Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

DIAL P FOR POPCORN

DIAL P FOR POPCORN

As Escolhas INCONTESTÁVEIS do Dial P For Popcorn


Notícias muito antigas, mas ainda assim penso que é importante divulgar, para quem visita o blogue e não seguiu a iniciativa.


O Cineroad, do amigo Roberto Simões, organizou uma iniciativa neste início de ano intitulada "As Incontestáveis", que pedia a todos os participantes que escolhessem cinco filmes que, para si, representassem obras-primas incontestáveis.

A nata da blogosfera cinéfila portuguesa participou em grande número, incluindo nós os dois. Abaixo vos deixo as ligações para as nossas participações. Sintam-se livres de deixar a vossa opinião, quer seja lá, quer seja cá.

As Incontestáveis #14 - Jorge Rodrigues
As Incontestáveis #16 - João Samuel Neves



BIUTIFUL (2010)



Assombroso. Nunca esperei escrever ou pensar isto, mas Iñárritu tocou novamente o céu: Biutiful é, para mim, o melhor filme da sua carreira e, dificilmente, algum dia ele conseguirá fazer melhor. É controverso afirmá-lo e certamente muitos vão para sempre considerar Amores Perros como o seu ponto alto. Eu considero Amores Perros um óptimo e brilhante filme, no entanto a minha enorme admiração por histórias deprimentes, contadas de uma forma nua e crua, sem pudores, numa encarnação de sentimentos reais, que nos transportam por o ecrã, que nos fazem compartilhar a dor e o sofrimento de um actor que faz uma das interpretações do século, fala e falará para sempre mais alto. É impossível não lhe fazer esta homenagem.


Desde 2007, quando Daniel Day-Lewis demonstrou a sua classe em There Will Be Blood, que eu não via uma interpretação deste nível. Aceito se disserem que o papel de Javier Bardem tinha tudo para ser um sucesso. Sim, tinha. Um papel assim só pode ser mau se for dado a um azelha. No entanto, só pode ser brilhante, soberbo e inesquecível se for dado a um actor fora de série, com um talento digno dos grandes senhores do cinema. Javier Bardem, em Uxbal, faz um papel digno de colocar Peter Sellers a bater palmas: É um papel tão bom, que os Oscars não são dignos sequer de lhe atribuir o prémio de melhor actor. Penso que pela primeira vez ficarei feliz se não vir um actor e uma interpretação como é a de Javier Bardem, vencer a estatueta de melhor actor. Eu não vi ainda o "Discurso do Rei", mas não acredito que Colin Firth, que certamente estará a um grande nível, consiga alguma vez trazer a emoção, a paixão, a dor, o sofrimento que Iñárritu e Javier Bardem conseguiram colocar em Uxbal.


É muito díficil criar histórias e argumentos sobre temas tão críticos da sociedade como a prostituição, a imigração ilegal, a exploração de homens e crianças, os problemas de familiares. É tão difícil e, por o ser, o cinema dos Estados Unidos, muito rara e pontualmente, consegue produzir algo que me convença. Nesta área, os Asiáticos são verdadeiros mestres, vindo da Europa de Leste algumas boas ideias.


E Alejandro González Iñárritu? A partir da noite de ontem limpou de vez a péssima imagem com a qual Babel me deixou, onde imaginei a sua carreira a perder-se por filmes de menor qualidade, para sempre presos à comparação de um rival sem igual, Amores Perros. No entanto, ao quarto filme, Iñárritu volta a supreender, não só o cinema como a sociedade. Facilmente Biutiful será criticado por muitos dos "super-especializados" críticos de cinema. Mas para mim, é já uma obra-prima, possivelmente o meu favorito do ano e, no caso da interpretação de Javier Bardem, uma das minhas favoritas de sempre, da qual nunca me conseguirei esquecer.


Uxbal é um homem solitário, deprimido e infeliz. Com o dom de falar com os mortos, ganha algum dinheiro em funerais, que lhe permite sustentar os seus dois filhos, com os quais vive separado da sua ex-mulher, Marambra (Maricel Álvarez). Ao descobrir que um cancro na próstata, já profundamente metastizado pelos seus ossos e fígado, lhe dará apenas alguns meses de vida, decide preparar tudo para a sua partida. Uxbal tem apenas um desejo: que os seus filhos fiquem em paz e possam ter uma vida mais feliz do que aquela que Uxbal teve.

No entanto, esta revela-se uma tarefa muito complicada, não só porque o cancro é implacável e, aos poucos, começa a fazer sentir a sua força perante a vontade de Uxbal, mas também porque este tem mil e um negócios, cada um mais problemático que o seguinte e que parecem não ter solução possível.


Biutiful é lindo. Biutiful é uma obra que será lembrada para sempre. Biutiful é mais do que uma simples história, é o relato duro de um povo em sofrimento, que conta a história de muitos rostos desconhecidos, cinzentos e oprimidos. Biutiful é um A, daqueles que me orgulho de atribuir e difundir por quem me quiser ouvir.


Nota Final: A


Trailer:



Informação Adicional:

Realização: Alejandro González Iñárritu
Argumento: Alejandro González Iñárritu
Ano: 2010
Duração: 147 minutos.

BACK TO THE FUTURE (1985)



Quando me aconselharam a ver "Back to The Future" eu torci o nariz, pois reunia um conjunto de características que não me conseguiam convencer:

Década de 80, que para mim consegue ser a pior a nível do cinema, música, arte, moda, política, conseguindo dar-nos coisas tão boas como os Smiths e absoluto lixo como eram as séries americanas (ou portuguesas) da altura (agora a maioria ainda continuam a ser uma verdadeira perda de tempo, no entanto, a qualidade técnica melhora e a não se torna tão violento para o olhar).


Título de blockbuster barato, que nos leva logo a imaginar metade da história só de olhar para o poster de apresentação.

A dificuldade natural de tentar manipular o tempo, transportanto realidades diferentes que necessitam de uma inteligente adaptação e de uma coerente coordenação. São tantos os que desgraçam as suas carreiras quando se metem nestes caminhos...


Mas há uns dias atrás, as excelentes recomendações que tinha sobre ele, convenceram-me a dar-lhe uma hipótese. O que vos tenho a dizer é que fiquei agradavelmente surpreendido. Já esperava que a ideia e a história do filme fosse esta, não o vou negar e é inevitavel não sabermos à partida o que nos espera, mas como já o disse aqui diversas vezes, muitas das vezes a diferença está na maneira como nos contam uma história. A ideia-base do "Back to the Future" é uma história que uma criança de 6 anos pode facilmente imaginar. O toque pessoal que Robert Zemeckis lhe deu, é que o tornou no sucesso que foi, é e certamente sempre será.


"Back to the Future" é um filme divertidíssimo. Um filme para nos fazer relaxar, rir, divertir-nos e fazer-nos sentir uma enorme empatia e amizade pelos protagonistas desta história.


Sem vos revelar muito, Marty McFly (Michael J. Fox) é um jovem cheio de sonhos e ilusões, sem sucesso na escola e com uma família completamente depressiva, em que o pai é um idiota e a mãe uma frustrada com a vida e o casamento. Ao conhecer o Dr. Emmett Brown (Christopher Lloyd) que uma lufada de ar fresco entra na sua vida e, mesmo perante todos os conselhos para que dele se afastasse, Marty acredita nas potencialidades dos projectos de Brown e ajuda-o na concretização dos mesmos.


"Back to the Future" conta a história do mais ambicioso e arrojado projecto do Dr. Emmet Brown: uma máquina do tempo, movida a plutónio, capaz de o transportar para qualquer momento da humanidade.

O que acontece a seguir, obrigo o leitor a descobrir. Este é um daqueles filmes que um dia vou certamente querer mostrar aos meus filhos. É uma história de miudos, que diverte imenso qualquer graúdo.


Nota Final: B+


Trailer:




Informação Adicional:
Realização: Robert Zemeckis
Argumento: Robert Zemeckis e Bob Gale
Ano: 1985
Duração: 116 minutos.

Pág. 4/4