segunda temporada de "Nurse Jackie", esta enfermeira adorável e fofinha ganhava-o. Zoey é desajeitada e atabalhoada, contudo só o é porque Wever pretende que ela o seja. Outro actor podia fugir de ser o trapalhão e tentar ler só as suas falas com jeito e humor, mas Wever, destemida e confiante, eleva o seu jogo. Temerária é também Rebecca Creskoff. "Hung" não lhe dá muito para fazer, mas nunca vi uma actriz que aproveite tão bem o pouco tempo de ecrã que tem para roubar a cena aos protagonistas. A mulher é, à falta de melhor palavra, incandescente. Falemos agora de Julie Bowen, a "arma secreta" de "Modern Family". Isto quando a série a deixa brilhar o que, convenhamos, não acontece muito frequentemente. Excelente no humor físico, impecável na forma como aproveita a química com Ty Burrell e Jesse Tyler Ferguson (o seu marido e o seu irmão, respectivamente, na série) para conferir mais nuance e personalidade à sua personagem e exímia na entrega das suas falas. Uma verdadeira profissional. Vamos agora falar do estranho caso de Mayim Bialik. "The Big Bang Theory" não precisava dela. Ou melhor, precisava, só que não o sabia (ainda). Bialik conseguiu o improvável feito de melhorar todas as personagens à sua volta, desde Sheldon a Penny. Sim, Sheldon continua a ser incrivelmente sociopata. Todavia, a sua interacção com Amy revela facetas do seu carácter até agora desconhecidas. Também Penny tem finalmente hipótese de ter histórias que não envolvam os rapazes e de mostrar que é mais do que uma menina bonita que nunca deixa um homem sem resposta. A somar a tudo isto: Bialik é hilariante. Ficamos todos a ganhar com esta adição. Finalmente, a minha vencedora: Christa Miller. Porque eu amo "Cougar Town". Porque a principal razão para eu amar "Cougar Town" é Miller. Porque de cada vez que ela responde mal a alguém, insulta Courteney Cox ou Busy Philips, chama idiota a um e atrasado a outro e comporta-se depois pior que qualquer um deles eu dou um pulo no meu assento e quase aplaudo de alegria. Ver a Ellie ser a Ellie faz-me feliz. Pronto. Eu disse.
 
Estes são os meus nomeados para melhores. Quais são as vossas escolhas?

DAFA 2011: Cinema e Televisão


Dentro de dias pretendo começar as minhas premiações de cinema e televisão para o ano de 2011. Tenho filmes que lamento não ter visto, infelizmente (entre eles "Alps", "Shame", "Weekend", "Margaret", "Pariah", entre outros), filmes que ainda pretendo ver ("Hugo" e "Le Havre", por exemplo) e filmes que não quero, pura e simplesmente, ver (como o novo "Transformers" ou o mais recente "Twilight"). Este ano, juntarei aos prémios de cinema os prémios de televisão, nos moldes do que havia feito em 2010 (não sei se terei tempo para uma crítica extensiva de todas as séries que acompanhei no ano transacto; esperemos que sim mas não prometo nada).

Espero que do meu certame de filmes premiados surjam várias sugestões para leitores que não têm podido acompanhar a cobertura (pobre, ainda assim) da corrida aos Óscares deste ano e, acima de tudo, vou tentar ao máximo nomear e falar de filmes mais desconhecidos, alguns destes estrangeiros, que desta forma possam ganham maior audiência. Eles bem merecem. Espero também conseguir cativar a vossa atenção para algumas séries de inegável qualidade que são mais desconhecidas cá pelo território português.

Com isto quero então pedir: há algum filme (ou série) que pensam que eu tenho que ver antes de compilar os meus prémios? Alguma sugestão que me queiram fazer?

Há um ano, os premiados foram estes - AQUI. Se têm interesse em espreitar todos os nomeados, é só clicarem neste link AQUI que vos levará ao separador dos Dial A For Awards de 2010, de onde "The Social Network" saiu vencedor, com cinco vitórias.




 - Os principais vencedores dos DAFA 2010 -

E este ano? Quem acreditam que vai sair vencedor?

DAFA 2010: Melhores Cenas e Encerramento




Bem-vindos à primeira edição dos Dial A For Awards, a cerimónia de prémios de cinema do nosso blogue, Dial P For Popcorn. Iremos revelar, categoria a categoria, os nossos seis nomeados e três vencedores entre aqueles que foram, para nós, os melhores filmes de 2010.

(Se pretenderem ver os prémios para trás, cliquem AQUI)

Chegamos, com as categorias de Melhor Cena Inicial e Melhor Cena Final, ao fim da minha premiação dos melhores de 2010. Esperemos que para o ano corra melhor e que seja mais rápido e organizado. Vamos a MELHOR CENA INICIAL.


Melhor Cena Inicial:
ANOTHER YEAR
BLACK SWAN #2
I AM LOVE 
THE KING’S SPEECH
THE SOCIAL NETWORK  #1
THE TOWN #3

É preciso um realizador com muita confiança para principiar um filme, também ele, a transbordar de confiança. A cena inicial de The Social Network, uma troca acesa de ideias quase impossível de acompanhar, tamanha a rapidez, e as consequências que despoleta esta discussão são a porta de entrada perfeita para um grande filme. A abertura de Black Swan, com Nina a sonhar, uma vez mais, com o Lago dos Cisnes que um dia sonha dançar como primeira bailarina da companhia, é também ela uma entrada de sonho para um filme com um foco muito intenso na psique, no sonho, na ilusão da mente. Finalmente e embora "The King's Speech", "Another Year" e "I Am Love" tenham muito boas cenas de abertura, escolhi a de The Town para fechar o pódio, porque consegue ser reminiscente, quase instanteamente, de outra grande cena de abertura de um dos melhores filmes de acção da última década ("The Dark Knight") e, ao mesmo tempo, completamente irreverente e original.


Falemos agora da MELHOR CENA FINAL:


Melhor Cena Final
BLUE VALENTINE  
L’ILLUSIONISTE
RABBIT HOLE #3
THE GHOST WRITER #2
THE KIDS ARE ALL RIGHT 
TOY STORY 3 #1

Resumindo isto de forma muito simples: seis finais perfeitos. Um que me deixa em total estado de desespero ("L'Illusioniste"), com o seu protagonista finalmente a sucumbir e a aceitar que a sua arte, outrora tão querida, não é mais admirada como devia e a partir para outra. Outro ("Toy Story 3") que é tão perfeito e humano e real e faz doer tão profundamente e nos estupefacta - afinal, estamos a chorar por brinquedos? Dois finais previsíveis, expectáveis e até mesmo desejáveis ("Blue Valentine" e "Rabbit Hole") - o primeiro, porque só assim poderia terminar aquela relação, desprovida já de amor, de afecto, de união, só a filha resta como símbolo do amor que já lá vai; o outro, porque depois da calamidade, depois da negação, depois da frustração, vem a aceitação, a paz interior, a esperança em dias melhores. Depois vem o outro, um retrato perfeito da família moderna, uma cena imaculada retirada da nossa vida de todos os dias: os pais deixam o filho na universidade, o casal dá as mãos, a família está bem e unida. Finalmente e talvez o mais enigmático de todos ("The Ghost Writer"): um homem nada extraordinário é, por força das circunstâncias, silenciado. A sua morte, que iria revolucionar todo o secretismo patente no filme inteiro, porque finalmente havia descoberto o segredo,  acaba por deitar por terra a esperança do espectador em ver solucionado o mistério. A passagem do envelope entre as pessoas, o choque patente na cara do político, folhas a esvoaçar quando o carro atropela o escritor fantasma. Poético, assombroso, real. Uma cena brilhante.


Aqui termino, então, as festividades de 2010. Agradeço por me terem acompanhado ao longo de quase um ano. "The Social Network" foi o filme mais galardoado, com cinco vitórias, seguido de "Black Swan" com três. Cá ficam as contas finais:

Filme: THE SOCIAL NETWORK
Filme Português: JOSÉ E PILAR
Filme Estrangeiro: LOLA
Animado: HOW TO TRAIN YOUR DRAGON
Documentário: EXIT THROUGH THE GIFT SHOP

Elenco: THE KIDS ARE ALL RIGHT
Actor: BLUE VALENTINE (Ryan Gosling)
Actriz: RABBIT HOLE (Nicole Kidman)
Actriz Secundária: ANOTHER YEAR (Lesley Manville)
Actor Secundário: THE FIGHTER (Christian Bale)

Realizador: BLACK SWAN (Darren Aronofsky)
Argumento Original: THE KIDS ARE ALL RIGHT
Argumento Adaptado: THE SOCIAL NETWORK

Fotografia: I AM LOVE
Direcção Artística: THE GHOST WRITER
Guarda-Roupa: I AM LOVE
Maquilhagem: THE RUNAWAYS
Efeitos Visuais: INCEPTION
Efeitos Sonoros: INCEPTION
Edição: THE SOCIAL NETWORK

Peça Musical: BLACK SWAN (Perfection)
Banda Sonora: THE SOCIAL NETWORK
Banda Sonora Não-Original: TRUE GRIT
Canção Original: HOW TO TRAIN YOUR DRAGON

Poster: BLACK SWAN
Trailer: THE SOCIAL NETWORK

DAFA 2010: Melhor Realizador, Filme Estrangeiro, Filme Português e Filme




Bem-vindos à primeira edição dos Dial A For Awards, a cerimónia de prémios de cinema do nosso blogue, Dial P For Popcorn. Iremos revelar, categoria a categoria, os nossos seis nomeados e três vencedores entre aqueles que foram, para nós, os melhores filmes de 2010.

Mais três categorias, sobre as quais não me vou alongar muito. Vamos primeiro a MELHOR FILME ESTRANGEIRO. Esta foi uma categoria relativamente pobre este ano, devido aos poucos bons filmes estrangeiros que nos chegaram a Portugal. Ainda assim, consegui compilar uma lista de 6 nomeados e 4 finalistas. Apetecia-me nomear os dez, mas na verdade decidi que tinha de ser coerente e reduzi para seis apenas. De fora ficaram "Biutiful", "In A Better World", "Incendies" e "The Edge", todos merecedores de uma nomeação, mas que infelizmente tive que abandonar em detrimento das minhas seis escolhas. Os meus nomeados são:



DOGTOOTH
EVERYONE ELSE #3
I AM LOVE
L'ILLUSIONISTE
LOLA #1
WHITE MATERIAL #2


Quem viu a minha lista dos melhores filmes de 2010 teria que suspeitar que para aqui passariam os filmes estrangeiros lá mencionados e portanto não é surpresa nenhuma ver cá "Lola", "L'Illusioniste" e "White Material". De "L'Illusioniste" disse: "Os últimos momentos do filme, em que seguimos um desapegado mágico sem nada que o prenda à sua vida antiga deixar tudo e todos e partir com fim incerto, abandonando assim subitamente a arte que tanto promoveu por tantos anos, são de trespassar o coração com uma faca. O resto do filme não é igualmente fácil de engolir - uma incrível metáfora de como tudo na vida, inclusive os gostos e as pessoas, mudam". Sobre "Lola": "Uma história de luta, de sobrevivência, "Lola" é mais uma peça inolvidável que Brillante Mendoza nos traz.". De "White Material": "Paisagens apaixonantes, mensagem apolítica, enigmática e bizarra película. Mesmo pairando a sensação de perigo eminente e revolução, Isabelle Huppert aí continua, firme, serena e impávida, como se nada a deitasse abaixo. Um filme extraordinário. Uma interpretação prestigiosa.". Os outros três filmes foram paulatinamente aparecendo como nomeados em outras categorias. "I Am Love" é de uma qualidade técnica prodigiosa, uma estreia de sonho do realizador Guadagnino e com uma enorme interpretação de Tilda Swinton no seu centro. "Dogtooth" pode ser estranho, misterioso, difícil de compreender, mas é também uma peça formidável de cinema e um dos retratos mais impressionantes e irónicos que já vi do que é a paternidade e do efeito que os pais têm nos seus filhos. "Everyone Else" foi uma adição tardia à lista dos melhores do ano. Se eu o tivesse visto antes, teria aparecido nos meus melhores do ano. Ainda assim, veio a tempo de figurar em várias categorias. Mesmo não abordando nada de novo, "Everyone Else" conta a história do fim-de-semana deste jovem casal como se narrasse toda a sua vida conjunta, alternando tristeza, raiva, delicadeza, paixão, sensibilidade, fragilidade, humor, conflito, angústia com aparente leveza e facilidade, explicando-nos que a base de qualquer relação são, acima de tudo, os pequenos detalhes, que tão facilmente juntam duas pessoas como as separam.


Um certame ainda mais pequeno serviu de base aos meus nomeados para MELHOR FILME ESTRANGEIRO. Admito que não vi muito cinema português em 2010 e gostava de ter visto mais. Ainda assim vi cinema português suficiente para perceber que 2010 foi um ano algo atípico e, por isso, ímpar na história do nosso cinema. Cá estão os nomeados, os três galardoados internacionalmente e todos com aclamação crítica (optei por três nomeados apenas porque penso que não tinha base para votar em seis):


JOSÉ E PILAR #1
MISTÉRIOS DE LISBOA #2
O ESTRANHO CASO DE ANGÉLICA #3

Um dos meus nomeados é a obra épica - e última - de Raul Ruiz, "Mistérios de Lisboa", que condensa a prosa de lento passo e novelesca de Camilo Castelo Branco num monstro cinematográfico que nos consume, que nos incandesce e que nos persegue, do primeiro ao último minuto. Nenhum segundo é desperdiçado nas mais de quatro horas de filme. O outro nomeado é o nosso candidato aos Óscares de 2011, "José e Pilar", uma história de amor invulgar em formato de documentário, que narra a escrita do último livro de José Saramago, "A Viagem do Elefante" mas, mais do que isso, aborda de frente as fortes convicções e o temperamento difícil do Nobel português e, em simultâneo, nos faz perceber como foi fácil a Saramago apaixonar-se por Pilar. Finalmente, o meu terceiro nomeado é o mais recente filme do nosso velho mestre do cinema português, Manoel de Oliveira. "O Estranho Caso de Angélica" é enigmático mas encantador, simples mas puro e espiritual. Maravilhoso. Nunca a visão do sopro da morte foi filmada de forma tão bela.

Faltam duas categorias, possivelmente as mais importantes. Penso que, como até partilham bastantes semelhanças, vou anunciar as duas categorias juntas.




MELHOR REALIZADOR:

Darren Aronofsky, BLACK SWAN #1
Derek Cianfrance, BLUE VALENTINE
Ethan e Joel Coen, TRUE GRIT
David Fincher, THE SOCIAL NETWORK #2
Christopher Nolan, INCEPTION
David O’Russell, THE FIGHTER #3

Este ano, os Óscares acertaram em cheio nos nomeados. O único que eles nomearam e que eu não menciono aqui - aquele que, coincidência ou não, venceu - foi Tom Hooper ("The King's Speech"). De resto, estão cá todos: Darren Aronofsky, Ethan e Joel Coen, David Fincher e David O'Russell. Acrescentei a estes dois mestres máximos de controlo da atmosfera, do tom, da história, da direcção de actores e da realização: Derek Cianfrance e Christopher Nolan.

Se tivesse que falar de uma característica que trouxe cada realizador especialmente cá: diria que O'Russell está aqui pelo ritmo que imprimiu ao seu filme, Nolan pela mestria com que realiza o seu trabalho, Fincher pela confiança que transborda e que imprime no seu filme, os irmãos Coen pela qualidade inegável com que cozinham os seus filmes, Cianfrance pela naturalidade com que as cenas (e as interpretações) no seu filme surgem e se entrecruzam e finalmente Aronofsky pela sua extravagância e talento, bem exibidos em "Black Swan", do qual é sem dúvida para mim a parte mais forte. E é por este contributo tão valioso para o seu filme que é o meu vencedor ("Black Swan" não sairia assim nas mãos de mais ninguém).

E finalmente... MELHOR FILME. Não vou tecer grandes comentários, até porque já os fiz AQUI. Deixo-vos com os meus seis melhores filmes do ano e os meus três preferidos (se me seguem há algum tempo, saberão certamente quais são).



MELHOR FILME:

BLACK SWAN
HOW TO TRAIN YOUR DRAGON
BLUE VALENTINE
#2
THE FIGHTER
THE KIDS ARE ALL RIGHT #3
THE SOCIAL NETWORK #1
 
 

DAFA 2010: Melhor Fotografia, Direcção Artística, Maquilhagem e Guarda-Roupa





Bem-vindos à primeira edição dos Dial A For Awards, a cerimónia de prémios de cinema do nosso blogue, Dial P For Popcorn. Iremos revelar, categoria a categoria, os nossos seis nomeados e três vencedores entre aqueles que foram, para nós, os melhores filmes de 2010.

Arrumando agora com as categorias técnicas, cá vão quatro categorias de uma só vez: Melhor Fotografia, Melhor Direcção Artística, Melhor Maquilhagem e Melhor Guarda-Roupa. O comentário não vai ser muito alongado em cada uma para não ficar um artigo muito comprido.




MELHOR FOTOGRAFIA:
 
BLACK SWAN (Matthew Libatique)
ENTER THE VOID (Benoît Debie) #2
I AM LOVE (Yorick Le Saux) #1
SOMEWHERE  (Harris Savides) #3
WHITE MATERIAL (Yves Cape)
WINTER'S BONE (Michael McDonough)

Este ano foi especialmente forte em cenas e imagens memoráveis e por isso me custou tanto excluir da conversa fabulosos feitos como os de Harris Savides em "Greenberg", Jeff Cronenwerth em "The Social Network", Wally Pfister em "Inception", Anthony Dod Mantle em "127 Hours", Robbie Ryan em "Fish Tank", Pawel Edelman em "The Ghost Writer", Roger Deakins em "True Grit", Robert Richardson em "Shutter Island" e Adam Arkapaw em "Animal Kingdom". Não havia, no entanto, forma de negar a inegável qualidade do trabalho de Yorick Le Saux, delicado, luxuoso, sumptuoso e tão vivo e expressivo como a intepretação de Tilda Swinton. A fotografia de Benoît Debie de "Enter the Void" é, como o filme, electrizante e camaleónica, fruto de uma mente genial mas completamente louca. Igualmente enérgica é a fotografia de Matthew Libatique para "Black Swan", que em conjunto com a direcção artística e a edição ajudam a conferir um tom sombrio, cheio de suspense à trama. Harris Savides oferece a "Somewhere" um ar vibrante e encantador, quase poético até, que serve de pano de fundo a uma história que ganha muito da sua atmosfera e tom. "Winter's Bone" passa uma imagem fria, soturna e desconfortável muito graças à fotografia de Michael McDonough. E "White Material" apresenta-nos um excelente trabalho de Yves Cape, que nervosamente alterna entre as fantásticas paisagens africanas e os close-ups nas personagens.



MELHOR DIRECÇÃO ARTÍSTICA:
 
BIUTIFUL (Marina Pozanco) #3
DOGTOOTH (Stravros Hrysogiannis)
EVERYONE ELSE  (Silke Fischer e Volko Kamensky) #2
SHUTTER ISLAND (Dante Ferretti)
THE GHOST WRITER (Albercht Konrad) #1
THE KING'S SPEECH (Eve Stewart)
 
Engraçado que eu este ano tenha ficado muito mais impressionado com o exibicionismo do que com o minimalismo que é o meu tipo de direcção artística favorita. Marina Pozanco ("Biutiful") não poupou esforços em fazer tudo parecer o mais miserável, nojento e peculiar possível. Stravros Hrysogiannis ("Dogtooth") faz-nos recear o familiar e abraçar o esquisito. Eve Stewart ("The King's Speech") toma particular cuidado à estrutura e ao espaço e confere um acolhedor conforto a edifícios que de outro modo parecem frios, distantes, o que não serviria a história. Dante Ferretti ("Shutter Island") é a grande estrela do último filme de Scorcese, com uma produção artística impressionante, assombrosa e misteriosa, a fazer jus ao tom sombrio da película. Inicialmente queria obrigar-me a optar entre Albrecht Konrad ("The Ghost Writer") e Fischer e Kamensky ("Everyone Else") para o último lugar dos nomeados. A razão pela qual é-me difícil dissociar ambos é a semelhança no seu trabalho, em ambos os casos minimalista e em ambos os casos com segundas intenções, dado que as geniais casas que orquestraram para os respectivos filmes funcionam também como uma espécie de prisão metafórica de onde ninguém pode escapar incólume. Acabei por colocar os dois e excluir outro merecedor nomeado, "I Am Love", que seria a minha sétima escolha, por uma razão muito simples: é que eu considero que a fotografia ajuda mais ao ar sofisticado do filme do que a produção artística, ao contrário do que acontece com "The King's Speech", por exemplo (daí a exclusão deste dos nomeados para Fotografia) e por isso decidi por estes nomeados.
 


MELHOR GUARDA-ROUPA:
 
BLACK SWAN (Amy Westcott)  #3
I AM LOVE  (Antonella Cannarozzi) #1
INCEPTION
(Jeffrey Kurland)
MADE IN DAGENHAM (Louise Stjernsward)
THE RUNAWAYS (Carol Beadle)   #2
TRUE GRIT
(Mary Zophres)

A gradação de cor e a brilhante (literalmente) indumentária das bailarinas são mostra do belíssimo trabalho de Amy Westcott em "Black Swan". Também é a cor, mais vibrante e berrante, das roupas um dos grandes factores de sucesso de "Made in Dagenham", de uma diversidade e de uma originalidade impressionantes. Um espectacular exemplo de guarda-roupa moderno e contemporâneo pode ser visto em "Inception", no qual Jeffrey Kurland veste a equipa comandada por Cobb de forma visualmente sofisticada. Mary Zophres acerta na mouche no visual e no aspecto dos cowboys e foras-da-lei de "True Grit", num guarda-roupa memorável. Antonella Cannarozzi ("I Am Love") foi uma das boas surpresas do ano, ao conferir sensualidade e profundidade emocional à sua protagonista através dos vestidos que usa. Roupas gloriosas e luxuosas, arrojadas e sumptuosas, ao nível da Casa Recchi. Menos pomposo mas não menos fabuloso é o guarda-roupa de "The Runaways". Carol Beadle recria visuais icónicos para estas roqueiras extraordinárias com um enorme sentido de época, cor e estilo.



MELHOR MAQUILHAGEM:
 
127 HOURS #2
BIUTIFUL
BLACK SWAN
#3
THE FIGHTER
THE RUNAWAYS #1
THE WAY BACK


Nomeados estes fáceis de explicar, sendo um ano fraco para o pessoal da maquilhagem e penteados. "The Fighter" e "The Way Back" são escolhas óbvias, com cicatrizes e marcas de desidratação, que os personagens de ambos filmes transportam como símbolos da sua capacidade de auto-superação. "Biutiful" passando-se nos bairros pobres de Barcelona, ruas cheias de miséria e podridão. A transformação física de Bardem enquanto homem doente e a morrer é também um trabalho louvável. "127 Hours" ganharia sempre cá lugar, sobretudo depois da icónica cena da amputação. O resultado final, em termos visuais, é bastante credível. Juntem-lhe marcas de desidratação, face cheia de areia e terra e corpo dorido e cheio de cortes e pequenas feridas e cá têm um vencedor. Sofrimento físico é também palpável em "Black Swan", ao qual se junta uma magnífica cena em CGI com a saída das asas do corpo da bailarina. Por fim, chegamos ao melhor que esta categoria tem para oferecer. Num filme com estrelas - e maquilhagens - tão icónicas como as do grupo "The Runaways" de Cherry Currie e Joan Jett, era natural que o pessoal da maquilhagem brilhasse. E de facto a maquilhagem transforma-as completamente.



DAFA 2010: Melhor Actor




Bem-vindos à primeira edição dos Dial A For Awards, a cerimónia de prémios de cinema do nosso blogue, Dial P For Popcorn. Iremos revelar, categoria a categoria, os nossos seis nomeados e três vencedores entre aqueles que foram, para nós, os melhores filmes de 2010.

O bom de ter deixado os prémios principais para agora (não que tivesse sido propositado) é que posso olhar para 2010 com novos olhos, em retrospectiva, em busca de algo que não tivesse visto bem há meio ano atrás, quando redigi as minhas nomeações. Em resultado disto, esta categoria - Melhor Actor - teve uma mudança curiosa, a adição de uma interpretação que eu pensava que não ia permanecer comigo durante muito tempo.







MELHOR ACTOR:
Javier Bardem, BIUTIFUL  #2
Jesse Eisenberg, THE SOCIAL NETWORK  #3
Colin Firth, THE KING’S SPEECH
James Franco, HOWL (também por: 127 HOURS)
Ryan Gosling, BLUE VALENTINE  #1
Edgar Ramirez, CARLOS 


Ao contrário das actrizes, o ano não foi propriamente forte em grandes interpretações de actores. Não foi, por isso, uma tarefa assim tão complicada escolher estes seis nomeados. A merecer menção de qualquer forma, de fora ficou o trabalho quieto e subtil de Ewan McGregor ("The Ghost Writer"), a raiva controlada de Aaron Eckhart ("Rabbit Hole"), a forma impressionante como Jeff Bridges ("True Grit") transforma um papel inolvidável que deu um Óscar a outro numa personagem inteiramente sua, a interpretação medida, honesta e natural de Mark Wahlberg ("The Fighter") e a irrepreensível viagem de Lars Eidinger ("Everyone Else") de carinhoso e afectuoso a um autêntico mau carácter.

"127 Hours" e, especialmente, "Howl" mostraram-me um lado de James Franco que ainda não tinha visto. Se por trabalhos mais recentes já sabíamos que era talentoso, a transformação em estrela de cinema surgiu definitivamente com estes dois trabalhos, tão distintos e originais. Variedade, brilho e profundidade emocional são características que qualquer bom actor deve possuir, mas capacidade de conduzir um filme de duas horas sem nunca aborrecer o espectador só poucos actores de calibre conseguem. Franco é um deles. E fê-lo duas vezes este ano. Numa, foi subtil, misterioso e pensativo. Noutra, exuberante, entusiástico, humorado. Em ambas sucedeu plenamente. Jesse Eisenberg ("The Social Network") foi a descoberta do ano para muitos - não para mim que já tinha visto o que ele consegue fazer em "The Squid and the Whale", "Adventureland" e "Zombieland". Em "The Social Network", Jesse Eisenberg não falha uma vez na entrega das falas, não perdoa nas expressões e reacções e é capaz de mostrar desprezo, indiferença e simpatia quase em simultâneo, no espaço de segundos. Custa admitir que admiramos uma pessoa tão rude, arrogante, prepotente e condescente. Com uma confiança e uma naturalidade anormais para quem tem que intepretar alguém tão instantaneamente genial e icónico como Mark Zuckerberg contudo aproveitando para em certos momentos mostrar o quão fraco, invejoso, desconfiado e vulnerável ele realmente é, Eisenberg oferece-nos uma das maiores interpretações da década. De Colin Firth ("The King's Speech") já meio mundo falou e por isso eu pouco preciso de dizer. Não sendo tão impressionante como a sua interpretação em "A Single Man", é ainda assim um trabalho excepcional da sua parte. A química que tem com Geoffrey Rush e a forma como soube exibir tanto as qualidades como as fraquezas do seu Rei fazem desta interpretação uma das melhores da sua carreira e, por isso, merecedora do Óscar que recebeu.

Javier Bardem ("Biutiful") proporciona-nos a experiência mais realista, desconfortável e confrontadora que tive numa sala de cinema em 2010. Em "Biutiful", Javier Bardem entrega-se por completo a Innaritú e mergulha bem fundo na humanidade da sua personagem, fazendo-nos ver o mundo pelos seus olhos e chorar e sofrer com ele. Em termos de imersão, nesta categoria, só Ryan Gosling compete com ele. Em "Blue Valentine", Gosling está absolutamente irreconhecível. Disse eu na crítica ao filme, "imerso profundamente no personagem, conserva todos os elementos fundadores da sua personalidade ao longo das duas partes distintas da história, conferindo no entanto características diferentes aos dois estados de Dean. O primeiro Dean é um ser-humano completo. O Dean mais velho é uma sombra, um fragmento do seu "eu" passado, um homem de coração partido, destruído pela vida e pela dificuldade em manter uma relação que desde o início se revelou imensamente complicada de gerir e pela qual fez tudo. A sua dor é palpável e o seu sofrimento ao sentir a indiferença da mulher, mesmo ele dando tudo por ela, é de partir o coração." Mantenho tudo aquilo que disse. Finalmente, Edgar Ramirez. "Carlos" é, na sua essência, uma exposição dos talentos do actor que interpreta Carlos o Chacal. Ramirez não foge da imagem do bruto e temível terrorista, pincelando a sua interpretação de humanidade e calor que não deixam ninguém ficar indiferente e torna complicado detestarmos a pessoa.

Agora vocês: em retrospectiva, quais as interpretações de 2010 que ainda vos enchem as medidas?