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DIAL P FOR POPCORN

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Previsões Finais - Óscares



Volto a pedir desculpa pelo ruinoso acompanhamento da corrida aos Óscares deste ano, assunto que me traz sempre imenso interesse que este ano, infelizmente, tive pouco tempo para discutir convosco. Gostava de ter começado uma coluna semanal de discussão do tópico este ano, para ir abordando diversos temas relativos ao assunto. Não o consegui. Talvez para a corrida de 2012-2013. Como tudo, nesta altura, é tempo de analisar e reavaliar, porque a partir de amanhã, não há mais nada a fazer. As nomeações são anunciadas e, dentro de um mês, coroados os vencedores. E voltamos à estaca zero, a um novo ano cinematográfico, a uma nova temporada de corrida, novos festivais para aguardar ansiosamente, novos premiados e novas pérolas do cinema para cobiçar. Da nossa parte cá no DPFP, esperamos anunciar os nossos próprios prémios mais próximos dos Óscares. Ainda não decidi se farei nova edição dos Dial A For Awards que não me pareceu terem sido muito bem recebidos o ano passado, apesar do meu grande entusiasmo. Mas isso são assuntos para depois.

Tenho que começar por dizer que 2011 não foi um bom ano para filmes. A época de fartura de Dezembro trouxe mais fracassos que êxitos. As histórias de sucesso voltaram a fazer-se no Verão, com "Bridesmaids", "The Tree of Life", "The Help" e "Midnight in Paris" a alcançar a linha da meta em boa posição para fazer estragos na corrida. "The Artist" revelou-se um concorrente formidável, com Harvey Weinstein mais uma vez a orquestrar uma campanha de sucesso desde que o filme se decidiu revelar ao mundo em Cannes. Toronto trouxe-nos, como de costume, a 'dramédia' do ano na forma de "The Descendants" de Alexander Payne, que foi visto por muitos como o mais forte candidato... até o filme de Hazanavicius começar a coleccionar estatuetas. Os dois grandes mestres do cinema das últimas décadas prometiam muito, mas só um deles conseguiu cumprir: "Hugo" irá provavelmente trazer a Martin Scorcese mais uma nomeação para Melhor Realizador; já "The Adventures of Tintin" e "War Horse" não parecem ter poder para proporcionar o mesmo resultado para Steven Spielberg. E no fim de contas... veio Fincher e Daldry, "The Girl with the Dragon Tattoo" e "Extremely Loud and Incredibly Close". Se o primeiro surpreende pela falta de apoio da crítica e dos precursores, o segundo espanta pelo excesso de nomeações. São as duas grandes incógnitas da corrida. Vamos lá então às previsões. Tal como nos Globos de Ouro, preferi manter a mente aberta e apostar nalgumas surpresas. É óbvio que isto me vai penalizar na minha percentagem de acerto final mas enfim, são os Óscares, é suposto divertirmo-nos com isto.

MELHOR FILME
"The Artist"
"The Descendants"
"The Girl with the Dragon Tattoo"
"The Help"
"Hugo"
"Midnight in Paris"
(alt: "Moneyball", "Tinker Taylor Soldier Spy", "War Horse", "The Tree of Life")

Pode ir de 5 a 10. Estou a prever 6, os cinco que têm dominado a corrida mais "The Girl With the Dragon Tattoo" que conseguiu nomeação nos DGA e PGA, o que me parece muito suspeito que, contudo, mais não seja pelo efeito residual de terem roubado um Óscar ao David Fincher, me ajuda a solidificar a minha previsão que esse filme possa ter uma palavra a dizer. As restantes quatro alternativas são, pela ordem em que as coloquei, as minhas previsões caso a Academia tenha optado por mais filmes do que aqueles que eu prevejo.

MELHOR REALIZADOR
Michel Hazanavicius, "The Artist"
Alexander Payne, "The Descendants"
Martin Scorsese, "Hugo"
Woody Allen, "Midnight in Paris"
David Fincher, "The Girl with the Dragon Tattoo"
(alt: Terrence Malick, "The Tree of Life")

Há anos que esta categoria não bate certo com os nomeados para Melhor Filme, atirando-nos com um nomeado completamente inesperado (ver: 2002, Fernando Meirelles). Este não parece ser um desses anos. A questão aqui é: será que os amantes de Woody Allen vão vir em apoio dele também nesta categoria sabendo que o prémio de Argumento Original já é dele? Será Malick ou Fincher a ocupar a vaga do quinto realizador? Ou Thomas Alfredson, já que muitos têm esquecido o poder do contingente britânico?

MELHOR ACTOR
George Clooney, "The Descendants"
Leonardo DiCaprio, "J. Edgar"
Jean Dujardin, "The Artist"
Gary Oldman, "Tinker, Tailor, Soldier, Spy"
Brad Pitt, "Moneyball"

(alt: Michael Fassbender, "Shame")

Mais uma vez, aposta sensata: Fassbender é nomeado. O meu problema aqui é: Gary Oldman de fora, mesmo com o contingente britânico a apoiar em massa um filme com boa crítica? Leonardo DiCaprio, que ganhou muito boas críticas num filme de outro modo odiado, interpretando J. Edgar Hoover num filme de Clint Eastwood, que não obstante o desencontro com a Academia em tempos recentes tem garantido quase sempre aos seus actores a nomeação (Angelina Jolie em 2008, Morgan Freeman em 2009?) E um aviso: cuidado com Michael Shannon.

MELHOR ACTRIZ
Glenn Close, "Albert Nobbs"
Viola Davis, "The Help"
Meryl Streep, "The Iron Lady"
Tilda Swinton, "We Need to Talk About Kevin"
Michelle Williams, "My Week With Marilyn"
(alt: Rooney Mara, "The Girl with the Dragon Tattoo")

Williams, Davis e Streep estão seguras. Rooney Mara e até Charlize Theron parecem destinadas a arrancar um lugar nesta lista. Contudo, a quem? A Swinton que foi nomeada para tudo (Globos, SAG, BFCA e BAFTA)? A Close que falhou os SAG e os BAFTA mas cuja história de 'projecto de 20 anos' agrada a muitos (e ajuda-a mais do que se pensa)? Parece-me sensato manter as cinco que têm predominado ao longo da corrida.
MELHOR ACTOR SECUNDÁRIO
Kenneth Branagh, "My Week With Marilyn"
Albert Brooks, "Drive"
Jonah Hill, "Moneyball"
Christopher Plummer, "Beginners"
Philip Seymour Hoffman, "The Ides of March"
(alt: Nick Nolte, "Warrior")

Tenho que deixar aqui uma nota: esta é a categoria em que acho que o maior abanão é mais provável. Para além de Branagh, Brooks e Plummer, qualquer conjugação é possível. O mais prudente é apostar em Jonah Hill porque conseguiu nomeações para os SAG, BFCA e BAFTA. Depois vem Nick Nolte, que conseguiu nomeação para os SAG mas essas nomeações foram anunciadas há 2 meses quando a corrida parecia estagnada nestes cinco. Os BAFTA este ano fizeram grandes apostas nesta categoria, trocando Brooks por Broadbent (é uma remota possibilidade, dado o amor que a Academia tem ao actor, embora eu pense que isto foi mais patriotismo britânico do que propriamente pela qualidade da interpretação) e Nolte por Seymour Hoffman, que é para mim o joker da categoria. Estou a prever que a Academia vá gostar de "The Ides of March" mais do que a maioria tem pensado e, se houver nomeação para alguém, entre os actores do elenco, é para ele, que até conseguiu nomeação em 2007 por "Charlie Wilson's War" quando poucos previam. Outra hipótese a considerar para uma nomeação deste tipo (filme não amado mas que arranca uma ou outra nomeação importante) é Max von Sydow ("Extremely Loud and Incredibly Close"). Mas se me perguntassem em quem apostava dinheiro, mais rápido vos dizia Nolte e Hill.

MELHOR ACTRIZ SECUNDÁRIA

Bérénice Bejo, "The Artist"
Jessica Chastain, "The Help"
Melissa McCarthy, "Bridesmaids"
Janet McTeer, "Albert Nobbs"
Octavia Spencer, "The Help"

(alt: Shailene Woodley, "The Descendants")

Preciso que me dêem uma razão pertinente para trocar Melissa McCarthy ou Janet McTeer por Shailene Woodley. Não consegui encontrar uma, logo mantive as cinco que a maioria tem previsto. Ainda assim, acho que vamos ter aqui alguém inesperado a aparecer.

MELHOR ARGUMENTO ADAPTADO
"The Descendants"
"The Help"
"The Ides of March"

"Hugo"
"Moneyball"

(alt: "Tinker, Tailor, Soldier, Spy")

Sinto-me receoso em prever uma nomeação aqui para "The Ides of March" e para "The Help", não sabendo bem qual dos dois retirar para colocar "Tinker, Taylor, Soldier, Spy" que parece bem posicionado para arruinar o esquema. No entanto, há que ter em conta a possibilidade de Steven Zaillian conseguir duas nomeações este ano, com "Moneyball" e "The Girl with the Dragon Tattoo" também nomeados.

MELHOR ARGUMENTO ORIGINAL
"The Artist"
"Bridesmaids"
"Midnight in Paris"
"A Separation"
"Young Adult"

(alt: "50/50")

Duas considerações a fazer: 1 - Se Michael Shannon aparecer nos nomeados a Melhor Actor, o filme será nomeado aqui também. 2 - Continuo a achar estranha a possibilidade de o ramo dos argumentistas da Academia nos premiar com uma nomeação para "A Separation" mas, se formos a ver, é sempre este o ramo que acaba por ser mais justo nas nomeações finais. Esta categoria tem muito potencial para amanhã surgir com muitas trocas, uma vez que na minha opinião só "Midnight in Paris" está assegurado. "The Artist", dado o seu estatuto de favorito à vitória em Melhor Filme, provavelmente surgirá aqui, apesar do filme não ser falado. E "Bridesmaids", dado todo o aparente amor pelo filme, parece ser outra boa opção. Depois ficamos com "Take Shelter", "Young Adult", "A Separation", "Win Win", "Beginners" e "50/50" para os restantes lugares. Eu arriscaria dizer que a omnipresença de Plummer durante toda a temporada de prémios pode ter ajudado "Beginners" a ser candidato. Thomas McCarthy também pode ser uma hipótese a ter em conta, ainda para mais se pensarmos que lhe negaram a nomeação por duas vezes já ("The Station Agent" e "The Visitor"). Will Reiser ("50/50") é outra incógnita a pensar, sendo o filme um relato pessoal de um evento da sua própria vida. E depois temos Diablo Cody. A meu ver, parece-me plausível que ela consiga a segunda nomeação. Entre Farhadi, Reiser, Mills, McCarthy e Nichols é que não sei escolher. Vou com a opção estrangeira porque o filme é mesmo muito bom, mas tenho mais confiança que seja Reiser a ser nomeado.

MELHOR FOTOGRAFIA
"The Artist"
"Hugo"
"Tinker, Tailor, Soldier, Spy"
"The Tree of Life"

"War Horse"
(alt: "The Girl with the Dragon Tattoo")

Com muita relutância minha, lá tive de admitir que é mais provável "The Girl with the Dragon Tattoo" ou "Tinker, Taylor, Soldier, Spy" não sejam nomeados que "War Horse". Espero estar enganado. Seria bom sinal. "War Horse" deu-me náuseas de ver. 


MELHOR DIRECÇÃO ARTÍSTICA
"The Artist"
"Harry Potter and the Deathly Hallows: Part 2"
"The Help"
"Hugo"
"Tinker, Tailor, Soldier, Spy"

(alt. "War Horse")
Um pouco dividido entre "Jane Eyre", "The Help" e "War Horse" mas no fim de contas optei pelo filme mais popular. Não me arrependo, mas acho que "War Horse" é quem vai ser nomeado.

MELHORES EFEITOS VISUAIS
"Captain America: The First Avenger"
"Harry Potter and the Deathly Hallows: Part 2"
"Hugo"
"Rise of the Planet of the Apes"
"Transformers 3: Dark of the Moon"

(alt. "The Tree of Life")

Provavelmente ridículo apostar contra "The Tree of Life" aqui mas como em Efeitos Visuais as sequelas têm privilégio de passar à frente de obras originais e fantásticas, acredito que mais facilmente teremos o novo "Transformers" ou até o novo "Pirates of the Caribbean" nomeado do que o épico de Malick. Não que o mereçam, claro.

MELHOR EDIÇÃO DE SOM
"Hanna"
"Rise of the Planet of the Apes"
"Super 8"
"Transformers: Dark of the Moon"
"War Horse"
(alt: "Drive")

MELHOR MISTURA DE SOM
"Hugo"
"Hanna"
"Rise of the Planet of the Apes"
"Super 8"
"Transformers: Dark of the Moon"
(alt: "War Horse")

MELHOR MAQUILHAGEM
"The Artist"
"Gainsbourg: A Heroic Life"
"The Iron Lady"
(alt: "Harry Potter and the Deathly Hallows, Part 2")

De "Albert Nobbs" a "Hugo", qualquer um é possível. O ramo da Maquilhagem da Academia é louco.

MELHOR GUARDA-ROUPA
"The Artist"
"The Help"
"Hugo"
"Jane Eyre"
"My Week with Marilyn"

(alt: "W.E.") 

Há muita gente que previu "Anonymous" nesta categoria, mas eu não consigo perceber porquê. Era preciso que alguém tivesse visto esse filme...

MELHOR EDIÇÃO
"The Artist"
"The Descendants"
"The Girl with the Dragon Tattoo"
"Hugo"
"War Horse"

(alt. "Moneyball")
Se bem que tão facilmente meti Michael Kahn ("War Horse") como o trocaria por Christopher Tellefsen ("Moneyball"). E ainda há a hipótese de "Drive" ou "Tinker, Taylor, Soldier, Spy" por cá aparecerem também. Apesar de tudo, penso que os três concorrentes a Melhor Filme estão safos, mesmo que a edição de "The Descendants" seja vergonhosa.

MELHOR FILME ESTRANGEIRO
"A Separation"
"Footnote"
"In Darkness"
"Monsieur Lazhar"
"Pina"
(alt: "Bullhead")
A outra alternativa a considerar é "Superclásico", a comédia familiar dinamarquesa. Ainda não estou convencido que "Pina" consiga dupla nomeação mas não vejo nenhum título prestigiante que lhe passe à frente.

MELHOR FILME ANIMADO
"The Adventures of Tintin"
"Cars 2"
"Chico & Rita"
"Puss in Boots"
"Rango"
(alt: "Arthur Christmas")

Optei à última hora por trocar "Cars 2" por "Arthur Christmas" por uma única, simples razão: não estou a imaginar a Pixar a falhar esta categoria, por muito mau que seja o filme (para quem ainda não o viu: é péssimo, faz a Pixar parecer uma amadora em relação aos estúdios da Fox que produzem sequelas infindáveis de "Ice Age"). Outro apontamento: é possível que outro filme estrangeiro que não "Chico & Rita" apareça nomeado, ainda para mais tendo em consideração as cenas bastante adultas, digamos, do filme de Trueba ("Waltz with Bashir" teve esse problema em 2008). Aposto em "A Cat in Paris" para surpreender.

MELHOR BANDA SONORA ORIGINAL
"The Artist"
"Extremely Loud & Incredibly Close"
"Hugo"
"Tinker, Tailor, Soldier, Spy"
"War Horse"

(alt: "The Girl with the Dragon Tattoo")

Algo a ter em atenção: a possibilidade de John Williams ser duplamente nomeado ("The Adventures of Tintin"). Gostava de prever outras surpresas, como a inclusão de Dario Marianelli ("Jane Eyre"), Thomas Newman ("The Help") ou de Cliff Martinez ("Contagion"), mas tal não parece plausível.

MELHOR MÚSICA ORIGINAL
Se forem 3:
"Life's A Happy Song" ("The Muppets")
"Lay your Head Down" ("Albert Nobbs")
"The Living Proof" ("The Help")

Se forem 5:
"Pictures in My Head ("The Muppets")
"Star Spangled Man" ("Captain America: The First Avenger")

(alt: "Coeur Volant", "Hugo")
Outra hipótese a ter em conta: "Hello, Hello" ("Gnomeo and Juliet"), uma deprimente realidade.

MELHOR DOCUMENTÁRIO
"Bill Cunningham New York"
"Buck"

"Paradise Lost 3: Purgatory"
"Project Nim"
"We Were Here"

(alt: "Hell and Back Again", "Pina", "If A Tree Falls")

Nunca sei bem o que fazer desta categoria: depois de um ano em que vi quase todos os documentários a concurso, vem um ano em que vi 10% da categoria. Enfim. A minha previsão aqui baseia-me mais em potencial e aclamação crítica que outra coisa. Permiti-me três alternativas porque são 15 os nomeados possíveis.

MELHOR CURTA, DOCUMENTAL
"The Barber of Birmingham"
"Pipe Dreams"
"Saving Face"
"The Tsunami and the Cherry Blossom"

"Witness"
(alt: Incident in New Baghdad")

MELHOR CURTA METRAGEM, ANIMAÇÃO
"Dimanche"
"The Fantastic Books of Mr. Morris Lessmore"
"La Luna"
"Magic Piano"
"Wild Life"
(alt: "Luminaris")

MELHOR CURTA, LIVE ACTION
"Love at First Sight"
"The Road Home"
"The Roar of the Sea"
"Sailcloth"
"The Shore"
(alt: "Raju")


As nomeações para os Óscares serão anunciadas por Jennifer Lawrence (nomeada ao Óscar por "Winter's Bone") e pelo presidente da Academia, Tom Sherak, às 13:35, hora portuguesa (8:35, hora local), via live stream da Academia (AQUI). Estaremos cá para discutir mais logo as nomeações e prever, já de avante, os vencedores. Uma notícia que poderá agradar a alguns fiéis fãs do blogue: vamos tentar trazer o grupo do "10 for the Oscars, Oscars for 10" para pelo menos uma discussão pré-cerimónia dos Óscares.


Agora vocês: alguma surpresa de que me esqueci e que vocês pensar poder aparecer amanhã?

Vencedores dos Globos de Ouro 2012




Terminou há minutos a 69ª cerimónia dos Globos de Ouro, atribuídos pela Associação de Imprensa Estrangeira de Hollywood, apresentada por um muito sedado - e assim mais engraçado - Ricky Gervais. "The Artist" foi o grande vencedor, com três estatuetas (Melhor Filme - Comédia/Musical, Melhor Actor - Comédia/Musical para Jean Dujardin e Melhor Banda Sonora) e sai da cerimónia com estatuto de favorito aos Óscares intacto. "The Descendants" tem em George Clooney (vencedor do troféu de Melhor Actor - Drama) o seu grande trunfo para os Óscares, tendo recebido também o prémio de Melhor Filme - Drama mas perdendo Melhor Argumento e Melhor Realizador para os veteranos Woody Allen e Martin Scorcese, respectivamente. A Clooney juntam-se Christopher Plummer (Melhor Actor Secundário) e Octavia Spencer (Melhor Actriz Secundária), sendo certo que estes três deverão repetir nos Óscares. Entretanto, os Globos puxaram o travão a quem já está lançado no apoio à Viola Davis com vitórias para Meryl Streep (Melhor Actriz - Drama) e Michelle Williams (Melhor Actriz - Comédia/Musical) e ainda houve tempo para Madonna subir ao palco para aceitar o prémio de Melhor Canção Original. Finalmente, há que mencionar o mais justo vencedor da noite: o Melhor Filme Estrangeiro, "A Separation". Uma foto agora da estrela da noite:


Para os lados da televisão, as escolhas foram, ao contrário do que estamos habituados, simpáticas e justas. Se bem que Bryan Cranston devia receber todos os prémios possíveis e imaginários, o troféu de Melhor Actor - Drama não fica mal a Kelsey Grammer. "Homeland" foi o grande vencedor da noite nas categorias televisivas, contudo, com vitórias em Melhor Série - Drama e para Melhor Actriz - Drama: Claire Danes. "Modern Family" consegue finalmente ultrapassar a popularidade doentia de "Glee" e vencer Melhor Série - Comédia/Musical. Matt LeBlanc, negado de um prémio por todos os anos de "Friends", recebe agora o troféu de Melhor Actor - Comédia/Musical naquela que era a pior categoria do dia. Laura Dern ganhou o prémio de Melhor Actriz - Comédia/Musical, algo que me deixa muito contente - sendo fã louco da série - se bem que acho que ele ficava melhor em Amy Poehler. Apesar de "Mildred Pierce" ter mais uma vez perdido Melhor Mini-Série para "Downton Abbey", Kate Winslet (Melhor Actriz - Mini-Série) continua a arrogância insuportável nos discursos, enquanto Peter Dinklage (Melhor Actor Secundário) é sempre espectacular de ouvir e Idris Elba (Melhor Actor - Mini-Série) radiante de ver, dado que este prémio lhe chega quase uma década depois do que devia ("The Wire" já tem 10 anos!). E Jessica Lange, pois claro, deliciosamente maquiavélica em "American Horror Story", tinha mesmo que ganhar, ela que tem quase tantos Globos de Ouro como Meryl Streep. Quase. 

Aqui fica então a lista completa dos vencedores:


Prémio Carreira:
Morgan Freeman


Cinema

MELHOR FILME - DRAMA:
"The Descendants"

MELHOR FILME - COMÉDIA/MUSICAL:
"The Artist"

MELHOR ACTOR - DRAMA:
George Clooney, "The Descendants"

MELHOR ACTOR - COMÉDIA/MUSICAL:
Jean Dujardin, "The Artist"

MELHOR ACTRIZ - DRAMA:
Meryl Streep, "The Iron Lady"

MELHOR ACTRIZ - COMÉDIA/MUSICAL:
Michelle Williams, "My Week With Marilyn"

MELHOR ACTOR SECUNDÁRIO:
Christopher Plummer, "Beginners"

MELHOR ACTRIZ SECUNDÁRIA:
Octavia Spencer, "The Help"

MELHOR FILME ESTRANGEIRO:
"A Separation"

MELHOR FILME ANIMADO:
"The Adventures of Tintin"

MELHOR REALIZADOR:
Martin Scorcese, "Hugo"

MELHOR ARGUMENTO:
Woody Allen, "Midnight in Paris"

MELHOR BANDA SONORA:
Ludovic Bource, "The Artist"

MELHOR MÚSICA ORIGINAL:
"Masterpiece" - "W.E."


Televisão

MELHOR SÉRIE - COMÉDIA:
"Modern Family"

MELHOR SÉRIE - DRAMA:
"Homeland"

MELHOR MINISÉRIE:
"Downton Abbey"

MELHOR ACTOR - COMÉDIA:
Matt LeBlanc, "Episodes"

MELHOR ACTOR - DRAMA:
Kelsey Grammer, "Boss"

MELHOR ACTRIZ - COMÉDIA:
Laura Dern, "Enlightened"

MELHOR ACTRIZ - DRAMA:
Claire Danes, "Homeland"

MELHOR ACTOR - MINISÉRIE:
Idris Elba, "Luther"

MELHOR ACTRIZ - MINISÉRIE:
Kate Winslet, "Mildred Pierce"

MELHOR ACTOR SECUNDÁRIO:
Peter Dinklage, "Game of Thrones"

MELHOR ACTRIZ SECUNDÁRIA:
Jessica Lange, "American Horror Story"



(Imagens via Twitter: Golden Globe Awards e Ricky Gervais)

Globos de Ouro - Previsões (com vencedores)



Mais logo temos mais uma cerimónia, a 69ª, dos Globos de Ouro, entregues pela Associação da Imprensa Estrangeira de Hollywood (HFPA), um dos mais importantes precursores dos Óscares, cujos nomeados são anunciados na próxima semana e cujos vencedores serão revelados dentro de um mês. A cerimónia é transmitida em Portugal pelo AXN e pelo Sony Entertainment, começando por volta da 1 hora da madrugada, apresentada por Ricky Gervais, que já prometeu ser mais contido que o ano passado.


Ao contrário do habitual, a nossa cobertura da corrida aos Óscares este ano foi miserável, um mea culpa que eu tenho que fazer, que acabei por trocar a escrita aqui no blogue pelo estudo para a universidade. Aparentemente, estudar para médico não dá grande tempo para nada. Enfim. Pudesse eu recuar a Junho e faria as coisas de forma diferente. Não podendo... We'll take what we can get

Este ano decidi ser atrevido nalgumas previsões e, até porque não sou de todo o melhor apostador para os Globos de Ouro, optei por divertir-me. Se quiser obter informação durante a cerimónia, podem seguir pelo Twitter do blogue AQUI onde vou actualizando os vencedores e na minha conta pessoal do Twitter onde vou fazendo comentários. Cá estão as minhas previsões para mais logo (a verde está o vencedor):

Cinema

MELHOR FILME - DRAMA:
"The Help"
(alternativa: "The Descendants")

MELHOR FILME - COMÉDIA/MUSICAL:
"The Artist"
(alternativa: "Bridesmaids")

MELHOR ACTOR - DRAMA:
George Clooney, "The Descendants"
(alternativa: Brad Pitt, "Moneyball")

MELHOR ACTOR - COMÉDIA/MUSICAL:
Jean Dujardin, "The Artist"
(alternativa: Ryan Gosling, "Crazy, Stupid, Love")

MELHOR ACTRIZ - DRAMA:
Meryl Streep, "The Iron Lady"
(alternativa: Viola Davis, "The Help")

MELHOR ACTRIZ - COMÉDIA/MUSICAL:
Michelle Williams, "My Week With Marilyn"
(alternativa: Kristen Wiig, "Bridesmaids")

MELHOR ACTOR SECUNDÁRIO:
Christopher Plummer, "Beginners"
(alternativa: Albert Brooks, "Drive")

MELHOR ACTRIZ SECUNDÁRIA:
Octavia Spencer, "The Help"
(alternativa: Berenice Bejo, "The Artist")

MELHOR FILME ESTRANGEIRO:
"A Separation"
(alternativa: "In The Land of Blood and Honey")

MELHOR FILME ANIMADO:
"Rango"
(alternativa: "The Adventures of Tintin")

MELHOR REALIZADOR:
Michel Hazanavicius, "The Artist"
(alternativa: Martin Scorcese, "Hugo")

MELHOR ARGUMENTO:
Steven Zaillian, Stan Chervin e Aaron Sorkin, "Moneyball"
(alternativa: Woody Allen, "Midnight in Paris")

MELHOR BANDA SONORA:
Ludovic Bource, "The Artist"
(alternativa: Howard Shore, "Hugo")

MELHOR MÚSICA ORIGINAL:
"The Living Proof" - "The Help"
(alternativa: "Masterpiece" - "W.E.")


Televisão

MELHOR SÉRIE - COMÉDIA:
"Modern Family"
(alternativa: "Enlightened")

MELHOR SÉRIE - DRAMA:
"Homeland"
(alternativa: "American Horror Story")

MELHOR MINISÉRIE:
"Downton Abbey"
(alternativa: "Mildred Pierce")

MELHOR ACTOR - COMÉDIA:
Matt LeBlanc, "Episodes"
(alternativa: Johnny Galecki, "The Big Bang Theory")

MELHOR ACTOR - DRAMA:
Kelsey Grammer, "Boss"
(alternativa: Bryan Cranston, "Breaking Bad")

MELHOR ACTRIZ - COMÉDIA:
 Zooey Deschanel, "New Girl"
(alternativa: Laura Dern, "Enlightened")

MELHOR ACTRIZ - DRAMA:
Claire Danes, "Homeland"
(alternativa: Madeleine Stowe, "Revenge")

MELHOR ACTOR - MINISÉRIE:
Idris Elba, "Luther"
(alternativa: Dominic West, "The Hour")

MELHOR ACTRIZ - MINISÉRIE:
Kate Winslet, "Mildred Pierce"
(alternativa: Diane Lane, "Cinema Vérité")

MELHOR ACTOR SECUNDÁRIO:
Guy Pearce, "Mildred Pierce"
(alternativa: Peter Dinklage, "Game of Thrones")

MELHOR ACTRIZ SECUNDÁRIA:
Jessica Lange, "American Horror Story"
(alternativa: Evan Rachel Wood, "Mildred Pierce")

Prémio Carreira:
Morgan Freeman


Acerto nas Previsões: 

18 | 25 sem alternativas (72%), 25 | 25 com alternativas (100%)

DRIVE (2011)



AVISO: Se não viram o filme ainda... Parem de ler aqui e vão vê-lo. Todos os outros: prossigam.




"I give you a five-minute window, anything happens in that five minutes and I'm yours no matter what. [...] I don't carry a gun... I drive."

Um homem no meio da escuridão atende um telefone no seu quarto de hotel. Ele está sozinho e sozinho ele ficará, apesar das muitas pessoas que vão entrar e sair da sua vida ao longo do filme. É conhecido como o Driver, porque é isso que ele faz. De dia, é um duplo para cenas de acção (as habituais stunts) e mecânico. De noite, é o condutor de um veículo de fuga que ajuda vários tipos de actividades ilegais. Ele não é um criminal - ele só conduz. É assim, ao som de "Nightcall" de Kavinsky, uma das poucas canções que consta na brilhante banda sonora retro, sintética de Cliff Martinez, que o Driver liga o carro, carrega no acelerador e avança, nunca mais olhando para trás.  "DRIVE" começa em cima e nunca desacelera, presenteando-nos com uma hipnótica, íntima, épica homenagem aos filmes de acção e violência metropolitanos de Michael Mann e William Friedkin (entre outros) dos anos 80 e à vida nocturna da cidade de Los Angeles. Carregado de adrenalina e testosterona "Drive" é uma verdadeira prenda para cinéfilos que há muito tempo aprenderam a amar os thrillers noir de Hollywood tal como Refn deve ter amado um dia.



Outro detalhe que me deleitou imenso foi a caracterização do nosso protagonista. Nunca sabemos o nome dele, nem dados sobre a sua família ou a sua história - só sabemos que é conhecido por Driver. E isso basta. Tudo aquilo que é preciso saber sobre a personagem está na sua obsessão por palitos, na sua escolha arrojada de vestuário de trabalho (um casaco branco com um escorpião dourado no seu dorso) e sobretudo nos olhos do actor que o interpreta. Ryan Gosling tem uma característica distintiva que instantaneamente nos atrai nele e que faz dele uma das estrelas mais excitantes da sua geração - é a plenitude, o mistério nos seus olhos. Em Gosling, Nicolas Winding Refn encontrou o parceiro perfeito para complementar o seu estilo: ninguém poderia interpretar este personagem tão cool, de expressão facial vazia, impenetrável, que poucas palavras diz, como Gosling o faz. É difícil dizer o que vai nos seus olhos azuis - o que o faz simultaneamente intrigante e intimidante. Nas poucas vezes que o Driver deixa transparecer a sua humanidade, quando Irene e Benicio (o filho de Irene) se encontram em perigo, é desconcertante vê-lo, periclitante, baixar a guarda e a arriscar-se por eles. Uma maravilhosa interpretação, a sua melhor este ano.


Para contrastar com o enigmático Driver, temos um grupo riquíssimo de actores secundários que dão ressonância emocional a um filme já de si poderoso à custa do seu estilo e da sua confiança, fazendo-nos preocupar com as pessoas que entram e saem da vida dele. Isto deve-se em absoluto ao calibre e talento do grupo de actores envolvidos, capazes de dar voz, sensibilidade e criar, de parcos momentos no ecrã, uma personagem completa, com uma história de vida sobre a qual adoraríamos saber mais se houvesse tempo. Carey Mulligan interpreta eficientemente a sua vizinha Irene, mulher casada e mãe de Benicio e empregada de mesa que vira o alvo improvável dos afectos do nosso protagonista, que se vê envolvido num negócio complicado com o marido de Irene, "Standard" (fantástico Oscar Isaac), acabado de sair da prisão. A outra ligação de Driver com o mundo do crime é Shannon (um esplêndido Bryan Cranston, que possui uma química brutal com Gosling), o seu chefe e agente, que o apresenta a duas figuras poderosas: o barulhento e rude dono de uma pizzaria, Nino (Ron Perlman) e o seu irmão Benny Rose (Albert Brooks), um homem pequeno mas ameaçador que esconde um talento para a violência brutal por detrás da sua cara feliz e satisfeita. É estranhamente excitante - mas nada divertido - vê-lo em acção. Christina Hendricks (que interpreta uma colaboradora de Nino, Blanche), finalmente, é particularmente divertida de observar na sua pequena cena.






Trabalhando a partir de uma história muito simplista baseada no romance de James Sallis de 2005 com o mesmo nome e adaptado para o grande ecrã pelo argumentista Hossein Amini (nomeado para Óscar por "The Wings of the Dove"), Nicolas Winding Refn aproveita a oportunidade para impressionar com o seu luxuoso, selvagem, arriscado sentido visual, a sua construção a passo rápido e os seus incríveis instintos, mais controlado e disciplinado aqui do que em "Valhalla Rising", o seu último filme, mas também infinitamente mais inspirado e electrizante aqui. O trabalho de Newton Thomas Sigel atrás da câmara também deve ser valorizado, oferecendo ao filme uma fotografia densa, rica, estilizada e cuidada que fica impregnada na mente muito depois do filme terminar. A cena do elevador é um excelente exemplo do quão exímio foi o trabalho de ambos. Fotografia icónica ao serviço da narrativa, mostrando a colisão entre os dois mundos em que Driver está envolvido e os riscos a subir em flecha. Crédito deve ser dado também a Cliff Martinez e às equipas de som, por extraordinariamente mostrar-nos as situações em torno do Driver como se lá estivéssemos.


Viciante, intenso, belo, genial e acima de tudo satisfatório, "Drive" é uma experiência verdadeiramente única, que satisfaz a sede do espectador por adrenalina e sangue e emoção e nos deixa no fim a mente - e o pulso - a mil por minuto. E tudo o que eu conseguia pensar era em ver o filme de novo. Depois de obviamente o ter feito, uma consideração ficou clara na minha consciência: acho que encontrámos a obsessão cinematográfica desta geração. E acredito que "Pulp Fiction" e Quentin Tarantino (para mim, o último revolucionário moderno a criar tanto impacto na cultura pop do seu tempo) não podiam estar mais satisfeitos com o seu sucessor.



Nota Final:
A-

Informação Adicional:
Realização: Nicolas Winding Refn
Argumento: Hossein Amini
Elenco: Ryan Gosling, Albert Brooks, Carey Mulligan, Ron Perlman, Bryan Cranston, Christina Hendricks, Oscar Isaac
Música: Cliff Martinez
Fotografia: Newton Thomas Sigel


E os Links o Vento Levou


Na senda de outros blogues e sítios, penso que vou começar a fazer uma recolha de notícias, artigos e especiais que ocorrem durante a semana e que, não tendo eu tempo para fazer um realce apropriado, vou cá juntar nesta rubrica semanal de links. Agradecia que me dessem as vossas próprias sugestões, que juntarei aqui se considerar apropriado.

  • "Mistérios de Lisboa" consegue três nomeações nos Golden Satellite Awards, para Melhor Guarda-Roupa, Melhor Direcção Artística e Melhor Filme Estrangeiro. Mesmo que se tenha que relembrar que os Satellites nomeiam quase toda a gente, é uma honra que tenham escolhido o filme português para nomeado. Outra nota de valor: Raul Ruiz ganha postumamente um prémio especial dos Críticos de Cinema de Nova Iorque (NYFCC). [SIC Notícias]
  • Uma lista com alguma idade já mas que vale sempre a pena realcar. No Narrador Subjectivo, podem encontrar a lista dos dez filmes preferidos do Roger Ebert, um dos maiores (quiçá o maior) crítico de cinema da actualidade. [Narrador Subjectivo]
  • Esta semana foram finalmente divulgados mais detalhes sobre a promissora banda sonora de Trent Reznor e Atticus Ross para "The Girl With the Dragon Tattoo" de David Fincher, incluindo a sua curiosa colaboração com Karen O na cover de "Immigrant Song" dos Led Zeppelin. Além do trailer aumentado (8 minutos!), podem aceder a uma 'amostra' de 35 minutos de várias músicas da banda sonora, que ao todo tem três horas. Abaixo vos deixo o meu trecho favorito. [The Film Stage]
 
  • Colin Firth recebeu o seu enésimo prémio por "The King's Speech" nos European Film Awards 2011, que consagrou "Melancholia" como Melhor Filme de 2011, sucedendo a "The Ghost Writer" mas que decidiu cometer a blasfémia de nomear Suzanne Bier o Melhor Realizador de 2011. Não é que a dinamarquesa seja boa - que é - mas na categoria estavam nomes como Kaurismaki, von Trier e Tarr, todos realizadores bem mais arrojados e merecedores de premiação. Tilda Swinton ("We Need to Talk About Kevin") venceu Melhor Actriz, os irmãos Dardenne ("Le Gamin au Vélo") Melhor Argumento e Ludovic Bource ("The Artist") para Melhor Banda Sonora. O que me choca, no fundo, é que alguém tenha achado que Tariq Anwar fez um bom trabalho na edição de "The King's Speech". Que horror. O que compensa: "Chico e Rita" ser Melhor Filme Animado. Muito bem. [Indiewire]
  • No The Parade, confira a lista dos 100 filmes que George Clooney considera seus favoritos. Penso que não ficarão surpreendidos pelo seu excelente gosto cinematográfico. O seu favorito de todos é "All The President's Men". [The Parade]
  • Dois excelentes artigos sobre Meryl Streep, que está na corrida pela sua 17ª nomeação aos Óscares. Um de Nathaniel Rogers, do The Film Experience, que aborda os papéis pelos quais Meryl Streep não foi nomeada aos Óscares; [The Film Experience]
  • E outro de Glenn Dunks, do Stale Popcorn, no rescaldo da vitória da actriz para o Círculo de Críticos de Nova Iorque (NYFCC), que pede a Meryl Streep que opte por ousar mais nas suas escolhas e prefira trabalhar com realizadores mais adequados ao seu enorme talento. [Stale Popcorn]
  • Ainda acerca de Meryl Streep, aqui ficam dois jogos online relacionados com a actriz. Conseguem resolvê-los? O primeiro sobre as nomeações da actriz aos Óscares (aqui) e o segundo (aqui) sobre as actrizes que a bateram. [Sporcle]
  • Já no TVDependente, é altura das "machadadas de Natal". Boas sugestões da equipa do TVDependente em relação a quais séries valem a pena ver e de quais séries mais valia abdicarem. Não concordo com todas e com a disposição de algumas nas categorias, mas na maioria eles têm razão. Depois de mais um ano a ver mais de quarenta séries, além de mais de cem filmes, decidi que metade tinha de ser 'cortada' da minha vida. Mas quando falarmos dos prémios em televisão abordo esse tema. Posso dizer-vos, de qualquer forma, que a série que mais anda na corda bamba para ser 'machadada' cá para estas bandas é "Dexter". A milhas do que já deu. [TV Dependente]
  • Falou-se muito das trocas de apresentador e de produtor para a cerimónia dos Óscares (saiu Brett Ratner e Eddie Murphy, entrou Billy Crystal e Brian Grazer), tem-se falado imenso da regra dos 5 a 10 nomeados para Melhor Filme, mas sobre o que ninguém tem reflectido é sobre a mudança ao anúncio das nomeações: este ano, os filmes nomeados não são anunciados alfabeticamente como é apanágio, com o objectivo de nos apanhar de surpresa. A Sasha Stone abordou o assunto há algum tempo. [Awards Daily]
  • Também via Awards Daily, recomendo que leiam as mesas-redondas dos Óscares. O parente rico do "10 for the Oscars, Oscars for 10", ao que parece. Mesas redondas estão na moda. [Awards Daily]
  • Com algumas semanas de existência nas redes sociais e na Internet mas ainda a tempo de cá vir figurar no blogue: 13 modas de posters que estão para ficar. Algumas merecem crítica; outras nem por isso.  [Oh No They Didn't!]
  • Outra história já com alguns meses: o documentário do making-of dos momentos finais de filmagem da saga Harry Potter. "When Harry Left Hogwarts". Vou querer ver, claro. [Close Up]
  • Finalmente, como é hábito no The Hollywood Reporter, voltamos a ter as entrevistas com actores, actrizes, realizadores e argumentistas. A de actores conta com Clooney, Nolte, Oldman, Plummer, Brooks e Waltz. Um excelente grupo de actores, que discute temas desde a morte, o desemprego e a fama. A de actrizes é composta por Williams, Theron, Spencer, Davis, Mulligan e Close e é de longe a mais interessante, colorida e divertida. Charlize Theron, em particular, está a começar a assumir lugar preponderante no meu coração. Genial. O grupo de realizadores é formado por Jason Reitman, Bennett Miller, Michel Hazanavicius, Alexander Payne, Steve McQueen e Mike Mills. O de argumentistas ainda não tem vídeo completo. Quando tiver, cá o colocarei. [The Hollywood Reporter]





    THE IDES OF MARCH (2011)



    "Get out, now. Or otherwise you end up being a jaded, cynical asshole, just like me."

    Mesmo falhando na sua análise crítica às maquinações e jogadas de bastidores por detrás de uma campanha política, deixando tudo muito no ar, numa área cinzenta que não compromete nem provoca grande fricção, "THE IDES OF MARCH" é, ainda assim, um thriller político de inequívoca qualidade, sabendo ser inteligente e sagaz na forma como intersecta a vida pessoal, a vida familiar, a vida profissional e a vida política deste grupo de indivíduos sem complicar muito, como procura momentos de tensão e aparente ameaça sem sair forçado e conseguindo capturar o interesse do espectador e a sua atenção para as respostas que tenta encontrar, metaforicamente, para o panorama político-social ficcional - e o actual, real.


    Baseado na peça "Farragut North" de Beau Willimon (por sua vez livremente inspirada na campanha falhada de Howard Dean em 2004), que a estreou off-Broadway em 2008 em altura de grande esperança para o povo americano, com a vitória de Obama fresca na memória, "THE IDES OF MARCH" surge agora três anos depois, quando a desilusão e o desapontamento com a governação de Obama cresce dia após dia e numa altura em que a crise económica ameaça ser notícia por mais algum tempo, parecendo aparecer na altura ideal para explorar assuntos tão coloridos como políticas de bastidores, tácticas de corrupção, manipulação e jogo sujo que mancham a campanha até do mais nobre e leal dos candidatos. Com um olhar cínico e desaprovador, Clooney e o seu fiel colaborador Heslov juntam-se para adaptar o texto original de Willimon, conferindo-lhe uma voz mais específica, mais contemporânea, mais pró-activa e moralista. O resultado não é fabuloso e tão pouco subtil, mas funciona. Apesar de algumas situações em que Clooney parece projectar o seu idealismo e activismo político na fachada do seu protagonista, transformando a cena em algo mais ou menos aplausível, ingénuo e irrealista, o argumento é especialmente incandescente nas cenas de maior tensão, absorvente e criminalmente divertido quando os políticos entram em confronto.


    A história abre com um pequeno monólogo de Stephen Meyers (Ryan Gosling), que afirma: “I’m not a Christian. I’m not an atheist. I’m not a Muslim. I’m not Jewish. I believe in the American constitution.” Uma pequena hesitação da sua parte parece-nos querer levar a alguma revelação ou segredo escondido, mas nada. Momentos depois apercebemo-nos que Stephen está apenas a testar o som da sala onde o governador Mike Morris (George Clooney), seu patrão e candidato à presidência dos Estados Unidos da América, irá discursar mais tarde e assim este pequeno exercício de retórica acaba de fazer todo o sentido. Estamos nas primárias no estado de Ohio, onde Mike Morris procura vencer e ultrapassar o seu competidor directo, o senador Pullman (Michael Mantell), cuja campanha está a ser organizada por Tom Duffy (Paul Giamatti), rival pessoal do organizador de campanha de Morris, Paul Zara (Philip Seymour Hoffman), na corrida pelo voto democrático. Para Mike Morris trabalha também a interna Molly Stearns (Evan Rachel Wood) que procura dar os seus primeiros passos no mundo obscuro da política.

    O elenco do filme acaba mesmo por ser o seu ponto forte, com um soberbo Ryan Gosling a aguentar-se no frente-a-frente com George Clooney, Paul Giamatti e Philip Seymour Hoffman. Gosling, que está a ter um ano enorme (com "Crazy, Stupid, Love" e "Drive"), tem aqui a sua interpretação mais rigorosa, mais clara e definida. O argumento não ajuda, no entanto, a pintar um retrato fiel e completo de Stephen, nunca permitindo penetrar fundo na sua personalidade e na sua psique, deixando-nos com um retrato superficial e desonesto de um personagem a quem é pedido para ser simultaneamente cínico e honrado, justo, convicto. A pessoa que merece ressalva do restante elenco é, sem dúvida, Evan Rachel Wood, a igualar o nível de brilho que nos mostrou recentemente em "Mildred Pierce" e no longínquo "thirteen" (que lhe devia ter garantido a sua primeira nomeação para os Óscares). Desde cedo a personagem mais promissora da trama, Wood não nos desilude, aproximando-se do espectador com o seu jeito despreocupado mas afectuoso, dando humanidade e vida a esta personagem emocionalmente ressonante mas que é ridiculamente descartada por Clooney e Cª por capricho da narrativa. Um último elogio para Seymour Hoffman, que habitualmente me faz ranger os dentes à custa da forma muito emotiva e aberta (à falta de melhor palavra) como aborda as suas personagens, conferindo-lhes uma personalidade impulsiva e intempestiva que nem sempre é o que é necessário. Está muito bem e cumpre a sua função. Se há alguém que é nomeado deste filme, é ele. Tirando o elenco, o filme está muito bem servido de banda sonora (uma vez mais, não há como errar com o sublime Alexandre Desplat) e de realização. Se com "Good Night and Good Luck" me surpreendeu, aqui George Clooney deixou-me boquiaberto. Uma realização de luxo, a revelar que o actor realmente tem inúmeros talentos e recursos ao seu dispor.


    Um filme que resolve terminar como começou, sem nos dar grandes respostas nem revelações e à espera que  as peças tenham todas encaixado, acaba por nos deixar um grande amargo de boca em vez de nos procurar questionar e fazer reflectir. Eloquente mas inconsequente, ambicioso mas vaidoso, "THE IDES OF MARCH" compõe uma intriga curiosa e atraente que não resiste, infelizmente, à sua mania de superioridade e dono da razão (a ponto de para o fim o cínico quase parecer irónico) e opta por não se comprometer, ao alcançar uma conclusão amoral de que todos temos que nos adaptar e sobreviver para podermos subir na vida, precisamente o tipo de mensagem cliché e limitada que o próprio filme tanto procura desconstruir. É uma pena que o filme acabe por ser uma espécie de embuste, por tanto prometer expor e por tão pouco se conseguir retirar de pertinente. 


    Nota Final:
    B/B+

    Informação Adicional:

    Realização: George Clooney
    Argumento: George Clooney, Grant Heslov, Beau Willimon
    Elenco: George Clooney, Ryan Gosling, Evan Rachel Wood, Philip Seymour Hoffman, Marisa Tomei, Paul Giamatti
    Fotografia: Phedon Papamichael
    Banda Sonora: Alexandre Desplat
    Ano: 2011 

    Trailer:

    Sons da Minha Vida: Melodias que marcam


    Um dos mais galardoados compositores de sempre (só atrás de Alfred Newman, com oito vitórias) e actualmente a pessoa viva com maior número de estatuetas e nomeações (só Walt Disney tem mais nomeações que ele), o quase octogenário John Williams pode estar a preparar-se para receber este ano o seu sexto Óscar, quarenta anos depois de ter vencido o seu primeiro.


    Foi em 1972 que John Williams foi apadrinhado pela Academia das Artes Cinematográficas pela sua belíssima banda sonora para o sucesso de 1971, "Fiddler on the Roof", numa altura em que ainda existiam duas categorias para bandas sonoras.



    Foi então à sua quarta nomeação. John Williams faria a proeza de ser nomeado em todos os anos da década de 70 à excepção de 1971 e 1977, garantindo um número recorde de onze nomeações e duas vitórias, esta por "Fiddler on the Roof" e a primeira pela sua famosa colaboração com Steven Spielberg, por "Jaws" em 1976, e com George Lucas, por "Star Wars" em 1978 (aqui).


     

    Estas duas bandas sonoras marcam a revolução da era moderna do uso da música nos filmes e fariam de John Williams imortal na memória de todos os cineastas e cinéfilos. Vence de novo em 1983 por colaborar com Spielberg em "E.T.", com mais uma banda sonora marcante e facilmente identificável (a sua imagem de marca) e, tal como Spielberg, teria de esperar mais dez anos para voltar a vencer, com "Schindler's List" em 1994. Pelo meio criou ainda mais duas brilhantes bandas sonoras também elas impregnadas na memória global, para a franchise "Indiana Jones" e "Jurassic Park". Em 2001 seria apresentado a uma nova geração de pequenos espectadores de cinema ao criar a clássica "Hedwig's Theme" da saga "Harry Potter".


    2006 marca o último ano em que John Williams surgiu nos Óscares, duplamente nomeado por "Memoirs of a Geisha" and "Munich" (nova colaboração com Spielberg), perdendo pelas duas - Gustavo Santaolalla venceu por "Brokeback Mountain". Curiosamente, num ano em que Spielberg volta em grande aos épicos de aventura que tanta fama lhe trouxeram no início de carreira, também este seu grande colaborador, a entrar na casa dos 80 anos, volta jovialmente a dedicar-se aos grandes épicos.


    Este ano traz-nos "The Adventures of Tintin" (já estreado em salas portuguesas) e "War Horse". Dois filmes grandes no sentido da palavra e da expectativa, um épico de aventura e um épico de guerra, um mais cómico e bem-humorado, o outro mais sério e dramático. Em ambos, Williams está muito bem. E não esqueçamos o grande projecto de Spielberg de 2012, para o qual Williams também fornece a música, "Lincoln".





    Um compositor inolvidável por tudo o que significa para a história do cinema, o compositor mais reconhecido em todo o mundo pelas seus trechos facilmente reconhecíveis, embebidos na cultura popular das últimas décadas, o homem que treinou com o mestre Bernard Herrmann, que consegue variar sem qualquer esforço de peças fortes, barulhentas e poderosas para épicos de ficção científica e filmes de aventura para uma melodia mais suave, subtil, leve e mágica como aquela que serve de pano de fundo aos melhores dramas com assinatura de Spielberg (e não só), John Williams deixa um legado ímpar que importa preservar.

    Tribute to John Williams, Steven Spielberg and George Lucas from whoispablo on Vimeo.

    Agora vocês: vêem John Williams regressar aos Óscares este ano? Se sim, por qual (quais) das bandas sonoras?


    BAD TEACHER (2011)






    "I don't give a fuck."

    "BAD TEACHER" completa a tríade de comédias orientadas para adultos que estrearam este Verão com grande sucesso (ao lado de "Bridesmaids" e de "Horrible Bosses") mas, ao contrário das outras duas, esta não tem nada de particularmente especial com que venha contribuir para o género. Tem, todavia, uma interpretação que subsiste, que prevalece apesar de todas as falhas num argumento displicente e comprometedor, apoiada por um valente e enérgico elenco que compensa a falta de qualidade em vários quadrantes do filme. Cameron Diaz, no papel da titular 'bad teacher', volta em grande, transformando em ouro cómico toda e qualquer fala que a mandem disparar.


    Diaz transcende-se como há muito não o fazia no papel de Elizabeth Halsey, uma professora para quem as boas maneiras não existem. Ela passa filmes nas aulas para que possa curar dormindo a ressaca do dia anterior, ela bebe, pragueja, insulta e critica sem dó nem apelo e é especialista em sair de situações bicudas graças à sua enorme capacidade de se desenrascar (quanto menos tem de fazer, melhor) e, sobretudo, graças à sua lata e auto-confiança. Rejeita os avanços do professor de ginástica, Russell Gettis (Jason Segel), na sua busca incessante por um marido rico que lhe dê tudo sem que ela tenha que se esforçar, tendo decidido angariar dinheiro para poder aumentar os seus seios, numa ridícula e fantasiosa tentativa de impressionar o potencial candidato Scott Delacorte (Justin Timberlake), professor substituto que entretanto a troca pela professora modelo da escola, Amy Squirrel (Lucy Punch), que despreza Elizabeth ao máximo.



    Um filme fácil de odiar pelo elevado - e desnecessário - recurso a insultos e palavrões, ganhou a minha admiração por ter decidido desde muito cedo o que queria ser, caminhando uma linha muito ténue entre o humor negro e o humor desprezível, mantendo-se sempre engraçado e divertido e procurando não entrar em grande profundidade para não expor a sua fragilidade a nível da caracterização das personagens, quase todas unidimensionais. A verdade é que este filme tem uma história muito simples, uma premissa clara a que se propõe atirando lá para o meio uma espécie de romance para o pessoal se confundir e achar que está a ver uma comédia romântica. Contudo, na realidade, o filme é todo sobre Cameron Diaz. A actriz, que é obviamente muito talentosa, deixa aqui a melhor impressão dos últimos anos, mais enérgica, irresistível, convincente. Uma interpretação para nunca esquecer que, infelizmente, surge num dos filmes menores da sua carreira. Desde o momento em que entra em cena até que se despede de nós na cena final, Diaz faz-nos chorar a rir, aliando a sua imagem de marca de rapariga despreocupada e divertida a uma panóplia impressionante de expressões faciais e admirável entrega de falas, nunca fugindo aos aspectos mais negros e rudes da sua Elizabeth e transformando um personagem verdadeiramente desagradável numa rufia, numa rebelde que nos apetece apoiar e aplaudir. Uma performance de respeito.



    O resto do elenco (Segel, Punch, Timberlake, Smith, Higgins, Shannon, Stonestreet) também dá tudo de si para não deixar o filme cair na mediocridade, com vários momentos inspirados de humor que são mais assinaturas de marca dos próprios actores (e portanto mérito próprio) do que do insípido argumento que, de um momento para o outro, há que dizê-lo, também tem grandes momentos.

    Um filme que apesar de corajoso e aventureiro se perde por vezes no insulto fácil e em desprazíveis cenas onde o humor não abunda, "BAD TEACHER" tem em mim um admirador, sobretudo porque nunca abandona a sua real identidade e porque me trouxe de novo a alegria de ver Cameron Diaz, uma das melhores comediantes hoje em Hollywood, a contagiar-nos com felicidade que sente em fazer algo de gosta, mesmo que seja num filme que não a mereça.






    Nota Final:
    B-

    Informação Adicional:
    Realização: Jake Kasdan
    Argumento: Lee Eisenberg, Gene Stupnitsky
    Elenco: Cameron Diaz, Jason Segel, Justin Timberlake, Lucy Punch, Phyllis Smith, John Michael Higgins, Eric Stonestreet, Molly Shannon
    Ano: 2011

    Trailer:



    BEGINNERS (2010/11)



    What happens now? I don't know.


    Como é que se criou essa ideia de que há almas gémeas, este mito de que estamos destinados a encontrar alguém que fique connosco para sempre e nos complete a todos os níveis? Não sei. Contudo, não é isto, afinal, que todos procuramos na vida? Passamos os dias mergulhados num oceano de mil e uma sensações, numa amálgama de emoções, de momentos e cenas que todas juntas compõem a nossa vida, a nossa personalidade, a nossa pessoa, em busca, esperançados, da pessoa que nos transforme a nossa existência. O que ninguém nos explicou é que o ser humano não foi feito para estar junto com alguém. Crescemos com a ideia que para sobreviver temos de saber viver na solidão, ser opinativos, decididos, independentes e fortes, não importa as circunstâncias. E de repente lá vem alguém que nos põe a colocar tudo em perspectiva, que nos confunde, encanta e emociona, que nos muda para sempre e nos faz sentir como se a vida sem ela não faz sentido. Em seguida, vem a parte complicada: aquela de saber incluir quem amamos nas nossas decisões, na nossa vida. E é aí que a maior parte de nós falha. Se bem que Mike Mills tem a vantagem de estar a aproveitar uma história verídica da sua vida para nos proporcionar esta inventiva, prodigiosa e preciosa comédia romântica chamada "BEGINNERS", é impossível não notar a sua voz distintiva ao longo de toda a película, do fascinante argumento à brilhante direcção de actores, que revela que de facto estamos perante um realizador a seguir atentamente no futuro.


    "BEGINNERS" alterna brilhantemente entre a comédia subtil e o toque virtuoso, despretensioso do melodrama familiar, mostrando-nos como o passado das personagens se interliga e influencia o presente e como o presente nos leva muitas vezes a questionar actos do passado, como todos nós seres humanos somos imperfeitos, confusos, ignorantes e impotentes face ao amor, à felicidade, à tristeza, à perda e à solidão - não sabemos bem o que havemos de fazer e, mais vezes do que queremos admitir, nesta sociedade verdadeiramente sociopática e de emoções amorfas e complicadas em que vivemos, tomamos as decisões erradas e acabamos por arruinar tudo.


    "BEGINNERS" abre com a morte de Hal (Christopher Plummer) que, ao perder a sua esposa de mais de quatro décadas, decide confessar ao seu filho Oliver (Ewan McGregor) que toda a sua vida foi homossexual e que portanto pretende agora aproveitar esta nova oportunidade que a vida lhe dá para fazer tudo diferente. Oliver narra-nos o filme através de uma série de imagens e lirismos, seja poemas, frases icónicas da história ou pequenas narrativas pessoais acerca de si, da sua família e da sua vida. Oliver, que é um artista que trabalha como desenhador, ilustra as várias fases do filme enquanto este alterna entre o passado, os anos 50, nos quais Oliver passava a maior parte do tempo com a mãe, Georgia (Mary Page Keller), que lhe acabou por passar alguma da indiferença, passividade e natureza contemplativa com que reagia aos acontecimentos da vida, presa durante anos e anos num casamento infeliz; o período de tempo entre a morte da mãe e da morte do pai, em que observamos um deleitoso, enternecedor e até divertido retrato de um homem que nunca desistiu, mesmo aos 75 anos, de ser feliz e que, na sua intrépida curiosidade e mesmo lutando contra um cancro que lhe foi minando a vida, foi aprendendo o que é ser gay nos dias de hoje e encontra o amor nos braços de um homem imensamente mais novo que ele, Andy (Goran Visnjic); e meses depois, em que um Oliver imerso numa depressão e apatia profundas descobre novo rumo na sua vida ao se encontrar com Anna (Mélanie Laurent), uma misteriosa e encantadora rapariga que abana com os mecanismos de defesa que Oliver vinha aperfeiçoando nos últimos tempos e o obriga a, pela primeira vez na vida, correr atrás do que quer, tal e qual como o pai fez antes e que nos mostra o quão difícil é para ele, que foi ensinado toda a vida a guardar segredos, a partilhá-los com alguém.


    O principal atributo de "BEGINNERS" é a franca sinceridade, honestidade e calor das personagens. Aqui não há heróis nem vilões, vencidos nem vencedores. Só um conjunto de pessoas à deriva na vida, em busca de algo que lhe dê sentido. Christopher Plummer enche o seu Hal de graça, alma e uma indelével e inexplicável alegria de viver, mesmo nos piores momentos, exibindo orgulhosamente a lição moral de que o nosso exterior nem sempre reflecte bem o que o nosso interior é, tornando impossível não nos perdermos na empatia do seu olhar, na generosidade do seu espírito, na profundidade da sua caracterização. Uma nomeação - e até uma vitória - nos Óscares seria o prémio merecido para uma interpretação tão rica, tão melíflua, tão inesquecível. Ewan McGregor é exímio na forma como diz muito com tão pouco, com uma expressão ou um olhar tão cruel e devastador como apropriado, partilhando connosco o seu sofrimento, as suas dúvidas e incertezas acerca da sua vida, o seu ressentimento mas também o seu orgulho e amor para com o seu pai por recomeçar a vida mesmo enquanto ele, paradoxalmente, perece. A melhor interpretação da sua carreira, para mim. Há que realçar também o enorme contributo das duas mulheres na vida de Oliver: Mary Page Keller tem a tarefa ingrata do filme, mas uma que cumpre com elevada distinção, ao ser capaz de dar vida à sua Georgia de forma tão realista e nua, coerentemente entrelaçando, nas nossas cabeças, a explicação de porque razão Oliver é como é e Mélanie Laurent por nunca ter entrado no caminho fácil com a sua Anna e por ter compreendido que o lado imprevisível e difícil de entender da sua personagem, aquele que consegue ser, em simultâneo, terno e sensível e indiferente e frio, é o que a torna tão única e distinta. Finalmente, falar do verdadeiro astro do filme, o cão Arthur, um extraordinariamente fiel Jack Russell com uma habilidade muito particular: a de ser incisivo na forma crítica como analisa a vida de Oliver.




    Um filme que mais parece um espelho da nossa vida, que captura na perfeição o amor e a melancolia em todas as suas formas, que se atreve a abordar assuntos difíceis e o faz de forma poética, sonhadora e cativante, ao som puro e gentil da linda banda sonora de Palmer, Reitzell e Neill, "BEGINNERS" é um filme que vale a pena ver e rever - mais não seja pelo sentimento inconfundível de sair da sala de cinema após ter visto um filme completo, quase perfeito, que me mexe com as emoções, que me deixa quase em lágrimas e que me faz feliz por estar vivo e neste mundo imperfeito e imprevisível onde tudo é possível. Como apaixonar-me. Ele nunca desistiu, diz Anna na cena final do filme acerca de Hal. É isso mesmo que nunca devemos deixar de fazer. Não desistir de ser feliz.



    Nota:
    A/A-

    Informação Adicional:
    Realização: Mike Mills
    Argumento: Mike Mills
    Elenco: Ewan McGregor, Mélanie Laurent, Christopher Plummer, Mary Page Keller, Goran Visnijc
    Banda Sonora: Roger Neill, Brian Reitzell e Dave Palmer
    Fotografia:
    Ano: 2010

    Trailer:


    ONE DAY (2011)



    "Whatever happens tomorrow, we'll have today. I'll always remember it."

    Não é difícil explicar ao espectador comum sobre que género se debruça o novo filme de Lone Scherfig, que muito mostrou com o seu primeiro filme, o espectacular "An Education". Um híbrido entre as comédias românticas modernas e os clássicos dos anos 50 e 60, com a adição de sotaques britânicos, "ONE DAY", baseado no livro com o mesmo nome de David Nicholls e por ele adaptado para cinema, não evita que as comparações com o filme anterior de Scherfig e em particular as expectativas relativamente altas que o brilhantismo da obra literária adivinhava nos deixem ficar desapontados.


    "ONE DAY" abre a 15 de Julho de 1988 em Edimburgo e mostra-nos como se conhecem, pela primeira vez, a idealista e sonhadora Emma Morley (Anne Hathaway) e o divertido e prático Dexter Morgan (Jim Sturgess). Visitamos sempre esse dia, que é conhecido em Inglaterra como o St. Swithin's Day, no decurso de vinte anos para ver como as vidas de Emma e Dex se intersectam e decorrem, enquanto ambos se descobrem a eles mesmos e um ao outro. O primeiro grande problema que tenho com o filme - e com o livro - é só os podermos encontrar neste dia, todos os anos. Todos os grandes eventos da sua vida - infinitamente mais interessantes do que o que nos é oferecido pelo filme em si - passam fora do ecrã e com isso perdemos muito do pano de fundo da vida destes dois personagens. Além disso, não parece minimamente estranho que todos os anos o 15 de Julho comece ou acabe com um evento de significativa importância? E pessoas entram e saem da sua vida de forma algo aleatória que, apesar de conseguirmos entender o porquê do seu surgimento e desaparecimento, nos deixam um amargo de boca de não sabermos a história toda e muitas perguntas por responder a que o filme parece tentar fugir. Entre estas pequenas personagens secundárias, ressalvo Allison (Patricia Clarkson), mãe de Dexter, luminosa e enternecedora nos breves minutos que surge em cena.
    Anne Hathaway acaba por arruinar o que era uma personagem perfeitamente acessível no livro. A Emma Morley de Hathaway passa de esperta a irritante, de irónica a aborrecida e de teimosa a amuada. É difícil aceitar que Dexter consiga sequer suportá-la, quanto mais ser amigo dela no início. Nem vamos falar do sotaque que tem mais variações que as cores do arco-íris. Já Jim Sturgess faz o que pode com um personagem que já era horroroso no livro. Devo dizer que fiquei bastante impressionado com a profundidade emocional que ele conseguiu retirar de um personagem oco e vazio de conteúdo tal como estava escrito, que é mau e desrespeitoso - um verdadeiro cabrão na essência da palavra - para todos com que contacta.



    Penso que parte do problema de "ONE DAY" é querer levar-se muito a sério, tendo-se como um filme definidor de toda uma geração, como um filme que vem revolucionar a estrutura pálida das comédias românticas de hoje. Nada disso. O engenhoso sistema de só mostrar um dia em cada ano é divertido no início mas facilmente cansa e deixa-nos ver as suas falhas. O romance, além de óbvio e inevitável - problema patológico muito comum aos romances de hoje - parece ser adiado para lá do que é razoável. E uma realizadora tão competente como Scherfig e um escritor com talento como Nicholls não podem ser tão amadores ao ponto de como resultado final terem um filme repartido em duas partes imensamente desequilibradas. A primeira parte é praticamente insuportável. A segunda parte é agridoce e melíflua demais. Claro que a transformação de Dex tem tudo a ver com esta disparidade mas ainda assim a primeira parte do filme devia conseguir muito mais.


    Talvez também o problema resida no facto de eu não ser o público-alvo deste tipo de filmes. Não tenho dúvidas que encantou e satisfez o muito público feminino que se deslocou aos cinemas. Agora eu preciso de mais. Mais substância e menos pretensiosismo. Ainda assim, admito que para o que habitualmente a comédia romântica nos oferece, "One Day" sempre tem estilo e frescura, uma banda sonora lindíssima de Rachel Portman que nos transporta para outro mundo e uma história de amor que sempre dá para nos fazer sonhar. Se não tivermos amanhã, ao menos tivemos o dia de hoje. E que diferença, às vezes, um dia faz. Que o digam Emma e Dex.

    Nota Final:
    B-/C+

    Informação Adicional:
    Elenco: Anne Hathaway, Jim Sturgess, Patricia Clarkson, Rafe Spall, Romola Garai, Ken Stott
    Realização: Lone Scherfig
    Argumento: David Nicholls
    Fotografia: Benôit Delhomme
    Banda Sonora: Rachel Portman
    Ano: 2011

    Trailer: