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DIAL P FOR POPCORN

DIAL P FOR POPCORN

IN A BETTER WORLD / HAEVNEN (2010)



É muito bom. Haevnen é uma maravilhosa metáfora. Uma criação pensada com requinte, pormenor e inteligência.


Christian
é novo na escola. Vindo de Londres, ocupa o lugar vago na secretária onde está sentado Elias. "O Rato", como é gozado pelos mais velhos da escola, fica feliz por finalmente ter alguém com quem conversar. Ao ver a forma corajosa como Christian enfrenta Signe, quando este o tenta intimidar como o fazia diariamente com Elias, este automaticamente o toma como seu ídolo, e faz por tudo para o acompanhar.


Ao mesmo tempo, vamos conhecendo Anton, pai de Elias, que trabalha como médico voluntário no coração de África, onde as injustiças, os maus-tratos e a violência são um constante. Numa das visitas a casa, Anton (que se encontra divorciado da mãe de Elias), é agredido por um desconhecido após ter separado o seu filho mais novo de uma briga com um garoto da mesma idade.
A experiência obtida pela sua actividade em África, faz com que Anton se resigne e explique aos seus filhos que a violência e a agressão nunca são a solução. No entanto, Christian, que presencia a agressão, está disposto a fazer justiça pelas próprias mãos. E convence Elias a um acto louco.


Ao mesmo tempo que Christian e Elias vão criando o seu próprio plano, Anton é confrontado, em África, com a necessidade de tratar o vilão da zona onde trabalha, cujo fetiche é retirar a sangue frio os bebés das mulheres grávidas.

Com tantos acontecimentos, Anton pergunta-se a si mesmo de que lado está a justiça. O que é realmente correcto. A justiça popular é sempre uma solução controversa, muitas vezes socialmente reprovável, mas quase sempre um acto de desespero, perante a inoperância de quem realmente deve impôr a justiça e a ordem. Um riquíssimo argumento, num filme surpreendente.


Nota Final:
B+


Trailer:



Informação Adicional:
Realização: Susanne Bier
Argumento: Anders Thomas Jensen
Ano: 2010
Duração: 119 minutos

LADRI DI BICICLETTE (1948)


Um filme profundamente triste e estrondosamente comovente. Uma história simples, eternamente actual e sem precisar de grandes recursos. O argumento do filme é excelente.


Ladri di Biciclette é um filme que nos fala dos tempos de crise numa Itália ainda a recompor-se dos efeitos da Segunda Guerra Mundial, em que Antonio Ricci (Lamberto Maggiorani), um jovem chefe de família, encontra finalmente trabalho como (e agora a minha ignorância remete-me para este termo rudimentar) "afixador de posters", que o obriga a vender o enxoval da sua mulher para comprar uma bicicleta. Maravilhado com a compra e perspectivando um futuro melhor para si e para os seus, parte para o seu primeiro dia de trabalho com o seu filho, uma amorosa criança de seis anos que para ajudar às despesas da casa, engraxa sapatos nas ruas de Roma.


Antonio está decidido a vingar na sua nova profissão e durante o primeiro dia concentra-se na sua tarefa de colocar os posters como lhe foi ensinado. No entanto, a distracção e a imprudência de quem é novato e ingénuo, leva a que a sua bicicleta seja roubada. Assim que se apercebe, Antonio corre até as suas forças lhe faltarem, entrando inclusivamente num taxi, onde conta com a "ajuda" de um parceiro do assaltante, que o desvia para uma trajetória diferente da do assaltante. Desesperado, procura por toda a cidade a sua bicicleta, até que ao cair da noite regressa a casa, infeliz e derrotado.


E é aí que decide que não irá virar a cara à derrota. Juntamente com o seu filho, iniciam uma busca incansável pela bicicleta, calcorreando todas as feiras e oficinas de Roma, investigando todos os becos e ruelas. Se terão sucesso na sua investida, é algo que o leitor terá que descobrir por si próprio. Seria criminoso da minha parte divulgar-vos os melhores e mais intensos momentos de um filme que é todo ele uma lição de vida. Ladri de Biciclette é um filme que merece a reflexão do espectador e um lugar de destaque na prateleira dos seus filmes.


Nota Final: A-


Trailer:




Informação Adicional:
Realização: Vittorio De Sica
Argumento
: Adaptação de Cesare Zavattini do livro de Luigi Bartolini
Ano
: 1948
Duração
: 93 minutos

BABAM VE OGLUM (2005)


Babam Ve Oglum é uma obra-prima. Um pedaço de maravilha, um dos pontos altos da história do cinema. Um filme que desde já vos anuncio, merece nota A+. Enquanto o vi, fui arrasado com um misto de emoções, desde a pura alegria à profunda tristeza. Em Babam Ve Oglum, a comoção é constante e os nossos sentimentos são estimulados das mais diversas formas.


Estamos na Turquia, na década de 80, quando Sadik vê a sua mulher falecer, ao dar à luz o seu filho Deniz. Sadik é um activista político que foi viver para Istambul para estudar jornalismo. Devido aos seus actos contra as políticas do governo, acaba por ser preso durante três anos. Durante todo esse tempo é torturado das mais diversas formas, acabando por perder a sua saúde. Condenado a uma morte a curto prazo, consequência da doença adquirida durante o tempo que esteve preso, decide pegar em Deniz e, juntos regressam a Aegean, onde o seu pai é um agricultor abastado e bem sucedido.


Com a sua chegada, percebemos a dimensão dos problemas de Sadik com o seu pai, Hüseyin. Este aceita o filho e o neto em sua casa, mas nunca dirige a palavra a Sadik, ainda ressentido pelo facto de o seu filho não ter seguido os estudos em agricultura e seguido os seus conselhos. Hüseyin viu isso como uma traição e jurou esquecer a existência do seu filho.

Com o passar do tempo, a beleza do filme torna-se mágica. Deniz é um rapaz adorável, uma criança fantástica e de uma inteligência surpreendente. Comoveu-me a sua relação com a avó e a tia, mas principalmente a sua relação com o avô que não é imediata e cuja evolução e cumplicidade vai sendo gradual. Todas as cenas entre ambos são marcantes e ficam-nos para sempre na memória.


No entanto, Sadik é um homem com um fim anunciado. E onde Babam Ve Oglum é soberbo é nesta contagem final, onde absorvemos todas as as suas cenas como as últimas. Onde o drama e a força dos seus actos são cada vez mais intensas e tocantes. Babam Ve Oglum é muito mais do que um "Must See". Babam Ve Oglum é obrigatório!


Nota Final: A+


Trailer:



Informação Adicional:

Realização: Çağan Irmak
Argumento: Çağan Irmak
Ano: 2005
Duração: 108 minutos