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DIAL P FOR POPCORN

DIAL P FOR POPCORN

Quando a Academia acerta (II)


Uma rubrica destinada a provar que apesar de algumas decisões questionáveis da Academia, o Óscar é, por mérito próprio, o prémio mais cobiçado pelo mundo do cinema. E quando a Academia acerta... Merece palmas também.



Juliette Binoche | Melhor Actriz Secundária 1997 | "The English Patient"

Uma vitória que poucos previam, porque quase toda a gente estava convencida que apesar de Binoche ter a melhor interpretação, seria Lauren Baccall ("The Mirror Has Two Faces") a receber o troféu, que funcionaria como celebração da sua fantástica carreira e contribuição magnífica para a sétima arte.

Na maior surpresa da noite, Binoche triunfou e a própria no discurso fez referência ao facto de também ela achar que Baccall iria vencer. De qualquer forma, a Academia tomou a melhor decisão e premiou uma actriz estrangeira de qualidade e talento inigualáveis, quando a sua carreira estava a crescer, por uma das suas melhores interpretações de sempre. Baccall continua sem um Óscar competitivo, infelizmente, mas ela merecia uma vitória melhor que essa estatueta pelo medíocre "The Mirror Has Two Faces".

Cinema como Inspiração (II)



"Postcards from the Edge" foi um romance semi-autobiográfico escrito pela actriz Carrie Fisher (que interpretou a famosa Princess Leia na trilogia original Star Wars), que chegou ao cinema adaptado pela própria Carrie Fisher e realizado pelo mestre Mike Nichols, que obviamente quis Meryl Streep para interpretar Suzanne Vale (a personagem baseada em Fisher) - para mim a melhor interpretação de Meryl Streep ao lado de "Silkwood" e "Kramer vs. Kramer". 


Tudo isto para dizer: feliz 56º aniversário, Carrie Fisher! I'm checking out!

HOW TO MARRY A MILLIONAIRE (1953)


Pérola dos anos 50 que reúne três das maiores estrelas de então - Lauren Baccall, Betty Grable e a única e insubstituível Marilyn Monroe, "HOW TO MARRY A MILLIONAIRE" é uma comédia romântica de pouca história e pouco interesse para além das cenas partilhadas entre as três protagonistas, uma delícia de ver interagir, contracenar e conviver. Pegando num conto simpático mas pouco ambicioso, embora divertido e perspicaz q.b., o realizador Jean Nagulesco tem pelo menos a sensatez de se afastar, não tentar nada especial e, pelo contrário, deixar as meninas tomar conta e fazer o que sabem melhor. O filme não chega para deixar uma impressão que perdure, todavia também não era para ver o filme que as pessoas se deslocavam ao cinema: era para ver as três actrizes.


Das três, Lauren Baccall é quem tem a personagem mais trabalhada, mais rica, mais inspirada, enquanto que Marilyn Monroe tem de longe o papel mais ingrato, compensando largamente em momentos de comédia mas fraquíssimo no serviço à narrativa. Pouco interessa a sua história e é por isso que acaba relegada como linha narrativa terciária, em detrimento da de Baccall e de Grable. Acaba por não se notar na película porque Monroe enche o ecrã sempre que a vemos e entusiasma a sua facilidade em transformar qualquer acto físico em comédia, auxiliada brilhantemente pela sua aparência ridiculamente pateta e personalidade naïve e delicada (sempre que ela saca dos foleiros óculos com que finge ser inteligente, é uma cena que promete). Betty Grable é a mais pacata das três e, por isso mesmo, perde-se no poder da interpretação das outras duas. Dos três companheiros masculinos vale pouco a pena falar, tão parco é o que contribuem para a história. São o equivalente das personagens femininas na maioria dos filmes de acção de hoje, para pouco existem: servem neste filme para embelezar a história e levar-nos a torcer para estas meninas se aperceberem de que os seus amores estão mais perto do que elas imaginam e pouco mais que isso.



Infelizmente, como disse, o filme não se aguenta nada bem para os dias de hoje, com algumas piadas verdadeiramente antiquadas e um argumento simpático mas nada de especial. Agora, se me perguntarem se voltava a ver este filme, dir-vos-ia logo que sim: Monroe e Baccall valem sempre a pena. Que actrizes enormes.

Nota Final:
C+

SNOW WHITE AND THE SEVEN DWARVES (1937)


SNOW WHITE AND THE SEVEN DWARVES ou
Uma Ode a uma das Vilãs mais fascinantes de sempre

Passaram mais de dez anos desde a última vez que eu vi "Snow White and the Seven Dwarves". Lembrava-me de me encantar quando era criança, sim, mas mesmo nessa altura o filme nunca deixou de me parecer muito feminino, muito virado para aquelas raparigas tontas e sonhadoras que tinham infinitos pensamentos do que fariam quando o seu príncipe encantado viesse para as levar. Penso que esta foi uma escolha propositada de Walt Disney para a sua primeira longa-metragem, um filme delicado e sensível, diferente dos filmes que se faziam na altura, mais sérios e preocupados com outros assuntos, um filme leve e empático que encantasse não só a sua geração mas as que a seguiram. Foi assim que em 1937 a Disney produziu "Snow White and the Seven Dwarves" e criou o protótipo de conto de fadas que iria perdurar nas maiores produções cinematográficas do estúdio e que chega até aos dias de hoje, se bem que de forma diferente, na última longa-metragem do estúdio, "Tangled". Em muitas maneiras, "Snow White" é o primordial filme animado, o clássico que define o legado que a Disney e Walt Disney em particular nos deixa.

Voltando à minha visualização do filme. Nunca pensei que fosse gostar mais do filme agora do que quando era mais novo, mas foi o que aconteceu. Não me recordava que fosse tão divertido e charmoso, não me lembrava do quão astuto, perspicaz e sarcástico o Zangado era, ou do quão formidável e melodramaticamente cómica a Rainha Má era. É camp (que traduzido para português dá teatral) no mais puro sentido do termo, mas é uma teatralidade que se aprecia num filme animado que surgiu em 1939. O que infelizmente não divergia das minhas memórias era o quão unidimensional e parolos os personagens Branca de Neve e Príncipe Encantado eram. Que aborrecidos.


O que vale é que o nosso investimento na narrativa principal do filme é extremamente recompensado pela vitalidade que a Rainha Má imprime na história (um excelente desempenho da actriz que lhe empresta a voz e dos desenhadores da Disney que, mesmo em plenos anos 30, já tinham bem noção dos estereótipos vilanescos a evitar e aqueles que deviam enfatizar; já com Maleficient, anos depois, também essa noção me passa como essencial para o sucesso da personagem.). A história de Branca de Neve todo o mundo já conhece, daí que não haja necessidade que eu entre em grandes detalhes.

Branca de Neve (Snow White) é uma bela princesa cujo pai e mãe perecem e ela fica aos cuidados da sua madrasta, a narcisista e egocêntrica Rainha Má (Evil Queen), cuja única preocupação é manter o seu estatuto como mais bela do reino - e a sua beleza é verdadeiramente impressionante. O que muitos não sabem é que a Rainha é também uma brilhante bruxa capaz dos feitiços mais vis e, quando o seu espelho mágico lhe indica que Branca de Neve - entretanto despromovida a mera criada pela malévola madrasta - irá roubar-lhe o título de mais bela, manda o seu Caçador (The Huntsman) assassiná-la e colectar para ela o seu coração como prova do serviço bem prestado. O Caçador, como narra a história, não o consegue fazer e permite que Branca de Neve fuja. Como todo o mundo sabe, a Rainha não desiste e toma medidas pelas suas próprias mãos. Conseguirá alguém salvar Branca de Neve? (olhem para mim a criar suspense) "Someday my prince will come", penso que é isto que precisam de saber. É um conto da fadas da Disney, não é? As coisas não podem acabar mal.

Apesar da história ser tão simples e vá, algo chata, Walt Disney e o seu fantástico grupo de animadores faz maravilhas para melhorar a experiência dos espectadores. Escolhas curiosas como dar nomes de características da personalidade de cada um dos anões, criar comédia física com animais e fazê-lo parecer naturalista e fácil e, acima de tudo, criando um mundo realista parecido com o nosso mas com um aspecto mais etéreo e principesco, onde tudo parece matéria de sonhos, muito bonito e reluzente e mimoso. Um gigante feito para 1937, uma vez mais.

Contudo, Walt Disney não parou aí. Não. Ele originou, dentro deste filme, duas das personagens mais coloridas, deliciosamente teatrais e exageradamente histriónicas que existem no universo Disney. Estou a falar, claro, da Rainha Má e do Zangado, como já tinha referido acima. Duas grandes divas, dois grandes egos, com um genial e crítico sentido de humor.

Like a boss.

A Rainha Má em particular é uma personagem fascinante. Uma entrega de falas e timing de respeito. Um rosto magnificente mas apropriadamente maléfico. Uma voz gélida, de cortar a respiração, poderosa e imperiosa. Adoro que a Disney se tenha permitido a criar uma personagem tão estereotipada e ao mesmo tempo tão indelevelmente real que podia existir no dia-a-dia de cada um de nós e a tenha colocado num filme para crianças. Meninos, vão conhecer gente na vossa vida assim, irremediavelmente má. E a Rainha Má é de facto má. E cruel. E ríspida. E um deleite de ver. Como uma profissional, ela garante um trabalho bem feito. Ela é cool e ela sabe-o.




As melhores caretas alguma vez postas em filme.

Momento de génio:
A poção. "An old hag's cackle. A scream of fright". A thunderbolt. To... mix it well".



Hilariante. O filme? Meh. Mas a Rainha Má? Sim, a sua magia está intocável.


Nota Final:
B+


Actividades do CCOP (II)


A última vez que cá tínhamos falado do CCOP no blogue foi para abordar as três listas especiais dedicadas a Woody Allen, Martin Scorsese e Ridley Scott (estamos a assumir que têm seguido com atenção os tops mensais!).

Este mês decidi voltar a falar sobre os CCOP não por causa de um top especial, mas porque entretanto em Agosto adicionámos novos membros - o David Lourenço (O Narrador Subjectivo), o Miguel Reis (Cinema Notebook) e o Rui Madureira (Portal Cinema) (excelentes adições, diga-se) - e procedemos a uma repescagem dos títulos até então visualizados. Essa repescagem trouxe mudanças no top-10 geral do ano, que é o que basicamente me traz aqui (até porque os votos de Setembro - aqui - não alteraram em nada o top-10 do ano).



1.  Tabu, de Miguel Gomes | 8,63
2.  Moonrise Kingdom, de Wes Anderson | 8,56
3.  Temos de Falar Sobre Kevin, de Lynne Ramsay | 8,55
4.  A Invenção de Hugo, de Martin Scorsese | 8,38
5.  Vergonha, de Steve McQueen | 8,31
6.  Oslo, 31 de Agosto; de Joachim Trier | 8,14
7.  Os Marretas, de James Bobin | 8,10
8.  Procurem Abrigo, de Jeff Nichols | 8,08
9.  Monte dos Vendavais, de Andrea Arnold | 8,00
10. Amigos Improváveis, de Eric Toledano e Olivier Nakache | 7,90

Tirando "The Muppets" e "The Intouchables" (vá e eu tirava também "Hugo" se pudesse), penso que é uma lista de dez melhores bastante respeitável. Uma pena que as novas adições (especialmente uma) me tenham baixado a nota do "Take Shelter", que continua a ser a par de "Beginners" e "Jane Eyre" o meu favorito de 2011.

Que vos parece isto tudo?

Para um calendário de TV mais salutar (I)



Pessoal, pelo meio de tanto artigo de cinema, decidi falar um pouco de televisão. Esta era uma espécie de rubrica em três partes que já queria há muito fazer, porque acredito haver por aí muita gente como eu, que além de bastante cinema consome imensas séries de televisão e mesmo que não vejam muitas séries, padecem seguramente deste sentimento familiar que por vezes me assome chamado: quando abdicar de uma série. 

É um problema sério, este, ainda para mais para quem vê muitas séries como eu. É que se nunca desistirmos de uma série mesmo que ela perca toda a qualidade que lhe reconhecia ("Weeds"), mesmo que ela seja uma sombra do que outrora foi ("Dexter") ou mesmo que a esquizofrenia seja tanta que já não há forma de voltar aos eixos ("Grey's Anatomy", "How I Met Your Mother"), o nosso calendário semanal, com a adição de séries em estreia esta temporada e com séries que descobrimos só agora mas que já andam por aí há alguns anos, fica uma situação um pouco complicada de gerir. Para isso cá estou, meus caros, para vos dar a minha opinião e para vos mostrar as decisões difíceis que fiz este ano em prol de limpar o meu próprio calendário, por assim dizer.

Comecemos então pelo início (como convém): quais das novas estreias devemos aproveitar?

Um bom ponto de partida é este magnífico quadro montado pelos especialistas em televisão do TVDependente (confiem que é uma grande ajuda para quem não quer espreitar os 30-40 pilotos que aparecem a cada temporada, para separar o trigo do joio e dar-nos margem suficiente de escolha), que ainda por cima é actualizado praticamente todas as semanas.

Para ordenar as coisas de forma mais simples, colocaria as novas estreias debaixo destes quatro tópicos:

GARANTIA DE QUALIDADE
"Last Resort"
"Nashville"
"Go On"


As únicas três pelas quais eu ponho as mãos no fogo. "Nashville" e "Last Resort" já deu logo para ver pelo piloto que são excelentes, têm continuado com qualidade e têm assegurado o apoio da ABC com a encomenda de mais episódios para ambas. "Go On" está a ter as melhores audiências da NBC para uma comédia em não sei quanto tempo e não é por causa de Matthew Perry (que já afundou duas séries, lembrem-se, uma inclusive na ABC na meia-hora pós-"Modern Family"), parece um tema já muito visto por aí e que até serve de base a outras séries (nota-se uma vibe de "Community", por exemplo) mas penso que é bom termos uma série de comédia que lide com temas mais sérios, mais profundos. A ver se a audiência continua para além deste ano.

SEM RESERVAS
"The Mindy Project"
"Elementary"


O meu problema com "The Mindy Project" é que adoro a Mindy Kalling mas nota-se que se está a tentar esforçar a mais para ser uma coisa que não é. Dos episódios já lançados, nota-se que sucede mais nuns que outros. Ainda assim e pese uma queda abrupta nas audiências, pelo menos esta temporada há-de ter. "Elementary" está de parabéns, é mais um procedural de qualidade da CBS com uns toques extra de boa escrita e boa representação (não chega ao patamar de excelência de "The Good Wife" mas é um bom exemplo do que a CBS sabe fazer com qualidade) e claro, optou por logo de início fugir a toda e qualquer comparação com a britânica "Sherlock" de Steven Moffat. Pontos bónus por isso. Aliás, pontos bónus extra por me fazer finalmente gostar do Johnny Lee Miller nalguma coisa!

GUARDO ALGUMAS PRECAUÇÕES
"Partners"
"The New Normal"
"Arrow"


Na verdade, só guardo precauções acerca de "Arrow" porque é da CW, mais nada. Parece entretenimento de qualidade e isso muitas vezes basta (e é muito melhor do que as ofertas habituais que vêm daquele canal). "Partners" está a tentar tanto mas tanto esticar o humor de "Will & Grace" de novo, mas meninos embora Michael Urie não perca nada para Sean Hayes, David Krumholtz não é Eric McCormack e não há uma Megan Mullally que vos safe (nem quero pegar na comparação Sophia Bush/Debra Messing senão choro!). Kohan e Mutchnick têm-se portado melhor depois do piloto (também era difícil, aquele piloto é horrendo, ao nível do piloto de "30 Rock" ou "The Big Bang Theory" em falta de piada) mas têm que subir o nível. Finalmente, onde começar com "The New Normal"? Ryan Murphy parece ter aperfeiçoado o estereótipo Sue Sylvester: a avô/Ellen Barkin é de longe a melhor parte da série. O casal gay mais a miúda tiram-me do sério. E claro, a escrita de Murphy e companhia fazem-me subir paredes. A série é divertida graças aos actores, mas as personagens são todas do além, seguramente, não existem neste mundo e as lições morais que tenta passar todo o santo episódio... Ryan, queres dar sermões, vira padre.

A RESPONSABILIDADE É VOSSA
"666 Park Avenue"
"Revolution"
"Vegas"
"Chicago Fire"
"Neighbours"


Nesta categoria estão as séries em que não passei do piloto. Com boa razão, garanto-vos. "Vegas" prometia tanto e desiludiu-me imenso. Como não sou homem de desistir à primeira, vou-lhe dar nova hipótese... Desde que a CBS não a cancele. O que, neste momento, me parece muito provável. Estoirar quase 10 milhões de audiência vindos do combinado "NCIS/NCIS: L.A." está ao alcance de poucos naquela estação. Até "CSI" e "The Mentalist" fizeram melhor. "The Mentalist"! "Revolution" tem tido das melhores audiências do ano (de novo, tal como com "Go On", estamos a falar da NBC portanto é quase milagroso este acontecimento) mas de história aquilo tem zero. Não me convenceu e não estou disposto a voltar atrás. O mesmo digo de "Chicago Fire", achei que Dick Wolf tinha evoluído alguma coisa desde os saudosos tempos de "Law and Order". Infelizmente, isso não aconteceu. Para ver drama de bombeiros, pego em episódios antigos de "Rescue Me", thank you very much. E por fim: "666 Park Avenue". O melhor elogio que lhe posso fazer é ela não ser tão in your face como "American Horror Story". Quem me conhece sabe do meu ódio por essa série (mini-série, desculpem) da FX. Para infortúnio de "666", ainda odeio mais esta nova série da ABC. Que desperdício do talento de Terry O'Quinn e Vanessa Williams. A Rachael Taylor e o Dave Annable, contudo, merecem. Credo, nunca vi tanta falta de jeito para representar. Já me tinha esquecido dos ataques psicóticos que o Justin Walker me dava no "Brothers and Sisters". Ah, saudades. Ou não.

A CAMINHO DO CANCELAMENTO
"Ben and Kate"
"Emily Owens, M.D."
"The Mob Doctor"
"Guys with Kids"
"Beauty and the Beast"


Lamento profusamente incluir aqui "Ben and Kate" mas uma série em horário nobre de luxo que me saca 0.9 de rating na demográfica-alvo e 3 milhões de audiências no geral na FOX, depois de "Raising Hope" e antes de "New Girl", não vai ter bom fim. E tenho pena, porque gosto bastante da série. Contudo, se a única forma de "Ben and Kate" se salvar é a FOX cancelar a outra série com números miseráveis que tem no canal, portanto a escolha sendo entre esta e "Raising Hope", peço desculpa, mas que fique a família Chance. O mais certo é as duas desaparecerem no próximo Outono. O resto não tenho pena nenhuma se for cancelado. Ainda me há a Mamie Gummer de explicar que raio a filha de uma senhora chamada Meryl Streep está a fazer a protagonizar uma "Grey's Anatomy" light na CW. "Guys with Kids" é horrendo, a NBC estava drogada quando aprovou a série. "Beauty and the Beast"... Bem, é mesmo série da CW, não há hipótese. "The Mob Doctor"... A próxima a juntar-se aos projectos com enorme sucesso da FOX como "Alcatraz", "Terra Nova" ou "The Chicago Code".

ENTRETANTO JÁ CANCELADAS
"Made in Jersey"
"Animal Practice"


Palmas a quem na NBC aprovou "Animal Practice". Deviam ter andado a espreitar demasiados episódios de "Episodes" (quem segue a série, percebe a piada). "Made in Jersey" não tinha maus números, mas quem segue o trabalho da CBS e de Nina Tassler sabe a exemplaridade na hora de assegurar o melhor funcionamento do calendário do canal. Não estava a funcionar, a resposta era medíocre, toca a cancelar que temos outras opções. Simples e fácil. Fox, ABC, aprendam. NBC... Um dia. Um dia.


Pronto. Isto tudo dito... Fiquei então no meu calendário para esta temporada com "Nashville", "Last Resort", "The Mindy Project", "Go On" e "Elementary". Vou espreitar "Ben and Kate" à espera de notícias de cancelamento e possivelmente, se tiver tempo, vou seguir "Partners" e, porque sou masoquista, talvez "The New Normal".

Amanhã trago-vos a parte 2, em que falo das séries de que não prescindo do meu calendário.

E vocês, que escolhas fizeram no vosso calendário quanto a novas séries?

Há público para nova edição?


Cá no DPFP estamos sempre interessados em repetir iniciativas cujo resultado final nos agrada. Apesar da falta de receptividade, gostávamos de ter mais gente connosco a prever os Óscares, porque só com companhia é que isto se torna divertido. Dito isto...


Lembram-se do 10 FOR THE OSCARS - OSCARS FOR 10?



Pois é, queríamos trazer essa iniciativa de volta, com algumas (bastantes) mudanças e um novo formato... Há interessados?

Podem ver o que se fez na temporada anterior (por assim dizer) AQUI.

Previsões Óscares - Outono: Actores e Actrizes



Já era hora, digam lá, já ganhava vergonha, ainda para mais um blogue que gosta de se armar em guru de cerimónias*! Eis que volto a fazer previsões aos Óscares, quando faltam pouco mais de quatro meses para a cerimónia do próximo ano (a ter lugar dia 24 de Fevereiro). Nesta altura, depois dos festivais de Toronto, Veneza, Telluride e Nova Iorque terem originado alguns candidatos e destruído outros e depois da poeira assentar, é mais fácil organizar na nossa cabeça os verdadeiros candidatos às nomeações e começar a anotar algumas apostas. A corrida começa finalmente a ganhar interesse. Começo pelas quatro categorias de representação e pelas duas principais em particular. 


MELHOR ACTRIZ

PROVÁVEIS 
(por ordem decrescente de probabilidade):

Jennifer Lawrence, "Silver Linings Playbook"
Marion Cotillard, "Rust and Bone"
Helen Mirren, "Hitchcock"
Naomi Watts, "The Impossible"
Meryl Streep, "Hope Springs"

OUTRAS POSSIBILIDADES:
Emmanuelle Riva, "Amour"
Quvenzhané Wallis, "Beasts of the Southern Wild"
Keira Knightley, "Anna Karenina"
Maggie Smith, "Quartet"
Amy Adams, "Trouble with the Curve"


Uma categoria que está muito difícil de ler, para além de Jennifer Lawrence que neste momento parece ter não só assegurada a nomeação, mas também a vitória. Teremos em princípio Marion Cotillard e Emmanuelle Riva a lutar pela vaga estrangeira, sendo que se é verdade que Emmanuelle Riva é tida como espectacular em "Amour", Cotillard recebeu críticas não menos elogiosas por "Rust and Bone", o que significa que ou ambas ficarão de fora, ou (o mais provável) é só uma ter lugar e o meu dinheiro está do lado da actriz Oscarizada que tem uma carreira crescente em Hollywood. Os Óscares gostam mais de voltar a premiar os seus. 


Jennifer Lawrence e Bradley Cooper, "Silver Linings Playbook"

"Hitchcock" é uma incógnita a este ponto mas assumindo que sendo a interpretação de Helen Mirren minimamente boa (como em "The Last Station"), eles a nomeiam, então é seguro dizer que as hipóteses dela por "Hitchcock", em que interpreta Alma Reville, a mulher do realizador mais famoso do planeta, são bastante boas. Da época de festivais começaram a vir ecos da interpretação de Naomi Watts em "The Impossible", a confirmar dentro de algumas semanas. Muitos asseguram que o filme - e Watts - são dignos de muitas nomeações. À falta de maiores certezas, deixo-a cá ficar. Vai ter que ser muito boa para ultrapassar a noção de um filme catástrofe ser nomeado para uma categoria major nos Óscares. Finalmente, apostei em Streep por duas razões: 1) o filme é bastante bom e ela e o Tommy Lee Jones são impecáveis e 2) não há grandes candidatos nesta categoria, o voto vai-se repartir e não será plausível que ela vá ser um dos nomes mais consensuais, até porque acabou de vencer o seu terceiro Óscar à 17ª nomeação? 


Meryl Streep e Tommy Lee Jones, "Hope Springs"

Das minhas outras possibilidades, era em Amy Adams que eu apostava mais mas apesar das boas indicações e críticas, o buzz não está lá. Pode ser que reapareça com os primeiros prémios de críticos. Maggie Smith e Keira Knightley precisam que os seus filmes ganhem mais buzz e que sejam abraçados pelos críticos para terem hipóteses. A outra grande questão da categoria é se Quvenzhané Wallis consegue ser nomeada ou não com a tenra idade de oito anos (ainda para mais depois de ter sido desqualificada pelos SAG). Em teoria penso que sim, razão pela qual que penso que facilmente Watts e Streep podem dar lugar a Riva e Wallis. Na prática... É difícil. É um filme pequeno, com buzz moderado e que dificilmente entrará em grandes nomeações. E depois vai haver gente do contra que há-de vir dizer que ela não representa, que tudo aquilo lhe vem naturalmente. Não sei. Para já, fico assim.


MELHOR ACTOR

PROVÁVEIS:

Daniel Day-Lewis, "Lincoln"
Joaquin Phoenix, "The Master"
John Hawkes, "The Sessions"
Denzel Washington, "Flight"
Hugh Jackman, "Les Misérables"

OUTRAS POSSIBILIDADES:
Anthony Hopkins, "Hitchcock"
Jean Louis Trintignant, "Amour"
Bradley Cooper, "Silver Linings Playbook"
Tom Hanks, "Cloud Atlas"
Tommy Lee Jones, "Hope Springs"

Aqui há menos dúvidas. Day-Lewis, Phoenix (mesmo com a campanha anti-Óscares deste) e Hawkes estão praticamente garantidos entre os nomeados, Denzel Washington vai a caminho e agora a luta é entre os lançamentos a caminho, "Hitchcock" e "Les Misérables". Se algum falhar, há candidatos para ocupar os seus lugares. Vamos por partes. Day-Lewis está seguríssimo, depois das críticas de Nova Iorque virem dar razão aos apostadores. Não será suficiente para uma terceira vitória, talvez, mas é uma nomeação que está garantida. De Phoenix pode-se dizer o mesmo. Aliás, pode-se dizer até que a vitória seria dele se fizesse  campanha. Como não o fez, irá à mesma ser nomeado, graças à sua fenomenal - diz-se - interpretação, mas ganhar... é mais difícil. Hawkes vem numa onda positiva de buzz desde Sundance, tem vindo a perder estofo mas com os primeiros prémios de críticos e as nomeações para Globos, Critics' Choice  e SAG este antigo nomeado ("Winter's Bone", 2010) devem ajudar a que a nomeação não fuja. 


Helen Mirren e Anthony Hopkins, "Hitchcock"

Denzel Washington só não está carimbado também porque a nomeação virá se o filme tiver sucesso na bilheteira (este tipo de dramas, para ganhar nomeações major, precisa de receita de bilheteira significativa, como "The Blind Side" conseguiu para Sandra Bullock) - tem para já a crítica do seu lado (e bem sabemos que a Academia gosta dele). A minha última vaga vai para um de três entre Trintignant (se Riva for nomeada, há boa probabilidade que "Amour" ganhe mais nomeações noutras categorias; uma delas é esta, porque Trintignant é tão bom como Riva e o filme vive do dueto dos dois), Hopkins (no trailer não impressionou; irá a interpretação no seu todo ser bastante melhor? E outra coisa: há quantos anos este Oscarizado actor não se mete num papel a sério?) e Jackman, que foi quem escolhi. "Les Misérables" tem grande potencial para ser o candidato de topo aos Óscares. Jackman é querido pela indústria (e pela Academia, a julgar pelo sucesso a apresentar em 2008), tem provas dadas no cinema e no teatro (ganhou um Tony em 2005) e tem uma excelente voz. Será desta? Relembremos que Tom Hooper conseguiu 3 nomeações para actores pelo seu último filme e que se este filme resultar, mais uma chuva de nomeações irá vir.


Emmanuelle Riva e Jean-Louis Trintignant, "Amour"

Outras opções bastante populares são Tom Hanks por "Cloud Atlas" (não consigo perceber qual vai ser a reacção geral do público e da Academia a este filme), Bradley Cooper ("Silver Linings Playbook" vai ser um dos grandes candidatos, quantas nomeações por arrasto vai conseguir? Cooper será um dos que à cabeça poderá usufruir e ele é, diz-se, muito bom) e Tommy Lee Jones (possibilidade remota, ainda para mais quando ele tem uma nomeação certa por "Lincoln" para Melhor Actriz Secundário à espreita). Ben Affleck ("Argo") pode também ser possível, se o filme arrastar consigo várias outras nomeações, bem como Jack Black ("Bernie") ou Matt Damon ("Promised Land"), que podem ser empurrados pelos críticos à la Demian Bichir o ano passado (ainda me custa que Michael Shannon tenha perdido essa corrida). E mais uma possibilidade que me lembrei agora: e se "The Master" gerasse dois protagonistas nomeados em vez de um, ao contrário do que a campanha sugere? O filme é supostamente um tête-à-tête entre Phoenix e Philip Seymour Hoffman, logo... Pode acontecer.



Philip Seymour Hoffman e Joaquin Phoenix, "The Master"

O factor Harvey Weinstein


A caminho da época dourada, lembrei-me de abordar este assunto que me deixa sempre apreensivo quando falamos em campanha para vencer Óscares: como é possível um homem deter tanto poder sobre a Academia, sobre as manobras publicitárias e sobre a produção de filmes em si? Sim, vou falar desse que muitos consideram ser o vilão da sétima arte, o produtor de cinema. Mais especificamente, o grande produtor dos últimos vinte anos e não, não é propriamente devido aos seus louros (senão escolheria Scott Rudin ou Graham King), mas sim pela forma arrasadora com que consegue nomeações e vitórias nas várias cerimónias para os seus filmes e pela forma mestra (alguns diriam desleal) como faz todo o mundo cinematográfico cair nas suas mãos.


"The Punisher", "God", "The Boss". Qualquer pessoa que segue minimamente os Óscares sabe da importância que tem ter Harvey Weinstein do seu lado e não é por acaso que todos os que ganham troféus pela sua produtora (antes Miramax, agora TWC) se lembram dele na hora dos agradecimentos. Desde sempre conhecido pela forma aguerrida e até bruta como trata igualmente produtores, realizadores, técnicos e actores, infame pelas inúmeras confusões em que já se viu envolvido e pelo terror que espalha em Hollywood. Harvey ri-se de tudo isto, porque ele no fim de contas só lá está por uma razão: para ganhar. E nisso, ele é o melhor.

Nos últimos vinte e cinco anos, Harvey Weinstein amealhou para os seus filmes um total ridiculamente bombástico de 303 nomeações aos Óscares, com cinco vitórias para Melhor Filme: "The English Patient" (1997), "Shakespeare in Love" (1998), "Chicago" (2002), "The King's Speech" (2010) e "The Artist" (2011) (e ainda colaborou na campanha de "Lord of the Rings: Return of the King" em 2003). Treze nomeações no total para "Shakespeare in Love" e "Chicago", doze para "The King's Speech" e "The English Patient", dez para "The Artist". Consegue nomeações imprevisíveis para filmes medíocres como "Cold Mountain", "Iris", "The Cider House Rules" ou "Chocolat". Conseguiu Óscares para Colin Firth, Kate Winslet, Daniel Day-Lewis, Juliette Binoche, Roberto Benigni, Robin Williams, Gwyneth Paltrow, Michael Caine, Jim Broadbent, Judi Dench, Matt Damon e Ben Affleck, Renée Zellweger, Nicole Kidman, Holly Hunter e Anna Paquin. Garantiu o terceiro Óscar para Meryl Streep, numa corrida que muitos achavam perdida para Viola Davis. E fez o mesmo para Jean Dujardin ganhar o seu primeiro, batendo um George Clooney que há muito parecia ter o troféu assegurado. 


Como o consegue? Muito trabalho, muita publicidade e muita campanha. Muita mesmo. Muitos consideram que a falência da Miramax se deve aos gastos exorbitantes de Harvey Weinstein em prol dos seus filmes. Muitos actores o detestam porque os obriga a fazer campanha incessantemente. É o único grande produtor que insiste em publicitar e fazer passar certas mensagens com o intuito que manobrar a mente dos membros da Academia (desde "Nicole Kidman foi roubada de um Óscar" em 2002 a "Meryl Streep vai ter 17 nomeações, já não é altura de um terceiro troféu?").  A forma triunfante e espectacular como virou a corrida de 2010 a favor de "The King's Speech", depois de "The Social Network" martelar a concorrência nos primeiros prémios, é exemplo disso. No final, este foi o filme que a Academia preferiu. Por detrás da decisão, contudo, sabemos que há muito mais do que os votos. E é aí que Harvey faz o seu trabalho.

Todavia, nem tudo o que vem de Harvey Weinstein é mau. Foi ele que nos primórdios da Miramax, no final dos anos 80 e início dos anos 90, se tornou a maior força do cinema independente na América, com a produção e distribuição dos seguintes clássicos: "Sex, Lies and Videotape" "Reservoir Dogs" e "Pulp Fiction", "The Crying Game", "The Piano", "Good Will Hunting", "Heavenly Creatures", "Ata-me! Desata-me!", "Clerks", "My Left Foot", "Bullets over Broadway", "Cinema Paradiso", "La vitta é bella", "The Wings of the Dove" e "Il Postino", a juntar aos já mencionados "The English Patient" e "Shakespeare in Love". Conto ali um Almodovar, dois Tarantino, um Soderbergh, um Woody Allen, um Peter Jackson, um Jane Campion, um Gus Van Sant...  Sem os Weinstein, "In the Bedroom" (um dos melhores dramas da última década) nunca teria sido nomeado para quatro Óscares (Filme, Actriz, Actor e Actriz Secundária), "Amélie" não teria conseguido mais nenhuma nomeação além de Melhor Filme Estrangeiro e foram os Weinstein que garantiram uma distribuição tão extensa do filme - razão pela qual ele hoje é dos favoritos de muita gente. Também "Cidade de Deus" foi esquecido na hora de nomear em 2002 os Melhores Filmes Estrangeiros, mas Harvey Weinstein não desistiu e arrancou no ano seguinte quatro (!) nomeações. Coisa pouca, para quem tinha pouco mais de dez anos de vida. A Miramax era um sucesso e muito desse sucesso se devia a Harvey e Bob Weinstein, dois irmãos que acima de tudo amavam o cinema.


Como em todos os grandes casos de sucesso, há sempre um momento em que o poder sobe à cabeça: a Miramax cai em 2005 e os Weinstein abandonam o barco. Precisam de uns anos a restabelecer-se sob a alçada da sua nova produtora, a The Weinstein Company, mas aqui e ali vão recuperando, ganhando algumas nomeações e ressurgem em 2008 para mais um cheque-mate (aliás, um duplo cheque-mate): não só ganham a corrida a "The Dark Knight" para Melhor Filme (este suspiro ouviu-se bem para lá de Los Angeles) como ainda arranjam forma de Kate Winslet ser nomeada para Melhor Actriz por "The Reader" (e, ao eliminar a dupla nomeação que ela conseguiria com este filme e com "Revolutionary Road" - lembrem-se que ela vinha sendo nomeada como Actriz Secundária por "The Reader" - garantiam a vitória contra a até então favorita Meryl Streep). Em 2009 a TWC avisava que estava só a aquecer com as oito nomeações para "Inglorious Basterds", com duas avalanches nos dois anos que se seguiram: primeiro com "The King's Speech" em 2010, depois com "The Artist" em 2011. 


E eis que chegamos a 2012. Este ano os Weinstein apostaram forte no novo filme de Paul Thomas Anderson ("The Master"), no favorito de Toronto "Silver Linings Playbook" de David O'Russell e no novo Tarantino ("Django Unchained"), que chega em Dezembro. Além destes três gigantes, a TWC comprou "The Intouchables" (provável nomeado ao Óscar de Filme Estrangeiro), "Bully" (provável nomeado a Melhor Documentário nos Óscares), "Lawless" de John Hilcoat e "Quartet" de Dustin Hoffman. Se bem que estes dois não terão grande hipótese a não ser uma ou outra pequena nomeação, as três grandes peças a exibir pela TWC este ano serão muito provavelmente dos filmes mais falados do ano, o que deverá garantir mais um grande total de nomeações para os irmãos Weinstein e mais um ano de sucesso garantido. 


Bem, talvez não vença Melhor Filme pelo terceiro ano consecutivo, mas uma coisa é certa: ninguém joga o jogo tão bem como Harvey Weinstein. Just watch.



Antecipação para 2012-2013 (I)


Peço desculpa se vos desacelerar a abertura da página mas ainda assim, para ser mais fácil, optei por juntar todos estes trailers num só (gigantesco) artigo, partido em três partes, por secções de entusiasmo. 

Abaixo seguem os meus filmes mais antecipados do ano cinematográfico em que estamos e que ainda estão para vir (em nenhuma ordem específica):

Secção IMPERDÍVEIS:

ARGO

O primeiro candidato aos Óscares, lançado a todo o vapor de Toronto. Faz-me lembrar a trajectória de "Up in the Air" há uns anos (com o resultado que se conhece). Ben Affleck é alguém que me desperta curiosidade como realizador (era já um actor de quem eu gostava bastante) e se "The Town" e "Gone Baby Gone" foram algum indício, é de que o homem tem jeito para a arte. Com um elenco que reúne nomes como John Goodman, Alan Arkin e Bryan Cranston, entre outros, uma história que me parece bastante sólida - e, acima de tudo, pertinente nos dias de hoje - e as críticas muito favoráveis que recolheu no TIFF, não preciso de mais convencimento.



SILVER LININGS PLAYBOOK

Depois das críticas estrondosas em Toronto, um dos imperdíveis do ano. David O'Russell - que parece ter finalmente entrado nas boas graças da Academia com "The Fighter" - faz parelha com Bradley Cooper, Jennifer Lawrence, Robert DeNiro e Jacki Weaver. Promete, ainda por cima porque muitos garantem que o Óscar de Melhor Actriz é pertença certíssima da belíssima Lawrence.




THE SESSIONS

Um dos favoritos de Sundance, com John Hawkes, Helen Hunt e William H. Macy, três actores que muito aprecio e que parece querer contar uma história peculiar com muito tacto e humanidade. Deixou-me intrigado, confesso, e admiro as boas críticas. Tudo isto - mais o facto de querer que John Hawkes tenha sucesso - torna-me muito interessado em vez o que daqui sairá.




CELESTE AND JESSE FOREVER

Outro que me apanhou de surpresa. Rashida Jones, que interpreta a fantástica Ann em "Parks & Rec", a escrever um guião? Que foi muito elogiado em Sundance? Surpreso. Mais surpreso ainda porque já ouvi muito boas coisas de quem já viu a película. Todos os anos este tipo de filme é reciclado (ver "500 Days of Summer", "Like Crazy", "Blue Valentine"), daí o meu cepticismo, mas todos os anos aparece um filme como estes que se destaca dos restantes. De resto... Não sou fã de Andy Samberg mas pouco me incomoda. Estarei na primeira fila para ver, seguramente.

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THE MASTER

Discutido aqui pelo João mas sobre o qual não tinha deixado ainda a minha pincelada, que basicamente é esta: eu vejo qualquer filme que tenha a Amy Adams, portanto já estava garantido que veria este. Depois a ela juntam-se Joaquin Phoenix e Philip Seymour Hoffman num duelo de poder entre um religioso fervoroso e um pobre homem que desafia a sua fé e se mostra pronto a mudar os seus ideiais e valores que desafia o mais crente fã da cientologia e dessas outras religiões meias malucas e Paul Thomas Anderson que fez três dos meus filmes favoritos de sempre ("Boogie Nights", "There Will Be Blood" e "Magnolia")? Vendido.



LES MISÉRABLES


Discutido aqui. Aproveito para divulgar o poster - lindíssimo.

AMOUR

Michael Haneke no seu mais acessível + gloriosas e brilhantes críticas de Cannes (de onde trouxe a Palma de Ouro) + Isabelle Huppert + nomeação e vitória mais que provável para Melhor Filme Estrangeiro (se a Academia não se armar em esperta e desqualificar o filme)? Só há uma resposta possível: venha ele já.




HOLY MOTORS

Leos Carax é louco. "Holy Motors" foi o favorito de muita gente em Cannes e quem estava familiarizado com a obra de Carax afirma que é ainda mais louco que o habitual. Bónus: quem não quer ver a Kylie Minogue armada em actriz séria?




RUST AND BONE

Como dizer que não a Jacques Audiard e a Marion Cotillard? A adição de Schonaerts (depois do desempenho brilhante em "Bullhead" o ano transacto) só ajuda a convencer-me ainda mais.




ZERO DARK THIRTY

Bigelow não me convenceu com "The Hurt Locker", mas pode ser que o faça com isto. Jessica Chastain, Joel Edgerton, Chris Pratt e muitas outras caras de luxo perfazem um elenco pelo qual nutro simpatia. O processo que levou à captura de Bin Laden deixa-me também com água na boca. Bigelow impressionou-me pela forma amoral e apolítica como geriu a acção e os eventos em "The Hurt Locker". Fará o mesmo aqui? Quero ver.




BEASTS OF THE SOUTHERN WILD

Com este trailer, a reacção entusiástica e o buzz que o filme tem gerado de todos os sectores para os Óscares, especialmente a interpretação da pequenina Quvenzhané Wallis de apenas oito anos, não dava para perder. Parece um prato muito especial. Mal posso esperar.



ANNA KARENINA

Joe Wright, Dario Marianelli e Keira Knightley num romance de período são por si um prospecto demasiado atraente para conseguir resistir. As críticas não foram propriamente meigas mas isso já era de esperar, dada a resposta a "Atonement" (a última colaboração de ambos) e "A Dangerous Method" (pelo qual Keira recebeu críticas muito divisivas, o ano passado, pela sua melhor interpretação da carreira). Continuo enfeitiçado.




PROMISED LAND

Matt Damon e Gus Van Sant. Argumento de Dave Eggers, John Krasinski e Matt Damon que foi parar à Black List por dois anos consecutivos. Vibe de "Milk". Espero que não me desaponte.



LIFE OF PI

Ang Lee em 3D e com este trailer... não preciso de mais nada. P.S. - Críticas simpáticas de Nova Iorque ajudam. Temia muito pelo sucesso deste filme. É bom saber que resultou.




THE IMPOSSIBLE

Ewan McGregor e Naomi Watts (dois dos actores mais subvalorizados em Hollywood) juntos num filme catástrofe que não parecia, no papel, nada de especial. Bem, mil críticas positivas depois e um buzz tremendo para os Óscares, com uma interpretação dita sensacional por parte do adolescente Tom Holland no papel principal... E passou a ser um dos filmes mais antecipados do ano para mim. O trailer cumpre.




SEVEN PSYCHOPATHS

Nota-se o tom de "In Bruges" na sombra deste "Seven Psychopaths". Pudera, tem o mesmo argumentista e realizador, Martin McDonagh. Nota adicional: olhem para este elenco - Christopher Walken, Sam Rockwell, Woody Harrelson, Colin Farrell, Michael Stuhlbarg, Michael Pitt, Olga Kurylenko, Abbie Cornish, Tom Waits, Gabourey Sidibe, Zeljcko Ivanek. Sem palavras.



SISTER

Ursula Meier, Léa Seydoux, adorei o "Home", as críticas vindas de Berlim são soberbas. Que mais pedir?




NO

Fã de "Post Mortem" e de Gael García Bernal. Feliz pela enfática resposta positiva em Cannes. A escolha deste filme pelo Chile para Melhor Filme Estrangeiro ainda me faz salivar mais. Venha já o filme.




BARBARA

Petzold e Nina Hoss. Possível candidato aos Óscares de Melhor Filme Estrangeiro. Intrigado.




Mais filmes virão nos próximos dias. Haverá algum que acham que me posso ter esquecido de mencionar aqui que não devia ter deixado passar (não, não me esqueci do "Lincoln" gente, está propositadamente noutra secção)?