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DIAL P FOR POPCORN

DIAL P FOR POPCORN

Woody Allen dixit



It's just an accident that we happen to be on earth, enjoying our silly little moments, distracting ourselves as often as possible so we don't have to really face up to the fact that, you know, we're just temporary people with a very short time in a universe that will eventually be completely gone. And everything that you value, whether it's Shakespeare, Beethoven, da Vinci, or whatever, will be gone. The earth will be gone. The sun will be gone. There'll be nothing. The best you can do to get through life is distraction. Love works as a distraction. And work works as a distraction. You can distract yourself a billion different ways. But the key is to distract yourself.

Mais pérolas de sabedoria aqui. Uma leitura interessante, pela mente de Woody Allen.

Danado do Woody...



Que me sabe sempre chamar a atenção. Não se faz, pores a minha Cate Blanchett num papel tão bom, numa altura em que pouca gente lhe dá os papéis que ela merece (a moça até preferiu voltar, nos últimos anos, à cena teatral australiana, vejam lá bem!). E ainda lhe juntas mais pessoal que admiro, de Alec Baldwin a Bobby Canavale e sobretudo Sally Hawkins. A Sally Hawkins, tão roubada que ela foi de uma nomeação aos Óscares há uns anos.


Ó Woody, espero mesmo que não me desiludas, que já não tenho paciência para os teus "Midnight in Paris" e muito menos para um novo "Whatever Works". Ao menos parece pelo trailer que as peças encaixaram, que pareces estar de volta a um nível mais acídico, mais demoníaco. Promete. Para mal dos meus pecados, que habituei-me a criar distância antes de cada novo filme teu, para não me desapontar depois. 

TO ROME WITH LOVE (2012)


Woody Allen continua a gozar como ninguém os seus últimos anos de actividade. Novamente pago a peso de ouro para promover uma cidade europeia, repete sem quaisquer complexos a receita que o imortalizou: pequenas e insignificantes histórias de amor, satirizadas ao som de um ambiente charmoso e elegante. É preciso compreendê-lo. Já ninguém vai para uma sala de cinema à espera de ver um Annie Hall. Woody Allen já escreveu a sua página na história do cinema (e que página!). O que faz agora é pura diversão. Um passatempo para enganar a idade.


As opiniões sobre TO ROME WITH LOVE podem ser contraditórias. Compreendo isso. Cada vez é preciso mais paciência e disposição, em especial quando o espectador já viu uma boa dúzia dos seus filmes, para aceitar os trocadilhos fáceis e as opiniões mordazes do realizador, para se divertir com a ingenuidade das suas personagens, para (e aqui alguns vão-me considerar injusto) se surpreender com clichés repetidos filme após filme. 


Algo que me incomoda, neste filme e no pretensioso Woody Allen dos últimos anos, é a sua inconsequência e uma relativa impunidade (fruto da idade, mas acima de tudo resultado de uma carreira cheia de sucessos) com que constrói as suas histórias. Existe uma carta branca para as suas produções. Não existem limites e tudo o que faz é, no seu mundo e na sua cabeça, arte. Mas no mundo real e na boa-vontade dos espectadores existem limites. E por isso o seu mais recente filme é só mais uma história divertida (a espaços abusiva e pontualmente idiota). E o seu título, juntamente com o historial do realizador, resumem-no.

Nota Final: 
C


Trailer:



Infomações Adicionais:
Realização: Woody Allen
Argumento: Woody Allen
Ano: 2012
Duração: 112 minutos

Actividades do CCOP


O Círculo de Críticos Online Portugueses (CCOP) - do qual eu e o João fazemos parte - tem andado ocupado nos últimos tempos com listas especiais, que abordaram três dos maiores realizadores americanos da era moderna: Martin Scorsese, Woody Allen e (acabado de publicar) Ridley Scott.


Espero que tenham gostado tanto quanto eu de ver as pequenas nuances e flutuações de cada top e de compararem com os vossos favoritos pessoais. Posso dizer que fiquei bastante satisfeito com o resultado no top do Ridley Scott, com os meus favoritos (apesar de não na ordem em que votei neles - na minha lista, "Alien" continuaria o primeiro lugar, mas os outros dois trocariam) a figurarem todos no pódio - naturalmente, diria eu, uma vez que são os três filmes de Ridley Scott que reconheço estarem acima da mediocridade habitual dos seus restantes trabalhos (assumo, de qualquer forma, que é um realizador com o qual estou, ainda, pouco familiarizado).


Já no caso de Woody Allen (aviso já que não sou um fervoroso fã dos seus filmes mais recentes, pelo que me considero mais um admirador confesso do que propriamente um devoto seguidor), fiquei satisfeito por ver a minha campanha positiva em relação a três filmes que considero serem a nata da filmografia de Woody Allen - "Hannah and Her Sisters", "Bullets over Broadway" e "The Purple Rose of Cairo" - que são habitualmente postos de lado nestes tops em detrimento dos mais óbvios (mas sim, não menos merecedores) "Annie Hall" e "Manhattan" (fiquei contente por ver os três entre as dez melhores obras - tecnicamente, "Bullets" não é uma das dez melhores, mas está, por empate de vários filmes, no décimo lugar). Devo dizer que achei surpreendente "Interiors" pontuar tão alto, porque não pensava que conseguisse tão boas notas (foi o meu sexto favorito, com nota 9, ainda assim) de toda a gente. Uma frustração pessoal: o exageradamente amado "Midnight in Paris" figurar no top-10. Não consigo entender. Pode ser embirração minha. 


Finalmente, o top que, para mim, mais gozo me deu desvendar: o do inigualável Martin Scorsese. Uma surpresa enorme ver "Hugo" no quinto lugar (a nota não surpreende, dado que é a mesma que lhe tínhamos atribuído num dos tops mensais) e mesmo obras menores como "The Departed" e o ambíguo "Shutter Island" entre as dez mais pontuadas. O dois primeiros lugares do pódio são, para mim, indiscutíveis, sendo "Raging Bull" e "Taxi Driver" duas das obras mais influentes do cinema americano dos últimos cinquenta anos. Já o terceiro lugar merece discussão. Não me entendam mal, eu gosto muito do "Goodfellas" - só acho que "The King of Comedy", "Cape Fear" ou "New York, New York" são melhores (aliás, a todos dei melhor pontuação até que a "Raging Bull", embora perceba que este último é sempre uma escolha óbvia para melhor quando se fala de Scorsese). Para a boa nota de "Goodfellas" pode ter contribuído ter sido um dos quatro filmes que toda a gente do painel viu.

E vocês, já foram espreitar o trabalho do CCOP? Que pensam destas listas?

Personagens do Cinema - Annie Hall


Dei por mim a pensar que raramente escolho mulheres para fazerem parte desta rubrica. E que a grande parte das escolhidas até este mês (senão todas) foram da exclusiva autoria do Jorge. Por isso, este mês escolho uma mulher. E confesso-vos que a escolha foi difícil. Basta olhar para os melhores filmes do site IMDB.COM (que muitos "críticos" gostam de desprestigiar) e facilmente se percebe a enorme representatividade do sexo masculino no protagonismo desses filmes. É um facto. Por isso demorei-me na escolha. Fácil, seria pegar numa interpretação da Meryl Streep. Mas como já foi bastante dissecada na Maratona Meryl Streep que o Jorge fez no blogue há uns meses, optei por elogiar Woody Allen através daquela que foi a maior musa de toda a sua carreira, num dos mais aclamados e adorados romances da história.


Diane Keaton, em início de carreira, personificou a mulher que fez perder o juízo de um Woody Allen que se confundiu com o comediante Alvy Singer (personagem que encarna neste filme), um homem maduro, divorciado, com uma personalidade complexa (neurótico, obsessivo, impaciente, impulsivo). Todo o filme é marcado pela evolução de uma relação difícil, que se torna difícil pelas constante turbulências que os dois criam, que consomem o coração de Woody Allen. Annie é jovem, livre e com uma personalidade forte. É a típica jovem que, nos anos 70, caminha na dúbia fronteira entre o tradicionalismo e a irreverência. Sabe o que quer e sabe quem procura. E é delicioso todo o texto que se constrói, todas as ideias que se partilham e a forma como Woody Allen transforma uma mulher num marco, e a imortaliza pela sua escrita e pela forma única como nos fala de amor.

MANHATTAN (1979)



"I think people should mate for life, like pigeons or Catholics."


Manhattan é uma verdadeira obra de arte sobre o mundo cosmopolita. Um dos melhores filmes da carreira de Woody Allen, onde se entrega de corpo e alma na realização, na criação do argumento e na interpretação principal como Isaac, um argumentista de séries televisivas transformado num improvável sedutor, capaz de conquistar as mulheres pela inteligência das suas ideias e pela perspicácia das suas conversas.


Manhattan, "o coração de Nova Iorque", é um verdadeiro rebuliço de nações. Um rebuliço quase artístico, inspirador para muitos dos pensadores da nossa sociedade, um local mágico para os amantes do fervilhar das cidades. Isaac é um quarentão divorciado, a viver um romance de circunstância com a jovem Tracy (Mariel Hemingway), uma inocente rapariga, menor de idade e que se perdeu de amores pela intrigante personagem que é Isaac. Grande amigo e companheiro do casal Yale, um famoso e bem-sucedido professor universitário que vive um inesperado affair com a sofisticada Mary (Diane Keaton), Yale confessa a Isaac a angústia de esconder e viver uma relação proibida.


É quando se desloca até um museu com Tracy, que Isaac conhece pela primeira vez Mary, que o irrita profundamente com a presunção das suas ideias e o desprezo permanente pelas opiniões divergentes da sua. Numa mescla interessante de sentimentos, Isaac acaba por descobrir novamente Mary, por mero acaso, e uma jovial amizade nasce depois de várias horas na companhia um do outro. Companhia essa que acaba por ser partilhada durante grande parte do filme, numa constante troca de ideias e reflexões sobre as relações fugazes da cidade que nunca dorme, o drama da solidão e a dor da rejeição. Manhattan é hoje, como em 1979, um filme actual. A sociedade agradece.


Nota Final:
A-



Trailer:





Informação Adicional:
Realização: Woody Allen
Argumento:
Woody Allen
Ano:
1979
Duração:
96 minutos.

MIDNIGHT IN PARIS (2011)



"That's what the present is. It's a little unsatisfying because life is unsatisfying."


Midnight in Paris será certamente um dos melhores filmes da carreira de Woody Allen. Vê-lo (no cinema, recomendo totalmente) é uma enorme delicia e um reconfortante prazer. Vê-se com alegria, sente-se com felicidade e sai-se do cinema rendido à classe e ao charme de mais uma das muitas obras-primas de Woody Allen.


Concebido de forma verdadeiramente genial, com uma edição, uma fotografia e uma banda-sonora soberbas, que transportam o espectador para o coração de Paris, representado não só nas imagens (brilhantes!) da cidade, como também no retrato histórico desenhado por Allen e nas músicas escolhidas a dedo para cada instante de emoção.


Owen Wilson interpreta o papel de Gil Pender, um argumentista de Hollywood, com fama e currículo consolidados e que viaja para Paris com a sua noiva Inez (Rachel McAdams) e os seus futuros e asquerosos sogros, tentando encontrar inspiração para um romance que há muito deseja escrever. Cedo se percebem as enormes disparidades entre o casal e o fracasso a que a sua relação se encontra condenada. Gil é um homem simples, correcto, despretensioso e amante da história e das mentes brilhantes do passado. Inez é uma menina mimada, criada com luxo e extravagâncias, habituada a ter tudo e rendida às balelas que o seu amigo e historiador Paul (que com frequência tenta humilhar Gil) lhe enfia a toda as horas.


Gil é um apaixonado pela cidade de Paris, pela sociedade de Paris, pelos Anos 20 de Paris, pela história de Paris. É um romântico. É um sonhador. E quando no final de uma noite regada com vários copos de vinho tinto, se deixa passear sozinho pela cidade, acaba por encontrar um Peugeot Landaulet 184 do início do Século XX, que o conduz para a mais extraordinária, intrigante e inesperada aventura da sua vida. É então transportado para uma dimensão paralela, numa Paris do início do século passado, onde priva com algumas das mais carismáticas figuras que se imortalizaram pelas suas obras: Cole Porter, Ernest Hemingway, F. Scott Fitzgerald, Pablo Picasso, Salvador Dalí, Luis Buñuel, T.S. Eliot, Paul Gauguin e Henri Matisse. Entre esta sociedade imaginária, conhece Adriana (Marion Cotillard) a musa de Picasso e Hemingway, que o encanta com a sua beleza e a inteligência do seu olhar rebelde.


Midnight in Paris é mais um sonho que Woody Allen concretiza. Um história simples, ligeira, carregada de diálogos trabalhados pela inteligência e a sagacidade de um mestre. Com Midnight in Paris percebemos que se recordar é bom, viver é bem melhor.


Nota Final:
B+


Trailer:




Informação Adicional:
Realização: Woody Allen
Argumento: Woody Allen
Ano: 2011
Duração: 94 minutos

O Cinema Numa Cena


Bem-vindos a mais uma rubrica semanal aqui no Dial P for Popcorn - "O Cinema Numa Cena" tenta mostrar as nuances de uma interpretação fora-de-série numa cena pivotal do seu filme. 



Depois das últimas edições desta rubrica termos voltado à década passada, eis que damos um passo atrás e caminhamos para os anos 80, para um dos meus filmes favoritos de sempre e, para mim, um dos cinco melhores que Woody Allen já fez - e que por acaso celebrou o seu 25º aniversário esta semana: "Hannah and Her Sisters", que além de ter uma excelente direcção - e um excelente argumento - do próprio Woody Allen, tem um elenco a funcionar no topo da sua forma, com Allen a conseguir três magníficas interpretações das suas protagonistas - e para mim, indubitavelmente, a sua melhor prestação de sempre.

Prova disso:



Nunca a sua neurose teve tanta piada.



YOU WILL MEET A TALL DARK STRANGER (2010)




Eu até percebo a ideia. Mas tenho que vos ser sincero: O novo filme de Woody Allen é um tremendo aborrecimento. É daquele tipo de filmes que conseguem fazer-nos desesperar pelo seu final, pedir por favor para que o tempo passe e, em alguns momentos desabafar: "Isto era tão escusado..."


Nos pontos positivos, os mesmo de sempre e aquilo em que Woody Allen raramente falha: A fotografia e a banda-sonora. O que há de tão pobre em "You Will Meet a Tall Dark Stranger" é exactamente aquilo em que Allen é um senhor: o humor, o argumento, a ideia. É quase tudo medíocre, banal. Não há aqueles momentos de inteligência superior como os de "Whatever Works" ou aquela sabedoria magistral dos triangulos amorosos de "Vicky Cristina Barcelona" (só para recordar os seus mais recentes títulos, claro).




"You Will Meet a Tall Dark Stranger" é uma história sobre a sociedade actual. Eu não condeno o desejo que muitos dos realizadores tiveram, principalmente nesta última década, de explorar as consequências de uma sociedade comandada pelo dinheiro e interesses políticos, em que a grande maioria das pessoas são, e agora utilizo uma frase deste filme, "clichés ambulantes". Aliás, dá-me um grande gozo ver o que cada um consegue fazer com este tipo de história.




Woody Allen tentou abordar um lado que, até agora, ainda não tinha visto noutros realizadores. Neste filme tudo corre mal, está tudo destinado à desgraçada, ao fracasso, à solidão. Os problemas perseguem os protagonistas desta história e, por mais voltas que tentem dar, não conseguem sair do esgoto em que se enfiaram.

Tudo começa com o divórcio de Alfie (Anthony Hopkins) e Helena (Gemma Jones), pais de Sally (Naomi Watts), uma jovem licenciada em arte que casou com um promissor escritor que tinha tudo para lhe dar aquilo com que ela sempre sonhara: um marido culto, bonito, apaixonado e romântico, uma família grande e feliz, uma vida farta e sem problemas. No entanto, aquilo que parecia um conto de fadas, rapidamente se transforma em mais um banal casamento, em que duas pessoas se encontram juntas, limitando-se a esperar que o tempo passe.


Roy (Josh Brolin), que abdicou do curso do medicina para se dedicar à escrita, não passou de mais uma promessa falhada, com um grande sucesso de estreia, que não conseguiu suportar nos seus livros seguintes. Frustrados, Sally e Roy vão perdendo aos poucos a paixão que os une e começam a dirigir a sua atenção para outras pessoas: Roy está fascinado com a sua misteriosa vizinha, Sally encantada com o seu patrão.


Enquanto tudo isto acontece, Alfie apaixona-se por uma jovem prostituta, com a qual pretende casar e ter filhos. Leva uma vida de luxuria que, inevitavelmente, acabará por lhe sair bastante cara. E no meio de tudo isto, ainda levamos com as ideias completamente esquizofrénicas de Helena, que se entregou ao espiritismo após a separação e rege a sua vida pelas cartas de tarot. É uma mulher aterrorizada com a ideia de que o seu fim está próximo, alimentando a esperança de que existe vida para lá daquela em que se encontra.


"You Will Meet a Tall Dark Stranger" é, no fundo, o incansável desejo que muitos têm de procurar sempre algo mais. De nunca estarem satisfeitos, completos e realizados. De sonharem sempre com algo melhor, de sonharem com um futuro mais próspero e risonho. De acreditarem, de arriscarem. É esse o desejo que consome cada uma das personagens deste filme. Uma bonita ideia, num filme mal conseguido.


Nota Final:  
D


Trailer:




Informação Adicional:

Realização: Woody Allen
Elenco: Naomi Watts, Anthony Hopkins, Lucy Punch, Freida Pinto, Josh Brolin, Gemma Jones, Antonio Banderas
Argumento: Woody Allen
Ano: 2010
Duração: 98 minutos


O Cinema Numa Cena

Aqui está o regresso de uma das rubricas semanais mas queridas aqui no Dial P for Popcorn - "O Cinema Numa Cena" tenta mostrar as nuances de uma interpretação fora-de-série numa cena pivotal do seu filme.


Da última vez que tínhamos realizado esta rubrica, tínhamo-nos focado em Anthony Hopkins em "The Silence of the Lambs". Desta vez e porque ainda no post anterior falámos do ano de 2008, pareceu-me bem concentrar a nossa atenção numa das interpretações mais aplaudidas desse ano - e meritória (e óbvia) vencedora do Óscar de Melhor Actriz Secundária. Falo, pois claro, de Penélope Cruz na jóia de filme que é "Vicky Cristina Barcelona", uma semi-obra prima moderna de Woody Allen, muito próximo do valor do seu trabalho de tempos mais áureos (anos 80).


Além de ser pura e simplesmente uma interpretação fenomenal de uma actriz que, até dois anos antes ("Volver"), vinha passando despercebida do grande público apesar de muito elogiada em Espanha (devido a filmes como "Jamón, Jamón" e "Belle Époque"), antes de Pedro Almodovar ter feito dela a sua maior musa, esta é também uma das personagens mais fascinantes da filmografia de Woody Allen (e isto quer dizer alguma coisa, se pensarmos nas fascinantes personagens que vários filmes seus - "Annie Hall", "Manhattan", "Husbands and Wives", "Bullets Over Broadway", "Hannah and Her Sisters", "The Purple Rose of Cairo", entre outros - possuem).


Para que se veja, o filme dura cerca de duas horas, Penélope / Maria Elena só aparece em cerca de vinte, trinta minutos. Quando ela nos surge pela primeira vez, já o filme roda há mais de uma hora, é como se de amor à primeira vista se tratasse. Ela é mencionada várias vezes antes, através das descrições do seu ex-marido Juan Antonio (Bardem) e das suas conversas com Vicky (Hall) e Cristina (Johansson): já sabemos como ela é, já sabemos como ela fala, já sabemos o efeito que tem nas pessoas, mas aquele vislumbre e as primeiras impressões que tiramos da pessoa não são nada comparadas com a realidade.

Penélope Cruz faz questão de tornar a sua Maria Elena incandescente, explosiva, com pavio curto, resmungona, respondona, irritadiça, excêntrica, entusiasmante, apaixonada e apaixonante, com uma força e uma vontade irrepreensíveis, tudo isto demonstrado com apenas algumas cenas e em vinte minutos de tempo de ecrã. É para que se veja a dimensão em que a sua presença domina todo o filme. Não tenham dúvidas, ela é que é a estrela do filme. Mesmo que não se perceba tudo o que ela diz literalmente, a alma, o espírito, as emoções dela, dizem tudo. É uma interpretação sensacional.

Deixo-vos em seguida as melhores cenas dela no filme: