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DIAL P FOR POPCORN

DIAL P FOR POPCORN

"All is Lost", aclamado em Cannes, ganha primeiro trailer




Novo "Life of Pi" ou novo "The Grey"? De qualquer forma, o meu bilhete já está comprado. 


Parece que entregaram ao Robert Redford o papel de uma vida. E vá, o "Margin Call" não é nada mau para primeiro filme do J.C. Chandor. Espero que as críticas excelentes de Cannes sejam bom indício.

Pike, Affleck, Fincher e "Gone Girl"


Estou numa obsessão pouco saudável com este novo projecto de David Fincher. "Gone Girl" é, como provavelmente já terão ouvido falar, a adaptação do bestseller de Gillian Flynn, que colocou os americanos em furor o verão passado e arrisca-se a fazer o mesmo a quem pegue no dito livro por cá, agora que tem começado a aparecer aqui e ali cada vez mais (já se vê inclusive nos hipermercados, sinal que a recomendação está a espalhar-se). O meu entusiasmo triplicou quando soube que é a própria Flynn a adaptar o livro a argumento.


"Gone Girl" é um thriller relativamente negro que foca a sua atenção em Amy e Nick Dunne, um casal nova-iorquino transladado para o meio do Missouri, prestes a celebrar o quinto aniversário de um casamento com muitos altos e baixos (e que inicia a história em mais um momento mau). Eis que o impensável acontece - Amy desaparece - e despoleta a sequência incrível de eventos que se seguirão. Resta-me dizer: é um livro excelente, reviravolta atrás de reviravolta e, quando pensamos finalmente conhecer a verdadeira versão da história, voltamos a ser varridos do tapete. A narrativa é contada primeiramente do ponto de vista de Nick, acoplado a excertos do diário de Amy, mas a meio do livro, com o twist gigante, a estrutura muda. Está assim explicado o mais que óbvio interesse do realizador David Fincher ("Se7en", "The Social Network", "Zodiac", "Fight Club", "Girl with the Dragon Tattoo") no projecto.


O problema desta minha obsessão está na forma como idealizei as personagens e nos actores que têm sido anunciados para os respectivos papéis, principalmente os dois elementos do casal. Curiosamente, muita gente se queixou do casting de Ben Affleck no papel de Nick, algo que confesso não entender minimamente. Pela descrição, Affleck "é" Nick, tal e qual. Alguns anos mais velho (Affleck tem 40, Nick tem 34), mas assenta que nem uma luva no perfil. Outros actores que conseguiria ver funcionar no papel seriam Bradley Cooper, Michael Fassbender e Channing Tatum (não sei é se este tem o talento necessário). As outras propostas de que se falou - Jake Gylenhaal, Ryan Gosling, Joseph Gordon-Levitt, Henry Cavill (são muito novos) e Jeremy Renner (muito velho) - fazem-me pouco sentido. Estranho não ter visto James McAvoy na lista de candidatos (mais uma vez, ridículo). A minha escolha ideal teria sido Peter Sarsgaard, que tem 42 anos e portanto também seria bastante mais velho que a personagem. A segunda opção seria, surpreendentemente, Bradley Cooper - digo surpreendentemente porque nunca me imaginei a achar que o Cooper tem talento. O Garrett Hedlund também daria, parece-me, um óptimo Nick. 

Como explicar o Nick Dunne? Imaginem um cruzamento entre o Harvey Specter e o Don Draper. É dos dois protagonistas aquele que vai exigir menos do actor em questão, é um papel fácil de navegar. A grande característica distintiva de Nick Dunne é o ar de desconfiança que deve gerar e isso não necessita de grande talento, tem que ser apenas um actor que consiga ter ar de não jogar com o baralho todo. Affleck é o escolhido. Parece-me bem, até porque...


O ponto fulcral para o sucesso do filme é, de facto, o casting de Amy Elliot Dunne. Fincher escolheu  a lindíssima Rosamund Pike (aceito que muitos de vós não a conheçam mas já a viram de certeza nalguma coisa) e diz-se até que foi sempre a sua primeira escolha. Não vejo nada de Amy Dunne em Pike, confesso. Quando o projecto estava em desenvolvimento - antes de Fincher entrar em cena - Reese Witherspoon assinou para protagonizar Amy (ela que é também produtora do filme). É uma pena que tenha desistido do papel - seria uma óptima Amy, é aliás a actriz que eu idealmente escolheria para o papel. Amy Dunne é um papel que exige ao seu intérprete enorme versatilidade e expressividade. Amy tem que ser uma personagem que projecte, em simultâneo, um sonho de mulher e o maior pesadelo masculino de sempre (Alex Forrest encontra Clementine Kruczynski) . Tem que ser uma actriz capaz de criar uma mulher inteira, que seja divertida e casual e, noutras ocasiões, absolutamente impossível de aturar. Eu sei, soei imensamente machista. Peço perdão. Continuemos. Amy Dunne tem basicamente de ser frágil e dócil mas também dura de roer e forte. Desafio complicado. Reese era uma excelente escolha. Tem ar de pequenina e ingénua mas quando as garras lhe saem, cuidado! A Charlize Theron foi a principal escolha dos blogues e sítios noticiosos por aí fora. Amy Adams, Rachel McAdams, Mila Kunis, Natalie Portman, Kirsten  Dunst, Scarlett Johansson, Michelle Williams e Claire Danes também conseguiram menções. Percebo a inclusão delas todas. Há que introduzir na equação outra variável, que enviesa as coisas: Amy Dunne tem no livro mais cinco anos que Nick - 39, portanto (essa é outra questão interessante; como vão fazer Affleck parecer ter 29, idade com que Nick conhece Amy no livro?). E a actriz escolhida tem que emparelhar com Affleck. Digam lá se com isto tudo dito, a Reese Witherspoon não é quem vos salta à cabeça como a melhor hipótese (mesmo sendo mais nova que Affleck)? A Gwyneth Paltrow seria outra boa hipótese. E a Charlize também. Em primeira mão diria que Pike não vai triunfar no papel mas, se Fincher acredita nela, que mais posso dizer? Também não dava nada pela Rooney Mara e olha!

É esta a questão que vos trago, caríssimos. Leram o livro? Que acharam? Façam de Fincher e escolham os vossos Amy e Nick. Ou concordam com as duas escolhas?




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