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DIAL P FOR POPCORN

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O MELHOR DE 2011 - OS FILMES

Em 2011, o cinema foi insípido. Passei todo o ano à espera do filme que me arrebatasse (tal como, em 2010, me aconteceu com o Biutiful e o I Saw the Devil) e acabei por ficar desiludido. Houve bons filmes, como sempre, mas nenhum recebeu a minha pontuação máxima. Daí que, este ano, tenha optado por fazer uma selecção mais simples com apenas 10 filmes (ao contrário do ano passado, onde facilmente consegui um grande grupo de 20 filmes). Encerro o Ano de 2011 com a certeza de que 2012 será melhor. Enquanto os novos filmes não chegam, aqui vos deixo as minhas escolhas para Melhores Filmes de 2011:



1.º Beginners





2.º Tinker Tailor Soldier Spy




3.º Shame


4.º Take Shelter

5.º Tyrannosaur

6.º A Separation

7.º Melancholia

8.º Drive

9.º The Muppets

10.º The Artist












O MELHOR DE 2011 - PRÉMIOS INDIVIDUAIS

O meu atraso na publicação destas listas é justificável. Tal como no ano passado, optei por fazer uma reunião tendo por base o ano em que os filmes aparecem identificados no site IMDb. Sendo assim, e como alguns dos melhores filmes do ano só estreiam em Portugal na altura dos Oscars, as minhas listas surgem um pouco mais tarde.

Pela primeira vez, arrisco-me nos prémios individuas (A lista com os Melhores Filmes será publicada amanhã.). De forma tímida, apenas com cinco categorias. Há sempre filmes que não tenho oportunidade de ver e não gosto de ser injusto. Mas penso que fiz uma escolha séria e ponderada e que aqui estão realmente aqueles que, para mim, foram os melhores em 2011. Pode ser que em 2012, com mais experiência (tanto cinematográfica como blogosférica, me consiga atrever a algo mais arrojado como são, por exemplo, os Dial A for Awards do Jorge. Posto isto, os vencedores de 2011 são:


Melhor Actor: Michael Shannon (Take Shelter)






Melhor Actriz: Meryl Streep (Iron Lady)






Melhor Realizador: Steve McQueen (Shame)






Revelação Masculina do Ano: Michael Fassbender (Shame, A Dangerous Method, X-Men: First Class)






Revelação Feminina do Ano: Jessica Chastain (Take Shelter, The Tree of Life, The Help)


SHAME (2011)



Honra lhe seja feita. Shame não é um filme para meninos. Estamos numa Nova Iorque contemporânea. Onde o rebuliço dos dias arrasta milhões, de um lado para o outro, numa azáfama e numa rotina diabólica, que destrói relações e promove a solidão e a desintegração social. Brandon Sullivan (Michael Fassbender) é um homem perdido. Vive na ilusão das suas inúmeras companheiras sexuais, da pornografia cibernética, das fugazes relações de uma noite. Mas a adrenalina e o calor de mais um encontro sempre desaparecem com o nascer do sol, e mais um infeliz, cinzento e solitário dia aparece.


A viver sozinho no seu apartamento nova-iorquino, Brandon recebe a inesperada visita da sua irmã Sissy (Carey Mulligan), uma aspirante e promissora cantora, que se revela uma personagem completamente distinta e paradoxal daquilo que é Bradon: carente, dependente, a viver intensamente cada momento e cada relação. Enquanto, sabiamente, o magistral Steve McQueen cria uma cápsula que envolve, protege e esconde o íntimo de Brandon , a encantadora Sissy é uma personagem inocente, que se abre perante o espectador e nos dá a conhecer aquilo que é, sem sombras, sem máscaras, sem fantasias.


Mas o maior elogio de todo o filme vai directamente para Steve McQueen. O seu trabalho é sublime. E se Shame não funcionaria sem o carisma e a intensidade com que Fassebender se entrega à personagem, seria também um enorme fracasso na mão de 99% dos realizadores em actividade. É preciso ser-se um mestre, é preciso ser-se muito muito bom, para se criar um ambiente, uma envolvência, um clima que, por si só, catapultam uma personagem. A banda-sonora é irrepreensível e (igualmente) surpreendente. É uma das melhores deste ano. Tal como filme. Shame não desiludiu. Mas, repito, não é um filme para meninos. E é um filme que merece (e necessita) da compreensão do espectador. Tudo o que acontece, sem pudor, faz parte de uma história maior. De um revelação pura, dolorosa e real.


Nota Final:
A-



Trailer:





Informação Adicional:
Realização: Steve McQueen
Argumento: Abi Morgan e Steve McQueen
Ano: 2011
Duração: 101 minutos








THE GUARD (2011)




"I'm Irish. Racism is part of my culture. "

Estamos a falar de um dos filmes mais sarcásticos de 2011. E de uma verdadeira lufada de ar fresco dentro daquilo que foi um pobre ano cinematográfico. Não é um filme apropriado para espectadores que se sintam mais sensíveis em temas controversos, como o racismo, o xenofobismo ou a morte. The Guard dispara em todas as direcções, sem pudores.


Gerry Boyle (Brendan Gleeson) é um solteirão na meia idade que encara a vida de polícia de uma forma muito característica. É o seu emprego, sim senhor, mas não precisa de o viver de forma intensa e desregulada para ser eficaz e competente. Aproveita ainda o facto de ser o único polícia de uma pacata vila (leia-se, experimentar certos e determinados estupefacientes, seleccionar muito bem os crimes e as situações em que se envolve), de modo a evitar chatices e confusões. E assim vive uma vida feliz. Mas tudo muda depois de um misterioso assassinato, num cenário macabro e incompreensível. A isto junta-se a chegada do jovem Aidan McBride, o seu novo companheiro, proveniente de Dublin e que está a dar os seus primeiros passos como polícia.


Não querendo revelar-vos aqui todo o filme, The Guard conta com a participação de alguns nomes que o leitor não espera ver neste género de filme, tão independente e tão british. Conta-nos uma história básica sobre suborno, polícias corruptos e tráfico de drogas, mas que é apimentada com momento deliciosos de humor negro e sarcasmo, que o embelezam e o tornam singular. Que o transformam num filme bastante agradável e que fazem qualquer um sentir que viu algo de diferente e que saiu a ganhar com esta película. E são poucos, em 2011, os filmes que nos permitem tamanha reflexão. Uma óptima escolha!

Nota Final:
B+



Trailer:





Informação Adicional:
Realização: John Michael McDonagh
Argumento: John Michael McDonagh
Ano: 2011
Duração: 96 minutos









TYRANNOSAUR (2011)


Um dos meus filmes favoritos do ano de 2011, conta-nos uma história dura e violenta. Um filme totalmente british, para os adeptos dos Dramas sem mágoas e sem complexos. Um filme pequeno (como eu gosto), que nos faz sorver cada minuto de duas personagens trágicas, que se juntam por um aparente (e infeliz) acaso, construindo uma cumplicidade e uma entre-ajuda que cimenta uma amizade que se alimenta da tragédia, da dor e do sofrimento.



Joseph (Peter Mullan) é um cinquentão viúvo, tempestuoso, agressivo e impulsivo. Começa o filme numa cena de ira efervescente, que culmina com a morte do seu cão, em quem descarrega a adrenalina de um negócio falhado e cuja ausência se fará sentir durante todo o filme. Solitário, depressivo, arrasta-se pelos bares da sua localidade. Após mais uma zaragata, refugia-se na loja de Hannah (Olivia Colman), uma mulher madura que vive os seus dias envolvida na religião e na sua fé inabalável. Esconde, no entanto, um difícil e chocante segredo. Casada, sem filhos, é uma mulher angustiada, convivendo e aceitando as taras e a violência animal de um marido completamente primata, que a obriga a participar em sessões violentas e perigosas de sadomasoquismo.


Duas almas que partilham a dor e o silêncio da solidão, duas personagens moldadas pelo sofrimento, que se juntam numa loja de conveniência para não mais se conseguirem separar. Não é uma mera história de amor. Não é uma simples historieta condenada a terminar num romance eterno e feliz. Tyrannosaur conta com a única interpretação feminina que, este ano, consegue ombrear com a brilhante Meryl Streep (Olivia Colman é FANTÁSTICA!). Tyrannosaur conta com uma fotografia intensa e trabalhada, que nos transporta para uma ambiente frio, cinzento, tenebroso. E ainda se arrisca numa inesperada banda-sonora, que acrescenta alguma cor e alguma harmonia a uma história que em tudo é deprimente. Para mim, Tyrannosaur foi um momento delicioso.


Nota Final:
A-


Trailer:




Informação Adicional:
Realização: Paddy Considine
Argumento: Paddy Considine
Ano: 2011
Duração: 92 minutos











TEMPORADA 2011/2012 - MARÇO






Penúltima edição da Temporada 2011/2012. A ressaca dos Oscars já se faz sentir neste mês, mas ainda assim optei por reservar espaço para o mês em que, tradicionalmente, os cinemas se enchem de espectadores que querem conhecer os recentes vencedores da noite da Academia. Começamos Março em grande, com um dos mais aguardados filmes deste ano. SHAME, o filme que nos fá-la das emoções de um playboy que conquista as mulheres da cidade de Nova Iorque. Fassbender faz um das melhores interpretações da sua carreira, num papel para o qual (penso eu) nasceu, e com uma categoria que o transformam num dos mais desejados actores da Hollywood.






Para a segunda semana, com estreia marcada para dia 8 de Março, aconselho-vos o filme francês DE VRAIS MENSONGES, com a sempre encantadora Audrey Tautou, que interpretará uma contagiante cabeleireira, que nos encanta desde o primeiro minuto. Demorou a estrear, mas felizmente estará disponível nos cinemas portugueses, e será sempre uma óptima escolha caso se decida a dar-lhe uma oportunidade. Se for adepto de filmes mais intensos, mais duros, poderá optar por KILL LIST, um típico filme sobre um serial-killer (de Ben Wheatley) ou então MARGIN CALL, um thriller com um óptimo elenco, com uma recepção muito satisfatória nos Estados Unidos, que relata a enorme turbulência e agitação de uma agência de investimento em tempos de crise.






Dia 15 de Março, TAKE SHELTER. Não vi, ainda, mas facilmente se percebe, depois de passar com grande destaque pelos principais festivais de cinema do ano passado, que se trata de um filme de grande qualidade. E será um sucesso garantido. Se preferir acção e gostar da forma como Liam Neeson se tem transformado num actor de filmes de acção, THE GREY é, também, uma boa escolha. Trata-se da história de um homem que, depois da queda do avião em que viajava, se vê obrigado a sobreviver num local inóspito e assustador do Alaska, onde será obrigado a colocar de parte alguma das suas convicções, de forma a trocar a morte (certa) pela sobrevivência.






Dia 22 de Março, outro dos filmes mais aguardados do ano! THE HUNGER GAMES. Baseado na trilogia de sucesso que dá nome ao filme, é um thriller emocionante. Retrata a história de um mundo futuro, governado por um intransigente Capitólio, onde um torneio anual sacrifica um rapaz e uma rapariga de cada um de doze distritos criados sobre a orientação do governo. Se corresponder ao nível dos livros, será um filme intenso e surpreendente. E garantidamente, um dos grande sucessos de bilheteira deste ano. Nesta semana, gostaria ainda de destacar o filme A TORINÓI LÓ, que infelizmente não terá estreia em todos os cinemas nacionais (deverá ficar-se pelas duas maiores cidades), mas que é um filme de grande qualidade e que merece a atenção do leitor.





Para a última semana de Março, o meu destaque vai todo para o filme francês INTOUCHABLES, sobre a história de um homem rico, em fase terminal, com deficiências que o incapacitam, mas que se decide a viver a aproveitar cada um dos momentos graças à ajuda do seu mais recente empregado. Um filme certamente divertido e garantidamente emocionante, que criará uma grande empatia entre o espectador e os protagonistas e que será uma das melhores estreias deste mês de Março.

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