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DIAL P FOR POPCORN

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[Caça ao Óscar]: Montanha Russa

A Caça ao Óscar é uma nova rubrica (que espero lançar todas as segundas) em que discutimos as movimentações, qual tabuleiro de xadrez, na corrida aos principais prémios - sobretudo os Óscares da Academia.

 

Estamos num ano de corrida aos Óscares bastante interessante. Bem, quer dizer, se excluirmos a previsibilidade de Julianne Moore ser coroada melhor actriz (e até que enfim, bem merece ela um ano de rolo compressor), bem como J.K. Simmons e Patricia Arquette limparem tudo o que é prémio à face da Terra. Arrumando esses três troféus que estão, de facto, já resolvidos, a situação adensa-se, com a atribuição dos Screen Actors Guild (SAG) e dos Producers Guild Awards (PGA), os prémios dos actores e dos produtores, esta semana, a darem umas pinceladas de mistério a duas corridas que pareciam decididas. Eu sei que parece pouco, mas com a Academia, é gigante.

 

 

O Eddie Redmayne, assim devagarinho, vai arrancando o troféu das mãos do Michael Keaton. Parece impossível, pensam vocês, como é possível um veterano actor tão respeitado como o Keaton não ter a estatueta quase garantida. Pois. É que o pintarolas do Redmayne é britânico (pontos bónus instantâneos - ou não fossem os SAG lembrar-nos ontem que ainda passa na televisão Downton Abbey, tal a obsessão que os americanos têm com o reino de sua Majestade), tem charme na carpete vermelha (coisa em que o pobre do Keaton já não se safa) e faz de Stephen Hawking - que, caso não saibam, é uma pessoa viva (mais pontos), famosa (mais pontos), com uma deficiência/doença grave (pontos infinitos). As contas não estão muito favoráveis para o antigo Batman, não é verdade?

 

A situação até parecia bem encaminhada: cada um levou o seu Globo para casa, depois um Critics' Choice para o Keaton e parecia que os SAG também iam tombar para o Keaton (actores a premiar actores, seria natural que aquele que trabalhou com mais gente na sala ganhasse) e os BAFTA iam coroar o Redmayne, levando a corrida até ao fim. Ora que os SAG, tão dados a seguir a corrente (ou não), premiaram o Redmayne. Resta-me dizer que 17 dos últimos 20 vencedores do SAG levaram o Óscar para casa, os últimos dez consecutivamente (incluindo moços como o Jean Dujardin). Logo... Pobre Michael Keaton. É possível recuperar? Bem, eu acho melhor o Eddie começar a preparar o discurso...

 

 

A outra grande reviravolta na corrida que saiu dos SAG ontem à noite foi a vitória de "Birdman" para melhor elenco. À partida, não quer dizer nada ("American Hustle" venceu em 2013, por exemplo; "The Help" em 2012). Mas se juntarmos a vitória nos PGA começa a cozinhar-se aqui algo de interessante. É que com isto tanto "Boyhood" como "Birdman" têm um precedente peculiar que se coloca contra eles na corrida - e para um deles ganhar, vão ter que quebrar recorde. 

 

"Birdman" será, vencendo o Óscar, o primeiro filme em 26 anos (desde "Ordinary People") a vencer o prémio sem nomeação para melhor edição (uma das categorias da parte inicial dos Óscares que costuma indicar qual o vencedor; uma espécie de boost das apostas, se quiserem). "Birdman" tem ainda a agravante de ter perdido o Globo (para "Grand Budapest Hotel") e o Critics' Choice (para "Boyhood"). Há uma semana atrás estava arrumado. Agora, parece muito em jogo. Game point: Boyhood.

 

Mas esperem lá: o PGA normalmente alinha sempre com o vencedor do Óscar, só não o tendo feito em 3 anos (2003-2006) nas últimas décadas. E o PGA é o único precursor, como o Óscar, que é votado por boletim preferencial. Se somarmos o SAG, a percentagem de acerto ainda cresce mais. "Boyhood" seria o primeiro filme desde "The Departed" a vencer o troféu sem vencer o PGA. Estou a ver um "The Social Network"-gate a repetir-se. Game point: Birdman.

 

Ficamos à espera do que o DGA e os BAFTA ditarem. O primeiro, apesar de ser o prémio dos realizadores, consegue ser o melhor precursor para adivinhar o Óscar de melhor filme (uma ironia parva, a meu ver). Os segundos adoram ser patriotas por isso não se admirem de ver "The Imitation Game" fazer um saque nas categorias quase todas, salvo Redmayne.

 

O que ao menos me deixa contente é que se a corrida for entre "Birdman" e "Boyhood", todos ganhamos. São duas grandes conquistas por parte dos respectivos realizadores. Um deles um empreendimento brutal construído do nada ao longo de doze anos, uma experiência vital e efervescente do que é o cinema independente norte-americano. O outro uma quase obra-prima de um realizador na plena posse das suas capacidades, que englobando um elenco de luxo constrói uma lição sobre o narcissismo e espírito crítico do ser humano e do seu infinito potencial para se reinventar e ultrapassar obstáculos. Nenhum é o típico "filme de Óscar". Ambos me admiram conseguirem chegar a esta fase com aspirações legítimas a vencer. 

 

Eu só espero é que o "American Sniper" não venha arruinar os festejos. É que aquele pastelão do Clint já vai com 200 milhões de dólares ganhos na bilheteira. Já devia saber que o Dirty Harry não é para brincadeiras, mesmo aos 84 anos.

 

BIRDMAN, de Alejandro González Iñárritu

Ainda ouço a contagiante e inebriante batida que marca o passo de Birdman. Uma bateria frenética que transborda as emoções das personagens, que nos coloca dentro do carrocel criado por Iñarritu para transportar para a grande tela o fernesim do teatro, o rebuliço das cenas, a troca constante de personagens e de sensações, o sobe e desce, os dias em que lutamos por mais, queremos mais e conseguimos mais.

 

 

Quando a câmara se liga em Birdman, não mais volta a parar. Está comprometida com a história, comprometida com Riggan (Michael Keaton) e com o seu sonho. Tal como Michael Keaton, Riggan é uma velha porcelana de Hollywood, eclipsada, ultrapassada e esquecida após a intrepertação de um super-herói no princípio da década de 90. Keaton foi Batman, Riggan foi Birdman. Uma personagem da qual nunca se conseguiu desfazer, que o acompanha e atormenta diariamente, que o inferioriza e reprime. Que o rotula. Que o incomoda. Que o deprime. Que o enloquece.

 

 

Ladeados de um excelente elenco, onde Edward Norton se destaca com uma eloquência e um carisma há muito perdidos, Iñarritu e Keaton inventam cinema. Keaton é assombroso, num déjà vu daquilo que vimos com Mickey Rourke em 2008 (terá sido, também para ele, um last goodbye?). Quanto a Iñarritu, depois de me ter oferecido o meu filme favorito de 2010, Biutiful, muitos anos após me ter surpreendido com a energia mágica de Amores Perros, volta a enfeiticar-me. É preciso ver Birdman para perceber o importante caminho que Iñarritu está a percorrer no cinema moderno. E é obrigatório fazê-lo numa grande sala. 

Para 2014 também está bem



Já circulavam rumores sobre problemas na pós-produção e agora confirmam-se: "Foxcatcher", cujo teaser trailer foi lançado online no dia de ontem, viu a sua estreia protelada para a Primavera de 2014, impedindo assim a sua competição à cerimónia dos Óscares deste ano, para a qual era apontado como um dos principais favoritos a várias categorias. A sua distribuidora, a Sony Pictures Classics, está do lado da equipa de produção do filme (o que é sempre boa notícia, ou não esqueçamos ainda que esta semana, a acompanhar a mudança de "Grace of Monaco" para 2014, vinha uma missiva da The Weinstein Company que o filme mudaria para 2014 porque não estaria em campanha para os Óscares e nele só viam possibilidade comercial - pobre Nicole Kidman...) e com esta mudança pretende conferir a Bennett Miller (o realizador, cujos esforços prévios resultaram em inúmeras nomeações aos Óscares - "Moneyball" e "Capote") e companhia mais tempo para finalizar a película.

Apesar da Sony Pictures Classics ter ordenado a remoção dos trailers da Internet, ainda é possível encontrar alguns por aí, pelo que aqui fica (até tempo indefinido, porque penso que a SPC conseguirá encontrar e bloquear os restantes que existam). Do vídeo , o que me fica sobretudo é o enorme potencial da interpretação do cómico Steve Carell, num registo bem mais escuro e dramático. 



A corrida, agora, parece estar à mercê de um saque por parte de "American Hustle"; se não, "12 Years A Slave", "Captain Philips" e "Gravity" repartem o favoritismo entre si. Via aberta para O. Russell finalmente levar o troféu principal?


Pike, Affleck, Fincher e "Gone Girl"


Estou numa obsessão pouco saudável com este novo projecto de David Fincher. "Gone Girl" é, como provavelmente já terão ouvido falar, a adaptação do bestseller de Gillian Flynn, que colocou os americanos em furor o verão passado e arrisca-se a fazer o mesmo a quem pegue no dito livro por cá, agora que tem começado a aparecer aqui e ali cada vez mais (já se vê inclusive nos hipermercados, sinal que a recomendação está a espalhar-se). O meu entusiasmo triplicou quando soube que é a própria Flynn a adaptar o livro a argumento.


"Gone Girl" é um thriller relativamente negro que foca a sua atenção em Amy e Nick Dunne, um casal nova-iorquino transladado para o meio do Missouri, prestes a celebrar o quinto aniversário de um casamento com muitos altos e baixos (e que inicia a história em mais um momento mau). Eis que o impensável acontece - Amy desaparece - e despoleta a sequência incrível de eventos que se seguirão. Resta-me dizer: é um livro excelente, reviravolta atrás de reviravolta e, quando pensamos finalmente conhecer a verdadeira versão da história, voltamos a ser varridos do tapete. A narrativa é contada primeiramente do ponto de vista de Nick, acoplado a excertos do diário de Amy, mas a meio do livro, com o twist gigante, a estrutura muda. Está assim explicado o mais que óbvio interesse do realizador David Fincher ("Se7en", "The Social Network", "Zodiac", "Fight Club", "Girl with the Dragon Tattoo") no projecto.


O problema desta minha obsessão está na forma como idealizei as personagens e nos actores que têm sido anunciados para os respectivos papéis, principalmente os dois elementos do casal. Curiosamente, muita gente se queixou do casting de Ben Affleck no papel de Nick, algo que confesso não entender minimamente. Pela descrição, Affleck "é" Nick, tal e qual. Alguns anos mais velho (Affleck tem 40, Nick tem 34), mas assenta que nem uma luva no perfil. Outros actores que conseguiria ver funcionar no papel seriam Bradley Cooper, Michael Fassbender e Channing Tatum (não sei é se este tem o talento necessário). As outras propostas de que se falou - Jake Gylenhaal, Ryan Gosling, Joseph Gordon-Levitt, Henry Cavill (são muito novos) e Jeremy Renner (muito velho) - fazem-me pouco sentido. Estranho não ter visto James McAvoy na lista de candidatos (mais uma vez, ridículo). A minha escolha ideal teria sido Peter Sarsgaard, que tem 42 anos e portanto também seria bastante mais velho que a personagem. A segunda opção seria, surpreendentemente, Bradley Cooper - digo surpreendentemente porque nunca me imaginei a achar que o Cooper tem talento. O Garrett Hedlund também daria, parece-me, um óptimo Nick. 

Como explicar o Nick Dunne? Imaginem um cruzamento entre o Harvey Specter e o Don Draper. É dos dois protagonistas aquele que vai exigir menos do actor em questão, é um papel fácil de navegar. A grande característica distintiva de Nick Dunne é o ar de desconfiança que deve gerar e isso não necessita de grande talento, tem que ser apenas um actor que consiga ter ar de não jogar com o baralho todo. Affleck é o escolhido. Parece-me bem, até porque...


O ponto fulcral para o sucesso do filme é, de facto, o casting de Amy Elliot Dunne. Fincher escolheu  a lindíssima Rosamund Pike (aceito que muitos de vós não a conheçam mas já a viram de certeza nalguma coisa) e diz-se até que foi sempre a sua primeira escolha. Não vejo nada de Amy Dunne em Pike, confesso. Quando o projecto estava em desenvolvimento - antes de Fincher entrar em cena - Reese Witherspoon assinou para protagonizar Amy (ela que é também produtora do filme). É uma pena que tenha desistido do papel - seria uma óptima Amy, é aliás a actriz que eu idealmente escolheria para o papel. Amy Dunne é um papel que exige ao seu intérprete enorme versatilidade e expressividade. Amy tem que ser uma personagem que projecte, em simultâneo, um sonho de mulher e o maior pesadelo masculino de sempre (Alex Forrest encontra Clementine Kruczynski) . Tem que ser uma actriz capaz de criar uma mulher inteira, que seja divertida e casual e, noutras ocasiões, absolutamente impossível de aturar. Eu sei, soei imensamente machista. Peço perdão. Continuemos. Amy Dunne tem basicamente de ser frágil e dócil mas também dura de roer e forte. Desafio complicado. Reese era uma excelente escolha. Tem ar de pequenina e ingénua mas quando as garras lhe saem, cuidado! A Charlize Theron foi a principal escolha dos blogues e sítios noticiosos por aí fora. Amy Adams, Rachel McAdams, Mila Kunis, Natalie Portman, Kirsten  Dunst, Scarlett Johansson, Michelle Williams e Claire Danes também conseguiram menções. Percebo a inclusão delas todas. Há que introduzir na equação outra variável, que enviesa as coisas: Amy Dunne tem no livro mais cinco anos que Nick - 39, portanto (essa é outra questão interessante; como vão fazer Affleck parecer ter 29, idade com que Nick conhece Amy no livro?). E a actriz escolhida tem que emparelhar com Affleck. Digam lá se com isto tudo dito, a Reese Witherspoon não é quem vos salta à cabeça como a melhor hipótese (mesmo sendo mais nova que Affleck)? A Gwyneth Paltrow seria outra boa hipótese. E a Charlize também. Em primeira mão diria que Pike não vai triunfar no papel mas, se Fincher acredita nela, que mais posso dizer? Também não dava nada pela Rooney Mara e olha!

É esta a questão que vos trago, caríssimos. Leram o livro? Que acharam? Façam de Fincher e escolham os vossos Amy e Nick. Ou concordam com as duas escolhas?




No que toca a animação, estou convencido...


"Coraline". "ParaNorman". E este novo trailer de "The Boxtrolls". A Laika está cá para as curvas. Finalmente um filme de animação que me aguça a curiosidade.


E já que falamos de animação, cá fica também o teaser do novo filme de Hayao Miyazaki ("Spirited Away", "Ponyo", "My Neighbour Totoro"), "The Wind Rises". 2014 promete.


Por falar em McConaughey...


Foi lançado pela HBO há uns dias isto.


Cary Fukunaga, do qual sou um confesso admirador ("Sin Nombre" e "Jane Eyre" estão na minha lista de melhores filmes dos seus respectivos anos - e o homem só tem 35 anos e já tem estas duas grandes películas assinadas por si), junta um Matthew McConaughey em estado de graça a um Woody Harrelson em profunda sub-utilização (um dos melhores actores em Hollywood - pena é Hollywood não saber o que fazer com ele). Esta minisérie "True Detective" ai dar televisão de respeito, aposto. A HBO não engana.

David O. Russell, seu sacana!


A questão aqui é mais: quem parece pior

O novo filme de David O. Russell, sobre o polémico escândalo da Abscam nos anos 70, conta com Amy Adams, Jennifer Lawrence, Jeremy Renner, Bradley Cooper e Christian Bale nos principais papéis. E pelas fotos que têm sido avançadas na imprensa, a equipa de Maquilhagem e Cabelo já merecia o Óscar. Vejam lá as "beldades":


Uma linda permanente na cabeça do Bradley, aquele pomposo cabelo à tia da Jennifer, o ar de anúncio cabelos Pantene da Amy, o aspecto javadeiro do Christian e o ar de fotocópia de um dos Goodfellas do Jeremy. Imperdível.


Mais não seja, este filme vai ser qualquer coisa de extraordinário só pelo aspecto (apropriadamente) ridículo dos seus actores. Ah, anos 70...