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DIAL P FOR POPCORN

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[ÚLTIMA HORA] Vencedores do Festival de Veneza


Os grandes vencedores do Festival de Veneza acabaram de ser anunciados, numa cerimónia que sucedeu a sessão de encerramento do festival, que ficou a cargo de "Damsels in Distress" de Whit Stillman. Mais logo viremos analisar como decorreu o festival e os títulos que de lá saíram que poderão fazer mossa na campanha aos Óscares do outro lado do Atlântico. Para já, cá ficam os vencedores, uma lista muito diversa com grande - e curiosa - predominância asiática e com um vencedor bastante polémico e inesperado:


Leão de Ouro:
  "Faust", Alexander Sukurov

Leão de Prata (Melhor Realizador):
  Shangjun Cai, "People Mountain, People Sea"



Copa Volpi para Melhor Actor:
Michael Fassbender, "Shame"

Copa Volpi para Melhor Actriz:
  Deanie Yip, "A Simple Life"

Grand
e Prémio do Júri:
  "Terraferma", Emmanuele Crialese

Prémio Marcelo Mastroianni (Melhor Novo Actor ou Actriz):
Shota Sometami, Fumi Nikaido, "Himizu"

Osella para Melhor Argumento:
Yorgos Lanthimos, "Alps"

Osella para Melhor Fotografia:
Robbie Ryan, "Wuthering Heights"

Prémio FIPRESCI:
  Em Competição (Venezia 68): “Shame”
Fora de Competição: “Two Years”

Prémio SIGNIS:
“Faust”
Menção Honrosa: “A Simple Life”

Leão de Ouro do Futuro:
“Là-Bas”

Prémio Cinema Europeu - Fora de Competição:
“Présumé Coupable (Guilty)”

Prémio Pequeno Leão de Ouro (Leoncino d’Oro Agiscuola):
“Carnage

Prémio UNICEF:
“Terraferma”

Prémio Francesco Pasinetti (SNGCI):
“Terraferma

Prémio Brian:
“The Ides of March”

Prémio Leão Queer (Melhor Filme LGBT):
“Wilde Salome

Prémio Arca CinemaGiovani:
  “Shame” e “L’ultimo terrestre

Prémio CinemAvvenire:
“Shame”

Prémio Inovação Digital:
“Faust”
Menção Honrosa: “Kotoko”

Prémio Rato de Ouro:
“Killer Joe”
Rato de Prata: “Kotoko”

SECÇÃO ORIZZONTI:

Premio Orizzonti
(Longa-Metragem):
"Kotoko"

Prémio do Júri (Longa-Metragem):
"Whores’ Glory"

Prémio Orizzonti (Meia-Metragem):
"Accidentes Gloriosos" 

Prémio Orizzonti (Curta-Metragem):
"In attesa dell'avvento"

Menções Especiais:
"The Orator"
"All The Lines Flow Out"


Leão de Ouro de Carreira:
Marco Bellocchio

Prémio Jaeger-LeCoultre:
Al Pacino

EMMY 2011: Actor e Actriz Convidados - Drama



Com a cerimónia dos Emmy a ocorrer em breve (dia 18 de Setembro), chega a hora de eu abordar finalmente as principais categorias a prémio e discutir os méritos dos nomeados, de quem ficou de fora e quem terá maiores probabilidades de vencer.

As quatro categorias de hoje serão as de Actor e Actriz Convidado, Drama e Comédia. Decidi começar por estas pois os seus vencedores serão revelados já hoje nos Creative Arts Emmys. Começamos pela categoria de Melhor Actor Convidado - Drama.


Beau Bridges, "Brothers and Sisters"
Jeremy Davies, "Justified"
Bruce Dern, "Big Love"
Michael J. Fox, "The Good Wife"
Paul McCrane, "Harry's Law"
Robert Morse, "Mad Men"

Quem ficou de fora: Penso que não há grandes vítimas nesta categoria, se bem que considero que há razão para Scott Porter ("The Good Wife"), Joe Manganiello ("True Blood"), Michael Emerson ("Parenthood") e Johnny Lee Miller ("Dexter"), entre outros, para reclamar um lugar entre estes nomeados.

Quem vai ganhar:  Em teoria, o prémio seria de Michael J. Fox e provavelmente será ele quem vá ganhar, embora me pareça que Jeremy Davies e Paul McCrane possam também vencer, não sendo surpresa para ninguém. O único nome que riscaria desde logo da corrida é o de Robert Morse.

Quem tem o melhor episódio: "Brody" é um excelente episódio para Beau Bridges, que garantiu a sua quarta nomeação nas categorias de actor convidado nos últimos cinco anos. Tem muito tempo de ecrã, dá para nos apercebermos da sua personalidade extrovertida, carismática e confiante e a sua enorme química com Sally Field é por demais evidente. Jeremy Davies tem aquele que é, para mim o melhor episódio do grupo. Em "Reckoning", o seu personagem Dickie é perseguido e depois arrastado para o mato e capturado por Raylan, numa interpretação brilhante por parte de Davies. Éo o meu favorito pessoal à vitória, se bem que penso que não é quem vai vencer. Michael J. Fox é o óbvio candidato à vitória, com apenas um senão: ele não conseguiu vencer o ano passado nesta mesma categoria, com este mesmo papel, por um episódio bastante mais forte (também era impossível bater John Lithgow de qualquer forma) do que este "Real Deal". Ainda assim, o vencedor de três Emmy - um nesta categoria em 2009 por "Rescue Me" - não pode ser desprezado, mesmo com uma interpretação mais controlada e subtil do que é costume. Engraçado que Bruce Dern cá apareça quando em outros anos ele esteve tão mais forte e ainda por cima no episódio submetido é Grace Zabriskie, que interpreta a sua esposa, que rouba cenas. Ainda assim, o seu diálogo com o seu filho sobre a sua mulher em "D.I.V.O.R.C.E." é devastador. Depois de três nomeações em quatro anos, o Bert Cooper de Robert Morse abandona de vez a firma de publicidade de "Mad Men", numa das cenas mais tensas e excelentemente interpretadas do episódio. Contudo, em "Blowing Smoke", além desta cena, pouco mais tem Morse a fazer, o que exclui quase de imediato que ele tenha sequer qualquer hipótese de conseguir vencer. Finalmente, falemos do grande ponto de interrogação da categoria, Paul McCrane. É a melhor interpretação dos seis a par de Davies - em "With Friends Like These", o seu advogado despe-se em pleno tribunal em protesto quando o júri não concorda com o seu discurso - e ter a seu lado David E. Kelley, que já levou 34 actores de séries suas a vencer Emmys, ajuda imenso.

Quem devia ganhar: De entre estes nomeados, Jeremy Davies ou Michael J. Fox.


Agora falando de Melhor Actriz Convidada - Drama que, pelo primeiro ano desde que me lembro, não contém qualquer nomeada vinda da série "Law & Order: Special Victims' Unit", pela qual venceu o ano passado Ann-Margret.



Cara Buono, "Mad Men"
Joan Cusack, "Shameless"
Loretta Devine, "Grey's Anatomy"
Randee Heller, "Mad Men"
Mary McDonnell, "The Closer"
Julia Stiles, "Dexter"
Alfre Woodard, "True Blood"

Quem ficou de fora: Acho que Rebecca Creskoff ("Justified") tem razões de queixa noutras categorias além desta, bem como Mary-Beth Peil ("The Good Wife") e Anika Noni Rose ("The Good Wife") que podiam muito bem ter entrado no número elevado de nomeações que a sua série conseguiu. Também Gretchen Mol ("Boardwalk Empire") sai excluída sem eu perceber bem porquê.

Quem devia ganhar: Entre os nomeados, Joan Cusack e Julia Stiles são sem dúvida as duas favoritas e provavelmente será uma delas a vencer, daí que teremos sempre uma vitória merecida. A minha preferência pessoal vai para Joan Cusack.

Quem vai ganhar: É uma luta a duas entre Julia Stiles e Joan Cusack, o que quer dizer que a Showtime sairá sempre vitoriosa nesta categoria, a não ser que algo muito inesperado aconteça. À partida, Julia Stiles tem mais tempo de ecrã mas Joan Cusack tem o nome, a idade, a reverência e a interpretação necessárias para levar o prémio para casa.

Quem tem o melhor episódio: A interpretação mais consistente é a de Joan Cusack, que em "Frank Gallagher: Loving Husband, Devoted Father" se exibe a alto nível, quando a sua agorafóbica personagem fica de tomar conta de um bebé que foge para o jardim e que a obriga a medidas drásticas para o recuperar. É uma actuação impressionante, que só peca por não ser possível submeter outros episódios anteriores para explicar mais ao pormenor a complexidade da condição da personagem. Ainda assim, é a mulher a abater. E a única com grande possibilidade de o fazer é Julia Stiles, quase estreante nestas coisas da televisão, que se bate bem com Dexter Morgan (Michael C. Hall) nesta temporada de "Dexter". Em "In The Beginning", somos quase obrigados a abraçar a sua personagem, que se junta a Dexter para procurar um dos assassinos de que foi vítima. É um episódio bastante intenso e forte. Se há alguém que possa ser considerado o dark horse da categoria, é Loretta Devine. Ela, que se arrasta por "Grey's Anatomy" já lá vão muitos anos, teve este ano uma história de relativa importância na série, ao ser diagnosticada com Alzheimer. No seu episódio, "This Is How We Do It", a sua personagem é confrontada com a notícia e atravessa um espectro largo de emoções, da raiva à aceitação, pondo tudo em causa. Uma vez que Kate Burton, duplamente nomeada por uma narrativa semelhante na mesma série há alguns anos atrás, nunca venceu, também me parece difícil acreditar que será Devine a vencer. Em "Chinese Wall", Faye Miller (a personagem de Cara Buono), apaixonada por Don Draper, decide contar-lhe alguns segredos para o poder ajudar no negócio, pensando ingenuamente tratar-se de um gesto para com quem ama. Mais tarde, a sua ira é incandescente, irrompendo pelo gabinete de Draper e respondendo-lhe à medida quando descobre a sua traição. É o melhor episódio dos seis, mas o seu tempo de ecrã é tão escasso que não me parece que ela tenha qualquer hipótese. Mary McDonnell pouco faz também no seu episódio, "Help Wanted", em que ela entrevista e selecciona candidatos para um cargo policial. Já que falamos em tempo de ecrã, é altura de abordar Alfre Woodard, nomeada por dois ou três minutos de aparição em "True Blood". A actriz faz, todavia, esses poucos minutos contar, quando na sua cena ela agride o seu filho física, verbal e psicologicamente. Finalmente, falta falar de Randee Heller, que conseguiu o impensável: uma nomeação para a sua formidável - e inolvidável - Miss Blankenship, uma favorita do público, que perece no seu episódio "The Beautiful Girls", deixando Draper e a sua equipa a discutir a melhor forma de se ver livre dela sem que nenhum cliente se aperceba.

E vocês, que acham?

ZEITGEIST (2007)



"The religious myth is the most powerful device ever created, and serves as the psychological soil upon which other myths can flourish"


Não tenho dúvidas em afirmar que é um dos melhores documentários que alguma vez vi. Quer seja verdade ou mentira tudo aquilo que aqui é dito, há que reconhecer a qualidade da informação que nos é transmitida e a forma consistente e credível com que é suportada. Profundamente perturbador e eficazmente controverso, Zeitgeist desmonta alguns dos temas mais delicados da nossa sociedade e fá-lo sem medo.

A começar com o cristianismo e as suas origens, Peter Joseph expõe-nos um sem número de argumentos que nos permitem perceber a dimensão da possível montagem que existe por detrás do maior movimento cívico da história. Mas isto, caros leitores, é apenas o começo de uma viagem que atira para o caixote do lixo algumas das ideias mais básicas da nossa sociedade e que tem, como ponto alto, a demonstração daquilo que poderá ter sido o 11 de Setembro: um monstruoso estratagema montado para iludir a população e forçar a investida bélica nas sociedades do médio oriente.

Penso ser uma obrigação, cívica e moral, por parte de todo e qualquer cidadão, ver este documentário. E se possível, os subsequentes que Peter Joseph faz questão de divulgar de forma livre e gratuita, para que se possa distribuir por todos e para que ninguém utilize o argumento da crise como forma de o evitar.

Nota Final:
A


Trailer:




Informação Adicional:

Realização: Peter Joseph
Argumento:
Peter Joseph
Ano:
2007
Duração:
118 minutos

SUBMARINE (2010)



"Most people think of themselves as individuals. That there's no one on the planet like them. This thought motivates them to get out of bed, eat food and walk around like nothing's wrong."

Oliver Tate (Craig Roberts) é o típico jovem adolescente em plena crise existencial. Os seus pais passam uma fase menos feliz e, por mais que se esforce, não consegue criar amizade com os seus colegas. Sem actividades extra-escolares, fechado no seu quarto numa casa isolada, Oliver tem demasiado tempo para pensar. É um jovem culto e interessante. Sofre, no entanto, de um trágico mal: a sua infeliz capacidade de prever e idealizar aquilo que lhe irá acontecer, leva-o a um constante tormento e sofrimento, apenas atenuado pelos problemas dos seus pais, que sente serem superiores e mais relevantes que os seus.


Decide, certo dia, aproximar-se de Jordana Bevan (Yasmin Paige), uma jovem rebelde que é sua colega. Decide que, para a conseguir conquistar, terá que se adaptar ao seu estilo de vida, à sua forma de pensar, para depois a poder incentivar a mudar. De forma algo surpreendente, o jeito inocente e desajeitado de Oliver consegue conquistar a confiança de Jordana que o aceita como seu namorado e companheiro. Após os primeiros quinze dias de uma relação que Oliver descreve como "an atavistic, glorious fortnight of lovemakin'", os problemas dos seus pais (acentuados pela aproximação de Graham Purvis, vizinho da família e o primeiro grande amor da sua mãe) e a grave doença da mãe de Jordana, obrigam Oliver a descalçar um par de botas especialmente delicado.


Richard Ayoade saiu-se bem na sua estreia como realizador. Acertou em cheio na banda-sonora ao convidar Alex Turner, que aplicou todo o seu génio na criação de músicas que alicerçam um filme que por si só já se encontra bastante bem editado e organizado. Acertou em cheio no leque de actores que escolheu: Craig Roberts poder-se-á tornar num caso bastante especial no futuro do cinema inglês, ao qual se junta Noah Taylor (pai de Oliver) que encarna uma personagem profundamente soturna, solitária e depressiva, onde o simples olhar transmite uma mágoa assustadora. Por fim, Ayoade acertou em cheio no argumento. A sua adaptação da obra de Joe Dunthorne e a forma astuta e arrojada com que a transportou para o cinema, poderão, facilmente, transformar Submarine num dos filmes de culto da nova geração. Veremos o que o futuro reserva a Ayoade.

Nota Final:
B+



Trailer:




Informação Adicional:
Realização: Richard Ayoade
Argumento: Joe Dunthorne (original) e Richard Ayoade (adaptação)
Ano:
2010
Duração:
97 minutos

X-MEN: FIRST CLASS (2011)



Desde sempre fui um apreciador de X-Men. Por isso mesmo, não consegui resistir a mais um filme sobre mutantes. Mas não foi só por isso que peguei nesta que poderá vir a ser uma das mais bem sucedidas sequências de filmes da Marvel. Matthew Vaughn, depois de surpreender em Stardust, obter grande admiração com o inesperado super-herói Kick-Ass (cuja sequela já se encontra prevista), volta agora a colocar bem alta a fasquia. Christopher Nolan tem alguém a morder-lhe os calcanhares! Não acredito que algum dia se aproxime daquilo que Nolan já fez com Batman, mas, pelo menos, garante aos admiradores do género, um futuro muito interessante para as adaptações dos super-heróis da Marvel.


O mais recente filme de X-Men conta-nos como tudo começou. Como Charles Xavier (James McAvoy), mais tarde conhecido como Professor X, deu início às suas investigações de uma nova geração de seres humanos com mutações que resultaram dos efeitos da radiação produzida pela Segunda Guerra Mundial. Mostra-nos quem era Magneto (Michael Fassbender) e de onde surgiu a rivalidade com o Professor X. No filme, aparecem ainda Mystique (Jennifer Lawrence) e a Besta (Nicholas Hoult), dois dos mais emblemáticos personagens da série.


E neste primeiro filme de Vaughn que eu espero, sinceramente venha a produzir mais duas ou três sequelas (tem qualidade suficiente para isso), o Charles Xavier, um promissor Professor de Genética acabado de se formar em Oxford, é contactado pela CIA para ajudar a resolver aquele que parece ser o início de uma Terceira Guerra Mundial. Estamos na década de 60 e Kennedy é o Presidente dos Estados Unidos. Xavier reúne uma equipa, onde junta Magneto, um jovem judeu que ficou orfão às mãos dos alemães na Segunda Grande Guerra. A sua união resulta de um objectivo comum: Deter Sebastian Shaw (Kevin Bacon), também ele mutante, que pretende criar um conflito entre as duas grandes nações do mundo. Shaw movimenta-se muito bem e consegue criar fortes influências em ambos os governos, manietando-os a seu belo prazer. Mais? Não vou contar para obrigar o leitor a descobrir uma das mais agradáveis e divertidas surpresas de 2011!


Para terminar, não posso deixar de referir que McAvoy é um excelente Professor X e Fassbender um óptimo Magneto! E que todo o restante elenco foi muito bem pensado. Matthew Vaughn está de Parabéns, mais uma vez.



Nota Final:
B


Trailer:




Informação Adicional:
Realização: Matthew Vaughn
Argumento:
Ashley Miller, Zack Stentz, Jane Goldman e Matthew Vaughn
Ano:
2011
Duração:
132 minutos

DAFA 2010: Melhor Fotografia, Direcção Artística, Maquilhagem e Guarda-Roupa





Bem-vindos à primeira edição dos Dial A For Awards, a cerimónia de prémios de cinema do nosso blogue, Dial P For Popcorn. Iremos revelar, categoria a categoria, os nossos seis nomeados e três vencedores entre aqueles que foram, para nós, os melhores filmes de 2010.

Arrumando agora com as categorias técnicas, cá vão quatro categorias de uma só vez: Melhor Fotografia, Melhor Direcção Artística, Melhor Maquilhagem e Melhor Guarda-Roupa. O comentário não vai ser muito alongado em cada uma para não ficar um artigo muito comprido.




MELHOR FOTOGRAFIA:
 
BLACK SWAN (Matthew Libatique)
ENTER THE VOID (Benoît Debie) #2
I AM LOVE (Yorick Le Saux) #1
SOMEWHERE  (Harris Savides) #3
WHITE MATERIAL (Yves Cape)
WINTER'S BONE (Michael McDonough)

Este ano foi especialmente forte em cenas e imagens memoráveis e por isso me custou tanto excluir da conversa fabulosos feitos como os de Harris Savides em "Greenberg", Jeff Cronenwerth em "The Social Network", Wally Pfister em "Inception", Anthony Dod Mantle em "127 Hours", Robbie Ryan em "Fish Tank", Pawel Edelman em "The Ghost Writer", Roger Deakins em "True Grit", Robert Richardson em "Shutter Island" e Adam Arkapaw em "Animal Kingdom". Não havia, no entanto, forma de negar a inegável qualidade do trabalho de Yorick Le Saux, delicado, luxuoso, sumptuoso e tão vivo e expressivo como a intepretação de Tilda Swinton. A fotografia de Benoît Debie de "Enter the Void" é, como o filme, electrizante e camaleónica, fruto de uma mente genial mas completamente louca. Igualmente enérgica é a fotografia de Matthew Libatique para "Black Swan", que em conjunto com a direcção artística e a edição ajudam a conferir um tom sombrio, cheio de suspense à trama. Harris Savides oferece a "Somewhere" um ar vibrante e encantador, quase poético até, que serve de pano de fundo a uma história que ganha muito da sua atmosfera e tom. "Winter's Bone" passa uma imagem fria, soturna e desconfortável muito graças à fotografia de Michael McDonough. E "White Material" apresenta-nos um excelente trabalho de Yves Cape, que nervosamente alterna entre as fantásticas paisagens africanas e os close-ups nas personagens.



MELHOR DIRECÇÃO ARTÍSTICA:
 
BIUTIFUL (Marina Pozanco) #3
DOGTOOTH (Stravros Hrysogiannis)
EVERYONE ELSE  (Silke Fischer e Volko Kamensky) #2
SHUTTER ISLAND (Dante Ferretti)
THE GHOST WRITER (Albercht Konrad) #1
THE KING'S SPEECH (Eve Stewart)
 
Engraçado que eu este ano tenha ficado muito mais impressionado com o exibicionismo do que com o minimalismo que é o meu tipo de direcção artística favorita. Marina Pozanco ("Biutiful") não poupou esforços em fazer tudo parecer o mais miserável, nojento e peculiar possível. Stravros Hrysogiannis ("Dogtooth") faz-nos recear o familiar e abraçar o esquisito. Eve Stewart ("The King's Speech") toma particular cuidado à estrutura e ao espaço e confere um acolhedor conforto a edifícios que de outro modo parecem frios, distantes, o que não serviria a história. Dante Ferretti ("Shutter Island") é a grande estrela do último filme de Scorcese, com uma produção artística impressionante, assombrosa e misteriosa, a fazer jus ao tom sombrio da película. Inicialmente queria obrigar-me a optar entre Albrecht Konrad ("The Ghost Writer") e Fischer e Kamensky ("Everyone Else") para o último lugar dos nomeados. A razão pela qual é-me difícil dissociar ambos é a semelhança no seu trabalho, em ambos os casos minimalista e em ambos os casos com segundas intenções, dado que as geniais casas que orquestraram para os respectivos filmes funcionam também como uma espécie de prisão metafórica de onde ninguém pode escapar incólume. Acabei por colocar os dois e excluir outro merecedor nomeado, "I Am Love", que seria a minha sétima escolha, por uma razão muito simples: é que eu considero que a fotografia ajuda mais ao ar sofisticado do filme do que a produção artística, ao contrário do que acontece com "The King's Speech", por exemplo (daí a exclusão deste dos nomeados para Fotografia) e por isso decidi por estes nomeados.
 


MELHOR GUARDA-ROUPA:
 
BLACK SWAN (Amy Westcott)  #3
I AM LOVE  (Antonella Cannarozzi) #1
INCEPTION
(Jeffrey Kurland)
MADE IN DAGENHAM (Louise Stjernsward)
THE RUNAWAYS (Carol Beadle)   #2
TRUE GRIT
(Mary Zophres)

A gradação de cor e a brilhante (literalmente) indumentária das bailarinas são mostra do belíssimo trabalho de Amy Westcott em "Black Swan". Também é a cor, mais vibrante e berrante, das roupas um dos grandes factores de sucesso de "Made in Dagenham", de uma diversidade e de uma originalidade impressionantes. Um espectacular exemplo de guarda-roupa moderno e contemporâneo pode ser visto em "Inception", no qual Jeffrey Kurland veste a equipa comandada por Cobb de forma visualmente sofisticada. Mary Zophres acerta na mouche no visual e no aspecto dos cowboys e foras-da-lei de "True Grit", num guarda-roupa memorável. Antonella Cannarozzi ("I Am Love") foi uma das boas surpresas do ano, ao conferir sensualidade e profundidade emocional à sua protagonista através dos vestidos que usa. Roupas gloriosas e luxuosas, arrojadas e sumptuosas, ao nível da Casa Recchi. Menos pomposo mas não menos fabuloso é o guarda-roupa de "The Runaways". Carol Beadle recria visuais icónicos para estas roqueiras extraordinárias com um enorme sentido de época, cor e estilo.



MELHOR MAQUILHAGEM:
 
127 HOURS #2
BIUTIFUL
BLACK SWAN
#3
THE FIGHTER
THE RUNAWAYS #1
THE WAY BACK


Nomeados estes fáceis de explicar, sendo um ano fraco para o pessoal da maquilhagem e penteados. "The Fighter" e "The Way Back" são escolhas óbvias, com cicatrizes e marcas de desidratação, que os personagens de ambos filmes transportam como símbolos da sua capacidade de auto-superação. "Biutiful" passando-se nos bairros pobres de Barcelona, ruas cheias de miséria e podridão. A transformação física de Bardem enquanto homem doente e a morrer é também um trabalho louvável. "127 Hours" ganharia sempre cá lugar, sobretudo depois da icónica cena da amputação. O resultado final, em termos visuais, é bastante credível. Juntem-lhe marcas de desidratação, face cheia de areia e terra e corpo dorido e cheio de cortes e pequenas feridas e cá têm um vencedor. Sofrimento físico é também palpável em "Black Swan", ao qual se junta uma magnífica cena em CGI com a saída das asas do corpo da bailarina. Por fim, chegamos ao melhor que esta categoria tem para oferecer. Num filme com estrelas - e maquilhagens - tão icónicas como as do grupo "The Runaways" de Cherry Currie e Joan Jett, era natural que o pessoal da maquilhagem brilhasse. E de facto a maquilhagem transforma-as completamente.



DAFA 2010: Melhor Actor




Bem-vindos à primeira edição dos Dial A For Awards, a cerimónia de prémios de cinema do nosso blogue, Dial P For Popcorn. Iremos revelar, categoria a categoria, os nossos seis nomeados e três vencedores entre aqueles que foram, para nós, os melhores filmes de 2010.

O bom de ter deixado os prémios principais para agora (não que tivesse sido propositado) é que posso olhar para 2010 com novos olhos, em retrospectiva, em busca de algo que não tivesse visto bem há meio ano atrás, quando redigi as minhas nomeações. Em resultado disto, esta categoria - Melhor Actor - teve uma mudança curiosa, a adição de uma interpretação que eu pensava que não ia permanecer comigo durante muito tempo.







MELHOR ACTOR:
Javier Bardem, BIUTIFUL  #2
Jesse Eisenberg, THE SOCIAL NETWORK  #3
Colin Firth, THE KING’S SPEECH
James Franco, HOWL (também por: 127 HOURS)
Ryan Gosling, BLUE VALENTINE  #1
Edgar Ramirez, CARLOS 


Ao contrário das actrizes, o ano não foi propriamente forte em grandes interpretações de actores. Não foi, por isso, uma tarefa assim tão complicada escolher estes seis nomeados. A merecer menção de qualquer forma, de fora ficou o trabalho quieto e subtil de Ewan McGregor ("The Ghost Writer"), a raiva controlada de Aaron Eckhart ("Rabbit Hole"), a forma impressionante como Jeff Bridges ("True Grit") transforma um papel inolvidável que deu um Óscar a outro numa personagem inteiramente sua, a interpretação medida, honesta e natural de Mark Wahlberg ("The Fighter") e a irrepreensível viagem de Lars Eidinger ("Everyone Else") de carinhoso e afectuoso a um autêntico mau carácter.

"127 Hours" e, especialmente, "Howl" mostraram-me um lado de James Franco que ainda não tinha visto. Se por trabalhos mais recentes já sabíamos que era talentoso, a transformação em estrela de cinema surgiu definitivamente com estes dois trabalhos, tão distintos e originais. Variedade, brilho e profundidade emocional são características que qualquer bom actor deve possuir, mas capacidade de conduzir um filme de duas horas sem nunca aborrecer o espectador só poucos actores de calibre conseguem. Franco é um deles. E fê-lo duas vezes este ano. Numa, foi subtil, misterioso e pensativo. Noutra, exuberante, entusiástico, humorado. Em ambas sucedeu plenamente. Jesse Eisenberg ("The Social Network") foi a descoberta do ano para muitos - não para mim que já tinha visto o que ele consegue fazer em "The Squid and the Whale", "Adventureland" e "Zombieland". Em "The Social Network", Jesse Eisenberg não falha uma vez na entrega das falas, não perdoa nas expressões e reacções e é capaz de mostrar desprezo, indiferença e simpatia quase em simultâneo, no espaço de segundos. Custa admitir que admiramos uma pessoa tão rude, arrogante, prepotente e condescente. Com uma confiança e uma naturalidade anormais para quem tem que intepretar alguém tão instantaneamente genial e icónico como Mark Zuckerberg contudo aproveitando para em certos momentos mostrar o quão fraco, invejoso, desconfiado e vulnerável ele realmente é, Eisenberg oferece-nos uma das maiores interpretações da década. De Colin Firth ("The King's Speech") já meio mundo falou e por isso eu pouco preciso de dizer. Não sendo tão impressionante como a sua interpretação em "A Single Man", é ainda assim um trabalho excepcional da sua parte. A química que tem com Geoffrey Rush e a forma como soube exibir tanto as qualidades como as fraquezas do seu Rei fazem desta interpretação uma das melhores da sua carreira e, por isso, merecedora do Óscar que recebeu.

Javier Bardem ("Biutiful") proporciona-nos a experiência mais realista, desconfortável e confrontadora que tive numa sala de cinema em 2010. Em "Biutiful", Javier Bardem entrega-se por completo a Innaritú e mergulha bem fundo na humanidade da sua personagem, fazendo-nos ver o mundo pelos seus olhos e chorar e sofrer com ele. Em termos de imersão, nesta categoria, só Ryan Gosling compete com ele. Em "Blue Valentine", Gosling está absolutamente irreconhecível. Disse eu na crítica ao filme, "imerso profundamente no personagem, conserva todos os elementos fundadores da sua personalidade ao longo das duas partes distintas da história, conferindo no entanto características diferentes aos dois estados de Dean. O primeiro Dean é um ser-humano completo. O Dean mais velho é uma sombra, um fragmento do seu "eu" passado, um homem de coração partido, destruído pela vida e pela dificuldade em manter uma relação que desde o início se revelou imensamente complicada de gerir e pela qual fez tudo. A sua dor é palpável e o seu sofrimento ao sentir a indiferença da mulher, mesmo ele dando tudo por ela, é de partir o coração." Mantenho tudo aquilo que disse. Finalmente, Edgar Ramirez. "Carlos" é, na sua essência, uma exposição dos talentos do actor que interpreta Carlos o Chacal. Ramirez não foge da imagem do bruto e temível terrorista, pincelando a sua interpretação de humanidade e calor que não deixam ninguém ficar indiferente e torna complicado detestarmos a pessoa.

Agora vocês: em retrospectiva, quais as interpretações de 2010 que ainda vos enchem as medidas?

DAFA 2010: Melhor Actriz




Bem-vindos à primeira edição dos Dial A For Awards, a cerimónia de prémios de cinema do nosso blogue, Dial P For Popcorn. Iremos revelar, categoria a categoria, os nossos seis nomeados e três vencedores entre aqueles que foram, para nós, os melhores filmes de 2010.

Bem sei que é uma vergonha ainda não ter acabado isto mas tenham paciência, quero ver se levo finalmente algo até ao fim cá no blogue. Mais uma categoria - hoje uma das principais - Melhor Actriz


MELHOR ACTRIZ:

Annette Bening, THE KIDS ARE ALL RIGHT #2
Isabelle Huppert, WHITE MATERIAL
Nicole Kidman, RABBIT HOLE #1
Natalie Portman, BLACK SWAN
Paprika Steen, APPLAUS
Michelle Williams, BLUE VALENTINE #3
 
Num ano relativamente forte em termos de grandes intepretações femininas, foi difícil limitar-se a estes seis nomes para escolher as nomeadas para esta categoria, tendo em conta que de fora ficou Greta Gerwig, que foi perfeita e curiosamente inesquecível em "Greenberg", Ruth Sheen com um trabalho de uma subtileza e naturalidade admiráveis em "Another Year", a tempestuosa e impulsiva interpretação de Katie Jarvis em "Fish Tank", a taciturna e complexa Ree Dolly (Jennifer Lawrence) de "Winter's Bone", a brilhante e exuberante Birgit Minichmayr em "Everyone Else", a assustadora Kim Hye-Ja em "Mother" e ainda as interpretações honrosas e potentes de Tilda Swinton em "I Am Love" e de Julianne Moore em "The Kids Are All Right".

Arrumadas que estão as minhas menções honrosas, passemos às nomeadas. Annette Bening ("The Kids Are All Right") descobriu a comédia e a humanidade por detrás de uma mulher teimosa, desagradável e pouquíssimo altruísta, de difícil convivência e compreensão, de reacções imprevisíveis, sempre fazendo tudo parecer tão fácil. Natalie Portman ("Black Swan") força o seu físico até ao máximo numa interpretação fantástica, repleta de sensualidade, arte e emoção. Na busca incessante pela perfeição da sua personagem, a artista entrega-se de corpo e alma ao desafio. Como habitualmente, Isabelle Huppert ("White Material") nunca nos desaponta - uma mulher dura e complicada que luta ardentemente por se impor num local em que não desperta grandes simpatias. Que ela encontre formas de nos mostrar calor e simpatia através daquele exterior de pedra é um dom que poucas actrizes na actualidade possuem. Ela é, felizmente, uma delas.

Paprika Steen ("Applaus") é uma descoberta fascinante que credito na integridade a Nathaniel Rogers do The Film Experience, pois se ele não a tivesse mencionado e encorajado a visualização do filme, nunca teria visto "Applaus". Uma interpretação extraordinária, cheia de nuance e conflito, cheia de drama, desespero e auto-comiseração de uma actriz que agora, no fim de carreira, se vê perdida no mundo que nunca quis conhecer a fundo: a vida real. Se Ryan Gosling é absolutamente brilhante e impressionante em "Blue Valentine", é-o parcialmente porque tem uma parceira também ela a trabalhar a um nível bem elevado. Michelle Williams pega numa personagem ambivalente, indecisa, desconfortável na sua própria pele e transforma-a numa pessoa genuína, complexa e bondosa que consegue, por outro lado, ser totalmente auto-destrutiva e corrosiva para todos com que se cruza. Muita classe. Finalmente, a minha escolha para melhor do ano. Toda a gente sabe que Nicole Kidman é das mais ousadas e geniais actrizes que alguma vez surgiu no panteão do cinema. O que poucos ainda acreditavam é que Nicole Kidman pudesse conseguir, depois de vários falhanços que sucederam uma primeira metade da década inacreditável, uma interpretação tão fabulosa que iguale ou até ultrapasse os toques de brilhantismo com que polvilhou "Moulin Rouge!", "Birth", "Dogville", "The Hours" ou "The Others". Em "Rabbit Hole", ela mergulha na profunda depressão e tristeza da personagem, nunca nos deixando perceber o que vai na mente de uma mulher em luto pelo filho tão amado que acabou de perder. Por isso a escolha cuidada de cada reacção, de cada emoção. Incrível a forma desorientada como fica quando perde o seu norte, quando a obrigam a falar sobre o assunto. E inacreditável a serenidade e calor que emanam de uma mulher a quem parece ter sido arrancado as entranhas.


E vocês, que interpretações femininas vos chamaram a atenção em 2010? (agora em retrospectiva: que interpretações ainda permanecem convosco do ano passado?)

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