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DIAL P FOR POPCORN

DIAL P FOR POPCORN

SANGUE DO MEU SANGUE (2011)





Não saí da sala de cinema rendido. Saí satisfeito, contente pelo investimento num bilhete de cinema (cada vez mais caro!) para um filme português, mas não saí fascinado e extasiado como a grande maioria dos críticos de cinema em Portugal. No entanto, percebo-os. Sangue do Meu Sangue será, muito provavelmente, o melhor filme português dos últimos 50 anos e, seguramente, um dos melhores momentos da nossa (infezlimente, paupérrima) indústria cinematográfica. Se existisse, no nosso blogue, uma nota exclusiva para filmes portugueses, não teria dúvidas em lhe atribuir o valor mais alto.


Como já disse, Sangue do Meu Sangue é um bom filme. Começo por vos falar de Rita Blanco, o melhor entre o melhor. Uma interpretação arrebatadora, uma prova do enorme valor como actriz e mulher. Sem ela, sem a sua interpretação, sem a sua entrega à história, certamente Sangue do Meu Sangue passaria ao lado de muito boa gente. Mas há mais interpretações que merecem o meu destaque. Anabela Moreira, no papel de tia solteirona e abandonada, a representar o triste fim de uma mulher que encalha num beco sem saída e perde a esperança de ser feliz, e ainda Nuno Lopes (o herdeiro natural do trono que actualmente Miguel Guilherme ocupa como melhor actor português dos últimos anos) vive a personagem de um gangster e comprova que é impossível representar mal.

Mas Sangue do Meu Sangue tem mais. Tem um dedo tão marcante de João Canijo, que o torna diferente, que o torna mais especial. Tem as conversas paralelas. Tem uma câmara que se movimenta dentro das cenas como se do próprio espectador se tratasse, uma câmara que permite viver o ambiente da família que faz a história deste filme. E, por fim, Sangue do Meu Sangue, retrata aquilo que é o Portugal dos nossos dias. O Portugal da crise económica, familiar e amorosa. O Portugal que vive das migalhas, que alimenta sonhos de um amanhã melhor e que tenta, a todo o custo, sair do buraco em que foi enfiado.


O que gostei menos em Sangue do Meu Sangue? Começo por esclarecer que adorei os diálogos e as personagens. Foi uma criação inteligente, não só da parte de Canijo como de todo o elenco (que participou activamente na criação do argumento). No entanto, achei (pessoalmente) uma história demasiado previsível para poder classificar o seu argumento de Brilhante. A história deste filme já foi contada de muitas formas (algumas vezes melhor, muitas delas pior) e acaba por não trazer nada de realmente novo e diferente àquilo que é o cinema. Pelo menos o cinema internacional, porque em Portugal é claro que se demarca e se distingue (por uma grande margem) de quase tudo o que se tem feito nos últimos anos. Mas sabe a pouco. Sangue do Meu Sangue ficou muito perto de ser um filme estupendo e se posicionar lado a lado com os melhores filmes de lá de fora. Olhando-o como um crítico Português, acho que Sangue do Meu Sangue é um marco. Olhando-o como um crítico de estrangeiro, acho Sangue do Meu Sangue um bom e interessante filme.

Se merecesse que o espectador o veja no cinema e ajude João Canijo a continuar a fazer bom cinema? Totalmente. Um conselho: Aproveite para investir o seu orçamento cinematográfico do mês de Outubro neste filme. Ganha você, ganha João Canijo e ganha o Cinema Português. Desta vez vale bem a pena.


Nota Final:
B+


Trailer:





Informação Adicional:

Realização:
João Canijo
Argumento:
João Canijo e Elenco
Ano: 2011
Duração:
140 minutos

[POSTER] CONCRETE ISLAND



Concrete Island, uma das mais aguardadas produções de Hollywood, já tem o primeiro poster oficial! Falo-vos, claro, do filme que voltará a reunir Christian Bale, Brad Anderson e Scott Kosar, o trio que criou um dos mais marcantes filmes da década passada, The Machinist!
E, pelas informações que vão sendo veiculadas (quer pela produtora Filmax, quer pelos jornalistas) teremos mais um filme psicótico e alucinante, a obrigar Christian Bale a mais uma estrondosa entrega pessoal e a um papel perturbador. Christian Bale será Robert Maitland, um bem sucedido arquitecto, que após um acidente de carro desperta num mundo paralelo, um local estranho e inóspito, onde apenas o mais forte sobrevive. Para ver (em princípio), em 2013.

A Morte da 7ª Arte (Versão Sofia Coppola)

"O Dial P For Popcorn tem o prazer de vos apresentar o nosso mais recente colaborador! Axel Ferreira, nosso colega e amigo, aceitou o convite para a elaboração de uma crónica quinzenal. Com uma visão peculiar e distinta da realidade cinematográfica, A Morte da 7.ª Arte deixa apenas uma promessa: Ninguém a poderá evitar."


Erudição Misógina


Adiam-se as forças, adiam-se as vontades, adia-se a vida. Esta é mais ou menos a maneira contemporânea de viver. Uma atitude que nos leva a não reconhecer erros nos paradigmas que nos são apresentados. Mas começar uma nova temporada de morte assim até sabe mal. Por isso há que dizer para quem quiser ler, sendo o cinema algo de mundialmente aceite, é o mais poderoso perpetuador da misoginia. E eu estou a incluir a própria igreja católica nos meus cálculos conceptuais. Pelo simples facto de esta última ser um meio de vida cada vez menos aceite e a partes largas ignorado pela larga maioria dos próprios católicos. Seria fácil dizer-vos isto e pouco mais, mas escrever apenas um parágrafo é algo de muita preguiça.


É factual que a maioria dos filmes é protagonizada por homens, mas isso é dizer pouco. Passemos apenas àquela maquia protagonizada por mulheres, e já aqui ficamos sem a larga maioria dos melhores filmes de sempre. Só dando o exemplo dos filmes do Stanley Kubrick, estes são quase exclusivamente sobre homens e como eles dominam mal o mundo e quando mete mulheres é só com o pretexto de uma obsessão sexual. Começando pelo clássico, quando antigamente tínhamos uma mulher como actriz principal era sempre uma princesa à espera do príncipe encantado, seja ele figurativo ou não. O paradigma deste tipo de filmes é o clássico da Disney, onde a mulher é retratada como algo indefeso que precisa de ser protegido e salvo com a sua meia-laranja de colans para ficar bem. Isto é o que mostramos às nossas crianças, aquilo que lhe mostramos como filmes perfeitos e saudáveis. As raparigas de tenra idade adoram ver a pequena sereia e a bela adormecida e querem ser princesas como elas, e quem as pode culpar se é o que lhe ensinam a querer ser de pequenas? Há que agradecer ao Walt o grande número de adolescentes à procura de um bom namorado robusto bastante mais velho. Ainda há uma grande tipologia de filmes mais actuais live action que exploram isto de uma maneira um pouco mais moderna, fazendo com que a miúda encontre um rapaz porreiro que faz algo estúpido, dá umas voltas com mais três ou quatro e depois volta ao original, o seu extremamente verdadeiro amor, e faz isto tudo sem perder a sua inocência original (há de facto que admirar a maneira como os argumentistas dão a volta às ideias). Não refiro o nome desses filmes por incapacidade de me lembrar dos nomes mas basta pensarem em meninas que com menos de vinte anos que andaram por aí a fazer filmes e às vezes também fazem música ou são presas por conduzir bêbadas ou são gémeas. Continuando a nossa odisseia, depois dos filmes onde a mulher é admiravelmente frágil e pura temos os filmes onde a mulher é demasiado estúpida para se livrar dos seus próprios problemas e fazer alguma coisa de jeito durante o filme inteiro (e aqui temos o grande Gone With the Wind onde resplandece o mais elaborado esquema do preconceito da mente feminina). Mas reparem que há exemplos extensos disto mesmo, com uma grande participação por parte do Almodovar que ainda não conseguiu perdoar as mulheres por existirem, e até existem por parte do Manoel de Oliveira com o seu Singularidades de uma Rapariga Loira. E já nem falo de filmes para necrotizar o próprio cérebro como é o caso do tal diário da gorda que tinha dois amores. Mas para culminar o excelente percurso temos o mais actual personagem feminino, a cabra homicida. O óbvio motivo seria o de ter uma mulher bastante jeitosa a dar pontapés e disparar contra uns tipos, algo que foi levado a um outro nível com o Kill Bill. E mesmo neste a mulher não é retratada como uma heroína, mas como um ser que apenas vive para a vingança. E é esta a base para o pensamento cinematográfico sobre a mulher, que só é capaz de grandes feitos quando é levada por sentimentos extremos como o rapto ou morte do filho ou coisa parecida (Changeling, Dancer In the Dark, Belleville Rendez-Vous, Flightplan e aquele outro filme que mete alienígenas também com esta tipa que já disse que só faz papéis que satisfaçam o seu standard feminista), nunca como um herói com um sentido de dever. E este pensamento é tão primitivo como o próprio mundo e actualmente aceite, quando assim dito, como completamente errado. Mas não é levado apenas neste sentido, tal como no Ran do grande Kurosawa, ela pode ser apenas um ardil manipulador que estraga todos os planos existentes e imagináveis, mas mais uma vez apenas por vingança.


Calma, ainda há esperança. Monster, duas lésbicas assassinas. Mary Poppins, como é uma ama tinha mesmo de ser mulher. Mary Reilly, sempre tão indefesa e cheia de pesadelos que até o ignóbil Mr. Hyde tem pena dela e a salva. Sister Act, mulher indefesa a fugir do ex-namorado super idiota (nunca percebi, nem quando era pequeno, era como será possível uma personagem destas ter estado com aquele tipo desde o início). Tomb Rider ou o Salt, uma desculpa para pôr uma gaja a dar pontapés e o último até tinha sido imaginado para o Brad Pitt. The Devil Wears Prada, bem se vais fazer um filme sobre mulheres no poder mais vale que meta roupa e coisas tais que elas saibam fazer. Princess Mononoke, selvagem e homicida que mesmo assim tem que ser salva por um homem. Natural Born Killers, cabra assassina mesmo vil que mesmo assim é salva pelo homem. Ghost In the Shell, até que é heroína mas afinal é um robô. Black Swam, mulher tão envolvida nos seus próprios problemas e tão estúpida que acaba por se matar. The Hours, epidemia da mulher indefesa, cheia de problemas e suicida repartida por três papeis diferentes (facilita bastante a vida de quem vê). Mrs. Doubtfire ou Tootsie, afinal é um homem. Todos os filmes onde a Marylin Monroe entrou, em que reencarna um papel de mulher indefesa que gosta de ir para a cama com muitas pessoas mas que é muito ingénua e inocente. La Vie en Rose, se vamos fazer um filme sobre uma mulher que fez alguma coisa da vida ao menos que seja biográfico, mesmo assim mais vale que esteja embriagada de homens e analgésicos. Até a Sofia Coppola resolveu fazer um filme onde as mulheres são todas suicidas porque estão cheias de problemas e são tão indefesas e agora até prefere fazer filmes sobre homens. Precious, mulher extremamente deformada com mais problemas psicológicos e mais indefesa que qualquer outra. Psycho, afinal morre e nem sequer é a personagem principal, de volta aos homens. Se começarmos com as séries então não acabamos mais, Nikita e V, uma desculpa para pontapés e uma cabra homicida. Até havia um manga japonês depois transformado em anime, chamado Elfen Lied, que exemplifica perfeitamente este problema de as mulheres sexis terem muitos problemas em não matar ninguém. Se alguém se der ao trabalho podem ir ver a primeira cena ao youtube, tenho a certeza que vão ficar maravilhados. Spirited Away e Fargo, bem, nestes acho que não tenho nada a dizer.


O salto ao próximo nível está próximo, a mulher como uma personagem principal é algo que ainda está a ser explorado e que vai surgir cada vez mais mas nunca pelo mainstream. O Trier é um explorador nato deste tipo de papéis e curiosamente é o único perseguido pelos grupos feministas que ainda não perceberam que politicamente incorrecto e misoginia são dois conceitos diferentes. Vendo o Anticristo, mesmo que seja uma sádica homicida é-o na exploração do papel da mulher moderna na sociedade onde ainda é interpretada como o pecado original. Mas não é isto que me interessa dizer-vos, o que eu espero que percebam é que quando alguém tenta fazer algo com qualidade sobre seja o que for, é perseguido mas o que é mainstream nunca é. O porquê não existe a não ser pela cegueira de pensar que, ou não são filmes sérios (primeiro erro, porque todos os filmes são sérios na perpetuação do preconceito), ou porque é aquilo que estamos habituados a ver desde os primeiros passos com a Disney e agora a Dreamworks. O que eu quero dizer é que os grandes culpados por isto continuar a acontecer somos nós que continuamos a ver todos estes filmes e nem sequer nos apercebemos que isto acontece. Não questionamos os paradigmas que nos foram apresentados desde que nascemos, não percebemos que aquilo em que nós acreditamos, algo tão pequeno como igualdade entre sexos, é posto em causa todos os dias e de uma maneira tão sistemática que até nós acabamos por integrar este dogma no nosso pensamento de maneira inconsciente. A maioria das diferenças que achamos que existem entre homens e mulheres foram coisas que vimos no cinema desde que o primeiro atrasado no mundo disse que os homens são de Marte e as mulheres de Vénus. Este acto de não pensar e questionar é anti-humano mas não é, e nunca será, anti-natural.

PS: Existe um tipo de filme em que as mulheres são quase invariavelmente as personagens principais (salvaguardando excepções óbvias). A parte menos espectacular é que são os filmes pornográficos.


Axel Ferreira

Julie Andrews celebra 76 anos!


Até nem sou muito de participar em postagens colectivas, mas esta proposta do Grupo de Blogues de Cinema Clássico era impossível de recusar, a propósito do 76º aniversário (celebrado a 1 de Outubro, bem sei, mas foi esta a data combinada) de uma das maiores actrizes da história do cinema: Julie Andrews e uma das minhas actrizes e personalidades favoritas de Hollywood.



A propósito do tema deixo-vos ficar, para aguçar o apetite (também vos aconselho a visitar o sítio do Grupo de Blogues, com muitos outros artigos formidáveis aí a vir sobre a actriz, a sua vida e a sua carreira), este brilhante artigo de Nathaniel Rogers no The Film Experience a comemorar o ano transacto o 75º aniversário da actriz.


Bem, mas onde estava? Pois, em Julie Andrews. Vencedora de múltiplos prémios, entre eles o BAFTA, o Globo de Ouro e o Óscar pela sua inolvidável interpretação em "Mary Poppins", um filme que então, hoje e sempre encantará os mais pequenos e fará também as delícias dos mais crescidos, que com ternura e afecto e muito charme faz passar mensagens e lições morais importantes, originou o papel principal de "My Fair Lady" na Broadway - com enorme sucesso e aclamação crítica, diga-se - que, infelizmente, não pode representar no grande ecrã porque na altura os estúdios pretendiam um sucesso imediato e então optaram pela mais famosa actriz da altura, Audrey Hepburn que, curiosamente, nem sequer foi nomeada por esse papel, no ano que viu precisamente Julie Andrews ser coroada com a vitória nos Óscares. Estávamos em 1965 e Hollywood nunca mais iria duvidar de Julie Andrews.


Isto porque a seguir viria aquele que bateria na época todos os recordes de bilheteira e consagraria Julie Andrews no panteão das grandes estrelas de cinema: "The Sound of Music". Nova nomeação para os Óscares e uma legião de milhões de fãs, encantados com o filme e com a actriz, se seguiria.


Mas Andrews não iria descansar mesmo depois de laureada, aclamada e aplaudida por todos. Continua em grande esta década de êxito com "Thoroughly Modern Millie" (o filme com maior receita de bilheteira dos estúdios Universal então), originando o papel de Guinevere na versão original de "Camelot" e com uma colaboração bem sucedida - mas nunca mais repetida, por diferença de perspectivas - com Alfred Hitchcock em "Torn Curtain"

Julie Andrews terminaria a década de 1960 como a maior actriz em Hollywood, que tinha dado à Disney ("Mary Poppins"), à 20th Century Fox ("The Sound of Music") e à Universal ("Thoroughly Modern Millie") os seus maiores êxitos da altura, que tinha protagonizado os dois filmes com maior receita de bilheteira de sempre ("The Sound of Music" e "Mary Poppins", sem ajuste do preço do bilhete obviamente), que tinha protagonizado o maior sucesso de sempre da Broadway ("My Fair Lady") e que tinha estrelado o maior sucesso televisivo da época (o telefilme "Cinderella", pelo qual foi nomeada para os Emmys). Tudo isto apenas aos 34 anos de idade.


Que ela não tenha parado aí é o que faz de Julie Andrews uma mulher, uma actriz e uma estrela tão especial. Ela que continuou a desafiar-se ao longo dos tempos (como com "S.O.B."), que ousou fazer regressar o musical, um dos mais gloriosos géneros cinematográficos da era de Ouro e que se encontrava ostracizado nos anos 80 ("Victor/Victoria", que lhe valeu mais uma nomeação para os Óscares), que procurou sempre novas oportunidades (como a sua série de variedades na ABC, "The Julie Andrews Hour", vencedora de sete Emmys), que nunca esqueceu o bichinho pelo teatro (tendo voltado à Broadway com "Victor/Victoria", adaptando o seu filme - e do seu marido Blake Edwards - para peça) e que nunca esmoreceu com as dificuldades (perdeu a sua voz de canto em 1997, após uma cirurgia para remoção de nódulos nas cordas vocais). E ela também que se soube adaptar em Hollywood e arranjar forma de ganhar uma nova legião de fãs com as suas aparições em "Shrek" e "The Princess Diaries", prova que é realmente impossível, no fim de contas, não nos apaixonarmos por ela.


Esta, meus senhores e minhas senhoras, é Julie Andrews. E eu nunca me vou esquecer que foi esta enorme senhora, belíssima mulher, extraordinária e versátil actriz e estonteante estrela que ofereceu ao mundo momentos tão inesquecíveis quanto estes três que decidi ressalvar abaixo:




Feliz aniversário, Julie! 
E que pensam vocês de Julie Andrews?

TEMPORADA 2011/2012 - Outubro/Novembro





Não é habitual, da minha parte, fazer este tipo de projecções e comentários prévios sobre filmes (deixo-o sempre para o Jorge que tem um conhecimento muito mais variado sobre estas áreas), mas a qualidade dos cinemas nos últimos meses tem sido tão baixa, tão ridiculamente baixa, que dei por mim a desejar que meses como Agosto, Setembro e até grande parte de Outubro, desaparecessem do calendário cinematográfico. A realidade das salas de cinema em Portugal é triste. Há muito, muitíssimo cinema de grande qualidade entre Novembro e Março (a altura dos "grande prémios"), que acabamos por não ver películas dignas das palavras "Filme" e "Cinema" nas grandes salas. Lixo, é quase tudo o que nos é impingido durante mais de metade do ano e que leva, até, a que o nosso blogue tenha menos movimento.




Dito isto, passo então a revelar-vos aqueles que são os filmes que mais quero ver num futuro próximo. Não vos poderei dar grande opinião sobre eles, nem falar com certezas se será ou não um grade sucesso. Aliás, muitas destas descobertas são me dadas a conhecer pelo Jorge, que começa a preparar a saga dos Oscars por esta altura do ano.



Assim sendo, em Outubro, teremos nos cinemas o conturbado Contagion, de Soderbergh, que contará com a participação de um bom elenco (Matt Damon, Kate Winslet, Marion Cotillard e John Hawkes) num intenso drama sobre o contágio descontrolado de uma epidemia. Pessoalmente, e depois de ter visto o trailer, acho que haverá algum potencial desperdiçado numa ideia, à partida, interessante.


Submarine, também com estreia prevista para dia 13, é um dos grandes filmes do mês. Já vos falei aqui sobre ele recomendo-vos vivamente a darem-lhe uma vista de olhos na sala de cinema, onde a banda sonora de Alex Turner vai garantir um envolvimento e uma tensão proporcionais à história do filme. Por último, sou ainda capaz de dar uma oportunidade a Sangue do Meu Sangue, de João Canijo, já que, do pouco que li sobre o filme, existem críticas bastante boas, relativas não só à qualidade do filme, como também à interpretação de Rita Blanco.


Em Novembro, dias mais felizes nos esperam! (A mim, a si e às bilheteiras das salas de cinema). Se todos os meses fossem como os de Novembro, certamente a minha carteira estaria bem mais vazia e o blogue bem mais activo. Começamos logo em grande! 50/50 de Jonathan Levine, um dos filmes que mais quero ver este ano (e que arrisco, sem medo, vai certamente ser um dos sucessos do ano), conta com Joseph Gordon-Levitt ("Adam") e Seth Rogen ("Kyle") numa comédia dramática sobre a luta do jovem Adam contra um tumor cerebral. O trailer não me desiludiu e deixou-me ainda com mais vontade de estar nas salas de cinema no dia 3 de Novembro.


Para a semana de 10 de Novembro, o leitor vai poder contar com a estreia de The Ides of March de e com George Clooney, sobre o qual o Jorge já vos falou aqui no Dial P for Popcorn. A nota de imdb.com não é muito positiva, mas gostei do trailer e a participação de Ryan Gosling, Philip Seymour Hoffman e Evan Rachel Wood, obrigam-me a vê-lo no cinema. Espero, sinceramente, sair de lá surpreendido e satisfeito. Não gosto de me guiar por opiniões prévias nem por notas do imdb.com (tirando, claro, casos de notas escandalosamente fracas), mas The Ides of March parece mais um caso de um hype que passou ao lado do sucesso. A confirmar dia 10.


Dia 17 de Novembro, nova visita ao cinema. Pedro Almodóvar, os seus diálogos, as suas personagens e os seus dramas são uma das razões pelas quais eu gosto tanto de cinema. Vou marcar presença na estreia de La Piel que Habito e do seu Antonio Banderas versão cirurgião plástico. Sei pouco sobre o filme, mas sei que é de Almodóvar. E isso, para mim, é o suficiente.




Para a última semana de Novembro fica reservado um dos mais fortes candidatos, segundo o que o Jorge me informou, para a próxima edição da fantochada dos Oscars (onde um filme do Spielberg sobre um cavalo (Sim! Um Cavalo!!!) e uma Sandra Bullock novamente "vestida" de super-mãe trágica, se apresentam na frente do batalhão para arrebatarem os prémios principais. Os anos passam mas a "qualidade" da Academia mantém-se), e que é também um dos filmes que aguardo com mais expectativas.




E, no caso de A Dangerous Method, de David Cronenberg as expectativas são as mais altas. Em primeiro lugar, porque o Jorge só me falou bem sobre ele. Em segundo, porque não é todos os dias que se juntam, num mesmo filme, Viggo Mortensen, Michael Fassbender e Vincent Cassel. Em terceiro, porque nenhum trailer me deixou tão intrigado, desconcertado e impaciente como este. E, por último, porque é David Cronenberg, o mesmo de A History of Violence e Eastern Promises (ninguém coloca o Mortensen a tão grande nível como ele) o criador desta história que envolve Carl Jung, Sigmund Freud e a Psicopatologia. Certamente, um dos grandes filmes de 2011!




Termino a Primeira Parte desta rudimentar previsão sobre os melhores filmes a ver nos cinemas durante os próximos tempos, e reservo o regresso da crónica para meados do mês de Novembro. Não adianta juntar tudo numa aborrecida e interminável crónica e falar-lhe já de filmes que só poderá ver em Fevereiro ou Março de 2012. Oportunamente, com tempo, saberá o que de melhor vai poder ver nas salas de cinema.

PERSONAGENS DO CINEMA - THE TRAMP/CHARLOT




"A day without laughter is a day wasted."


É o regresso da crónica mensal Personagens do Cinema ao Dial P for Popcorn. The Tramp, ou Charlot como sempre me habituei a conhecê-lo, é uma das personagens mais marcantes, simbólicas e eternas da história do cinema. Charlie Chaplin, um ser sem igual, com uma inteligência, um humor, uma originalidade tocantes, transformou-se num ídolo de todas as idades e de todos os tempos.


Charlot será, certamente, a sua personagem mais conhecida. Um perfeito anti-herói, retirado dos clássicos russos e adaptado à sociedade do princípio do século XX, foi o ponto de partida para diferentes histórias, que sempre juntaram o amor platónico, o humor de circunstância e as crises sociais de então, de uma forma bela e harmoniosa. Nos filmes de Charlie Chaplin, tudo acontece de uma forma natural, gradual, sem previsibilidade. Os gestos, os trejeitos, o manejar de uma bengala lendária e o eterno cumprimento com o seu característico chapéu, fazem de Charlot uma figura transversal a todas as gerações e aos amantes de todos os géneros cinematográficos.


Modern Times (o meu favorito), City Lights, The Gold Rush, The Circus e inúmeras curtas metragens, são relatos fantásticos da genialidade de um realizador, escritor, produtor e actor que me recuse a comparar com outros. Charlie Chaplin está no ponto mais alto da história do cinema. E recordá-lo é sempre um prazer.

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