Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

DIAL P FOR POPCORN

DIAL P FOR POPCORN

Antevisão de KILLING THEM SOFTLY, de Andrew Dominik

Chegaram as primeiras imagens de Killing Them Softly, do realizador Andrew Dominik (Realizador de The Assassination of Jesse James by the Coward Robert Ford), no qual Brad Pitt se apresenta como estrela principal de um filme sobre homens de barba rija. Do pouco que este clip nos deixa ver, fico na expectativa de um filme duro, cruel e intenso, onde a acção será tema central. Com estreia marcada para a próxima edição do Festival de Cannes, a partir dessa altura começaremos a ouvir as primeiras reacções ao mais recente filme de Dominik.




Trailer de THE GANGSTER SQUAD, de Ruben Fleischer

Realizado por Ruben Fleischer (Realizador de Zombieland), foi divulgado muito recentemente o primeiro trailer de um dos mais aguardados filmes de 2012. Com um elenco de luxo (Ryan Gosling, Emma Stone, Josh Brolin, Sean Penn, Nick Nolte e Giovanni Ribisi), esta primeira apresentação fala por si. Será certamente um dos mais intensos thrillers dos últimos anos.



Trailer de ARGO, de Ben Affleck

Acaba de sair o primeiro trailer do mais recente filme de Ben Affleck (um indivíduo de quem gosto cada vez mais) que conta também com a participação do fantástico Bryan Cranston (muito provavelmente, o meu actor favorito do momento), num thriller que promete emoção, acção e grandes momentos de representação. Em plena crise no Médio Oriente, um homem vai tentar salvar um grupo de compatriotas, de forma original e arriscada. Estreia, nos Estados Unidos, a 12 de Outubro. Ainda sem data para Portugal.



LES INFIDÈLES (2012)




O lado mais amargo, infeliz e fatal da traição. Assim é retratada a infidelidade. Com vergonha, com desprezo, com desilusão, com solidão. Carregado de ironia e um delicioso sentimento de chacota constante, sentimos, em Les Indifèdeles, as inevitáveis consequências de uma traição, em que a mentira acaba por ser condenada, em que o julgamento social serve de justiça invisível, que se vinga dos actos cobardes e desrespeitosos de uma vida dupla.


Baseado em diversas short-stories, intercaladas por brevíssimos trechos de curtas cenas com diversos actores, Gilles Lellouche e Jean Dujardin são (e como foi feliz a tradução portuguesa deste filme) descaradamente infiéis. Na pele de diversas e distintas personagens, em histórias que não ultrapassam os trinta minutos de duração, recriam diversos cenários indissociáveis da traição e a infidelidade. O pecado é retratado de forma pejorativa, e a cena inicial em que a dupla se vangloria de mais uma conquista fácil e fugaz, não passa de uma rasteira, de uma forma de ludibriar o espectador para o surpreender com as várias cenas que se seguem, onde se mistura humor, drama, emoção e vergonha.


Bem mais interessante do que, à partida, poderá aparentar, Les Infidèles é uma brincadeira feliz. Uma reunião de actores e realizadores com muita qualidade, regado com um toque de charme e classe nos mais pequenos pormenores. Desde os cenários, passando pelas diversas interpretações e acabando na edição (como uma banda-sonora muito bem escolhida), vemos um filme consistente, que aproveita as diferentes cenas, jogando astutamente com a brevidade imposta, para garantir uma intensa curiosidade por parte de quem vê o filme.

Nota Final: 
B


Trailer:



Informação Adicional:
Realização:  Emmanuelle Bercot, Fred Cavayé, AlexandreCourtès, Jean Dujardin, Michel Hazanavicius, Eric Lartigau, Gilles Lellouche
Argumento: Nicolas Bedos, Philippe Caverivière, Jean Dujardin, Stéphane Joly, Gilles Lellouche
Ano: 2012
Duração: 109 minutos

PUBLICITY FOR DUMMIES

Sacha Baron Cohen percebe do assunto. A qualidade dos seus filmes pode ser pouca, mas todo o alarido e atenção que consegue atrair para as personagens que vai inventando, transformam cada filme que produz, num dos mais aguardados de todo o ano. Desta vez, aproveitou o programa da NBC Saturday Night Live para, juntamente com um convidado muito especial, promover a sua mais recente personagem: O General Aladeen. The Dictator tem estreia marcada, em Portugal, para o dia 17 de Maio.

Trailer de THE DARK KNIGHT RISES, de Christopher Nolan

A actual (e insultuosa) falta de qualidade dos cinemas portugueses, faz-me suspirar por aquilo que o futuro nos reserva. Falta muito, tempo demais, para as grandes estreias do ano, por isso resolvi resgatar este pequeno espaço do blogue, dedicado aos trailers dos grandes filmes que vão estrear em breve, para assim aguçar não só a minha curiosidade, como também a curiosidade dos leitores. Surge pela minha enorme vontade de dar continuidade à crónica TEMPORADA 2011/2012 que foi forçada a um final inglório devido à ausência de cinema com qualidade (e em quantidade suficiente) para encher um espaço mensal. Começo com uma das mais aguardadas estreias do ano, o regresso de Batman (e de Christopher Nolan), com a data de estreia marcada para o dia 2 de Agosto.





~


THIS MUST BE THE PLACE (2011)

Não esperava ver este filme. É verdade. Foi daqueles que risquei assim que vi o seu trailer. A figura estereotipada de Sean Penn e o tema em volta da decadência e do infortúnio de (mais) uma antiga estrela do mundo da música não me pareciam suficientemente atraentes. Mas, após um convite, acabei por ceder e dar uma oportunidade a um filme, deixando de o julgar, de imediato e à partida, pela sua aparência.


Agradavelmente surpreendido. Assim fiquei depois desta história, onde um Sean Penn, na figura de um individuo afortunadamente decrépito e deprimente, tão soturna como a cor da sua vestimenta, se torna paradoxalmente simpático, empático e agradável. This Must Be the Place é uma forma diferente (isso mesmo) de se falar de depressão. Cheyenne (Sean Penn) é um cantor com uma carreira tão bem sucedida, que os frutos e o reconhecimento da sua qualidade acabam por ter eco muitos anos depois do fim da sua banda. Encontra-se perdido, numa Dublin cinzenta, entre a sua gigantesca mansão, as ausências da sua carinhosa esposa e a sua frágil personalidade, digna de um artista controverso e especial. A grave doença do seu pai vem colocar um ponto final nos dias monótonos que o arrastam pela sua cidade. Decidido a participar nas cerimónias fúnebres, parte para os Estados Unidos, numa longa viagem de barco que o faz chegar tarde demais. 


Com o seu pai morto, Cheyenne decide iniciar uma longa demanda para encontrar o soldado nazi que durante a Segunda Grande Guerra maltratou e humilhou o seu pai nos campos de concentração. Esta busca, desnorteada e sem critério, leva-o a uma aventura, muito ao estilo de uma viagem em que a alma e o corpo se reencontram harmoniosamente e colocam um ponto final à anarquia de uma mente em sofrimento. Embalado por uma agradável banda-sonora (o melhor de todo o filme) e uma graciosa fotografia (que em pequenos momentos pecou pelo excesso de tratamento), é um filme que, em muitos momentos, troca as voltas ao espectador. Pessoalmente, eu acho que um filme que desafia a forma como o público se habitou a viver uma depressão e a vê-la retratada no ecrã, é sempre bem-vindo. E quando esta tentativa, arrojada, é feita de uma forma tão humilde e despretensiosa, fico sempre com um sorriso nos lábios. 


Nota final:
B-


Trailer:



Informação Adicional:
Realização:  Paolo Sorrentino
Argumento: Umberto Contarello, Paolo Sorrentino
Ano: 2011
Duração: 118 minutos

CHRONICLE (2012)




Muito daquilo que eu aqui escrever sobre este filme, o leitor já o viu recriado noutros filmes que envolvem super-heróis e o mundo fantástico dos poderes especiais. Claro, o nosso protagonista tinha que ser um rapaz ostracizado pela sociedade e pelos que o rodeiam, numa família destruída pelo álcool e pela doença, vivendo isolado no seu quarto, rodeado pelas suas ideias e atormentado pelas suas próprias fobias, numa personalidade volátil, que reprimiu emoções e atitudes ao longo de muitos anos.


Andrew (Dane DeHaan, acredito, um promissor actor) é o jovem que decide pegar numa câmara e filmar todos os seus dias. Determinado a combater a chacota geral, Andrew vai habituando os que o rodeiam à sua companheira e arrisca a sua (pouca) popularidade ao levar consigo a sua artesanal máquina de filmar para uma festa particular, num barracão abandonado, onde um grupo de jovens se juntaram para uma festa bastante alternativa. É a meio da noite, quando a festa está ao rubro, que Andrew é convidado pelo seu primo Alex e pelo popular Steve Montgomery a visitar um misterioso buraco, perdido no meio da floresta, onde a luz e o brilho de uma rocha vão para sempre transformar as suas vidas. Nos dias seguintes, os três jovens percebem que algo de diferente se passa com os seus corpos. Com o poder da mente conseguem controlar tudo aquilo que os rodeia e vão, de forma gradual, aumentando o grau de dificuldade das suas habilidades. Aquilo que começa por uma divertida brincadeira vai, aos poucos, acabar por se transformar em algo complexo, perigoso e que acabará por corroer os sentimentos e o lado mais humano destes jovens.


Até aqui, o leitor já percebeu que se trata de mais uma clássica e reciclada história de super-heróis. O que torna Chronicle um filme ligeiramente diferente e, até, interessante, é a forma arrojada com que se decidiu transportar esta história para o grande ecrã. Filmado no cada vez mais popular estilo self-camera (algo bem complexo de concretizar), existem neste filme alguns pormenores de originalidade que o distanciam, pouco, dos que existem dentro do género. Os efeitos especiais, uma parte importante do seu sucesso, cumprem os requisitos mínimos. A história não me surpreendeu, mas é sempre um filme que se vê de forma agradável e despreocupada. Aconselho, se gostar do género.

Nota Final: 
C+


Trailer:



Informação Adicional:
Realização: Josh Trank
Argumento: Max Landis e Josh Trank
Ano: 2012
Duração: 84 minutos

REALIZADORES: OTAC NA SLUZBENOM PUTU (1985)



Recentemente tive que tomar a difícil decisão de terminar com a periodicidade nas minhas crónicas. Algo que me custa, de facto, mas que se tornou impossível de conciliar com todo o trabalho da faculdade. Nenhuma das minhas três crónicas pessoais desaparecerá. Apenas deixarão de ter um espaço pré-definido para aqui aparecerem. Para a nova crónica da rubrica REALIZADORES, optei por falar-vos de um dos mais peculiares artistas europeus dos últimos anos: Emir Kusturica. Vencedor de duas Palmas de Ouro em Cannes, com prémios, nomeações e reconhecimento mundiais, é um dos mais importantes nomes do cinema actual, produzindo arte em quantidade e em qualidade muito próprias.


Escolhi a sua primeira Palma de Ouro para o representar. Com o título português de "O meu pai foi em viagem de negócios", este é um dramático relato da Jugoslávia no pós-Segunda Guerra Mundial, sob o domínio opressor do Comunismo soviético, onde o desafio à ordem se pagava de forma dura e cruel. Um ambiente cinzento, frio, quase medieval. Malik é a personagem central de um filme que envolve diversas personagens, vidas e problemas. Relata-nos paulatinamente uma história que se desenrola com vagar, onde tudo começa com a forçada, inesperada e inexplicável (aos olhos inocentes e infantis de uma criança) ausência do seu pai, um homem que trabalha arduamente para o seu partido, e que, sem problemas, vive uma vida dupla com as suas amantes. A sua mãe, uma mulher habituada a batalhar os problemas sozinha, aguentando as dificuldades da família e reservando respeito, carinho e admiração pelo seu marido, é a personagem mais tocante de todo o filme. A sua perseverança é admirável e encorajadora.

Esta ausência, a força motriz de todo o filme, é narrada ao espectador entre uma descolorada Sarajevo e uma inóspita vila para onde Malik e a família são obrigados a deslocar-se enquanto aguardam a libertação do seu pai, preso pela cobarde denúncia de uma das suas amantes. As emoções e as reflexões de uma criança são o condimento para uma história que nos recorda os tempos difíceis de um povo que demorou a encontrar a paz e a tranquilidade. O dedo subtil de Kusturica, nos diálogos, no humor súbtil, nas histórias, nas personagens, é indissociável de todo o filme. É o marcar de uma posição, distanciando-se dos demais e definindo um rumo próprio. Aclamado pela crítica, OTAC NA SLUZBENOM PUTU é o primeiro ponto alto de uma carreira que continua a rechear-se com sucessos, prémios e estatuetas. Quando ouvimos o nome de Kusturica, sabemos que, com ele, vem sempre agarrada a irreverência, a qualidade e a novidade. O que nos traz, tem sempre que ser recebido de braços abertos.

Pág. 2/2