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DIAL P FOR POPCORN

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A STREETCAR NAMED DESIRE (1951)


Este artigo faz parte da minha participação na rubrica do The Film Experience Blog de Nathaniel Rogers, "Hit Me With Your Best Shot", na qual é-nos requerido escolhermos uma imagem icónica do filme em discussão nessa semana e justificar a nossa opinião. Esta semana dedicamo-nos a A STREETCAR NAMED DESIRE, a obra-prima de Elia Kazan baseada na peça imortal de Tennessee Williams, cujo centenário do seu nascimento nos encontramos a celebrar esta semana. Uma vez que esta rubrica é feita para um sítio inglês, o artigo tem que ser colocado nas duas línguas. Espero que gostem, de qualquer forma. [N.B.: O texto tem 'spoilers'].



Há tanta coisa que gosto no A STREETCAR NAMED DESIRE (invariavelmente, a obra-prima de Tennessee Williams e um dos melhores filmes do enorme Elia Kazan) que torna tão difícil resumi-lo em meras poucas palavras. É seguramente um dos maiores dramas de sempre. É um dos maiores exemplos de um trabalho de elenco de qualidade da História. É uma peça indissociável do clima cinematográfico dos anos 50, considerado demasiado risqué, controverso, inconveniente, provocante, mas que parece bastante sedado em relação aos tempos de hoje. Nele está presente um confronto interessantíssimo entre dois dos maiores intérpretes que o grande ecrã alguma vez já viu: o defensor do 'method acting', Marlon Brando, num dos seus primeiros papéis de relevo; e a rainha da Velha Hollywood e lenda cinematográfica, Vivien Leigh, que já nos tinha oferecido uma das maiores personagens da História do cinema (estou a falar, claro, de Scarlett O'Hara). Ambos conseguem magníficas interpretações que iriam conduzir, eventualmente, a nomeações para os Óscares da Academia para os dois (aliás, os quatro actores principais da trama viriam a ser nomeados, resultando em três vitórias; só Brando perdeu).


A STREETCAR NAMED DESIRE conta a história de Blanche DuBois, uma dama do Sul  que decide visitar a sua irmã Stella, que vive em Nova Orleães com o seu marido, Stanley Kowalski, um homem rude, animalesco, bruto e mal-educado. Durante a sua estadia na casa da irmã, Blanche é testemunha do forte abuso que a sua irmã tem de aturar por parte do marido, sem esboçar esta qualquer reacção (ela ama-o perdidamente, o que poderá explicar parte desta passividade) - abuso este do qual ela mais tarde virá a ser vítima. O abuso e a tortura que Stanley impõe sobre a doce e sonhadora Blanche destrói o pouco de sanidade que esta ainda possui, levando a que ela seja institucionalizada.


Tennessee Williams tem um dom para escrever para mulher. Consegue ver para lá do óbvio e mostra-nos a sua vulnerabilidade, o seu sofrimento, o seu orgulho, de forma crua e honesta, real.  Blanche DuBois é uma mulher fracassada. Decadente e desavergonhada, como os habitantes de Auriol, a terra onde vivia, fazem questão de a descrever. Narcisista, histérica, pomposa e artificial, Blanche é uma criação mítica que muitas actrizes matariam para interpretar. Que Vivien Leigh tenha sido tão bem sucedida no papel (ainda para mais porque era a única dos quatro principais que não tinha ligação com o espectáculo na Broadway, tendo substituído Jessica Tandy na transformação da peça em filme) diz muito da sua verdadeira qualidade como actriz. Vivien incorpora a sua Blanche de tanta falsa felicidade (as cenas com Mitch (Karl Malden) são uma delícia, tal é  o desvario da sua cabeça), de tanta necessidade e urgência e desejo, balanceando-o com o graciosidade, charme e delicadeza, enquanto nos proporciona uma visão priveligiada da sua dor, da sua psique, que é fenomenal observar a sua abordagem muito única às suas personagens. A peça está desenhada para nos fazer sentir pena dela e da sua irmã; contudo, Leigh imprime sentimentos e emoções e reacções em Blanche que nunca nos permite identificar e simpatizar com a sua história, dando-nos oportunidade para perceber o porquê de tanta implicância de Stanley. Imensamente irritante numas cenas, enternecedora noutras, assim é  Blanche DuBois. Uma criação incompleta - talvez para sempre assim. Uma grande interpretação, de qualquer forma. 


Marlon Brando é também brilhante. Stanley Kowalski é um homem atroz, sem dúvida. Ele bate na mulher, ele berra e discute, ele parte e atira coisas pelo ar, ele mete-se em confusões e lutas só porque lhe apetece e ainda por cima decide que é sua missão torturar mental e fisicamente a sua cunhada. A sua personagem é tão vil, tão violenta e real, tão complicada de ler que se torna impressonante imaginar de que forma vai reagir da próxima vez. A cena em que ele é abandonado na sua casa, no escuro, bêbedo e a chorar por ter batido à sua mulher e os gritos de "Stella!" que se seguem, é de arrancar o coração. Algo que nem devia ser posto em questão (afinal, ele acabara de bater à mulher!), Brando consegue fazer-nos sentir pena e compaixão pela personagem. Um desempenho fantástico.


Curiosamente, o elemento surpresa da história e sem dúvida a figura mais interessante do filme é a terceira parte deste triângulo: Stella (Kim Hunter). Impossível de desvendar o que pensa, o que sente. Por que razão está ainda com Stanley, quando toda a gente no seu bairro conhece como ele é? Como é que ela aguenta com tanta parvoíce que a sua irmã profere? Hunter torna Stella uma mulher enigmática, emotiva, reactiva, a sua face iluminando-se nalguns momentos cruciais na película. Comporta-se ingenuamente a maior parte do tempo, todavia de repente exibe uma espécie de despreocupação, temeridade, non-chalance, uma capacidade de abstracção que me fascina na personagem.  No início é-nos óbvio que quando Stella, depois de espancada, abandona a sua casa, que ela voltará. Ela deseja Stanley ardentemente e por ele faz tudo. É chocante apercebermo-nos que ela não o teme; ela até o compreende. Tudo isto torna a cena final, em que Stella volta a abandonar o seu domicílio depois do internamento da irmã, desta vez "de uma vez por todas", segundo ela, tanto ou mais imperiosa - será mesmo de vez?


E agora a minha escolha para melhor imagem. A que representa, para mim, o melhor que este triângulo de relações nos oferece no filme. Blanche torturada por Stanley. Stanley, bruto, sem noção de como é. Stella agindo como mediadora, nunca escolhendo lados neste feudo. E Blanche procurando segurança numa irmã que não sabe em quem confiar mais.




Nota Final:
A

Informação Adicional:
Realização: Elia Kazan
Argumento: Tennessee Williams
Elenco: Vivien Leigh, Kim Hunter, Marlon Brando, Karl Malden
Ano: 1951



CABARET (1972)

 

«Leave your troubles outside.
So life is disappointing, forget it!
In here life is beautiful.»
 

A citação acima pertence à música introdutória de "Cabaret", o filme mais famoso do realizador-coreógrafo Bob Fosse. É através dessa música, "Willkommen", brilhantemente escrita e composta por Ebb e Kander que o Mestre de Cerimónias do clube nocturno Kit Kat Klub (interpretado magnificamente por Joel Grey) nos dá as boas-vindas ao mundo do Cabaret.

Este musical tão fora do habitual é um deleite de ir desvendando, apresentando-nos tanto detalhe, tanta cor, tanta imaginação, tanta alma, que é impossível não nos contagiarmos e nos deixarmos levar, precisamente abandonando os nossos problemas durante as duas horas do filme.


"Cabaret" passa-se na antecâmara da II Guerra Mundial, na Berlim de 1931, numa altura em que, enquanto se assistia à ascensão do Partido Nazi, se vinha assistindo a um aumento na ambiguidade sexual, na decadência e em que locais como os cabarés eram francamente apreciados pela sua falta de pudor em expor o que a protagonista, Sally Bowles, viria a caracterizar como "divina decadência". Este paralelismo entre, por um lado, todo uma parte do filme mais política, mais séria, mais machista, existe a outra parte, a alegre, a descontraída, a sensual é o que mais me fascina no filme. E aqui entra o génio de Bob Fosse, que consegue aliar as duas histórias que pretende contar e interrelacioná-las, fazendo-nos perceber que este filme é, sobretudo, um filme sobre as pessoas. 


O argumento do filme segue a personagem principal das "Histórias de Berlim" de Christopher Isherwood, a cantora de cabaré Sally Bowles, uma das personagens mais fabulosas que o Cinema alguma vez teve a oportunidade de conhecer. Por entre a sua falta de tacto e de educação, o seu narcisismo, os seus amuos, a enorme aura de diva que paira sobre ela, os seus mil defeitos e as suas generosas qualidades, a sua falsa vitalidade e devassidão apercebemo-nos que ante nós se desvenda uma das maiores interpretações de sempre. Liza Minnelli cria um monstro perante os nossos olhos. Além dos fantásticos números de dança e canto, Minnelli confere a Sally Bowles uma vulnerabilidade que a personagem, ao tentar esconder, nunca falha em nos mostrar, quer pelo meio da "divina decadência" a que tanto se refere, quer pela forma teatral com que reage à maioria das situações, quer pela forma como guarda para si a maioria dos seus receios, dos seus traumas, das suas desilusões e até quer pela forma como só se dá às pessoas até certo ponto. Emocional e excitável, é certo, mas bastante frágil e secreta. Soberba ao ponto de nos conseguir convencer sempre de que ela, de facto, é apenas uma rapariga que vive o momento, sem preocupações, que acredita fielmente no lema do Cabaret, não levar nada a sério e viver para sempre o presente. E quanto ela se dá a conhecer na totalidade a nós audiência, no seu mais exposto é de partir o coração.


O filme conta-nos portanto a história da relação entre Sally Bowles e Brian (Michael York), um jovem professor de Inglês que se perde na vida nocturna do cabaré e depois a relação destes com dois alunos de Brian, Fritz e Natalia (fazendo depois com esta personagem o paralelismo para o nazismo e para a influência que teve na vida dos Judeus alemães, comunidade da qual Natalia faz parte) e em seguida de Sally e Brian com um milionário excêntrico, bissexual (interpretado de forma muitíssimo interessante por Helmut Griem). A exploração deste amor aparentemente incompreendido e deste triângulo amoroso tão fora do ordinário é o que dá ao filme força motriz. Pelo meio, vão-se entrelaçando situações da vida destas personagens com números de dança e canto no clube nocturno, números esses ricos de realismo, sempre relacionados com o momento em que a acção principal pára. É a este nível que se consegue sentir a enorme interpretação de Joel Grey como o Mestre de Cerimónias de cara pintada e sorriso aberto, que serve de ponto de ligação entre as várias partes do filme, quer esteja a cantar e a dançar, quer esteja a saltar, quer esteja a atirar lama para duas das suas dançarinas que estão envolvidas numa luta em pleno palco, quer esteja a contar-nos a história do seu ménage à trois, ele continua o divertimento e as festividades no cabaré, fazendo-nos sentir todo o entusiasmo, a força, a pujança e a alegria que normalmente pautaria tais estabelecimentos. Joel Grey é fascinante de acompanhar, pois rouba toda a atenção nas cenas em que surge e oferece-nos uma performance completamente bestial.


A acompanhar as prestações do grande elenco temos números musicais intemporais, melodias de uma exuberância e brilho tal que serão amadas para sempre, como "Money Makes The World Go Round", "Mein Herr", "If You Could See Her", "Maybe This Time" e o magnífico final, "Life is a Cabaret"; uma fotografia bastante poderosa, muito pormenorizada, com uma paleta de cores infindável; um argumento muito bem explorado e incisivo, que nos permite acompanhar esta história melancólica e elégica sem nunca perder o norte ao real, inventivamente teatralizado nos números musicais no cabaré; e uma realização extraordinária de Bob Fosse, que lança um olhar bastante cínico e frio às pessoas que habitavam esta Berlim dos anos 30.


Quando o filme chega ao seu fim, percebemos finalmente que este não é um filme feliz e nem o seu número final, "Life is a Cabaret", é uma canção sobre a alegria do cabaré, onde todas as preocupações são abandonadas, como poderia parecer. É, sim, uma elegia, uma canção de lamento, uma canção de desespero, de tristeza, que não só se refere à falsa felicidade patente nestes locais, como também serve como forma de análise ao futuro sombrio que a Alemanha Nazi iria trazer ao mundo, um mundo onde personagens como Sally Bowles e o Mestre de Cerimónias deste cabaré não irão ser toleradas.

E a despedida é feita da mesma forma que fomos introduzidos em cena, pelas palavras melódicas do Mestre de Cerimónias, que de facto nos leva a concordar com ele, dizendo: «Where are your troubles now? Forgotten? I told you so. We have no troubles here. Here life is beautiful.» e despede-se dizendo, antes das cortinas caírem uma última vez: «Auf Wiedersehen, À bientôt».

NOTA:
A

"Cabaret" viria a vencer 8 Óscares na cerimónia de 1972, sendo o filme com maior número de troféus da noite. Venceu Melhor Actriz (Minnelli), Melhor Actor Secundário (Grey), Melhor Edição, Melhor Direcção Artística,  Melhor Som, Melhor Música, Melhor Fotografia e, tendo "The Godfather: Part I" vencido Melhor Filme, conseguiu ficar com o prémio de Melhor Realização (Fosse).

Ficha Técnica:

Realização: Bob Fosse
Elenco: Liza Minnelli, Joel Grey, Michael York, Helmut Griem, Marisa Berenson
Fotografia: Geoffrey Unsworth

Banda Sonora: Fred Ebb (musical "Cabaret") e John Kander
Argumento: Jay Allen



Personagens do Cinema - Dr. Strangelove



Mais uma personagem de Stanley Kubrick. Mais uma personagem mítica e eterna do cinema. Mais um grande actor, sobre o qual Kubrick conseguiu espremer todo o rendimento possível.
Dr. Strangelove é um dos melhores (senão mesmo o melhor) papel de Peter Sellers (que no mesmo filme faz também de Capitão Lionel Mandrake e de Presidente Merkin Muffley), que ao encarnar o papel de um ex-nazi, um cientista louco confinado a uma cadeira de rodas representa uma enormíssima crítica negra feita à evolução bélica e ao aparecimento do novo mundo das armas nucleares.

É uma daquelas personagens que enche um filme. Dr. Strangelove é Peter Sellers. É um homenzinho, com uma figura característica e peculiar e com um pormenor delicioso: A sua mão que, aparentemente, tem vontade própria e que é a marca + evidente do seu passado nazi.

Infelizmente, nem Kubrick, nem Sellers nem Dr. Strangelove conseguiram passar das nomeações (Melhor Filme, Melhor Realizador, Melhor Actor e Melhor Argumento Adaptado) nos Óscares de 1965. No entanto, a grandeza do filme ultrapassou a injustiça e ficou para sempre na história do cinema. Dr. Strangelove é hoje olhado como um filme de culto, sobre o qual tenciono falar-vos em breve.

IKIRU (1952)




"You've never had a day off, have you?" "No." "Why? Are you indispensable?" "No. I don't want them to find out they can do without me."


Acabei de ver esta obra-prima e não aguentei ficar calado. Akira Kurosawa é um visionário. É um homem muito à frente do seu tempo, um homem que imaginou no inicio do século XX, aqueles que seriam os mais graves e controversos problemas do ser humano na nossa actualidade. Estou deliciado, maravilhado e completamente rendido.

Kanji Watanabe é um moribundo e conformado chefe de uma secção de serviços públicos. Funcionário exemplar, cumpriu 30 anos de serviço sem dar uma única falta. Considerava-se sempre muito ocupado, sem tempo para mais nada que não o trabalho. Era viuvo e desde muito cedo se viu obrigado a criar sozinho o seu filho, a quem tudo deu e por quem tudo fez. Viveu para o trabalho, para que nada nunca faltasse ao seu filho. No entanto, chegado à velhice e deparando-se com o casamento do seu filho, percebeu que este não lhe iria retribuir de uma forma generosa e grata todo o esforço que por ele tinha feito. Deixou-se arrastar com o tempo, levando cada dia como mais um.


Até que um dia descobre que tem cancro do estômago. Na altura, terrivelmente fatal. Watanabe tinha a partir desse dia, um prazo de validade: 6 meses.

E eis que tudo na sua vida muda. Uma volta de 180 graus, um abanão que o faz acordar da irracional sonolência para a qual se deixou levar. Decide então viverá a sua vida como nunca o fez antes, apreciará cada momento e retirará lições e conclusões de todas as suas acções. Traça uma meta: Construir um parque infantil, numa zona urbana dificil, ignorada, negligenciada e votada ao esquecimento pelas autoridades da cidade.


Lido isto, parece-nos um argumento repetido, uma história 100 vezes contada. A realidade é que tudo o que temos visto desde então relativo a este tema, não são mais do que a cópia (quase todas elas muito mal feitas) daquele que é o mais magistral de todos os originais. Arika Kurosawa expõe-nos como ninguém o significado da já celebre frase "Carpe Diem" e, terminado o filme, percebemos que nos foi transmitida uma grande lição, que nos faz reflectir e ponderar aquilo em que os nossos dias se transformaram.

Espero sinceramente ter-vos cativado para ver o IKIRU. É um filme obrigatório, memorável e eterno.


Nota Final: A


Trailer:



Informação Adicional:
Realização: Akira Kurosawa
Argumento: Akira Kurosawa, Hideo Oguni, Shinobu Hashimoto
Ano: 1952
Duração: 143 minutos

THE BRIDGE ON THE RIVER KWAI (1957)


“The Bridge on the River Kwai” é um dos maiores clássicos de sempre da história do cinema e um dos primeiros exemplos que vêm à cabeça de grandes épicos da 7ª arte. E a verdade é que não desaponta as expectativas de ninguém que se proponha a ver o filme. Talvez o filme tenha ganho alguns superlativos exagerados ao longo dos anos e certamente a sua longa duração irá despistar alguns cinéfilos mais descrentes, mas para mim mantém toda a sua intemporalidade e mensagem intactas. William Holden e Alec Guinness são os protagonistas desta história de guerra em solo birmaniano que aborda a relação entre três homens – um prisioneiro de guerra em fuga (Holden), um incorruptível coronel britânico (Guinness) e um comandante de um campo de prisioneiros japonês (Hayakawa) e os esforços do primeiro para destruir a imperiosa ponte construída sob mando do segundo e perante a anuência do terceiro – e ambas as interpretações não desapontam, especialmente a de Guinness, gigantesco e inesquecível neste papel.


O filme possui uma fotografia de grande nível, que nos mostra portentosas montanhas e selvas, uma banda sonora que acompanha e eleva o que se passa no ecrã, uma realização de David Lean poderosa, competente, eficaz e um argumento bastante interessante de Boulle (que adaptou o seu próprio romance para a tela) que nos fornece um retrato muito real de quem são aquelas pessoas e das suas personalidades, ideais e valores (com um clímax final extraordinário) e que possui encriptado uma mensagem de paz fantástica, que nos tenta mostrar o quão fútil e inútil é a guerra e que as consequências acabam sempre por ser piores do que as razões que nos lançam para ela em primeira instância – e é este aspecto do filme, o de se focar nas pessoas e nos efeitos que a guerra lhes trazem e não se é certo ou errado ter acontecido esta ou outra guerra, que torna o filme tão especial.




Assim, este é, não só, um filme grande que deleita quem o vê, como também um grande filme que é com todo o mérito considerado um dos pináculos dos filmes de guerra.

David Lean haveria de seguir este grande épico com outros ainda mais reconhecidos, como “Dr. Zhivago”, “Lawrence of Arabia” e “A Passage to India”, imortalizando a sua reputação e preferência pelos épicos.



NOTA:
B+

Um dos maiores filmes de sempre, "The Bridge Over River Kwai" venceria 7 Óscares na cerimónia de 1958: Melhor Filme, Melhor Realizador, Melhor Actor (Guinness), Melhor Fotografia, Melhor Edição, Melhor Banda Sonora e Melhor Argumento.
 
Realização: David Lean
Elenco: Alec Guinness, William Holden, Sessue Hayakawa, Jack Hawkins, Ann Sears, James Donald, Geoffrey Horne, André Morell, Peter Williams, Percy Hebert, Harold Goodwin
Argumento: Pierre Boulle, Michael Wilson e Carl Foreman
Produção: Sam Spiegel
Banda Sonora: Malcolm Arnold
Fotografia: Jack Hildyard

Personagens do Cinema - Jack Torrance


Jack, o Nicholson, tranformou Jack, o Torrance, numa personagem cujo sorriso maquiavélico ficou para a história do cinema.
Vou ter que vos dizer que The Shining não é o meu filme favorito do Stanley Kubrick (é dificil encontrar na sua filmografia um filme favorito!), mas o papel que este criou para Jack Nicholson, um homem consumido pela loucura, paranóico e irracional tornou-o, para mim, num filme inesquecível.


The Shining é uma história que se cria à volta de Jack Torrance, um chefe de família que decide aceitar o emprego (aparentemente assombrado) de guardar um hotel durante os meses em que este estiver fechado. Leva consigo a sua mulher e o seu filho, que serão (aparentemente) a sua única companhia neste local.
Embora inicialmente tudo corra pelo melhor, aos poucos vamo-nos apercebendo das alterações que acontecem em Jack Torrance, que vai crescendo com o filme, atingindo o seu ponto alto perto do final, altura em que nos rendemos por completo. Jack é um maníaco. É uma personagem doentia. É uma interpretação soberba de Jack Nicholson (para mim, o melhor actor de sempre), fascinante também pelo facto de a distância entre o fracasso e o sucesso de uma personagem deste nível ser, no meu entender, bastante ténue. Muitos actores teriam falhado neste papel. Jack Nicholson brilhou.

Pessoas da Década: Charlie Kaufman

Bem-vindos a uma das rubricas semanais do Dial P for Popcorn, a ter lugar no início da semana (normalmente segunda ou terça-feira). Nesta rubrica vamos discutir as pessoas que se tornaram (ou que continuaram a ser) grandes nomes na década de 2000, sejam actores, realizadores, compositores, fotógrafos, entre outros.


E esta semana vamos virar a nossa atenção para uma classe que muitas vezes não tem o respeito que merece. É que se é verdade que um realizador pode conseguir fazer maravilhas com um argumento mau, imagino que também seja verdade que um realizador pode conseguir uma obra-prima assinalável só porque quem escreveu as palavras que os actores pronunciam redigiu um texto de qualidade impressionante. Os argumentistas são, muitas vezes, os parentes pobres dos realizadores no sentido em que recebem muito menos respeito que o que merecem, uma vez que não há filmes sem gente que os escreva. E se adoram culpar os argumentos quando os filmes são maus (com razão, na maioria dos casos), porque não fazer o mesmo quando o argumento é brilhante mas a realização é um horror? Aí está o problema, é que normalmente é o realizador e não o argumentista que recebe o crédito quando as coisas correm bem.

Este senhor de que vou falar a seguir é, curiosamente, um dos poucos exemplos do contrário. E como foi ele que escreveu o argumento de um dos meus filmes favoritos da década passada - e recebeu mais crédito que o próprio realizador - não podia deixar de estreá-lo nesta rubrica logo que pegasse nos argumentistas. O filme em questão é "Eternal Sunshine of the Spotless Mind" e eu vou falar então de...

Charlie Kaufman


Uma carreira relativamente curta a nível cinematográfico mas com bastante riqueza e qualidade no trabalho até já efectuado. O primeiro filme de Kaufman como argumentista foi o extraordinário case-study de Spike Jonze, "Being John Malkovich", em 1999. Um filme bizarro e maluco a vários níveis mas mesmo assim espectacular. Dois anos mais tarde, em 2001, ele assinou o argumento de "Human Nature" para o realizador Michel Gondry, um filme que falhou em repetir o sucesso do seu primeiro escrito mas que foi, mesmo assim, elogiado pelo estilo evoluído, original e poderoso de escrita. Em 2002 escreveu o argumento de "Confessions of a Dangerous Mind", mais um falhanço menor, que foi no entanto bem recebido pela crítica, também tendo sido ajudado pelo facto de ser o filme de estreia de Clooney a realizador.


Contudo, foi com os dois filmes seguintes e o sucesso que estes trouxeram que este argumentista se tornou dos mais populares em Hollywood. Em 2002 volta a colaborar com Spike Jonze naquele que é o filme mais popular do realizador, o excelente "Adaptation", com Cage, Streep e Cooper (que venceu um Óscar pelo filme) e que funciona como uma espécie de auto-biografia do próprio Kaufman, que se imagina a ele a redigir um argumento baseado na obra de Susan Orlean. Ambos os filmes de Jonze valeram a Kaufman a nomeação para Melhor Argumento Original nos Óscares, tendo perdido as duas vezes. Seria à terceira que ele celebraria, com o que é considerado o melhor argumento original da década, o de "Eternal Sunshine of the Spotless Mind", em 2004, realizado por Michel Gondry e protagonizado por Carrey e Winslet (com Ruffalo, Dunst, Wilkinson e Wood no elenco de suporte).


O filme foi um sucesso estrondoso com a crítica, valeu nomeação a Kate Winslet para Melhor Actriz (que devia ter ganho nesse ano, na minha opinião) e o público também adorou. Esta bela história de um amor desencontrado na vida real que contudo se mantém na mente é sinceramente uma história bastante incrível e original (claro que haverá sempre quem discorde deste meu comentário, é normal devido às gigantes expectativas que se criaram em relação a este filme) e foi bem honrado com a estatueta de Melhor Argumento Original, sendo que é hoje em dia um dos principais termos de comparação para os escritos que o sucederam. E o engraçado mesmo é que Gondry nunca mais na vida fará outro filme tão bom como aquele e provavelmente a sua realização contribuiu largamente para o sucesso do filme, mas é sempre Kaufman que é relembrado quando o filme vem à baila. O argumentista só tem mais um filme na filmografia, que ele escreveu e realizou, o muito incompreendido (e brilhante, há que acrescentar) "Synecdoche, New York" de 2008 onde Seymour Hoffman dá uma extraordinária performance (além do excelente elenco secundário).


Do futuro nada se sabe, pois não existem mais projectos na sua agenda para breve, mas uma coisa é certa: o seu nome já é um marco na história do cinema e basta ele aparecer associado a qualquer filme que é razão suficiente para ficarmos logo excitados. E esse tipo de reacção não é para qualquer um. É só mesmo para quem é formidável no que faz.


BLACK NARCISSUS (1947)

O grande cinéfilo Nathaniel Rogers, que mantém na Internet o blogue "Film Experience", tem vindo a desafiar os seus leitores (nos quais me conto obviamente - e se forem inteligentes, vocês também o serão) com uma nova rubrica chamada "Hit Me With Your Best Shot", que vai na sua terceira publicação (as duas primeiras eu falhei, "Angels in America" - tele-filme em duas partes da HBO que é dos meus filmes favoritos de todos os tempos - e bem gostava eu de ter visto a peça na Broadway ao vivo! - que eu vou redimir publicando para a semana uma crítica completa sobre os seis capítulos da obra-prima - e "Showgirls", filme que nunca vi, daí que não o possa discutir). A ideia base é simples: ele escolhe um filme e todos os que quiserem participar escolhem a imagem (ou imagens) do tal filme e ele faz um link a todos os posts dos participantes, a cada semana.

Esta semana calhou portanto falarmos de "BLACK NARCISSUS" (1947) (o post dele no seu blogue aqui) e eu sabia que não podia faltar de novo, até porque é dos melhores filmes daquela década e de qualquer década e no qual Deborah Kerr é magnífica.


Antes de mais, aconselho-vos a ver o filme primeiro, antes de discutirem comigo, pois é uma experiência incrível. De verdade. Pode não parecer uma grande história, mas acreditem que é. E se a minha recomendação não vos convencer, digo-vos agora: tem 100% no Rotten Tomatoes e tem 8.0 no IMDb. E deixo-vos ainda com o trailer abaixo:


Então vamos à parte que realmente interessa. Para a rubrica do "Film Experience" então eu não consegui só seleccionar uma imagem. Escolhi oito. A minha ideia inicial era de escolher sete, o número perfeito, porque "perfeito" é uma característica que cai bem ao filme, pois este possui talvez das fotografias mais perfeitas e das direcções artísticas mais cuidadas que eu já vi num filme pré-anos 90 (e claro que é fácil apontar uns vinte exemplos deste novo século que, diríamos, são superiores, mas o facto é que nos anos 40 apresentar tal poderio visual e tal habilidade de recriar toda uma atmosfera e background, só através de técnicos bastante capazes - e tão assim é que o filme teve duas nomeações para Óscar, precisamente nestas duas categorias, vencendo ambas).


Falemos do filme e das imagens. A premissa é simples: somos convidados a acompanhar um grupo de freiras que parte para os Himalaias, onde são ordenadas a erigir uma comunidade religiosa e a construir um convento, o Convento da Santa Fé. O que torna o filme interessante é mesmo a simplicidade da história, complicada mais tarde de formas curiosíssimas. Durante a sua permanência no local, as freiras vão ter que enfrentar não só a forte resistência dos habitantes locais, mas também vão ter que lidar com algumas situações incómodas dentro do seu próprio grupo. Esta primeira imagem, na qual nos apresentam o palácio que virará convento, é verdadeiramente icónica, fruto da sua omnipresença ao longo do filme (até à noite a fotografia é belíssima), pelo que não podia nunca de a deixar de colocar aqui.


O filme começa então por apresentar-nos a protagonista da história, a Irmã Clodagh (Sister Clodagh) - Deborah Kerr num dos seus primeiros e inesquecíveis papéis - a ser convocada pela sua superior, a Madre Dorothea (Mother Dorothea) e informada da sua missão e de quais as Irmãs freiras que partiriam consigo. A forma de apresentação das Irmãs é bastante original a nível visual, intercalando a descrição feita pela Madre com o aparecimento de cada uma das Irmãs, com cenas que retratem o que elas significam para a missão. Temos então: Irmã Briony (Sister Briony, "por causa da sua força"), Irmã Philippa (Sister Philippa, "por causa da jardinagem"), Irmã Blanche - apelidada carinhosamente de Irmã "Mel" (Sister Honey, precisamente "por causa da sua popularidade") e, por último, a Irmã Ruth (Sister Ruth). E aqui está a raiz, a fonte de sarilhos do filme. E podemos logo perceber isso pela forma como é apresentada, quer pela descrição, quer pela imagem que a retrata - um banco vazio:



"And Sister Ruth".
"But Sister Ruth is ill..."
"That is why I want her to go."
"[...] Do you think our vocation is her vocation?"
"Yes, she's a problem. I'm afraid she'll be a problem for you too. [...] Give her responsibilities. She badly wants importance."


Depois de introduzidos no filme, conhecemos logo à chegada das freiras a Mopu, nos Himalaias, que a reacção dos locais a elas não será nunca muito favorável. E percebemos também logo que a Irmã Ruth não é, de todo, flor que se cheire. Ela vai funcionar como a força motriz do filme, complicando-o de forma espectacular. Um bom momento que define impecavelmente a sua personalidade é a forma como reage no seu primeiro encontro com Mr. Dean, uma espécie de capataz, no qual ela se encontra cheia de sangue e obviamente envergonhada por se encontrar assim perante o primeiro homem atraente que a vê em muito tempo. E passamos nós a perceber por esta cena que o problema da Irmã, mais que uma crise de fé, é uma desesperada necessidade de voltar à vida normal.


Como o meu objectivo com isto é levar-nos a ver o filme, não me alongarei muito mais na história, só dizer mesmo que quando o Convento começava a ganhar forma e a cooperação com os habitantes da aldeia estava finalmente a frutificar, tudo muda inesperadamente com um acontecimento que leva  o caos a instalar-se, com os locais a recusarem-se a frequentar o Convento e a exigir o abandono da terra por parte da Missão. Em simultâneo, a Irmã Ruth começa a perder o controlo emocional e mental, o que acarreta mais problemas e mais preocupações para a Irmã Clodagh, que se vê numa situação insustentável.


O clímax final do filme acentua ainda mais a minha opinião favorável acerca de toda a obra, com este duelo inesperado (mas não imprevisível, pois dava para perceber que Ruth iria eventualmente fazer algo maluco) a duas, qual das duas a mais perdida na imensidão dos seus pensamentos, qual das duas a mais afastada da sua causa, da sua fé.


Um filme irrepreensivelmente filmado, com elevada qualidade de fotografia, genial na forma como emprega o simbolismo e o iconicismo (algumas imagens surgem como que omnipresentes em vários momentos no filme, como a abertura das portas, como o sino no precipício, como os jardins floridos, entre outros) e como consegue recriar, negativo a negativo, cena a cena, tanto detalhe e tanta coisa para ver e saborear; uma história que mescla a histeria, a tensão sexual, a crise de fé e de identidade e nos presenteia com uma Índia diferente, exótica, bizarra, sensual, perigosa que, apesar de muito simplista, é bastante eficaz, crua, directa; e uma direcção artística de excelência, balanceando o opulente (algumas das salas do palácio) com o sombrio e o frio (a capela é um bom exemplo disso), fazem deste filme um deleite de ver. 


A realçar ainda as boas interpretações de todo o elenco, com especial foco em Kathleen Byron (a sua Ruth ainda me assombra dois dias depois de ver o filme) e em Deborah Kerr. Uma actriz extraordinária, com uma expressividade facial raríssima nos dias de hoje, que o realizador Michael Powell aproveita - e bem - nos frequentes close-ups que pede a Cardiff. Neles, Kerr mostra choque, surpresa, receio e zanga, tudo na mesma expressão, na mesma face. Parece que a sua cara conta mil histórias e nos fornece tudo o que precisamos de saber sobre a pessoa, sobre o seu mundo, sobre o que se passa na sua mente. Formidável.

Uma obra-prima digna de todos os elogios recebidos que eu gostei imenso. E se Kerr já me tinha enchido o olho nos (poucos) filmes que vi dela, neste ela fascinou-me de vez.

E agora... A minha escolha para THE BEST SHOT / A MELHOR IMAGEM:


NOTA:
A-

Abaixo deixo o texto publicado acima mas em Inglês e reduzido, pois como eu já disse esta crítica vem no seguimento de uma rubrica num blogue que fala Inglês e, como tal, eu tenho que traduzir para quem a decida ler.


For my first participation on the hit "Film Experience" series, I haven't managed to select only one image. I tried but I failed. So I went with eight. My initial idea was to pick seven, because 7 is the number of perfection and "perfection" is an attribute that suits the film very well, since it has one of the most accomplished combinations of  excellent photography, art direction and score that I've seen in films prior to the 90s (of course it's easy to bring up immediately 20 examples from this past decade that we'd consider superior and that may be right, but we have to think that it's amazing that this quality work has been made in the late 1940s). Such visual lush and power was obviously worthy of reward and the Academy did gave them 2 Oscars, for Photography and Art Direction.  
Now let's discuss the film. Its premise is quite simple actually: we are invited to accompany a group of nuns that leaves for the Himalayas, where they are told to build a religious community by turning an old palace into a convent, the Saint Faith Convent. What makes the film so interesting to follow is in fact the simplicity of the story, further complicated in beautiful and curious ways. It is rather evident from early on that this mission wouldn't work out well, with the nuns having to face not only local resistance but also problematic situations among their group.
The movie first introduces us to Deborah Kerr's character, Sister Clodagh, who is ordered by her superior, Mother Dorothea (who clearly dislikes Clodagh and considers her unsuited for the job), to leave for Mopu in the Himalayas and erect a Convent there. Then the film uses her to introduce us to the other nuns that are going to accompany Sister Clodagh on her mission, in an original, refreshing way, by showing a scene involving them that fit the description that the Mother Superior offers of them: Sister Briony ("her strenght" - and she is shown holding a heavy jar), Sister Philippa ("the garden" - she appears to be analising a tomato), Sister Blanche (nicknamed Sister Honey because of "her popularity" which she indeed seems to be, surrounded by a big group of nuns giggling) and Sister Ruth. Sister Ruth's "illness" is very omnipresent throughout her remaining scenes in the movie, making perfect sense that she'd be so intelligently portrayed in this introduction scene, where an empty bench is shown, followed by a lovely exchange of dialogue ("Do you think our vocation is her vocation?";"Yes, she's a problem. I'm afraid she'll be a problem to you too";"She badly wants importance"), making us aware of the trouble she can bring to Sister Clodagh's assignment.
The movie then carries on and lets us perceive exactly the kind of personality of each nun, focusing especially on Sister Ruth. A great moment that impeccably defines her personality is the way she reacts on her first encounter with Mr. Dean, utterly embarrassed not only because she is covered with blood, but also by the fact that she's quite charmed by him (of course it helps that he may be the first man she sees in a long time). This helps us understand that this woman's problem, more than her obvious loss of faith and lack of commitment to her vows, is a desperate need to go back to a normal life. 
Since I want you to see the movie for yourselves, I'm not going to expand my tell on the story. I'm just going to say that as the movie continues, we begin to experience a bit of a twist in the peaceful relationship between the locals and the nuns, which gets messy because of a misfortunate event, one that will eventually cause the departure of the nuns. Moreover, Sister Ruth loses more and more of her grip, showing progressive loss of emotional and mental control, all this eventually leading to an unbearable situation for Sister Clodagh. The film ends with a sour note after an extraordinary final climax: an unplanned (yet predictable) duel between the two nuns, which made me realise what a fantastic build-up to this moment the movie was: two opposites, but both with their endless, melancholic thoughts, both yearning to go back in time to their pasts, to their regular lives, both lacking faith.


A film irreprehensibly, beautifully shot, on the hands of a brilliant photograph and art director, applying here a delicate fusion of the shadow, the dark and the opulent, resorting to the symbolism and iconicism of some amazing images (omnipresent throughout the film, like the doors opening, the bell in the cliff, the flowery gardens, the cold, crude look of the church, among other examples) and offering us so much to explore, to experience, to savour. A simple story, very well constructed, that mixes sexual tension and lust, hysteria and a faith and identity crisis, while introducing us to an exotic, bizarre, sensual, dangerous India. And very good performances from all the cast, especially Kathleen Byron and my new love Deborah Kerr, which embodies in perfection a breed of actresses that rarely exists nowadays: a complete performer, with a fantastic arsenal of facial expressions - when Powell closes up on her, she tells us everything we need to know about her character and her world through her face: it's shock, it's surprise, it's anger, it's fear, all in the same expression. Genius. Formidable.


All in all, this film was a delightful experience worth every minute of my time.

Grandes Posters

"Eternal Sunshine of the Spotless Mind" (2004)


Lindo, não vos parece? Este filme, um dos meus favoritos da década, teve imensos designs mas este... com as mãos dadas, tão somente... E a luz do sol a esbater-se sobre a imagem capturada... Adoro.


Outros designs para este filme, todos excelentes, se bem que nada bate o acima, para mim:





P.S. - Peço desde já desculpa por estar a antecipar alguns posts que seriam supostamente da semana que vem mas como vou estar uma semana fora, em princípio sem computador, vou colocar até Sábado o máximo que eu puder. Fica o aviso.