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DIAL P FOR POPCORN

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DJANGO UNCHAINED (2012)



"I like the way you die, boy."

Não sou um fan irracional de Tarantino. Aceito que se encontra um pouco sobrevalorizado, quase histericamente valorizado, embora goste da grande maioria dos seus filmes. Depois de um Inglourious Basterds bastante inglório, o que vi em Django Unchained surpreendeu-me a TODOS os níveis. Não contava que, 20 anos depois de surpreender o mundo com Pulp Fiction, Tarantino ainda fosse capaz de criar uma obra tão irreverente quanto refrescante, não só na sua carreira mas também naquilo que têm sido os últimos anos do cinema americano. Entrando pela primeira vez no seu (que é também o meu) género de cinema favorito, o Western, percebe-se que Django Unchained não é apenas mais um filme de Tarantino. É uma  demonstração categórica do potencial monstruoso que existe dentro de Tarantino. É, de longe, o seu melhor filme desde Pulp Fiction (tão bom quanto a sua consagrada obra), perdendo apenas para o inigualável Reservoir Dogs (vamos voltar a ter um primeiro filme tão brutal para o cinema quanto este?).

Aproveitando um leque bem recheado com actores de uma tremenda qualidade (quem pode, pode...), numa mistura invulgar (quem imaginava, há meia dúzia de anos atrás que DiCaprio e Samuel L. Jackson, ou mesmo Jamie FoxxChristoph Waltz seriam compatíveis?) magistralmente aproveitada e enriquecida pela narrativa de Tarantino, embalada por uma moderna, cativante e empolgante banda-sonora, paradoxal num Faroeste Americano tipicamente cheio de espingardas, cavalos e homens de barba rija (Sergio Leone estará certamente feliz). É a Melhor Banda-Sonora do Ano. Que se ouve vezes sem conta, numa repetição frenética e viciante. Nas notas individuais, e começando por Christoph Waltz, a personagem de Dr. King Schultz, um letal e implacável caçador de bandidos, que viaja pelo país disfarçado de dentista, é uma desilusão pelo facto de se tratar de uma reciclagem da personagem que desempenhou em Inglourious Basterds. Começo mesmo a achar que Waltz é apenas brilhante no papel do personagem germânico às ordens de Tarantino. É obviamente uma boa interpretação. Mas não traz nada de novo àquela surpreendente interpretação de há 3 anos.


Por outro lado, a melhor personagem do filme veio de onde menos se podia esperar. Samuel L. Jackson. Esse mesmo. No papel de um mordomo racista, autoritário e implacável, de uma lealdade profunda ao detestável Calvin Candie (Leonardo DiCaprio), proprietário de frondosas e intermináveis fazendas, numa exploração sem escrúpulos de negros, é uma interpretação de uma dificuldade técnica tremenda, deixando boquiabertos muitos dos que julgavam sentenciada a carreira do homem que proferiu o salmo mais famoso da história do cinema. Juntamente com um competente e empenhado Jamie Foxx (Ray não foi um engano), são dois dos segredos do sucesso na história de Django, um escravo que luta pela sua liberdade, ao longo de uma jornada longa, intensa e turbulenta, num filme que alguns consideraram demasiado longo. Já vi filmes com menos de 100 minutos demorarem bem mais a passar. E porque estamos perante uma obra-de-arte, o espectador merece desfrutar de uma lição de cinema de um dos mais brilhantes criadores da história da sétima arte. São 165 minutos do melhor Tarantino dos últimos 20 anos. E estão no cinema, para o leitor desfrutar deles.

Nota Final 
A- 
(9,5/10)


Trailer



Informação Adicional
Realização: Quentin Tarantino
Argumento: Quentin Tarantino
Ano: 2012
Duração: 165 minutos

DJANGO UNCHAINED, de Quentin Tarantino, ganha trailer

O homem por detrás de "Kill Bill", "Pulp Fiction", "Reservoir Dogs" e "Inglorious Basterds" está de volta. 

Quentin Tarantino aventura-se desta vez num western spaghetti que tem por base a história de um escravo, Django (Jamie Foxx), comprado pelo Dr. Schultz (Christoph Waltz), um caçador de recompensas que tem por objectivo apanhar os irmãos Brittle. Django, solto, tem só um objectivo em mente: resgatar a sua mulher Broomhilda (Kerry Washington), que perdeu para o tráfico de escravos anos antes. Os dois homens acabam por ir dar à fazenda de Calvin Candie (Leonardo DiCaprio), famoso por maltratar escravos e colocá-los a lutar uns com os outros e em obrigar as escravas a prostituir-se. Resumindo: mais uma trama com todos os ingredientes que tornaram Tarantino num ícone do cinema de autor das últimas décadas (a única dúvida que tenho é: será que não vamos sentir falta de Sally Menke? Temo que sim.). 


Não parece o habitual candidato aos Óscares mas com Tarantino e os irmãos Weinstein nunca se sabe. "DJANGO UNCHAINED" chega aos cinemas norte-americanos no dia de Natal. Por cá, deve aparecer no final de Janeiro de 2013. 


O Cinema Numa Cena


Parabéns pelo 51º aniversário, belíssima Daryl Hannah! Que mais gente encontre em ti o talento que Tarantino sabia teres escondido.



E não é por nada mas esta Elle Driver é, para mim, das interpretações secundárias mais impressionantes da década. E onde estava a Academia? Pois, a premiar isto.

Grandes Divas do Ecrã

E em honra da recém-falecida Sally Menke, editora de longa data de Quentin Tarantino - e que fez o seu melhor trabalho, para mim, neste "Kill Bill: Vol. 1" (2003) -, deixo este post com uma das maiores divas da década passada (ainda por cima considerando que teve de enfrentar outras divas - O-Ren Ishii, Bill, Elle Driver - iguais ou piores que ela):


"Your name is Buck, right?"


"And you came here to fuck, *right*?"


[manda a porta contra a cabeça; procura nos seus bolsos e encontra um par de óculos de sol e umas chaves; lê o porta-chaves e...]

 "Pussy Wagon. You *fucker*!"



The Bride (Uma Thurman), "Kill Bill: Vol. 1" (2003)
 
 
 
E deixo-vos cá um extra... Tarantino inclui em todos os DVD dos seus filmes uma sequência nos Extras chamada "Hi, Sally", que basicamente consiste em extractos de filme entre cenas onde os actores dizem "Hi, Sally" para a câmara, com o intuito de entreter a editora, quando esta for editar o filme. No YouTube encontram dois deles, que passo a colocar abaixo:
 




Descansa em paz, Sally!

Quentin Tarantino: Inglourious Basterds


O mais recente dos filmes de Tarantino (e embora eu ainda não fosse gente em 1994 ou não fizesse a mais pequena ideia do que era Cinema e Tarantino aquando da saída de Kill Bill), penso que Inglourious Basterds terá sido o filme com maior divulgação, box office e aceitação pelo público em geral. Na análise a este filme, penso que obtemos duas opiniões um pouco distintas: Para os mais fervorosos fans de Tarantino, Inglourious Basterds é visto como um belo filme, mas a satisfação que se retira não será a mesma de um Pulp Fiction ou de um Reservoir Dogs (nem penso que poderia ser). Para os fans dos filmes mais mainstream, principalmente aqueles para quem Inglourious Basterds é o primeiro contacto que têm com Tarantino, este é tido como um grande filme, dos melhores de 2009. São duas opiniões que respeito e compreendo.


No meu entender, Inglourious Basterds é um filme com grandes interpretações (como é o caso de Christoph Waltz, um desconhecido que limpou tudo o que era troféu desde Cannes até aos Óscars com uma das grandes interpretações da última década) e com pequenos momentos de uma genialidade enorme, ao melhor nivel de Tarantino, como a cena inicial em que Coronel Hans Landa (Christoph Waltz) captura, com uma enorme classe, uma família de Judeus (ou não fosse a sua alcunha, que ostenta com orgulho, "Jew Hunter").


Inglourious Basterds é um filme dividido em 5 capítulos e que conta a história de um grupo (posso dizer, "heterogéneo") de Judeus, liderado por Aldo Raine (Brad Pitt) e que se orgulha de fazer frente ao regime Nazi, de uma forma tão eficaz, cuja fama se espalha pela Europa e leva a que, o próprio exército Nazi sinta receio destes guerrilheiros. A acção começa quando este grupo decide eliminar o Coronel Hans Land e este prova ser um osso muito duro de roer!

É um filme que mistura o melhor humor negro de Tarantino, com empolgantes cenas de acção e suspense. Toda a excitação (acho que foi o maior empurrão para tal) à sua volta levou-o a conseguir 8 nomeações na ultima edição dos Oscars, tendo garantido a inevitável estatueta para o papel de Melhor Actor Secundário que, no meu entender, seria criminoso caso não acontecesse.


Nota Final: B+

Trailer:


Informações Adicionais:
Realização: Quentin Tarantino
Argumento: Quentin Tarantino
Ano: 2009
Duração: 153 minutos

Quentin Tarantino: Death Proof


O mais fraco dos dois filmes de Grindhouse. O humor negro de Robert Rodriguez deixou-me completamente pasmado em Planet Terror e a pensar como é que alguem vai de Spy Kids até Planet Terror (ou até mesmo a participação em Sin City e a realização do mais recente Machete que embora ainda em fase inicial recebe em imdb.com uma boa pontuação).
Mas estamos aqui para falar de Quentin Tarantino e de Death Proof. Penso que em poucas palavras se explica a essência do filme. Stuntman Mike (Kurt Russell) e o seu carro "à prova de morte", um belo dodge challenger de 1970 é conhecido por ser um mortífero assassíno que percebe jovens mulher até as assassinar em brutais acidentes de carro.

Tudo lhe corre bem, e o filme começa com uma prova clara das potencialidades de Mike. Estamos num bar, e vemos aparecer Shanna (Jordan Ladd), Arlene (Vanessa Ferlito) e Jungle Julia (Sydney Poitier). Mike está sentado nesse mesmo bar. É então que Julia revela que fez, nessa mesma manhã um estranho anúncio na rádio: avisou que iria sair com as suas amigas nessa mesma noite e que, caso alguem visse Arlene, deveria pagar-lhe uma bebida, olha-la nos olhos enquanto recitava o poema "Stopping by Woods on a Snowy Evening" de Robert Frost e, no final chama-la de borboleta. Se tal acontecesse, Arlene teria que fazer a essa mesma pessoa, uma lap dance (a imaginação de Tarantino é uma fora de série...)
Mike convence Arlene a fazer-lhe a Lap Dance e depois disso, dá boleia a Pam (Rose McGowan) a empregada do bar. É aí que temos uma das frases mais marcantes do filme. Durante a viagem, Pam pergunta a Mike se o carro é seguro ao que este responde: “100% death proof, but to get the benefit of it, honey, you really need to be sittin’ in my seat!” e sem piedade e num brutal acidente, mata Pam, seguindo-se mais tarde Shanna, Arlene e Jungle Julia.

14 meses depois, somos confrontados com uma história em (quase tudo semelhante) a esta. Abernathy (Rosario Dawson), Kim (Tracie Thoms), e Lee (Mary Elizabeth Winstead) são três raparigas com aspirações a Hollywood que se encontram estacionadas num Dodge Charger de 1969 em pleno Tennessee. Mike observa-as. A adrenalina, a vontade de matar começam aos poucos a tomar conta de si mas desta vez, há algo de diferente. Aos poucos o espectador começa a notar em pequenos pormenores, pequenas diferenças que culminam com um final surpreendente, talvez a melhor parte do filme. Ficará para sempre na minha memória a cena final e onde Tarantino dá mais uma prova da sua potencialidade e capacidade criativa.


Embora seja um filme uns furos abaixo daquilo a que Tarantino nos foi habituando, considero-o sem dúvida um bom filme e um bom registo de Tarantino. Melhor que Jackie Brown, é um filme que combina bem com a sua outra metade "Planet Terror" e tornou o projecto Grindhouse num dos grandes sucessos de 2007!

Nota final: B

Trailer:


Informação Adicional:
Realização: Quentin Tarantino
Argumento: Quentin Tarantino
Ano: 2007
Duração: 114 minutos


Quentin Tarantino: KILL BILL (2003-2004), Vol. 1 e Vol. 2



Até há pouco tempo recusei-me a ver Kill Bill. O cartaz não me convencia, a prespectiva de Tarantino num filme de acção também não. Assim que tive a ideia de vos fazer esta retrospectiva sobre o Quentin Tarantino, tive obrigatoriamente que o colocar no leitor de DVD.

E que grande surpresa eu tive! Atrás de Reservoir Dogs e Pulp Fiction, a grande distância dos restantes filmes de Tarantino, Kill Bill é uma obra de arte. É um filme de acção e uma história aparentemente simples sobre vingança. No entanto é uma história criada por Tarantino, o que é o mesmo que dizer, uma história carregada de humor negro, com uma fantástica banda-sonora (considero seriamente falar-vos sobre ela em breve nas crónicas sobre as soundtracks) e particularidades deliciosas como o mítico jipe Pussy Wagon.




Kill Bill conta-nos a história de uma noiva (Uma Thurman) cujo casamento é estragado por Bill (David Carradine) e pelo seu gang. Após 4 anos em coma e de um despertar inesperado, a noiva decide vingar-se daqueles que a tentaram tramar. Um a um, todos serão eliminados. São 4 os alvos a abater antes de chegar até Bill: O-Ren Ishi, Vernita Green, Elle Drive e Budd que, a mando de Bill, constituiam o Deadly Viper Assassination Squad.


Um filme cheio de acção, que no meu entender é o que menos me importa, embala-nos numa aventura intensa, numa saga dividida em 2 filmes (que aconselho sejam vistos de uma assentada), pensado ao cuidado por Quentin Tarantino e que mostra um lado que, embora já conhecido de Tarantino (o seu humor e os seus diálogos, embora menos em foco, continuam brilhantes) exposto de uma nova forma. É acção à moda de Tarantino!


Nota Final: A-

Trailer:



Informações Adicionais:
Realização: Quentin Tarantino
Argumento: Quentin Tarantino
Duração: 111/136 minutos
Ano: 2003/2004

Quentin Tarantino: Jackie Brown



É um filme que já vi há uns 5 anos e como tal não tenho grandes recordações dele. Sei que é, dos filmes de Tarantino, o que menos gostei. Talvez discuta o ultimo lugar com Deadproof (do qual falarei em breve), não deixando de ser um belo policial que, se fosse da autoria de um comum mortal, eu próprio diria "sim senhor, óptimo filme" mas, ao ser da autoria do mesmo homem que criou Reservoir Dogs e Pulp Fiction, terei inevitavelmente de dizer que, sendo um agradável filme, não se compara em nada às suas duas primeiras películas.



Sem vos querer adiantar muito sobre a história, Jackie Brown (Pam Grier) é uma hospedeira de bordo que trafica dinheiro, entre os Estados Unidos e o México, sob as ordens de Ordel Robbie (Samuel L. Jackson), um traficante de armas que está a encher o seu baú para gastar após de reformar. Quando a polícia entra na história, por via de Max Cherry (Robert Foster) e Ray Nicolette (Michael Keaton), esta é aliciada a estabelecer com eles um acordo que a levaria a entregar-lhes Ordell. Sentido que esse mesmo acordo não a levará a lado nenhum, Jackie desenha um plano para conseguir baralhar todos, fugir e ficar com o dinheiro só para si. Será que consegue? A resposta a esta pergunta vão ter que a descobrir quando virem o filme!

Nota Final: B

Trailer:

Informações Adicionais:
Realização: Quentin Tarantino
Argumento: Adaptação de Tarantino do livro de Elmore Leonard
Duração: 154 minutos
Ano: 1997