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DIAL P FOR POPCORN

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Mil e Uma Noites: O Inquieto, de Miguel Gomes

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É com pena que vejo este filme passar ao lado de Portugal.

É com pena que vejo que um filme como o Pátio das Cantigas eclipsa uma obra-prima do cinema português (o tempo tratará de dar o devido reconhecimento à omelete que Miguel Gomes conseguiu fazer sem ovos) como o Mil e Um Noites. Não se trata de menosprezar a galinha de ovos de ouro que Leonel Vieira descobriu - só o vê quem quer, só apoia o cinema baseado na reciclagem de titulos centenários quem quer. Aliás, a ideia é tão vencedora que se vai replicar em mais meia-dúzia de obras para encher a barriga de quem gostou da fórmula inicial. 

 

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O que mais me custa é que 8 em cada 10 portugueses (isto é uma estatística totalmente aleatória, baseada num censos feito por mim a pessoas que encontrei por aí) olharão para o título Mil e Uma Noites, para as 6 horas de filme e para o nome de Miguel Gomes e acabarão por desistir com a justificação, clássica, de se tratar de uma coisa para intelectuais.

 

Meus caros - estão redondamente enganados.

 

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Que se recusem a ver o Tabu até aceito (embora o faça com pena de quem não se digna a ler a sinopse ou a aguentar os dois minutos do trailer que estão no youtube) - é um filme a preto e branco, sobre o tempo colonial "e isso já não interessa". Mas em Mil e Uma Noites aquilo que vemos é um esforço nobre, valente e ousado de gritar aos sete ventos aquilo em que nos transformaram, aquilo em que nos deixámos transformar - o canto esquecido em que acabámos. Composto por um conjunto de quatro histórias bem-dispostas, que nos forçam a encarar com um sorriso as agruras do presente, as duas horas de O Inquieto, a primeira parte de Mil e Uma Noites, convencem o público a regressar - Dia 24 de Setembro estreará O Desolado e a 1 de Outubro a trilogia encerra-se com O Encantado.

 

Vão vê-lo, por favor. Porque é nosso, é sobre nós e está muito bem feito.

TABU (2012)



Foi o grande filme português de 2012. E numa época de balanços (em que finalmente livres de exames da faculdade estamos mais disponíveis para o cinema), Tabu não podia deixar de passar aqui pelo Dial P for Popcorn. Galardoado no Festival de Berlim, Nomeado pelos Críticos de Londres e de Toronto, elogiado pelos quatro cantos do mundo. É realmente um belo pedaço de arte. Um orgulhoso momento de cinema em português, sobre portugueses e sobre o nosso Portugal além fronteiras. Arrojado sem ser pretensioso,  consciente das suas naturais limitações de produção, Miguel Gomes consegue fazer uma omelete sem ovos, colocando de lado o depreciativo estereótipo do típico filme português que ora tenta levar ao ridículo e absurdo o cinema de autor, ora tenta americanizar uma cópia já de si americanizada de um argumento feito com base em filmes americanos.


O filme corre em dois espaços temporais. Inicialmente, o espectador entra nas casas de Aurora, uma mulher no final da sua vida, amargurada pela solidão e pela saudade da sua filha, e de Pilar, sua vizinha, cinquentona solteira que vive o drama do decrépito final de Aurora. O espaço citadino de uma Lisboa que se despede de 2010 cheia de incertezas, dá lugar ao calor da Angola colonial, onde Aurora, então uma jovem cheia de beleza, energia e inocência, vive os seus primeiros anos de um casamento de sonho com um jovem bonito e bem sucedido. Este idílico cenário, onde o sonho e a fantasia se confundem com a realidade, é abalado pela chegada de Gianluca Ventura, um italiano galante, que conquista os olhos, o coração e o corpo de Aurora.


A história de um amor nas quentes terras africanas, quando a guerra colonial era ainda um projecto e os portugueses viviam afortunados, abastados e felizes numa terra que tomaram como sua. Com requintados pormenores, uma marca própria vincada em todo o filme, um argumento rico e muitíssimo bem escrito, Tabu aparece em 2012 para provar que Sangue do Meu Sangue, em 2011, não foi um mero acaso. O Cinema Português pode muito bem estar a virar a mais importante página da sua história. Veremos o que 2013 nos reserva. Quanto a Tabu, é filme.

Nota Final: 
B+ (8/10)


Trailer:



Informação Adicional:
Realização: Miguel Gomes
Argumento: Miguel Gomes e Mariana Ricardo
Ano: 2012
Duração: 118 minutos

NINHO DE CUCOS (VII)

Novo mês, novo insurgimento social contras as velhas e austeras medidas que a Troika nos teima em oferecer como brinde natalício antecipado. Governo e sindicatos degladiam-se de forma cada vez menos figurada, numa luta entre pessoas cada vez menos interessadas em lutar. Assim se progride em Passos lentos no país pelo qual já ninguém dá Cavaco. Mas não sou eu, universitário sustentado pela família, que ainda me dou ao luxo de sofrer menos pelos sacrifícios financeiros, que pelo impacto psicossocial da crise, que vou juntar o meu latim à horda de bitaites que apesar de alheios à solução para a crise, são omniscientes relativamente ao facto da necessidade da guilhotina ter cabeças para separar do respectivo pescoço.


Não. Em vez disso deixem-me preocupar com as convocatórias da seleção ou com a mensagem de voz nos comboios da CP, enquanto escolho o país para onde vou emigrar. E se bem que as escolhas do mister Paulo Bento não têm volta a dar, já a robótica e feminina voz, que no final das viagens ferroviárias endereça uma agradecimento pela "preferência" dos seus utentes pela única empresa de comboios no nosso país, podia claramente beneficiar de uma completa remodelação. Sei bem que há alternativas ao transporte ferroviário, mas ter de ouvir uma barbaridade destas de uma operadora de transportes com um serviço tão ruinoso e tão pouco fiável como a CP torna-se tão agradável como ouvir a minha professora, que não chega à aula das 14h antes das 15h30, queixar-se da minha pontualidade. É sofrimento imerecido e numa época em que um noticiário é fonte suficiente de sofrimento para toda a semana revela-se cada vez mais premente suprimir estes desnecessários focos de angústia, para a população em geral, e para mim em concreto. Julgo mesmo oportuno revisitar a minha aula do meio-dia, em que um outro professor meu atentava na necessidade da precisão do discurso, citando Jô Soares com a feliz expressão: "Meça suas palavras!"

No nosso Portugal não impressiona que o efeito borboleta de uma má escolha de palavras em São Bento, seja razão suficiente para desencadear um ciclone de Bragança a Sagres. Por outro lado, não deixa de ser curioso o facto de se chutar uma pedra e aparecerem umas 10 pessoas capazes de identificar a mais ampla variedade de defeitos no novo acordo ortográfico, mas se sai uma notícia n'A Bola ou no Record a dizer que fulano vai ser "irradiado" do desporto, é rara a alma que reconhece a violência dos abusos a que a sua língua materna acabou de ser sujeita. Permitam-me portanto ser apologista do pedantismo, já que dele depende, não só a defesa da nossa cultura linguística, como também o bom funcionamento da nossa disfuncionante sociedade.

Mas quem vive também de uma boa escolha de palavras é o cinema. 


Costuma-se dizer que uma imagem vale mais que mil palavras, mas no fundo ninguém usa imagens para evidenciar a singularidade de uma circunstância. Uma citação, um título, uma discussão são, não raras vezes, exemplos máximos do expoente artístico que um bom filme pode oferecer. Pessoalmente admiro a arte de fazer funcionar um título. Pode não parecer tarefa digna de louvor, mas a congregação de um conjunto de palavras que sirva mais do que o simples propósito de rotular um filme comporta, por vezes, uma qualidade artística que muitas fitas não conseguem sequer aproximar nas suas centenas de minutos de rodagem. Mais do que isso, é difícil nos tempos que correm, encontrar um título que não denuncie metade da história da película, o que não deixa de ser sobejamente irritante, tendo em conta a quantidade de trailers e sinopses que surgem cedo demais e revelam mais do que devem.

A este ponto serve bem ao objectivo do meu argumento tirar "Good Bye Lenin", de Wolfgang Becker, da cartola, obra que representa exemplarmente a escassez de bons títulos a que me refiro. Esta película alemã, cujo nome nos transporta para um universo decerto comunista, oculta de forma encantadora a necessidade desta epígrafe. O filme desenrola-se na Alemanha dividida, mais concretamente do lado de lá do muro, numa altura em que o regime comunista parece prestes a dar os seus últimos suspiros de vida. Sucede então, que pouco antes da queda do muro, a mãe do protagonista entra em coma, e não acorda até que toda a evidência da sociedade em que sempre viveu seja substituída pela máquina capitalista, com rapidez e eficácia tais que a Blitzkrieg hitleriana se sentiria vexada perante tão descomplexada empresa. O desenlace do filme determina entretanto a dramática (porém cómica) tentativa do filho em proteger a ressuscitada mãe da invasão dos valores ocidentais de liberalização económica. Contudo, o pináculo da narrativa fica reservado para o momento em que a pobre mãe, vendo-se finalmente livre do hermético controlo da sua cria, se depara com a alienígena visão de uma Alemanha forrada a painéis publicitários, quando do céu surge, transportada por um helicóptero, uma estátua de Lenin de braço estendido em jeito de despedida. E é aí que o título do filme se desacorrenta da sua mera função de etiqueta, para fornecer àquela cena uma grandiosidade simbólica, de outra forma inatingível.


Este é o verdadeiro alcance que um perfeito uso da palavra é capaz de atingir. Enquanto que a necessidade básica do uso da palavra se confina à tradução de conceitos para linguagem comunicável e objectiva, a fim de fornecer informação para descobrir relatividade, o autor do filme contorna essa utilização comum atribuindo-lhe uma função que ultrapassa vastamente o seu valor concreto e fornece-lhe uma dimensão simbólica poucas vezes disponível fora da arte puramente literária. De qualquer das formas há-de sempre haver quem determine que o filme do Spiderman deva ser estandardizadamente chamado "Spiderman", e daí seja fácil perceber que a mestria do uso da palavra vá muito mais além do que saber juntar meia dúzia de vocábulos para simplesmente encontrar forma de denominar algo. 

Mas pronto isto tem o valor que tem quando é dito por alguém que encabeça os seus textos com números. 

Gustavo Santos

JOSÉ E PILAR (2010), por João Samuel Neves



"A Pilar, que ainda não havia nascido e tanto tardou a chegar."


José e Pilar. Porque José Saramago não seria Saramago sem Pilar. Porque Pilar del Río não seria Pilar sem Saramago. Um documentário fantástico, editado, filmado e produzido com imensa paixão, que explora com perspicácia a infinita imaginação de um dos maiores e mais sagazes pensadores dos tempos modernos. Um homem diferente de todos os outros, com uma visão singular do mundo e da religião, sem medo de tocar nos tabus das sociedade e de abanar os alicerces que sustentam a inabalável fé que muitos têm por Deus e pelo Cristianismo.


José e Pilar é uma honrosa e dignificante despedida de Saramago. Ao longo de todo o documentário (filmado entre 2006 e 2008) vemos um Saramago cada vez mais debilitado fisicamente. Paradoxalmente a esta deterioração exterior, facilmente percebemos que o génio continua lá. Que o humor mordaz e lacerante, que as expressões politicamente incorrectas maturaram com a idade e tornaram-se cada vez mais oportunas. Vemos um Saramago que, sentado no seu computador, produz e cria a uma velocidade improvável para os seus debilitados 85 anos. Vemos um Saramago que percorre o mundo, é adorado, admirado e procurado em qualquer ponto do Planeta. Um Saramago que não se cansa. Um Saramago que não se rende ao passar do tempo. Um Saramago que um Portugal (e Cavaco Silva) obtuso e retrógrado nunca soube acolher e compreender.


Mas José e Pilar tem mais para ver. Neste filme/documentário, o leitor poderá perceber a profunda intimidade de um casal, à partida, improvável. E, também neste documentário, o leitor perceberá que, ao lado de um grande homem, se encontra sempre uma grande mulher. E Pilar é uma grande mulher. Uma mulher que certamente deixará orgulhosa qualquer leitora que tenha a possibilidade de ver José e Pilar. É ela (como certa vez o próprio Saramago a rotulou) o seu Pilar. Em momentos de dificuldade, Pilar nunca deixa Saramago, e o amor que existe no casal respira-se em toda a película. É esta relação tocante que o realizador Miguel Gonçalves Mendes explorou de uma forma sublime. É o melhor de um filme onde o humor de Saramago nos diverte e entretém, onde a fotografia e a edição carregam o filme de uma tensão e um ambiente que envolvem o espectador e o colocam em Lanzarote, no mesmo espaço (físico e temporal) de Saramago.


Um digníssimo representante de Portugal na categoria de Melhor Filme Estrangeiro nos Oscars deste ano. Um dos melhores documentários que alguma vez vi. Um grande filme Português.


Nota Final:
A-


Trailer:




Informação Adicional:
Realização: Miguel Gonçalves Mendes
Argumento: Miguel Gonçalves Mendes
Ano: 2010
Duração: 125 minutos

SANGUE DO MEU SANGUE (2011)





Não saí da sala de cinema rendido. Saí satisfeito, contente pelo investimento num bilhete de cinema (cada vez mais caro!) para um filme português, mas não saí fascinado e extasiado como a grande maioria dos críticos de cinema em Portugal. No entanto, percebo-os. Sangue do Meu Sangue será, muito provavelmente, o melhor filme português dos últimos 50 anos e, seguramente, um dos melhores momentos da nossa (infezlimente, paupérrima) indústria cinematográfica. Se existisse, no nosso blogue, uma nota exclusiva para filmes portugueses, não teria dúvidas em lhe atribuir o valor mais alto.


Como já disse, Sangue do Meu Sangue é um bom filme. Começo por vos falar de Rita Blanco, o melhor entre o melhor. Uma interpretação arrebatadora, uma prova do enorme valor como actriz e mulher. Sem ela, sem a sua interpretação, sem a sua entrega à história, certamente Sangue do Meu Sangue passaria ao lado de muito boa gente. Mas há mais interpretações que merecem o meu destaque. Anabela Moreira, no papel de tia solteirona e abandonada, a representar o triste fim de uma mulher que encalha num beco sem saída e perde a esperança de ser feliz, e ainda Nuno Lopes (o herdeiro natural do trono que actualmente Miguel Guilherme ocupa como melhor actor português dos últimos anos) vive a personagem de um gangster e comprova que é impossível representar mal.

Mas Sangue do Meu Sangue tem mais. Tem um dedo tão marcante de João Canijo, que o torna diferente, que o torna mais especial. Tem as conversas paralelas. Tem uma câmara que se movimenta dentro das cenas como se do próprio espectador se tratasse, uma câmara que permite viver o ambiente da família que faz a história deste filme. E, por fim, Sangue do Meu Sangue, retrata aquilo que é o Portugal dos nossos dias. O Portugal da crise económica, familiar e amorosa. O Portugal que vive das migalhas, que alimenta sonhos de um amanhã melhor e que tenta, a todo o custo, sair do buraco em que foi enfiado.


O que gostei menos em Sangue do Meu Sangue? Começo por esclarecer que adorei os diálogos e as personagens. Foi uma criação inteligente, não só da parte de Canijo como de todo o elenco (que participou activamente na criação do argumento). No entanto, achei (pessoalmente) uma história demasiado previsível para poder classificar o seu argumento de Brilhante. A história deste filme já foi contada de muitas formas (algumas vezes melhor, muitas delas pior) e acaba por não trazer nada de realmente novo e diferente àquilo que é o cinema. Pelo menos o cinema internacional, porque em Portugal é claro que se demarca e se distingue (por uma grande margem) de quase tudo o que se tem feito nos últimos anos. Mas sabe a pouco. Sangue do Meu Sangue ficou muito perto de ser um filme estupendo e se posicionar lado a lado com os melhores filmes de lá de fora. Olhando-o como um crítico Português, acho que Sangue do Meu Sangue é um marco. Olhando-o como um crítico de estrangeiro, acho Sangue do Meu Sangue um bom e interessante filme.

Se merecesse que o espectador o veja no cinema e ajude João Canijo a continuar a fazer bom cinema? Totalmente. Um conselho: Aproveite para investir o seu orçamento cinematográfico do mês de Outubro neste filme. Ganha você, ganha João Canijo e ganha o Cinema Português. Desta vez vale bem a pena.


Nota Final:
B+


Trailer:





Informação Adicional:

Realização:
João Canijo
Argumento:
João Canijo e Elenco
Ano: 2011
Duração:
140 minutos

Apresentação Oficial do DVD "Complexo : Universo Paralelo" - 3 de Abril, às 17h na Fnac Colombo

Complexo: Universo Paralelo”, um dos grandes sucessos do cinema português de 2010 chega finalmente às lojas portuguesas em formato DVD. A apresentação oficial do documentário em DVD será amanhã, dia 3 de Abril às 17h na Fnac do Centro Comercial Colombo em Lisboa.

Uma cerimónia especial que contará com a presença dos irmãos Pedro e Mário Patrocínio, criadores do documentário.



Críticas Rápidas


Bom, há que explicar primeiro a ideia deste post: uma vez que não tenho tempo para criticar todos os filmes numa razoável extensão, eis que optei por escolher os melhores ou os mais proeminentes e escrever sobre eles e deixar para segundo plano os restantes, pegando neles desta forma. Seguindo o conceito de "crítica rápida", não escreverei mais de duas-três frases por filme, realçando apenas os principais aspectos positivos e negativos de cada um.



ALL GOOD THINGS (B-): Ryan Gosling e Frank Langella um pouco abaixo do que podem fazer, mas Kristen Dunst brilhante. A história não faz muito sentido por vezes, contudo o filme é fascinante. Andrew Jarecki a provar o que os seus dois filmes anteriores adivinhavam: está ali um senhor realizador. 



 
BURIED (B-): Talvez o pior dos nossos pesadelos. Boas decisões do realizador Rodrigo Cortés. Uma interpretação surpreendente de Ryan Reynolds, a demonstrar instinto dramático, se bem que numa personagem francamente limitada.


BURLESQUE (B-): Um filme cheio de disparates e clichés mas, mesmo assim, não tão mau como o pintam (ou estavam à espera que fosse). Gigandet e Aguilera não são bons actores, isso é certo. Bell, Tucci e Cher compensam largamente. E o momento da balada de Cher faz o filme.


EMBARGO (B): Estive imenso tempo para fazer uma crónica completa a este filme e acabei por ficar-me só por isto. "Embargo" é curioso. É o melhor elogio que posso fazer ao filme. O filme de António Ferreira representa um passo em frente no cinema português, fabricando um filme inteligente, divertido e de boa qualidade. 



GET LOW (B): "Get Low" é, acima de tudo, o show de Robert Duvall. Uma interpretação monstruosa. E a cena do discurso... das melhores que vi este ano. Não é um filme genuinamente triste nem inspiracional (como o tentam vender), mas é um filme que vale a pena ver.



GOING TO DISTANCE (B-): Incrível química (óbvio que são namorados na vida real) de Drew Barrymore e Justin Long. Uma comédia que me impressionou devido à inúmera quantidade de clichés e 'plot holes' em que podia ter caído facilmente e aos quais conseguiu fugir. Bravo.


HOWL (B): Alan Ginsberg parece ter sido uma personagem feita à medida de James Franco. Uma brilhante interpretação, num filme recheado de pequenos grandes papéis (Jon Hamm, David Strathairn, Jeff Daniels, Alessandro Nivola, Mary-Louise Parker e Aaron Tveit). Mesmo quando a história foge ao objectivo e perde um pouco a qualidade, Franco é carismático o suficiente para nos agarrar a atenção sempre.



I LOVE YOU PHILIP MORRIS (B): No que poderia parecer à primeira vista uma comédia inapropriada sobre gays, acaba por ser do mais engraçado e agradável que vi nos cinemas este ano. Ewan McGregor e em particular Jim Carrey a trabalhar milhas acima do argumento.



LOLA (B+): Depois de "Kinatay", eis que Brillante Mendoza nos traz mais um grande filme. Esta história de duas avós a lutar pelo que é melhor para os netos apanhou-me de surpresa, porque nunca pensei que um filme com uma história tão simples pudesse ser tão poderoso, tão envolvente, tão especial. Provou-me o contrário.





OF GODS AND MEN (B): Não vou mentir se disser que tinha grandes esperanças neste filme. Afinal, estamos a falar do escolhido francês para seguir os passos de "Entre Les Murs" e "Un Prophète" na corrida aos Óscares. Infelizmente, o filme desiludiu-me. É um grande filme à mesma, mas não é de todo tão interessante ou avassalador como os dois títulos que o precederam. Uma história bem explorada, um elenco de qualidade, contudo parece falhar o objectivo.



RED (B-): Comédia engraçada mas (quase) sem sentido nenhum. Helen Mirren, John Malkovich, Bruce Willis e Morgan Freeman a divertir-se com o peso da idade é sem dúvida interessante, mas de resto... Mais nada salva o filme.


SALT (B-): Importa dizer, desde logo, que este filme tem de ser avaliado como o filme de acção que é. O argumento é curioso (nada de especial, mas para um filme de acção, bem acima da média). Angelina Jolie sente-se como peixe na água (alguém notou a falta do Tom Cruise? Eu não.), dando energia, poder e convicção ao papel e Philip Noyce realiza um filme de acção que de facto se pode orgulhar.





SECRETARIAT (C+): Que dizer mais desta cópia aborrecida do "Seabiscuit" que é tão pretensiosa que nem se apercebe das grandes incongruências da sua história? Querem-me explicar qual o ângulo da "impossible true story" que o poster promete? Será o da doméstica rica que com pouco mais para fazer decide comprar um cavalo, investir num dos maiores treinadores no ramo e fazer uma fortuna quando ele ganha as três provas de maior renome? Deve ser. Uma história impossível E verídica. Enfim. É preciso ter pachorra. Ao menos Diane Lane está razoável. Pena que só lhe dêem papéis destes e um "Unfaithful" surge a cada dez anos.





WHITE MATERIAL (B+): Fiquei enfeitiçado pela filmografia de Claire Denis em 2008 com o formidável "35 Shots of Rum". Surpreendeu-me ainda mais quando vi o "Beau Travail" que é de 1999. Portanto, é óbvio que já estava à espera de boas coisas quando vi "White Material". E não me desapontou. Uma intepretação soberba de Isabelle Huppert transcende o filme, que já por si é brilhante. Claire Denis é, simplesmente, um dos melhores realizadores que por aí anda.



YOU AGAIN! (C+): Novamente Kristen Bell com outras duas veteranas (Weaver e Lee Curtis) a compensar uma parte fraca (continuo a não perceber como Odette Yustman continua a ter trabalho em Hollywood). Uma comédia como muitas outras. A diferença desta está no magnífico elenco que arranjou (a juntar-se às quatro mencionadas temos Garber, White, Chenoweth e o novo achado, James Wolk). Vale a pena, mais não seja para ver Betty White.


E vocês? Viram alguns destes filmes? Que pensam?

PASSATEMPO: "Complexo - Universo Paralelo" - Vencedores





"COMPLEXO: UNIVERSO PARALELO", de Mário Patrocínio, aclamado entusiasticamente em vários festivais, é um poderoso documentário que retrata o dia-a-dia das pessoas que vivem no Complexo do Alemão,  o maior aglomerado de favelas do Rio de Janeiro e que recentemente se tornou fonte de notícia à custa da operação policial lá exercida.

O filme segue, durante três anos, as pessoas que ali habitam e, acompanhando a vida da favela por dentro, dá-nos uma visão priveligiada da pobreza, da violência e da criminalidade que nela prevalece. "Uma realidade diferente, um universo à margem do mundo civilizado, um visão de dentro deste pequeno mundo."



Abaixo ficam os vencedores dos 10 convites duplos para as duas antestreias do filme, que serão precedidas de uma apresentação pelo realizador Mário Patrocínio. Parabéns a todos!

11 de Janeiro (terça) - UCI EL CORTE INGLÉS (Lisboa), 22h00:

André Filipe da Silva Veríssimo
Ângelo Miguel da Silva Gaspar
Carlos Alexandre de Seiça Cardoso
Daniela Filipa Pereira Loureiro
Filipa Catarina da Cruz Lamberto Conceição Manços
Filipe André Roque Viegas
Inês Ferreira de Almeida Osório Bernardo
Jesualdo Ricardo Salvador de Matos
João Miguel Cruz dos Santos Manata
Maria Pedro Bento Mesquita


12 de Janeiro (quarta) - UCI ARRÁBIDA SHOPPING (Gaia), 22h00:
 
Ana Cláudia Oliveira Antunes
Ana Maria Ferreira da Costa
Ana Paula da Silva Oliveira Rodrigues
Aprígio Manuel Ferraz Armada
Bernardo de Ornelas Godinho
Guilherme da Silva Ferreira Alecrim
Lídia Maria Mendes Jacques da Costa
Liliana Cristina Moutinho da Costa
Luís André Romeiro Gaia Braz
Maria Antónia Ferreira de Magalhães


PASSATEMPO - "Complexo: Universo Paralelo"





"COMPLEXO: UNIVERSO PARALELO", de Mário Patrocínio, aclamado entusiasticamente em vários festivais, é um poderoso documentário que retrata o dia-a-dia das pessoas que vivem no Complexo do Alemão,  o maior aglomerado de favelas do Rio de Janeiro e que recentemente se tornou fonte de notícia à custa da operação policial lá exercida.

O filme segue, durante três anos, as pessoas que ali habitam e, acompanhando a vida da favela por dentro, dá-nos uma visão priveligiada da pobreza, da violência e da criminalidade que nela prevalece. "Uma realidade diferente, um universo à margem do mundo civilizado, um visão de dentro deste pequeno mundo."

"COMPLEXO: UNIVERSO PARALELO" chega aos cinemas portugueses a 13 de Janeiro de 2011, distribuído pela Valentim de Carvalho Multimédia.

Deixo-vos com o trailer:



Para estrear a nossa nova parceria com a Valentim de Carvalho Multimédia, temos dez convites duplos para oferecer para estas duas antestreias:

  • 11 de Janeiro (terça) - UCI EL CORTE INGLÉS (Lisboa) às 22h00
  • 12 de Janeiro (quarta) - UCI ARRÁBIDA SHOPPING (Gaia) às 22h00

Para se habilitarem a um dos convites duplos, tudo o que têm a fazer é enviar-nos um e-mail (dialpforpopcorn@gmail.com) com o título da mensagem "Passatempo: Complexo" e indicando ainda o nome completo, nº BI/Cartão Cidadão, qual a antestreia que quer frequentar e respondendo à seguinte pergunta: "Quais os nomes dos festivais por onde o filme COMPLEXO: UNIVERSO PARALELO" passou?

O passatempo dura até dia 10 de Janeiro à noite.
Boa sorte!