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DIAL P FOR POPCORN

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Maratona Meryl Streep: "You so rarely get treated like crap!"

Continuando com os vídeos do AFI Life Achievement Award de 2003, atribuído a Meryl Streep...

Vim pegar, para o nosso penúltimo artigo sobre este prémio, nos três melhores discursos da noite. Todos engraçados à sua maneira, todos diferentes, todos com um único objectivo: honrar as amizades que todas elas têm com Meryl Streep e elogiar o quão boa a atriz é, pelo meio entretendo toda a sala. Preparem-se para rir (vá, pelo menos sorrir).




(Carrie Fisher)



(Nora Ephron)



(Tracey Ullman)

E, já agora, uma nota: COMO É POSSÍVEL TRACEY ULLMAN NÃO SER UMA ESTRELA MAIOR?


UPDATE: Candidatos a Óscar de Melhor Filme Estrangeiro



Quem vai suceder a "El Secreto de Sus Ojos?"

A Academia revelou hoje oficialmente, através de um comunicado de imprensa, os 65 países que irão competir pelos cinco lugares de nomeação para o Óscar de Melhor Filme Estrangeiro (link).


Em comparação com a lista que publicámos há dias aqui no blog (link), que continha 62 submissões, 61 estavam correctas (só "Black Tulip", a entrada afegã, foi desqualificada). Surgiram na lista da Academia mais quatro países: a Etiópia ("The Athlete"), a Geórgia ("Street Days"), a Gronelândia ("Nuummloq") e o Quirziguistão ("The Light Thief").

Faremos uma análise mais pormenorizada mais tarde na corrida, quando soubermos mais sobre os filmes e sobre as suas hipóteses. Para já, diria que "Contracorriente" e "Incendies" são os favoritos à vitória.

 

Maratona Meryl Streep: César Awards

Este artigo faz parte da nossa semana temporada especial dedicada a Meryl Streep, intitulada apropriadamente Maratona Meryl Streep by Dial P For Popcorn. Vamos analisar os títulos mais importantes da sua filmografia e vamos tentar perceber como foi a sua carreira, como foi cada uma das suas nomeações aos Óscares e como é, portanto, a pessoa, a actriz, a mulher que se chama Mary Louise Streep.




Pouquíssimas lendas do cinema recebem este prémio, o Prémio Honorário (César d'Honneur) nos Césars (prémios de cinema da Academia Francesa). Meryl Streep recebeu-o em 2003. E ainda foi suficientemente fabulosa para discursar em fluente francês.





Quem é grande, é grande sempre. Meryl Streep é fantástica.

Maratona Meryl Streep: Óscares 1979 e 1980

Este artigo faz parte da nossa semana temporada especial dedicada a Meryl Streep, intitulada apropriadamente Maratona Meryl Streep by Dial P For Popcorn. Vamos analisar os títulos mais importantes da sua filmografia e vamos tentar perceber como foi a sua carreira, como foi cada uma das suas nomeações aos Óscares e como é, portanto, a pessoa, a actriz, a mulher que se chama Mary Louise Streep.



Como parte da Maratona Meryl Streep, também vamos abordar as corridas aos Óscares. Uma vez que já encerramos os anos 70 (nem comento o quão atrasada está esta maratona... mas enfim, continuemos), vamos discutir as duas primeiras nomeações de Meryl Streep aos Óscares - mal sabia ela, por esta altura, que um dia viria a ser a recordista do número total de nomeações.



1978


Em 1978, Meryl Streep começou a sua colecção de prémios com um Emmy. Sim, um Emmy, que lhe foi atribuído pela sua nomeação como Melhor Actriz em Mini-Série pela mini-série "Holocaust", da NBC.

A actriz conseguiu uma dupla nomeação nos BAFTA (os BAFTA são os prémios da Academia Britânica - British Academy Film and Television Awards): Melhor Actriz por "The Deer Hunter" e Melhor Actriz Secundária por "Manhattan". Na primeira categoria perderia (merecidamente) para Jane Fonda ("The China Syndrome") e na segunda perderia para Rachel Roberts ("Yanks"), numa daquelas típicas jogadas da Academia Britânica em apoiar talento inglês.

Meryl ganharia alguns prémios de críticos, entre eles o prémio de Melhor Actriz Secundária do NSFCA (National Society of Film Critics Awards), um dos primeiros grandes precursores dos Óscares, por "The Deer Hunter" e "Manhattan".

Mais tarde vieram os Globos de Ouro que se decidiram por Dyan Cannon ("Heaven Can Wait") para Melhor Actriz Secundária, a categoria na qual Meryl Streep estava nomeada. Jane Fonda ganharia Melhor Actriz - Drama por "Coming Home" e Maggie Smith, empatada com Ellen Burstyn ("Same Time, Next Year"), venceria Melhor Actriz - Comédia por "California Suite". 

A corrida começava a ganhar contornos por esta altura, com Jane Fonda a ser uma das grandes candidatas a Melhor Actriz, fosse por "Coming Home" (que eventualmente lhe deu a vitória) ou por "The China Syndrome" e com Maggie Smith a revelar grande pedigree por "California Suite" (por entre as várias nomeações como Actriz ou como Actriz Secundária, os Óscares decidiram dar-lhe a estatueta pela segunda categoria - correctamente, devo dizer). As senhoras de "Manhattan" (que só viria a estrear em 1979 nos Estados Unidos mas era elegível para os BAFTA) conseguiram três nomeações nos BAFTA mas para os restantes prémios teriam que vir a esperar mais um ano e por isso as outras candidatas na corrida para Melhor Actriz eram: Ellen Burstyn ("Same Time, Next Year"), Ingrid Bergman ("Autumn Sonata"), Jill Claybourgh ("An Unmarried Woman"), Glenda Jackson ("Stevie") e Geraldine Page ("Interiors"), Jacqueline Bisset ("Who's Been Killing The Great Chefs in Europe?"), Olivia Newton-John (contava com o voto popular pelo sucesso "Grease") e Goldie Hawn ("Foul Play"). Os Óscares conservariam quatro das cinco nomeadas para Melhor Actriz - Drama nos Globos mais Ellen Burstyn (que ocupava então o lugar de Glenda Jackson).

E para Melhor Actriz Secundária, além de Streep, Cannon e de Smith, tínhamos Maureen Stapleton ("Interiors"), Carol Burnett ("A Wedding"), Mona Washbourne ("Stevie) e Stockard Channing ("Grease"). Os Óscares ver-se-iam livres de Burnett e Washbourne (nomeadas para os Globos de Ouro com Streep e Cannon) para dar lugar a Smith e a Penelope Milford ("Coming Home") - uma nomeação que veio do nada, fruto do grande amor da Academia pelo filme, que viria a vencer os dois Óscares de Actor e Actriz.

Na noite dos Óscares, então, tivemos:



Dyan Cannon, Heaven Can Wait
Penelope Milford, Coming Home
Maggie Smith, California Suite
Maureen Stapleton, Interiors
Meryl Streep, The Deer Hunter




Nesse ano, ganhou a maior estrela do conjunto: Maggie Smith já vinha construindo um palmarés impressionante de grandes interpretações (e já tinha vencido antes, por "The Prime of Miss Jean Brodie") e tinha grande buzz, fruto da vitória nos Globos de Ouro. Além disso, foi sempre nomeada em todos os precursores, tenha sido quer em Melhor Actriz como em Melhor Actriz Secundária. Deste grupo, vi quatro das cinco interpretações - a de Meryl Streep, a de Penelope Milford, a de Maggie Smith e a de Maureen Stapleton - e tenho a dizer que provavelmente daria o prémio a Maggie Smith também. Com esta primeira derrota, Meryl Streep tornou-se na predilecta para ganhar um Óscar logo que a oportunidade surgisse. E esta não tardou muito.


1979


O ano de 1979 foi bastante diferente para Meryl Streep. Venceu o prémio de Melhor Actriz Secundária do NBR (National Board of Review) pela tripla de interpretações em "Manhattan", em "The Seduction of Joe Tynan" e em "Kramer vs. Kramer". Pelas mesmas interpretações ganhou (novamente) o prémio de Melhor Actriz Secundária nos NSFCA e venceu o Globo de Ouro nesta mesma categoria. Juntou-lhes vários prémios de grupos de críticos importantes, entre eles o de Los Angeles (LAFCC Awards) e o de Nova Iorque (NYFCC Awards).

Nos Óscares seria nomeada com duas das suas quatro companheiras dos Globos de Ouro (Candice Bergen, "Starting Over" e Jane Alexander, "Kramer vs. Kramer") tendo Kathleen Beller ("Promises in the Dark") e Valerie Harper ("Chapter Two") sido preteridas pela Academia a favor de Mariel Hemingway ("Manhattan") e Barbara Barrie ("Breaking Away"). Além destas, a corrida via Jessica Lange e Ann Renking ("All That Jazz"), Shirley MacLaine ("Being There") e Doris Roberts ("The Rose") desvanecer por entre os precursores e poucas hipóteses tinham todas as outras quando comparadas com o buzz que tinha Meryl Streep (significado: vitória asseguradíssima).

Na cerimónia dos Óscares de 1979, tínhamos então estas nomeadas:



Jane Alexander, Kramer vs. Kramer
Barbara Barrie, Breaking Away
Candice Bergen, Starting Over
Mariel Hemingway, Manhattan
Meryl Streep, Kramer vs. Kramer


O resultado: Meryl Streep ganhou, como é óbvio. Incontestavelmente.


(vídeo cortesia de YouTube e do canal Oscars, propriedade da AMPAS)



E vocês? Que acham das corridas aos Óscares desses anos?

Maratona Meryl Streep: THE DEER HUNTER (1978)

Este artigo faz parte da nossa semana especial dedicada a Meryl Streep, intitulada apropriadamente Maratona Meryl Streep by Dial P For Popcorn. Vamos analisar os títulos mais importantes da sua filmografia e vamos tentar perceber como foi a sua carreira, como foi cada uma das suas nomeações aos Óscares e como é, portanto, a pessoa, a actriz, a mulher que se chama Mary Louise Streep.



THE DEER HUNTER (Cimino, 1978)



"A deer's gotta be taken with one shot."


"The Deer Hunter" é um daqueles raros filmes de guerra que consegue ser livre de moral, livre de politicismos, livre de ideologias.  Não é um filme anti-guerra, não é um filme pró-guerra; é, na realidade, um relato excruciante, violento, pesaroso e bastante real dos efeitos que a guerra tem nas pessoas, tanto nos que vivem a guerra como nos que os rodeiam quando - e se - estes voltam à vida que abandonaram quando partiram para zona de combate. É um filme sobre pessoas: sobre um grupo de amigos, os três muito jovens, que partem para a guerra; sobre casamentos e funerais como partes normais da vida e do tempo de guerra; sobre indivíduos cujas vidas ficam drasticamente modificadas pela guerra.

É um filme emocionalmente desgastante, que nos tortura até ao fim com o sofrimento exterior e, mais tarde, interior dos seus personagens, imersos nas suas feridas internas, imersos nos seus problemas, incapazes de voltar a uma vida normal.

O filme começa por nos mostrar o dia-a-dia de uma pequena cidade na Pennsylvania, focando a nossa atenção no quão rotineiro e vulgar é a vida da gente desta cidade, tão mal habituada a que coisas de grande dimensão lhe aconteçam.  São pessoas normais, criadas em famílias com valores tradicionais, contentadas com o seu empregozinho e com a sua vidinha pacata. O filme introduz-nos então aos três protagonistas do filme, Nick, Michael e Steven, todos de partida para o Vietname após se terem alistado no exército. Enquanto saem do seu trabalho na mina de carvão e se deslocam até ao bar mais próximo, onde os acompanhamos a divertirem-se, a cantar e a dançar inclusivé, percebemos logo o quão diferentes estas pessoas vão ficar depois da guerra chegar e arrancar-lhes o espírito.

Coincidentemente, este dia em que os acompanhamos vem a culminar no casamento de Steven, um dos rapazes que parte para o Vietname, com Angela, uma das raparigas da cidade (todas caracterizadas, até então, como inocentes, alegres da vida, sem nada substancial nas suas vidas para elas apreciarem e darem valor). A sequência do casamento é uma das cenas mais brilhantemente executadas em todo o filme e a dicotomia que faz com a cena de funeral que encerra o filme mostra bem a excelente narrativa e o fio condutor que Cimino empregou no filme. Nesta cena, há tempo para toda a gente manifestar a sua alegria, a sua excitação, dá tempo para todos beberem e celebrarem e festejarem efusivamente a partida dos seus três homens e o casamento de um deles. 


E encerramos aqui a porção alegre do filme. O tom do filme torna-se muito mais sério já nesta cena seguinte, em que assistimos a um diálogo imensamente interessante - e imensamente rico de subtexto sobre o que significa caçar veados - e, num dos truques de edição mais famosos da história do cinema, a película corta para o meio da acção no Vietname.

O filme mostra os nossos bravos homens a serem capturados e torturados e é claramente visível nas suas caras o sofrimento, o suplício, a dureza e a exaustão que a guerra imprimiu nas suas vidas, de repente, e nós audiência sentimos quase que imediatamente que o chão nos é arrancado, enquanto os três homens são obrigados a participar num jogo de roleta russa, em que os seus captores apostam em quem vai ou não explodir os seus miolos. Nick e Steven começam a perder um pouco a sanidade e é Michael, que até então pouca personalidade tinha mostrado, tendo mesmo começado a exibir rótulo de anti-herói, que com a sua grande vontade de viver impulsiona os outros dois homens para uma fuga improvável. A cena em que os homens clamam liberdade é tão magnetizante quanto gélida e serve muito bem para ilustrar o quão mudados eles se encontram.


Longe da guerra, os três amigos vêm a sofrer destinos bastante distintos: Nick fica em Saigão; Steven, agora deficiente, tendo perdido ambas as pernas, encontra-se num hospital de veteranos de guerra; e Michael é, então, o único que volta a casa. Este regresso a casa, contudo, nunca chega a acontecer, uma vez que o Michael que retorna à Pennsylvania não é o mesmo Michael que de lá saiu. Este Michael é ainda mais contido, ainda mais tímido, imerso numa raiva silenciosa que não lhe permite voltar a reconectar-se com os amigos e, mais importante, que o impede de ter uma vida normal com Linda, antiga namorada de Nick por quem Michael sempre teve sentimentos (e Linda, percebe-se desde sempre, nunca se soube bem decidir por qual dos dois homens; teve que vir a guerra para decidir-se por ela). Não havia forma de ele conseguir contar, de conseguir explicar o que lá viu, o que lá passou, o que eles não sabem que aconteceu.

Após visitar Steven no hospital (algo que levou a Michael imenso tempo a fazer) e descobrir que Nick ainda se encontrava por terras asiáticas - e relembrando uma promessa antiga de nunca abandonar o amigo para trás -, Michael parte de volta ao Saigão para recuperar Nick. O clímax final do filme é bastante potente, que tem na sua cena final, as gentes a cantar "God Bless America" num funeral, um culminar que é fiel ao tom e à linha narrativa do filme. 

Num filme com extraordinárias interpretações de Savage, de Streep, de Walken (que venceu o Óscar de Melhor Actor Secundário) e principalmente de DeNiro, é  da realização de Cimino, da edição de Zinner, da fotografia de Zsigmond e do argumento de Washburn que se fala quando pegamos nos pontos fortes do filme.


Trágico mas belo, melancólico mas profundo, "The Deer Hunter" acaba por explorar os traços de personalidade que constroem o que cada um de nós é, que nos fazem reagir de forma diferente aos eventos na vida, que nos levam a superar os obstáculos de diferentes modos. É um filme sobre amizade, é um filme sobre a desumana condição de vida nas zonas de combate, é um filme sobre patriotismo, sobre heroísmo, sobre a vida e sobre a vontade de viver. Não é a guerra que toma o papel principal aqui, como eu já disse; são as pessoas e as experiências devastadoras que nela obtiveram.


"The Deer Hunter" viria a ganhar 5 Óscares em 9 nomeações na cerimónia de 1979, incluindo Melhor Actor Secundário, Melhor Realizador e Melhor Filme.


NOTA:
B+


INFORMAÇÃO ADICIONAL:
Ano: 1978
Duração: 182 minutos
Realização: Michael Cimino
Argumento: Michael Cimino e Deric Washburn
Elenco: Robert DeNiro, Meryl Streep, John Cazale, John Savage, Christopher Walken
Banda Sonora: Stanley Myers
Edição: Peter Zinner
Fotografia: Vilmos Zsigmond



Personagens do Cinema - The Joker


Apareceu no cinema em 1966 com Cesar Romero e teve o seu ponto alto 42 anos depois com a prestação lendária de Heath Ledger. Durante 42 anos, vários foram os que tentaram dar a Joker a merecida homenagem, tentando fazer dele um inimigo à altura do invencível Batman. No entanto, nem o próprio Jack Nicholson conseguiu.

Mas quando Christopher Nolan iniciou o projecto "O Cavaleiro das Trevas", imaginou um Joker que surpreendeu o mundo não só pela prestação fantástica de Heath Ledger, como também pelas suas ideias completamente esquizofrénicas! "O Cavaleiro das Trevas" é o filme que é, teve o reconhecimento e a aceitação que teve, porque nesse filme existe um actor e uma personagem que marcam um filme. Pela primeira vez num filme de Batman, este não foi a estrela. Este não foi a atracção e não foi de Christian Bale que se esperou a diferença.



Admito que "O Cavaleiro das Trevas" não foi um filme pelo qual tenha morrido de amores. Gostei, supreendeu-me, entreteu-me. Saí do cinema muito contente com os 5€ que gastei e sei reconhecer que é um filmaço! No entanto, sempre fui contra Christopher Nolan fazer filmes sobre o Batman. Sei que, por vezes, é necessário trazer dinheiro (e nisso, Nolan é mestre!) às empresas cinematográficas para se poder fazer filmes com o orçamento de Inception. Embora Christopher Nolan não faça nada mal e tudo aquilo em que toca transforma em ouro, prefiro vê-lo noutros projectos.


No entanto, nunca ninguem como Nolan conseguiu dar a emoção e o encanto que este deu aos filmes do Batman. É, na nova geração de realizadores que apareceram nesta ultima década, o melhor. Lamento a morte de Heath Ledger. Infelizmente não esteve entre nós para ver o seu esforço e dedicação devidamente reconhecidos. O papel de uma vida, que lhe valeu o Oscar depois da sua morte.

Maratona Meryl Streep: De Niro, Nicholson e Eastwood

Este artigo faz parte da nossa semana especial dedicada a Meryl Streep, intitulada apropriadamente Maratona Meryl Streep by Dial P For Popcorn. Vamos analisar os títulos mais importantes da sua filmografia e vamos tentar perceber como foi a sua carreira, como foi cada uma das suas nomeações aos Óscares e como é, portanto, a pessoa, a actriz, a mulher que se chama Mary Louise Streep.






(Robert DeNiro)



(Jack Nicholson)



(Clint Eastwood)


Se estes três senhores e gigantes do cinema o pensam, é porque é verdade.

Maratona Meryl Streep: Especial Grandes Divas do Ecrã

Este artigo faz parte da nossa semana especial dedicada a Meryl Streep, intitulada apropriadamente Maratona Meryl Streep by Dial P For Popcorn. Vamos analisar os títulos mais importantes da sua filmografia e vamos tentar perceber como foi a sua carreira, como foi cada uma das suas nomeações aos Óscares e como é, portanto, a pessoa, a actriz, a mulher que se chama Mary Louise Streep.






 

"Look at that. You've blown out my light."


Esta tirada, de um timing comédico impressionante num filme dramático com um argumento com bastante subtexto e humor negro, mostra bem o que Meryl Streep sabe fazer melhor (e, já agora, Amy Adams não está também nada mal nesta cena). 

Conseguem imaginar uma interpretação tão deliciosamente malévola quanto autoritária? Tão benfeitora quanto rude, Sister Aloysius é um poço de força, personificando o poder da Verdade em "Doubt", adaptado da Broadway pelo seu encenador, John Patrick Shanley e protagonizado por Meryl Streep, Viola Davis, Amy Adams e Philip Seymour Hoffman. Pelo meio, os tiques de Diva fazem o resto e quando nos damos conta, não podemos desviar o olhar do que Streep faz no ecrã. É impressionante.

 

EAT PRAY LOVE (2010)


"Attraversiamo". Esta palavra, que é como Liz (Roberts) se auto-define, no final do filme, e que usa para convidar Felipe (Bardem) para com ela atravessar o Pacífico e voltar a Nova Iorque com ela, já havia sido utilizada no início do filme numa cena sem qualquer interesse nem sentido, apenas para ilustrar o quão bonita é a língua italiana.


Infelizmente, "Eat Pray Love" também funciona assim - pega em cenas vindas do nada, atribuindo-lhes depois um significado desmesurado mais à frente no filme, como se fossem "eventos chave" que servirão de aprendizagem para Liz. Sem qualquer profundidade e cheio de futilidade, descreve-nos Itália através da comida e da união familiar, descreve-nos a Índia através da devoção religiosa e da contemplação meditativa e descreve-nos Bali como um eterno paraíso perdido entre as ilhas de Java indonesianas. Pelo meio, tenta manipular-nos com os eternos clichés sentimentalistas dos filmes tipicamente femininos - exactamente como o realizador Ryan Murphy faz na sua série televisiva "Glee" (embora aí a história seja parte menos fundamental que os números musicais, logo não importa muito para os fãs) -, tenta sensibilizar-nos para a experiência que Liz Gilbert vai tendo e tenta provocar em nós a vontade de também nós nos perdermos numa viagem destas. O que fica, duas horas e meia depois, é muito pouco.


Bom, o primeiro passo de Murphy foi conseguido: fazer-me identificar com a protagonista, com a sua auto-análise, fazer-me até concordar que uma mudança radical na sua vida é necessária, mesmo quando ela tem pura e simplesmente a vida que sempre quis, o marido que sempre quis e até a profissão que muitos desejariam ter. Mencionam-se discussões, menciona-se falta de entendimento entre os dois membros do casal, mas isso o filme nunca nos mostra. Ou porque está a querer ser condescendente connosco, ou porque acha que não interessa para nada (não sei, mas talvez me interessasse mais isso do que ver 30 minutos de comida italiana a ser-me atirada para a cara - não sei, talvez ajudasse a construir uma melhor caracterização da personagem principal, talvez desse para perceber o que correu tão mal na vida). Claro que no livro o assunto deve ter sido explorado muito melhor, mas isto é um filme e não é suposto eu ter que ler no subtexto (já nem digo entrelinhas, que este diálogo insípido não tem) coisas que Murphy devia ter-nos contado.


O problema de Murphy (passando agora para o segundo passo) foi não ter antevisto que ao não aprofundar a caracterização de Liz, tornou o personagem desagradável, insuportável e até mesmo detestável em certos momentos (então ela e os homens que lhe surgem, enfim). Julia Roberts trabalhou bem acima do material que lhe foi dado, isso é certo, conseguindo converter esta personalidade horrorosa que o argumento de Murphy lhe conferiu em desespero frântico e desejo de mudar de vida. Well done, cara Julia. Mas este problema de Murphy já não é de agora, como quem acompanha "Glee" e vê Lea Michele não ter pernas para andar com a terrível falta de personalidade da sua personagem, Rachel.


Vamos ao terceiro problema, que para mim é o pior. As personagens secundárias. Nenhuma (e friso o nenhuma), à excepção do texano Richard (Jenkins, numa interpretação cuidada, dedicada e sobretudo subtilmente complicada - isto é, com várias camadas de complexidade) que Liz encontra na Índia, contribui para ampliar a história. O marido Stephen (Crudrup) é puramente unidimensional e inacreditável; a melhor amiga Delia (Davis) de pouco mais serve - parece inicialmente servir de suporte mas não é em dois minutos de tempo de ecrã que conseguimos comprová-lo; David (Franco) é capaz de ser a pior personagem do filme; e Felipe (Bardem, com um brasileiro bacoco e terrível) é usado de todas as piores maneiras possíveis - será possível que alguém assim exista? Duvido muito. Já nem pego nas outras personagens secundárias estrangeiras, porque só servem para provar ao público a bipolaridade (queira-se dizer dualidade, vá) da protagonista.

Único real ponto positivo: a banda sonora. Dario Marianelli é um génio, já se sabe.

Depois de tudo considerado, penso que foi uma óptima oportunidade perdida. Senti-me definitivamente conectado com Liz, senti vontade de partir em viagem pelo mundo como ela e de facto admito que viajar com ela teria sido fabuloso - longe de fabuloso foi ver três horas de filme sobre isso. Que desperdício.



Nota:
B-/C+

Informação Adicional:
Ano: 2010
Realizador: Ryan Murphy
Argumento: Ryan Murphy, Jennifer Salt
Elenco: Julia Roberts, Javier Bardem, Viola Davis, Mike O'Malley, James Franco, Billy Crudrup, Richard Jenkins
Fotografia: Robert Richardson
Banda Sonora: Dario Marianelli

Maratona Meryl Streep EXPANDIDA!

Por vezes, não dá para prever o atraso que as coisas vão ter... E esta foi de facto uma semana complicada.

À custa disto, a nossa Maratona Meryl Streep vai ser expandida mais uma semana!


Continuando hoje... Esperemos arrumar os anos 80 da filmografia este fim-de-semana.

Esperemos que apreciem tal aumento e que continuem a seguir-nos e a comentar!